Está desvendado o assassinato brutal (veja AQUI) da psicóloga Fabiana Maia Veras, 45, ocorrido no fim da tarde passada em Assú. Certeira investigação da Polícia Civil identificou o serventuário do Tribunal de Justiça do RN (TJRN), João Batista de Carvalho Neto, 42, lotado em Natal, como autor do crime.
Ele foi preso no fim da manhã desta quarta-feira (24), ao chegar a um condomínio onde reside na capital do estado. A apuração do caso não está fechada. Suspeita-se que exista pelo menos mais uma pessoa envolvida, que teria dado apoio à fuga de João Batista.
O servidor público matou a psicóloga usando possivelmente uma faca, depois de imobilizá-la fisicamente, deixando-a com pulsos e outras partes do corpo com cortes, além de amordaçá-la.
No ato da prisão, João Batista tinha em seu carro uma pistola, uma faca e um soco inglês (peça de metal que se coloca entre os dedos para esmurrar com grande violência.
Motivação
O que levou João Batista a tamanha violência, pergunta-se. A primeira versão é de que Fabiana estaria interferindo, com opiniões que contrariavam-no, em conselhos a uma amiga que namorou com ele. O acusado pelo crime também teria problemas psiquiátricos.
Depois traremos mais detalhes com base em fontes oficiais e confiáveis.
O que é um “mártir”? Para os mais espiritualizados, a palavra remete aos sofrimentos dos santos católicos. Socorro-me do “Aurélio” (sempre a surrada edição de 1986), para saber o significado do vocábulo “mártir”: “pessoa que sofreu tormentos, torturas ou a morte por sustentar a fé cristã”; “pessoa que sofre tormentos ou a morte por causa de suas crenças ou opiniões”; “quem se sacrifica, sofre ou perde a vida por um trabalho, experiência etc”.
É por aqui que continuo a história do Procurador da República Pedro Jorge de Melo e Silva, assassinado, no e pelo exercício de suas funções, aos 35 anos de idade, em 3 de março de 1982, em Olinda/PE. Uma morte por causa de sua crença na justiça dos homens. Um sacrifício, com a perda da própria vida, por um trabalho, in casu no MPF e em prol do Estado brasileiro.
Esse martírio é assim resumido pelo memorial da Procuradoria-Geral da República: “Assassinato do Procurador da República Pedro Jorge de Melo e Silva – Escândalo da Mandioca 1982. Entre os anos de 1979 e 1981, na cidade de Floresta, em Pernambuco, militares, servidores públicos, empresários, entre outros, se passam por produtores rurais e conseguem empréstimos no Banco do Brasil para plantação de mandioca.
Em seguida, alegam que a seca tem destruído a plantação e recebem ainda o seguro agrícola. Esse esquema desvia o equivalente, nos dias atuais, a R$ 30 milhões de reais”. Nesse contexto, o Procurador Pedro Jorge denuncia o esquema. Logo após a denúncia, ele recebe ameaças e, sendo afastado do caso, é assassinado no fatídico 3 de março de 1982.
Foi um martírio ingênuo, dirão alguns. Ainda vivíamos, em 1982, a ditadura militar. Havia o envolvimento de militares no “Escândalo”. Em Pernambuco, Pedro Jorge não foi a única vítima, direta ou indireta, desse momento sombrio que passávamos (lembremos do Padre Henrique).
Era o tempo de resistência de Dom Helder Câmara, de Dom Basílio Penido, a quem Pedro Jorge, ex-seminarista, era muito ligado. Um tempo de perseguições, de torturas, de coturnos impunes. De mortes – leia-se assassinatos – dentro e fora da comunidade de Deus.
Prefiro dizer que foi um martírio consciente. Por uma vocação de procurar, sem titubear, o bem e a justiça. Pedro Jorge estava ciente dos riscos que corria. Os depoimentos dos contemporâneos – de Dom Antônio Fernando Saburido, do irmão Irineu Marinho, do Procurador Lineu Escorel Borges e da mãe de Pedro Jorge, entre outros – não deixam qualquer dúvida.
Dom Saburido, no documentário “Pedro Jorge: uma vida pela justiça” (2017) – veja AQUI, é direto: “ele estava consciente disso plenamente. Ele sabia dos riscos que ele estava correndo. Mas foi uma decisão pessoal. Pedro Jorge decidiu mesmo continuar. Ele não quis recuar em momento algum. Mas ele entendeu que aquela era a sua profissão, era a sua missão, e ele não poderia absolutamente facilitar a vida de pessoas que queriam fazer o mal, que estavam utilizando indevidamente recurso do povo”.
E o depoimento do irmão Irineu Marinho, reproduzindo diálogo com Pedro Jorge, mostra que o aparelho estatal, que tinha obrigação de dar proteção ao Procurador, estava corrompido à época: “Irineu, essas pessoas que estão me ameaçando, eles vão colocar como guardas pra mim, porque eles têm poder, eles penetram em todos os ambientes, eles vão colocar como guardas pra mim as pessoas que vão me matar. Então, eu prefiro morrer sem guarda, como um cidadão que está exposto à violência e à insegurança do país”.
O julgamento do homicídio de Pedro Jorge foi também um martírio. Como no “Escândalo da Mandioca”, forças se juntaram visando à impunidade. Marchas e contramarchas processuais. Mais intimidações. Uma sentença de impronúncia que se fez escândalo e fomentou justa e popular revolta.
Mas ainda havia juízes em Brasília. Júri popular. Apoio cidadão e da Igreja. Condenações. “Fugas” e mais fugas. Captura do mandante apenas em meados dos anos 1990. Cumprimento parcial da pena. Justiça tardia é meia justiça. Além de não ressuscitar o homem covardemente assassinado.
