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A busca do encaixe perfeito na escolha do vice

Ilustração Web
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Como se escolhe um vice? Diz a tradição política e falam as vozes da experiência, que o primeiro requisito é que o candidato não atrapalhe o cabeça de chapa. Se puder somar, ótimo. Estamos falando sobre a campanha. Mas, tem o pós. Eleitos, ambos devem ter o mínimo de afinidade. E o vice continuar sendo o substituto eventual. Dessa feita, seguindo aquela receita simples de bolo: não atrapalhando.

Vice é o substituto imediato do titular do cargo. Ponto. Porém, muitos não entendem essa objetiva atribuição. Por isso que às vezes é tão difícil o encaixe das duas peças.

Na política de Mossoró, um exemplo de fácil compreensão desse entendimento vem de 2016. A jovem Nayara Gadelha (PP), sem nunca ter disputado qualquer cargo eletivo, foi tirada da cartola do rosalbismo para ser vice da favoritíssima e, vencedora, Rosalba Ciarlini (PP). Encaixe perfeito na luta pelo voto e na gestão. Se não acrescentou, com certeza não subtraiu.

Nayara não era a preferida de Rosalba e do seu marido e líder, ex-deputado estadual Carlos Augusto Rosado. Acabaram aceitando por pressão do ex-deputado federal Betinho Rosado (PP), cunhado de Rosalba/irmão de Carlos.

Eles fecharam a porta para o grupo da ex-deputada federal Sandra Rosado (PSB, hoje PSDB), prima e ex-adversária que queria indicar a filha e ex-deputada estadual Larissa Rosado (PSB, hoje PSDB). O rosadismo tinha sido cooptado à campanha da “Rosa”, após quase 30 anos de duelos eleitorais – veja AQUI). Contudo, vice não cabia, para não atrapalhar adiante.

No pleito seguinte, candidata à reeleição para o quinto mandato na Prefeitura de Mossoró, o rosalbismo fez diferente: puxou quem achava que somaria do outro lado, na oposição. Havia a certeza que assim praticamente não ocorreria campanha, subtraindo forças.

O ungido foi o ex-candidato a vice-prefeito adversário de Rosalba, em 2016, engenheiro Jorge do Rosário (PR). As contas não deram muito certo, pois Rosalba e Jorge perderam para o deputado estadual novato Allyson Bezerra (SDD, hoje no UB).

Lula e Fátima

Em 2022, o ex-presidente Lula (PT) importou quem já tinha o rotulado de “líder de quadrilha (o PT).” E daí? Feio era perder. O ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) mudou de legenda, lado, discurso e partido para ser o companheiro de Lula. Sem dúvida, ele aditivou a chapa no maior colégio eleitoral do país (São Paulo), como o petista calculou.

Eleito, Akcmin tem cumprido agendas importantes, mas também aguenta ultrajes, como a primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a “Janja”, cumprir missões que lhe caberiam. Vice é vice até nisso.

No RN, o vice de Fátima Bezerra (PT) no primeiro mandato na Governadoria foi Antenor Roberto (PCdoB). Mesmo reconhecido como leal, colaborador, competente e cônscio de suas funções, foi ejetado da chapa sucessória. Lula avisou: “O vice é Walter Alves (MDB),” deputado federal. Todos baixaram a cabeça e murcharam as orelhas, escutando a decisão ‘democrática’ de quem manda.

Retornemos a Mossoró. O vice do prefeito eleito em 2020 foi selecionado por exclusão. Ninguém queria ser, enxergando o lugar como uma ‘furada’ ou, se esquivando, por outras razões. Então, o PSD do vereador Raério Araújo sugeriu na 25ª hora o nome do empresário João Fernandes de Melo Neto, Fernandinho das Padarias. Era o que tinha. Mesmo sem conhecê-lo até então, Allyson Bezerra aceitou-o de braços abertos.

Foram eleitos e o arranjo não durou politicamente um semestre de mandato. Fernandinho não entendeu o presente que tinha recebido, de graça. E não seguiu a cartilha do bom vice. Caiu no ostracismo a ponto de passar meses sem sequer aparecer no prédio onde está seu gabinete.

Bem, 2024 se aproxima. O que vai valer para escolha do vice de Allyson Bezerra? A receita de bolo continua a mesma. Ponto de partida é quem não atrapalhe e, se possível, some.

Entende?

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PT agora tem pressa e corre atrás do ‘prejuízo’

O PT da senadora Fátima Bezerra agora tem pressa.

A malemolência dos últimos meses dar lugar a um ritmo acelerado (e talvez precipitado) de decisões.

A campanha finalmente começou para o PT do Rio Grande do Norte.

A recente pesquisa divulgada no domingo (1º), em que a pré-candidata Fátima Bezerra segue na frente na preferência ao governo, mas em queda num comparativo à sondagem anterior (veja AQUI), diz muito dessa mudança de estratégia do petismo do RN.

Em queda

Na pesquisa Consult/Blog do BG publicada em 28 de maio, Fátima Bezerra tinha 29,29% das intenções de voto. Agora ela apareceu 26,06%. Foram 3% a menos, apesar de manter dianteira de 10% em relação ao segundo colocado, Carlos Eduardo Alves (PDT), que ostenta 16,06%.

Definição de política de alianças, acerto quanto às chapas proporcionais e anúncio de vice ocorreram num espaço de quatro dias.

Leia também: PT surpreende e antecipa escolha do vice de Fátima.

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