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Governo Federal reconhece emergência em 65 municípios do RN

Quadro de seca atinge a grande maioria dos municípios do RN (Foto ilustrativa da Assecom do Governo do RN)
Quadro de seca atinge a grande maioria dos municípios do RN (Foto ilustrativa da Assecom do Governo do RN)

O Governo Federal, por meio da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, publicou no Diário Oficial da União desta quinta-feira (23) o reconhecimento da situação de emergência em 65 municípios do Rio Grande do Norte afetados pela estiagem prolongada.

A medida atende à solicitação encaminhada pelo Governo do Estado, que havia requisitado o reconhecimento para um total de 147 municípios potiguares. Os demais municípios não incluídos nesta nova publicação já possuíam decretos de emergência vigentes, emitidos anteriormente pelas próprias prefeituras, o que dispensou nova homologação federal, evitando sobreposição de atos administrativos.

O reconhecimento federal garante continuidade ao apoio nas ações emergenciais de convivência com a seca, como o abastecimento de água potável, a perfuração e instalação de poços e o transporte por carros-pipa, além das ações voltadas à redução dos efeitos da seca às atividades econômicas.

Critérios

O coordenador da Defesa Civil Estadual, tenente-coronel Fonsêca, explicou os critérios técnicos que embasaram o reconhecimento e o cruzamento de dados entre as esferas estadual, federal e municipal: “O decreto estadual contemplou 147 municípios, mas ao consultar a plataforma da Defesa Civil, identificamos que 73 deles já possuíam reconhecimento federal vigente, emitido por decretos municipais. O reconhecimento depende do preenchimento do Formulário de Informação de Desastre (FIDE), realizado por cada município. Esses 65 municípios reconhecidos agora foram os que preencheram o formulário e não tinham reconhecimento federal ativo ou estavam no fim da vigência”, destacou.

O coordenador esclareceu o número total de municípios atualmente amparados por decretos em vigor: “Chegamos a 130 municípios com reconhecimento vigente hoje. Isso ocorre porque há casos de municípios que aparecem tanto no reconhecimento federal quanto na listagem estadual. Alguns municípios, no entanto, não foram reconhecidos por questões técnicas, justamente por não terem preenchido o Formulário de Informação de Desastre, que é requisito obrigatório para o reconhecimento federal”, explicou o tenente-coronel Fonsêca.

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Nelter diz que em plena seca perfuratrizes estão paradas

Nelter disse que apresentou ideia para atenuar problema (Foto: Eduardo Maia)
Nelter disse que apresentou ideia para atenuar problema (Foto: Eduardo Maia)

Em pronunciamento na sessão plenária desta terça-feira (14), na Assembleia Legislativa, o deputado Nelter Queiroz (PSDB) criticou a “inação” do Governo do Estado diante da seca que atinge o Rio Grande do Norte e a paralisação de máquinas perfuratrizes de poços. O parlamentar lamentou que uma sugestão sua, feita em junho, para um mutirão de combate à estiagem, não tenha sido acatada.

O legislador relembrou que, no final de junho, diante da seca no sertão potiguar, ele havia sugerido ao Governo do Estado, liderado pela governadora Fátima Bezerra (PT), que convocasse a bancada federal (senadores e deputados federais), além de órgãos estaduais e federais ligados à agricultura, ao campo e à parte hídrica para um “grande mutirão”. O objetivo seria a perfuração de poços e escavação de cacimbas, visando amenizar os desafios enfrentados pelo longo período de estiagem nas regiões do Seridó, Vale do Açu e Médio Oeste.

No entanto, segundo Nelter Queiroz, o Governo do Estado “infelizmente não abraçou essa nossa sugestão”. O parlamentar expressou seu descontentamento com a “desunião” e a falta de “sensibilidade” e “humildade” por parte do governo em convidar a bancada federal para juntos, em Brasília e no estado, sentarem com produtores e trabalhadores para efetivar as ações.

Para agravar a situação, o deputado destacou informações veiculadas em redes sociais, órgãos e blogs da imprensa do estado, que mostram máquinas perfuratrizes de poços tubulares da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEMARH) “paralisadas no terraço” da instituição. De acordo com o parlamentar, a inatividade seria “por falta de equipamentos, por falta de condições financeiras por parte do órgão para fazer perfuração de poços no interior do Rio Grande do Norte”.

