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Série da Amazon Prime vai resgatar livro de Câmara Cascudo

Eugênio Puppo e Matheus Sundfeld estão no RN (Foto: divulgação)
Eugênio Puppo e Matheus Sundfeld estão no RN (Foto: divulgação)

Os diretores da Mostra de Cinema de Gostoso (São Miguel do Gostoso), Eugênio Puppo e Matheus Sundfeld estão no Rio Grande do Norte, mas desta vez gravando para a segunda temporada da série “História de Alimentação no Brasil”, uma adaptação do livro homônimo de Luís da Câmara Cascudo.

A equipe de produção já fez gravações em Natal e Macaíba e continua esta semana em outros municípios potiguares. Depois irão para Fortaleza, Amazonas, Brasília e Tocantins. A equipe já gravou em São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Sergipe. Ao todo serão 25 cidades brasileiras e, em agosto, irão gravar em Angola, na África.

A primeira temporada da série, está sendo exibida há seis, com muito sucesso na Amazon Prime Video. A produção da série é da Heco Produções, com direção de Eugenio Puppo.

A série registra tradições e práticas da culinária brasileira originárias da miscigenação entre indígenas, africanos e portugueses. O livro de Luís da Câmara Cascudo foi lançado em 1967, conta com depoimentos de chefs, artistas e estudiosos de diversas regiões do Brasil e de Portugal.

Cariri Cangaço discutirá Câmara Cascudo sob três ângulos

O Centro Universitário do RN (UNI-RN), em Natal, vai sediar entre os dias 21 e 23 deste mês, o “Cariri Cangaço Personalidade.” O personagem abordado por essa iniciativa é o escritor Luís da Câmara Cascudo (1898-1986).Cariri Cangaço sobre Câmara Cascudo - 21 a 23 de setembro de 2023

“Luís da Câmara Cascudo – o homem, a obra, o mito” vai dissecar as várias facetas do historiador, sociólogo, musicólogo, antropólogo, etnógrafo, folclorista, poeta, cronista, professor, advogado e jornalista nascido em Natal.

A promoção é do Cariri Cangaço, ao lado da Uni-RN, Instituto Histórico e Geográfico do RN (IHGRN) e Instituto Câmara Cascudo.

O Cariri Cangaço é um movimento de cunho Cultural, Histórico e Cientifico que reúne os mais destacados historiadores e pesquisadores, das temáticas do cangaço, messianismo, coronelismo, misticismo e correlatos do sertão do nordeste brasileiro.

Veja a programação abaixo:

21 de setembro de 2023- Quinta-Feira

NOITE

NOITE SOLENE DE ABERTURA

18h30 Auditório da UNI-RN

Rua Prefeita Eliane Barros, 2000 – Tirol – Natal – RN

Formação da Mesa Solene de Abertura

DALADIER PESSOA CUNHA LIMA – Magnifico Reitor da UNI

MANOEL SEVERO BARBOSA- Curador Cariri Cangaço

DALIANA CASCUDO – Ludovicus – Instituto Câmara Cascudo

HONÓRIO DE MEDEIROS – Instituto Histórico e Geográfico do RN

19h Hino Nacional

19h15 – Entrada do Estandarte do Cariri Cangaço

CAPITÃO QUIRINO e CÉLIA MARIA

19h40 – Apresentação do Cariri Cangaço

Conselheira LUMA HOLANDA – João Pessoa PB

Conselheiro BISMARCK OLIVEIRA Pocinhos PB

19h50 – Cumprimentos aos Convidados

DALADIER PESSOA CUNHA LIMA – Magnifico Reitor da UNI

MANOEL SEVERO BARBOSA- Curador Cariri Cangaço

DALIANA CASCUDO – Ludovicus – Instituto Câmara Cascudo

HONÓRIO DE MEDEIROS – Instituto Histórico e Geográfico do RN

20h30 – Entrega de Diplomas “Mérito Cultural Cariri Cangaço”

1.UNI – RN  – REITOR DALADIER PESSOA CUNHA LIMA

2.Ludovicus – Instituto Câmara Cascudo – DALIANA CASCUDO

3.Instituto Histórico e Geográfico do RN- HONÓRIO DE MEDEIROS

20h45 – Comenda “Personalidade Eterna do Sertão”