Lembremos, por fim, que, institucionalmente – e falo agora do Ministério Público Federal –, vivíamos, quando do assassinato de Pedro Jorge, uma época completamente diferente da de hoje. São dois MPFs, praticamente. O de então, de 1982 (e nos anos seguintes), rudimentar e sem proporcionar a segurança necessária aos seus membros; e o de hoje, que, muito em razão do martírio de Pedro Jorge, aprendeu duramente a lição.
E essa lição veio também em forma de homenagens. Mas isso já é outra história.
Marcelo Alves Dias de Souza é procurador Regional da República e doutor em Direito (PhD in Law) pelo King’s College London – KCL
No julgamento que começou na terça-feira (30) e durou três dias, terminando apenas na noite dessa quinta-feira (2), em Mossoró, houve condenação dos envolvidos na execução do policial penal federal Henri Charle Gama Silva, ocorrida dia 12 de abril de 2017. O julgamento foi na 8ª Vara Federal, tendo ocorrido no Fórum Desembargador Silveira Martins, da Justiça do RN.
policial penal federal Henri Charles teria sido vítima de um complô do PCC (Foto: divulgação)
O MPF foi representado pelos procuradores da República Emanuel Ferreira, Samir Nachef Júnior, Aldirla Albuquerque e Henrique Hahn de Menezes, no julgamento presidido pelo juiz federal Orlan Donato Rocha.
O Ministério Público Federal (MPF) obteve a condenação de três homens e duas mulheres: Eduardo Lapa dos Santos (24 anos e 9 meses de reclusão), Maria Cristina da Silva (20 anos de reclusão), Jailton Bastos de Souza (37 anos e 4 meses de reclusão), Gilvaneide Dias Mota Bastos (22 anos e 2 meses de reclusão) e Edmar Fudimoto (22 anos e 2 meses de reclusão).
A vítima trabalhava na Penitenciária Federal da cidade e foi um dos alvos de uma ordem emitida nacionalmente pelo Primeiro Comando da Capital (PCC).
Penas
Dos réus, todos foram considerados culpados do crime de homicídio duplamente qualificado e quatro deles por organização criminosa. Os cinco ainda poderão recorrer da sentença, mas foi mantida a prisão preventiva dos três homens, bem como a prisão domiciliar das duas mulheres.
Os dois homens considerados mentores intelectuais do crime foram condenados a 37 anos e quatro meses de reclusão, o primeiro, e 24 anos e nove meses de reclusão o segundo; enquanto um terceiro, que auxiliou o grupo na compra de uma casa próxima ao presídio federal, recebeu uma pena de 22 anos e dois meses de reclusão, a mesma aplicada a uma das mulheres que transmitia as ordens entre os envolvidos.
Já a quinta ré, que se infiltrou como empregada na residência da vítima, Maria Cristina da Silva, foi sentenciada a 20 anos de reclusão (ela foi absolvida pelo crime de organização criminosa).
Assassinato
Henri Charle se encontrava em um bar situado no bairro de Boa Vista, em Mossoró, próximo à sua residência, quando sofreu uma emboscada. Ele estava sentado em uma cadeira quando ouviu os disparos de arma de fogo. Tentou fugir, procurando abrigo por trás de um veículo estacionado no local. Porém, os executores conseguiram alcançá-lo e dispararam quatro tiros, sendo dois quando o policial já estava caído no chão.
A ordem previa a morte de dois agentes penitenciários em cada cidade onde se encontram os presídios federais. Além de Henri Charle, outros dois funcionários do sistema penitenciário, em Cascavel no Paraná, também foram assassinados.
Acompanhe o Canal BCS (Blog Carlos Santos) pelo Twitter AQUI, Instagram AQUI, Facebook AQUI e Youtube AQUI.
O juiz federal Orlan Donato Rocha, titular da 8ª Vara Federal no Rio Grande do Norte, agendou para o dia 30 de novembro o início do júri popular relativo ao assassinato do policial penal federal Henry Charles Gama e Silva. O crime ocorreu por volta de 16h do dia 12 de abril de 2017, em Mossoró.
policial penal federal Henry Charles teria sido vítima de um complô do PCC (Foto: divulgação)
Serão julgados Eduardo Lapa dos Santos, Maria Cristina da Silva, Jailton Bastos de Souza, Gilvaneide Dias Mota Bastos e Edmar Fudimoto.
No termo de audiência, realizada para definição de datas e detalhes do júri popular, o magistrado destacou que defesa e acusação poderão usar recursos audiovisuais em plenário.
Até o dia 7 de outubro será fixada a lista geral definitiva de jurados no mural eletrônico da Justiça Federal. Já no dia 9 de novembro acontecerá a audiência de sorteio dos 25 jurados titulares e suplentes que atuarão na sessão do júri.
A sessão de instrução e julgamento começará às 8h do dia 30 de novembro, no plenário de Justiça Estadual, em Mossoró.
O crime
Segundo denúncia do Ministério Público Federal (MPF), a morte de Henry Charles foi sob encomenda e execução da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Ocorreu num bar do bairro Boa Vista em Mossoró, quando a vítima estava despreocupadamente no local. Quatro homens armados pararam um carro e saíram atirando em sua direção, sem chances de defesa.
Em julho de 2017, a Polícia Federal desencadeou a Operação Força e União. Visava desarticular esquema para assassinato em série de policiais penais federais no país. A PF cumpriu mandados de prisão preventiva e coercitivas no RJ, São Paulo e RN (precisamente em Mossoró).
O agente Alex Belarmino Almeida Silva, em setembro de 2016, na cidade de Cascavel (PR), e Henry Charles Gama Filho, em abril de 2017, em Mossoró, chegaram a ser vítimas desse plano macabro de intimidação.
Após a morte de Henri Charle, o PCC matou outra funcionária do sistema penitenciário federal: a psicóloga Melissa de Almeida Filho, na cidade de Cascavel (PR).
Veja reportagem detalhando como planejamento e crime em Mossoró clicando AQUI.
Acompanhe o Canal BCS (Blog Carlos Santos)pelo Twitter AQUI, Instagram AQUI, Facebook AQUI e Youtube AQUI.
Só para deixar anotado: não caiu no esquecimento o assassinato do empresário e pré-candidato a prefeito de Janduís (região Oeste do RN), Raimundo Gonçalves de Lima Neto (Psol), 35, o “Neto de Nilton”, “Neto Gonçalves” ou “Netinho”.
O crime ocorreu no dia 11 de abril deste ano (veja AQUI e AQUI), na área rural de Campo Grande-RN.
A Divisão Especializada em Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Natal conduz a apuração do caso.
Daquele jeito mesmo: sem alardes.
Nada mais posso adiantar, apesar da vontade.
* INSCREVA-SE em nosso canal no Youtube (AQUI) para avançarmos projeto jornalístico.
Acompanhe oBlog Carlos Santos pelo Twitter AQUI, Instagram AQUI, Facebook AQUI e Youtube AQUI.
A Divisão Especializada em Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Natal deverá ficar à frente das investigações relativas ao assassinato do empresário e pré-candidato a prefeito de Janduís, Raimundo Gonçalves de Lima Neto, 35, mais conhecido como “Neto de Nilton,” “Neto Gonçalves” ou “Netinho”. O crime ocorreu no sábado (11), pela manhã (veja AQUI).
Raimundo Gonçalves de Lima Neto, 35 anos, foi morto em circunstâncias muito misteriosas (Foto: Web)
A vítima, filiada ao Psol, trafegava numa motocicleta em estrada carroçável na zona rural de Campo Grande, quando foi abordada por seus algozes. Informação preliminar aponta que seriam dois homens noutra moto.
Neto sofreu vários tiros, inclusive na cabeça. A princípio, o crime teria características de execução e não de latrocínio, por exemplo.
Apuração
Portaria publicada no Diário Oficial do Estado (DOE) desta quinta-feira (16) trata da questão, mas ainda sem assinalar que delegado especial ficará à frente das apurações.
O delegado da Polícia Civil titular de Campo Grande, que responde também pela cidade de Janduís, bacharel Verilton Carlos Barbosa Pereira, começou a apuração in loco com perícia feita no local do crime.
Em seguida, houve translado do corpo para o Instituto Técnico e Científico de Perícia (ITEP), em Mossoró, onde passou por necrópsia.
Acompanhe oBlog Carlos Santos pelo Twitter AQUI, Instagram AQUI, Facebook AQUI e Youtube AQUI.
O comerciante e pré-candidato a prefeito de Janduís (distante 105,5km de Mossoró e 300 para Natal), Neto Gonçalves (PSOL), foi assassinado a tiros à manhã deste sábado (11), em estrada carroçável no vizinho município de Campo Grande. Ele dirigia-se para uma propriedade rural que adquirira há pouco tempo – a Fazenda Estrela.
Segundo informações da Polícia Militar, o empresário Neto Gonçalves, mais conhecido como “Neto de Nilton,” ou “Netinho”, teria sido emboscado e morto a tiros por desconhecidos.
Não há informação mais segura – ou pelo menos de forma oficial – sobre motivação do crime, que até o momento tem sido um mistério, haja visto que a vítima era conhecido como pessoa sem problemas sociais e pessoais.
Política
Neto de Nilton era empresário do ramo da construção civil e era pré-candidato a prefeitura de Janduís pelo Psol, partido comandado na cidade pelo ex-prefeito Salomão Gurgel.
Seu corpo foi transportado para Mossoró, para ser necropsiado no Instituto Técnico e Científico de Perícia (ITEP).
Depois traremos maiores informações sobre o caso.
Acompanhe oBlog Carlos Santos pelo Twitter AQUI, Instagram AQUI, Facebook AQUI e Youtube AQUI.
Em depoimento inédito, o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, operador do caso que ficou conhecido como escândalo do “Mensalão”, afirma que o ex-presidente Lula da Silva (PT) deu aval para pagar a chantagista que iria apontá-lo como envolvido no assassinato do prefeito de Santo André (SP), Celso Daniel (PT).
Celso Daniel teria sido morto como queima de arquivo, em 2002 (Epitácio Pessoa-Estadão Conteúdo)
Em um depoimento ao Ministério Público de São Paulo, prestado no Departamento de Investigação de Homicídios de Minas Gerais, a que VEJA teve acesso, o Valério declarou ter ouvido do empresário Ronan Maria Pintoque o ex-presidente foi o mandante do assassinato.
Celso Daniel foi morto a tiros em meio a um nebuloso sequestro, em 2002.
Até hoje, a morte do prefeito é vista como um crime comum, sem motivação política, conforme conclusão da Polícia Civil. Apesar disso, o promotor Roberto Wider Filho, por considerar graves as informações colhidas, encaminhou o depoimento de Valério ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público, que o anexou a uma investigação sigilosa que está em curso.
O ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot revelou que planejou assassinar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes , em 2017.
Nos escaninhos do STF e PGR tem de tudo, menos o direito, como Mendes e Janot mostram (Foto: Ailton de Freitas/O Globo)
O episódio foi lembrado pelo próprio Janot em entrevistas publicadas nesta quinta-feira (26) pelos jornais “O Estado de S. Paulo”, “Folha de S.Paulo” e pela revista “Veja”.