Nelter ressaltou ainda que em suas visitas semanais ao interior do estado tem presenciado “o sofrimento do trabalhador do campo tentando salvar seu rebanho e manter sua família com dignidade”, concluiu.

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Defesa Civil reforça ações de prevenção a queimadas

Problema ocorre em áreas residenciais e na zona rural (Foto: PMM)
Problema ocorre em áreas residenciais e na zona rural (Foto: PMM)

Durante os meses de estiagem, o risco de queimadas e incêndios florestais aumenta de forma significativa, especialmente nas zonas rurais e áreas de vegetação seca. Em Mossoró, a Prefeitura, por meio da Secretaria de Segurança, Defesa Civil, Mobilidade Urbana e Trânsito (SESDEM), tem intensificado as ações de prevenção e monitoramento. A Defesa Civil vem acompanhando de perto a situação para evitar que pequenos focos de fogo se transformem em grandes ocorrências e resultem em prejuízos.

O coordenador de Monitoramento e Desastres da Defesa Civil, João Victor, explica que a equipe atua de forma integrada com diferentes órgãos. “Nosso papel é coordenar e prevenir. Trabalhamos em conjunto com o Corpo de Bombeiros, órgãos ambientais e brigadas voluntárias, promovendo campanhas de conscientização, monitorando áreas de risco e garantindo que a resposta seja rápida quando o fogo ameaça avançar”, destacou.

Entre as ações realizadas estão o acompanhamento constante das condições climáticas, a emissão de alertas quando há riscos e o apoio logístico às equipes de campo, garantindo transporte, água e segurança. A Defesa Civil também destaca a importância da participação da população. Moradores são orientados a não realizar queimadas, seja para limpeza de terrenos ou outras finalidades. Além disso, entrar em contato em caso de qualquer foco de incêndio identificado na zona urbana ou rural.

Portanto, o foco sempre será o de proteger vidas e reduzir os impactos causados pelas queimadas, por meio de um trabalho conjunto de monitoramento, planejamento e conscientização da população. A Defesa reforça ainda que o apoio da comunidade é de extrema importância: ao perceber qualquer foco de incêndio ou situação de risco, o cidadão deve acionar imediatamente a Defesa Civil pelo número 199.

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Que venham as chuvas

Rodando pela zona rural de Mossoró e por alguns municípios do Oeste, até beicinho da Paraíba, constato que não é fácil atender no básico a necessidade das populações campesinas em relação à água.

Muito precisará ser feito de forma integrada entre poderes públicos e setor privado.

Problema de séculos segue sem solução.

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Governo prepara Plano de Mitigação dos Efeitos da Estiagem

Atendimento hídrico é um grande desafio (Foto: arquivo)
Atendimento hídrico é um grande desafio (Foto: arquivo)

O Governo do Estado lança nesta segunda-feira (25) o Plano de Mitigação dos Efeitos da Estiagem no Rio Grande do Norte.

O evento será realizado, às 10h, no auditório da Governadoria, Centro Administrativo, em Natal.

Com a presença da governadora Fátima Bezerra (PT), será apresentada a situação das microrregiões e o conjunto de iniciativas do Estado que apontam para a convivência com semiárido.

O Plano foi elaborado pelo Comitê Estadual de Convivência com o Semiárido do Rio Grande do Norte, instituído em julho deste ano por meio de decreto, e conta com a participação de diversas pastas do governo e da sociedade civil.

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Um bem multifamiliar no semiárido

Percorri mais de 1.100 quilômetros nos últimos dias no Rio Grande do Norte. Em boa parte, os caminhos foram pelo sertão, cruzando dezenas de municípios.

Da região Central ao Médio Oeste; Alto Oeste também.

Cisternas são um bem multifamiliar no mundo campesino

O verde dá sinal de vida, de renovação, de esperança. As primeiras chuvas animam o homem do campo; o povo urbano espia o céu à espera do toró.

