Arquivo da tag: Praça do Codó

Sob o sol saariano de Mossoró…

Casal deitado na Praça Bento Praxedes , Praça do Relógio, Praça do Codó, Casal deitado sobre colchão em plena praça, às 11h20, dia 6 de maio de 2024Sem nenhum incômodo com o sol saariano de Mossoró, às 11h20 desta segunda-feira (6), casal dorme sossegadamente sobre um colchão na Praça Bento Praxedes, também conhecida como “Praça do Relógio” e “Praça do Codó” (depois contaremos o porquê desse batismo).

E assim caminha a humanidade mossoroense…

*Foto cedida pela webleitora Maria Oliveira.

As minhas lembranças

Por Odemirton Filho 

Ilustração da Freepik
Ilustração da Freepik

Lembranças vêm à memória.

Ao lado de amigos eu brincava na calçada do Cine Caiçara, uma vez que a lateral do antigo cinema ficava na rua Tiradentes, pertinho da minha casa. Víamos os cartazes anunciando os filmes para maiores de dezoito anos; e sonhávamos em “ficar de maior”.

A Rádio Difusora ficava ao lado do Caiçara, entrando-se por um “bequinho”; já o prédio da Rádio Libertadora ficava vizinho ao casarão de seu Dix-Neuf e dona Odete Rosado, um endereço histórico conhecido como o “Catetinho”, por ter recebido o então presidente Getúlio Vargas.

O mundo da minha infância e juventude foi vivido naqueles arredores; a praça do Codó, o Caiçara, o Cine Pax, a padaria de meu pai, a Igreja de São Vicente. Isso, lá pelo início dos anos oitenta.

Não, não se trata de querer viver de saudosismo, pois cada época de nossa vida tem momentos felizes e tristes. É piegas escrever sobre? Pode ser. Mas é a história da minha vida; minha, tão minha.

Sem esquecer que o domingo é um dia para as pessoas lerem artigos e crônicas leves, suavizando o fardo do dia a dia, como diz o meu nobre editor.

Pois bem, jogávamos bola na rua Francisco Ramalho, passeávamos de bicicleta no patamar da Igreja de São Vicente e na praça do Codó. Assistíamos a filmes no Caiçara, no Pax e no Cine Cid; os famosos vesperais. Na calçada lateral do Cine Pax, ficavam uns carrinhos, onde comprávamos revistas novas e usadas.

Nem imaginávamos que, um dia, teríamos internet, redes sociais, celulares, tablets e computadores. Ter um telefone fixo já era um luxo. E caro.

O mês de dezembro me faz lembrar de quando ouvíamos os sinos da Catedral anunciando à Festa da nossa padroeira. Após as novenas, uma ruma de gente ficava andando pra lá e pra cá, pois havia várias barracas.

Íamos também para a casa de algum conhecido para as famosas “festas americanas”, ao som das deliciosas músicas dos anos oitenta, tocadas numa radiola com discos de vinil.

Aqui, permitam-me citar o cronista Braz Chediak num de seus belos textos: “pertenço a um tempo que enriqueceu a música brasileira, por isso, quero, um dia, sentar com o meu neto e dizer-lhe o tema de cada música que ouvimos juntos, de cada amigo, de cada viagem, física ou não. Assim, em alguma noite, ele ouça uma música vinda de uma vizinha qualquer, e se lembre deste seu avô, contando-lhe de suas aventuras e de tudo o que lhe ofereceu a vida”.

Os mais jovens devem perguntar: como vocês se divertiam naquele tempo sem o mundo virtual?

Respondo: quem viveu o ontem, decerto traz da sua infância e juventude algumas lembranças. Quem vive o hoje, no futuro lembrará de doces momentos. Porém, creio que não existe um tempo melhor ou pior. Existe o tempo de cada pessoa, com seus sonhos e decepções.

Sim, eu sei que alguns fatos aqui descritos já narrei em crônicas pretéritas. Mas, vez ou outra, lembranças vêm à minha memória.

Lembranças da primavera dos meus dias.

Odemirton Filho é bacharel em Direito e oficial de Justiça

Mary Cantídio, símbolo da distinção das grandes damas de Mossoró

Por Honório de Medeiros

Com o falecimento de Mary Cantídio, perdemos um símbolo da distinção que caracterizava as grandes damas da antiga Mossoró.

