Arquivo da tag: Campanha eleitoral 2018

Falácia do espantalho

Por Odemirton Filho

Na defesa de uma tese ou de uma ideia é fundamental que o expositor apresente argumentos para basear seu trabalho ou raciocínio em socorro daquilo que entende correto.

Sendo assim, “argumentar é a capacidade de relacionar fatos, teses, estudos, opiniões, problemas e possíveis soluções a fim de embasar determinado pensamento ou ideia”.

Com efeito, apenas emitir uma opinião acerca de um determinado assunto não a torna digna de certeza ou validade, porquanto estamos diante de uma crença do interlocutor. Falta, no mais das vezes, argumentação para dar substrato ao que se estar a defender.

Nesse diapasão, estamos vivenciando, sobremaneira, nas redes sociais, um debate infrutífero, em alguns casos, despido de qualquer cobertura de razoabilidade ou atividade argumentativa.

O que se presencia é um acinte a boa regra de convivência na sociedade. Não se discutem fatos, agride-se as pessoas sem o menor receio. O que importa é contrapor-se ao seu interlocutor, mesmo com fragilidade de argumentos.

É a falácia do espantalho.

Falácia é uma palavra de origem grega utilizada pelos escolásticos para indicar o silogismo de Aristóteles (silogismo é um tipo de argumento lógico que aplica o raciocínio dedutivo para extrair uma conclusão de duas ou mais proposições, que se supõe sejam verdadeiras).

É, desse modo, entendida como qualquer erro de raciocínio, seguido de uma argumentação inconsistente

“A metáfora usada para dar nome a essa falácia é bastante expressiva. Ela faz referência a uma estratégia de ataque ou rebelião que leva grupos de pessoas a criar uma espécie de boneco de palha do líder do grupo a ser atacado e transferir simbolicamente o ataque da pessoa para o boneco que a representa”.

“Em contextos de argumentação, essa é uma estratégia que consiste em substituir a opinião real sustentada por um adversário por uma versão distorcida dessa opinião, ou seja, criar um espantalho da opinião real, e em seguida, refutá-la ao invés da opinião real”.

Ou seja, usa-se o ardil para distorcer aquilo que o outro disse a fim de tirar a credibilidade do explanador. Se esse não coaduna com o que pensa, o debatedor procura encontra um caminho inverso, ao contrário do que foi efetivamente dito.

Na campanha eleitoral que findou, essa falácia foi devidamente usada, seja por alguns candidatos, seja por seus eleitores. Não se apresentava um contraponto ao que foi dito, procurava-se desqualificar o opositor, muitas vezes, atacando sua honra, esquecendo de apresentar argumentos com o mínimo de plausibilidade.

As redes sociais estão aí como prova. Mesmo pós-eleição o que vale é achacar, desmerecer, ofender, sejam em comentários ou em um diálogo.

Acrescente-se que a falácia não é somente na seara política. Toda e qualquer opinião contrária ao que se pensa, em simples conversas, é motivo para discordar e atacar de forma insubsistente.

A dialeticidade que deve servir de base para impugnar um arrazoado, cedeu espaço para opiniões destituídas de qualquer fundamento. Fala-se o que se pensa, sem sopesar as palavras ou o vazio de seus argumentos.

Qualquer palavra dita por aquele que, no meu entender, é “persona non grata” é distorcida para que possa, a falta de boa técnica argumentativa, refutar o pensamento contrário.

São crenças e ideologias amorfas que já não se coadunam com o tempo presente.

O mundo virtual, certamente, trouxe-nos um cabedal de conhecimento. Entretanto, a superficialidade de nossas opiniões nos tornaram meros replicadores e digladiadores na arena, que se entende sem regras, das redes sociais.

Desse modo, é inegável que a divergência é salutar para o enriquecimento do debate, desde que haja argumentação contra os fatos, e não agressão às pessoas.

Odemirton Filho é professor e oficial de Justiça

Parecer aponta fraudes em contas de Natália Bonavides

Dos blogs Gustavo Negreiros e Do Barreto

O parecer técnico conclusivo da Comissão de Análise de Contas Eleitorais do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) apontou uma série de fraudes na prestação de contas da deputada federal eleita Natália Bonavides (PT).

As informações vieram à tona pelo jornalista Gustavo Negreiros. O Blog do Barreto teve acesso ao relatório e conferiu os apontamentos dos técnicos.

A primeira irregularidade apontada pelo documento aponta que houve descumprimento quanto à entrega dos relatórios financeiros de campanha no prazo estabelecido pela legislação eleitoral, em relação às seguintes doações (art. 50, I, da Resolução TSE nº 23.553/2017).