Como em outras jornadas, não me fugiu à observação a imagem de dezenas ou centenas de cisternas à beira de estradas e em comunidades rurais. Elas são um bem comum, solidário, patrimônio multifamiliar.

O Programa de Cisternas do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) na era Dilma Rousseff (PT) chegou a instalar cerca de um milhão desses equipamentos na região Nordeste.

No RN, cerca de 70 municípios foram alcançados pelo benefício, sendo de enorme importância para a convivência com a longa estiagem de cerca de 7 anos.

O resultado de água na torneira, nesse torrão, não pode ser medido pela gente da cidade, que desconhece as peculiaridades da sobrevivência campesina no semiárido.

Conversamos, ouvimos relatos e testemunhamos que é possível ser eficiente com ideias simples. Á luta contra a seca não é inglória. Pode ser eficiente e satisfatória com um mínimo de vontade política.

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A retirada do gado do sertão para a praia

Por Benedito Vasconcelos Mendes

O meu avô paterno, José Cândido Mendes, proprietário da Fazenda Aracati, situada em pleno sertão semiárido cearense, no distrito de Caracará, às margens do Rio Aracatiaçu, a 60 quilômetros da cidade de Sobral, desenvolveu uma estratégia para a sobrevivência do rebanho nos anos ruins de chuvas (Seca Verde). Ele sabia que a quantidade de forragens nativas de sua fazenda dependia da quantidade de chuvas.

Quanto mais chuvas, maior a produção de pastagens. A quantidade de forragens é diretamente proporcional à quantidade de chuvas.

Nos anos de bom inverno (período chuvoso), o gado atravessava o estio anual (de julho a fevereiro) em razoável estado de carne. Nos anos de chuvas escassas, as forragens nativas só eram suficientes para alimentar o gado até o mês de outubro ou novembro, fazendo com que, a partir daí, o rebanho começasse a emagrecer, chegando, às vezes, até a morrer, por falta de alimentos.

Ele engendrou a estratégia de retirar o gado no começo do verão (estio anual) para uma outra fazenda, localizada no litoral, que, embora também estivesse na região semiárida, tinha melhores recursos forrageiros. O irmão do meu avô, empresário Antônio Oriano Mendes, era dono de uma grande propriedade, denominada Fazenda Quatral, situada no litoral, nas cercanias da foz do rio Acaraú, próxima da cidade de mesmo nome (Acaraú-CE), para onde meu avô levava o seu gado, nos anos de inverno de poucas chuvas.

Naquela época, décadas de 1950 e 1960, não se usava caminhões para transportar gado e a boiada era levada tangendo, de uma fazenda para outra. O litoral  semiárido nordestino é rico em forrageiras herbáceas, como o oró e várias espécies de cipó e em algumas arbóreas,  como a catanduva, que permanecem enfolhadas o ano inteiro (são plantas perenifólias), de maneira que, na região litorânea,  tem forragem verde, de janeiro a dezembro, e a quantidade de pasto é sempre maior do que no sertão, especialmente, nos anos de seca.

No final do período chuvoso, no mês de junho, era avaliada a quantidade de chuvas precipitadas na Fazenda Aracati e observado o volume de pastagens nativas existente no campo. A decisão de se  retirar o gado para a Fazenda Quatral ou de deixá-lo  na Fazenda Aracati era tomada no mês  de julho. Meu avô, depois de ouvir os vaqueiros da fazenda e as pessoas mais experientes da região, às vezes, decidia retirar o gado.

Esta decisão tinha que ser tomada cedo, para aproveitar o gado gordo, capaz de suportar o gigantesco esforço da longa viagem.

Após a tomada de decisão, logo começava o estressante período de preparação da demorada e sofrida viagem, pelos desertos e rudes caminhos, tangendo o rebanho por 60 quilômetros, até a praia. Os primeiros 15 dias do mês de agosto era de preparação da viagem.

Primeiro, meu avô decidia quais os vaqueiros e os auxiliares de vaqueiro que deveriam lhe acompanhar na estafante e longa caminhada. Depois, calculava o número de reses, que os campos de pastagens nativas existentes na Fazenda Aracati era capaz de sustentar, até o próximo período chuvoso.