Segundo relato à “Veja”, Janot chegou a engatilhar a arma, ficou a menos de dois metros do ministro, mas não conseguiu efetuar o disparo. O motivo da ira foi um ataque de Gilmar à filha do então procurador-geral. “Esse inspetor Javert da humanidade resolveu equilibrar o jogo envolvendo a minha filha indevidamente. Tudo na vida tem limite. Naquele dia, cheguei ao meu limite. Fui armado para o Supremo. Ia dar um tiro na cara dele e depois me suicidaria. Estava movido pela ira. Não havia escrito carta de despedida, não conseguia pensar em mais nada. Também não disse a ninguém o que eu pretendia fazer”, conta o ex-PGR (veja AQUI).
“Ajuda psiquiátrica”
Em resposta, nesta sexta-feira (27), o ministro Gilmar Mendes recomendou que Janot procure “ajuda psiquiátrica” (veja AQUI).
“Se a divergência com um ministro do Supremo o expôs a tais tentações tresloucadas, imagino como conduziu ações penais de pessoas que ministros do Supremo não eram. Afinal, certamente não tem medo de assassinar reputações quem confessa a intenção de assassinar um membro da Corte Constitucional do País. Recomendo que procure ajuda psiquiátrica”, diz trecho da nota divulgada por Mendes.
Nota do Blog – Nós, pobres cidadãos, mortais, a República e essa coisa que muitos tratam por democracia (erroneamente), está nas mãos de sujeitos desse nível.
Nos escaninhos entre PGR e STF têm de tudo, menos o direito. Eis aí dois jagunços: um, loquaz; outro, frouxo. Não servem para matar nem morrer. Mas servem a propósitos insondáveis.
A própria entrevista de Janot precisa ser melhor estudada. Tem caroço nesse angu. Ah, isso tem. Pode anotar.
Uma ação do Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN), com apoio da Polícia Militar, resultou na prisão do advogado Rivaldo Dantas de Farias, na manhã desta sexta-feira (5), em Caicó/RN. Ele é acusado de ser um dos mandantes do assassinato do radialista Francisco Gomes de Medeiros, o F. Gomes, executado em 2010 na cidade seridoense.
A prisão preventiva do advogado foi decretada pelo Juízo da 1ª Vara da Comarca de Natal, atendendo o pedido da 15ª Promotoria de Justiça.
O réu já foi denunciado pelo MPRN à Justiça pelo crime de homicídio, com três qualificadoras: motivo fútil, emboscada e morte mediante promessa de recompensa. Ele também já foi pronunciado em sentença e, em breve, será levado a Júri popular.
F. Gomes tinha 46 anos e trabalhava na Rádio Caicó AM. Foi assassinado na noite de 18 de outubro de 2010, deixando mulher e três filhos.
Ele foi atingido por três tiros de revólver na calçada de casa. Vizinhos ainda o socorreram ao Hospital Regional de Caicó, mas F. Gomes não resistiu aos ferimentos.
Acompanhe oBlog Carlos Santos pelo Twitter AQUI, InstagramAQUI, FacebookAQUI e Youtube AQUI.
No dia em que o principal acusado pela morte da universitária Zaira Dantas Silveira Cruz, 22, o policial militar Pedro Inácio de Maria foi preso em Currais Novos (veja AQUI), a mãe da vítima, Ozanete Dantas, teve um misto de sentimentos.
“Estou com o coração aliviado, porém muito triste, porque sei que minha filha não vem mais”, disse.
Em entrevista ao Sistema Rural de Comunicação, ela fez questão de reconhecer o esforço da Polícia na elucidação da morte de sua filha, ocorrida no dia 02 de março em Caicó.
Companhia
Para Ozanete, o único defeito de Zaira foi ter se envolvido com a pessoa errada, e procurou na entrevista desmentir muitas informações divulgadas, principalmente nas redes sociais, sobre a suposta conduta de sua filha no dia do crime.
“Minha filha não estava bêbada, não usava drogas, era doadora de sangue. Minha filha brincava como todo adolescente normal; apenas se envolveu com a pessoa errada. Como mãe, só tenho a agradecer a todos que se empenharam e dizer que a Justiça está sendo feita. Que ele pague pelo que fez e quando deitar a cabeça no travesseiro, que ele pense nas noites que passei sem dormir”, comentou.
Acompanhe oBlog Carlos Santos pelo Twitter AQUI, InstagramAQUI, FacebookAQUI e Youtube AQUI.
A prisão do italiano Cesare Battisti e a euforia do governo Bolsonaro em extraditá-lo imediatamente para a Itália, onde Battisti é condenado à prisão perpétua por quatro homicídios ocorridos durante a década de 70, coloca em evidência também outro caso de bastante repercussão no País: o destino do chileno Maurício Hernandez Norambuena, 60, condenado no Brasil pelo sequestro do publicitário Washington Olivetto, em 2002, e condenado à prisão perpétua no Chile por atos considerados terroristas na década de 90 (a autoria intelectual do assassinato do senador conservador Jaime Gúzman e o sequestro do empresário Christian Edwards).
Chileno Maurício Hernandez Norambuena está preso na Penitenciária Federal de Mossoró (Foto:reprodução)
Norambuena encontra-se recolhido no Presídio Federal de Mossoró, aguardando transferência para o sistema prisional paulista. Com sua extradição decretada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) desde 2004, o chileno continua em solo brasileiro por uma exigência da justiça brasileira não aceita pela justiça chilena: a comutação de sua pena no Chile (duas prisões perpétuas) a penas que, juntas, somem no máximo 30 anos, limite permitido na legislação brasileira.
Sem essa mudança, o Brasil se nega a entregá-lo ao Chile.
Em tese, a mesma limitação deve se aplicar à extradição do italiano. Sua ida para a Itália, levando em consideração o decidido pelo STF no caso Norambuena, só poderia ocorrer caso a justiça italiana transforme sua prisão perpétua em penas de no máximo 30 anos. Caso o governo brasileiro ignore a questão e autorize a ida de Battisti para a Itália, abre-se um precedente para que a situação do chileno Norambuena tenha resultado semelhante.
O impasse entre a justiça brasileira e a chilena têm impedido, inclusive, a progressão de regime de Norambuena em relação à condenação da justiça brasileira, o colocando num labirinto jurídico.
Preso desde 2002, ele já teria direito à progressão de regime, pelo tempo que está encarcerado, mas a existência das duas penas de prisão perpétua, por atos considerados terroristas, tem levado os juízes brasileiros a negarem todos os pedidos de progressão da defesa do chileno.
O fato o torna hoje o condenado a passar mais tempo na prisão (16 anos), no sistema prisional brasileiro. Boa parte deste tempo no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) do sistema prisional paulista, e no sistema federal, em celas individuais.
Em Valparaíso, sua cidade natal, Norambuena conta com o apoio de amigos, familiares e ONGs que mantêm uma campanha internacional em favor de sua liberdade. Para eles, entre estar preso no Brasil, longe da família, e em solo chileno, é melhor que cumpra sua pena em sua terra natal.
Assim como Battisti, Norambuena fez parte na juventude de um grupo guerrilheiro de esquerda. A Frente Patriótica Manuel Rodriguez nasceu de uma divisão do Partido Comunista chileno, sendo o braço armado na luta contra a ditadura de Augusto Pinochet.
Manifestações pedem liberdade de Norambuena (Foto: Web)
Uma das ações praticadas pelo grupo, inclusive, foi uma emboscada que quase levou à morte o ditador chileno. Na oportunidade, Norambuena – ou Comandante Ramiro, como ficou conhecido na Frente – foi um dos participantes.
Preso em 1996, acusado de envolvimento com a execução do senador Jaime Guzman, fiel aliado de Pinochet, Norambuena e mais quatro companheiros da Frente protagonizaram uma fuga do Presídio de Segurança Máxima de Santiago, conhecida até hoje como “A fuga do século”. Com apoio de um helicóptero, o grupo fugiu dentro de um cesto metálico, suspenso no ar por cabos presos à aeronave.
Foragido, Norambuena se integrou à luta do Exército de Libertação Nacional (ELN), na selva colombiana, grupo que pretendia ajudar com o dinheiro que buscava obter com o pagamento do resgate no sequestro a Washington Olivetto.
Nas próximas horas, a decisão do governo brasileiro sobre o italiano Cesare Battisti pode definir não apenas o destino dele, mas inaugurar um novo tipo de procedimento em casos de extradição de cidadãos estrangeiros presos em solo brasileiro.
Esdras Marchezan é jornalista e professor da Universidade do Estado do RN.
O ex-governador do Espírito Santo Gerson Camata (MDB), de 77 anos, foi assassinado na tarde desta quarta-feira na Praia do Canto, em Vitória. O crime ocorreu em frente a um restaurante. Segundo informações iniciais da Polícia Militar, o ex-governador foi morto a tiros. O Samu chegou a ser acionado, mas Camata não resistiu aos ferimentos.
Camata foi governador do Espírito Santo entre 1982 e 1986, exerceu três mandatos como senador, de 1987 até 2011. Ele ainda foi vereador de Vitória, deputado estadual e deputado federal.
A Polícia Militar confirmou que Camata morreu no local.
O autor dos disparos fugiu após cometer o crime, mas foi preso logo depois e presta esclarecimentos no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
Marcos Vinícus Andrade, 66, é o suspeito do crime com perfil de execução.
Há cerca de 12 anos, o ex-assessor acusou Gerson Camata, quando ainda estava no mandato de senador, de receber mesadas de empreiteiras, emitir recibos falsos para prestação de contas de campanhas ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), além de exigir 30% do salário que Marcos ganhava como assessor do parlamentar no Senado, para pagamento de contas pessoais do senador.
"Mila", a vítima, com Gerdson Carlos, "Bebé", seu irmão e vice-prefeito (Foto: redes sociais)
O empresário Gerhard Müller Carlos Tomaz, “Mila”, foi morto a tiros à noite dessa quinta-feira (22), em Frutuoso Gomes (conheça AQUI) – município do Oeste potiguar. Müller caminhava numa praça da cidade, quando foi surpreendido por dois homens numa moto.
Um deles disparou contra a vítima.
Gerhard é irmão do ex-vereador e atual vice-prefeito Gerdson Carlos (PHS), o “Bebé”.
Seu velório acontecerá em endereço residencial de sua mãe. O sepultamento está definido para às 17 horas, no cemitério local.
Até as primeiras horas da manhã de hoje, não surgiram indícios ou quaisquer evidências sobre motivação do crime. Pelo menos não vazou nada de fontes da polícia.
O empresário era visto como homem de bom relacionamento social, mesmo entre adversários políticos de sua família.
Itep e delegado especial
Seu corpo chegou ao Instituto Técnico e Científico de Polícia (ITEP), com sede em Mossoró, à meia-noite e 30 minutos de hoje. Foi necropsiado à manhã de hoje e em seguida liberado para sepultamento.
O deputado estadual Manoel Cunha Neto (PHS), o “Souza”, emitiu nota de pesar sobre o homicídio e adiantou: “Solicitei à secretária de Segurança Pública e da Defesa Social (SESED), delegada Sheila Freitas, um delegado especial para apurar o caso.”
Acrescentou ainda que cobrou “reforço ao Comando Geral da Polícia Militar para Frutuoso Gomes, nessa atmosfera delicada”.
Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo Twitter clicando AQUI.
