Arquivo da tag: Mercado Central

Sinalagma

Por Bruno Ernesto

Bodega no Mercado Central, Governador Dix-Sept Rosado (Foto: Bruno Ernesto, 10/2025)
Bodega no Mercado Central, Governador Dix-Sept Rosado (Foto: Bruno Ernesto, 10/2025)

Quem algum dia imaginaria que comprar um simples sabonete Senador ou Alma de Flores viraria sinônimo de burocracia?

Desde que me entendo por gente, ouço a famigerada palavra burocracia reinar no nosso dia a dia. Aquele poder que, originalmente, emanava de um tampo de madeira, uma cara sisuda, uma caneta com tinta perpetua e um carimbo chancelador.

Quando falamos em produção, interpretação e aplicação da lei, o Brasil é uma aberração sem precedentes. A iniciar pela incalculável quantidade de leis. Talvez não seja exagero dizer que Franz Kafka seria um escritor amador e passaria vergonha se fosse brasileiro, levando em conta a teratologia jurídica tipicamente nacional.

Há quem diga que essa nossa burocracia se dá exclusivamente em virtude de termos uma infinidade de leis. Assim, no final dos anos 1970 e meados dos 1980, como ninguém aguentava mais tanta burocracia por aqui, criaram o Programa Nacional de Desburocratização.

Para não fugir à tradição, criou-se um Ministério da Desburocratização. Pura ingenuidade; brasileiro adora burocracia. A burocracia é patrimônio imaterial nacional, que já impregnou nosso ácido desoxirribonucleico.

Só quem tem a infelicidade de dominar a interpretação das leis brasileiras, sabe que é pouco provável que essa burocracia finde. Muito pelo contrário. Ela é indispensável à manutenção de uma elite, se não intelectual, funcional.

O livro “Burocracia e sociedade no Brasil colonial”, de autoria do professor e pesquisador da Universidade de Yale, o americano STUART B. SCHWARTZ, é um livro que reputo indispensável para entendermos o quão intrincado tornou-se tudo no Brasil quando o assunto é processo e procedimento formal, pois é o poder e controle de um sistema de falsa qualidade e mérito.

Se houve uma evolução? Sim, claro! Saímos do papel e migramos para o meio eletrônico. Só.

Até o comércio, uma atividade estritamente sinalagmática, cujo negócio é um dos poucos que pode se concretizar sem que o comprador e o vendedor falem alguma coisa um para o outro, ou até mesmo nem olhem para si estando frente a frente, não é mais o mesmo.

Se você for comprar qualquer coisa hoje, lhe pedem, no mínimo, número do CPF, inscrição no programa PIS/PASEP, número de identidade, número do cartão fidelidade, e-mail, número do telefone.

Se quiser aproveitar a oferta do dia do setor de frios, material de limpeza ou da padaria, precisa ativar a promoção no aplicativo do estabelecimento comercial – por código, item e setor – não sem antes ter que fazer um cadastro bioeletromecânico, enquanto o operador do caixa aguarda o sinal da internet voltar, e lhe manda digitar o número do CPF, código de fidelidade, dia, mês e ano de nascimento.

Se quiser participar do sorteio do prêmio no final do mês, precisa fazer tudo novamente e, assim, receber diminutas cartelas para preencher manualmente e depositar numa urna que é inlocalizável.

Além disso, há um fato novo: você só consegue efetuar a próxima compra se avaliar a compra anterior.

Hoje não se pode mais entrar mudo e sair calado de um estabelecimento comercial, pois exige-se tanta informação e passos para comprar ou ter desconto, que é mais fácil sair sem pagar e ter que se explicar à autoridade policial na delegacia mais próxima. Qualquer dia vou testar.

Toda vez que me deparo com essas burocracias no comércio local, lembro de Jalles Costa, meu saudoso professor de Sociologia do Direito, que já era um senhor com idade avançada naquela época, e que, certa vez, nos contou um episódio um tanto curioso.

Após passar as compras no caixa de um determinado supermercado em Natal, lhe falaram que para concluir aquela compra era necessário fazer um cadastro.

Lá para as tantas, a operadora do caixa perguntou o atual endereço dos pais dele. Muito espirituoso, disse que se ela reparasse bem nele – um idoso -, não haveria necessidade dessa informação. Todavia, a operadora insistiu que a informação era indispensável para concluir o cadastro.

Não insistiu e concordou em fornecer o atual endereço dos seus pais, e quando a operadora do caixa pediu novamente tal informação, disparou: Rua 13 com 14, do cemitério do Alecrim.

Bruno Ernesto é advogado, professor e escritor

Centro Comercial que acomodará pequenos comerciantes terá início

Obra vai abrigar mais de 300 pequenos comerciantes que hoje tem instalações precárias no Centro (Arte: PMM)
Obra vai abrigar mais de 300 pequenos comerciantes que hoje tem instalações precárias no Centro (Arte: PMM)

O Centro Comercial de  Mossoró começará a ser construído na segunda-feira (15), na rua Bezerra Mendes, ao lado do Mercado Central. A Ordem de Serviço será assinada pelo prefeito Allyson Bezerra (UB) no local, às 8h. Na sequência, as equipes da empresa licitada para a construção iniciam o empreendimento.

