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Perspectiva

Por Bruno Ernesto

Porta do Palácio Douro em Ouro Preto-MG (Foto do autor da crônica)
Porta do Palácio Douro em Ouro Preto-MG (Foto do autor da crônica)

O que você pensa em fazer nos próximos cinco anos?

A depender de sua resposta, pode ser um tempo curtíssimo ou infinitamente longo. Depende apenas de sua perspectiva.

Não se preocupe: o tempo se carregará de muita coisa. Ninguém o para, nem o avança, nem muito menos o retrocede.

É como uma flecha lançada, uma palavra dita e uma oportunidade perdida.

Da mesma forma que este ano, há exatos cinco anos, o dia 13 de dezembro também caiu numa sexta-feira.

Nunca tive superstição, como já falei diversas vezes. Porém, aquela sexta-feira do dia 13 de dezembro de 2019, me marcou eternamente.

Era dia de Santa Luzia, padroeira da minha querida Mossoró. Enquanto todos comemoravam o dia da nossa Santa padroeira, eu me despedia do meu pai.

Após meus irmãos e minha mãe se despedirem do meu pai naquele final de tarde, entrei na UTI e fiquei minhas últimas duas horas ao seu lado, enquanto meus irmãos, também desesperados, amparavam minha mãe na antessala.

Pus o meu ouvido e minhas mãos em seu peito repetidas vezes, escutando e sentindo o seu coração pulsar nos últimos instantes. Sua mão estava morna.

Chamei pelo seu nome repetidas vezes ao pé do ouvido. Escutei a sua voz quase como se estivesse falado. Não falou.

Tive a dolorosa missão de autorizar desligar os aparelhos que o mantinha vivo.

Naquele instante, de fato, para mim, o tempo ficou eternamente relativo.

Tal qual acontece num dia de muito sol quando se abre uma porta de uma sala escura para a rua iluminada, tanto quem está dentro da sala, quanto quem está na rua, são ofuscados pela mesma luz.

O que muda, é apenas a perspectiva.

Bruno Ernesto é advogado, professor e escritor

Rincão, 59.646-585

Por Bruno ErnestoCEP-59646-585-RINCAO

No último dia 26 de maio, após quase cinco anos da última vez que pude segurar a mão do meu pai, passei em frente à Capela de Santa Teresinha no intuito de organizar o aniversário do meu filho Pedro.

Estava fechada, mas, por um instante, parei ao pé da porta central da capela e lembrei daquele dia, o mais triste da minha vida, e, embora já tenha passado de carro inúmeras vezes em ali em frente, desde aquele dia não tinha posto os pés naquela calçada.

Apesar da saudade, a vida segue e ficaram as boas lembranças dele.

Há alguns meses compartilhei o registro da rua a qual foi denominada Rua Professor Francisco Ernesto Sobrinho, em homenagem ao meu pai, cujo registro junto aos Correios havia sido concluído com a designação do CEP.

Foi uma proposição do confrade da Academia de Ciência Jurídicas e Sociais de Mossoró (ACJUS), e vereador do município de Mossoró/RN, Professor Francisco Carlos, a quem, novamente e de público, agradeço em nome da minha família pela homenagem.

Após localizar a rua, constatei um fato curioso.

Quem conheceu meu pai, sabia de sua paixão pela Esam/Ufersa.

Lá graduou-se em Engenharia Agronômica no ano de 1972, sendo concluinte da segunda turma da recém-criada ESAM no ano de 1967.

Quando veio estudar em Mossoró/RN, morou num pequeno apartamento improvisado embaixo da caixa d’água que fica na entrada do campus Oeste da Ufersa, lá morando de 1967 a 1972.

Foi professor da Esam/Ufersa de agosto/1976 a janeiro/1996, quando, a contragosto, teve que requerer sua aposentadoria. Ele e muitos professores na época, pois as mudanças econômicas e administrativas pelas quais o país passava naquela acabou por antecipar a carreira de muitos servidores no país.