Estupro, tentativa de assassinato, corrupção, lavagem de dinheiro, crimes contra a Lei de Licitações e compra de votos. Esses são apenas algumas das acusações criminais envolvendo deputados que fazem parte da nova Mesa Diretora da Câmara e das novas lideranças partidárias. Dos 11 que ocupam cargos na Mesa, cinco são investigados pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Moura, um líder com quatro inquéritos e três ações penais, que ele vê como meramente eleitoreiros (Foto: Antônio Cruz/ Agência Brasil)
Entre os 28 líderes, do governo e da oposição, oito têm denúncias em tramitação no STF.
Responsáveis pelos acordos feitos entre o Executivo e o Legislativo e pelo comando administrativo da Casa, eles acumulam 33 inquéritos (investigação preliminar que pode resultar em processo) e ações penais (processos que podem render condenação). Juntos com os presidentes das comissões – cujos comandos ainda estão indefinidos -, eles representam a cúpula da Câmara.
Os dados são de levantamento do Congresso em Foco.
Pendências
Os líderes com mais pendências criminais são os deputados Alfredo Kaefer (PSL-PR) – investigado em seis inquéritos e uma ação penal – e André Moura (PSC-SE), que ocupa a liderança do governo na Câmara. Moura responde a quatro inquéritos e três ações penais (veja mais detalhes abaixo). Uma das suspeitas é por tentativa de assassinato.
Ele chegou a ser barrado pela Lei da Ficha, em 2014, devido a uma condenação por improbidade administrativa e a contas rejeitadas quando era prefeito de Pirambu (SE).
O ex-vereador, ex-vice-prefeito e ex-prefeito Marcos Fernandes (PSD), 50, de Umarizal (região Oeste do RN), foi morto a tiros à manhã de hoje em sua cidade. Estava no restaurante Bom Bocado, localizado próximo à Matriz do Sagrado Coração de Jesus.
Fernandes: vários tiros (Foto: Web)
Informação preliminar aponta que dois homens chegaram numa moto. O garupa desceu e foi logo na direção de Fernandes, disparando vários tiros.
Em seguida, os dois ocupantes da moto saíram em disparada do local.
Eleições
Fernandes foi eleito vice-prefeito em 2012, na chapa encabeçada por Carlindson de Melo (DEM), o “Mano”. Com o afastamento do prefeito por decisão judicial em 2015, no rastro da “Operação Negociara” (veja AQUI) ele assumiu a Prefeitura.
Em 2016 foi candidato a prefeito, mas não logrou êxito em sua tentativa eleitoral. Obteve 3.125 votos (42,67%).
Quem se elegeu foi Elijane Paiva (DEM), que empalmou 4.089 votos (55,83%).
Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo Twitter clicando AQUI.
A empresária Célia Márcia Santos Cirne, 70 anos, proprietária da loja Brasil Atacado, localizada na rua João Pessoa, em Campina Grande-PB, morreu na tarde desse sábado, 24, após sofrer um tiro na região da cabeça quando foi abordada por bandidos armados.
Célia Márcia Santos Cirne tentou sair à abordagem e foi baleada (Foto: cedida ao Blog Carlos Santos)
Ela deixava a loja pelo estacionamento localizado na rua Getúlio Vagas quando sofreu o disparo.
Dois homens estariam numa moto, quando a abordaram na tentativa de assalto.
Samu
A vítima ainda foi socorrida pelo Samu para o hospital de Emergência e Trauma, mas não resistiu à gravidade do ferimento e morreu.
Ela era casada com o médico Valfredo Cirne e mãe do empresário Henrique Cirne, que atualmente está desenvolvendo empreendimento imobiliário na cidade.
Nota do Blog – Célia é também irmã do atual presidente do Tribunal de Justiça do RN (TJRN), Cláudio Santos.
Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo Twitter clicando AQUI.
Silvelena e marido: tragédia (Foto: redes sociais)
Mossoró teve ontem (sexta-feira, 11) outro dia de horror.
Foram três homicídios, além de diversos furtos e roubos, bem como um estupro.
Um dia-noite de cão.
Com mais uma pessoa morta à bala hoje (sábado, 12), o município alcança 198 neste ano, recorde absoluto em toda sua história, superando o sangrento ano de 2014, quando ocorreram 194.
O caso mais dramático dos recentes homicídios aconteceu na Ilha de Santa Luzia. Um casal trafegava de carro e três elementos sitiaram o veículo.
Aconteceu no início da noite, por volta de 18h dessa sexta-feira, nas proximidades do Cicy Lanches.
Carro ficou crivado de balas, com projéteis acertando cabeça de Silvelena (Foto: redes sociais)
O representante comercial Alcimar Fagundes da Silva teria arrancado bruscamente, provocando a ira dos bandidos. Vários disparos foram efetuados e duas balas acertaram a cabeça de sua mulher, Silvelena Neris, 44, que estava no banco do passageiro.
Ela foi socorrida por populares para a Unidade de Pronto-Atendimento do bairro São Manoel (UPA), mas não sobreviveu. Ele ficou em estado de choque. Ninguém foi preso até o momento.
Com essas mais recentes quatro mortes, Mossoró alcança a marca de 744 homicídios nos últimos quatro anos. O recorde num único ano até então era de 2014, com 194.
Em 2013 foram 188 homicídios. Em 2014, Mossoró saltou para 194.
Já em 2015 houve um decréscimo para 164 homicídios.
Agora, por enquanto, 2016 já ostenta a marca de 198.
* Com informações dos blogs Passando na Hora, O Câmera, Ismael Sousa, fonte da Polícia Militar, redes sociais e Blog Carlos Santos.
Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo Twitter clicando AQUI.
