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Caso Rolling Stone x Google expõe ameaças ao jornalismo e à criação

Por Alexandre Salvatore

Arte ilustrativa com recurso de Inteligência Artificial para o BCS
Arte ilustrativa com recurso de Inteligência Artificial para o BCS

Uma ação judicial movida pela Penske Media, responsável por títulos como Rolling Stone, Billboard e Variety, colocou novamente em evidência a tensão entre gigantes da tecnologia e a indústria de mídia. A editora acusa o Google de utilizar trechos de suas reportagens para alimentar resumos automáticos de inteligência artificial exibidos diretamente nos resultados de busca, sem autorização ou remuneração. O caso foi protocolado em um tribunal federal em Washington e pode se tornar um divisor de águas no debate sobre propriedade intelectual no ambiente digital.

A Penske afirma que perdeu mais de um terço do faturamento proveniente de buscas em 2025, já que os usuários muitas vezes consomem a informação no resumo do Google e deixam de acessar os sites originais. Este cenário alarmante levanta a questão: se até grandes veículos estão sendo drenados dessa forma, o que sobra para a imensa economia de criadores, que hoje vive de visibilidade, autoria e conexão direta com o público?

A disputa vai muito além de cliques ou receita publicitária e nos coloca frente a frente a um dilema de mercado: como manter vivo o incentivo de quem cria, investiga e apura, quando a IA avança sobre direitos de propriedade intelectual e transforma conteúdo em insumo gratuito para suas próprias plataformas? O Google argumenta que os resumos de IA ampliam o acesso à informação. Mas a pergunta é: como essas informações estão sendo extraídas e dispostas? Só porque uma Big Tech diz que “é avanço” vamos ignorar os marcos regulatórios conquistados até aqui, da proteção autoral às regras de concorrência leal?

Essa tensão não é apenas um embate jurídico. Ela desnuda um desequilíbrio estrutural que atinge diretamente publishers e criadores, os verdadeiros alvos desse processo de apropriação. Embora estejam posicionadas na outra ponta da cadeira produtiva, as marcas também devem sentir as consequências, uma vez que se o conteúdo de qualidade e credibilidade desaparece, o ambiente onde campanhas prosperam também perde força.

Mas, diferentemente dos publishers, elas ainda têm alternativas: migram para criadores, buscam novos canais, reconfiguram suas estratégias. Já para quem produz jornalismo e conteúdo autoral, o buraco é muito mais embaixo.

No Brasil, o alerta já deixou de ser apenas uma possibilidade e virou disputa judicial. Não muito tempo atrás, a Folha de S.Paulo processou a OpenAI, acusando a empresa de coletar e utilizar seus conteúdos sem autorização, tanto para treinar modelos quanto para exibi-los diretamente a usuários, em uma prática que o jornal classifica como concorrência desleal e violação de direitos autorais.

Quando até veículos de referência recorrem à Justiça para tentar frear o avanço de gigantes globais da tecnologia, fica evidente que estamos diante de uma era de inflexão: o consumo de informações passa a ser mediado por plataformas que concentram poder, ditam a forma de acesso e ainda operam em um cenário de regulação nebulosa. O resultado é um desequilíbrio que ameaça não só o jornalismo, mas toda a economia criativa que depende de diversidade, autoria e legitimidade para prosperar.

Há ainda uma questão de confiança. Uma investigação da BBC aponta que resumos automatizados de IA podem apresentar erros factuais em até 50% dos casos. Em outras palavras: tentam reproduzir, de forma truncada, o trabalho de jornalistas e criadores, entregando fragmentos sem contexto e com alto risco de distorção. Esse é o tipo de ambiente tóxico para qualquer forma de comunicação séria, do jornalismo às campanhas de marcas que dependem de autoridade.

O processo da Penske contra o Google, portanto, não é apenas mais uma rixa isolada contra a big tech. É um sinal de que a inteligência artificial precisa coexistir com modelos de licenciamento e remuneração que façam justiça a quem cria. Caso contrário, estaremos aceitando que os avanços da tecnologia ocorram às custas do enfraquecimento de quem sustenta o fluxo de informação e dá legitimidade à cadeia de comunicação como um todo.