Não se fez de rogado e, no dia seguinte ao pedido de aposentadoria, foi para Esam como se nada tivesse acontecido.

Minha mãe estranhou, mas, sábia como é, sabia que ele só deixaria de ir à Esam/Ufersa em duas situações: se não tivesse condições físicas de ir (Leia-se, se o trancassem em casa), ou se já não estivesse nesse plano terrestre.

De fato, só deixou de frequentar a Esam/Ufersa em novembro de 2019, um mês e meio antes de falecer, em 13/12/2019.

Por obra do acaso – talvez não – a rua que leva seu nome está localizada no bairro Rincão, que, registre-se, fica ao lado da Esam/Ufersa, de modo que até o significado do nome rincão não foi suficiente para afastá-lo de lá.

Bruno Ernesto é advogado, professor e escritor

A felicidade de um pai

Por Odemirton Filho

Foto ilustrativo do Diário da Mamãe
Foto ilustrativo do Diário da Mamãe

E a menina cresceu. Tornou-se uma linda mulher; decidida, inteligente, firme na busca de seus objetivos. O pai, orgulhoso, lembrava-se quando a pegou nos braços, tão pequenina, frágil. Vinha à memória a filha correndo pela casa e algumas de suas peraltices, como jogar o aparelho de celular dentro do aquário e correr pelo quarteirão de onde ficava a sua casa; a mãe tentando alcançá-la.

Contudo, o tempo voa. Ao voar, traz lembranças para aquecer o coração. É a vida seguindo o seu fluxo. O pai torce para a filha pavimentar o seu caminho com as pedras da humildade, do amor e da honestidade. Roga a Deus que a abençoe. Daqui a algum tempo, quem sabe, virão os netos, e a menina dos lindos cabelos cacheados, hoje adulta, educará os seus filhos.

Com a vitória dos filhos os pais se sentem realizados. Qual o pai ou a mãe que não fica feliz com o voo dos seus filhos? Somente alguns não nutrem esse belo sentimento. O pai tentará deixar como herança valores imateriais, os quais são a verdadeira riqueza de uma pessoa.

Com o tempo, passamos a contemplar a vida de outra forma. A serenidade nos visita, e ficamos cada vez mais conscientes de nossa finitude. Tanta correria pra quê? O que nos espera? Será o fim ou o começo? Perguntas que somente a crença de cada um responderá.

Por isso, a felicidade de um pai ao observar os filhos seguirem o seu caminho, pois sente a sua vida se eternizar, vez que a sua melhor parte, seus filhos, começam a construir a sua própria história de vida.

Sem dúvida, os filhos encontrarão muitas dificuldades, as quais todos enfrentamos. Nem tudo são flores; há os espinhos que machucam a alma. Mas o tempo, caso não cicatrize, pelo menos será um bálsamo para aliviar os arranhões causados pela vida.

E o pai, emocionado, dirá: “vá em frente, filhasiga o seu caminhoSorria, chore, ame, dance, rodopiando pelos salões da vida, feliz. Seja independente, seja você, seja o que quiser.

Enquanto eu estiver por aqui, continuarei ao seu lado em todos os momentos de sua vida, alegres e tristes. E quando estiver no outro lado do caminho, no plano espiritual, continuarei te protegendo, amando-te.

Eternamente”.

Odemirton Filho é bacharel em Direito e oficial de Justiça

À presença do ‘Seu’ Chico Honório

Imagem de um homem tentando escrever no notebook, olhando à janela, copo com água, óculos,Por Carlos Santos

Para Honório de Medeiros, meu irmão!

Sua crônica (veja AQUI) desse domingo (19) transportou-me no tempo e espaço.

Devolveu-me à presença do seu pai, ‘Seu’ Chico Honório. Até o “Carlinhos” à boca, que não me deixava envelhecer, voltou.

Há pouco mais de dois anos e quatro meses eu consegui a duras penas escrever sobre o meu velho (Um beijo para dizer que “te amo”). Mas, sobre dona Maura, não.

Olhe que já tentei. Parei, mas não desisti.

Em algum momento, passados quase 12 anos, ela vai me inspirar – como sempre o fez.

Não chegou o momento.

Preciso pacientar mais um pouco.

Carlos Santos é editor do Canal BCS – Blog Carlos Santos

A teimosia em tempos de Covid-19

Por Odemirton Filho

O meu pai anda entediado e chateado. Diz que depois de idoso os filhos querem mandar em sua vida e lhe dizer quando poderá sair de casa.

A sua rotina, segundo me disse, é ficar vendo a TV, lendo, aguando as plantas, limpando a casa do cachorro e, de vez em quando, acessando a internet, uma vez que não é afeito às redes sociais.

Para ele, esse isolamento social é um verdadeiro tormento. Minha mãe não o deixa quieto. Sempre pedindo de forma “carinhosa” para que faça algum serviço doméstico.Reclama, ainda, que ao ver o noticiário não sabe em quem confiar. Há opiniões contraditórias sobre o distanciamento social, se deverá observar o isolamento vertical ou o horizontal.

A saída de casa, às vezes, é para ir à padaria comprar pão. Até a feira é por delivery, veja só.

Segundo ele, ainda tem o noticiário diário batendo na mesma tecla: ficar em casa, usar máscara, lavar bem as mãos e usar álcool gel 70, enfim, o que todos devemos fazer para impedir a disseminação do coronavírus.

Como começou a trabalhar ainda criança, ajudando na mercearia de Pedro Pereira da Costa que no ficava mercado central de Mossoró, acha que deixar de trabalhar é um exagero.

O pior não é ficar em casa, o pior é ter que aguentar a sua mãe chamando constantemente para reclamar ou mandar fazer algo. Nessa idade ficar levando “batido”!

Tento convencê-lo, por telefone, que o isolamento social é imprescindível, conforme os especialistas.

Seja qual for o isolamento social indicado, como ele faz parte do grupo de risco, com isso mais vulnerável à Covid-19, é recomendável que permaneça em sua residência.

Apesar de continuar a reclamar, entende a gravidade da situação e, por enquanto, encontra-se sem “arredar” o pé de casa.

Ô velho teimoso.

Odemirton Filho é bacharel em Direito e oficial de Justiça

Carta a papai

Por Clauder Arcanjo

Há dois dias que você se encantou (pouco importa o lugar-comum) e parece que estou sofrendo de “perda de equilíbrio”, meu pai. Não saberia como descrever; melhor é deixar pra lá, não quero preocupá-lo. Saiba apenas que o adoro cada vez mais; reconheço o legado enorme que você nos deixou: sermos simples, mansos, carinhosos e bons. Com todos.

Claro que, com sua Maria, sua companheira e nossa querida mãe, o xodó era maior. Beijos seguidos, diferentes provas de carinho, olhares apaixonados de esguelha, apertos de mãos daqueles sabedores que se completam (e foram feitos um para o outro).

Ah, Zequinha Arcanjo, como a dor é grande. A primeira noite sem você, para mim, foi terrível, uma saudade de apagar estrelas. De vez em quando, flagrava uma voz a perfurar o muro da memória.Olhava, então, para todos os lados à procura do passo cadenciado, do sorriso franco, do refrigério da sua bênção… No entanto, logo concluí, teria que cerrar os olhos, voltar para dentro de mim, reencontrar-me em Licânia, para, somente assim, “vê-lo” novamente.

Pai, achei o senhor mais forte. O cabelo bem penteado, a barba feita. Trajando um bermudão verde e uma camisa branca de linho. Suspeito que meu irmão Tito (você sabe como ele é crítico) julgaria a posição do seu cinto um pouco alta em relação à cintura. Não ligue, papai, adoramos você assim.

Você foi, é e será o cidadão mais belo e charmoso que já conhecemos. Digo isto não só em nome de Maria Djanira (nossa mãe): Dedé (única filha) e seus filhos (Baía, Tito e João Helder) comungam da minha opinião.

— A sua bênção, papai! — Sim, na pressa de lhe escrever, esqueci-me de pedir-lhe que nos abençoasse.

Ah, o senhor já nos abençoou bem cedo?!… Tolo sou eu por ainda não conhecê-lo. Não é porque está morando no Além que vai se esquecer de nós. Mas, peço sua bênção outra vez: “A bênção, pai!”

E uma outra questão, você, que sempre foi nosso maior e melhor conselheiro, oriente-nos como viver (e conviver), de agora em diante, com tamanha ausência.

Hoje cedo até pensei em ligar para Santana e perguntar como você estava, se já havia tomado banho, feito a barba e sentado na poltrona da sala para ver televisão. Quase pedi a Conceição para colocar o fone no ouvido do “nosso menino” para lhe dizer:

— Bom dia, José Bosco Arcanjo! A sua bênção, meu pai! Aqui é o Antonio Clauder. Alguma esperança de chuva no nascente? O gado no Eldorado está gordo? E o das Cajazeiras? — Num conversar macio e sem pressa, apenas movido pelo prazer de ouvi-lo.

É claro que, em meio a tudo, confessaria, pela milionésima vez, que o adoramos, que agradecemos todos os dias a Deus por ter nos presenteado com genitor tão especial.

Outro dia (acabo sempre me flagrando a contar e recontar as nossas histórias), relatei aos meus filhos aquela bendita intervenção sua quando da minha formação acadêmica. Não se acanhe, é bom repeti-la para conhecimento dos seus descendentes. Vejamos.

No terceiro ano do meu curso de engenharia na Universidade Federal do Ceará (UFC), você soubera (penso que um arcanjo soprou-lhe) da minha inscrição num concurso para uma vaga nos quadros de uma instituição bancária. Depressa, você viajou a Fortaleza e, a seu modo, chamou-me à reflexão:

— Vai abandonar o seu sonho? Desde criança, filho, você só pronunciava: “quero ser engenheiro”, “vou ser engenheiro”. Você lembra?

— Mas, meu pai, a crise na engenharia é grande, as construtoras estão fechando as portas, o desemprego campeia… — argumentei.

Suprema presunção, querer aconselhar o conselheiro-mor.

O senhor me olhou com o rosto cândido, colocou as minhas mãos entre as suas, abençoou-me e, beijando-me a face juvenil, pronunciou:

— Não se abandona um sonho. E, se a crise está assim, basta estudar mais, ser um engenheiro ainda melhor. Mas… a decisão é sua, seu pai estará sempre com você. Deus o abençoe, e tenha uma boa noite.

Levantou-se, recolheu-se à sua rede no quarto, e eu fiquei no meu. Deitei-me, contudo o sono não se apiedou de mim.

Horas depois, liguei a luz, abri a gaveta da cômoda e lá estava o cartão de inscrição. Retirei-o e o fiz em pedaços.

A história não se encerra aqui. Um ano e meio depois, concluí a graduação em engenharia, colei grau numa sexta-feira à noite, viajei para assumir o cargo de engenheiro da Petrobras, em Salvador, no domingo seguinte.

Você, pai (se lembra disto?), veio de sua Santana do Acaraú (nossa Licânia) para me acompanhar até o aeroporto. Antes de minha entrada para o salão de embarque, o senhor me beijou, abençoou-me com carinho, não sem antes arrematar:

— Não ficou desempregado nem um dia. Não é, filho? — E rimos, felizes.

Contarei essa história vezes sem conta. Você me pede reserva?! Ah, papai, o mundo precisa saber das suas aulas em nosso lar. Que o senhor foi professor nosso, usando o lápis do exemplo pessoal na lousa da vida, o pincel da ética no cartaz da simplicidade, a cartilha do ABC do respeito, a gramática da mansuetude no trato com os outros.

Zequinha, José Bosco Arcanjo, nosso doutor honoris causa.

Sim, ainda choro, pai. Pede que eu enxugue minhas lágrimas?! Sim, eu o farei. Você sabe como eu sou sentimental. Certo dia, não me disse: “Antonio Clauder, você, filho, é o poeta da família”? Pois eu peguei corda, sabe, e ando me amostrando como poeta provinciano.

Uma lufada de ar chega-me à mesa, sinto o seu cheiro como a sair do banho. Levanto-me, abro a porta do banheiro e não o vejo. Ao retornar, dou com a fotografia da nossa família na parede do corredor. “Meu maior patrimônio!”, o senhor assim nos saudava, ao nos reunirmos com você e mamãe.

Hoje, sua falta à cabeceira da mesa de jantar e a sua cadeira vazia na calçada, querido Zequinha, tornam mais escura esta noite longa.

A partir de agora (acho que você assim nos aconselharia), teremos que seguir sozinhos, ao nosso modo, porém nos lembrando das suas máximas: “Um homem já se conhece no arriar das malas”; “É puro, é santo, é milagroso, e bom” — ecoando com o dito de mamãe: “Se os homens sérios não cuidam de sua terra, os canalhas vêm e tomam”; “Vou deixar para vocês algo que ladrão nenhum rouba: educação”…

Sei que estou a me alongar, todavia não se esqueça de pedir a São Pedro uma rede branca e larga para o senhor dormir depois do almoço, sua siesta é sagrada. E mamãe também me pede para lhe avisar que tenha cuidado com o sol do Paraíso, pois sua pele é muito sensível. E nada de comida pesada, ouviu?! O senhor tem estômago fraco.

Uma última coisa: fique tranquilo, nós cuidaremos de mamãe, sua amada, com todo o zelo; e seremos uma família só, cumprindo seu pedido: “Permaneçam juntos e unidos”.

A sua bênção, pai! Fique com Deus.

Lembranças aos seus irmãos, nossos tios: Arcanjo, Miguel, Gerardo e Nonato.

Sei que esta saudade não passa.

Nunca.

Fortaleza-CE, 21 de novembro de 2019

Clauder Arcanjo é escritor

* Texto originalmente publicado em endereço pessoal do autor, em redes sociais.

Quem tem Internet vai a Roma

A Internet e suas maravilhas. A ideia de vivermos num mundo comum, com aquele conceito de “Aldeia global”, a cada dia se materializa através da rede mundial de computadores e dispositivos móveis.

Talvacy: emoção (Foto: Web)

Quem nos oferta um exemplo particularmente interessante e, bonito, é o padre Talvacy Chaves (que foi pároco da Igreja de Nossa Senhora de Fátima em Mossoró). Ele vive em Roma (Itália) há alguns meses, para temporada de estudos.

De lá, acabou surpreendido pelo pai – “um homem da roça, simples” – que utilizou computador para se comunicar com áudio e imagem com o filho, a partir da bucólica cidade de Venha-ver no RN (pouco mais de 4 mil habitantes).

Veja abaixo essa experiência fascinante entre pai e filho, separados por mais de 7.400 mil quilômetros:

Acabo de viver uma das maiores emoções neste ano de 2016

Agora há pouco, estava sentado, lendo algo sobre autonomia comunicativa, quando, de repente, alguém me chama no Skype.

Quem? Papai. “Vixe como foi ligeiro, já cheguei aí em Roma”, respondeu espantado e todo feliz, com um chapéu velho na cabeça, quando me viu na tela do seu computador.

Foi a primeira vez na sua vida que, sozinho, liga o computador, entra na Internet, procura o Skype e se conecta com o seu filho que está do outro lado do mundo.

Papai, para os que não o conhecem, é um homem da roça, simples. Quando menino aprendeu apenas a ler e escrever o básico. Hoje, com seus 63 anos, vivendo no sítio, mostra o seu interesse em viver no ambiente digital, para poder se comunicar com seus filhos e, pouco a pouco, ter acesso a mais pessoas e mais fontes de informação e conhecimento.