O vereador e candidato à reeleição Manoel Clementino do Carmo (PMDB), de 56 anos, foi assassinado a tiros na noite desta segunda-feira (26) durante um evento político em Serrinha dos Pintos, cidade distante cerca de 367 quilômetros de Natal.
O crime aconteceu por volta das 20h. De acordo com a Polícia Militar, Clementino estava em uma movimentação política quando foi baleado. Outro homem, ainda não identificado, também foi atingido. Eles foram socorridos ao Hospital de Pau dos Ferros.
Motivação
Clementino não resistiu e morreu no centro cirúrgico do hospital. Já o outro homem está internado, mas o estado de saúde dele não foi divulgado. Segundo a polícia, ninguém foi preso.
Ainda não se sabe a motivação do atentado.
Subtenente da PM, o vereador Clementino era casado e natural de Caicó.
Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo Twitter clicando AQUI.
Uma ação integrada entre as polícias civil e militar de Patos levou à prisão, nesta sexta-feira (20), três acusados de participação em um assasssinato de um jovem, que namorava a filha de um vereador da cidade de Matureia, que faz limite com Teixeira, região de Patos.
Foram presos Wesley Tavares de Sousa, José Inácio Rodrigues de Lima e o vereador Normaélio de Lima Rodrigues (PSDB, no meio da foto).
Em poder de Inácio foram apreendidos um rifle calibre “ponto 44” e diversas munições.
Essa ação policial se iniciou após o crime, um homicídio ocorrido naquela cidade em setembro de 2014, onde figurou como vítima o jovem Welton Victor Lima, que tinha 16 anos.
Após quase dois anos de investigação, a justiça expediu Mandados de prisão contra os suspeitos.
De acordo com o inquérito, a motivação do crime teria sido por que Welton namorava a filha de Normaélio e o mesmo não aceitava o relacionamento por questões raciais, bem como, “porque o adolescente era de família humilde”.
O executor do homicídio teria sido Inácio, que é sobrinho do vereador.
Na ação policial também foi apreendido um veículo clonado em poder dos acusados.
Os suspeitos foram encaminhados para delegacia para as providências cabíveis.
Nervosa, quase em pânico, e com medo de que ao chegar ao Aeroporto Internacional José Martí fosse registrada e as pílulas envenenadas encontradas, Lorenz as colocou em um pote de creme facial. “Me sentia incapaz de cumprir a missão queFrank Fiorini [Frank Sturgis, condenado posteriormente no caso Watergate] tinha me passado. Não ia matar Fidel, não falhei, como outras centenas [de pessoas] que tentaram o mesmo depois. Simplesmente era incapaz e não me arrependo”, diz Lorenz hoje.
Marita, a amante que não consumou tentativa de assassinato de Fidel Castro (foto: El País)
Mas, mesmo se houvesse decidido ir em frente com a chamada Operação 40, uma conspiração do governo que, de acordo com Lorenz, unia a CIA, o FBI, os exilados cubanos e a máfia, não poderia ter concretizado o plano.
Quando estava no quarto do hotel Habana Libre, que costumava dividir com Castro, abriu o pote de creme e percebeu que os comprimidos haviam desmanchado, restando apenas uma massa pastosa da arma que devia acabar com a vida do líder do Movimento 26 de Julho.
“Joguei fora pelo bidê”, relata tranquila. “Não descia pela descarga e tive que empurrá-la até que desapareceu completamente. Então me senti livre”, diz. “Não me arrependo de não ter matado Fidel, pelo contrário: é a decisão da qual mais me orgulho em minha vida.”
Contar a vida de Marita Lorenz é o mesmo que rever grande parte da história do século XX, de sua pior história, a do Holocausto, dos assassinatos políticos e da miséria humana. “Sempre estive destinada a estar sozinha. Não sei por quê”, escreve em sua biografia lançada em 2001, Lieber Fidel – Mein Leben, meine Liebe, mein Verrat (Querido Fidel – Minha Vida, Meu Amor, Minha Traição), ainda não publicada no Brasil. Hoje, com 75 anos, sobrevive com a ajuda do governo em Baltimore (Estados Unidos), em um escuro e minúsculo apartamento cujo banheiro em ruínas não tem nem porta.
Anne Frank
Lorenz deveria ter vindo ao mundo com sua irmã gêmea. No entanto, quando sua mãe chegou ao hospital, na cidade alemã de Bremen, para exames, o pastor alemão de um oficial da SS, que a repreendia por ter levado até o fim a gravidez, fruto da relação com um médico judeu, a agrediu e uma das meninas, Ilona, morreu.
Marita sobreviveu. Seus pais homenagearam a bebê falecida acrescentando seu nome ao da sobrevivente: Ilona Marita Lorenz. Era 18 de agosto de 1939. Hitler planejava invadir a Polônia.
Assim começa o primeiro capítulo da biografia, que será publicada em espanhol pela editora Península, do grupo Planeta. As primeiras 48 páginas do volume relatam os primeiros 19 anos da Alemanita, como Fidel a apelidou. Na Segunda Guerra Mundial, Lorenz, de mãe americana e pai alemão, acabou internada no campo de concentração de Bergen-Belsen, quando tinha 5 anos.
“No quartel onde eu estava, o mesmo onde Anne Frank morreu, nos abraçávamos. Crianças pequenas e adolescentes, para não morrer de frio, embora alguns já estivessem quase mortos”, relata com serenidade, concluindo que, no entanto, chorou até esgotarem todas suas lágrimas.
Não me arrependo de não ter matado Fidel. É a decisão da minha vida da qual tenho mais orgulho.
