Primeiro na carne, depois no nome.
A carne desaparece, o nome persiste mas
Esvaziando-se de seu casto conteúdo
— Tantos gestos, palavras, silêncios —
Até que um dia sentimos,
Com uma pancada de espanto (ou de remorso?)
Que o nome querido já nos soa como os outros.
Santinha nunca foi para mim o diminutivo de Santa.
Nem Santa nunca foi para mim a mulher sem pecado.
Santinha eram dois olhos míopes, quatro incisivos claros à flor da boca.
Era a intuição rápida, o medo de tudo, um certo modo de dizer “Meu Deus, valei-me”.
Adelaide não foi para mim Adelaide somente
Mas Cabeleira de Berenice, Inominata, Cassiopeia.
Adelaide hoje apenas substantivo próprio feminino.
Os epitáfios também se apagam, bem sei.
Mais lentamente, porém, do que as reminiscências
Na carne, menos inviolável do que a pedra dos túmulos.
Petrópolis, 28.2.1953
Manuel Bandeira (1886-1968) foi crítico literário e de arte, tradutor, poeta e professor
Escrever crônicas é um exercício diário. É como andar de bicicleta, se parar, cai, disse-me Inácio Augusto de Almeida, certa vez. Observar o cotidiano das pessoas; os pormenores da vida, aquilo que poucos conseguem enxergar, é o que fazem os cronistas. Eles mergulham nos sentimentos, trazendo à tona as lembranças; as saudades.
Antônio Maria, Ary Barroso, Vinícius de Moraes, Isaac Zuchman, Paulo Mendes Campos em noite carioca, claro (Foto da Revista Manchete)
Leio muitas crônicas, apreciando os grandes cronistas deste país. Rubem Braga, Rachel de Queiroz, Stanislaw Ponte Preta, Clarice Lispector, entre outros, inspiram-me.
Leio, ainda, Antônio Maria, “o bom Maria”, como chamava Vinicius de Moraes. No livro Vento Vadio, uma antologia com suas crônicas, Maria nos mostra toda a sua genialidade e, ao mesmo tempo, simplicidade, pois escreve fácil, fazendo-se entender.
Antônio Maria Araújo de Moraes nasceu em 1921, em Pernambuco. Era de família de posses. Seu avô, Rodolpho Albuquerque de Araújo, era dono de usina de cana-de-açúcar. Em suas crônicas, Maria resgatava a sua infância nos engenhos da família, juntamente com seus quatro irmãos e mais de quinze primos.
Narrava as suas aventuras, nas quais entrava mata a dentro, espiando as mulheres tomando banho nos rios. Falava do medo de assombrações; da solidão que marcou a sua vida.
Com a decadência dos negócios da família, aos treze anos iniciou a sua carreira profissional como locutor de rádio, em Recife. Em 1948 foi morar no Rio de Janeiro, onde escreveu crônicas na Revista Manchete, O Cruzeiro, O Jornal, O Globo, Última Hora e Diário Carioca.
Boêmio, gostava da noite. Muitas de suas crônicas foram inspiradas nas madrugadas insones. De acordo com Guilherme Tauil, “Antônio Maria foi, de longe, o maior cronista da noite. Afinal, todos os infortúnios se acumulam e se liquidam nos balcões de bar e nas pistas das boates. A noite pede o ombro amigo, o conselho. A noite pede a união das pessoas em torno da mesa, a cantoria. A noite abriga os solitários e proporciona remédio”.
Para entregar as crônicas no prazo exigido pelos jornais, levava a máquina de datilografia pra lá e pra cá.
Numa de suas aventuras, Maria teve um intenso e breve relacionamento amoroso com Danuza Leão, que largou o poderoso Samuel Wainer, do Última Hora, para ficar com ele, que também se separou de sua mulher.
Ele foi, também, compositor dos bons. Em parcerias, compôs Manhã de Carnaval, Ninguém me ama, Suas mãos, O amor e a rosa, Menino grande e outras belas canções. Além disso, apresentava televisão, escrevia roteiros de humor, conduzia programas na rádio, dirigia espetáculos de casas noturnas.
