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“Dr. Jivago” em três momentos de minha vida

Por Inácio Rodrigues 

Cartaz - Reprodução
Cartaz – Reprodução

Essa crônica foi originalmente publicada no dia 21 de abril de 2024. O texto é de Inácio Rodrigues, bacharel em direito e delegado da Polícia Civil do RN, falecido neste domingo (13) – veja AQUI. A republicação é uma homenagem singela a você, meu caro, lembrando de nossas conversas sobre filhos, família, futebol, amizade, vida, política e paz. A paz definitiva que agora tens, depois de tanto sofrimento. Fique com Deus, Inácio.

Assistir “Dr. Jivago” em três momentos distintos da minha vida foi como ver três filmes diferentes, cada um revelando camadas divergentes, não só da obra, mas também das minhas próprias convicções e experiências pessoais. A primeira vez, aos dez anos, eu vi Yuri Jivago como um herói burguês; aos dezoito, sob a influência da ideologia socialista, julguei-o por outros prismas; e, finalmente, na maturidade, o percebi como um homem dividido entre dois amores, refletindo sobre as complexidades humanas, tendo como pano de fundo a Revolução Russa.

Aos dez anos, minha percepção de “Dr. Jivago” foi pintada com as cores da simplicidade infantil. Yuri Jivago, com sua postura nobre, seu talento para a poesia e medicina, emergiu para mim como um herói quase mítico. O luxo sutil de sua vida antes da revolução, contrastando com a decadência ao seu redor, não me parecia uma questão de privilégio, mas de merecimento, diante do que ele representava.

Via nele a personificação do sucesso individual, um farol de civilidade e cultura em meio ao caos que dominava aquele microcosmo. A Revolução Russa, por sua vez, era o pano de fundo dramático, uma tempestade que desafiava o protagonista a manter sua integridade, sua altivez e posição, frente a uma sociedade profundamente dividida.

Aos dezoito anos, minha visão do mundo estava saturada de ideais socialistas. Reassistindo “Dr. Jivago”, minha empatia pelo personagem principal se transformou em crítica feroz. Enxerguei Jivago não mais como herói, mas como um símbolo da burguesia, cujos dilemas pessoais pareciam triviais frente às lutas coletivas daqueles que a revolução pretendia emancipar e empoderar como seres sociais.

A poesia e o amor, outrora elementos de beleza universal, agora me pareciam indulgências de quem tinha o privilégio de ignorar a luta de classes. A Revolução Russa, em minha interpretação juvenil e até inocente, era o despertar necessário, e Jivago, com sua hesitação e falta de compromisso político, uma figura obsoleta.  Enquanto um sofrimento inominável se desenrolava, ele estava envolto em temas menores, sentimentalismos indefinidos e fúteis.

Na maturidade, minha compreensão de “Dr. Jivago” e de seu protagonista se aprofundou significativamente. Percebi Yuri Jivago não como herói ou vilão, mas como um homem profundamente humano, cuja verdadeira batalha era interna.

Os dilemas amorosos, antes vistos como fraquezas e futilidades, revelaram-se reflexos das contradições que todos enfrentamos. A divisão de seu coração entre Tonya e Lara simbolizava a eterna luta entre o dever e desejo, entre o conforto do conhecido e a paixão pelo desconhecido.

Nesta fase, a Revolução Russa ganhou novas camadas de significados pessoais para mim. Entendi que, além de ser um evento político e social, ela representava as mudanças inevitáveis que todos nós enfrentamos, as revoluções internas que desafiam nossas crenças e valores. Jivago, com sua relutância em abraçar a causa bolchevique, não era mais apenas um símbolo de apatia política, mas um indivíduo tentando preservar sua humanidade em um mundo que exigia escolhas impossíveis e que relegava o eu e suas complexidades ao nada.

REFLETINDO DE MANEIRA BREVE e rasa sobre essas três visões de “Dr. Jivago”, percebi que cada uma delas captura verdades essenciais, não só sobre o filme, mas sobre a natureza humana e a sociedade de cada tempo. Na infância, vi a importância do indivíduo; na juventude, a força do coletivo; e na maturidade, a complexidade das importantes escolhas pessoais em contextos históricos amplos.

Talvez a questão não seja qual análise é a mais correta, mas como cada uma reflete um estágio de compreensão e empatia sobre o filme e o personagem que lhe dá o nome. “Dr. Jivago” é uma obra rica e multifacetada, que oferece diferentes significados a diferentes espectadores, em diferentes momentos de suas vidas. O verdadeiro poder do filme, e de qualquer grande obra de arte, reside em sua capacidade de nos fazer refletir, questionar e, por fim, obter algum nível de crescimento pessoal.

A maturidade, e também problemas de saúde, me ensinaram que a vida, assim como a história, raramente oferecem respostas simples. Yuri Jivago, com suas fraquezas e contradições, é um lembrete de que, em meio às grandes narrativas da história, existem histórias pessoais de amor, perda e buscas por significados próprios da condição humana. E talvez seja na apreciação dessas histórias “menores” que encontramos nossa maior humanidade.

Veja e reveja o filme, na fantástica interpretação de Omar Sharif, Julie Christie, Geraldine Chaplin e Alec Guinness. Imperdível em qualquer época da vida.

Inácio Rodrigues é bacharel em direito e delegado da Polícia Civil do RN

*Baseado no romance de Boris Pasternak, Dr. Jivago é um médico e poeta que inicialmente apoia a revolução Russa, mas, aos poucos, se desilude com o socialismo e se divide entre dois amores: a esposa Tania e a bela plebeia Lara. Lançado em 1965, a fita teve direção de David Lean e trilha sonora de Maurice Jarre. Ganhou cinco Oscars, nas categorias de Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Direção de Arte – A Cores, Melhor Fotografia – A Cores, Melhor Figurino – A Cores e Melhor Trilha Sonora.

