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Popularidade jurídica

Por Marcelo Alves

Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS
Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Estes dias, na Internet, vi resultados de pesquisas de avaliação da imagem/desempenho do nosso Supremo Tribunal Federal perante os vários atores da cena política nacional.

Primeiramente, chamaram-me a atenção os resultados do trabalho realizado pela Futura Inteligência, ouvindo 1 mil pessoas país afora, entre os dias 19 e 22 de março, publicados no site da CNN Brasil: “são 52,6% que veem a Suprema Corte de forma negativa. Já 26,8% dizem ser ótimo ou bom. Outros 20,2% avaliam como regular. Não sabe ou não respondeu ficou em 0,4%”.

Dá para notar algumas coisas desses números. Esse “não sabe” de apenas 0,4% mostra que o nosso STF é hoje mais conhecido do que a seleção brasileira. E que, pela avaliação negativa com praticamente o dobro da positiva, o STF não está bem na fita para com a população em geral (registrando, entretanto, que há um movimento politicamente direcionado para isso).

Não desconheço que a legitimidade do Poder Judiciário, e de uma corte suprema/constitucional em particular, está relacionada à aceitação de suas decisões pela opinião pública. Há até quem identifique – erroneamente, frise-se – uma coisa com a outra. De fato, não é saudável essa “impopularidade” do STF, muitas vezes fomentada e ilegalmente barulhenta e violenta. Essa constatação, todavia, demanda uma análise da complementaridade entre a democracia e o Estado de Direito. Se a democracia é o governo da maioria, o Estado de Direito consagra a supremacia da Constituição e das leis do país e o respeito aos direitos fundamentais.

A regra da maioria ou da democracia só se legitima se respeitados, na forma da lei e da Constituição, mesmo em desfavor da turba, os direitos de todos, inclusive os das minorias. Em condições normais de temperatura e pressão, o STF é sobretudo um poder contramajoritário, que atua para defender os direitos fundamentais e as minorias mesmo contrariamente à vontade da maioria. Isso deve se dar no Brasil, nos Estados Unidos da América ou em qualquer outra democracia civilizada.

Chamou-me também a atenção uma pesquisa, feita pelo Ranking dos Políticos (uma iniciativa que visa avaliar o desempenho dos nossos congressistas), que li no Correio Brasiliense, aqui mais pelo resultado, para mim inesperado: “Avaliação do STF piora entre deputados, mas melhora com senadores”.

Segundo publicado no Correio, “a pesquisa mostra que 55,9% dos deputados consideram a atuação dos ministros ruim/péssima, um aumento de 1% em relação a 2024. Já no Senado, a percepção negativa sobre os ministros do STF caiu 4,4%, de 42,9% para 38,5%. A avaliação positiva caiu 12,6% na Câmara, atingindo 20,7%, e no Senado, aumentou 9%, chegando aos 42,3%. Sobre a invasão de competências pelo STF, 48,6% dos deputados acreditam que a Suprema Corte invade usualmente, e 31,6%, que a invasão ocorre ocasionalmente.

Entre os senadores, essa percepção é de 42,3% usualmente, e 34,6%, ocasionalmente”. E essa alegada “invasão” das competências do Poder Legislativo pelo Poder Judiciário cria uma onda para fazer avançar projetos de lei que revisariam as prerrogativas do STF. Isso, claro, feito no calor da política, não é bom. Sobretudo vindo de onde está vindo. Essas coisas às vezes a gente até sabe como começam, mas não sabe como terminam.

É fato que a aceitação da atividade judicial – e, em especial, das decisões de uma corte suprema – pelos demais Poderes do Estado é dado fundamental para avaliar o bom funcionamento de um sistema jurídico. Mas não se deve decidir apenas com o propósito de agradar os demais Poderes. Se assim fosse, não teríamos, desde o caso Marbury v. Madison 5 US 137, 1 Cranch 137, 2 L.Ed. 60 (1803), o “judicial review of the constitutionality of the legislation”. O reconhecimento e a aceitação da atividade judicial pelos demais Poderes deve ser natural e progressiva, mesmo havendo, como é normal na história, alguns momentos de crise.

Ao fim, a maior legitimidade do STF virá naturalmente se houver a obediência a determinados valores (estabilidade, previsibilidade, igualdade e celeridade), o respeito a uma teoria de precedentes e com a expressa fundamentação das suas decisões na Constituição e nas leis do país, fornecendo-nos, assim, uma Justiça verdadeiramente legítima e consensual. Espero que isso se dê – ou continue se dando – no Brasil.