LUIS DA CÂMARA CASCUDO

Camilla Cascudo Barreto Maurício

Entrega de Comenda por Conselheiros

CARLOS ALBERTO DA SILVA e KYDELMIR DANTAS

22 de setembro de 2023- Sexta-Feira

MANHÃ

8h – CONFERÊNCIAS

Auditório da UNI-RN

Rua Prefeita Eliane Barros, 2000 – Tirol – Natal – RN

8h30 – MESA 1

“Câmara Cascudo – O homem…”

Daliana Cascudo Roberti Leite

Presidente do Ludovicos – Inst. Câmara Cascudo

Camilla Cascudo Barreto Maurício

Vice-Presidente do Ludovicos – Inst. Câmara Cascudo

Diógenes da Cunha Lima

Presidente da Academia Norte-Riograndense de Letras

10h30 – MESA 2

“Cascudo e o Direito”

Problemáticas de Fundo Cultural no Universo Nordestino

Fábio Fidelis de Oliveira

Professor de Direito, Doutor em Ciências Histórico-Jurídicas pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e Coordenador Editorial da Revista de Estudos Jurídicos do UNI-RN.

Amanda Oliveira da Câmara Moreira

Professora de Direito, Mestra em Direito Constitucional pela UFRN e Presidente da Comissão de Direito da Moda (OAB RN)

Juan Pablo C. de Carvalho Filho

Discente do Curso de Direito do UNI-RN, membro do Projeto de extensão “Scientia et Lux”.

12h ALMOÇO

14h30 – MESA 3

“Câmara Cascudo – A Obra…”

Vicente Serejo

Jornalista, Prof. Universitário, Escritor e

Membro da Academia Norte-Riograndense de Letras.

Humberto Hermenegildo de Araújo

Prof. Titular da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Doutor em Letras, Escritor e Membro da Acad. Norte-Riograndense de Letras

Carlos Alberto da Silva

Pesquisador , Conselheiro Cariri Cangaço

16h30 – MESA 4

“Câmara Cascudo – O Cangaço…”

André Pignataro

Diretor de Pesquisa do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Sérgio Trindade

Professor Doutor e Historiador

Kydelmir Dantas

Poeta e Escritor , Ex-presidente da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço,  associado do Instituto Histórico do RN e Conselheiro Cariri Cangaço

18h ENCERRAMENTO

23 de setembro de 2023- Sábado

Câmara Cascudo nasceu em Natal em 1898 e faleceu em 1986 (Foto: Reprodução)
Câmara Cascudo nasceu em Natal em 1898 e faleceu em 1986 (Foto: Reprodução)

MANHÃ

8h – VISITAS

8h30 Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte

Rua da Conceição, 622 – Cidade Alta, Natal – RN

10h Ludovicus – Instituto Câmara Cascudo

Av. Câmara Cascudo, 377 – Cidade Alta, Natal – RN

11h30 Solenidade de Encerramento

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Leão Veloso

Por Honório de Medeiros

Leão Veloso (Reprodução)
Leão Veloso (Reprodução)

Leão Veloso (Pedro Gomes Leão Veloso) nasceu em Itapicurú, Bahia, no dia 1º de janeiro de 1828. Formou-se em Direito pela Faculdade de São Paulo. Filiou-se ao Partido Conservador e foi várias vezes Deputado Provincial pela Bahia. Presidiu a Província do Espírito Santo, Alagoas, Maranhão e, então, de 1861 a 1863, o Rio Grande do Norte.

Depois, ainda administrou o Piauí, o Pará e, por duas vezes, o Ceará.

Em 1878, foi escolhido Senador do Império pela Bahia. Ministro do Império em 1882 chegou, finalmente, a Conselheiro de Estado em 1889.

O melhor relato acerca de Leão Veloso no Rio Grande do Norte é de Câmara Cascudo, em seu Governo do Rio Grande do Norte[1], no qual consta que ele visitou o interior da província, indo a Mossoró e, em julho de 1862, a Caicó.

É uma informação extremamente suscinta acerca da viagem que a Comitiva Governamental empreendeu ao interior do Rio Grande do Norte, chegando a entrar na Paraíba, visitando Macau, Açu, Acari, Jardim do Seridó, Caicó, Martins, Portalegre, Patu, Pau dos Ferros, e Mossoró.

Nessa viagem, que durou 44 dias, e que começou no dia 16 de julho de 1861, às 8 horas da manhã, no vapor Jaguaribe, fez-se acompanhar por João Carlos Wanderley, inspetor da tesouraria provincial; Ernesto Augusto Amorim do Vale, engenheiro; Manoel Ferreira Nobre, ajudante de Ordens; e Francisco Othilio Álvares da Silva, jornalista, que registrou tudo, em deliciosas crônicas, para o jornal O Recreio[2].