O passo seguinte era escolher as reses mais gordas, os cavalos e burros que deveriam fazer a dolorosa caminhada.

A quantidade de reses que deveria ser retirada para a fazenda do litoral variava, mas, às vezes, correspondia à metade do rebanho. Minha avó vistoriava os apetrechos que iam ser necessários para a difícil retirada, como cela, arreios, esporas, chicote, alforje (para levar alimentos),  carona (para transportar as peças de roupa) e véstia (chapéu, gibão, peitoral, perneiras, luvas e guarda-pés), que meu avô deveria levar.

Depois de tudo preparado, no final de agosto, chegava o triste dia da partida.

No dia anterior, a última tarefa de minha avó tinha sido a preparação da boia, para o meu avô e demais vaqueiros, que deveria ser levada. O alforje (mocó) do meu avô era de pele de ovelha curtida e tinha o formato cilíndrico, em forma de saco, com 25 centímetros de diâmetro e 50 centímetros de comprimento.

Nele, meu avô iria levar alimentos para todos os vaqueiros: paçoca de carne seca pilada com farinha de mandioca, carne de sol assada, torresmo, queijo de coalho e rapadura, tudo misturado. A boia era colocada dentro do alforje, até enchê-lo completamente. Cada vaqueiro levava sua cabaça d’água, uma cuité, para usar como  prato, e uma colher.

Um burro, com dois caçuás de couro cru, acompanhava o gado levando mais alimentos (rapadura, farinha de mandioca, queijo de coalho e carne seca ) e outras coisas, como água, machado, facão, corda de laçar, espingarda de caça, munições, fósforo, sabão, pasta e escovas de dente, roupas, redes, lençóis e outros objetos. Dois burros de cela, de reserva, também acompanhavam a boiada.

Na hora da partida, minha avó chorosa se despedia  do marido, com beijos, abraços e com as  frases: “Boa viagem !”… “Deus te proteja !” Antes, na calçada da casa-grande, todos de mãos dadas tinham rezado um Pai Nosso e uma Ave Maria, implorando a Deus proteção e sucesso na caminhada.

As esposas dos vaqueiros também faziam suas despedidas e expressavam seus desejos de que tudo corresse bem, no desenrolar desta difícil empreitada.

Depois de abrir a porteira de paus roliços do espaçoso curral para o gado sair, o Sales, escolhido para ser o vaqueiro guia, tomava a frente da boiada e começava  a entoar o dolente aboio, para acalmar e direcionar o rebanho. Meu avô e os outros quatro vaqueiros iam na retaguarda, tocando o gado e aboiando para apascentar o rebanho.

Meu avô tinha na memória as fazendas que ele e os vaqueiros iriam se arranchar. Ele conhecia muito bem o percurso e os proprietários das fazendas onde eles iriam dormir, tomar banho, banhar e milhar os cavalos e dessedentar o gado. Durante vários dias, os vaqueiros, os cavalos, os burros e o gado descansavam à noite e caminhavam durante todo o dia.

Os vaqueiros se alimentavam sobre os  cavalos caminhando.

De tempos em tempos, meu avô tirava, com uma quenga de coco, paçoca com as misturas de dentro do alforje e colocava nas cuités dos vaqueiros e eles iam comendo de colheradas, sobre os cavalos em movimento. As paradas para possibilitar o gado pastar eram rápidas.

No final da exaustiva jornada, depois dos desgastantes dias de caminhada, com os vaqueiros muito enfadados, as montarias e o gado estropiados entravam na Fazenda Quatral, quando os vaqueiros de lá passavam a cuidar do gado e dos cavalos e burros.

Os vaqueiros fatigados tomavam banho, comiam coalhada com cuscuz e rapadura e dormiam. Depois de três dias de repouso, retornavam pelo mesmo caminho para a Fazenda Aracati.

Benedito Vasconcelos Mendes é professor, escritor e ex-diretor da Escola Superior de Agricultura de Mossoró (ESAM, hoje Ufersa)

As duas faces do RN na TV

Ontem, o Jornal de Hoje da Rede Globo de Televisão mostrou as belezas de Genipabu em Extremoz e arrabaldes (veja AQUI), fomentando o turismo no RN.

