A famosa canção Voyage, Voyage, da francesa Desirelees, foi lançada no ano de 1986 e é um clássico internacional. A letra da música nos instiga a viajar, não só fisicamente, mas de forma metafísica, onírica. Na verdade, é uma fuga, uma fuga das convenções, das amarras do mundo, as quais nos fazem ficar aprisionados no nosso pequeno universo.
Ficar “acima dos vulcões antigos”, “das nuvens aos pântanos”. Ou seja, impulsiona-nos a sair da mesmice, a procurar a ampla liberdade do nosso ser. Se viajar fisicamente de um lugar a outro é deveras prazeroso, e nos faz bem, viajar por nossa alma faz repensar valores e atitudes. Quem já não pensou em “chutar o balde” e tomar outro rumo na vida?
“Voando nas alturas”, é certo, conseguimos alçar outros lugares, outro modo de encarar a vida. Infelizmente, porém, poucos conseguem fazer esses voos. Vivemos presos ao dia a dia, a rotina que nos impede de sermos verdadeiramente livres, leves e soltos.
A busca de nossos objetivos, decerto, deve nos guiar, procurando aquilo que nos faz bem; bem ao corpo e, sobretudo a alma, diga-se.
Viajar “acima das capitais” e “das ideias fatais”. Ideias fatais que estreitam o pensar. Aliás, no mundo contemporâneo vivemos a era do extremismo, de ideias prontas e acabadas, do maniqueísmo entre direita e esquerda. Não há espaço para o plural, para o bom debate. O radicalismo preside as discussões, a falta de bom senso salta aos olhos, perdeu espaço.
“Viaje pelo espaço extraordinário do amor”. O amor que se apresenta em todas as suas formas, seja entre pais, filhos, netos ou o amor daquela pessoa que divide os nossos dias, construindo um futuro. É nesse espaço extraordinário que devemos viver.
Livrar o nosso ser daquilo que nos impede de viver verdadeiramente, sem se importar com o que as pessoas pensam sobre nós. Cada um deve viver, “viajar”, da forma que lhe aprouver, desde que não cause mal a ninguém, principalmente àqueles que queremos bem.
Pois é, viaje, viaje.
“Viaje mais longe do que a noite e o dia”. Permita-se visitar o horizonte.
Odemirton Filho é colaborador do Blog do Carlos Santos
Há muito, muitos anos, li “A arte de ter razão” de Arthur Schopenhauer, um clássico da dialética erística lançado no século XIX. Em síntese, a erística é a técnica de debate utilizada para vencer a qualquer custo. Sem que você, necessariamente, tenha razão.
Nesses tempos de tanta intolerância, o livro pode ser vital para quem gosta de bate-bocas (por natureza beligerante), queira alimentar seu ego ou deseje puxar seguidores nas redes sociais.
E daí?
Prefiro a paz dos que não possuem certeza. Quero a companhia dos que não perderam a capacidade de ouvir e que, talvez, me escutem.
Tem-me feito um bem caudaloso.
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Há séculos um Homem veio ao mundo numa estrebaria de Belém. Os Reis Magos, guiados pela estrela, encontraram-no, mas não o entregaram ao Rei, que desejava matá-lo.
Entenderam que Ele seria o maior exemplo de amor e verdade, que a humanidade conhecera.
Neste Domingo de Páscoa é dia de parar e refletir sobre “o sepulcro vazio e a ressurreição do Cristo”.
(Foto: MANDEL NGAN / AFP)
Tome-se como exemplo a Ucrânia, hoje sendo destruída pelo desamor, o ódio e a ambição de um déspota, cuja única intenção é reconstruir o império da Grande Rússia czarista.
Os estilhaços das bombas, ceifando vidas humanas, nada mais são do que o simbolismo do prolongamento da Paixão daquele que morreu flagelado para sepultar os defeitos humanos e depois ressurgiu dos mortos, ao terceiro dia, para semear a virtude, a alegria, a paz interior, sonhos e recordações.
A Páscoa simboliza a Verdade, que por não ter sido entendida, transformou-se em Cruz e na angustia do Calvário
Cabe recordar o encontro em 1994, de Madre Teresa de Calcutá, com o Presidente Bill Clinton, o Vice Al Gore, diplomatas de mais de 100 países e centenas de participantes em Washington DC.
Madre Teresa fez claramente um desafio aos acomodados detentores do Poder na maior potência mundial, que ouviram calados e contritos.
Como uma contribuição à reflexão transcrevem-se a seguir alguns trechos da palavra de Madre Teresa, na chamada “oração aos políticos”.
