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De volta às sombras

Por Marcos Ferreira

Enfim, após outro dia causticante, está chegando o crepúsculo. O vento açoita a mangueira, invade a casa. A porta da frente e a de trás estão abertas. Nessas horas, quando a ventania bate com força, uma porção de ciscos costuma cair do teto, que não tem forro. Vez por outra, então, preciso limpar o teclado e a mesa do computador. Essa poeira fininha, em contato com meus dedos suados, me causa desconforto. Por conta disso lavo minhas mãos com certa frequência.

Em mais alguns minutos as sombras ocuparão este espaço. Hoje me sinto melhor na penumbra que sob a luz fluorescente. A rede continua armada aqui na sala. Pela manhã, embora acorde cedo, tenho extrema dificuldade de me levantar, de deixar a tipoia e tomar o primeiro banho. Alguns até podem dizer que isso é apenas preguiça. Já o meu psiquiatra acredita que se trata de outra coisa.olho, olhar, visão

De modo complementar, Dr. Dirceu Lopes me cobra a prática de exercícios físicos, caminhada, academia. Ainda receio o vírus. Além disso, tem a questão do tipo de músicas que predomina em tais lugares, onde se busca entrar em forma, beleza do corpo e um pouco de endorfina. Espaços cheios e ruidosos me deixam nervoso. O poeta Aluísio Barros, um dos finalistas do Prêmio Jabuti deste ano, me recomenda a absorção natural de vitamina D por meio da exposição ao sol.

Penso agora naquele jovem ator e bailarino mossoroense que tirou a própria vida há cerca de um mês. Ele foi vítima da falta de apoio aos que fazem arte nesta cidade, quer sejam atores, músicos, artistas plásticos ou literatos. Não bastasse o desestímulo a essas pessoas, semana passada os vereadores da base governista tentaram cortar alguns recursos, emendas orçamentárias para a cultura.

Exatamente. O golpe rasteiro que os vereadores aliados do senhor prefeito tentaram aplicar na classe artística é um desserviço, um ultraje, uma covardia e um acinte. Ouvi dizer que o bailarino enfrentava apuros financeiros. Sucumbiu ante a indiferença e mesquinhez com que o Executivo e o Legislativo municipais sempre trataram a cultura desta província.

O rapaz necessitava de ajuda médica, um psicólogo ou psiquiatra, além de medicamentos, indispensáveis nesses casos.

Eu não estaria aqui escrevendo estas linhas se não tivesse contado com esse tipo de assistência num momento grave, crucial. Ainda assim há dias sombrios. Como este em que o astro-rei me parece desnecessário. Eu o trocaria, ao menos hoje, por um dia inteiro de chuva, com nuvens negras em todo o céu, entremeado por raios e trovões. Seria ótimo, apesar das condições do meu telhado.

Tento crer que esta minha existência obscura vale a pena. Não tenho profissão nem diploma universitário. Passei a vida toda pulando de um subemprego para outro. Quando mais jovem, entre outras ocupações, carreguei sacos de sal na cabeça, recebi muita poeira de sal nos armazéns de refino, limpei o lixo e o mato de quintais, fui vigia noturno com um apito e um porrete, a pé, em ruas do Santa Delmira. Não me tornei padre, pastor nem jogador de futebol, sequer político.

Pois é. Meu estado de espírito oscila. Às vezes acordo otimista, radiante, de bem com todos, motivado. Noutras ocasiões, porém, amanheço assim, macambúzio, sorumbático. Gira na minha cabeça um filme triste, uma retrospectiva das coisas que eu poderia ter feito e não fiz, daquilo que eu poderia ter sido e não fui. O tempo, se isto justifica algo, me impôs muitas privações e obstáculos.

Mergulhei nos livros, na literatura. Daí provém o pouco conhecimento que tenho sobre meu próprio idioma. Isto me abriu uma grande oportunidade: as portas do jornal O Mossoroense.

Ali, apresentado pelo saudoso poeta Apolônio Cardoso e acolhido pelo também poeta Cid Augusto, comecei a publicar meus textos. Depois, indicado por Cid, fui contratado como revisor. Não demorou muito e passei a repórter e editor de cultura. Eis o ponto alto do meu currículo empregatício.

Nunca, entretanto, sonhei em ser jornalista, com todo o respeito que tenho pelos que exercem e honram essa profissão. Fui tomado pelo micróbio da literatura e botei na cabeça que meu destino era ser escritor. Tolice! Ninguém (ou quase ninguém) consegue sobreviver apenas da escrita literária. Muito menos em Mossoró, que num passado recente se arvorava de capital brasileira da cultura.

A luz vermelha da cafeteira parece mais viva agora que a casa vai escurecendo. Vou desligá-la e pego mais um trago da rubiácea. É a última dose do dia. Retorno ao computador com a caneca de ágata pela metade. Tenho a sensação de que o vento que circula traz um aroma de chuva. Fico na expectativa de que ela venha, ao menos o bastante para lavar os ciscos sobre as telhas e aquietar a poeira do calçamento. Mas, reparando melhor, acho que não vem. Talvez amanhã.

— Olha a tapioca! — grita um ambulante.

Daí a pouco um carro aparelhado com potentes alto-falantes passa anunciando propaganda enganosa de um supermercado. Os decibéis cortam meu raciocínio. Interrompo a digitação. Há ruído de outros automóveis e motocicletas. Um cão ladra aqui por perto. O bulício dos passarinhos explode entre os ramos da mangueira. Ouço também a voz indistinta de vizinhos e transeuntes.

O que estarão conversando? Não faço ideia. Quem sabe discutindo o preço dos combustíveis, sobretudo o da gasolina, do gás de cozinha, dos gêneros alimentícios. Em suma, a carestia galopante que assola inúmeras famílias humildes. Dezenove milhões de brasileiros passando fome; outros quinze milhões desempregados. Sei que estou me repetindo, mas é preciso denunciar tudo isso. “O que me assusta não é o grito dos maus, é o silêncio dos bons”, palavras de Luther King.

A máquina de lavar roupas da casa ao lado começa a funcionar. Emite um som desagradável. A pessoa que opera a máquina, uma senhora de meia-idade, liga o som e se põe a arremedar as péssimas músicas que vão rolando. Neste momento, enquanto escrevo, eu preferiria ouvir tão somente o canto dos pássaros, o barulho do vento nas folhas da mangueira e até a arenga dos vira-latas.

