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Exaltação de regime radical expõe jovem e esconde raiz de tudo

Slogan, farda, cruz de ferro: exaltação muito além do escárnio da formatura (Reprodução do BCS)
Slogan, farda, cruz de ferro: exaltação muito além do escárnio da formatura (Reprodução do BCS)

Em Natal há quase uma semana, espreito de longe a polêmica dos últimos dias em Mossoró: um adolescente de 16 anos esteve em festa de formatura do curso de Medicina da Faculdade de Enfermagem e Medicina de Mossoró (FACENE), impecavelmente vestido com farda que fazia alusão ao regime nazista e promovendo outros símbolos.

Deu-se ao cuidado até mesmo de fazer a saudação gestual hitlerista, de braço direito no ar com a palma estendida para baixo. Se chegou a pronunciar o “Heil Hitler” (Salve Hitler), não se sabe.

A Facene publicou nota rasa sobre o caso. A família do garoto mergulhou, optando por expor esse rapaz mais ainda em redes sociais.

Nessa terça-feira (13), ele apareceu com rosto limpo e, sem farda, num vídeo ‘autorizado.’ Tentou se explicar e relativizar o episódio, abobalhando-se por orientação ou por ser mesmo imberbe.

No seu endereço pessoal no Instagram, a que tive acesso, ele usa slogan nazista – em alemão – para recepcionar seguidores: “Um povo, um império, um guia.” Tem foto ainda com insígnia da “Cruz de Ferro” no pescoço e a mesma farda…

Está claro que não foi caso isolado o excesso caricato juvenil que encarnou na formatura de estudantes de medicina, onde era convidado de uma formanda.

A exposição desse garoto é outro absurdo, um abuso pior do que o escárnio público que promoveu ao lado de familiares. Ainda bem que o Ministério Público do RN (MPRN) abriu procedimento para apurar o caso, com o zelo de evitar mais exposição desse adolescente e na caça aos reais responsáveis (veja AQUI). A intolerância tem raízes profundas.

Basta! Chega!

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MP abre procedimento sobre uso de símbolos nazistas

Arte ilustrativa
Arte ilustrativa

O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN), por intermédio da 10ª Promotoria de Justiça de Mossoró, informa que foi instaurado um procedimento extrajudicial para a coleta de informações sobre incidente ocorrido durante o baile de formatura do curso de Medicina da Faculdade de Enfermagem e Medicina de Mossoró (FACENE), realizado no último sábado (10). Adolescente participou de festa vestido com fardamento que roupa e símbolos que o associavam ao nazismo.

O procedimento busca coletar informações preliminares sobre os fatos e a identificação dos envolvidos. A Promotoria de Justiça analisará detalhadamente as provas juntadas aos autos para determinar as medidas legais e diligências adequadas à elucidação do ocorrido.

Após as diligências estabelecidas pelo MPRN, será feita a análise sobre a responsabilização seja do próprio suposto adolescente e/ou de seus responsáveis.

O MPRN recebeu diversas representações por meio de sua plataforma oficial de denúncias. Todas as manifestações foram agrupadas ao procedimento principal para otimizar a investigação.

Por oportuno, o MPRN ressalta que, por se tratar de apuração envolvendo possível adolescente autor de ato infracional, o processo segue em estrito segredo de justiça.

Nesse sentido, alerta-se aos meios de comunicação, blogs e usuários de redes sociais que deve-se evitar a publicação de fotos, vídeos que exponham o rosto ou a divulgação do nome do adolescente.

O descumprimento dessa norma pode configurar infração administrativa, conforme previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), sujeitando os responsáveis às penalidades legais. Além disso, o Artigo 143 do ECA veda a divulgação de atos judiciais, policiais e administrativos que digam respeito a crianças e adolescentes a que se atribua autoria de ato infracional.

O MPRN reitera seu compromisso com a legalidade e a proteção integral dos direitos infanto-juvenis.

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O julgamento do juiz

Por Marcelo Alves

Aproveitando a deixa do artigo da semana passada, que versou sobre um bizarro “Causídico de Instagram” (veja AQUI), vou hoje abordar a moral/ética dos juízes, misturando a temática com lições da história e do cinema, para deixar a nossa conversa mais leve e interessante.

Corte do julgamento de Nuremberg (Reprodução)
Corte do julgamento de Nuremberg (Reprodução)

Começo com dois trechinhos colhidos do “Curso de ética jurídica: ética geral e profissional” (Editora Saraiva, 2016): no que toca a qualquer profissional do direito, este “tem de estar consciente de que o instrumental que manipula é aquele capaz de cercear a liberdade, de alterar fatores econômicos e prejudicar populações inteiras, de causar a desunião de uma sociedade e corrosão de um grande foco de empregos e serviços, desestruturar uma família e a saúde psíquica dos filhos dela oriundos, de intervir sobre a felicidade e o bem-estar das pessoas…”; no que toca ao juiz especificamente, “pede-se consciência do magistrado na medida em que é ele a última palavra acerca da lei, devendo, portanto, prestar a atividade jurisdicional como sendo o último recurso de que dispõe o cidadão na defesa de seus direitos e garantias, no combate à arbitrariedade, à deslealdade, à inadimplência, ao desvio de poder, enfim, à ilegalidade e à inconstitucionalidade”.