“Dr. Jivago” em três momentos de minha vida

Por Inácio Rodrigues 

Cartaz - Reprodução
Cartaz – Reprodução

Assistir “Dr. Jivago” em três momentos distintos da minha vida foi como ver três filmes diferentes, cada um revelando camadas divergentes, não só da obra, mas também das minhas próprias convicções e experiências pessoais. A primeira vez, aos dez anos, eu vi Yuri Jivago como um herói burguês; aos dezoito, sob a influência da ideologia socialista, julguei-o por outros prismas; e, finalmente, na maturidade, o percebi como um homem dividido entre dois amores, refletindo sobre as complexidades humanas, tendo como pano de fundo a Revolução Russa.

Aos dez anos, minha percepção de “Dr. Jivago” foi pintada com as cores da simplicidade infantil. Yuri Jivago, com sua postura nobre, seu talento para a poesia e medicina, emergiu para mim como um herói quase mítico. O luxo sutil de sua vida antes da revolução, contrastando com a decadência ao seu redor, não me parecia uma questão de privilégio, mas de merecimento, diante do que ele representava.

Via nele a personificação do sucesso individual, um farol de civilidade e cultura em meio ao caos que dominava aquele microcosmo. A Revolução Russa, por sua vez, era o pano de fundo dramático, uma tempestade que desafiava o protagonista a manter sua integridade, sua altivez e posição, frente a uma sociedade profundamente dividida.

Aos dezoito anos, minha visão do mundo estava saturada de ideais socialistas. Reassistindo “Dr. Jivago”, minha empatia pelo personagem principal se transformou em crítica feroz. Enxerguei Jivago não mais como herói, mas como um símbolo da burguesia, cujos dilemas pessoais pareciam triviais frente às lutas coletivas daqueles que a revolução pretendia emancipar e empoderar como seres sociais.

A poesia e o amor, outrora elementos de beleza universal, agora me pareciam indulgências de quem tinha o privilégio de ignorar a luta de classes. A Revolução Russa, em minha interpretação juvenil e até inocente, era o despertar necessário, e Jivago, com sua hesitação e falta de compromisso político, uma figura obsoleta.  Enquanto um sofrimento inominável se desenrolava, ele estava envolto em temas menores, sentimentalismos indefinidos e fúteis.

Na maturidade, minha compreensão de “Dr. Jivago” e de seu protagonista se aprofundou significativamente. Percebi Yuri Jivago não como herói ou vilão, mas como um homem profundamente humano, cuja verdadeira batalha era interna.

Os dilemas amorosos, antes vistos como fraquezas e futilidades, revelaram-se reflexos das contradições que todos enfrentamos. A divisão de seu coração entre Tonya e Lara simbolizava a eterna luta entre o dever e desejo, entre o conforto do conhecido e a paixão pelo desconhecido.

Nesta fase, a Revolução Russa ganhou novas camadas de significados pessoais para mim. Entendi que, além de ser um evento político e social, ela representava as mudanças inevitáveis que todos nós enfrentamos, as revoluções internas que desafiam nossas crenças e valores. Jivago, com sua relutância em abraçar a causa bolchevique, não era mais apenas um símbolo de apatia política, mas um indivíduo tentando preservar sua humanidade em um mundo que exigia escolhas impossíveis e que relegava o eu e suas complexidades ao nada.

REFLETINDO DE MANEIRA BREVE e rasa sobre essas três visões de “Dr. Jivago”, percebi que cada uma delas captura verdades essenciais, não só sobre o filme, mas sobre a natureza humana e a sociedade de cada tempo. Na infância, vi a importância do indivíduo; na juventude, a força do coletivo; e na maturidade, a complexidade das importantes escolhas pessoais em contextos históricos amplos.

Talvez a questão não seja qual análise é a mais correta, mas como cada uma reflete um estágio de compreensão e empatia sobre o filme e o personagem que lhe dá o nome. “Dr. Jivago” é uma obra rica e multifacetada, que oferece diferentes significados a diferentes espectadores, em diferentes momentos de suas vidas. O verdadeiro poder do filme, e de qualquer grande obra de arte, reside em sua capacidade de nos fazer refletir, questionar e, por fim, obter algum nível de crescimento pessoal.

A maturidade, e também problemas de saúde, me ensinaram que a vida, assim como a história, raramente oferecem respostas simples. Yuri Jivago, com suas fraquezas e contradições, é um lembrete de que, em meio às grandes narrativas da história, existem histórias pessoais de amor, perda e buscas por significados próprios da condição humana. E talvez seja na apreciação dessas histórias “menores” que encontramos nossa maior humanidade.

Veja e reveja o filme, na fantástica interpretação de Omar Sharif, Julie Christie, Geraldine Chaplin e Alec Guinness. Imperdível em qualquer época da vida.

Inácio Rodrigues é bacharel em direito e delegado da Polícia Civil do RN

*Baseado no romance de Boris Pasternak, Dr. Jivago é um médico e poeta que inicialmente apoia a revolução Russa, mas, aos poucos, se desilude com o socialismo e se divide entre dois amores: a esposa Tania e a bela plebeia Lara. Lançado em 1965, a fita teve direção de David Lean e trilha sonora de Maurice Jarre. Ganhou cinco Oscars, nas categorias de Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Direção de Arte – A Cores, Melhor Fotografia – A Cores, Melhor Figurino – A Cores e Melhor Trilha Sonora.

PT trabalha novo nome para concorrer à prefeitura

Ivan e Fátima: PT (Foto: divulgação)

O Partido dos Trabalhadores (PT) já trabalha nova postulação à Prefeitura Municipal de Pau dos Ferros, no Alto Oeste do RN. A legenda apostará no nome de José Ivan “Mazzaropi”.