A questão que fica é: vamos assistir passivamente à erosão das bases da economia da criação só porque algumas Big Techs decidiram chamar isso de “inovação”?

Alexandre Salvatore é sócio-fundador e CEO da Myhood, startup especializada no licenciamento de vídeos virais e conteúdos gerados por usuários (user-generated content – UGC)

TSE tenta conter conteúdo mentiroso nas redes sociais

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes recebeu nesta quarta-feira (19) representantes das principais plataformas de redes sociais.Fake News - notícias falsas

No encontro, ele disse que a atuação das plataformas foi razoavelmente boa no primeiro turno, mas que neste segundo turno a situação da desinformação está um desastre.

Moraes afirmou ainda que há demora para remover conteúdo e pressionou para que plataformas como YouTube, TikTok e Kwai não levem mais que quatro a cinco horas para retirada de vídeos após denúncias do tribunal.

Com uma remoção mais rápida seria possível reduzir a viralização desses conteúdos nos aplicativos de mensagens.

Também foi dito na reunião que o TSE vai votar nesta quinta (20) uma resolução que amplia o poder de polícia para agir de ofício contra desinformação eleitoral e também proibir propaganda paga na internet de 48 horas antes até 24 horas depois do pleito.

Segundo relatos de participantes, o YouTube teria se mostrado mais resistente a uma maior rapidez na remoção. Já o WhatsApp teria afirmado que a incidência de disparos em massa diminuiu nesta eleição e apoiou o pedido pela retirada mais rápida de vídeos nas plataformas de origem para inibir viralização.

Nota do Canal BCS (Blog Carlos Santos) – O TSE não consegue o básico: evitar o dilúvio de fake news, grande ameaça à democracia e ao voto. Nem mesmo difere o falso do verdadeiro e punições são pífias aos que abusam da mentira na produção ou multiplicação dela. Essa é uma guerra perdida. Lamento muito. E as pessoas “de bem” em muito contribuem para isso.

A 10 dias das eleições, o TSE e as empresas não firmaram novos acordos, segundo um dos presentes. Participaram representantes do Google, Kwai, LinkedIn, Meta/WhatsApp, TikTok, Twitch e Twitter. Representante do Telegram só chegou quando a reunião já havia terminado.

Com informações da Folha de São Paulo e outras fontes.

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Debate tem um vencedor, mas resultado é pouco relevante

Pergunta clássica ao fim de cada debate:

– Quem ganhou?

Bolsonaro embaraçou Lula com Petrolão e sobrou na gestão do tempo para manter discurso (Foto: reprodução)
Bolsonaro embaraçou Lula com Petrolão e sobrou na gestão do tempo para manter discurso (Foto: reprodução)
Lula conduziu o debate no primeiro bloco e teve ligeira vantagem com o tema da pandemia (Foto: reprodução)
Lula conduziu o debate no primeiro bloco e teve ligeira vantagem com o tema da pandemia (Foto: reprodução)

Se houve um vencedor do debate promovido por pool formado pelo portal UOL, o grupo Bandeirantes, a Folha de São Paulo e a TV Cultura, com apoio do Google e YouTube, esse foi Jair Bolsonaro (PL). O evento aconteceu nesse domingo (16), às 20h.

Ah, isso significa que  o presidente e candidato à reeleição vai ter uma elevação considerável nas intenções de voto?

Provavelmente, não. Em resumo, não ocorreu nada de grande impacto que provoque ondas concêntricas ao longo dos próximos dias, capaz de desaguar nas urnas em seu favor.

O debate é em essência um teatro. Falas, caras e bocas passam mensagens verbais e não verbais. O conteúdo, de temas relevantes a polêmicos, é parte do enredo. O que cada lado procura é se esquivar do que lhe embaraça, ao mesmo tempo que tenta ‘derrubar’ o adversário num momento único do confronto.