E agora chegamos às lições da história e do cinema.

Quanto à história, relembro aqui os “julgamentos de Nuremberg”, decorrentes dos horrores da 2ª Guerra Mundial, que foram realizados entre 1945 e 1949. O principal julgamento teve fim em 1º de outubro de 1946 e concentrou-se na cúpula do regime nazista. Hermman Goering & Cia. Mas, a partir de dezembro de 1946, foram realizados mais doze julgamentos de criminosos de guerra nazistas de menor relevância.

Um deles foi o “julgamento dos juízes”, em que nove membros do Ministério da Justiça do Reich e sete membros de tribunais do povo e de tribunais especiais foram acusados de abusar dos seus poderes de promotores e juízes para cometer crimes de guerra e contra a humanidade, fomentando e autorizando a perseguição racial e horrendas práticas de eugenia, entre outras coisas, levando à prisão e à morte inúmeros inocentes. O julgamento durou de março a dezembro de 1947. Dez dos acusados foram condenados, quatro absolvidos e dois acabaram não julgados.

Esse julgamento, com uma boa dose de ficção, foi dramatizado no filme “O julgamento de Nuremberg”, de 1961, com direção de Stanley Kramer. O filme é estrelado por Spencer Tracy, Burt Lancaster, Marlene Dietrich, Judy Garland, Montgomery Clift, Richard Widmark, Maximilian Schell, Werner Klemperer e William Shatner, entre outros. Só top!

Moralmente, o filme foca naquilo que uma das personagens chama de “crimes cometidos em nome do direito”. É certo, como afirma a defesa, que “um juiz não faz as leis; ele aplica as leis do seu país”? Ou devem os juízes sempre ter em conta um direito superior, a Justiça em si?

“O julgamento de Nuremberg” responde a esse questionamento por meio de um outro magistrado, o herói do filme, o presidente da Corte no caso do “julgamento dos juízes”, o juiz Dan Haywood (papel de Spencer Tracy), apresentado como um homem modesto, tolerante e justo, que quer entender como os sábios magistrados da Alemanha puderam participar dos horrores do regime nazista e, se for o caso, punir adequadamente esses “crimes judiciais” praticados “em nome da lei”.

A resposta nos é dada primeiramente pelo anti-herói do filme, Ernst Janning (papel de Burt Lancaster), aquele jurista que, segundo é dito no filme, havia “dedicado sua vida à Justiça – ao conceito de Justiça”. Janning acaba aceitando sua responsabilidade pelos graves erros do regime nazista, reconhecendo que tanto ele como os corréus sabiam que as pessoas que eles sentenciavam eram enviadas a campos de concentração.

O próprio Janning, tomando o lugar do seu advogado (papel de Maximilian Schell), vem a reconhecer a sua responsabilidade no “Caso Feldenstein”, que já estaria decidido, pela “lei” nazista, antes mesmo da abertura dos debates. “Aquilo não foi um processo”, dirá Janning, “foi um rito de sacrifício”. No final do filme, num encontro entre herói e anti-herói, afirma ainda a personagem de Spencer Tracy: “sua culpa [e a dos juízes nazistas como um todo] teve início na primeira vez que você condenou conscientemente um inocente”.

Baseado na crença de que uma ordem moral/ética transcende o direito/lei feito pelos homens, devendo ser seguida por todos nós, a Corte de Nuremberg condena os réus magistrados. Acho que todos nós condenaríamos, não?

Marcelo Alves Dias de Souza é procurador Regional da República e doutor em Direito (PhD in Law) pelo King’s College London – KCL

Câmara de Gás em carro da PRF

Por François Silvestre

O que falta acontecer neste país brutalizado, estuprado e descido à condição de submundo do crime oficial. Crimes de Estado. Após chacina em favela do Rio, com aplausos de Bolsonaro, esse genocida cotidiano, acontece algo que nem a ficção pensaria.

Policiais prendem homem no camburão e gás faz o resto do "serviço" cruel (Foto: reprodução)
Policiais prendem homem no camburão e gás faz o resto do “serviço” cruel (Foto: reprodução)

Uma radiopatrulha da Polícia Rodoviária Federal, nova menina dos olhos do genocida, numa cidade interiorana de Sergipe, aborda um jovem negro que nenhuma reação esboçou. O rapaz, sob tratamento psiquiátrico, entregou documentos e receitas das suas medicações.