Hoje, o outro lado: seca em quase todo RN.

Em meio ao drama de quase todo o estado, uma realidade que o secretário de Recursos Hídricos – Maírton França – mostrou, que já cobramos aqui em algumas vezes.

Destacou que o RN nunca se preocupou em fazer a integração dos seus reservatórios, permitindo o remanejamento de água conforme necessidades mais prementes.

Citou, por exemplo, que a Barragem Santa Cruz mesmo com quatro anos contínuos de estiagem, ainda abriga cerca de 35% de sua capacidade de armazenamento, bem acima de outros reservatórios importantes.

Governo municipal aponta ações para convivência com seca

Perfuração de poços, manutenção preventiva e corretiva dos dessalinizadores, oferta de carros-pipas, concessão de insumos aos agricultores, orientação técnica para o plantio, colheita da cultura cultivada e campanha para o uso consciente dos recursos hídricos são algumas das ações efetivadas pela Secretaria Municipal de Agricultura e dos Recursos Hídricos (SEMARH) para a convivência com a seca.

Água é matéria de alto valor agregado (Foto: PMM)

O período de estiagem se prolonga há quase quatro anos e é o pior das últimas cinco décadas no Município. Diante desse quadro, a Semarh se mostra empenhada para elaborar e colocar em prática medidas que assegurem a qualidade de vida das famílias do campo e com condições de trabalharem na sua terra.

“Percorremos diariamente as comunidades rurais de Mossoró, conversando com os moradores e os agricultores para juntos buscarmos as melhores saídas para esse período de estiagem. O Poder Municipal levantou como bandeira de trabalho no setor da Agricultura e dos Recursos Hídricos, a garantia da oferta de água satisfatória e de qualidade para consumo do ser humano, animal e na atividade agrícola”, disse o secretário da Semarh, Rondinelli Carlos.

Óleo diesel

Atualmente, a Prefeitura Municipal administra mais de cinquenta poços com dessalinizadores e oferta gratuitamente a energia elétrica para o funcionamento dos poços, com investimento mensal de quase R$ 70 mil alocados para o pagamento da energia elétrica e a manutenção dos dessalinizadores. Os moradores rurais recebem orientação da Semarh para utilizarem as cisternas quando tiver água na rede, evitando o uso do motor elétrico.

O incentivo aos agricultores vem também através da distribuição do óleo diesel, pelo Projeto Semear, que oferta gratuitamente o combustível utilizado no corte de terra, contemplando mais de cinco mil famílias. O projeto Garantia Safra é uma segurança financeira para o agricultor, em casos de excesso ou falta do recurso hídrico. O incentivo injeta na economia local mais de 1,6 milhão.

Nas suas parcerias, o Poder Municipal, aliado a empresas como o Sebrae e a Petrobras, colocaram em prática projetos como os quintais produtivos, que são alternativas de renda para o agricultor, ao plantar culturas diversificadas e propícias ao solo do semiárido. O funcionamento de tanques que reaproveitam a água dos dessalinizadores evitou o desperdício e deixou propício à criação de tilápias.

Com informações da Prefeitura de Mossoró.

 

 

A inocência dos santos e do povo diante da seca

Por que tantos séculos depois, ainda enfrentamos o tal do “fenômeno da seca” no Nordeste?

Ainda no tempo da chegada de colonizadores (exploradores) e jesuítas ao país, século 16, em que tínhamos uma vegetação praticamente original, também havia estiagem. O sol era o mesmo: abrasador.

Relatos preservados por documentos oficiais da Coroa Portuguesa e jesuítas, em especial, provam isso.

Saímos da situação de Colônia, transformamo-nos em um país de regime monárquico, saltamos para a condição de República e… lá se foram mais de 500 anos sem que o quadro melhorasse para o nativo e novos ocupantes desse território.

A natureza é a mesma, com variações naturais e cíclicas e ação do homem, mas o homem é que precisa aprender a conviver com essa realidade.

Problema do RN e do Nordeste não é falta de chuva. Faltam governos e governantes com espírito público e foco em prioridades para o povo. Em áreas desérticas mundo afora, como Israel e Califórnia, chove menos do que no Nordeste e não temos notícias de retirantes, carros-pipa.