Exceto por alguma ligação telefônica, passo o dia sem conversar com ninguém, sozinho com minhas cismas e neuras. Até o mês passado, quando minha gata Gudãozinho estava aqui, eu tinha com quem conversar. Ela era tão cheia de vida, carinhosa. Contudo, como narrei naquela ocasião, Gudãozinho foi envenenada, possivelmente por um elemento cruel, desumano. Estou assimilando essa perda, que me jogou na lona como se eu tivesse recebido um soco no queixo.

Escureceu por completo. Acendo a única luz da sala-cozinha. Estou fatigado, um colar de suor no pescoço. Paro diante do espelho e miro meu rosto um tanto entumescido por causa dos psicofármacos. Não faço a barba há meses. Meus lábios sumiram sob os pelos. Antes, ao me barbear, eu achava ruim quando, aqui e acolá, avistava um fio branco. Hoje, aqui e acolá encontro um fio preto.

Hora de tomar mais banho, fechar as portas, apagar a luz e deitar. Seria tão bom se amanhã tivéssemos um dia todo de chuva. Há muita sujeira nesta cidade que precisa ser lavada. Lavaríamos também as nossas almas.

Marcos Ferreira é escritor

Médico é a sétima vítima da Covid-19 em Mossoró e 21ª no RN

Élio: mais uma vítima (Foto: reprodução)

A Secretaria de Saúde de Mossoró confirma a sétima morte causada pela Covid-19.

A vítima é o médico cirurgião Élio César Marson, 52, que estava na UTI do Hospital Wilson Rosado (HWR) desde o dia 1º de abril.

Ele era cardíaco, com obesidade e diabético e veio a óbito nesta quinta-feira (16).

Élio César tinha feito exames no dia 29 de março.

O resultado confirmando a doença saiu no dia 3 de abril.

O médico é a 21ª vítima da Covid-19 oficialmente, no RN. A 20ª é uma pessoa residente em Canguaretama, com histórico de diabetes e hipertensão. Não foram revelados ainda sua idade e sexo.

Covid-19 no RN

  • 21 mortes
  • 400 casos confirmados em 34 municípios
  • 2.232 suspeitos
  • 2.207 descartados

Veja o mais recente Boletim Epidemiológico divulgado hoje, clicando AQUI.

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Em busca de Dorian

Por Esdras Marchezan

Há 13 anos, Mossoró despedia-se de um de seus maiores jornalistas. Morria Dorian Jorge Freire.

Maior expoente até hoje da imprensa mossoroense, com passagem pelos jornais O Mossoroense (RN), Última Hora (SP), Diário Carioca, Brasil, Urgente, Revista Escola (SP), Revista Realidade (SP), Diário de Natal (RN), Tribuna do Norte (RN) e Gazeta do Oeste (RN), é considerado um de nossos maiores cronistas.

Mas Dorian é muito maior que suas crônicas, iniciadas em 1948, nas páginas de O Mossoroense, sob a bênção do pai Jorge Freire e de Lauro da Escóssia.

A trajetória de Dorian na imprensa paulista, principalmente no Última Hora, de Samuel Wainer, e no ousado Brasil, Urgente, inserem ele no rol dos grandes nomes da nossa imprensa.

Iniciado como estagiário na redação paulista do jornal de Wainer, em alguns anos, Dorian ganhou espaço na cobertura política, chegando a assinar a principal coluna da editoria “Revista dos Jornais”. Suas opiniões eram repercutidas fortemente na Assembleia Legislativa de São Paulo.

Na “Última Hora” entrevistou personalidades e fez grandes e ilustres amizades, como Hilda Hist, Alceu Amoroso Lima, e Ignácio de Loyola Brandão, apenas para citar alguns. Foi repórter, chefe de redação e articulista dos melhores.

No Brasil, Urgente, jornal combativo ligado à Igreja Católica, mostrou perseverança e coragem ao enfrentar o sistema político de então, com um periódico mantido praticamente por seus leitores. Não resistiu ao golpe de 64.

No Rio Grande do Norte, foi responsável pela modernização das redações do Diário de Natal e Tribuna do Norte. Regressando a Mossoró, em 1975, após concluir o bacharelado de Direito, em São Paulo, lidera uma das retomadas históricas de “O Mossoroense”, implementando muito do modernismo vivenciado no jornalismo paulista.

Traído pela saúde, como tantos de nós seremos ainda, dedica-se à escrita da crônica diária, prática que manteve até os seus últimos dias, mesmo com um dedo somente a bater nas teclas da máquina de escrever.

No ano passado, junto aos estudantes Marcos Leonel, Leonora Sales e Fernando Nícolas, dei início a um projeto de pesquisa com o objetivo de contar a história deste jornalista tão importante para a história da imprensa potiguar.

Os primeiros resultados serão apresentados em breve, e a pesquisa seguirá durante este ano, com apoio do amigo Clauder Arcando.

Não é justo deixarmos a nossa história à mercê das traças. É preciso resgatar e contar aos mais novos quem foi Dorian Jorge Freire, e toda sua grandeza para a imprensa potiguar.

Viva, Dorian!

Esdras Marchezan é jornalista e professor e subchefe de Gabinete da Universidade do Estado do RN (UERN)

Justiça rejeita pedido de condenação contra Izabel Montenegro

Do Blog do Saulo Vale

O juiz Herval Sampaio Júnior, titular da 2ª Vara Cível de Mossoró, julgou improcedente pedido de condenação por danos morais proposto pela Associação do Ministério Público do Rio Grande do Norte (AMPERN) contra a atual presidente da Câmara Municipal de Mossoró, vereadora Izabel Montenegro (PMDB).

Izabel: direito de falar (Foto: Edilberto Barros)

A associação pediu a condenação da parlamentar por ter criticado intimação de oficial de Justiça em novembro de 2013, quando Izabel reagiu acusando perseguição por parte de um promotor de Justiça em pronunciamento na tribuna da Câmara de Mossoró e em entrevista à imprensa.