Os presentes informavam que o rapaz era doente. Nada adiantou. Amarraram pernas e braços do rapaz. Parou aí? Não. Jogaram o rapaz no camburão do veículo, baixaram a tampa, deixando de fora as pernas do pobre coitado. Dos lados da tampa fechada, empurrada pelos policiais bandidos, pressionando as pernas do preso, saía uma fumaça branca, que cobria todo o veículo. Uma câmara de gás instalada no camburão (veja AQUI).

Qualquer semelhança com as câmaras dos campos de concentração nazistas não é mera coincidência. Varia de tamanho e operacionalidade, mas o espírito da brutalidade, da desumanidade é o mesmo.

A população da cidade está passada de revolta (veja AQUI). É essa polícia que Bolsonaro está equipando, de material e espírito, para transformar o Brasil num gueto de repressão, tortura e morte. Tudo para preservar a liberdade deles. Eles, família e quadrilha, falsos militares fardados e milicianos a paisana.

A revolta dos habitantes de Sergipe há de ser uma revolta nacional. Não para responder com violência, mas com denúncia e protesto. E depois desalojar, pelo voto, esses bandidos que assumiram o poder democraticamente com o fim de matar a Democracia. O mesmo que os arquétipos da Alemanha e Itália fizeram nos anos Trinta do Século passado.

Nota do Canal BCS – Blog Carlos Santos – Vi essa cena de terror e logo minha memória foi remetida a documentário sobre a “solução final” do nazismo, com carros/furgões fechados e o gás da combustão sendo jogado para o seu interior, matando homens, mulheres, crianças, idosos. Não consegui ver o vídeo por inteiro e me pergunto o que pode levar “homens da lei” à tanta crueldade.

E o que fariam se não estivessem sendo filmados?

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Símbolo nazista é ostentado em condomínio de Mossoró

Símbolo nazista foi identificado em condomínio de Mossoró (Foto: cedida)
Símbolo nazista foi identificado em condomínio de Mossoró (Foto: cedida)

Do UOL

Os moradores de um condomínio de classe média alta na cidade de Mossoró (RN) se revoltaram após um dos vizinhos colocar, no terraço de sua casa, uma placa contendo uma suástica nazista A denúncia partiu de uma pessoa que mora no condomínio, que pediu para não ser identificada.

A placa aparentemente parece desgastada e tem uma mancha de tinta cobrindo parte do emblema nazista.

Segundo o relato de outro morador, o proprietário da casa onde a placa foi colocada é uma pessoa “estranha”, de poucos amigos. “Em geral, o pessoal daqui é cordial, educado, mas ele não. Grita com as pessoas, ofende”, contou.

A casa onde foi colocada a placa foi construída há pouco mais de 5 anos, mas os condôminos não sabem dizer se foi o homem que a construiu ou se o imóvel foi alugado e ele se mudou há pouco tempo para lá.

Condomínio se manifesta

Por meio de nota, a administração do Condomínio Veronique, onde ocorreu a descoberta da placa com a suástica, declarou que, até o momento, não houve nenhuma reclamação ou denúncia formal sobre o fato narrado pelos moradores.

“Somos cientes da gravidade existente na apologia ao nazismo, sobretudo por tudo de mal que fez contra a humanidade. E, em se constatando o suposto fato, caberá às autoridades policiais adotarem as medidas cabíveis. A administração do condomínio, tão logo seja provocada, prestará os esclarecimentos de sua responsabilidade para elucidação do caso”, afirma a administração do empreendimento, na nota.

Veja matéria completa AQUI.

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Monark nazista

Eu pensava que Monark era apenas marca de bicicleta da minha infância.

Mas, descubro hoje terça-feira (8), a nova versão: um influencer com milhões de seguidores e a favor da legalização de Partido Nazista (veja AQUI).

Deve ganhar outros milhões de admiradores.

A estupidez é contagiosa.

Vai piorar.

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Coronel Azevedo é contra vacina obrigatória e associa decreto a nazismo

Azevedo acha que vacina é experimentação humana (Foto: AL)
Azevedo acha que vacina é experimentação humana (Foto: AL)

Em pronunciamento na sessão ordinária desta quarta-feira na Assembleia Legislativa, o deputado estadual Coronel Azevedo (PSC) criticou a decisão do Governo estadual em publicar um decreto (veja AQUI) que obriga servidores públicos a se vacinar “sob ameaça de demissão daqueles que não o fizerem”.

Coronel Azevedo esclareceu que “não é contra a vacina da Covid-19, mas sou a favor da autonomia da relação médico-paciente. Inclusive do sigilo da profissão do médico. Até porque a vacina contra a Covid-19 é experimental”.

Ele disse que “como toda vacina tem seus prós e contras. Por isso, é preciso que cada cidadão converse com seu médico e tome sua decisão de se vacinar ou não”.

Segundo o deputado, esse decreto do Governo é totalmente contra a liberdade. Coronel Azevedo denunciou que “há relatos e de outros problemas pós vacinação. É preciso pensar se caberá ou não responsabilidade civil no âmbito judicial contra quem der essas ordens que resultarem em problemas gravíssimos”.