No último dia 08 (veja AQUI), em comunicado oficial, delegado da Polícia Civil do RN e titular da Delegacia de Policia Civil do Interior (DPCIN), Inácio Rodrigues, alegou motivos pessoal e profissional para desistir da pré-candidatura. Inácio irá continuará no Governo Fátima Bezerra (PT).

Perfil

Oriundo do bairro Riacho do Meio, José Ivan Martins Pereira (popularmente conhecido por “Mazzaropi”) nasceu em Pau dos Ferros, em 1986.

Artista popular há 20 anos, ele tem atuado na cena cultura e social no município e região, Mazzaropi” possui formação técnica em Bombeiro Civil e é graduando em Psicologia pela Faculdade do Oeste Potiguar (FAOP). Atualmente, exerce a profissão de radialista e comanda o programa “forró do Mazzaropi”, na Rádio São Miguel FM.

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A deliberação quanto a José Ivan Martins Pereira ocorreu dia 15, em reunião extraordinária do partido.

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Inácio Rodrigues abre mão de pré-candidatura a prefeito

Nome citado e apresentado como pré-candidato a prefeito de Pau dos Ferros, no Alto Oeste do RN, o delegado da Polícia Civil do RN e titular da Delegacia de Policia Civil do Interior (DPCIN), Inácio Rodrigues, anuncia que declina do convite para ir a disputa municipal, pelo Partido dos Trabalhadores (PT).

Em Carta Aberta, ele justifica sua posição:

Amigos e amigas,

No dia 15 de fevereiro de 2020, em escolha interna do Partido, fui honrado com a escolha para ser o pré candidato a prefeito de Pau dos Ferros pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Confesso que como técnico da segurança pública, com 23 anos de combate ao crime organizado, nunca havia pensado em enveredar pela política, pois todas as minhas energias sempre estiveram voltadas para prestar o melhor serviço possível a sociedade na minha área de atuação. Acabei por aceitar a pré candidatura, achando que poderia contribuir para melhorar a vida das pessoas.

Inácio: segurança como prioridade (Foto: Web)

Mas ai veio esse meteoro, que é a pandemia do novo Coronavirus, e nos obrigou a todos a uma reflexão interior sobre nossas vidas e destinos. Na minha profunda reflexão, percebi que a melhor forma que eu tenho de contribuir hoje para a sociedade é seguir fazendo o que sei, e fui convidado a fazer, que é segurança pública, coordenando a Polícia Civil por todo o interior do estado. Hoje, em nível da gestão, continuo partilhando essa experiência acumulada em tantos anos, no planejamento de ações, orientações aos colegas mais novos, e construções de cenários prospectivos, que facilitem o entendimento e enfrentamento do fenômeno criminoso, que independente da época, não para. .

Dito isso, agradeço a todas as pessoas que acreditaram nessa possibilidade. Fiquei verdadeiramente honrado com tantos incentivos e demonstrações carinhosas, que certamente são decorrentes do reconhecimento de um trabalho duro e firme no combate a criminalidade.

Abro mão dessa pré candidatura, mas continuarei servindo ao Governo Fátima, Governo que sei, mudará a história do RN para muito melhor, e torcendo pela felicidade e sucesso das pessoas de PDF, cidade que aprendi a amar e respeitar em quase 15 anos de luta.

Meu abraço a todos, e muito obrigado!

Inácio Rodrigues Lima Neto

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PT define nome para disputa municipal 2020

Em reunião deliberativa realizada na tarde desse sábado (15), o Partido dos Trabalhadores (PT) de Pau dos Ferros debateu uma série de assuntos pertinentes ao pleito eleitoral de 2020 e escolheu seu nome à disputa municipal. O delegado de carreira da Polícia Civil do RN, Inácio Rodrigues, será candidato a prefeito.

Filiados se reuniram nesse sábado para tomada de posição e análise de outras questões (Foto: cedida)

“Vamos conversar com todos aqueles que não concordam com essa forma de governar (prefeito Leonardo Rêgo-DEM). Precisamos ir no ponto chave das demandas que a população anseia. Um gestor precisa encarar de frente os problemas de forma enérgica, firme e com solução, o que não se vê nessa atual administração”, disse o pré-candidato.

“O momento é de união de todos!”, acrescentou.

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Memórias em cacos

Por Inácio Rodrigues

A verdade é que o copo caiu e os pedaços estavam espalhados pelo quarto. Ivone não pode evitar a colisão com o utensílio de vidro, quando sua mão deslocava-se rapidamente no gestual que ajudava ao ancoramento da vivaz argumentação.

Debatia com Fábio, o companheiro, que era modelo fotográfico, sobre marcas de roupas, perfumes e acessórios. Onde comprá-los mais baratos, e, principalmente, como obter recursos para a realização dos seus prioritários desejos de consumo.

Ivone, ex-miss e agora dona de uma academia, fazia de sua vida com Fábio um deleite de luxo e sofisticação. De jantares a viagens, perfumes, carros e roupas importadas, viviam como se não houvesse o amanhã.Ambos vindos de famílias humildes, haviam esquecido definitivamente as origens.

Sem filhos, apesar da união de seis anos – diziam que era por opção – moravam numa cobertura alugada, antiga mas imponente, com três empregados, e mantinham veículos financiados, cujos carnês se assemelhavam a bíblias, volumosos, indicando o parcelamento em muitos anos. Iam a Miami como quem vai ao shopping do bairro.

Eram até reconhecidos pelos funcionários da imigração dos EUA, tal a frequência das visitas. Nas passeatas pelo impeachment foram presença constante, e com suas camisas patrióticas da CBF, acreditavam que salvavam o país dos “corruptos vermelhos”.