Para o juiz Herval Sampaio, a ação indenizatória somente poderia prosperar se o fato ocorrido fosse incompatível com a imunidade material do vereador, disposta no art. 29, VIII da Constituição Federal de 1988.

“É importante salientar a observância de dois requisitos em relação à imunidade material do vereador, quais sejam: que as opiniões, palavras e votos tenham sido proferidas na circunscrição (dentro dos limites territoriais) do Município; e que tenham relação como o exercício do mandato”, acrescentou.

Durante o processo, constatou-se que uma das manifestações ocorreu no plenário da Câmara, enquanto a outra se deu por ocasião de entrevista ao jornal “O Mossoroense”.

Nota do Blog Carlos Santos – Aplauso, doutor. Aplauso. Decisão mais do que coerente.

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“Os Rosados divididos” vai ter um olhar jornalístico em livro

O jornalista Bruno Barreto ultima providências para lançamento em data, horário e local ainda a serem definidos, do seu primeiro livro. “Os Rosados Divididos: como os jornais não contaram essa história” é o título da obra.

Sairá sob o selo da Editora Sarau das Letras, dos editores David Leite e Clauder Arcanjo.

“A capa está pronta e a missão de tornar palpável ao grande público a história sobre a divisão política dos Rosados na década de 1980 está cada vez mais real”, assinala ele.

A publicação é fruto da dissertação de mestrado que aborda o tema a partir da cobertura dos jornais Gazeta do Oeste e O Mossoroense (ambos já extintos). “Estou em processo de ajustes na linguagem para ter um caráter mais jornalístico”, esclarece.

Para viabilizar o projeto, Bruno Barreto iniciou essa semana a pré-venda do livro. Quem tiver interesse em adquirir deve entrar em contato por dois números de celulres – (84) 98889-3574 e (84) 99680-1920 – ou por suas redes sociais no Facebook ou Instagram!

Nota do Blog – Assisti ao vivo a apresentação do trabalho à sua aprovação na Universidade do Estado do RN (UERN).

Gostei. Gostarei mais ainda do livro.

Já encomendei alguns exemplares para mim e para presentear amigos.

Sucesso, Velho!

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“Eu acho que sou um homem simples… em paz!”

Abaixo, o Blog Carlos Santos apresenta a íntegra de entrevista feita pela jornalista Ana Paula Cadengue, para o jornal O Mossoroense, em julho de 2007.

Ela conversava com o professor Milton Marques de Medeiros, falecido hoje (veja AQUI). Leia:

Nascido em Upanema no dia 9 de julho de 1940, filho de pai tabelião e mãe doméstica, Milton Marques de Medeiros é casado com Zilene e  tem quatro filhos e três netos.

Médico, advogado, professor, empresário e atual reitor da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern), ele veio para Mossoró aos seis anos de idade para estudar e considera o apoio da família, a educação da família fundamental.

Nesta entrevista, Milton Marques nos conta um pouco sobre a sua vida e seus desafios, e se define como “um homem a serviço”.

Por: Ana Paula Cadengue

O Mossoroense – Com quantos anos você veio para Mossoró?

Milton Marques – Vim cedo, aos seis anos de idade, para estudar porque minha cidade era pequena e meu pai e meu irmão mais velho tinham interesse que eu estudasse…  Aqui, fui morar com uma tia, Donana Bezerra. Uma santa, que teve 12 filhos e ainda me acolheu dentro de casa. Era um grupo de muitas crianças e jovens.

OM – Como foi a experiência de sair de casa tão cedo?

MM – Essa é uma experiência que com o tempo é que a pessoa vai percebendo que há diferenças, principalmente na tolerância, na questão de suportar situações novas, sem que isso pareça tão estranho.

Eu vim  de um lar com bastante afeto, amor por parte de meu pai e de minha mãe e fui morar numa residência que tinha muitos irmãos, um prole muito numerosa, e foi uma experiência muito boa e dolorida algumas vezes, porque a gente sai de um contexto  muito individual, já que era o filho mais novo, para um contexto onde você passa a ser semelhante aos demais e tem que aprender a dividir a atenção. Mas, ela e seu Né Bezerra, que foram meus orientadores, meus tutores, eram muito bons, delicados, afáveis, queriam muito bem aos filhos e eu acho que nós nos criamos num ambiente muito bom, sadio.

OM – Ficou em Mossoró até quando?

Milton Marques faleceu hoje em Fortaleza (Ceará) - Foto: arquivo

MM – Eu fiquei até terminar o segundo científico no Colégio Diocesano Santa Luzia. Como eu pretendia fazer vestibular para Medicina e aqui em Mossoró não tinha esse curso, eu me desloquei a João Pessoa, na Paraíba.

OM – Estudar Medicina numa outra cidade e desta vez sem família… O senhor tinha quantos anos?

MM – Eu estava com vinte e poucos anos, vinte e dois, mas também fui morar na residência de outra família. Porque naquele tempo existiam poucas chances, a não ser através das famílias. Era muito comum os jovens que queriam estudar e as famílias acolhiam com facilidade. Era uma família daqui de Mossoró que já estava morando há algum tempo em João Pessoa, a família Leite.

Depois eu fui para São Paulo, onde fiz especialização na USP, Universidade de São Paulo, em psiquiatria.

OM – Por que psiquiatria?

MM – Quando chegou determinada fase da evolução do curso, lá pelo terceiro ano do curso, começam a surgir os pendores e eu comecei a ver… a cirurgia eu achava que era muito repetitivo, muito comum, um parto era sempre o mesmo parto, aí fui para outras especialidades e fui parar na psiquiatria. A psiquiatria era uma especialidade que, na época, exigia bastante.

OM – São Paulo nos anos 60, como foi a experiência?

MM – Muito interessante. A residência não era de ficar residindo mesmo no hospital, então eu morei com uns amigos numa república. A juventude ajuda bastante a gente, São Paulo não era tão grande como é hoje e o caráter científico prendia muito a gente.

OM – Dos anos 60 para cá, houve grandes mudanças no tratamento das pessoas portadoras de distúrbios mentais. Como foi essa passagem?

