A propaganda institucional virou vilã, uma vilã a mais, nesses tempos de crise na administração estadual. Na verdade, uma vilã também escolhida como tal nos mais diversos municípios do Rio Grande do Norte.
Num momento em que os principais serviços prestados à sociedade não funcionam, como Saúde, Educação e Segurança Pública, alguém – ou algo – termina “pagando o pato”. Vai pro cadafalso.
Multidões são açuladas contra o dever do ente público de informar, em nome de uma espécie de “Santa Inquisição”, suposta cruzada cívico-moralista.
Como é comum à toda unanimidade, a qualquer generalização, temos excessos e distorções nessa celeuma.
O pecado não é investir na publicização dos atos, fatos, serviços e obras públicos. Gravíssimo é transformar o dever constitucional da divulgação, em instrumento de chantagem, manipulação ou asfixia da imprensa.
Criminoso é que os recursos destinados à propaganda sejam bem maiores do que à saúde, por exemplo.
Lamentável e ilegal, é o uso da verba publicitária à promoção pessoal, personalista e com fins eleitoreiros que praticamente todos, isso mesmo, todos os agentes públicos executivos levam a termo.
É importante salientar nessa abordagem, que as agências de publicidade e propaganda, habilitadas à produção do serviço, costumeiramente são içadas e apedrejadas como espectros do mal. Elas abocanhariam fortunas, serviriam para desvio de dinheiro público e enriquecimento ilícito.
De novo, a generalização pecaminosa. Mais uma vez, a unanimidade burra.
O que particularmente acontece com o Governo do Estado, gestão Rosalba Ciarlini (DEM), não é culpa das agências de propaganda e dos veículos que divulgam as peças de informação do interesse governista. O que é cruel, é a inversão de papeis e valores.
O Governo, em três anos consecutivos, despejou milhões a mais na promoção de sua imagem, deixando a Saúde Pública com investimento bem menor.
A culpa dessa preferência e prioridade não é da propaganda. É da mentalidade ególatra e politiqueiras dos inquilinos do poder. Quem precisa ser “apedrejada”, se for o caso, é essa corriola irresponsável, cínica e insensível.
A vilania está nessa postura e não na necessidade e dever de publicização de atos, fatos, serviços e obras do ente público.
Qualquer outra interpretação, sem levarmos em contas esses aspectos, cai no lugar-comum da histeria e revolta da boca para fora.
Ah, um detalhe: o Blog não tem qualquer agência com conta do Governo do Estado ou espaço comercialmente pago para seu uso.
A análise e opinião partem do princípio da razoabilidade e de amplo conhecimento quanto à natureza dessa relação entre propaganda-poder público-cidadão.