162 anos depois, neste ano da graça de 2023, Honório de Medeiros, André Felipe Pignataro e Gustavo Sobral, em uma comitiva do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte (IHGRN), vão refazer o mesmo percurso e, ao final, da mesma forma que a viagem anterior de Leão Veloso originou um relatório governamental, desta vez um outro será apresentado formalmente, por eles, ao Instituto[3].

Cascudo lembra que durante a administração de Leão Veloso, a Província atravessava um período de grande depressão econômica e isso o levou a comprimir as despesas por todos os lados:

Diminuiu até a iluminação pública, cortou três cadeiras do Atheneu, demitiu dezenas de funcionários. Seu “Relatorio” (16-2-1862) é um dos documentos mais completos, elevados e nítidos que possuímos da administração Imperial. Nada conheço superior. A situação financeira era terrível. O funcionalismo estava morrendo de fome, (mas) Leão Veloso, energicamente, enfrentou o problema, atacando despesas inúteis e suprimindo tudo quanto lhe parecia adiável.

Por fim, arremata Cascudo: “Veloso tem (teve) ideias originais e justas”.

Difícil é tirar Leão Veloso do limbo da história. Entretanto, não é possível esquecermos a ousadia de sua viagem, a primeira do gênero no Rio Grande do Norte, que seria repetida no período de 16 a 29 de maio de 1934, pelo Interventor Federal Mário Câmara, em cuja comitiva oficial constavam Anfilóquio Câmara (Diretor geral do departamento de Educação); Antônio Soares Júnior (Prefeito de Mossoró); Alcides Franco (Chefe da segunda seção técnica do Serviço de Plantas Têxteis); e Oscar Guedes (inspetor do mesmo Serviço), e Luís da Câmara Cascudo.

Dessa viagem, surgiu Viajando o Sertão, publicado em 1934 no formato de livro e também como uma série de crônicas no jornal “A República” de 31/05 a 22/07 de 1934.

Assim como, em um remate à contraluz, difícil é esquecer que Leão Veloso, segundo Bruno Agostini[4] é o criador da sopa que leva o seu nome, “um prato carioquíssimo criado no Rio Minho, berço desse caldo de pescados encorpado, feito com base em peixes e frutos do mar, ainda hoje o melhor lugar para apreciar esse clássico da gastronomia carioca”.

Agostini lembra que viajado e apreciador da boa mesa, Paulo Leão Veloso foi diplomata do Brasil em vários países, entre eles a França. Foi lá que ele conheceu a Bouillabaisse, sopa típica de Marselha, no sul da França, às margens do Mediterrâneo. E foi essa receita que inspirou a versão carioca, que ganhou o nome do sujeito que teria passado, na década de 1910, provavelmente, o modo de preparo aos donos do Rio Minho.

“Isso não aconteceu apenas para homenagear Pedro Leão Velloso Neto. Cozinheiros, garçons e muitos clientes não conseguiam pronunciar corretamente Bouillabaisse. Portanto, a sopa carioca não é um ‘plágio’ da francesa, como se pensou por muito tempo, porém uma aculturação em função da disponibilidade de produtos e, sobretudo, da dificuldade de comunicação”, escreveu o maior jornalista da História da Gastronomia Brasileira, J.A. Dias Lopes, colunista da Veja (leiam, basta seguir no Facebook).

E eis a receita[5]:

Lave os camarões e mexilhões e reserve. Retire a cabeça do peixe, coloque-a em um caldeirão, cubra com cerca de 5 litros de água fria, tempere com sal a gosto, leve ao fogo alto e deixe ferver. Junte o amarrado de ervas, tampe o caldeirão, abaixe o fogo e cozinhe por cerca de 1h30. Elimine a cabeça do peixe e o amarrado de ervas, coe o caldo e leve novamente ao fogo. Coloque os camarões em uma cesta de arame para fritura, mergulhe no caldo, cozinhe somente até ficarem rosados, tire do caldo, elimine as cascas, limpe e reserve. Faça o mesmo com os mexilhões até as conchas se abrirem, tire do caldo, remova as conchas e reserve. Mantenha o caldo em fogo alto. Amasse os dentes de alho com grãos de coentro e 1 colher (chá) de sal até obter uma pasta, acrescente ao caldo, junte cheiro verde, tomates, tempere com pimenta, deixe ferver, tampe a panela, abaixe o fogo e cozinhe até os tomates ficarem macios. Corte o peixe em postas, tempere com sal e pimenta, coloque azeite em uma panela, aqueça em fogo médio, junte as postas de peixe, frite até ficarem douradas, tire do fogo e elimine a pele e espinhas. Desfie a carne do peixe, acrescente ao caldo junto com as carnes de siri e lagosta, camarões e mexilhões. Coloque um pouco de água na panela onde o peixe foi frito, deixe ferver, junte ao caldo, misture, verifique o tempero e deixe ferver mais.