Mary Cantídio: boas lembranças (Foto: redes sociais)
Mary Cantídio: boas lembranças (Foto: redes sociais)

Elegante, discreta, requintada, Mary foi casada com Aldo Fernandes, primo “legítimo” – como dizemos por aqui – de minha mãe, o filho caçula de Ezequiel Fernandes, grande condutor de Alfredo Fernandes e Cia. Ltda., nos áureos tempos da riqueza que o algodão proporcionou.

Mary Cantídio e Aldo estão em minhas mais antigas lembranças de menino adolescente atrevido, sempre carinhosamente recebido na residência deles, quando voltava da missa dominical na Catedral de Mossoró. Ambos, sentados em cadeiras de palhinha Gerdau, tomando o frescor da noite na entrada da casa que possuíam em frente à lateral da Praça do Codó, vizinha a de Dix-neuf Rosado, simpaticamente me acolhiam para alguns dedos de prosa.

Conversávamos basicamente acerca de livros: Aldo, amante da leitura, teve, inclusive, uma plaquete publicada pela Coleção Mossoroense, que eu já tentei localizar, mas não consegui. De Mary, não esqueço os livros de M. Delly, paixão de minha mãe, que com ela se abastecia regularmente em visitas semanais em minha companhia.

Nos veraneios em Tibau do Norte, para chegarmos à praia, nós, os primos que lotávamos a casa de Tio Chico Sena, tínhamos que passar por entre as casas de Aldo e Mary e a de Seu João Cantídio, pai dela, onde Coconha, seu irmão, viveu até a morte.

Sempre havia tempo e gentileza para acolherem uma ou outra palavra do menino atrevido. A distinção característica de Mary é algo que o tempo está levando, portanto rara, atualmente. Está circunscrita a uma época que desaparece lentamente, consumida pela vulgaridade, a falta de educação, a sofisticação vazia baseada em consumo desenfreado.

Dizem alguns que é assim porque houve uma democratização nos costumes. Que a realidade, hoje, é outra. Pode ser. Se assim o é, para mim faz muito sentido dizer “Oh tempos!; Oh costumes!”, parodiando Cícero, em seu discurso no Senado, nas célebres Catilinárias.

Concordo com ele, e, pelo meu lado, lamento muito o falecimento de Mary Cantídio neste sábado (24), em Mossoró, símbolo de uma época na qual a elegância era uma condição natural.

Acompanhe o Canal BCS (Blog Carlos Santos) pelo Twitter AQUI, Instagram AQUI, Facebook AQUI e YouTube AQUI.

Figuras humanas de Mossoró

Por Odemirton Filho

“Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós”.(Antoine de Saint Exupéry)

Quando era adolescente costumava ir à praça Bento Praxedes, por trás do antigo Cine Pax, pois era próximo a minha casa. Por lá, muitos jovens, como eu. Íamos brincar e jogar conversa fora.

A praça Bento Praxedes, para quem não sabe, é a Praça do Codó ou do Relógio. Para mim, sempre será a Praça do Codó.

Com o recente falecimento de Tarcísio Alves, lembrei-me de algumas pessoas. Tarcísio sempre “pintava” pela praça. Era bastante conhecido.

Além dele, vieram-me à mente outras figuras humanas que marcaram minha geração e, com certeza, a de outras pessoas.Era comum, após o término da sessão dos filmes de caratê, os meninos saírem dando “socos” no ar, imitando Bruce Lee. Comigo não foi diferente.

Lembro-me de “Shaolin” (acho que era esse o apelido) que trabalhava ou sempre ficava pelos arredores do Cine Pax. Um dia, “Shaolin” me deu um golpe nas costas, pois não era de aguentar brincadeira de menino metido a lutador.

Havia um senhor que sempre se fazia presente nas festas de aniversário ou casamento, muitas vezes sem ser convidado, e, ao chegar, dizia solenemente: “vim prestigiar”. Era William Gurgel, conhecido por todos e curtia a festa como os outros convidados

Me lembro, ainda, de Murilo Ludgero, sempre vestido com roupas brancas, homem fervoroso na fé, que sempre me perguntava se eu já tinha ido à missa e feito o sinal da cruz ao passar em frente à Catedral.