MM – O que aconteceu é que naquela época o profissional que cuidava da saúde mental era o médico. Basicamente, existiam muito poucos enfermeiros, não existia o assistente social, o psicólogo, o terapeuta ocupacional… O doente era cuidado só pela medicina e hoje é cuidado por uma equipe multidisciplinar. Conseqüentemente, mudaram todos os métodos de tratamento, que foram sendo acrescidos, humanizados.

Mas, eu quero destacar que a saúde mental ainda continua na mão do médico, os outros profissionais auxiliam, mas na verdade ainda continua na mão do médico porque os quadros profundos continuam os mesmos. Há dois mil anos as pessoas se suicidam. O que acontece com a saúde mental é que falta “o” remédio.

Por que é que não acabam os hospitais de psiquiatria? Porque até agora não apareceu a droga heróica que a pessoa ao tomar fique boa imediatamente, como aconteceu com a tuberculose, com a hanseníase. Não existem mais hospitais de tuberculose e de hanseníase porque apareceu a droga que cuida em casa mesmo. No dia em que aparecer uma medicação que cure a psicose maníaco-depressiva, a esquizofrenia, com certeza os hospitais não vão ter mais necessidade de existir.

OM – Da vida médica para a vida acadêmica…

MM – Eu desde cedo que tenho uma vocação para a academia, para se ter uma idéia, eu nunca deixei de ensinar. Na época que eu era estudante, existia o Colégio Universitário,  em João Pessoa, e eu já dava aulas de química. Em São Paulo, eu não ensinei, mas assim que voltei para Mossoró eu comecei a ensinar na Faculdade de Enfermagem, na FURRN. Depois eu terminei o curso de Direito e comecei a ensinar também no curso de Direito e ainda consegui ser professor do curso de Medicina e, por último, cheguei aqui na Reitoria.

OM – É um desafio?

MM – É. Hoje a Universidade está passando por um processo de reestruturação, consolidação do que foi implantado recentemente. A Universidade implantou 18 cursos novos, faculdades inteiras, campus inteiros. Esses pontos passaram a ser desafiadores porque a demanda para que se tenha estrutura física, laboratórios, equipamentos, transporte, acervo bibliográfico, professores é muito grande. A demanda passou a ser maior do que a oferta orçamentária e financeira. Para este ano nós precisamos de 21 milhões de reais para a estrutura física e operacional da Universidade. Nós estamos com seis milhões de reais. O que tem que fazer?convocar todos e dizer: gente, vamos escolher as prioridades. Mas, é claro, que as pessoas nem sempre estão dispostas a fazer parte desse pacto. Mas eu estou dizendo para a comunidade universitária que em três anos – 2007, 2008 e 2009 –  o nosso projeto é que a Universidade fique pronta. Porque se nós aplicarmos seis milhões este ano, sete no próximo e oito no seguinte, nós teremos exatamente vinte e um milhões de reais.

OM – O senhor considera que houve um crescimento sem planejamento?

MM – É verdade, deveria sempre se fazer o seguinte: quando se fosse criar um curso, deveria ter se criado a área física, salas de aula, laboratórios, equipamentos. Mas não houve isso, a Universidade criou o curso sem a parte física que ficou na dependência de outras instituições.

OM – Médico, advogado, professor, atual reitor, empresário. O senhor também tem pretensões políticas?

MM – Não, eu não tenho essa pretensão política. Há sempre uma posição de estar presente na comunidade. Como médico eu passei 35 anos atuando, atendendo, até que chegou o ponto que eu entendi que tinha que deixar essa parte para a nova geração. Como professor eu também continuei atuando normalmente na Universidade até chegar à Reitoria, onde continuo a fazer a prestação desse serviço público. Quero ver se consigo também fazer parte da comunidade dentro da atividade pública, mas não tenho projeto político.

OM – Essa sempre é a conversa pré-eleitoral…

MM – O que eu vejo é que a atividade política deve ser exercida por quem já está no exercício da política. Quem tem e quem deve ter prioridade para qualquer cargo político deve ser as pessoas que já estão identificadas com a política. Por exemplo nesse grupo nosso, com a governadora Wilma de Faria, quem que aqui em Mossoró tem representação política? É a deputada Sandra  Rosado, é a deputada Larissa Rosado, que além de deputada é secretária de governo, é o próprio secretário Marcelo Rosado, Renato Fernandes… Então eu vejo que tem um leque de pessoas que estão identificadas com a política, que já fazem a sua atuação ligada à política, que tem vocação, que fazem grandes e excelentes trabalhos nas suas áreas. Então, eu só vejo que a comunidade deva primeiro ter que olhar essa parte dos políticos. A parte que me cabe é uma parte mais de trabalho junto à sociedade, da prestação de serviços, seja como privado ou como público.

OM – Escorregadio?

MM – Não. A política precisa que a pessoa tenha um certo histórico… e eu nem sou filiado a partido político.

OM – O senhor trabalha com a gestão pública…

MM – Eu vejo que eu tenho prestado bastante serviços públicos, já fui secretário de Saúde, diretor do Inamps, presidente do IPE e hoje já estou aqui dando a minha contribuição, dentro das milhas limitações, à Universidade. Olhando para trás, não me vejo identificado com parte política propriamente, isso é uma arte, precisa saber fazer, ter o apoio da comunidade, da sociedade. Eu vejo que hoje tem que se racionar em quem já está nesse processo. Eu fico bem acomodado na minha posição de reitor…

OM – Com direito à reeleição?

MM – (risos) Eu juro que não estou pensando… ainda não me apareceu na cabeça isso não…

OM – Como se define o homem Milton Marques?

MM – Eu acho que sou um homem simples, que vem de família humilde, que esteve presente em vários momentos da sociedade como estudante, como profissional, como operador na parte pública e que por isso ganhou  certa capacidade de suportar situações novas, enfrentar desafios. Considero-me dinâmico, não consigo conviver com a inércia, ligado ao pijama. Eu ainda me considero bastante ativo, pró-ativo social e muito em paz, sem maiores ambições, conformado com o processo de vida.

OM – O que vai pedir de presente de aniversário?

MM – Saúde, paz e até certo ponto forças a Deus para continuar esse trabalho. Eu me considero a serviço, a serviço da comunidade.

OM – A pergunta que não quer calar: por que tirar o bigode depois de tantos anos?

MM – Porque ele foi ficando cada vez mais branco (risos) e a tinta começou a não pegar mais, não é por vaidade, mas começou a ficar incômodo, difícil, uma mão-de-obra… Tinha que pintar ou então deixar branco, um branco diferente do cabelo que já está começando a ficar branco…

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Rede Resistência tem nova diretora administrativa

Maricélia: ascensão (Foto: cedida)

Com informações do Blog Neide Carlos

Maricélia Carlos assume a Direção Administrativa da Rede Resistência de Comunicação.

O cargo era ocupado pelo ex-vereador Lahyrinho Rosado (PSB), que hoje é secretário do Desenvolvimento Econômico da Prefeitura de Mossoró.

Ela já trabalha com o grupo há mais de 10 anos, atuando na área de Recursos Humanos (RH).

Poliana Freitas assume a direção comercial.

A Rede Resistência é integrada pela FM Resistência, portal O Mossoroense e TV Mossoró, que estão sob comando do grupo político da vereadora e ex-deputada federal Sandra Rosado (PSB).

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Feliz Navidad!

Por Paulo Pinto

O dia que eu fui “bater” em Cuba

Era o tempo dos generais

Peguei carona na “importância” e na necessidade da família de um desses generais

O general tinha duas filhas

Uma funcionária do BB, morando no Rio

A outra “subversiva”, casada com um cubano, morando em Cuba

A filha daqui podia ir,

A filha de lá não podia vir

E fomos nós “passar” dois dias no Caribe

Rio-Fortaleza-Belém-Havana

A bordo cientistas, artistas, nós e outras duas famílias

Na mala jeans, leite moça e creme dental

Apartamento grande, mal conservado, geladeira vazia

Na rua, acompanhados

Duas horas por cada período

Manhã, tarde e noite

Centro histórico, escola de governo e tome salsa

Na área de serviço do apto vizinho

Uma família cubana puro sangue

Criava um porco

Por que criar um porco em um apartamento?

Perguntei curioso

Pra vender e ter

Um FELIZ NATAL

Ah! Fidel Castro morreu.

Paulo Pinto é repórter social de “O Mossoroense”

Morre em Mossoró Yogo Rosado

Registro o falecimento hoje pela manhã de Yogo Rosado, 77. Vinha duelando contra o câncer há vários anos. Era filho de Duodécimo Rosado e Maria do Carmo Rebouças, já falecidos.

Yogo (Foto: redes sociais)

Yogo tinha vasta cultura, escrevia bem. Lembro dele em ótimos textos em O Mossoroense nos anos 80, quando o conheci pelo gosto comum pelas letras.

Burilava especialmente os temas econômicos, minha desavença eterna. Professorava sobre mercado de capitais, macroeconomia, comércio exterior. Aulas que me fizeram um  pouco menos ignorante no tema.

Fazia anos que não o encontrava. Ao passar por sua calçada à Avenida Alberto Maranhão (centro de Mossoró) no ano passado, ele à saída de casa me reconheceu.

Proseamos por alguns minutos. Falou em lapso sobre a doença.

Confortei-o e deixei minha torcida à saúde, segurando seus ombros e fitando-o.

Minha solidariedade à sua esposa Gracinha e filhos.

Que descanse em paz!

* Seu velório começará às 11h na Capela de São Vicente (Mossoró). Sepultamento às 17h no Cemitério de São Sebastião, Centro.

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Imprensa mossoroense segue fechando portas

A TV Tropical (Rede Record de Televisão)  fechou sua sucursal em Mossoró. Fim da linha. No futuro, quem sabe, seja reaberta.

No final do ano passado, deram adeus os jornais impressos O Mossoroense e Gazeta do Oeste. O primeiro ainda resolveu apostar na plataforma online; o outro, nem isso. Fim mesmo.

A TV Costa Branca (afiliada da Rede Globo de Televisão) foi inaugurada em março e em dezembro fez demissão em massa. Ficou reduzida a uma sucursal da InterTV Cabugi do Natal.

No dia 29 de junho de 2013, o vespertino diário Correio da Tarde saía com sua última edição.

A maioria das rádios enfrentam enormes dificuldades de sobrevivência. Quase todas estão com salários em atraso, sucateamento físico e de material.

Não é o fim do jornalismo, logicamente, mas um momento de reflexão e séria discussão sobre a gestão de empresas do setor e formação da própria mão-de-obra.

Bruno Barreto desembarcará na blogosfera segunda-feira

Estreia na próxima segunda-feira (21), o Blog do Barreto, o mais novo meio de comunicação do Rio Grande do Norte. A página será editada pelo jornalista Bruno Barreto, que está há 12 anos atuando no mercado mossoroense.

Barreto: experiência agora na web (Foto: Ricardo Lopes)

“A intenção do Blog do Barreto é atuar dentro das perspectivas da comunicação deste início de Século XXI, apostando na convergência de mídias, aliando minha experiência profissional em jornal, rádio e TV”, antecipa Bruno Barreto.

Por isso o Blog do Barreto vai veicular textos e vídeos para agradar todos os públicos.

Bruno tem 33 anos, é graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), tem especialização em Assessoria de Comunicação Social pela Universidade Potiguar (UnP) e atualmente cursa mestrado em Ciências Sociais e Humanas na UERN.

O Mossoroense

O jornalista é editor de política (desde 2006) e colunista (desde 2011) do Jornal O Mossoroense, veículo onde trabalha desde 2003 quando iniciou a carreira como estagiário passando pelas editorias de Cotidiano, Cultura e Economia.

Pelo Jornal O Mossoroense Bruno recebeu em 2005 o Prêmio Mão Amiga oferecido pela OnG Defesa da Natureza e dos Animais (DNA) pela série de reportagens sobre o lixão de Mossoró; recebeu menção honrosa (equivalente ao segundo lugar) do Prêmio Ministério Público de Jornalismo em 2013 e em 2015 foi eleito pelo público local o melhor repórter de jornal impresso da cidade no Prêmio Rádio Rural de Jornalismo.

Na TV Mossoró, Bruno Barreto também atuou como repórter entre 2008 e 2009 e apresentador do programa Observador Político em duas fases: como interino entre 2006 e 2012 e titular da bancada entre 2013 e 2015.

Aprovado em vários concursos públicos, Bruno é jornalista efetivo da Agência de Comunicação da UERN desde 2011. Todas as sextas-feiras ele apresenta ao lado da jornalista Luziária Machado o programa Canal Aberto na 105 FM que trata das ações da instituição de ensino superior.

Nota do Blog – Sucesso, meu caro.

Seja bem-vindo.

sempre cabe mais um na infovia.

Empresas de comunicação preparam defesa de pauta comum

Representantes de empresas de comunicação sediadas em Mossoró tiveram reunião nessa sexta-feira (13). Na pauta, entre outros assuntos, a criação de uma entidade que congregue e defenda os seus interesses.

Participaram da reunião a TV Cabo Mossoró (TCM), FM 95, Gazeta do Oeste, Difusora, RPC, FM 98, O Mossoroense, FM 93, TV Mossoró, Rádio Rural e FM 105.

O Jornal de Fato manifestou anteriormente desinteresse em integrar a discussão.

A Rádio Libertadora não teve um porta-voz localizado para o encontro.

Rádio Rural premia mídia local em seus 51 anos

Do jornal O Mossoroense

Como parte da programação elaborada para comemorar os 51 anos da Rádio Rural, foi encaminhada, na noite da última sexta-feira (23), no auditório do Colégio Sagrado Coração de Maria (CSCM), uma série de homenagens a profissionais da área de mídia, além da entrega de troféus aos destaques apresentados por votação popular obtida no site da emissora.

A Rede Resistência de Comunicação foi contemplada com três prêmios: o de melhor jornal impresso, obtido pelo O Mossoroense, o de melhor emissora de rádio FM, recebido pela 93 FM, e o de melhor locutor/locutora de rádio FM, obtido pela radialista Adriana Ísis.

O diretor Lahyre Rosado Neto recebeu o prêmio em nome da FM Resistência, e o diretor de redação do jornal O Mossoroense, Cid Augusto da Escóssia, representou o impresso no recebimento do troféu.

“Ficamos felizes com o reconhecimento ao trabalho da equipe e, principalmente, à seriedade e à responsabilidade adotada pelo jornal O Mossoroense e pela FM Resistência. A rádio sente-se duplamente feliz por ter sido reconhecida com o prêmio de melhor emissora e ter obtido o prêmio de melhor profissional com a radialista Adriana Ísis”, destaca Lahyre Rosado, diretor da Rede Resistência de Comunicação.

Nomes como Martins Coelho (melhor radialista AM), Personal Marketing (melhor agência publicitária), TCM (melhor emissora de TV), Passando na Hora (melhor blog) e Rádio Difusora (melhor rádio AM) também foram destaques.

O jornalista Emery Costa e o radialista Tony Filho foram homenageados durante o evento.

“O que não podemos permitir é a ditadura da ilegalidade”

Por Bruno Barreto (O Mossoroense)

O juiz José Herval Sampaio Júnior (Herval Júnior) se notabilizou nas eleições de 2012 por fiscalizar in loco as movimentações políticas e ter preocupação com o tamanho dos adesivos nos carros de apoiadores dos candidatos. Ele atuou com rigidez no pleito e cassou os registros de candidatura das duas principais candidatas. Nesta eleição, ele analisa as consequências dessas decisões nas eleições suplementares.

Eleição viciada precisa ser anulada, deixa claro o juiz eleitoral na entrevista a Bruno Barreto (Foto: Cézar Alves)

O MossoroenseApós as eleições de 2012 o senhor cassou as duas principais candidatas. Isso lhe tornou um herói para uns e vilão para outros. Como o senhor lida com isso?

José Herval Sampaio Júnior – Não me considero nem um nem outro. Fiz o meu trabalho fazendo valer sempre o que preconiza a nossa Constituição e as leis eleitorais do país, mesmo sem concordar pessoalmente com algumas, todavia como juiz não me cabe impor os meus valores pessoais, logo vejo minha atuação nesses processos eleitorais como normal e se as pessoas me veem como herói ou vilão é um direito de acharem como queiram, desde que respeitem a nossa honra e imagem e a própria instituição da Justiça. Arrematando lido com essa situação com muita tranquilidade e sensação do dever cumprido.

O senhor sente nesse pleito suplementar uma mudança de comportamento dos candidatos num comparativo com 2012?

HJ – Sinceramente sinto, mas ainda não o suficiente, com todo respeito que tenho à classe política, pois ainda estamos muito arraigados numa cultura de assistencialismo muito grande, logo a ideia de que os mandatos são comprados em sua grande maioria persiste e isso deve ser banido da prática eleitoral e para tanto precisamos conscientizar também o povo de que este tanto quanto o político comete o crime de captação ilícita de sufrágio (compra de voto). Precisamos realmente fazer uma campanha de divulgação em massa, em especial para a classe mais pobre a fim de que as pessoas valorizem o seu voto, cobrando dos candidatos propostas que possam melhorar a coletividade e não vantagens econômicas. Mas no geral afora essa linha houve uma preocupação bem maior dos candidatos quanto ao receio em descumprir a legislação eleitoral e isso é muito positivo. Uma grande evolução que não pode parar.

Existe uma polêmica muito grande porque o senhor liberou Larissa Rosado para fazer propaganda e Cláudia não. Porque essa diferença?

HJ – A diferença conforme deixei bem clara em nossas decisões é gritante. E se agisse igual para ambas estaria desrespeitando à própria isonomia. Cláudia Regina, com todo respeito que pessoalmente lhe nutro foi quem deu causa à nulidade das eleições passadas e quem lhe tirou do processo foi o TRE, a priori com a textualização clara de um dispositivo na resolução que rege as presentes eleições, logo sequer recebi o seu registro, apesar de isso ter acontecido por sua patente inelegibilidade em 12 processos até agora. Já a candidata Larissa, que também pessoalmente lhe respeito, cometeu ilicitudes confirmadas por órgão colegiado que lhe culminou inelegibilidade, todavia não deu causa à nulidade das eleições, logo teve seu registro recebido, mas indeferido de plano por essa circunstância, sendo lhe assegurado um direito patente na lei das eleições de continuar a campanha por sua conta e risco, mesmo após a Lei da Ficha Limpa, segundo jurisprudência do TSE. Mas repito: da mesma forma não pode ser candidata segundo a nossa decisão. Apesar de pessoalmente não concordar, como enfatizei, na decisão é um direito seu que não podia lhe ser negado e foi para a outra candidata porque, repito, ela deu causa à nulidade das eleições e tal fato segundo jurisprudência remansosa do TSE, lhe retira tal direito, pois sequer deveria ter requerido o registro. Além do mais em que pese ambas serem inelegíveis, a primeira candidata teve 10 condenações a mais e será que por essas peculiaridades deveria ter o mesmo tratamento?