Em termos do Rio Grande do Norte, avançamos muito pouco ou quase nada. Temos ações pontuais. Na maioria dos casos, há sempre medidas “emergenciais”.

O que o poder público poderia ter feito de forma definitiva e mais eficaz, praticamente ignorou.

O Rio Grande do Norte, por exemplo, poderia fazer um inventário de seu capital hídrico com amplo cadastramento de reservatórios públicos e privados.

A partir daí, passaria a fazer um planejamento e execução de programa de remanejamento de águas – com sistema interligado – a regiões e municípios mais críticos. Custo poderia ser superlativo, porém muito barato num comparativo com os bilhões despejados nas emergências.

Esse tipo de iniciativa, aliada a programa estadual permanente de transporte rodoviário/ferroviário de água, poderia impedir o que ocorre em Luís Gomes, que está há quase 600 dias sem água nas torneiras.

Realidade que se repete com o nome de "fenômeno" há séculos

Dentro desse contexto, deveríamos permanentemente ter investimento em dessalinizadores, poços e outras modalidades de reservatórios.

Não devemos esquecer a própria economia agropecuária. Os pequenos produtores praticamente não têm apoio. Muitos precisam vender seu gado esquelético ou testemunharem a morte de todo  um rebanho de forma cruel.

O poder público precisa garantir a sobrevivência e ampliação do rebanho, apoiando em eventual transporte das reses, alimentação e algum tipo de “bolsa” para impedir essa tragédia cíclica.

Reservatórios como Santa Cruz, Armando Ribeiro e Umari podem ter melhor aproveitamento.

A ampliação do programa de adutoras é um diferencial que os governos têm apostado, desde Garibaldi Filho (PMDB).

Temos aí Transposição do Rio São Francisco, obra pensada há décadas, mas que até agora tem feito apenas a alegria dos corruptos, com superfaturamento e rateio do butim.

Enfim, muito pode ser feito.

Falta sensibilidade. A seca não é o problema. Problema é a falta de interesse dos governantes.

Ações emergenciais dão mais lucros e votos.

E, por favor, não cupem São Pedro nem exijam demais de São José.

Eles, como a massa sertaneja cá embaixo, são inocentes.

“A seca é um terror”

Um amigo, há poucos dias, cruzou de carro os estados do Rio Grande do Norte, Paraíba e Ceará, até chegar a Igarassu-PE. Foram 59 municípios.

“A seca é um terror”, lacrimejou. “Gente sofrida, gado morto à beira da estrada” – complementou diante do editor desta página.

Tudo como dantes.

E na região são edificados três estádios de futebol suntuosos para a Copa do Mundo de 2014.

O caso, é fácil de percebermos, não é de estiagem climática, mas escassez de ação política, de ação proativa cidadã.

Inculto e dependente das migalhas que os poderosos reservam há séculos à manutenção do seu domínio, o povão ainda vai aplaudir os “pais da água”, mesmo que seja uma benção dos céus.

Rede Globo mostra drama da falta de água no RN

O Jornal Nacional (Rede Globo de Televisão) mostrou hoje à noite uma reportagem especial, em que a jornalista de rede Michele Rincon retratou a falta de abastecimento de água em Luís Gomes (RN) há mais de um ano.

O descaso, a falta de respeito com o ser humano, deu a dimensão de um problema mais do que secular: a falta de prioridade que atenda aos interesse público e não às aspirações politiqueiras.

De São Paulo, diante da TV, um dos filhos mais ilustres de Luís Gomes, o professor, consultor político e escritor Gaudêncio Torquato desabafou através de seu endereço no Twitter:

– Acabo de ver matéria de Michele Rincon sobre a falta d’água em Luis Gomes, RN. Uma vergonha nacional!

– Um ano sem água nas casas. Água de carro-pipa. Parece que vivemos governo da década de 30. Governo Estadual.

– Luis Gomes é minha querida cidade natal. Pois é, naqueles velhos tempos – saudosos tempos = a água era abundante. E os governos funcionavam.

Veja AQUI a reportagem na íntegra, em vídeo.