Tudo ia bem, até que veio o agravamento da crise. Como os trabalhos rareavam cada vez mais para Fábio, que aos 38 anos não tinha a cara e nem o corpo de dez anos antes, e a academia há muito não era suficiente para sustentar o alto padrão de vida que usufruíam, estando praticamente falida, naquela noite o casal discutia o mais importante pra eles. Como conseguir dinheiro para manter o mesmo padrão de vida?

As ideias foram surgindo, evidenciando o risível nível de entendimento do mundo que tinham Fábio e Ivone. Pensaram em comprar muamba em Miami para revender no Brasil, pois de produtos supérfluos e luxuosos entendiam muito bem.

Desistiram.

Lembraram que não tinham o capital nem para as passagens. Cogitaram um curso de etiquetas, ministrado por eles, praticamente ingleses, afim de trazer um pouco de civilidade aos mal educados bárbaros do local. Recuaram quando alguém, em um ato de generosidade sincericida, garantiu que eram  eles que tinham menos educação que os possíveis alunos.

Doeu ouvir.

Perdidos em devaneios e maluquices fúteis e sem saída à vista, ouviram o telefone fixo tocar, único aparelho telefônico que ainda não havia sido bloqueado por falta de pagamento. Ivone se viu compelida a atender. A última funcionária fora embora há três dias, levando o microondas como indenização trabalhista e salários atrasados. Com as duas outras já haviam ido uma televisão e o frigobar.

“Alô”, disse Ivone com uma voz empostada, temendo ser aquela mais uma das costumeiras ligações da imobiliária cobrando os meses de aluguel e condomínios atrasados. Inicialmente até se arrependeu de ter tirado o telefone do gancho, mas ao ouvir a voz de uma idosa, sentiu segurança, e perguntou do que se tratava.

Docemente, com a paciência de quem vivera muito, a senhora se identificou como Eponina Martins, e disse que havia conseguido aquele número de telefone com Evandro, irmão de Ivone. Esclareceu que era avó paterna de Rômulo, um amigo de infância de Ivone, na verdade, o seu primeiro namorado.

Terminou dizendo que tinha uma boa notícia, e que se eles aceitassem, no dia seguinte ela iria pessoalmente visitá-los. Claro que aceitaram. E ficou a expectativa. O que aquela senhora queria? O que ela iria propor? Qual seria a natureza da notícia?

Providenciada uma rápida pesquisa no Google, ficou bem esclarecido que  a senhora Eponina era dona de empresas, indústrias e imóveis. Riquíssima.

O coração dos amantes se abriu em esperança que boas coisas viessem. Naquele deserto de opções, uma possibilidade era tudo. Sonhavam com uma solução que propiciasse a volta da boa e velha vida que levavam antes da crise. Fábio perguntou sobre Rômulo. Sabia que ele havia sido o primeiro namorado de Ivone, mas quis saber mais, querendo entender se ele poderia ter alguma ligação com a boa notícia que viria de Eponina.

Ivone se limitou a repetir, como já fizera mil vezes, que o seu namoro com Rômulo fora pueril, coisas de crianças, sem maiores consequências. Afinal, tinha apenas 15 anos e não houve sexo. De forma constrangida, pois Fábio não gostava da lembrança, teve que repetir que sua virgindade só fora perdida dois anos depois, durante uma viagem com a equipe de vôlei da escola.

Romero fora o colega de classe autor da façanha dolorida e sem graça. Lembrou ainda que não sabia que rumo Rômulo havia tomado na vida e nem onde ele residia atualmente.

Quando a manhã chegou os encontrou insones e mais ansiosos que na noite anterior. Quatorze horas fora o horário combinado. Ao meio dia o relógio da sala batia devagar, enquanto cada um cultivava um canteiro de hipóteses e expectativas, sentados imóveis e em um silêncio que contrastava com a agitação do início da manhã.

O tic tac da máquina ditava o ritmo dos corações. Enfim, o horário chegou, e a campanhia tocou. Fábio foi atender.

Ficara assim estabelecido, na longa noite em que os detalhes foram combinados a exaustão, nos vários cenários imaginados pela dupla. Fariam parecer casual. Fabio atenderia a porta com o celular a mão, mesmo que bloqueado por falta de pagamento, e simularia uma conversa com um interlocutor inexistente. Assim, imaginavam – vejam o nível de futilidade – não teriam que explicar a ausência dos criados que deveriam ter aberto a porta e em seguida anunciado a visitante.

Dona Eponina entrou e não pareceu se importar com o fato de a porta ter sido aberta por Fábio. Era uma senhora discreta, vestida como executiva, de blazer e salto alto, aparentando uns 69, 70 anos. Tinha os cabelos pintados de preto e um bom corpo. Chamava a atenção a maquiagem forte, talvez para atenuar sinais do tempo.

Ela foi direta. Cumprimentou Ivone que estava trêmula na sala, e passou a detalhar o motivo da visita. Fábio, que já encerrara a simulação inicial com o telefone, ficou atento ao relato.

A idosa contou que seu neto Rômulo era um profissional muito bem-sucedido na área da construção civil, e que como engenheiro amealhou farto patrimônio financeiro e imobiliário. Era, porque morrera há dois anos, ainda muito jovem, nem chegado aos 40. Apesar do grande patrimônio, Rômulo nunca casara ou tivera filhos. Guardara até a morte, causada por um inesperado e terrível câncer no pâncreas, o segredo que lhe consumiu por toda a vida.

Amou em segredo e profundamente Ivone desde a época do namorico da adolescência.

Com o fim do incipiente relacionamento, forçosamente  foi embora com a família para o sudeste, pois o pai era militar e havia sido transferido. Perdeu o contato com Ivone, mas nunca a esqueceu. Muito pelo contrário. A distância, com o tempo, acentuou as qualidades e suprimiu os defeitos da amada, nas lembranças de Rômulo.