Não houve nocaute, usando-se aqui a linguagem do boxe. Em alguns momentos, sobretudo quando o tema era corrupção e sua relação com ditadores e ditaduras de esquerda, Lula cambaleou nas palavras ou não teve respostas seguras e convincentes. Porém, não desabou.

O temperamento explosivo, carregado de rompantes, que é uma marca de Bolsonaro, foi automodulado. Aproveitou melhor o tempo e até fisicamente intimidou Lula (PT), quando se aproximou dele gracejando e tentando tocá-lo em tom de compadrio. O petista ficou nitidamente incomodado.

Só no primeiro dos três blocos, Lula conduziu o debate e deixou o adversário molestado, ao insistir bastante na questão da pandemia e a postura de Jair Bolsonaro no período,

O escândalo de corrupção na Petrobras, o “Petrolão”, revelou o ex-presidente novamente com dificuldade de se desvencilhar, acuado. Isso já tinha ocorrido em debate no primeiro turno. Bolsonaro disparou série de números bilionários de desvios na Petrobras. Lula não contestou, preferindo falar em quebradeira de empresas e soltado a impressão de que “pode ter havido” tamanho propinoduto.

Pedofilia

Antes, Bolsonaro antecipou-se à esperada menção a vídeo de conotação pedófila que foi viralizado nas redes sociais, o envolvendo diretamente. Empunhou ‘cola’ com resumo de decisão monocrática do ministro Alexandre de Moraes, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e praticamente matou o assunto. Saiu-se bem, pois o despacho do ministro determinou retirada do vídeo do ar e viu como improcedente a acusação feita contra o presidente.

Horas antes do debate, um zunzunzum corrente era de que Jair Bolsonaro estaria muito abatido e poderia nem comparecer ao programa. Motivo: essa polêmica.

No último bloco, Jair Bolsonaro ficou quase 7 minutos contínuos no ar fazendo suas pregações contra Lula e o PT, sem ser contestado. Repetiu o que fala há séculos sobre corrupção, costumes, religião etc. Lula, por sua vez, consumiu todo o tempo tentando dar explicações, sem perceber que o ‘banco de minutos’ das regras do debate era consumido por ele de forma quase inócua.

Será que os indecisos, principal alvo dos dois candidatos, foram alcançados? A interpretação do debate é puramente emocional em se tratando de partidários dos candidatos. O xis da questão é quem está alheio a um e a outro concorrente e como cada marketing usará esses conteúdos pinçados do debate, mas catalisar quem não tem candidato.

A disputa segue tensa, dura e indefinida. O debate não será determinante de nenhum salto desse ou daquele disputante. Vamos aos próximos rounds. Que soe o gongo.

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Veja como será o primeiro debate entre Lula e Bolsonaro

Lula e Bolsonaro estarão frente a frente pela primeira vez no 2º turno (Fotomontagem do Poder 360/Arquivo)
Lula e Bolsonaro estarão frente a frente pela primeira vez no 2º turno (Fotomontagem do Poder 360/Arquivo)

Jair Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficarão frente a frente pela primeira vez no segundo turno neste domingo (16/10), às 20h. Os presidenciáveis participam de debate promovido por pool formado pelo portal UOL, o grupo Bandeirantes, a Folha de S.Paulo e a TV Cultura, com apoio do Google e YouTube.

No primeiro bloco, os candidatos serão perguntados pelos mediadores do debate. Lula será o primeiro a responder. Ambos terão um minuto e meio para a resposta.

Depois, os participantes iniciam um embate direto e cada um terá 15 minutos para administrar entre perguntas, respostas, réplicas e tréplicas.

Segundo bloco

No segundo bloco, quatro jornalistas dos veículos que formam o pool formularão perguntas aos presidenciáveis. Bolsonaro responderá primeiro à primeira e à terceira pergunta. Lula responderá primeiro à segunda e à quarta pergunta.

Cada candidato terá um minuto e meio para a resposta e não haverá réplica ou comentários.