Nazismo

Ele lembrou que “todas as fabricantes de vacinas da covid-19 exigiram aos compradores que assinassem documento isentando-os de qualquer efeito danoso, maléfico pós vacinação”.

O parlamentar citou o caso do filho de um servidor da Assembleia Legislativa que, após tomar uma vacina mais antiga, está com sequelas permanentes.

“Aconselho a cada um que busque o significa o Código de Nuremberg, que médicos foram utilizados para aplicar experimentos na Alemanha nazista e resultaram em milhares de mortes foram depois condenados à morte. Eles [médicos] disseram que estavam fazendo os experimentos por ordem do Estado cumprindo um dever de servidor e obedecendo ao governante nazista”, explicou.

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Bandido/herói

Por Inácio Augusto de Almeida

Julho de 1944. A guerra perdida para a Alemanha.  Oficiais de alta patente sabiam que a derrota era inevitável e que, continuar lutando era apenas sacrificar ainda mais o sofrido povo alemão. Só que não tinham coragem de dizer isto ao louco que continuava acreditando na vitória.

E por conta da covardia do alto comando das forças armadas, milhares de militares e civis morriam todos os dias.

Um coronel não suportou ver tanta covardia causando tanto mal ao povo alemão e resolveu agir.

Explosivos foram acionados, mas Hitler conseguiu se salvar do atentado (Foto: reprodução)
Explosivos foram acionados, mas Hitler conseguiu se salvar do atentado (Foto: reprodução)

Chamou para si a tarefa de matar Hitler e negociar uma rendição condicional com os aliados. Rendição que, por não ser incondicional, manteria à Alemanha numa posição não humilhante e preservaria milhões de vidas.

STAUFFENBERG sondou vários generais e todos se mostraram simpáticos à ideia. Até mesmo o grande Rommel concordava que a guerra estava perdida.

Stauffenberg armou a OPERAÇÃO VALQUÍRIA e partiu para uma reunião na Toca do Lobo, onde Hitler se reuniria com generais, levando dentro da pasta uma bomba de alto poder explosivo. Stauffenberg chegou a colocar a pasta com a bomba armada para explodir minutos depois e conseguiu sair da sala.

A bomba explodiu e Stauffenberg retornou a Berlim certo que Hitler tinha morrido.

A Operação Walquíria começou a funcionar e todos aderindo ao projeto que buscava pôr fim a uma guerra que já não tinha sentido.

Logo que a voz do Hitler é ouvida nos rádios dos alemães, ele tinha sobrevivido, todos começaram a se afastar de Stauffenberg a quem passaram a chamar de traidor.

O Coronel Stauffenberg foi fuzilado imediatamente. Outros também foram fuzilados, mas sempre apontando Stauffenberg como o responsável pela traição.

E como TRAIDOR DA ALEMANHA Stauffenberg entrou para a história.

O tempo passou e a verdade surgiu.

Hoje uma enorme estátua do HERÓI Claus Von Stauffenberg pode ser vista na mais movimentada avenida de Berlim.

De bandido a herói.

A verdade pode demorar a aparecer, mas sempre aparece.

Que o exemplo de Stauffenberg sirva para covardes que mentem, encobrindo atos espúrios, reflitam.

A história está repleta de exemplos de que os imediatistas, os covardes, os mentirosos, terminam mergulhados na vala do esquecimento.

Inácio Augusto de Almeida é jornalista e escritor

Busto de Hitler é guardado em segredo no Senado

Por Hugh Schofield (BBC News em Paris)

Escondido no porão, de paradeiro conhecido apenas por alguns poucos iniciados, está um busto de Adolf Hitler.

Nesta semana, a existência do busto foi revelada graças a uma investigação do jornal Le Monde. Também foram achados uma bandeira nazista de 3m x 2m e vários outros documentos e itens da época da Ocupação (período da Segunda Guerra em que a França foi ocupada pelas tropas alemãs).

O busto de Hitler foi exposto ao público durante a Ocupação em Paris (Foto: Getty Imagens)

O repórter Olivier Faye disse que ouviu de uma fonte a informação de que uma estatueta de Hitler havia sido mantida no Senado desde o final da Segunda Guerra Mundial, quando o palácio era a sede da Força Aérea da Alemanha Nazista (Luftwaffe).

Depois de muita resistência das autoridades, ele finalmente recebeu a confirmação do principal arquiteto do Senado, Damien Déchelette, que lhe perguntou: “Como você descobriu?”

Por que o busto ainda estava escondido?

A história exata de como o busto e a bandeira foram guardados nas entranhas de um edifício público tão importante permanece um mistério. Mas o resumo dos eventos provavelmente pode ser adivinhado com bastante precisão.

Em agosto de 1944, Paris estava tumultuada quando o exército alemão se rendeu às tropas do exército francês e da Resistência.