Para o senhor e o TRE, a mídia mossoroense praticou exageros na campanha de 2012. Há uma mudança comportamental por parte de nós?

HJ – Não queria tratar desse assunto da eleição passada e dos reflexos das nossas decisões pela mídia mossoroense. Todos sabem o que passamos e resolvi não me defender. Fiz meu trabalho e minhas decisões falam por si sós.

O senhor acredita que a partir de agora os políticos mossoroense vão ser mais cautelosos nas eleições?

HJ – Não tenho a menor dúvida e isso é positivo e na realidade já está acontecendo na presente eleição e todos devemos nos orgulhar de cumprir a legislação e, por conseguinte, as decisões judiciais, mesmo que pessoalmente não se concorde e até possamos criticar. Recebemos crítica de que estamos numa ditadura jurídica e isso não é verdade, pois na realidade cabe ao Poder Judiciário a última palavra sobre lesão a direito, logo se a vontade do povo foi viciada é mais do que natural que seja anulada e se não deve ser assim, prevalecendo como absoluto a soberania popular que acabem com as leis eleitorais e de quebra extingam também a Justiça Eleitoral. Logo, o que não podemos permitir é a ditadura da ilegalidade.

Seu, digamos, mandato no TRE termina dia 7 de maio.  Há a possibilidade de ficar mais dois anos no cargo?

HJ – De modo algum. Fiz a minha parte. Outro valoroso colega continuará essa missão e isso também vejo como positivo a alternância após prazo preestabelecido.

Estamos a uma semana da eleição e tivemos um processo de revisão biométrica. Quem está habilitado a votar?

HJ – Somente os eleitores que formalmente se encontravam como tais em 05 de dezembro do ano passado e fizeram a biometria até o dia 23 de abril.

O senhor foi criticado por fiscalizar in loco as candidaturas. Por que os outros juízes não fazem isso?

HJ – Respeito incondicionalmente o modo de agir de meus colegas, contudo entendo como imprescindível a presença do Juiz Eleitoral em todas as fases do processo, logo também exijo respeito a essa nossa posição por parte da sociedade, já que quem me conhece sabe que gosto de realizar as tarefas pessoalmente e somente assim não ajo quando impossível. O poder de polícia exercido nessa forma vejo como mais eficaz tanto na seara preventiva como repressiva no combate às ilicitudes eleitorais.

O senhor e a juíza Ana Clarisse Arruda chegaram a ser atacados por militantes nas redes sociais. Incomoda não ter o trabalho compreendido?

HJ – Se eu responder que não, estarei mentindo. A gente sente pessoalmente já que fizemos o nosso trabalho fazendo valer a Constituição e as leis eleitorais do país e não os nossos valores pessoais, e mesmo assim somos ofendidos muitas vezes pessoalmente, e o pior: a nossa instituição. Precisamos mudar essa realidade. Infelizmente a sociedade como um todo se enfraquece com essas ofensas, já que a cultura dos valores realmente democráticos são também ofendidos. Uma verdadeira inversão de valores e oportunamente, por óbvio, tomaremos as devidas providências e nos sentimos muito felizes com as notas de apoio que foram feitas pelos Promotores Eleitorais e de Justiça, bem como pela Amarn (Associação dos Magistrados do RN) e todos os nossos valorosos colegas juízes de Mossoró. Sem adentrar ao mérito por óbvio dos processos que julgamos, os colegas sabem de nosso zelo na condução dos mesmos e o respeito à Constituição e às leis, logo o nosso interesse sempre foi cumprir da melhor forma possível esse difícil encargo que é julgar e em especial os feitos eleitorais, pelo patente acirramento entre as postulações e suas militâncias.

Como o juiz Herval lida com os que dizem que o senhor gosta de aparecer?

HJ – De modo muito natural, pois os que me conhecem sabem que sou assim mesmo expansivo e que a comunicação é uma de minhas armas. Tanto é verdade que por muito tempo apresentei programa de televisão e rádio e só saí justamente por essa minha atuação no eleitoral, logo os que dizem que gosto de aparecer estão nos elogiando, pois com essa aparência cumpro fielmente o dever de informação ao povo sobre os processos e as atividades da Justiça Eleitoral, bem como ajo com conscientização anterior da sociedade e da classe política sobre o que pode e o que não pode. Através da mídia e das redes sociais utilizei o espaço a serviço da coletividade e se exagerei em algum momento, peço as minhas devidas escusas, mas nunca houve má-fé e nem desejo de ficar aparecendo como sou criticado e isso faz parte. Se apareço segundo os críticos é porque estou trabalhando e se me atacam pessoalmente deve ser porque faltam bons argumentos para combater as minhas decisões.

* Esta entrevista foi originalmente publicada pelo jornal O Mossoroense no dia 27 de abril de 2014.

Gravação mostra que Rosalba engana professores da Uern

Quando desembarcou em Mossoró à semana passada, precisamente no dia 17, no Aeroporto Dix-sept Rosado, a governadora Rosalba Ciarlini (DEM) garantiu que este mês os servidores da Universidade do Estado do RN (UERN) receberiam remuneração relativa a acordo firmado ano passado. Potoca.

Na prática, não é o que ocorre. Mais uma greve está sendo ensaiada na instituição, justamente porque a governadora não cumpre a própria palavra. Sua garantia virou risco n´água.

No aeroporto, Rosalba chegou a ser entrevistada pelo jornalista Bruno Barreto (O Mossoroense), falando com segurança que não é de se desviar de compromisso. Gracejou até com o repórter, ante o questionamento que lhe era feito.

– O acordo com a universidade será cumprido, com relação aos reajustes? – indagou o jornalista.