Último bloco

O terceiro e último bloco começa com uma mesma pergunta sendo feita pelos mediadores para os dois candidatos. Lula começa respondendo e ambos terão um minuto e meio para a resposta. Na sequência, os presidenciáveis terão 15 minutos para embate direto, nos mesmos moldes do primeiro bloco. O debate se encerra com um minuto e meio para considerações finais dos dois participantes.

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Cuidado com o Google

Logo da GooglePor François Silvestre

O Google não é a Britânica. Pode ser mais vasto, mais amplo, mais atual. “Porém, entretanto mas porém” falta-lhe o cuidado da honestidade intelectual. Na Britânica você aprende, lá sustenta-se a formação. No Google você pesquisa, lá chove e derrama-se a informação. Cuidado. Nem sempre a informação a mancheias traz consigo o zelo da formação.

Certa vez, num comício que eu fazia no Café São Luiz citei um verso do pastor alemão Martin Niemöller que diz: “Um dia eles vieram e levaram meu vizinho judeu, não falei nada porque não sou judeu,/ depois vieram e levaram um católico, não falei nada porque não sou católico,/ no dia seguinte vieram e levaram um comunista,/ não falei nada porque não sou comunista. Até que vieram e me levaram, aí não havia mais ninguém pra falar nada”.

Numa roda de pessoas presentes ao evento, um intelectual bem conhecido na cidade me corrigiu, como soube depois, dizendo que esse pastor nunca existiu e que os versos eram de Bertold Brecht. Brecht nunca escreveu esse poema. Mas, muitos vieram me cobrar.

No Google já vi esses versos: Só é cantador quem traz no peito o cheiro e a cor da sua terra,/ a marca de sangue dos seus mortos/ e a certeza de luta dos seus vivos, atribuídos a Vital Farias. Não é dele. Como sei? Sei porque esses versos são meus. Vital Farias apenas os recitou, consta na capa do disco com o devido crédito. Vital não tem culpa, mas o Google tanto atribui a mim quanto a Vital.

Agora, vejo um texto horroroso recitado pelo presidente do Supremo Luiz Fux, na dobrada do ano, atribuindo autoria a Carlos Drummond de Andrade. Deve ter tirado do Google.

Drummond nunca escreveu esta merda, felizmente; literatura que nem Branchu assinaria. Que Fux é uma fraude jurídica, todos sabemos. Mas ele deveria ter vergonha e não atribuir ao Poeta Maior um texto escrachadamente horrível.

O próprio Fux seria um autêntico autor dessa porcaria. Cuidado com o Google.

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O Mito da Bolha

Por Francisco Edilson Leite Pinto Júnior

Se Platão fosse vivo, com certeza ele criaria, não o “Mito da Caverna”, mas o “Mito da Bolha”.

No livro “O filtro invisível”, Eli Pariser nos alerta:

– “Poucas pessoas notaram a mensagem postada no blog corporativo do Google em 4 de dezembro de 2009: “Buscas personalizada pra todos”…

A partir daquela manhã, o Google passaria a utilizar 57 “sinalizadores” para tentar adivinhar quem era aquela pessoa e de que tipos de sites gostaria…

Em outras palavras, já não existe Google único… Assim, começou a era da personalização (…). A democracia exige que os cidadãos enxerguem as coisas pelo ponto de vista dos outros; em vez disso, estamos cada vez mais fechados em nossas próprias bolhas.

E continua Eli Periser:

– “Cada indicador de clique que enviamos é uma mercadoria, e cada movimento que fazemos com o mouse pode ser leiloado em microssegundos a quem fizer a melhor oferta (…) Numa época em que as informações partilhadas são a base para a experiência partilhada, a bolha dos filtros é uma força centrífuga que nos afasta uns dos outros (…)”.

Segue:

– “Um mundo construído a partir do que é familiar é um mundo no qual não temos nada a aprender… Sem saber, estamos nos submetendo a uma espécie de lobotomia global”.