O investimento do Município na obra supera os R$ 10,5 milhões, viabilizados por meio do programa “Mossoró Realiza”. Além dos mais de 300 boxes que irão acolher os comerciantes ambulantes que hoje atuam em ruas do Centro da cidade, o projeto também prevê a revitalização da Praça da Independência, construção, entre outros espaços, de bicicletário, e disponibilidade de vagas para taxistas e mototaxistas, além de Posto da Guarda Municipal e Posto de Atendimento ao Turista.

A acessibilidade é um dos destaques da obra.

Para que a construção seja iniciada, a Prefeitura de Mossoró vem executando um plano de ações, em constante diálogo com todos os segmentos envolvidos. Uma das medidas adotadas é a realocação dos comerciantes que estavam instalados na rua Bezerra Mendes, Praça da Independência e entorno do Mercado Central.

Os vendedores foram transferidos para espaços nas ruas Meira e Sá, Francisco Peregrino e travessa Martins de Vasconcelos, onde foram instaladas tendas e organizada, pela Prefeitura, uma estrutura temporária adequada para os comerciantes continuarem recebendo seus clientes durante o período de construção do Centro Comercial.

Acessibilidade e estacionamentos

O trânsito e segurança no local também receberam atenção especial do Município, assim como está sendo disponibilizada uma base da Guarda Civil na área.

Em etapas seguintes, o Município vai investir na acessibilidade das ruas e outros logradouros públicos centrais, bem como reordenamento do trânsito. A acomodação dos ambulantes e pequenos comerciantes num local adequado é o ponto inicial dessa operação ainda mais ampla.

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo Twitter AQUI, Instagram AQUI, Threads AQUI, Facebook AQUI e YouTube AQUI.

Enquanto o sono não vem (culto à noite)

Por Carlos Santos

Foto ilustrativa da página Perito Animal
Foto ilustrativa da página Perito Animal

Boêmio convicto, o jornalista-compositor pernambucano Antônio Maria cunhou uma frase que virou um culto à boa vida noturna carioca, que ele aproveitou intensamente, sobretudo nos anos 50: “A noite é uma criança”.

É verdade. Eu já a embalei muito e a conheço bem. Contei estrelas sob seu teto, tangi-a por aí, sem destino. Com seu consentimento eu bebi todas, bradando aos quatro cantos a minha felicidade.

Para Cazuza, “o banheiro é a igreja de todos os bêbados”. À noite, é também o vômito espalhado no chão, o batom na gola da camisa, recanto das mais sórdidas confissões e daquele inescapável último pingo na cueca.

“À noite todos os gatos são pardos.” Tenho minhas dúvidas. Muitos cintilam e reluzem, para morrer aos primeiros raios de sol da manhã. Outros têm cores próprias e se renovam ao amanhecer. Tem sete vidas.

Na verdade, a noite tem o poder de revelar pessoas, isso sim. Mas elas não são melhores ou piores por causa da noite. Nem adianta culpar a bebida por sua imagem lasciva declarada, longe da identidade diurna.

A “persona” (máscara) não cabe em qualquer um, é bom que fique claro. Ela se esconde na maquiagem borrada, na moral encardida.

Hemingway disparou: “Paris é uma festa”. Tem sido assim há décadas. E a noite?

Temos muito de Paris, do Sena que nos corta à Bastilha que nos prende. A Champs Élysées que parece infinita é como aquela noite que nunca devia acabar, de tão boa.

A “baladeira” (rede) me aguarda dadivosa. Tadinha, tão surrada, mas acolhedora. A noite engatinha e o sono não chega. É como meu novo bebê, vivo num imaginário dividido e partilhado, pronto para nascer. Estou à sua espera infinitamente.

O que seria da humanidade pós-moderna se não fosse Twitter, MSN, Facebook etc.? Sobreviveria, lógico, mas assim mesmo quero ir para Pasárgada. Sem querer ser esnobe, vou logo avisando: lá não faço questão de ser amigo do rei.

Sou velho mesmo. Do tempo que puxava o sono ouvindo a Rádio Mundial, folheava a Playboy às escondidas, com olhar rútilo, jogava conversa fora à calçada para engolir as horas e fazia do sarro o ápice do “amor”.

Bom tempo.

Sou do tempo que a madrugada insone, de boemia inocente, terminava no Mercado Central, na esquina de casa, na praça com o sol dando “bom-dia”. Feliz pela camisa amarrotada, por sentir outro perfume no corpo ou conformado com a solidão de muitas vozes ininteligíveis, sem que umazinha sequer me acalentasse.

Saudosista? Não. Vivo hoje o melhor dos meus dias terrenos, sem medo de olhar para trás e enxergar minhas próprias pegadas.

O meu tempo não é o da saudade. Fico a falar do que passou, porque passou sem ir embora. É como aquele livro bom, socado entre outros na estante, que a gente sempre consulta numa releitura que se renova.