– Você tem dúvida? Eu não  tenho nenhuma. Quem me conhece, sabe que eu quando firmo um acordo, eu cumpro… Inclusive isso é a lei! – disse, sorridente, a governadora.

Veja o áudio acima, clicando na seta indicativa fixada no centro dessa moldura.

Nota do Blog – Lamentavelmente, a governadora tem sido sistemática na quebra de compromisso, atropelando a própria palavra.

Nesse episódio, simplesmente disse algo na entrevista e fez o inverso. Como se diz em nosso sertão, ela “passou uma melada” nos professores da Uern. Um eufemismo, claro, para não assinalarmos expressão mais contundente.

O caso da Uern é apenas mais um.

Resta saber se esse comportamento é uma patologia, pecado decorrente de orientação errada ou deslize pelo planejamento administrativo equivocado, que a expõe à execração pública. Fico com a terceira opção, para não ser indelicado com uma dama.

Coluna impressa ganhará versão em nova plataforma

A coluna Giro pelo Estado (O Mossoroense) dará vida a um novo projeto.

A partir de novembro ganhará uma versão para a TV, com uma revista eletrônica que abordará as particularidades turísticas, culturais, econômicas e políticas dos munícipios potiguares.

O projeto realizado numa parceria com a TV Mossoró,  contará com a marca do jornalista Márcio Costa e da radialista Adriana Isis. A dupla encabeçará uma competente equipe de técnicos e produtores que leverão ao RN reportagens especiais com abordagem diferenciada sobre a rotina dos municipios.

O projeto será lançado no próximo sábado (15), durante a programação do Sertão Mix na cidade de Pau dos Ferros.

Nota do Blog – Sucesso, meu desejo. Mandem ver!

A incrível vocação para patinhar na lama

Jack Nicholson, do filme "O iluminado", parece ser a inspiração dos poderosos

O servidor da Prefeitura de Mossoró, com cargo comissionado, Onézimo Oliveira Morais, assina ação popular que tenta impedir a TV Mossoró de veicular apoios culturais e tirar da sua grade de atrações programas como o “Observador Político” e o “Mossoró Comunidade”,  que na ótica do demandante estariam servindo apenas para ataques politiqueiros.

Por trás dele, pasme! Quem aparece? A figura do próprio Governo “Da Gente”, simbolizado pela prefeita de direito Fátima Rosado (DEM), a “Fafá”, que nos últimos anos se notabilizou em promover enxurrada de processos e interpelações judiciais contra quem não elogia e promove oba-oba à sua gestão.

Onézimo é diretor da Agência II da Fundação para Geração de Emprego e Renda (Funger), localizada no bairro Bom Jardim, no prédio onde funcionou a Plasmol. Cargo de confiança. Vacilou, demissão. Cumpre ordens.

A história de Onézimo com a comunicação não começa com a ação contra a TV Mossoró. Ele já foi alvo de ação da Polícia Federal por crimes contra a radiodifusão por manter uma estação de rádio em funcionamento sem autorização da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). O processo acabou prescrevendo e arquivado em 2 de julho de 2009.

Outra vez, o enredo mostra que os donos do poder escolhem atalhos e labirintos dos subterrâneos, para impor suas vontades. Reitera sua enorme capacidade de patinhar na lama.

O servidor usado para essa nova empreitada, também tem o escritório de advocacia, que serve à prefeita e seus principais familiares e assessores, tratando da demanda. O mesmo que cedeu um de seus componentes para ocupar a Procuradoria-Geral do Município há poucos dias.

Essa história é contada em detalhes, com enorme clareza e profissionalismo, pelo jornalista Bruno Barreto.

Ele assina reportagem especial – repleta de documentos e arrazoados – que mostra mais um desatino dos poderosos, antes já flagrados na farsa do caso “Capitão 40” em plena campanha eleitoral de 2008. Recentemente, integrantes do governo foram flagrados em investigação judicial, com envolvimento no caso da página anônima “Paulo Doido”, na Internet.

Até endereço do próprio Palácio da Resistência, sede do governo, apareceu em relatório entregue à Justiça.

Parece uma vocação viver no pântano.

Veja tudo clicando AQUI. Mas antes tape o nariz.

Secretário de Rosalba compromete Robinson em entrevista

Claro que o atual secretário da Administração e Recursos Humanos do Estado, José Anselmo Carvalho, com formação técnica em direito, além de docência, não pode ser exigido quanto ao melhor trato da coisa política. Mas precisa – mesmo assim – ter cuidado com as palavras.

Sua entrevista hoje ao jornal O Mossoroense, dando versão técnica sobre a suposta crise financeira do Estado, com explicações assentadas na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), é comprometedora. Deixa mal, na “fita”, o próprio vice-governador Robinson Faria (PMN).

Na ânsia de defender a tese que transfere culpa para os governos Iberê Ferreira (PSB) e Wilma de Faria (PSB), o secretário manifesta também ser portador da “Síndrome do Retrovisor”. Implica subliminarmente o próprio vice-governador Robinson Faria (PMN).

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Afinal de contas, Robinson era presidente da Assembleia Legislativa, no período em que a Casa aprovou uma enxurrada de projetos  dispondo sobre melhorias salariais de mais de uma dezena de categorias do serviço público estadual.

Na entrevista, revela, as mensagens enviadas à AL “não tinham” sequer estudo de impacto dos aumentos salariais na folha de pessoal, como reflexo na LRF. “Fiquei para não acreditar, como se diz na linguagem popular”, comentou o secretário.

“As mensagens só tinham uma folha com três parágrafos, sendo um de saudação aos deputados, o segundo (sic) dizia o que era e o terceiro com o fechamento”, citou.

Nota do Blog – Já afirmei e reiterei aqui um raciocínio lógico, que salta aos olhos, mas a passionalidade e a má-fé não deixam a maioria ver: todos os reajustes salariais foram endossados por deputados de oposição e governo, liderados pelo vice-governador. Um de seus principais assessores era o atual secretário-chefe do Gabinete da governadora Rosalba Ciarlini (DEM), jurista Paulo de Tarso Fernandes .

É um insulto à inteligência alheia vender a ideia de que tudo é culpa de ex-governadores, como se eles tivessem o poder onipotente de decidirem sozinhos.