Depois de 23 anos, Ivone era a mulher ideal, intocável, uma perfeição, na visão deturpada construída pela mente do aficionado. Ele até tentou contatá-la em algumas ocasiões, mas a timidez patológica, em contraposição a grande capacidade empreendedora, não o deixava avançar ao contato com a mulher que tanto amava.

Talvez também temesse que algum detalhe injusto da realidade quebrasse aquele encantamento de uma vida inteira. Preferia a segurança da idealização, da lembrança sólida que não pode sofrer a triste ação do presente, esse estraga prazeres. Quando soube que ela passou a viver com Fábio, desistiu de vez da proximidade física, e mergulhou fundo num culto nostálgico, pegajoso e choroso, que sempre preocupou os amigos. Alguns garantiam que na casa dele havia um altar com fotos de Ivone, fato nunca confirmado.

Quando veio a doença, culparam aquele sentimento lúgubre, doentio, pelo aparecimento de tão grave moléstia. Rômulo nunca quis namorar e morreu virgem, consumido por um amor que  criou na cabeça, mas que nunca encontrou eco na realidade. Muitas mulheres o desejavam, era rico e não era feio. Mas não adiantava. Era Santa Ivone e mais ninguém.

Depois de contar tudo em detalhes, Dona Eponina arrematou esclarecendo que Rômulo deixara em testamento, 50%  de todo o patrimônio para Ivone. Rômulo julgara que Ivone era merecedora de tão lucrativa distinção pelo simples fato de ter existido, servindo  de farol a sua curta existência.

Fez-se o silêncio.

Fábio tremia da cabeça aos pés. Ivone ficou em choque. Não conseguia falar. A senhora retirou um papel da bolsa e leu: sua parte, descontados os impostos, é de seis milhões de reais. Fábio sentia a cabeça girando, enquanto aquelas palavras entravam como que em câmera lenta em seus ouvidos. Ivone desmaiou.  Seis milhões. Era um bom dinheiro!

Ivone aos poucos foi acordando. Procurou o companheiro, mas não o enxergou. Dona Eponina também não estava mais no local. Se viu deitada, e com os pulsos amarrados numa cama de uma sala que parecia a de um hospital. Onde estava todos? As palavras de Dona Eponina ainda ecoavam nos seus ouvidos. Seis milhões! Lembrou bem do choque que teve ao saber que tal valor lhe pertencia. Mas não via ninguém e estava sozinha naquele lugar gélido.

Enquanto tentava entender o que se passava, uma senhora entrou no local fardada de faxineira, com vassouras e materiais de limpeza. Tinha um rosto familiar. Em silêncio a tal senhora passou a recolher cacos de um copo de vidro quebrado que estavam próximos a cama na qual Ivone pousava.

Com a proximidade dela, Ivone conseguiu ler na bata da mulher apenas as palavras: “Eponina” e “Clinica psiquiátrica”.

Enquanto Ivone gritava dizendo que não era louca, que queria seus seis milhões e que não havia sonhado ou imaginado tudo aquilo, a assistente de serviços gerais Eponina chamava, também aos gritos, o médico Fábio, o enfermeiro Rômulo e o maqueiro Evandro para atenderem mais um surto daquela senhora esquizofrênica de oitenta e dois anos.

A única verdade é que o copo caiu e os pedaços estavam espalhados pelo quarto.

Inácio Rodrigues é colaborador do Blog Carlos Santos

Inácio Rodrigues comandará Delegacia do Interior

Rodrigues: Pau dos Ferros (Foto: Web)

O Governo Fátima Bezerra (PT) terá o delegado Inácio Rodrigues ao seu lado.

Será titular da Delegacia de Policia Civil do Interior (DPCIN).

Comandará todas as delegacias do RN, excluindo  as unidades de Natal e Grande Natal.

Rodrigues é delegado regional em Pau dos Ferros.

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Delegado prega investigação contra “roubalheira pública”

Delegado de Polícia Civil do RN há dezesseis anos, atualmente chefiando a 4ª DRPC (Delegacia Regional de Pau dos Ferros), o bacharel Inácio Rodrigues abriu o verbo à tarde de hoje.

Inácio: palavras contundentes

Sem tergiversar ou procurar qualquer rodeio, ele foi claro e translúcido nas críticas e defesa de ostensivo trabalho contra a corrupção na esfera pública.

– Esse Governo será um divisor de águas para a PC (Polícia Civil). A recente e oportuna operação no HRTM (Hospital Regional Tarcísio Maia) –  veja AQUI – é apenas o começo de várias ações em todo o estado – avisou Inácio, um nome de largo conceito na Polícia Civil do Rio Grande do Norte.

Seu desabafo foi através de endereço próprio na rede de microblogs Twitter – @inaciorodrigue7.

Administração pública

– Sempre defendi juntos aos colegas a necessidade de investigarmos os crimes contra a administração pública e não apenas os crimes comuns – realçou.

– Se a estrutura é precária, devemos priorizar a investigação da roubalheira do dinheiro publico. Operações por todo o estado. Aguardem – prometeu.

Segundo Inácio Rodrigues, “Prefeitura nenhuma desse Brasil resiste a 15 dias de uma investigação seria. E vários órgãos públicos também. É sujeira pra todo lado”.

Corte de gratificação desestimula policiais

“Conforme anunciado ontem pelo Governo do Estado, hoje os Policiais Civis estão recebendo os vencimentos sem as gratificações das funções que ocupam”.

A notícia, em tom de queixa, é assinalada pelo delegado regional de Pau dos Ferros, bacharel Inácio Rodrigues.

Ele faz desabafo através de seu endereço numa rede social na Internet, o Twitter.

Nota do Blog – Sobrou para o servidor estadual, quem realmente trabalha, a culpa pela crise de gestão do Governo Rosalba Ciarlini (DEM).

Nossa solidariedade e medo.

Se a segurança está ruim, temos a certeza que vai piorar.