No palácio de Luxemburgo, funcionários da Luftwaffe em fuga deixaram para trás um cenário de caos, com paredes quebradas e móveis em pilhas. O mesmo acontecia no prédio vizinho, conhecido como Petit Luxembourg, então residência do comandante da Força Aérea alemã, marechal-de-campo Hugo Sperrle, e agora do presidente do Senado, Gérard Larcher.

Segundo o historiador Cécile Desprairies, para os franceses libertadores foi um momento de êxtase. “As bandeiras foram tomadas como troféus. Os prédios foram saqueados. Os libertadores levaram o que podiam. O mercado negro de mercadorias nazistas floresceu – e, de fato, ainda existe”.

O general Hugo Sperrle ocupou o escritório durante a ocupação na Segunda Guerra Mundial (Foto: Getty Imagens)

Em algum momento, na desordem, alguém no Palácio de Luxemburgo deve ter deixado de lado o busto de Hitler e a bandeira. Eles estavam encobertos e escondidos no porão, e o conhecimento de sua existência foi repassado ao longo dos anos entre um pequeno grupo de funcionários, depois que o prédio retomou suas funções como Senado.

Procurados pelo Le Monde, nenhum serviço ou ex-senador se disse ciente do tesouro nazista. Mas, como afirmou uma autoridade (pedindo anonimato) do Senado a Olivier Faye, “os senadores vêm e vão”. Eles não são os verdadeiros repositórios da tradição do edifício.

“Imagino que, de vez em quando, os conhecedores os vislumbrem, para se irritar um pouco”, diz Olivier Faye.

O que mais sobrou da Guerra?

Menos secreto – mas ainda pouco conhecido e certamente fora dos limites para os visitantes – é um bunker subterrâneo de concreto nos jardins do Petit Luxembourg. Foi construído antes da guerra como um abrigo antiaéreo para parlamentares e foi usado possivelmente como escritório ou para armazenamento pelos alemães.

Paris estava em caos quando a ocupação nazista terminou, em agosto de 1944 - nazismo, ocupação da França (Foto: Getty Imagens)

O bunker é, por si só, uma fascinante cápsula do tempo, contendo curiosidades como um “ciclomotor” para carregar baterias no caso de um blecaute, roupas de proteção de borracha para ataques de gás e um aparelho de rádio.

Há também duas relíquias militares alemãs: uma caixa contendo um aparelho de respiração e outra contendo uma lamparina a gás.

Em resposta às perguntas do Le Monde, o Senado finalmente produziu um inventário do que diz serem todos os itens alemães em sua posse. Estes também incluem um grande número de documentos e vários itens de mobiliário estampados com a águia do Terceiro Reich.

O que fazer com essa herança nazista complicada agora se tornou uma questão delicada.

O presidente do Senado, Gérard Larcher, ordenou uma investigação. Um destino provável é o novo Museu da Libertação de Paris, na Place Denfert-Rochereau, cuja peça central é o bunker de comando subterrâneo usado pelo chefe da Resistência Henri Rol-Tanguy.

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O segredo eterno das decifradoras de códigos da 2ª Guerra

Da BBC Brasil

Ela disse que iria guardar os segredos do seu trabalho até o “fim dos seus dias”. Margaret Wilson, de 95 anos, foi treinada para fazer comunicação via rádio antes de ser transferida para Bletchley Park, na Inglaterra, em 1942, onde escutava as transmissões alemãs.

“É tudo o que eu posso te dizer. Um segredo é um segredo”, disse à BBC.

Durante o período, ela diz não ter se dado conta da importância do trabalho. No entanto, mesmo agora sabendo o quão importante foi, se nega a revelar a história completa.

Bletchley Park, na Inglaterra, em 1942, onde equipe escutava as transmissões alemãs (Foto: arquivo)

Apesar de pedidos de investigadores e familiares, Wilson diz: “Ninguém mais falou, então eu tampouco falarei”.

Margaret Wilson tinha 19 anos quando se juntou à Força Aérea Auxiliar de Mulheres. Uns meses depois, lhe pediram que assinasse o Ato de Segredos Oficiais e jurasse segredo para a vida diante de um juiz de paz.

Então lhe disseram que ela iria a um lugar chamado Bletchley Park. “Nunca havia ouvido falar daquele lugar”, conta.

No último novembro, uma colega sua, a Baronesa Trumpington, morreu aos 96 anos. Fluente em francês e alemão, Trumpington também trabalhou aos 18 anos em Bletchley Park durante a Segunda Guerra Mundial. Depois, tornou-se uma política conservadora inglesa, tendo sido ministra de Margaret Thatcher e membro da Câmara dos Lordes.

Em vida, Trumpington chegou a contar que as mulheres um dia receberam uma visita do então primeiro ministro do Reino Unido, Winston Churchill. “Ele disse: ‘Vocês são as galinhas que puseram os ovos de ouro, mas nunca cacarejaram'”. “E essa era a coisa mais importante: que não falássemos.”

Trumpington levou o segredo para o túmulo. Até agora, nenhuma das mulheres que trabalharam em Bletchley Park durante a Segunda Guerra rompeu o juramento.