Pois bem, a cada dia que acordo, e, ao passear pelas redes sociais, encontro tantas pessoas tão cheias de “verdades”, que só me resta lamentar:

– “Pai, perdoa-os! Eles não conseguem enxergar a bolha a que estão presos”…

Francisco Edilson Leite Pinto Júnior é professor, escritor e médico

João Maia questiona lucros de gigantes do mundo digital

Apresentado pelo Deputado João Maia (PL/RN), o Projeto de Lei nº 2.358/2020 tem ganhado cada vez mais destaque na imprensa nacional. Na noite desta sexta-feira (24), o PL de João Maia foi notícia em rede nacional pela Rede Record, no Jornal da Record.

João: momento delicado da economia (Foto: arquivo)

Esta semana, a Câmara aprovou o requerimento do deputado que pede ao Ministério da Economia informações sobre impostos que as empresas globais de tecnologia, como Google e Facebook (que faturam no Brasil e recolhem impostos em outros países, inclusive nos EUA), pagam sobre os lucros que tem aqui no Brasil.

O PL propõe a instituição de Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico incidente sobre a receita bruta de serviços digitais prestados pelas grandes empresas de tecnologia (CIDE-Digital).

Tributos

No requerimento enviado pela Câmara ao Ministério da Economia, João Maia questiona:

– Quanto essas grandes empresas e tecnologia pagam de tributo no Brasil? Quanto elas pagam de remessa de lucro para o exterior? E quanto pagam em média às empresas brasileiras de outros setores?

Para João Maia, “a questão é pagar aqui o que se fatura aqui. Nós estamos vivendo um momento de crise fiscal, mesmo antes da pandemia, e estamos precisando de recursos”, argumentou o deputado.

Nota do Blog – Excelente intervenção, deputado. O mesmo foco deveria existir sobre grandes fortunas e bancos, mas acho que a reforma tributária vai quebrar nas costas daquela turma de sempre: classe média e pobre.

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Inteligência artificial e aplicativos ameaçam empregos

Por Josivan Barbosa

Voltamos a repetir neste espaço que Mossoró precisa buscar alternativa para os postos de trabalho que serão, no futuro próximo, perdidos na sua maior empresa, a AeC. A empresa está sentido a necessidade de se adaptar à evolução do perfil do consumidor, que usa mais os aplicativos e outros canais digitais para se comunicar. Isso ocorre principalmente em telecomunicações, que representam parte importante da receita de call center. As televendas e o serviço de atendimento ao cliente caem, enquanto o autosserviço, transações digitais e recuperação de crédito crescem.

Diante da forte queda no volume de ligações nas centrais de atendimento, a AeC, terceira maior empresa de call center, atrás da líder Atento e da Liq Participações, pretende aumentar a fatia dos serviços digitais na receita. Os planos incluem comprar uma startup e elevar os investimentos para frear a queda no faturamento observada em 2017.

Robô da Google

O tempo para que a AeC comece a reduzir o quadro de pessoal pode ser acelerado com o Duplex, uma inteligência artificial que está sendo desenvolvida para o assistente virtual da companhia, o Google Assistente. A tecnologia já é capaz de administrar sozinha quatro a cada cinco ligações feitas. A interação com o “robô” acontece de forma natural e fluida, como se fossem duas pessoas conversando. A conversa, inclusive, é recheada de interações como “humm”, “ah” e “oh”. “As ‘disfluências’ ajudam a conversa a caminhar.

RN na contramão

O RN Sem Sorte ainda não reduziu o ICMS do diesel. Levantamento recente aponta que 19 Estados ainda não reduziram o Preço Médio Ponderado Final (PMPF). Apenas Alagoas, Amazonas, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rondônia, São Paulo e Tocantins o fizeram. O Rio não reduziu o PMPF, mas baixou o ICMS de 16% para 12%. Não é possível que o desconto de R$ 0,46 no litro do diesel chegue ao consumidor sem que os Estados reduzam o PMPF, referência na base de cálculo do ICMS e que é atualizado a cada duas semanas.