Ela começou assim:
“Uma vez que nos reunimos aqui para rezar juntos, eu penso que será bonito se começarmos com uma oração que expressa muito bem o que Jesus quer que façamos. São Francisco de Assis entendeu estas palavras de Jesus. Ele viveu as mesmas dificuldades, que nós temos hoje”
Em seguida, Madre Teresa confessou a fragilidade da família Ocidental, diante de homens e mulheres poderosos:
“Tentei descobrir por quê essa fragilidade. E a resposta era, “Porque não há ninguém na família para os receber”.
“Nossas crianças dependem de nós para tudo: sua saúde, sua nutrição, sua segurança, seu vir a conhecer e amar a Deus. Para tudo isto, eles olham para nós com confiança, esperança e expectativa.
Mas frequentemente o pai e mãe estão tão ocupados. Eles não têm tempo para suas crianças, ou talvez eles nem mesmo sejam casados, ou desistiram do seu matrimônio.
Assim as crianças vão para as ruas e são envolvidas nas drogas, ou em outras coisas”.
Sem negar o progresso e o desenvolvimento, Madre Teresa teve a coragem de abordar a questão da pobreza.
Disse ela:
“Os pobres são pessoas muito grandes. Eles podem nos ensinar tantas coisas bonitas…. Uma noite nós saímos e recolhemos quatro pessoas da rua.
E um deles estava em uma condição bem terrível. Eu disse às Irmãs: “Vocês tomem conta dos outros três; eu cuidarei do que parece pior”.
Coloquei-a na cama e havia um belo sorriso na sua face.
Ela pegou minha mão e só disse uma coisa: “Obrigado”.
Então, morreu.
Eu perguntei: “o que eu diria se estivesse em seu lugar”?
E minha resposta foi muito simples. Eu teria dito, “tenho fome, eu estou morrendo, estou com frio, estou com dor”, ou algo assim.
Mas, ela me deu muito mais. Ela me deu o seu amor agradecido e morreu com um sorriso em sua face”.
Madre Teresa foi entusiasticamente aplaudida, durante a “oração aos políticos americanos”.
Lançou as sementes da Paz, ainda hoje o desafio da humanidade.
Os dirigentes do mundo têm parcela de responsabilidade no drama atual da violência, fome, exclusão social, saúde precária, educação inacessível e tantos outros males idênticos.
O político terá que parar e refletir sobre “o sepulcro vazio e a ressurreição do Cristo”.
O calvário significou dias de angústia, dor e escuridão.
No terceiro dia, a luz brilhou com a Ressurreição.
Era o Domingo de Páscoa, que hoje festejamos.
A convivência com a realidade cruel contemporânea, coloca o cristão na posição dos apóstolos, que depois da ressurreição, tiveram a missão de buscar as pessoas e levar-lhes mensagem de paz e solidariedade.
Paulo e Pedro foram pregar na Grécia e em Roma; André chegou à Escócia; Tomé foi à Índia; Marcos ao Egito; Madalena atingiu a França.
Páscoa é a hora do sorriso, abraço, amizade, vontade de ser feliz; momento do recomeço, libertação, amor e perdão.
Rezemos pelos ucranianos, que sofrem nas mãos do invasor.
Feliz Páscoa, caro leitor!
Ney Lopes é jornalista, advogado e ex-deputado federal
Experimentando um dos momentos mais conturbados de sua história, a Câmara Municipal de Mossoró virou uma praça de guerra. Presidente da Casa, Izabel Montenegro (MDB) – a vereadora reeleita para novo biênio (2019-2020) nesse cargo, quer ensarilhar armas. Conclama demais vereadores à pacificação. Pelo menos em palavras.
“Faço um apelo para que questiúnculas internas e pessoais não interfiram nessa grande missão que o povo mossoroense nos delegou de representá-lo na Câmara; que o espírito público prevaleça e nos voltemos às grandes causas de Mossoró. Fomos eleitos para isso”, diz.
“Estamos iniciando um ano não eleitoral, tempo de mais trabalho e menos política. Poderíamos nós, os 21 vereadores, produzirmos pauta das demandas prioritárias de Mossoró e apresentá-la ao Governo do Estado, à futura bancada federal, à União. Defender nosso município”, propõe.
Nota do Blog – Falta inteligência emocional, falta bom senso, falta um pouquinho de racionalidade. Alguma voz influente precisa intervir, pondo fim a esse gládio.
O gesto da presidente é importante, mas precisa sair do discurso à prática. Da mesma forma, que quem digladia do outro lado, em oposição à ela e à sua presidência, após tê-la apoiado para essa ascensão.
De lado a lado falta equilíbrio, sem juízo de valor quanto a quem esteja certo ou supostamente errado.