Marcelo Alves Dias de Souza é procurador Regional da República, doutor em Direito (PhD in Law) pelo King’s College London – KCL e membro da Academia Norte-rio-grandense de Letras – ANRL

Lula terá indicado quase um STF inteiro ao final do 3º mandato

Do Poder 360

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é o chefe do Executivo que mais indicou nomes ao STF (Supremo Tribunal Federal) desde o fim da ditadura militar no Brasil (1964-1985). Até hoje, 8 ministros que passaram pela Corte ou fazem parte da atual composição foram nomeados pelo petista, e ao fim de seu 3º mandato, outros 2 nomes serão conduzidos por ele.

Presidente Lula deverá indicar Zanini para primeira vaga (Foto: Sérgio Lima/Poder360 02.mar.2023)
Presidente Lula deverá indicar Zanin para primeira vaga (Foto: Sérgio Lima/Poder360)

Lula substituirá em breve um dos seus indicados, o ministro Ricardo Lewandowski.

O magistrado antecipou a sua aposentadoria em cerca de um mês e deixa a Corte em 11 de abril. O anúncio do sucessor deve vir apenas depois da saída oficial de Lewandowski, mas o nome do advogado que defendeu o presidente na Operação Lava Jato, Cristiano Zanin, de 47 anos, tem se consolidado.

Além dele, o advogado Manoel Carlos de Almeida Neto, de 43 anos, também surgiu como um dos favoritos. Ele trabalhou no gabinete de Lewandowski. Mas há cerca de 10 dias, um gesto de Manoel Carlos foi notado – o advogado estava entre os mais de 200 que assinaram uma carta de apoio a Zanin, em iniciativa do grupo Prerrogativas, por ataques pessoais que recebeu.

O 10º ministro — ou ministra — que Lula indicará vai substituir a atual presidente da Corte, Rosa Weber, que completa 75 anos e em 2 de outubro e se aposenta compulsoriamente.

Com a saída de Lewandowski, houve uma pressão de partidos e movimentos de esquerda para que uma mulher negra fosse indicada. O Ministro Edson Fachin chegou a mencionar a possibilidade em plenário, mas esse nome não foi levantado. Deve ser uma possibilidade mais viável no momento em que Rosa for substituída, quando a ministra Cármen Lúcia pode se tornar a única mulher da Corte.

Primeiro mandato

No 1º mandato de Lula, de 2003 a 2006, foram indicados os ministros Cezar Peluso, aos 60 anos; Carlos Ayres Britto, aos 60 anos; Joaquim Barbosa, aos 48 anos; Eros Grau, aos 63; Ricardo Lewandowski, aos 58; e Cármen Lúcia, aos 51. Em 2007, Lula indicou Menezes Direito (1942-2009), que morreu 2 anos depois de assumir o cargo na Corte. Lula o substituiu por Dias Toffoli, que à época, tinha 41 anos.

Todos tinham formação em Direito, à exceção de Lewandowski (bacharel em Ciências Políticas e Sociais e Ciências Jurídicas e Sociais) e Cezar Peluso (Ciências Jurídicas).

Outros 4 atuais magistrados foram indicados pela também ex-presidente Dilma Rousseff (PT): os ministros Luiz Fux, Roberto Barroso, Edson Fachin e Rosa Weber. Quando a ministra se aposentar em outubro, Roberto Barroso assumirá a presidência da Corte.

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STF cancela reunião com Bolsonaro, após ataques presidenciais

Do Canal Meio

Foi de surpresa. Ao encerrar na tarde de ontem a sessão no Supremo Tribunal Federal, o presidente da Corte, ministro Luiz Fux, fez um discurso duro, em tom ríspido e sem esconder a irritação, dirigido ao presidente Jair Bolsonaro. “O Presidente da República tem reiterado ofensas e ataques de inverdades a integrantes desta Corte, em especial os Ministros Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes”, afirmou.

Fux se pronunciou de forma contundente nessa quinta-feira (Reprodução BCS)
Fux se pronunciou de forma contundente nessa quinta-feira (Reprodução BCS)

“Além disso, Sua Excelência mantém a divulgação de interpretações equivocadas de decisões do Plenário, bem como insiste em colocar sob suspeição a higidez do processo eleitoral brasileiro.” Fux falou por alguns poucos minutos, não mais.

