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Após 11 eleições e 42 anos, PT pode ficar fora de chapa a prefeito

PT, PT divididoDepois de 42 anos e 11 eleições municipais participando de disputas à Prefeitura de Mossoró, como cabeça de chapa ou vice, o Partido dos Trabalhadores (PT) está prestes a conviver com um paradoxo de difícil justificativa: ficar fora da corrida eleitoral ao Executivo em 2024, mesmo tendo na retaguarda a hegemonia do Governo do RN e do Governo Federal, situação única nesse tempo.

Num processo conduzido pela presidente da legenda no município, deputada estadual Isolda Dantas, o PT provavelmente decidirá neste sábado (15), às 9h, em plenária num dos auditórios do Hotel VillaOeste, que o partido não lançará candidatura a prefeito (veja AQUI). O agravante: não é certo também que venha a indicar o vice do provável pré-candidato a ser apoiado, o vereador-presidente da Câmara Municipal, Lawrence Amorim (PSDB).

A aliança com o PSDB está praticamente selada e o pré-candidato não vê com bons olhos ter um petista no posto de vice. Costura outro nome, temendo ser soterrado pelo profundo desgaste da gestão estadual Fátima Bezerra (PT) e a rejeição popular da própria Isolda, teoricamente candidata natural à Prefeitura de Mossoró.

A plenária de hoje será marcada por conflito entre o que desejam Isolda Dantas e a Governadoria contra setores divergentes, como a tendência Militância Socalista (MS), defensora de candidatura própria – veja AQUI. Nas urnas, em outubro, sairá o resultado das escolhas e contradições profundas do partido.

Em Mossoró, o PT teve até um vice-prefeito eleito, o vereador Luiz Carlos Martins, no pleito suplementar de 4 de maio de 2014, chapa encabeçada pelo prefeito interino e vereador Francisco José Júnior (PSD).

Veja abaixo como o PT marcou esses 42 anos de eleições majoritárias municipais:

1982

Candidato a prefeito foi Mário Fernandes (PT) – 428 (0,83%) votos, quarto colocado. Prefeito eleito foi Dix-huit Rosado (PDS).

1988

Candidato a prefeito foi Chagas Silva (PT) – 2.507 (3,3%) votos, terceiro colocado. Rosalba Ciarlini (PD) foi eleita à prefeitura.

1992

Luiz Carlos: isolado (Foto: Portal Luiz Carlos)
Luiz Carlos tem maior percentual de votos do PT em Mossoró em 42 anos e foi vice (Foto: Arquivo)

Candidato a prefeito foi Luiz Carlos Martins (PT) – 6.557 (8,43%) votos, terceiro colocado. Dix-huit Rosado (PDT) acabou sendo eleito. Até hoje, maior votação do partido à prefeitura, em termos proporcionais.

1996

Candidato a prefeito foi Jorge de Castro (PT) – 4.878 (5,32%) votos, obtendo a terceira colocação. Rosalba Ciarlini (PFL) foi eleita pela segunda vez à municipalidade.

2000

Candidata a prefeito foi Socorro Batista (PT) – 4.447 (4,25%) votos, também ocupando a terceira colocação. Rosalba Ciarlini (PFL) foi reeleita, chegando ao terceiro mandato.

2004

Candidato a prefeito foi Crispiniano Neto (PT) – 4.083 (3,47%) votos, que ficou na quarta colocação. Fafá Rosado (PFL) ganhou as eleições.

2008 

Candidato a prefeito foi Larissa Rosado (PSB) – 46.149 (37,44%) votos, numa campanha em que o PT ocupou chapa como vice, com Tércio Pereira. Fafá Rosado (PFL) foi reeleita.

2012

Novamente o PT foi vice de Larissa Rosado (PSB) – 63.309 (46,97%) votos, com Josivan Barbosa. O pleito foi vencido por Cláudia Regina (DEM).

2014

Francisco José Júnior (PSD) – 68.915 (53,31%) votos, prefeito interino, devido cassação de Cláudia Regina, foi eleito com facilidade, tendo como vice o vereador petista Luiz Carlos Martins.

2016

O partido pela quarta campanha consecutiva não teve candidato a prefeito, mas ocupou posição de vice com Rayane Andrade na chapa liderada por Gutemberg Dias (PCdoB) – 11.152 (8,45%) votos. Quem venceu a disputa foi Rosalba Ciarlini (PP), obtendo seu quarto mandato municipal.

Isolda Dantas, Fátima Bezerra e Gutemberg Dias posaram juntos em coletiva (Foto: BCS)
Isolda, Fátima Bezerra e Gutemberg Dias em 2020: chapa PT/PCdoB (Foto: BCS/Arquivo)

2020

A candidata a prefeito foi a deputada estadual Isolda Dantas (PT) – 8.051% (5,86%) votos, ocupando a terceira posição. Eleição do deputado estadual Allyson Bezerra (SDD), inclusive derrotando a prefeita Rosalba Ciarlini (PP), que tentava o quinto mandato. Detalhe é que o seu vice foi justamente Gutemberg Dias, candidato a prefeito em 2016.

*Todos os dados são públicos, mas postagem é resultado de pesquisa, horas e horas de trabalho, além de textualização e edição. Se for utilizar as informações, não se acanhe de dar o crédito. Não é feio. Obrigado.

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A política do bom humor e de outras ciências

A política é uma ciência. Muita gente desconhece esse seu valor cientificista, mas é fato. E, dinâmica, se comunica com outras ciências.

Vamos a dois exemplos irrefutáveis, aqui mesmo, em nosso universo cotidiano, revelando sua identificação com a Química e a Medicina:

O ex-deputado federal Ney Lopes merecia Nobel de Química. Em 2006, numa entrevista em Currais Novos que se espalhou pelo estado e Web, afirmou que juntar PFL (hoje, DEM) e PMDB era como “água e óleo”.

Poucas semanas depois ele – que era do PFL – virou candidato a vice-governador do senador Garibaldi Filho, justamente do PMDB. Perderam o pleito “misturados” no mesmo palanque.

Em 1988, o professor Chagas Silva, candidato a prefeito pelo PT de Mossoró, tachou: “Os Rosado são o câncer de Mossoró!” Poucos anos depois, ele passou a ser assessor da deputada Sandra Rosado (então no PMDB). Ou seja, descobriu a ‘cura’ dessa terrível moléstia.

Por essa e por outras passei a estudar a política sem arroubos. Sou um interessado pelo assunto. Não tenho paixões nem ódios. E vez por outra ainda lanço livros com situações engraçadas dos bastidores e palanques dessa atividade humana.

Um PT da constatação do “câncer” à descoberta da ‘cura’

Em 1988, o candidato a prefeito pelo PT – em Mossoró, professor Chagas Silva, cunhou uma frase que marcaria boa parte da trajetória do partido na política paroquial:

Os Rosado são o câncer de Mossoró.

Em 2008, 20 anos depois, o mesmo partido ofertava um vice – Tércio Pereira – para a deputada estadual Larissa Rosado (PSB) ser candidata a prefeito pela segunda vez. A junção não resultou numa vitória, mas marcou o fim de um ciclo do discurso petista.

Já agora, em 2012, numa arenga intestina repleta de lances caricatos e disse-me-disse, o partido tem um pré-candidato próprio à prefeitura, competitivo, mas boa parte de seus ideólogos, líderes e militantes prefere priorizar vagas à Câmara de Vereadores e defende nova dobradinha com Larissa Rosado.

Vivendo e aprendendo.