Sem descanso

Bletchley Park fica a 75km de Londres, no noroeste da capital britânica. O local serviu como uma instalação militar secreta onde funcionavam os trabalhos de decifração de códigos alemães durante a Segunda Guerra Mundial.

Foi ali onde, com ajuda de pessoas como Margaret Wilson e a Baronesa Trumpington, o matemático Alan Turing fez criptoanálise das máquinas alemãs Enigma e Lorenz, fundamental para a derrota dos nazistas em muitos embates cruciais e, claro, para a vitória dos aliados.

Margaret participou de equipe em Bletchley Park (Foto: BBC)

As primeiras impressões de Wilson do lugar não foram boas.

Ela relata que ia trabalhar com um carro com janelas escurecidas “horríveis”, e o sargento responsável era um “imbecil miserável”.

Trabalhando de uma cabana de madeira, Wilson fazia parte de uma pequena equipe que escutava e gravava transmissões de rádio alemãs 24 horas por dia.

O foco eram pontos e roteiros das mensagens em código Morse que deviam detectar entre a confusão de outros barulhos e vozes das transmissões.

“Fazíamos isso todos os dias, sem descanso, durante oito horas. E nunca falávamos umas com as outras – nem sequer ‘sim’ ou ‘não’, ou ‘como você está’… nada.”

“Quando queria ir ao banheiro, tinha que levantar a mão e o sargento se sentava e fazia seu trabalho.” Isso ocorria, segundo ela, principalmente à noite, quando lavava o rosco para tentar se manter acordada.

Sem explicação

Ninguém lhes explicou nada sobre o trabalho, mas logo as mulheres foram ligando os pontos.

“As mensagens importantes chegavam em grupos de cinco letras, e isso era enviado rapidamente. É tudo o que eu posso dizer”, diz.

Wilson deixou seu trabalho em 1946, mas se manteve firme em seu juramento de segredo. Não falou nada a respeito do trabalho mesmo ao marido ou aos filhos.

Em 2013, quando aqueles que trabalharam em Bletchley receberam agradecimentos oficiais, parte da história veio à tona. Foi então que Wilson voltou a Bletchley, que agora é um museu. “Em poucos minutos me vi rodeada de pessoas importantes”, conta.

“Me diziam: ‘Margaret, você pode nos contar agora’ e eu respondia: “Vocês não são aqueles que juraram guardar segredo nem quem ouviu que jamais deveria revelar o segredo até o fim de seus dias”.

“O juiz me advertiu: ‘Vão tentar te fazer falar, te dirão que tudo bem falar, mas nunca diga nada’. Essa, para mim, é a última palavra.”

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A fábrica de extermínio em massa de Adolf Hitler

Por Luís Antônio Giron (IstoÉ)

O historiador e documentarista inglês Laurence Rees, de 61 anos, se tornou especialista no Holocausto judeu porque ficou intrigado com o surgimento e o progresso do monstruoso modo de produção e destruição nazista. Por isso, sentiu necessidade de compreendê-lo para estabelecer uma interpretação racional de um dos maiores monumentos à incoerência, à violência e ao genocídio.

Sua pesquisa durou 25 anos e resultou no livro “O Holocausto — Uma Nova História”, lançamento da Editora Vestígio. Rees entrevistou centenas de sobreviventes, soldados e oficiais nazistas responsáveis pelos campos de concentração. Tratou de organizar depoimentos inéditos em uma narrativa que busca explicar o nexo entre a chamada “solução final” e a dinâmica da guerra. O resultado é uma história sistemática de um tema muito abordado, mas, até agora, superficialmente analisado.

Rees descortina o nascimento do monstro e o descreve do seguinte modo: no final de 1941, o exército alemão dava aos primeiros sinais de que começava a perder a Segunda Guerra Mundial para os Aliados. Era preciso incentivar a produção das indústrias do Terceiro Reich com um aporte numeroso de mão de obra produtiva — e eliminar aqueles que atrasavam o avanço econômico, como os deficientes físicos e mentais, além da população de judeus. O chanceler alemão Adolf Hitler acreditava que o afluxo de migrantes judeus inviabilizaria o estoque de alimentos e resultaria em fome para toda a população.

Três anos antes, na Conferência de Evian, convocada pelo presidente americano Franklin Delano Roosevelt, que reuniu representantes de 32 países no balneário francês, Hitler havia proposto que todos os países acolhessem os judeus radicados na Alemanha. Ele os culpava por terem desencadeado a Primeira Guerra Mundial.

O Führer (em alemão, “condutor”, “guia”, “líder”) se dispusera a expulsar os judeus aos países que simpatizassem com eles, “até em navios de luxo”, como declarou. Mas ninguém aceitou recebê-los, fato que Rees identifica como um dos dois fatores causadores do Holocausto, como ficou conhecido o extermínio judeu, além do de outras populações, como poloneses, ciganos e minorias, como os homossexuais.