Anos 80 e 90 de volta

A greve dos caminhoneiros trouxe de volta uma típica configuração das reuniões do Conselho Interministerial de Preços (CIP) e da Superintendência Nacional de Abastecimento (SUNAB), órgãos poderosos dos anos 80, que tentaram, mas jamais conseguiram, controlar os preços da economia por tabelas como instrumentos de combate à inflação. Ambos – CIP e Sunab – foram extintos nos anos 90, depois que ficou mais do que claro, aqui e no mundo, que tabelamentos e congelamentos de preços não funcionam como política anti-inflacionárias e nem mesmo como ações populistas de governos encurralados.

RN Competitivo

O próximo governo do nosso RN Sem Sorte precisa implantar um programa robusto de atração de empresas a exemplo do programa Paraná Competitivo. Podemos ter o RN Competitivo. Basta citar o que está acontecendo lá com o setor de bebidas. As vantagens competitivas do Paraná têm atraído para o Estado os grandes produtores de bebidas do país. Entre os anúncios de investimentos feitos pelas companhias do setor, o mais recente foi o da Cervejaria Ambev.

Inserida no programa Paraná Competitivo, que prevê benefícios fiscais, a empresa abriu uma cervejaria em Ponta Grossa em 2016, com capacidade instalada para produzir 6 milhões de hectolitros por ano. São fabricadas na unidade paranaense as marcas Antarctica, Antarctica Sub Zero, Skol, Original, Budweiser, Serramalte e Brahma Chopp.

A segunda planta, em Almirante Tamandaré, com capacidade de produzir 2,4 milhões de hectolitros por ano, fabrica os refrigerantes das marcas Guaraná Antarctica, Pepsi, Soda e Sukita destinados aos mercados carioca, paulista e catarinense. Juntas, as operações da cervejaria no Estado empregam 1,4 mil pessoas e pagaram R$ 878,4 milhões em impostos em 2017.

Experiência de Londrina precisa ser copiada

A prefeitura de Londrina convidou a TCS (Tata Consultancy Services) no Brasil para instalar a sua estrutura no Parque Tecnológico garantindo conexão com a academia e com o arranjo produtivo (APL) de tecnologia da informação e comunicação (TIC). A concentração de empresas de TIC na região foi fundamental para a tomada de decisão dos indianos da TCS.  O APL da região de Londrina é composto por 80 empresas, que geram 2,2 mil postos de trabalho. A organização do setor tem permitido convênios, como o estabelecido com o Ministério do Trabalho para aplicar R$ 1 milhão em programas de qualificação. Londrina atraiu ainda uma unidade do Senai – com foco em TIC – e a instalação futura de uma unidade da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). Os APLs são definidos como concentrações de empresas que atuam em atividades similares ou relacionadas que, sob uma estrutura de governança comum, cooperam entre si e com outras entidades públicas e privadas.

Bonés

O próximo governo do RN Sem Sorte precisa ser mais protagonista no avanço do APL de bonés do Seridó, polarizado pelo município de Caicó. Para isto basta seguir o exemplo do município de Apucarana – PR. Mesmo sendo considerado um segmento de menor intensidade tecnológica, a união de empresas tem surtido efeito na hora de diferenciar produtos no mercado e enfrentar a concorrência.

No município paranaense o APL de Bonés surgiu há 15 anos, no momento em que a demanda estava voltada à área de brindes. Era comum bancos e empresas de grande porte pedirem milhares de peças do acessório para presentear seus clientes. Com a entrada da China no segmento, as fábricas locais começaram a perder força no atendimento aos grandes pedidos. A solução foi investir em tecnologia e cursos de moda para aprimorar os modelos e explorar novos mercados. A estratégia tem dado certo. Apucarana concentra entre 70% e 80% da produção brasileira de bonés. Reúne, no APL, 130 fábricas do acessório, além de outras 500 empresas, entre fábricas de tecido, bordadeiras e fornecedores de insumos para costura.

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA)