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“O cangaceiro do futuro” se prepara para atacar Mossoró

O cangaceiro do futuro - NetflixSe você tem o serviço online de streaming, Netflix, não perca a oportunidade de obter boa diversão, tão necessária nesses tempos de toxidade e pulverização do mal em busca de visualizações/seguidores em redes sociais.

A série “O Cangaceiro do Futuro” é um excelente achado, com produção nacional.

A comédia gira em torno de um personagem – Virguley – que se passa pelo cangaceiro Lampião. E Mossoró é frequentemente citada, pois o enredo está relacionado satiricamente aos dias que antecedem o ataque à cidade, em 13 de junho de 1927.

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Allyson Bezerra cresce 13,5% e Rosalba apenas 1,3%

A pesquisa Rádio Difusora/Instituto Agorasei, que foi publicada nessa quarta-feira (28), é a terceira de uma série que a emissora divulga – sendo uma na pré-campanha e duas na atual campanha. O comparativo delas e o confronto de dados são bem reveladores.

A disputa à Prefeitura de Mossoró, segundo os números, mostra que a prefeita Rosalba Ciarlini (PP) patinha numa dianteira numérica há meses, sem arrancar. Parece ter chegado ao seu teto a duras penas, haja vista que não entrou na campanha com ‘gordura’, ou seja, boa sobra para enfrentar a concorrência com tranquilidade.

Ela oscilou de 32,5% em 21 de agosto para 31,5% em 16 de outubro e nessa nova sondagem se arrastou até 33,8%, crescimento dentro da margem de erro.

Já o adversário Allyson Bezerra (Solidariedade) segue em nítido crescimento, a ponto de empatar com ela agora. Ele tinha 20% no dia 21 de agosto, cresceu para 27,5% no dia 16 de outubro e dessa vez deu outro salto que o levou a 33,5%.

Nesse espaço de tempo e da primeira à terceira pesquisa, Allyson Bezerra inflou 13,5%, contra apenas 1,3% de Rosalba Ciarlini.

Quanto aos demais concorrentes, não há mínimo sinalizador que possam reagir e surpreender. Cláudia Regina (DEM) vive atrofia e Isolda Dantas (PT) está descartada completamente da contenda, a exemplo de Irmã Ceição (PTB) e Ronaldo Garcia (PSOL).

Veja abaixo a evolução das pesquisas:Voto útil

A ameaça que ronda a candidatura à reeleição de Rosalba Ciarlini é seriíssima. Sua estagnação é notória e inquestionável. A evolução de Allyson Bezerra é contínua e sólida.

Para Rosalba, o fantasma do “voto útil” é o agravante desse enredo. O fluxo de intenções de voto da pirâmide de indecisos tem sido contínuo na direção do seu oponente. Se isso não for estancado, o ritmo sendo mantido, ele logo estará à sua frente, virando uma onda sem controle.

Registre-se, ainda, que as outras candidaturas ditas competitivas, Cláudia Regina e Isolda Dantas, estão em falência múltipla, o que tende a se agravar com a nítida inviabilidade de ambas aos olhos de quem é antissistema, antirrosado, antirrosalbismo.

Podem sofrer ainda mais com perda de nutrição de intenções de voto até às urnas, mesmo que seus eleitores optem por candidatos a vereador de partidos em seu entorno.

Allyson, Cláudia e Isolda fazem parte do mesmo campo de oposição, pelo menos teoricamente. Existe campanha que parece sublegenda (ou força-auxiliar) de Rosalba e dos Rosados. Quer tudo, menos a mudança de modelo, paradigma, nome e sobrenome.

Bárbaros

Esse voto útil é um voto tático. É união por uma causa, assim até pode ser entendido. Não é simplesmente o voto para não perder, como acontece em incontáveis ocasiões.

Necessariamente, não se vota nesse ou naquele candidato por ‘gostar’, por se identificar ideologicamente ou por alguma avaliação qualitativa. É a coesão daqueles que têm diferenças com um adversário comum. Na história, na guerra e na política, esse tipo de composição é absolutamente normal e com milhões de exemplos.

Esparta e Atenas, inimigas por séculos, uniram-se numa aliança tática para derrotar o império militar desmedido da Pérsia.

Rosalba Ciarlini e seu grupo votaram maciçamente em Francisco José Júnior na eleição suplementar de 2014, derrotando de forma humilhante a deputada estadual Larissa Rosado (PSB, hoje no PSDB). Poderia ter ficado neutra, mas a então governadora preferiu trabalhar para impedir a ascensão do grupo da prima Sandra Rosado (PSB, hoje no PSDB), o que lhe parecia bem mais difícil de vencer adiante.

O Netflix, serviço de streaming (forma de entrega da mídia, do produto virtual) por assinatura, que permite assistir a séries e filmes sem comerciais, em um aparelho conectado à Internet, apresenta no momento a série “Bárbaros”.

Leia também: A força do não voto e o decisivo papel da catequese eleitoral.

Em síntese, reconta de forma romanceada a organização de diversos povos bárbaros para enfrentar a máquina profissional de guerra de Roma. Eles se detestavam, mas se uniram por um propósito de interesse a cada um. Não antecipamos o fim da série. Assista para entender. Numa analogia, é muito do que ocorre agora na política de Mossoró. Os não-romanos, ou seja, os bárbaros, enfrentam Roma.

A pesquisa contratada pela Rádio Difusora de Mossoró foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com o número  RN-08062/2020.

Ouviu 600 pessoas entre os dias 21 e 22 de outubro. A margem de erro é de 3,9% e a confiança em 95%.

Veja AQUI como foi o resultado da pesquisa anterior.

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Vivo

Meu isolamento por livre arbítrio passa dos 15 dias.

Saídas são episódicas para reposição de mantimentos e outras necessidades, com escassas interlocuções.Nada de BBB, Netflix, bater panelas ou vomitar xingamentos em redes sociais.

Não vi reprise de qualquer jogo e tenho trabalhado muito.

Leitura, rádio, documentários e aulas por diletantismo no YouTube, videoconferências por labor, muitas e muitas horas sem ouvir uma voz, nenhum sintoma de angústia ou depressão.

Não vi fantasmas, não desejei morrer nem fiquei indiferente às dores alheias.

Estou vivo.

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A realidade e a invenção no mundo de García Márquez

Por Jesús Ruiz Mantilla (El País)

Quando Gabito era pequeno, doña Luisa e don Gabriel se preocupavam que o menino piscasse tanto. Seu pai chegou a lhe pingar um colírio homeopático, mas de pouco serviu. Anos depois, quando aquele tique parecia desaparecido, sua mãe se atreveu a lhe perguntar: “Ele me disse que fazia assim para ver as coisas melhor”, contou ela.

“Para recordar…”, observou Gabriel García Márquez a quem o trouxe ao mundo em Aracataca (Colômbia), durante uma das visitas que lhe fez Gustavo Tatis Guerra, jornalista, escritor, amigo da família e autor do livro La Flor Amarilla del Prestidigitador.

O escritor Gabriel García Márquez durante uma entrevista em 1990 (Foto: Raúl Cancio)

Tatis apresenta sua obra nesta quinta-feira na Casa da América de Madri, junto com Dasso Saldivar, autor do prólogo, e Juan Cruz, um dia depois de a Netflix anunciar que produzirá uma série baseada em Cem Anos de Solidão.

Em suas páginas, o autor esmiúça segredos de família e chaves ocultas da obra de Gabo: todo um constante malabarismo entre realidade e invenção a serviço do autor, para criar um dos mundos literários mais ricos da literatura universal.

As testemunhas de tudo aquilo, seus pais, costumavam despir o imaginário de García Márquez com um jorro de realidade que colocava a magia em seu devido lugar.

Algo que, por outro lado, engrandece sua genialidade criatividade sobre bases muito firmes. “Era o maior embusteiro do mundo”, confessou don Gabriel Eligio García Martínez a Tatis. “Tinha uma capacidade de inventar além da realidade que via. Sempre disse que tinha dois cérebros. Ninguém me tira da cabeça que Gabito é bicéfalo”, confessou-lhe o pai ao autor do ensaio. Também ele uniu seu ofício de telegrafista ao de escritor. “Sempre sentiu certa concorrência do filho por causa disso”, comenta Tatis.