É, muitas vezes, um volver para rir das próprias desgraças. Passeio por desventuras próximas as de “Geraldo Viramundo”, personagem de Fernando Sabino, sempre envolto em situações picarescas e estapafúrdias. Um Dom Quixote sertanejo.

Ah… e se eu fosse poeta? E se tivesse um violão? Não quero nem pensar. A sarjeta seria minha pátria. Bardo solto por aí, crente na imortalidade, não estaria aqui, balbuciando essas palavras. A noite teria minha vigília permanente à janela de Rapunzel.

Talvez fosse “um menino passarinho, com vontade de voar”, como escreveu Luiz  Vieira. Até pediria que copiassem o próprio Sabino com um etipáfio parecido àquele posto em seu túmulo, para fechar minha história:

“Aqui jaz Carlos Santos, que nasceu homem e morreu menino”.

Boa noite. O sono chegou.

São 3h15… zzzz!!!

Carlos Santos é criador e editor do Blog Carlos Santos (Canal BCS)

*Texto originalmente publicado nesta página no dia 13 de fevereiro de 2011 (veja AQUI).

Assunto polêmico

Por Marcos Ferreira

Foto ilustrativa
Foto ilustrativa

No meu tempo de criança (não me perguntem quando) a gente era menino besta e pobre e se alegrava com qualquer besteira que vencesse os obstáculos do nosso nível de pobreza. Nem que fosse de maneira provisória. Calma aí! Não vou falar de coisas tristes, de sentimentalismos. Não. Sosseguem o facho. Somente quero contar uma história de algumas almas (pessoas) tal qual a história se deu.

— Sem assunto polêmico! — alguém dirá.

— Certo, vamos adiante!  — eu respondo.

Convém, portanto, que não descambemos para a pieguice. Nada pior do que choramingarmos por brinquedos quebrados ou nunca entregues pelo Papai Noel, aquele velhinho do Polo Norte que supostamente possui o dom da ubiquidade, capaz de estar em diversos lugares ao mesmo instante. Menos onde morávamos. Ali, em vez de chaminé, tinha apenas um fogão a lenha retinto, cheio de tisna.

A infância, por mais precária que seja, é mágica. Embora alguns imaginem que não, também já fui criança. Essa época pueril era motivo de júbilo quando, por exemplo, fazíamos uma simples turnê em uma manhãzinha de domingo no grandioso e único shopping desta cidade: o clássico Mercado Central.

Aquilo era o must, inclusive da classe rastaquera, dos “bem de bolso”, que cedinho acorriam ao Mercado com seus baldes (de plástico ou alumínio) para enchê-los com toda sorte de mercadorias, provisões. Eu, meu pai e irmãos ficávamos meio à margem desse intransponível círculo dos baludos. Isso mesmo!

Nosso orçamento era pequeno, apertado. Aqui apertado é uma modalidade de eufemismo. Porém a vida era modesta e boa. Não importava que o senhor João Batista Figueiredo só soubesse nos mandar apertar o cinto.

Ainda não havia para nós Rita Lee nem Caetano. O Sítio do Pica-pau Amarelo era a estrela que fazia os olhinhos de pirilampo da gente brilharem. Isto quando tínhamos ao menos uma tevê Telefunken em nossa casa.

Televisor, a propósito, era artigo de luxo e durava pouco no lar dos Ferreiras. Porque o meu pai, acossado pela inflação galopante, sempre encontrava um comprador oportunista.

Eis, para a decepção de alguns, o assunto polêmico de hoje. Quem sabe noutro ensejo eu discorra acerca de eutanásia, racismo, vida após a morte, tráfico de pessoas, ou sobre uma certa base de extraterrestres na Antártida.

Marcos Ferreira é escritor

Setor produtivo apoia luta contra Covid-19 desinfectando mercados

A desinfecção ocorrerá nos quatro domingos do mês de março (Foto Allan Phablo-PMM)
A desinfecção ocorrerá nos quatro domingos do mês de março (Foto Allan Phablo-PMM)

A Câmara de Dirigentes Lojistas de Mossoró (CDL), Sindicato do Comércio Varejista (Sindilojas Mossoró) Associação Comercial e Industrial de Mossoró (ACIM) e Sindicato das Indústrias da Construção Civil (Sinduscon Mossoró) realizam a partir deste domingo (7), o serviço de desinfecção em superfícies contra a covid-19 nos mercados públicos da cidade.

O trabalho será realizado nos quatro domingos do mês de março. Os mercados que vão passar pela desinfecção são Cobal/Mercado da Carne, Mercado Central, Mercado do Bom Jardim e Mercado do Alto da Conceição. Após aplicação, o local ficará, no mínimo, 2h sem circulação de pessoas.

A empresa Astra fará a desinfecção com materiais detergentes adequados que serão aspergidos em todas as edificações e ambientes dos mercados.

A ação terá apoio da Prefeitura de Mossoró, inclusive com a Guarda Civil Municipal (GCM).

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo  TwitteAQUIInstagram AQUIFacebook AQUI e Youtube AQUI.