Deputada federal eleita emite nota através de sua assessoria contestando informações (Foto: Elpídio Júnior)

Também consta na prestação de contas de Natália R$ 210,00 doados pelo motorista Ildefonso Soares da Silva que já está falecido conforme o relatório. A defesa alegou que houve uma confusão por ele ter vendido um veículo a Marcelino Lima de Lira, que teria sido o doador, que não teria providenciado a transferência.

A explicação não convenceu os técnicos do TRE. “Em que pese os argumentos apresentados, cumpre informar que o apontamento trazido por esta Comissão é fruto do cruzamento de dados com a base da Secretaria da Receita Federal do Brasil, que pode ser confirmado pela documentação apresentada pelo examinado à ocasião de sua prestação de contas final (Anexo I – ID 2891212), na qual constata-se o preenchimento e assinatura do termo de cessão pelo doador falecido, inclusive, tendo prestado serviço de motorista (ILDEFONSO SOARES DA SILVA).

Doador do Bolsa Família

Dessa maneira, registre-se que a presente irregularidade é grave, geradora de potencial desaprovação, que denota a ausência de consistência e confiabilidade nas contas prestadas, uma vez que submetidas a outros elementos de controle, hábeis a validar/confirmar as informações prestadas, resultaram na impossibilidade de atestar sua fidedignidade e a real origem dos recursos declarados, podendo implicar na conclusão pela eventual omissão de receitas”, analisou.

Outro problema é a doação de R$ 1 mil de Carlos GO que consta como beneficiário do Bolsa Família.

Além dele, apareceu no relatório doações de dez desempregados que totalizam R$ 1.110.

As informações serão repassadas para análise da corte eleitoral que pode desaprovar as contas de campanha de Natália Bonavides com base nessas informações. A desaprovação das contas pode geral uma ação do Ministério Público Eleitoral para cassar o mandato da petista.

Ela foi a segunda deputada federal mais votada nas eleições de 7 de outubro 112.998 votos.

O outro lado

A deputada federal eleita Natália Bonavides manifestou-se quanto à matéria postada originalmente pelo Blog Gustavo Negreiros e replicada pelo Blog do Barreto. Através do advogado André Castro, assevera que “todas as questões apontadas pelo corpo técnico do TRE/RN no processo de prestação de contas foram devidamente explicadas em manifestação já apresentada nos autos.”

Leia a íntegra abaixo:

Em face das notícias recentemente veiculadas sobre a prestação de contas da Vereagdora e Deputada Federal eleita Natália Bonavides, com a intenção de evitar desinformação, é necessário esclarecer ao publico:

  1. Não ocorreu ainda o julgamento da prestação de contas, havendo apenas um parecer do corpo técnico do TRE/RN que ainda será analisado pelo Ministério Público Eleitoral, pela própria Justiça Eleitoral e pela defesa da candidata, o que, certamente, afastará qualquer dúvida sobre a regularidade das contas;

  1. Todas as questões apontadas pelo corpo técnico do TRE/RN no processo de prestação de contas foram devidamente explicadas em manifestação já apresentada nos autos;

  1. Sobre a cessão de veículo de propriedade da pessoa de Idelfonso Soares da Silva, ficou devidamente esclarecido que o responsavel foi seu atual proprietário, Sr. Marcelino Lima de Lira e que não houve qualquer prestação de serviços de motorista atrelada à essa cessão ou a essas pessoas;

  1. A suposta existência de doador cadastrado no “bolsa família” foi causada por um erro de digitação no numero do CPF do doador. O erro já foi retificado e esclarecido, sendo o doador real um advogado;

  1. Por fim, a hipotética existência de doadores desempregados não passa de mais um equívoco. Todos os doadores listados são professores ou aposentados da Petrobrás, o que também está sanado e devidamente explicado.

A defesa de Natália Bonavides esclarece que está a disposição para prestar à Justiça Eleitoral qualquer esclarecimento adicional que seja eventualmente necessário, e expressa a sua confiança de que a Justiça prevalecerá com a obtenção da aprovação de sua prestação de contas.

André Castro – Advogado

Nota do Blog Carlos Santos – A deputada eleita Natália Bonavides é um dos bons quadros políticos surgidos nos últimos tempos no RN, por sua combatividade, conteúdo e carisma pessoal. Precisa dar resposta convincente nos autos, para poder seguir sua carreira política ainda incipiente, mas muito promissora.

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo TwitteAQUIInstagram AQUIFacebook AQUI.