O mundo de Gabito

Ao menos o pai do Nobel de Literatura de 1982 pôde comprovar sobre as obras de seu filho a escala de sua transmutação. Esse mecanismo que o levava da realidade à invenção de uma mentira, e que por sua vez refletia uma grande verdade. “Nada do que García Márquez conta em seus romances é falso, tudo foi tirado daquele mundo”, diz Tatis.

Don Gabriel leu seus livros com atenção. Não foi o caso da mãe, que se orgulhava mais de ter em casa uma filha freira que um rebento ganhador do Nobel. Dentro de seu insuperável ceticismo, tentou tirar um único proveito da honraria dada ao filho: que finalmente arrumassem o telefone da sua casa. Seu mantra foi minimizar a importância. Assim, Luisa Márquez repelia as entrevistas, entre outras coisas, porque os repórteres que compareciam à sua casa costumavam saber mais que quem devia responder.

Mas com Tatis tudo foi diferente. Tratavam-no como alguém da família, alguém que ficava por lá ouvindo histórias até a hora do jantar. Uma delas foi do germe de Remédios, a bela, personagem de Cem Anos de Solidão que se elevava ao céu.

Baseia-se, segundo a mãe, em uma criada do mesmo nome que fugiu com seu amante. Quando um dia perguntaram a dona Luisa o que tinha acontecido com ela, respondeu: “Foi embora voando”. E Gabito, presente, associou os termos até transformar a explicação em literatura. Dona Luisa se vangloriava de não ter lido o romance porque já tinha vivido tudo aquilo. Tampouco se interessou por Crônica de Uma Morte Anunciada, mas isso por uma razão diametralmente oposta: “Porque aquela eu sofri”.

As razões de Luisa talvez incomodassem seu filho. Mas, como ele havia descrito Úrsula segundo seus parâmetros, como uma mulher mais que submissa a Deus, com atitude de combate contra ele, deve ter entendido. Com as histórias que pegava no ar, García Márquez começou a construir seus métodos característicos: “A chave está em saber atarraxar as mentiras”, confessou o escritor a Tatis Guerra.

“Tinha uma capacidade de inventar além da realidade que via. Sempre disse que tinha dois cérebros. Ninguém me tira da cabeça que Gabito é bicéfalo.”

GABRIEL ELIGIO MÁRQUEZ, PAI DE GABO

O mesmo havia ocorrido com Melquiades. Era o retrato vivo de seu avô, o coronel Nicolás Márquez, militar entre alquimista e curandeiro, aficionado a desenhar peixes coloridos em sua oficina e a fundar povoados. Melquiades tem duas bases: “Seu avô e Nostradamus”, comenta Tatis. “Contou-me isso em 1992 durante a primeira entrevista que fiz com ele”, acrescenta.

Conheceram-se antes que desse a volta ao mundo com seu prêmio em Estocolmo. Mas depois chegaram várias outras conversas que completaram aquele primeiro encontro. “Dei o suficiente a você para um livro”, comentou o escritor ao amigo.

Uma obra que Tatis vinha escrevendo desde que o conheceu. Agora sai publicada. Isso é La Flor Amarilla del Prestidigitador. O retrato de um homem que soube tirar partido do seu gênio natural de romancista entre o impulso poético e a precisão do jornalista.

Um mentiroso eminente que ao receber a notícia de que ganhara o Nobel não teve vergonha de exclamar: “Merda, eles acreditaram!”.

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O “Mecanismo” da Netflix

Por François Silvestre

Pego carona na assinatura que Raíssa fez da Netflix. Prefiro os filmes, mas vejo algumas séries. Algumas, muito poucas, consigo vê-las até o último capítulo.

Séries turcas, indianas, americanas, inglesas, sobre gangues, piratas e até sobre a nobiliarquia de milionários. Algumas me prendem inicialmente, depois me despeço com enfado.

A última que vi foi O Mecanismo, sobre essa coisa da “Lava Jato”. Muita discussão sobre o alcance real dessa ficção mesclada. Não li ainda uma avaliação convincente, seja dos “contras” ou dos “a favor”, sobre o enlace político ali estabelecido.