Prenuncia-se a entrada de um novo ano. Os computadores domésticos e profissionais já assinalam o envio e a entrada de milhões (ou bilhões) de mensagens aspirando e desejando invariavelmente o mesmo substantivo: a paz. Nesse período, as igrejas de todas as crenças e os profitentes dos mais diversos credos afinam-se num único discurso: um pedido de paz.
Santa hipocrisia ou pura hipostasia…
Esse desejo de paz, no plano da convivencia social e religiosa, tem muito de hipocrisia e hipostasia. Já que todo mundo sabe que hipocrisia é fingimento, apenas esclareço que hipostasia é um equivoco cognitivo onde se atribui existência a uma realidade fictícia, abstrata. Quando as pessoas desejam paz, e afirmam viverem em paz, convivendo desarmonicamente, é uma hipostasia.
Ora, a paz é sinônima da tranquilidade pública; da harmonia, da concórdia… Nem entre os religiosos conseguimos concórdia. Basta ver esse conflito milenar entre os cristãos e os muçulmanos na terra santa. A barbárie e o cometimento de toda espécie de crimes e atentados terroristas são praticados em nome de Deus ou de Maomé. Lembrando o Salmista, “Quando eu digo: “Paz”, eles dizem: “Guerra”. (Sl 120, 7).
Narra o evangelista Marcos que Jesus Cristo ao pronunciar o sermão da montanha sentenciou: “Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus.” (Cap. 5, v. 9)
Se são felizes os que promovem a paz, como disse Jesus, quem por acaso pode se dizer um agente da paz?
Entre nós, católicos, falta paz quando os cânones proíbem o batismo das crianças havidas de pais solteiros ou nascidas de pessoas não matrimoniadas nos seus costumes. Os mesmos cânones obrigam a prelazia a ser intolerante com os descasados e divorciados, impedindo-os do sacramento da eucaristia.
Como podemos realmente almejar a paz se endossamos essas orientações tão excludentes?
Entre os pentecostais, o alcoolismo e o homossexualismo são tidos como manifestações demoníacas. A santidade, para algumas dessas igrejas, somente é medida ou demonstrada pelo tamanho da doação do devoto.
Pratica-se, com muito gosto, a teologia da prosperidade e a simonia (a venda de coisas sagradas). A televisão anuncia a cada minuto, nas primeiras horas da manhã, a cura das doenças espirituais e a salvação das almas, tudo com preço fixado, a gosto do pagante. Ainda se pode desejar a paz nessas circunstancias?
Entre os evangélicos, vigora o entendimento de que somente serão salvos 144.000 crentes autênticos. É a leitura radical do livro do Apocalipse, escrito por João. Somente na cidade de Natal, existem mais de duzentos mil evangélicos. Quem desses será salvo? Quem fará essa separação?
Nem me atrevo a falar nos demais setores sociais ou profissionais. Fico apenas no campo religioso, para não ter que relatar desentendimentos graves entre os políticos, na Ordem dos Advogados, na classe médica, no Poder Judiciário etc.
Nessa hora, lembro São Francisco de Assis e a sua oração pela paz: “Senhor, Fazei-me instrumento de vossa paz…”. A Oração de São Francisco quer fazer de nós instrumentos de paz, daquela paz que nasce do coração de Deus e que penetra no íntimo de todas as pessoas que Nele creem.
A paz haverá quando as igrejas e as pessoas se preocuparem unicamente com a perfeita comunhão entre o seu pensamento benigno e as suas ações. Não adianta desejar a paz se o seu coração age como se estivesse em guerra. Haverá paz, quando “a paz de Deus domine vossos corações”, como dizia São Paulo (Colossenses, 3:15).
Como desejar a paz, se fazemos adversários gratuitos e tecemos críticas indébitas? Somos construtores da paz quando produzimos pensamentos contraditórios e arremessamos pedras da incompreensão sobre outros irmãos? Que paz advém de nossas atitudes se em nossos comentários nos blogs usamos de sarcasmo, agressividade e menosprezo pelos nossos semelhantes?
Pelo visto, não queremos paz, embora falsamente desejamo-la para o próximo nas nossas mensagens de fim de ano. Somos o que pensamos. Como ensinava Buda, com nossos pensamentos, fazemos o nosso mundo.
Teremos paz, entretanto, se guardarmos a serenidade e se atuarmos na extensão do bem, porque, como disse Chico Xavier, “resguardando a consciência tranqüila, terás nos recessos da própria alma a paz de Cristo que ninguém destruirá”.
Nesses momentos de angústia e de guerra social, só a fé em Cristo mantém-nos serenos. Nada agrada mais a Deus do que a genuflexão de um homem livre.
Rezemos pela paz! Quem sabe se mudarmos os nossos hábitos, não poderemos dizer para o próximo: Shalom!
Marcos Araújo é advogado e professor universitário.