“Diante dessas circunstâncias, o Supremo Tribunal Federal informa que está cancelada a reunião outrora anunciada entre os Chefes de Poder, entre eles o Presidente da República. O pressuposto do diálogo entre os Poderes é o respeito mútuo entre as instituições e seus integrantes.” Assista à íntegra do discurso. (G1)

Ataque, resposta, recuo 

Na quarta-feira, Moraes aceitou a notícia-crime enviada pelo TSE, presidido por Barroso, e incluiu Bolsonaro no inquérito das fake news por conta de seus ataques infundados ao sistema de votação brasileiro. Ontem, Bolsonaro atacou Moraes dizendo que “a hora dele vai chegar”. (Poder360)

Em resposta, Bolsonaro vacilou no tom em sua live de quintas, que ficou por vezes na defensiva, noutras agressivo. “Daí vem a imprensa, imprensa esta que lamentavelmente o ministro Fux se alimenta dela para fazer uma nota. Ora, prezado ministro Fux, se o senhor se basear na imprensa brasileira, o senhor está desinformado.” (UOL)

Outra reunião: “Depois do pronunciamento em que cancelou a reunião entre os três Poderes, motivado pelos ataques de Jair Bolsonaro ao STF, Luiz Fux ligou para Augusto Aras (Procurador Geral da República) e marcou um encontro entre os dois para hoje. (Lauro Jardim, O Globo)

São três os assuntos: os ataques de Bolsonaro ao Supremo, os ataques de Bolsonaro ao Supremo e os ataques de Bolsonaro ao Supremo.”

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Rafael Motta defende reforma no sistema penitencial brasileiro

Investimento em polícias penais e em políticas de ressocialização foram destacadas por Motta (Foto: divulgação)
Investimento em polícias penais e em políticas de ressocialização foram destacadas por Motta (Foto: divulgação)

Durante audiência pública do Supremo Tribunal Federal (STF), o deputado federal Rafael Motta (PSB/RN) defendeu uma reforma ampla do sistema penitenciário brasileiro, de forma a combater a reincidência e a superlotação. O evento presidido pelo ministro Gilmar Mendes foi convocado para debater a fiscalização do sistema penitenciário, superlotação carcerária e a substituição da prisão preventiva pela domiciliar para mães e gestantes presas e responsáveis por pessoas com deficiência.

Na sua fala, Rafael afirmou que o fato de o Brasil ser o terceiro país com maior população carcerária do mundo com crescimento acelerado não é sinônimo de justiça, mas sim de que falhamos enquanto sociedade. O deputado destacou o impacto da criminalidade na juventude, que representa mais de 50% dos detentos.

Correções

“A aceitação do encarceramento dos jovens brasileiros é conformismo que subtrai a dignidade do trabalho de qualquer parlamentar. Se não existimos para correções e para a criação de oportunidades, fica posta em cheque a nossa necessidade enquanto mandatários a serviço deste país”, disse.

O deputado potiguar ainda ressaltou a necessidade de investimentos nas polícias penais e em políticas de ressocialização. Atualmente, o sistema penitenciário custa cerca de R$ 21 bilhões – quase um terço do que é investido em Educação.

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Desembargador tenta se salvar no Supremo

Por Dinarte Assunção

Caiu no colo do ministro Dias Toffoli o mandado de segurança que o desembargador Osvaldo Cruz impetrou no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o Conselho Nacional de Justiça.

Ao acusar o CNJ de ter exorbitado na decisão que culminou em seu afastamento do pleno do TJRN, o desembargador espera reverter a situação a seu favor.

Em tempo: o mesmo pedido foi formulado por Rafael Godeiro, também afastado, e negado pelo ministro relator Joaquim Barbosa.

Godeiro e Cruz são suspeitos de terem se beneficiado do festim praticado com dinheiro público do setor de precatórios.

Nota do Blog – Os dois desembargadores são acusados de rapinagem em esquema de precatórios no âmbito do TJRN.

DEM aciona governo contra IPI maior para automóveis

O Democratas encaminhou, nesta quinta-feira (22),  ao Supremo Tribunal Federal (SRF) uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) pedindo a suspensão imediata do decreto do governo federal, que determina o aumento do IPI para automóveis importados.

A medida prevê a cobrança sobre automóveis e caminhões que não tenham pelo menos 65% de conteúdo nacional, entre outros requisitos estabelecidos pelo decreto.

O partido alega que a medida vai contra a Constituição porque não poderia ter entrado em vigor antes de 90 dias, prazo previsto na alínea c, do inciso III do artigo 150. Segundo o presidente do Democratas, senador José Agripino, além de ferir a Constituição, a medida provocará um inconveniente “efeito colateral” que é a elevação dos preços do carro nacional.

“O governo está aplicando uma imediata sobretaxação que prejudicará a economia porque vai elevar o preço do carro brasileiro pela ausência da competição. Sem competição você tem um produto mais caro e quem paga o pato é o contribuinte”, afirma Agripino.

Com informação da Assessoria de Imprensa do DEM/Nacional