Pedro Gomes Leão Veloso faleceu no Rio de Janeiro, a 2 de março de 1902.

Honório de Medeiros é professor, escritor e ex-secretário da Prefeitura de Natal e do Governo do RN

Referências

[1] CASCUDO, Luís da Câmara. Governo do Rio Grande do Norte. Mossoró, Coleção Mossoroense, série “C”, volume DXXXI: 1989.

[2] Com informações do jornalista e escritor Gustavo Sobral (gustavosobral.com.br).

[3] As peripécias da viagem estão em @comitiva1861

[4] //menuagostini.com.br/retrato-de-um-prato-a-sopa-leao-veloso-a-versao-carioca-da-francesa-bouillabaisse/

[5]andrecasabella88

Leia tambémComitiva do Instituto Histórico vai registrar viagem num ‘diário’

Uma rede, sem pressa

Por Odemirton Filho

O nosso conterrâneo Luís da Câmara Cascudo escreveu um livro sobre a rede. Segundo o folclorista, “a rede toma o nosso feitio, contamina-se com os nossos hábitos, repete, dócil e macia, a forma do nosso corpo. A rede é acolhedora, compreensiva, acompanhando, tépida e brandamente, todos os caprichos da nossa fadiga e as novidades imprevistas do nosso sossego”. Rede - 3Sim, a rede embala os nossos sonhos. Deixa-nos sem pressa do amanhã. Nessa vida corrida, na qual o ter é mais importante do que o ser, como é bom uma rede para espichar o corpo, descansando das batalhas do cotidiano. Uma rede no alpendre de uma casa de praia, vendo o mar e a lua se beijando, não tem “pareia”. A rede balança, gostosamente, um chamego.

Meu avô materno era proprietário de uma fábrica de redes. Talvez, daí a minha paixão por uma rede. Lembro-me muito bem do barulho dos teares. Eu brincava na velha fábrica, no meio dos rolos de fio, mesmo espirrando pra valer.

A rede faz parte de nossa cultura. É tão nordestina. Aliás, segundo Câmara Cascudo, quem primeiro denominou a rede foi Pero Vaz de Caminha, em 27 de abril de 1500, é o padrinho da rede de dormir. Batizou-a pela semelhança das malhas com a rede de pescar.

Quem mora em sítio ou fazenda gosta de se deitar em uma rede, sentindo o sereno ou aliviando-se do mormaço. À noite, quem sabe, acende uma fogueira e toma uns goles, tocando um violão com saudade de alguém.

Aos domingos, deitar-se numa rede no alpendre de uma casa de praia, no “terreno” ou no quarto, e viajar em uma boa leitura, faz um bem danado ao corpo e a alma.

Aliás, em uma de suas belas crônicas, a escritora Rachel de Queiroz também fala sobre a rede armada num alpendre: “Só a paz, o silêncio, a preguiça. O ar fino da manhã, o café ralo, a perspectiva do dia inteiro sem compromisso nem pressa. Vez por outra um conhecido que chega, conta as novidades, bebe um caneco de água, ganha de novo a estrada”.

Pois é. Carecemos, aqui ou acolá, de uma rede, sem pressa.

“Afinal de contas só do chão precisa o homem, para sobre ele andar enquanto vivo e no seu seio repousar depois de morto”.

Odemirton Filho é bacharel em Direito e oficial de Justiça

Academia completa 82 anos nesta quarta-feira

A Academia Norte-riograndense de Letras (ANL) completa 82 anos de vida nesta quarta-feira (14).

A partir da 20h, em sua sede à rua Mipibu, 443, Petrópolis, Natal, a entidade fundada em 14 de novembro de 1936 pelo escritor Luís da Câmara Cascudo, realizará uma programação festiva.

Várias pessoas serão homenageadas pela contribuição à entidade.

Em seguida, haverá apresentação da Camerata de Vozes do RN e da Banda de Música Tonheca Dantas da Polícia Militar.

O trio musical do Instituto Gentil de Campo Grande-RN, composto pela pianista Giovana Gentil, o clarinetista Wendel André e o trompetista Grácio Zaqueu, fecharão os festejos.

Inicialmente, a ANL contou com 25 cadeiras, número ampliado para 30 em 1948 e para 40 em 1957.

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Direito à liberdade

Por Odemirton Filho

Em 1883, segundo conta a história, a cidade de Mossoró promoveu a abolição de seus escravos, cinco anos antes da decantada Lei Áurea que estendeu a liberdade a todos os escravos do país.

O fato histórico é celebrado todo dia 30 de setembro, sendo o principal feriado municipal da terra de Santa Luzia.

Segundo o historiador potiguar Luis da Câmara Cascudo “a escravidão não era no Rio Grande do Norte uma determinante econômica indispensável ao equilíbrio da província”. “A ideia da abolição era assim, um saldo da dívida secular do trabalho infinito do escravo, porque na África o negro não tivera liberdade”.

Passando ao largo da história, sem adentrar na veracidade e importância do fato, o direito à liberdade precisa ser cultivado em todas as suas expressões.

No dizer de José Renato Nalini (2004):

“A liberdade moral não se confunde com a liberdade jurídica. Esta faculdade puramente normativa. A liberdade jurídica é mais um âmbito espacial de atividade exterior, que a lei limita e protege. Já a liberdade moral é atributo real da vontade. A jurídica termina onde o dever principia; a moral é pensada como um poder capaz de traspassar o linde do permitido”.

A lei moral é a autolegislação da razão prática, dizia Kant. Se o homem se submete às leis que de sua razão promanam, evidente sua liberdade.

A nossa Constituição Federal consagrou inúmeras liberdades fundamentais que devem ser constantemente defendidas, constantes do artigo 5º.

Essas liberdades fundamentais são, sem dúvida, o alicerce maior de um Estado Democrático de Direito. Nelas se assentam os outros direitos de igual relevância.

Conforme Dirley da Cunha Júnior “o direito à liberdade consiste na prerrogativa fundamental que investe o ser humano de um poder de autodeterminação ou de determinar-se conforme a sua própria consciência”.

Impende, todavia, acrescentar que nenhum direito é absoluto. Há limites. As redes sociais se transformaram em um palco de ofensas. Não se confrontam ideias.  Agridem-se   pessoas.

Porém, interessa-nos, no momento, discorrer sobre a liberdade para escolher os nossos representantes.

Faltando uma semana para as eleições gerais deste ano é bom ressaltar a importância e a liberdade do voto.

O voto de cabresto, em tempos idos, já não se coaduna com o Estado Democrático de Direito que estamos a construir.

O exercício do sufrágio, através do voto, é garantia inarredável.

A Carta Maior preceitua:

“Art. 14. A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos” (…).

Assim, temos que o voto tem o mesmo valor. Por conseguinte, a todos, indistintamente, cabe o destino do país.

A tradição político-eleitoral brasileira está assentada em premissas que escapam de uma atitude livre e democrática.

Desde sempre o voto foi conduzido para satisfazer a vontade dos donos do poder.

A sociedade sempre se deixou seduzir pelos encantos do populismo e da retórica.    A necessidade premente, imposta pelo sistema político, se sobrepõe a um futuro que pode lhe reservar um pouco mais de dignidade.

Pensa-se no hoje, perde-se o amanhã.

Os grupos políticos que há muito dominam o cenário das eleições, mais uma vez, estão a disputar a preferência do eleitor.

Como detentor da soberania o eleitor poderá escolher o caminho a seguir.

Se está satisfeito com a forma que as coisas estão sendo conduzidas no país e, particularmente, no estado, deve reeleger os de sempre.

Ao contrário, se achar que o quadro político precisa ser renovado, deve fazê-lo, o momento é agora.

Temos em nossas mãos o futuro de nosso país e de nossa democracia.

Nesse sentido, o cientista político e professor de Harvard, Daniel Ziblatt, alerta:

“No mundo atual do autoritarismo eleitoral, para que a democracia sobreviva, acima de tudo, não devemos considerar que ela já está garantida. Os cidadãos não podem agir de forma imprudente. Devem exigir que seus eleitos atuem com responsabilidade. A democracia está em nossas mãos, e sua sobrevivência corre risco”.

Do exposto, no dia da eleição, nada melhor do que se cumprir a sentença do existencialista Jean Paul Sartre: “estamos condenados a ser livres”.

Odemirton Filho é professor e oficial de Justiça