Zé Maria da banca de jornal, que adorava falar sobre política e futebol. Ele às vezes se exaltava, ficava “brabo”, mas logo a conversa continuava.

Tinha um rapaz que era apaixonado por fusca – César. Eu tive um fusca. Um dia, para meu azar, ele o “pegou”. Coitado do fusquinha.

Existia, de igual modo, um senhor que acompanhava todos os enterros da cidade. Morreu alguém? Podia apostar, o senhor estaria presente.

No dia de finados ou na procissão de Santa Luzia quem não ouviu a pregação de um senhor vestido com um hábito de Franciscano? Ou a voz de Monsenhor Américo: “Mossoró com alegria, saúda Santa Luzia”!

A hora da coalhada, programa de Seu Mané, na Rádio Rural, quem escutou? E Erasmo fotógrafo, quem bateu uma “chapa” com ele?

Após as festas, ir à Cobal lanchar em Zé Leão ou na lanchonete de Zecão, que ficava no alto de São Manoel. Comer uma panelada, lá em Neto, no Mercado Central.

Quem já não viu “Paulo doido” andando pra lá e pra cá pelas ruas de Mossoró?

Pois é. Toda cidade tem as suas figuras humanas. Pessoas simples que ilustram a cena urbana e que merecem respeito. As que mencionei são, apenas, algumas. O amigo leitor, sem dúvida, conhece outras que marcaram sua geração.

Enfim, não quis dizer que essas pessoas fazem parte da geografia humana e da história de Mossoró.

Seria um clichê.

Odemirton Filho é bacharel em Direito e oficial de Justiça

Adeus, Tarcísio!

Tarcísio: despedida (Foto: Web)

Soube nesse domingo (2), do falecimento por causa natural no dia passado (sábado, 1º), de Tarcísio Alves.

Era uma figura popular que desde muito jovem conviveu com gerações de mossoroenses que chegaram à idade adulta.

A velha Praça Bento Praxedes (Praça do Codó) no centro da cidade era o microcosmo – mundo pequeno – de todos e, também, de Tarcísio.

Foram crianças e adolescentes que cresceram, mas que não viram Tarcísio envelhecer.

Foi até o fim um infante querido, como personagem saído da Terra do Nunca.

Adeus, Tarcísio!

* INSCREVA-SE em nosso canal no Youtube (AQUI) para avançarmos projeto jornalístico.

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo  TwitteAQUIInstagram AQUIFacebook AQUIYoutube AQUI.

“Caminhada Histórica de Mossoró” vai acontecer no sábado

Um expressivo número de pessoas deverá participar do projeto “Caminhada Histórica de Mossoró – História e Cultura, Passo a Passo”, no próximo sábado (11). Começará às 15 horas, na Praça do Museu Municipal Lauro da Escóssia, centro.

Podem participar pessoas de todas as idades, interessadas em conhecer um pouco mais da história dos monumentos da cidade.

Praça Vigário Antônio Joaquim quando tinha conservação (Foto: não identificada na Web)

A Caminhada irá percorrer os 17 monumentos históricos que compõem o corredor cultural da cidade, até chegar a Estação das Artes Eliseu Ventania, passando pela Loja Maçônica “24 de junho”, Praça da Redenção “Dorian Jorge Freire”, Estátua da Liberdade, Prédio da União Caixeiral, Praça Vigário Antônio Joaquim, Monumento ao Governador Dix-Sept Rosado Maia, Catedral de Santa Luzia, Largo Monsenhor Huberto Bruening, Câmara Municipal de Mossoró, Praça Rodolfo Fernandes, Praça do Codó, Capela de São Vicente, Palácio da Resistência, Memorial da Resistência, Teatro Dix-huit Rosado e Estação das Artes Eliseu Ventania.

A Caminhada foi inspirada em pesquisa histórica dos monumentos que compõem o percurso realizada pelo historiador Geraldo Maia.

Em todo o percurso será explicado aos participantes, a importância histórica de cada monumento, constituindo-se assim, em uma grande aula de história ao ar livre.