Prefeitos atrapalham atendimento às vítimas da seca

A maioria dos municípios do Rio Grande do Norte – dentre os 139 considerados em situação de emergência – ainda não está apta a receber auxílio financeiro do Governo Federal para combater os efeitos da seca. A questão foi colocada durante a reunião do Comitê Estadual de Combate aos Efeitos da Seca, realizada na noite desta segunda-feira (11), na Governadoria.

O problema está sendo ocasionado pela demora das Prefeituras em atender as solicitações da Defesa Civil Estadual quanto à entrega da documentação necessária para a criação de uma conta no Banco do Brasil, em nome do município, para que seja entregue o Cartão Bolsa Estiagem.

Apenas 66 dos 139 municípios em situação de emergência deram entrada na documentação. Já em relação ao Seguro Garantia Safra, apenas duas cidades – Itajá e Tabuleiro Grande – estão com toda a documentação pronta e aptas a receberem os recursos que serão repassados pelo Governo do Estado.

Com informações da Assessoria de Imprensa do Estado.

Nota do Blog – Pobre Rio Grande do Norte, que tem uma ‘safra’ de prefeitos com tamanha insensibilidade, enorme incapacidade gerencial e nenhum espírito público.

Deviam arder na sétima grelha do inferno de Dante. Récua de incompetentes.

O problema da seca, estranhamente, não é falta de água. Existem regiões muito mais secas do que a nossa, mas que não vêem a estiagem como “fenômeno” insanável.

Festas juninas vão ser fiscalizadas em meio à seca

“Esses eventos têm finalidade desvirtuada, por vezes com sentido eleitoreito”. Essa a opinião de Thiago Guterres, procurador de Justiça junto ao Tribunal de Contas do Estado (TCE).

Ele fez o comentário durante entrevista à manhã de hoje no programa “Bom-dia, RN” da InterTV Cabugi.

Segundo Guterres, um elenco de órgãos fiscalizadores estão preocupados com festas juninas organizadas nos municípios potiguares, principalmente aqueles que decretaram “estado de emergência” devido a seca.

Ele disse que era insensata a prioridade do festim, quando milhares de pessoas sofrem privação de água potável, há consideráveis perdas de safras no campo e morte de animais.

Garantiu que a fiscalização será rigorosa, no acompanhamento dos investimentos dos recursos públicos.

Sobre Mossoró, em especial, ele ponderou que o “Mossoró Cidade Junina” tem peculiaridades muito próprias, pois é uma iniciativa da prefeitura, mas com recursos da iniciativa privada e suporte do Estado. A avaliação que se tem é de uma repercussão financeira positiva na economia local.

Federação dos Municípios, alerte prefeitos à razão

Por que Femurn (Federação dos Municípios do RN) em vez de choramingar por mais verba para prefeituras, não aconselha seus prefeitos a cancelarem festas juninas, de apoio a padroeiros e de emancipação?

Com uma estiagem afetando mais de dois terços do território potiguar, estado de emergência decretado em 139 dos 167 municípios, como podemos entender tal prioridade por festas em vez de apoio ao homem e à natureza, aos animais sedentos?

E aí, Femurn?

Faça sua parte.

Municípios da BA reduzem festas devido seca; já no RN…

A seca que assola a região Nordeste e até o Norte de Minas Gerais compromete a vida de animais e de seres humanos. Mexe com a economia e o cotidiano desses e outros municípios.

Na Bahia, por exemplo, as festas juninas em cinco municípios tiveram cancelamento. Noutros sete, as prefeituras informam que haverá redimensionamento na aplicação de recursos públicos.

A Bahia tem-se transformado num paraíso das festas juninas, com pesados investimentos.

A informação foi dada hoje pelo programa “Bom-dia, Brasil” – da Rede Globo de Televisão.

Nota do Blog – No Rio Grande do Norte, pelo menos 139 municípios decretaram “estado de emergência” devido a estiagem, mas mesmo assim continuam bancando o festim com o dinheiro público.

Um acinte. Um crime inaceitável.

Como estamos em ano eleitoral, é fácil entender as duas medidas: decreto de estado de emergência e manutenção de festas.