Ao escrever crônicas, derretia-se em sentimentos: “voltaram as chuvas e, com elas, o jardim ficou, de repente, antigo. Antigo e bom para mim, porque todas as coisas antigas foram boas para mim. Ou, se não foram, o tempo as passou a limpo”.
Na madrugada de 15 de outubro de 1964, o cronista-boêmio teve um infarto fulminante, numa calçada em Copacabana, aos 43 anos. Estava na farra, curtindo a noite, pra variar.
Mas, para o nosso deleite, a sua obra permanece.
O “Menino grande” é eterno.
Odemirton Filho é bacharel em Direito e oficial de Justiça
Morreu, nesta quarta-feira (22), o cantor e compositor Paulo Diniz, autor de músicas como “Pingos de Amor” e “Bahia Comigo” (veja vídeo acima). Pernambucano de Pesqueira, no Agreste, o artista faleceu em casa, no bairro de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife.
Paulo Diniz em capa de disco nos anos 70 (Reprodução)
De acordo com a produção de Paulo Diniz, a morte ocorreu por volta das 7h, em decorrência de causas naturais. O velório e enterro serão restritos para amigos e familiares e estão previstos para ocorrer na quinta-feira, às 10h. O local não foi divulgado.
Paulo Lira de Oliveira, nome de batismo de Paulo Diniz, deixou uma filha, duas enteadas e a esposa, Iluminata Rangel, além de três netos e dois bisnetos. Ele nasceu em Pesqueira, no dia 24 de janeiro de 1940.
O artista fez sucesso principalmente nos anos 1970, época em que morava no Rio de Janeiro, e onde compôs e lançou alguns de suas obras mais conhecidas. “Pingos de Amor”, lançada em 1971, chegou a ser regravada por diversos artistas, incluindo Paula Toller, do Kid Abelha, em 2000.
Um chope pra distrair
Paulo Diniz tinha 56 anos de carreira. Mudou-se para o Rio de Janeiro nos anos 1960, para trabalhar no rádio. Seu maior sucesso, “Pingos de Amor”, foi composto em parceria com o compositor Odibar, um grande parceiro de sua carreira.
“Pingos de Amor”, “O meu amor chorou”, “Capim da Lagoa”, “Um Chope pra Distrair”, “E agora José”, “Quero Voltar pra Bahia” e “Piri Piri”, entre muitos outros, fizeram parte de sua trilha de sucessos.
Marco Maciel exerceu vários mandatos importantes em sua carreira política (Foto: arquivo/Senado)
Do G1
Morreu, na madrugada deste sábado (12), o ex-vice-presidente da República Marco Maciel. Segundo familiares, ele estava internado em um hospital particular do Distrito Federal desde o dia 29 de março. O G1 tenta confirmar a causa da morte.
O velório, fechado para parentes e amigos, será na tarde deste sábado, no Senado Federal. O sepultamento está previsto para o fim do dia, no cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul.
Antes de se tornar político, Maciel atuou como advogado. Depois, foi eleito para os cargos de deputado e federal, senador e governador de Pernambuco. Ele exerceu o mandato de vice-presidente durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, de 1995 a 2003.
Em 2014, Maciel foi diagnosticado com mal de Alzheimer – doença progressiva que destrói a memória e outras funções mentais importantes.
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Recebemos a notícia do falecimento à noite dessa terça-feira (4) em Natal, do professor Rinaldo Barros, 74.
O velório ocorre no Morada da Paz em Emaús. Missa de Corpo Presente às 15h e sepultamento em seguida.
Conhecíamos Rinaldo há mais de 30 anos, dos tempos ainda do jornal Gazeta do Oeste em Mossoró, ele na docência na Universidade do Estado do RN (UERN).
Pernambucano de origem, professor e sociólogo, ele enfrentava o câncer.
Política
Egresso de família humilde, muito jovem adotou o RN como seu lar. Chegou ao estado em meio à militância estudantil, sendo um dos presos políticos da época.
Foi um dos fundadores do PSB no RN, seguindo por muitos anos a falecida ex-governadora Wilma de Faria.
Em Natal, Rinaldo Barros foi titular das pastas da Educação e Administração, além de presidir a Fundação Capitania das Artes (FUNCARTE).
Que descanse em paz.
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