A Caminhada Histórica de Mossoró 2017 é uma iniciativa do GEPHAM, Grupo de Estudos do Patrimônio Histórico Arquitetônico de Mossoró, estando à frente o professor de História da Arte Thalles Chaves Costa e o também professor e arquiteto Alexandre Lopes, além dos Estudantes de Arquitetura que compõe o Grupo de Pesquisa e da Universidade Potiguar (UnP).

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo Twitter clicando AQUI.

Prefeitura promete reformas e esquece Pça. Bento Praxedes

A Prefeitura de Mossoró realiza, no próximo dia 28, licitação para contratação de empresa para executar serviços de recuperação de várias praças públicas. A chamada pública consta no Jornal Oficial do Município (JOM) do dia 8 de setembro.

Praça Bento Praxedes, no centro da cidade, é uma das mais sofridas e seguirá esquecida em sua sujeira (Foto: Blog CS)

O processo licitatório conta com quatro lotes e contempla serviço de acessibilidade e manutenção da Praça Vigário Antônio Joaquim, localizada à Avenida Dix-sept Rosado, Centro; reforma e manutenção da Praça Raimundo Figueiredo Araújo, localizada à Rua Frei Damião, Conjunto Walfredo Gurgel;  reforma e manutenção da Praça São Vicente, localizada à Avenida Alberto Maranhão, Centro; e ainda reforma e manutenção da Praça Rodolfo Fernandes, localizada à Rua Coronel Gurgel, Centro.

No dia anterior, em 27 de setembro, a Prefeitura de Mossoró também realizará licitação para restauração e manutenção do canteiro central localizado na Avenida Augusto Severo, no Centro.

A contratação desses serviços faz parte do planejamento da Prefeitura de Mossoró para melhoria da infraestrutura e condições dos equipamentos municipais. A previsão é que até o fim do ano 35 obras estejam em andamento na cidade.

Com informações da Prefeitura Municipal de Mossoró.

Nota do Blog – A Praça Bento Praxedes, que há décadas é conhecida como Praça do Codó e há poucos anos incorporou também o apelido de “Praça do Relógio”, foi esquecida. Na verdade, esquecida está há tempos.

O Blog Carlos Santos já mostrou o quadro de abandono dia 25 de abril último. Fez o alerta, a municipalidade entendeu nossa preocupação, fez uma limpeza meia-boca, mas o quadro retornou logo à realidade que a foto constante na postagem mostra.

Desprezo demais. Passará a ser chamada também como “Praça do Desprezo!”

Leia também: Praça Bento Praxedes se transforma num piscinão fétido AQUI;

Leia também: Após alerta do Blog Carlos Santos, Prefeitura recuperará praças AQUI.

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo Twitter clicando AQUI.

Praça Bento Praxedes se transforma num piscinão fétido

A situação em que se encontra a Praça Vigário Antônio Joaquim, no centro de Mossoró, que o Blog Carlos Santos mostrou parcialmente no dia passado (veja AQUI), não é algo isolado nessa região central da urbe. Há outros casos igualmente repugnantes.

Enfim, outro documento irrefutável que aponta claro desleixo com a coisa pública.

Cenário na Praça Bento Praxedes é parecido com a Vigário Antônio Joaquim, centro da cidade (Fotos: Blog Carlos Santos)

A Praça Bento Praxedes, também conhecida como “Praça do Codó” e nos últimos anos também agregando o epíteto de “Praça do Relógio, reitera a tese de que não faltam recursos para manutenção desses equipamentos públicos, mas zelo.

Inexiste um pingo de respeito pelo contribuinte. Estamos diante da ausência absoluta de iniciativa da municipalidade para pelo menos limpar tamanha sujeira, em nome da saúde pública.

“Fonte”

A Bento Praxedes tem água jorrando no leito da rua e sobre a calçada. Também há água estagnada e fétida na outrora “fonte”, transformada num piscinão imundo.

À noite, a iluminação deficiente colabora para a insegurança. Não há policiamento ou guarda municipal para salvaguardar o patrimônio.

Seu processo de deterioração física também é avançado, num empreendimento reinaugurado em dezembro de 2011 (gestão Fafá Rosado-DEM, hoje no PMDB).

Pobre Mossoró!

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo Twitter clicando AQUI.