Justiça Eleitoral dá decisão contra “Fake News”

A Coligação Do Lado Certo (PT/PCdoB/PHS) obteve decisão judicial favorável contra uma “Fake News (Informação falsa na Internet).

A decisão foi contra a página Notícias do Face na rede social Instagram, que veiculou notícia inverídica para atingir negativamente a senadora Fátima Bezerra (PT), candidata ao Governo do RN.

O jurídico da coligação entrou com representação e a determinação da Justiça Eleitoral foi emitida na quinta-feira (23) com pedido de tutela de urgência, devido ao grande alcance e danos que podem causar à imagem de Fátima Bezerra.

Exclusão

A determinação foi para “imediata exclusão dos conteúdos publicados” (prazo máximo de 24 horas).

A notícia falsa foi postada na página no Instagram no dia 20 de agosto último com a seguinte manchete: “Fátima Bezerra diz que vai demitir funcionários públicos!”.

No seu enunciado, a postagem afirmava que a senadora teria dito que demitiria servidores estaduais, caso fosse eleita.

Indeferimento

Duas outras postagens foram consideradas “na verdade, críticas satíricas e não fake news”. A juíza auxiliar Adriana Cavalcanti Magalhães não acatou o arrazoado dos advogados de Fátima Bezerra.

Nota do Blog – Na campanha de 2014 esse tipo de produção já tinha se propagado de forma abjeta, com contratação de “profissionais” especializados nessa modalidade de trabalho. Para este ano, não esperemos algo diferente.

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo Twitter clicando AQUI e o Instagram clicando AQUI.

Indefinições e pasmaceira ajudam projetos de reeleição

A indefinição de candidaturas (vai, não vai) e a pasmaceira adversárias, nesse período de pré-campanha, ajudam sobremodo os políticos que buscam a reeleição.

Bom lembrar-se ainda:

– No dia 16 de agosto, passa a ser permitida a realização de propaganda eleitoral, como comícios, carreatas, distribuição de material gráfico e propaganda na Internet (desde que não paga), entre outras forma;

– A propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão terá início em 31 de agosto (37 dias antes das eleições) e término no dia 4 de outubro. O período foi reduzido de 45 para 35 dias.

– Este ano ainda tem uma Copa do Mundo de futebol para refrear a corrida eleitoral.

Anote, por favor.

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo Twitter clicando AQUI e o Instagram clicando AQUI.

Derrocada de Henrique Alves “zera” corrida eleitoral

A campanha eleitoral 2018 no Rio Grande do Norte, que era imprevisível até às 6 horas de hoje (terça-feira, 6), passou a ser algo ainda mais nebuloso depois desse horário. Àquele momento, policiais federais, integrantes da Receita Federal e do Ministério Público Federal (MPF) passaram a ocupar apartamento em endereço nobre de Natal.

A prisão do ex-deputado federal Henrique Alves (PMDB) – veja AQUI e AQUI – sob dois mandados judiciais, é marco zero de tudo que se discutia, se costurava, se arrumava até então quanto às eleições do próximo ano.

Henrique x Robinson: momento delicado (Foto: montagem)

Zerou.

Não que Henrique trabalhasse e tivesse planos de nova candidatura ao governo estadual, mas porque reside nele a capacidade cerebral de articulação do grupo Alves e costura política à arrumação oposicionista.

Mas no governismo, personificado pelo desgastado governador Robinson Faria (PSD), não há motivos também para foguetório e comemorações muito efusivas pela derrocada de Henrique, que causa efeito danoso a tudo em sua volta.

“Pau que bate em Chico, bate em Francisco”, ensina um ditado popular.

Robinson sabe que o círculo se fecha também contra si e seu esquema político. A “Operação Lava Jato” já o deixou patinhando na lama, de forma mais recente com delações do Grupo JBS (veja AQUI).

Também emerge seu nome em investigações no âmbito da Assembleia Legislativa, na Operação Dama de Espadas – veja AQUI -, e no Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (IDEMA), a Operação Candeeiro.

Zerou.

Daí a imprevisibilidade quanto à sucessão estadual, suas coligações, chapas, eventuais candidaturas proporcionais e concorrentes às duas vagas ao Senado da República.

Compreensível, até, o relativo silêncio (veja AQUI) com que a situação de Henrique é tratada pela militância de Robinson Faria. Melhor não incitar o escárnio ou pregar o moralismo, recomenda-se.

Os dados estão na mesa. Segue o jogo.

Teremos muitas novidades em breve.

Anote, por favor.

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo Twitter clicando AQUI.