Delegado mostra focos distintos sobre decisões

Caro Carlos,

No Brasil, a imprensa é mesmo um caso de psiquiatria, para não dizer coisas piores. Enquanto um desembargador entendeu assim, TRêS Desembargadores do mesmo TJ entenderam diferente.

As decisões monocráticas dos Juízes de Pau dos Ferros, Patu e Alexandria, que mantiveram 25 PMs nas respectivas Delegacias foram mantidas no TJ, contrariando a pretensão do SINPOL e MP, mas isso não foi notícia.

Notícia é a queda de uma decisão que retirou um PM da Delegacia de São Miguel.

Fazer o que, paciência né?

Inácio Rodrigues – Delegado da Polícia Civil, na Regional de Pau dos Ferros

Nota do Blog – O delegado Inácio faz referência Tribunal decide que PM não pode atuar em delegacia AQUI.

Se a imprensa é caso de psiquiatria, imagine o Judiciário. A mesma matéria, com decisões tão díspares.

Entenda aí.

Polícia prende 14 acusados por tráfico de droga

Do portal No Minuto.com

A Polícia Civil do Rio Grande do Norte deflagrou nessa quarta-feira (29) uma Operação denominada Elefante Branco nas cidades de Pau dos Ferros e Doutor Severiano, que culminou na prisão de 14 pessoas acusadas de tráfico de drogas na região.

A investigação foi coordenada pelo delegado Inácio Rodrigues da 4ª Delegacia Regional de Polícia Civil de Pau dos Ferros (4ª DRPC). Os presos são apontados por abastecer o comércio de drogas na cidade de Pau dos Ferros.

Os policiais civis cumpriram 22 mandados de busca e apreensão e 12 mandados de prisão. Além disso, também foram efetuadas prisões de acusados em flagrante delito, por porte de droga.

Durante a operação, a Polícia Civil apreendeu ainda drogas (cocaína, crack e maconha), celulares, duas motos e dinheiro.

Na ação foram presos Frank Mateus Avelino Costa, 21 anos, um adolescente de 16 anos, Samário Maurício de Souza, 22, Marcelo Coutinho Silva, “Marcelo de Zita”, Edson Damião Nogueira Diniz da Silva, 22, Edinaldo de Assis Brito, 23, Francisco Cássio de Souza, 24, Francisco Tiago da Silva, 28, Luana Vanessa Medeiros de Oliveira, 19, Vinícius de Andrade, 22, Edson Alves Brito, Maria Ivoneide de Oliveira, 38 e José Jacinto Martins de Oliveira, 45.

O trabalho policial contou com o apoio de equipes que vieram de Natal, Mossoró e Apodi, além do apoio operacional do helicóptero Potiguar 1, da Secretaria de Segurança Pública do RN. Ao todo 16 delegados e 100 agentes participaram da Operação Elefante Branco.

Veja mais detalhes AQUI.

Delegado de Pau dos Ferros estranha retirada de policiais

O delegado regional Inácio Rodrigues, responsável pelo trabalho da Polícia Civil em Pau dos Ferros e região, pronuncia-se quanto ao fechamento da Delegacia Regional sob seu comando, no município, durante os finais de semana.

É um desabafo desesperado, impotente, de um homem da lei.

Leia:

Carlos,

A situação, que era difícil, ficou crítica, pois de um dia para o outro, sem dar qualquer prazo, e sem nenhuma preocupação com a população, o Comandante Geral da PM (Cel Francisco Canindé de Araújo) retirou oito servidores Policias da Delegacia de Pau dos Ferros, apenas com uma ordem verbal.

Confrontado com o caos causado por sua medida, o citado Comandante atribuiu a retirada a uma recomendação do MP (Ministério Público) e a uma ação que tramita na capital do estado.

A argumentação não é plausível, já que no dia 02.05.2013, por ato do próprio Comandante no Boletim Geral, os Policiais Militares foram formalmente colocados à disposição da Polícia Civil, e de lá até o dia 08.05, data de recolhimento dos PM’s, nenhum fato  novo ocorreu que justificasse a retirada.

O que realmente motivou a retirada dos Policiais, e todos sabem disso, foi simplesmente a vontade do Comandante, quase um “Rei Sol”.

Lamento pela população, que perderá uma das equipes mais atuantes do estado.

Agora vou esperar sentado que o Comandante  também tenha coragem de retirar os PM´s que estão no Ministério Público, Tribunal de Justiça, Assembléia e em outros órgãos, estes sim, longes da atividade Policial e em verdadeiro desvio de função.

Bacharel Inácio Rodrigues, delegado regional de Pau dos Ferros.

Veja detalhes sobre o caso clicando AQUI.

Delegacia regional fica fechada no final de semana

Do Blog Rafael Fernandes RN (Veja AQUI)

No ultimo dia 08/05/2013 os 08 (oito) policiais militares que se encontravam à disposição da 4ª Delegacia Regional da Polícia Civil (DRPC) de Pau dos Ferros foram convocados, verbalmente, para se apresentarem ao 7º BPM de Pau dos Ferros.

Este fato estranhamente ocorreu após o próprio Comandante Geral da Polícia Militar do RN Cel Francisco Canindé de Araújo ter agregado, no dia 02/05/2013, os policiais militares à referida unidade de polícia, inclusive com publicação do ato no Boletim Geral nº 081/2013 da Polícia Militar do Estado.

Em face deste fato inesperado e por contar apenas com 01 escrivão e 03 Agentes de Polícia Civil o Delegado Regional de Polícia Civil de Pau dos Ferros, Inácio Rodrigues de Lima Neto, publicou a Portaria nº 001/2013 estabelecendo novos horários de atendimento ao público.