O segundo fator foi a crescente escassez de recursos da Alemanha. Isso acelerou a construção da indústria da morte nazista.

Adolf Hitler em rara aparição no fim da guerra: atribuiu a derrota aos judeus (Crédito:Walter Frentz)

“Evian foi um momento crucial do Holocausto”, diz Rees em entrevista.

“Por que os Aliados não tomaram providências? Ainda que o restante dos países tenha se manifestado de forma simpática, agiram muito pouco. Mesmo assim, ainda era cedo para imaginar os horrores que se seguiriam.”

Van de gás

Com o recrudescimento da guerra, os nazistas se sentiram obrigados a pôr em prática o extermínio. A solução foi encontrada por Hans Frank, chefe do Governo Geral. “Os judeus devem desaparecer”, disse. “São tremendamente prejudiciais a nós devido à quantidade de comida que devoram.” Para conter a escalada que colocava em risco a vida dos “arianos”, Frank criou o primeiro dispositivo para matar judeus: a van de gás. O veículo passou a transportar deficientes físicos e mentais, crianças e mulheres.

Enquanto a viagem ocorria, gás carbônico era despejado no compartimento traseiro, matando os passageiros, que eram enterrados no caminho. Morreram centenas, mas as vans chamavam atenção e não davam conta da demanda.

Para resolver o problema, os nazistas inauguraram uma câmara de gás fixa em Chelmno, na Polônia. Foi o primeiro dos 48 campos de concentração que se espalhariam pelo Reich e assassinariam 6 milhões de judeus e outras etnias até o fim da guerra, em 1945. Um milagre econômico.

O Campo de Concentração de Auschwitz exibia o lema que define uma certa ética: “O trabalho liberta” (Arbeit macht Frei). Leia-se: “O trabalho extermina”.

Tais operações, segundo Rees, não foram planejadas no início da guerra, mas resultaram de ações graduais.

“É preciso entender o genocídio no contexto da guerra e não de um projeto racional”, diz.

“Ele cresceu à medida que os nazistas eram derrotados, os recursos se tornavam escassos e era preciso usar prisioneiros para garantir a estrutura do país.” À medida que eram encurralados, eliminavam-se os “imprestáveis”. Ao mesmo tempo, negociavam prisioneiros para servir às indústrias nas franjas do regime para gerar lucros.

Visão inédita

Os historiadores tentaram explicar como uma nação civilizada perpetrou a barbárie total.

Duas teorias vigoraram nos últimos 70 anos: a intencionalista, segundo a qual a matança partiu de Hitler, e a funcionalista, que afirma haver na origem das execuções uma combinação entre o poder de Hitler e forças externas.

Rees contesta ambas. Segundo sua visão inédita, o extermínio não resultou de um ato apoteótico e nem de um método sistemático.

“A jornada rumo ao Holocausto foi gradual e cheia de idas e vindas, até encontrar sua expressão final nas fábricas de morte nazistas.”

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Lição perdida

Por François Silvestre

Sobre Rui disse José do Patrocínio: “Deus acendeu um vulcão na cabeça de Rui Barbosa”. E o tribuno ímpar da Bahia fez uma oração aos moços.

Começou discorrendo sobre os cinquenta anos de dedicação ao Direito. E debulhou encantos e desencantos, naquele momento, orientações e luzes no templo da vetusta Faculdade do Largo de São Francisco.

O Direito não era uma categoria profissional, para Rui Barbosa. Não. Era uma justificação de vida. Uma espécie de catarse dos pecados e das culpas. Rui tinha, em erupção, um vulcão na cabeça; como definiu José do Patrocínio.

Quem sou eu para mandar recado aos moços, diante da releitura de Rui Barbosa?

Depois, muito depois, cantou Lupicínio Rodrigues: “Esses moços, pobres moços, ah se soubessem o que eu sei”.

Quem sou eu para remendar a recomendação de Lupicínio, na solene declaração de tristeza diante da amargura da preterição? Não foi traído, foi preterido. Trair é mentir e enganar para obter vantagem.

No caso do amor, não há traição. Há preterição, sob a regência do desejo, que foge do controle.

Quem sou eu para recomendar lições aos moços, depois de Rui Barbosa e de Lupicínio Rodrigues?

Porém, uma coisa há de estarrecer a observação dos tempos pós-modernos. As fogueiras rasas, de labaredas escassas, que Deus tem acendido nas cabeças dos jovens de hoje que se enfronham na pretensão de “novas” ideologias.

Nem são novas nem se agasalham no escopo das ideias, apenas caliças de escombros que se desmoronaram após produzirem brutalidade e desumanização.

Foi bem ali, no aceiro do tempo. O nazismo, o fascismo e o stalinismo. Quantas gerações ainda não guardam desses monstros as marcas do sangue mal enxuto, a exalar “um estranho cheiro de súplica”.