Vou tratar do que me interessa, nesse tipo de evento. Arte. Não sou crítico de arte ou de cinema, apenas observador e curioso, mas vou meter a colher nessa moqueca mal temperada. Muito dendê e pouco peixe.

Quando uma obra de ficção inspira-se ou se sustenta em fatos ou pessoas reais não deve vassalagem aos fatos ou às pessoas. Mas precisa de verossimilhança. O que não significa apenas copiar a realidade.

A verossimilhança não é pintura do real. É convencimento da ficção. Ela pode estar presente até na ficção de fatos ou pessoais impossíveis na realidade. Desde que convença pelo viés da arte. O realismo mágico ou fantástico é uma prova da verossimilhança ficcional sem necessidade do amparo real. Porque convence.

Pois bem. O Mecanismo da Netflix não convence. É caricato sem a plástica e o convencimento da caricatura. Na caricatura, a deformação acentua pela via da arte os contornos do real. Por isso, a caricatura é verossimilhante. Mas o caricato é a deformação não convincente.

O personagem principal da série não convence nem na realidade nem na ficção. É tão escrachadamente caricato que contamina o ator. Selton Mello é um dos nossos melhores atores, mas nessa obra ele cravou seu primeiro canastrão. Distância cósmica do ator de “O Palhaço” ou do “Auto da Compadecida”.

Aliás, a canastrice nasce no personagem e atinge o ator. O delegado da Polícia Federal, Ruffo, completamente inverossímil é uma piada que faz inveja até ao “Atrapalhando a Suate” de Zacarias, Didi, Mussum e Dedé.

Quando eu vi nas folhas a informação de que o juiz Sérgio Moro gostou do seu personagem, eu pensei:

– “Tomara que ele seja melhor operador do Direito do que observador de arte”.

A representação que a série faz dele é deprimente, coisa de inimigos do juiz. O personagem é patético. Até na burlesca cena sexual, o juiz fica mal; de cama. Quanto à inspiração real, só conheço pelos respingos dos holofotes. E pelas opiniões jurídicas do americanismo, realidade distante da nossa, e adesão política ao liberalismo pré-Adam Smith.

Com Lula, a série foi bondosa. Lulista que reclama, confessa fanatismo bocó. Pinçou uma frase emprestada não incriminadora, se comparada com muitas falas reais gravadas e comprometedoras. Se não do universo jurídico, pelo menos na seara moral.

Com Márcio Thomaz Bastos foram desonestos. Obviamente desonestos. Até a tosse é caricata. Vivo fosse, iria ganhar dinheiro com indenização.

A briga de vaidades entre a Polícia Federal e o Ministério Público foi mal explorada. Essa disputa de “quem é mais importante” retrata nossa incúria institucional. Um bando de bocós disputando notoriedade. Não se salva nem quando o delegado Ruffo chama de Cuzão o procurador do Ministério Público.

Mesmo ruim, vi até o fim. Na ficção ela terminou, mas parece que viverá “ad perpetuam rei memoriam” na realidade.

Té mais.

François Silvestre é escritor

“Greve por dignidade” procura uma saída digna

Empinando uma natimorta “greve por dignidade” há mais de 100 dias, o professorado da Universidade do Estado do RN (UERN) tenta uma saída honrosa para sua mobilização. Algo menos vexatório, digamos.

Enfim, uma gota de bom senso.

O término hoje (terça-feira, 20) da paralisação dos servidores da Saúde (veja AQUI) isolou de vez a Uern e seus manifestantes.

Os grevistas uernianos seguem desdenhados pelo governo e ignorados pela sociedade. Até aqui estariam praticamente invisíveis, não fosse um spray de pimenta no meio do caminho (veja AQUI).

Voltarão de mãos abanando (como das vezes anteriores) de mais uma greve ineficaz e desgastante para a própria imagem da instituição. Não foi por falta de alerta do Blog Carlos Santos – que “cantou a pedra” diversas vezes.

A paralisação teve como grande “feito” esticar as férias de docentes e alunos por mais de 100 dias. Praia, viagens, Carnaval, Netflix, chopinho e WhatsApp deram o tom da vilegiatura à maioria dos grevistas.

Nada mais.

Aguardemos a próxima. Se houver.

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