Pela referida Portaria o atendimento ao público ocorrerá de segunda a sexta-feira das 08:00 horas às 12:00 horas e das 14:00 horas às 18:00, permanecendo fechado, a noite, no período de 18:00 horas às 08:00 horas. Ainda de acordo com a mesma portaria, a Delegacia Regional de Polícia Civil de Pau dos Ferros permanecerá fechada das 18:00 horas da sexta-feira até às 08:00 da segunda-feira.

Todo e qualquer flagrante, no período em que não houver expediente, deverá ser encaminhado para lavratura junto a Delegacia Regional de Polícia Civil de Mossoró/RN.

Desta forma, os 39 municípios do Alto do Oeste Potiguar que se encontram na circunscrição das Delegacias Regionais de Polícia Civil de Pau dos Ferros, Patu e Alexandria terão que lavrar o flagrante na delegacia de polícia civil de Mossoró, deixando-os sem  policiamento ostensivo para atender às ocorrências e coibir possíveis ataques de organizações criminosas, em face do tempo de deslocamento e duração da lavratura da prisão em flagrante.

Ressalte-se que para toda a área de Pau dos Ferros existe apenas uma viatura da Polícia Militar e se a mesma vier a se deslocar para a cidade de Mossoró não haverá policiamento local.

O Governo do Estado alega que não convoca os aprovados do ultimo concurso da Polícia Civil porque ultrapassa o limite da Lei de Responsabilidade Fiscal. Enquanto as nossas autoridades ficam batendo cabeça à população de Pau dos Ferros e região ficarão entregues as baratas.

Nota do Blog Carlos Santos – Uma notícia surreal, numa conjuntura de nítida insegurança pública, com crescentes índices de violência e propaganda divulgando que vivemos numa Suíça.

O embuste das audiências públicas sobre segurança

Por Inácio Rodrigues

Nos muitos anos em que estou na Polícia, participei de inúmeras audiências públicas sobre segurança por várias cidades do interior do Rio Grande do Norte. A temática e os motivos para a convocação da audiência são sempre os mesmos.

Os comerciantes – aqueles que geram riquezas, empregos e fazem a roda do mundo girar – sentem-se prejudicados pelos constantes atentados ao seu patrimônio ( leia-se arrombamentos e assaltos), e apelam aos órgãos de seguranças, clubes de serviço e sociedade mais ou menos organizadas para que providências sejam tomadas em “caráter de urgência”.  Em requerimento unânime, os vereadores aprovam a convocação do Secretário de Defesa Social, do Comandante Geral da PM e do Delegado Geral.

Às vezes chamam até o Presidente do Tribunal de Justiça e o Procurador Geral de Justiça. Claro que nenhuma destas autoridades vem. É longe. E na ausência de título honorífico, não vale a pena a viagem. Ficam os representantes. Logo são chamados o Juiz, o Promotor, o Comandante da PM e o Delegado da Polícia Civil.

Daí em diante o roteiro é o mesmo, praticamente imutável: O Vereador que tomou a iniciativa da convocação da audiência abre os trabalhos, faz relato superficial sobre o tema – não poderia ser diferente, pois não entende patavinas de segurança pública – e antes de passar a palavra ao Juiz, no júbilo de ser o autor de encontro tão importante, aproveita para elogiar o Prefeito, outros Vereadores e autoridades presentes.

Na próxima campanha tentará faturar eleitoralmente com o evento.

O Juiz, geralmente um jovem cheio de boas intenções, vai ao púlpito e dá o seu recado. Enumera dificuldades. Os Policiais Militares são em número pra lá de insuficientes, a Polícia Civil praticamente não existe, e blá, blá, blá. Diz ainda que os servidores do Fórum são poucos, e por isso, não consegue julgar, punir, fazer justiça.

O Promotor, num tom mais impositivo e otimista – também jovem, na maioria das vezes mulher – relembra os mandamentos constitucionais, recomenda o cumprimento da Lei, e arremata de forma lancinante: “O Ministério Público não ficará silente quanto a esse quadro de violência e tráfico de drogas. Tomares providências”.

No próximo dia útil, a guisa de providências, o Delegado receberá uma requisição do MP para instaurar um inquérito para apurar todo o narrado na audiência pública. Pronto. O Promotor já pode dormir tranqüilo. O MP tomou as providências necessárias.

O Comandante da PM é chamado. É o mais adestrado para os embates ocasionados pelos debates públicos. Explica que conta com três viaturas nas ruas, três motos, policiamento a pé, uma equipe de inteligência e garante que dentro de alguns dias, todo o quadro de insegurança será revertido. Os bandidos e traficantes serão presos, e a sociedade ficará finalmente segura. Palmas. Palmas.

Os mais empolgados e mais interessados – os comerciantes – logo oferecem ajuda extra a do Estado. Raimundo da padaria dará dez litros por semana, João do bar prometeu vinte litros e mais três lanches, e Francisco, sócio-gerente da livraria, e  também presidente da CDL, garante, na presença de todos, a manutenção nas viaturas da PM. Serão cobrados. Todos agora esperam o pronunciamento do Delegado.

Com a sua fala, aliada a do Juiz, Promotor , Comandante da PM e a de inúmeras “autoridades”, todos os problemas de segurança daquele microcosmo estarão liquidados. A Autoridade Policial é ouvida atenciosamente. Todos esperam o discurso conhecido. É mais ou menos o do jogador de futebol que é entrevistado ao final da partida, “é, o importante foi o resultado, os três pontos somados, e o professor aprovou o trabalho”.

Não poderia ser diferente.

O Delegado assinala todas as boas características investigatórias suas e da equipe, assegura que nos próximos dias chegarão reforços mandados pela Secretaria de Segurança, e, concorrendo pelos aplausos com o comandante da PM, revela de pronto, a autoria daquele crime insolúvel ocorrido há três meses. Um dos acusados já está preso. Palmas. Muitas palmas.