Marita Lorenz foi encontrada escondida sob uma cama de madeira, depois que o campo foi libertado pelos britânicos em 15 de abril de 1945. “Quando o motorista da ambulância me retirou do meu esconderijo, eu estava cheia de piolhos, vermes, hematomas e pesava menos de 20 quilos.” Foi uma das 200 crianças que sobreviveram sob o lema: “Não fale, não pense, não respire”.
A senhora Lorenz, que no dia da sua entrevista veste camiseta e duas camisas, uma em cima da outra, e a quem o filho Mark, de 45 anos, arruma o cabelo despenteado para sair melhor nas fotos, define o que aconteceu em 1945 como o fim de um pesadelo e o início de outro. Com 7 anos, Marita foi estuprada um dia depois do Natal de 1946 por um sargento norte-americano, na Alemanha libertada pelos aliados.
Marita no final dos anos 50 em Cuba
Conheceu Fidel Castro em Havana, em fevereiro de 1959, quando tinha 19 anos e ele, 33. “Me tornei sua amante e fiquei grávida. Em Cuba, fui drogada e forçada ao que classificaram como aborto. Décadas depois fiquei sabendo que meu filho tinha sobrevivido e se chamava Andrés”, diz.
“Alguém pode imaginar o que isso significa para uma mãe, de quem levam seu bebê em uma mesa de operação e que sai de Cuba com o ventre vazio?”, se pergunta Lorenz, enquanto acaba de comer uma banana e acaricia seu cachorro, Bufty. Há mais animais por perto, talvez sejam eles que impregnam o lugar com um cheiro forte que gruda na pele: um gato, uma tartaruga e um enorme peixe laranja, que “de vez em quando se joga como em uma missão suicida contra o vidro do aquário”.
Lorenz admite que foi uma mulher em um ambiente masculino, que inventou mentiras para se proteger e também seus filhos e que disse a verdade quando foi conveniente. “Agora quero deixar as coisas claras”, afirma.
A Mata Hari do Caribe já não tem o cabelo extremamente negro. Já não exibe a forma esbelta de seus anos de party girl da máfia de Nova York, de onde saíram alguns de seus amantes. Garante que não carrega arma e já não teme por sua vida.
Me tornei sua amante e fiquei grávida. Em Cuba, fui drogada e forçada ao que classificaram como um aborto.
Parece deprimida. “Nunca pensei em me matar, embora às vezes tenha desejado morrer. Mas morrer é fácil, o desafio é viver.”
Sentada em frente à televisão com a qual passa seus dias, ao lado de um pôster do filme The Doors, com dedicatória de Oliver Stone, que a contatou para fazer um filme sobre sua vida, a senhora Lorenz conta como foi testemunha da trama para matar John F. Kennedy, em Dallas.
Antes do assassinato houve mais histórias. Fruto de seu relacionamento em Miami com Marcos Pérez Jiménez, cruel ditador venezuelano a quem Franco acabou oferecendo asilo na Espanha, nasceu sua filha Mónica Mercedes. Também não teve sorte. Foi abandonada na selva venezuelana com uma tribo de índios Yanomami e a filha de 14 meses. Queriam que fossem mortas.
A história de Marita Lorenz tem luzes e sombras. “Alguns podem achar que é bastante incrível”, diz. “Mas, já se sabe, a realidade supera a ficção.” No caso de Lorenz, essa realidade é construída com lembranças que, ocasionalmente, se misturam com a história oficial. “Essa que, quando posso lembrá-la, nem sempre é confiável.”
O pesadelo recorrente do detetive da Divisão de Homicídios: sentado na cabeceira de uma mesa gigante e cercado por todas as vítimas dos crimes que ele não conseguiu resolver. Na cavidade ocular, a marca comum dos mortos: sangue envelhecido. Também há intensas lesões nas cabeças baleadas.
Karolayne: nova vítima em Natal (Foto: reprodução)
– O que as vítimas dizem a você? Pergunta o interlocutor calculista à mesa do bar em penumbra.
– Elas não me dizem nada. Elas não têm nada a dizer. Elas me cobram tomando meu sono.
A cena é clássica em Fogo Contra Fogo, dos mais realistas filmes policiais modernos. O policial é Al Pacino e o diálogo ele trava com Robert de Niro, bandido sofisticado e implacável. Os dois se admiram, o que não impede o personagem de Pacino de plantar quatro definitivos tiros de pistola 9 milímetros em De Niro no clímax da história.
Pano caído e surrado do teatro real, é no tormento de Al Pacino detetive que imagino a aflição de quem é ator desesperado da agenda diária de enterros de inocentes mortos na guerra vencida com cinismo e folga pelo crime.
Somos todos o desespero berrante em silêncio de carceragem sem delito. Presos em nossas masmorras domiciliares enquanto monstros assassinam, estupram, sequestram e matam para roubar. Trucidam policiais, invertem a ordem. Diante das câmeras, dos irritantes duelos de facções nas redes sociais, na omissão cúmplice dos (defo)rmadores de opinião, na sucessão de tragédias confundidas com numerologias ou estatísticas.
Ao percorrer cemitérios, vejo nos rostos colados em mármore ou cimento simples, enigmas de quem passou por um imenso portão misterioso e me espera. Pacientemente. O tempo já não conta pra eles.
Ao ler, indignado, o drama de mortes sucessivas, como as de Gizela Paiva (veja AQUI) e, agora, da jovem Karolayne (foto, veja AQUI), 19 anos e quimeras infantis (Karolayne entregou seu celular ao bandido na Zona Norte de Natal e caiu fulminada com um tiro no peito), rabisco meu roteiro particular.
Gizela, Karolayne e todos os cidadãos e cidadãs perdidos para o sadismo facínora, em mutismo arrepiante. Em torno de uma mesa imensa. A mesa da consciência geral. Eles e elas também não dizem nada. Nada têm a dizer. Nada cobram. Nem o sono coletivo.