Que atração miserável tem a força do ódio disfarçado! Como se o passar do tempo prescrevesse a monstruosa degradação da tortura, essa execração da própria descondição humana.

Sei não. Rui, apague o seu vulcão! Lupicínio, tente ensinar aos velhos! Té mais.

François Silvestre é escritor

Só há um estado policial

Por François Silvestre

Estado policial é como casa dos avós, só muda o endereço. Na casa dos avós todos os netos são felizes. No Estado policial ninguém está seguro, nem os que mandam. Não interessa o tempo ou o espaço, todos os Estados policiais são iguais. Antropofágicos.

Lembra do Estado policial de Robespierre? O terror moral e ético. Ninguém estava seguro. Nem o próprio Robespierre, que acabou executado pelos seus discípulos. Lembram do Estado policial de Salazar, em Portugal?

Quantos dos edificadores da ditadura foram engolidos? E do mesmo Estado policial de Franco, na Espanha? Ou na Alemanha de Hitler?

Ernst Röhm sustentou Hitler e o Nazismo nos momentos mais difíceis, era a menina dos olhos do Nazismo, até cair em desgraça e ser executado.

Quantos criadores do Estado soviético foram mortos pelo Estado policial de Stalin? Ninguém conta.

Cheguemos aqui.

Quem foi o líder carismático e anti-comunista mais eficiente para a consumação do golpe militar de 1964, no Brasil? Carlos Lacerda.

Após a consolidação do Estado policial, que ele ajudara a fundar, Lacerda foi preso e cassado. Morreu humilhado e esquecido.

O Estado policial não poupa nem os seus. O ensaio para a edificação de um Estado policial no Brasil, fantasiado de “reparo moral”, só terá chance de consolidação porque o fanatismo não estuda nem aprende História.

E os moralistas, defensores dessa alternativa, são tão estúpidos que nem imaginam serem eles as vítimas futuras. Tudo vale, desde que haja a exibição idiota e pueril de uma pureza inexistente.

Temperada com mau caratismo ao gosto de cada um.

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A nostalgia da direita no velório da esquerda

Por François Silvestre

O Brasil foi laboratório de uma experiência excepcional. Tão estranha quanto previsível. Posto que no Pindorama dos Tupis todo o inexplicável se explica. E o devidamente explicado repousa na bacia do que não tem explicação.

Não no tempo dos silvícolas. Porém,  nos tempos seguintes após a chegada da corte portuguesa, esquerda e direita cumpriam regras náuticas. Posto que a circunavegação é anterior à classificação de direita e esquerda, na limitação política. Quando muito, de cada caravela a boreste ou a bombordo. Boreste substituiu o estibordo, para evitar confusão de sonoridade, ao grito de comando, ainda na guerra náutica do Paraguai.

Esquerda e Direita ganharam forma de conceituações ideológicas a partir das posições tomadas pelas bancadas na Assembleia Nacional da França, quando os conservadores se postavam à direita da Mesa e os revolucionários ou progressistas tomavam assento à sua esquerda.

Ao correr do tempo, como as nuvens, mudaram posições políticas e sentidos semânticos. Inúmeras configurações e variados matizes de natureza ideológica se postaram entre as duas denominações.

Tudo ao sabor do oportunismo ou do discurso farsante que costuma modelar o comportamento dos que buscam ou abiscoitam o poder.

Das posições moderadas ao extremismo mais brutal, tudo já se viu dando feição ou adjetivando partidos, movimentos e até revoluções. Não há limites ao embuste, quando o fim é o domínio.

A Alemanha Oriental, soviética, chamava-se democrática, sem democracia. O Nazismo chamava-se Nacional Socialismo, sem ser socialista.

Lacerda, que fora comunista e virara símbolo do anticomunismo, disse no seu Depoimento, em livro, que a Esquerda para ele era o lado generoso da política. Mas acentuou que rompera com o Comunismo porque essa doutrina, na prática, traíra o compromisso histórico.

Ao ajudar no aniquilamento do getulismo, Lacerda cavou a própria cova. Ele só interessava aos milicos politicados e à direita empresarial enquanto os sucessores de Getúlio estivessem no poder. Aniquilados Juscelino e Jango, a direita descartou Lacerda.

Agora, há um fenômeno parecido. A direita só tinha discurso com a esquerda no poder. Destruir o petismo foi o erro lacerdiano da direita, no Brasil atual. Perdeu a razão de ser. E já começa a choramingar a perda irreparável.

Nenhum governo da nossa historia foi tão generoso com a direita quanto o petismo. Nenhum.

O governo da esquerda foi bondoso com os desvalidos distribuindo prebendas, que os retiraram temporariamente do estuário da miséria. Mas foi generosíssimo com a direita empresarial; empreiteiros, banqueiros e publicidade.

Nunca tantos ricos ficaram tão ricos. Dinheiro muito, independentemente da licitude ou não. Resta à Direita, nostalgicamente, carpideirar no velório da Esquerda.

Té mais.

François Silvestre é escritor