O Comandante da PM fica puto, pois não esperava aquele lance magistral do Delegado.

No encerramento, o Presidente da Câmara realça a produtividade do encontro, lambe os bagos dos presentes, agradece a presença de todos, e tchau! Tá tudo resolvido. Até o dia seguinte…

– COPOM, alfa 2, assalto a mão armada no centro da cidade. Cinqüenta mil subtraídos… Dois elementos armados, pardos…

Inácio Rodrigues é bacharel em Direito e Delegado Regional em Pau dos Ferros

Gerais… Gerais… Gerais… Gerais

Está confirmado para o dia 3 de dezembro (um sábado, a partir das 8h, em Antônio Martins, o II Encontro de Blogueiros do Alto e Médio Oeste Potiguar. A organização e responsabilidade cabem a João Moacir //www.joaomoacir.blogspot.com/, Sargento Gilvan do blog Nossa Paraná RN //nossoparanarn.blogspot.com/, André Alexandre do Blog Mural de Riacho da Cruz //muralderiachodacruz.blogspot.com/ e Mozart Maranhão do blog RN Política em Dia 2012 //www.rnpoliticaemdia2012.blogspot.com/

Inácio: bingo é ilegal (Blog PF Online)

O delegado regional de Pau dos Ferros, bacharel Inácio Rodrigues, expediu comunicado com uso dos meios de imprensa formal e informal alertando a população do município e região, que retroceda do interesse em participar de bingo que é anunciado para o próximo dia 20. Sua justificativa é a da legalidade. Trata-se de um jogo de azar, procedimento que fere a legislação vigente. A iniciativa é para levantar fundos para o Clube Centenário.

Nos últimos dias, a Cosern tem falhado no fornecimento de energia na região do Santa Delmira (Mossoró). Em dois dias seguidos ocorreram quedas no fluxo de corrente. Pelo visto, estamos voltando aos tempos do apaga-acende, quando a empresa era do quadro estatal do Estado.

Será amanhã (sexta-feira, 11), no Clube Municipal de Upanema, às 19h30, o lançamento oficial dos festejos em homenagem à padroeira do município, Nossa Senhora Imaculada Conceição. A convocação é feita pelo pároco local, padre Francinaldo Macário.

Obrigado às pessoas que se mobilizaram esta semana à obtenção de uma vaga em UTI, para o servidor municipal de Mossoró, Antônio Oliveira (lotado na Tributação), que tem delicado quadro de saúde. Finalmente foi possível essa remoção. Agora é juntar a composição de esforços da medicina com a fé, à sua recuperação. Amém.

Obrigado a leitura deste Blog a Wander Silva, ex-atleta e preparador físico do Baraúnas (Mossoró), gráfico Raílton Melo (Mossoró) e jornalista Carlos Alberto Barbosa (Natal).

Saudações a Charles Paiva, que aniversaria hoje. Saúde e paz, meu caro. Tudo de bom que houver nessa vida, incluindo a infinita paciência, a placidez de um monge tibetano, a frieza de um psicopata siberiano e “bicho de pé”.

O grupo Kid Abelha vai se apresentar no dia 12 de janeiro de 2012 no Rio Grande do Norte. O palco vai ser o Teatro Riachuelo no Midway Mall, em Natal, a partir das 21h. Paula Toller, diva de uma geração, comanda o bom pop-rock.

O CD Recanto, o primeiro na carreira da cantora Renata Falcão, será lançado amanhã (sexta-feira, 11), em evento a partir das 21h30, no Alphaville Mossoró. A cantora terá ainda o reforço de outros músicos, como André da Mata, Kekely Lira, Anderson Lima, Dayanne Nunes, Netinho e Thereza Rachel Montenegro.

Com grande participação dos seus obreiros, a Loja Maçônica Amâncio Dantas comemora os resultados da primeira edição do projeto “Maçonaria de olho na cidadania”, ocorrido em salas da Escola Municipal Paulo Cavalcante Moura, no Conjunto Liberdade II (Mossoró), sábado (5). Também foi usada uma estrutura móvel. Foram 345 atendimentos no período de 8 às 12 horas. O atendimento de saúde foi realizada por médicos da própria loja: Erasmo Firmino da Silva (Neurologia), Josivan Pereira Dantas (Oftalmologia), José Paulo (Odontologia) e Ivan Brasil Júnior (Clínica Geral). Convidado, doutor Epaminondas Jácome fez palestra de prevenção ao câncer de mama e consultas. A Assessoria Jurídica funcionou com os advogados, membros da Loja, Zaidem Heronildes da Filho e Wagner Soares Ribeiro Amorim. Iniciativa bacana, gente. Do verbo à prática.

Vem aí a 5ª Caminhada Histórica do Natal. Será realizada no próximo dia 19 de novembro a partir de 15h. O início será na Praça André de Albuquerque. Ao final, haverá shows dos artistas Romildo Soares e Sâmya Rafaela, no largo da Rua Chile. Para participar, a “inscrição” será feita com dois quilos de alimentos não perecíveis, a partir desta sexta,11, na sede da Viva Promoções no Cidade Jardim ou no Extra do Midway Mall.

O Concurso A Mais Bela Voz (Rádio Rural de Mossoró), que nesta edição 2011 traz como tema: “Meu coração canta e diz”, terá sua fase final de 08 a 11 de dezembro, em palco armado na lateral da Catedral de Santa Luzia, próximo ao prédio da Coletoria Estadual. As apresentações acontecerão após o Oratório de Santa Luzia. Neste ano a premiação será a seguinte: 1º lugar – cinco mil reais; 2º lugar- três mil reais; 3º lugar-dois mil reais e quinhentos reais para o cantor(a) que obtiver mais votos do júri popular. A votação será feita pela internet na página da Rádio rural, e também pelos fones 3314-3859 e 3314-1001.