A vida é assim, feita de emoções, de alegrias verdadeiras, aquelas que nascem dentro da gente ao sermos tocados por pequenos gestos. Por isso, sinto-me o prazer de compartilhar com vocês essa emoção inédita, que vale a pena guardar para sempre na minha memória.

Hoje, 27 de dezembro de 2016, às 18:15h, horário de Roma, 15:15h, horário do Venha-Ver.

Talvacy Chaves.

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Um pai fantástico e seu amor sem limites

Do Fantástico (Rede Globo de Televisão)

O Fantástico – Rede Globo de Televisão – mostrou domingo (12) uma história linda que o repórter Elton Novais descobriu em Belo Horizonte. É a história de um pai, naquilo que um pai tem de melhor: a busca pela felicidade do filho.

Felipe tem 13 anos. Durante o parto, a falta de oxigênio no cérebro de Felipe provocou uma paralisia motora. Felipe não pode andar, a família faz de tudo pela felicidade dele. Ele vai para a escola, lê, faz contas, entende tudo normalmente. Está na sétima série, a mesma de qualquer criança na idade dele. Gosta de ver os colegas na Educação Física e se diverte quando aparece um Bola Murcha.

Mas Felipe sente falta de jogar bola com os meninos, um problema sem solução. Ou melhor, um problema que só um pai criativo e apaixonado pelo filho poderia resolver. Alexandro mandou fazer uma bota especial. Pai e filho, agora, são um jogador só.

Na estreia da dupla, eles já marcaram o primeiro gol. Pai e filho também fizeram o segundo gol e a dupla fez o terceiro gol. Quem faz três gols quer pedir música.

“Fala para o Schmidt, ‘eu quero tchu, eu quero tcha. Eu quero tchu, tcha, tcha, Tcha”, incentiva Alexando, pai do menino.

Vários jogadores, profissionais, fizeram três gols durante a semana, ou até mesmo no sábado, e não puderam pedir música no Fantástico. Porque é só no domingo que vale. Temos o regulamento muito sério, muito rígido, e não podemos deixar de cumprir.

“Oh Tadeu, deixa o Felipe pedir música”, pediram, em coro, os colegas do Felipe.

Olhando mais uma vez, cuidadosamente, o regulamento. Encontramos o artigo 101, que diz claramente o seguinte, quando o artilheiro é um moleque fera, chamado Felipe, pode pedir quantas músicas quiser.

“É a realização de um sonho de toda uma família, de uma estrutura. É mais que um título mundial, é mais que um prêmio de Mega Sena, é amor puro”, conta Alexandre Faleiro, advogado e pai do menino.

Veja a reportagem completa AQUI. Emocione-se.

Letra e Música – 143

Canção pra você viver mais, do Patu Fu, banda mineira, é um bom exemplar da musicalidade desse grupo.

Fernanda Takai canta em homenagem ao pai, já falecido.

A letra de John, um dos componentes da banda, fala dessa separação física, da implícita espiritualidade e do vácuo das grandes perdas. Mas tem duplo sentido. É também uma declaração de amor à cantora e esposa.

Ela tinha colocado o título sobre um papel, mas não conseguia escrever nada para exaltar o pai enfermo. Estava abalada.

John resolveu fazer a letra e lhe apresentou: “Sei que era tudo que você queria dizer (…)”.

A canção remete-me à lembrança de quem partiu, sem sair de minha vida. Faz-me viver mais por tudo que representa até hoje.

Nunca pensei um dia chegar
E te ouvir dizer:
“Não é por mal
Mas vou te fazer chorar
Hoje vou te fazer chorar.”

(…) Não tenho muito tempo
Tenho medo de ser um só
Tenho medo de ser só um
Alguém pra se lembrar.

Faz um tempo eu quis
Fazer uma canção
Pra você viver mais.

Tenha uma ótima semana, webleitor.

A minha, outra vez, será de superação e conquistas.

Amém!

Veja a letra AQUI.