João Almino na ACJUS fala com acadêmicos e convidados (Foto: Bruno Ernesto)
No último dia 11 de agosto de 2025, a Academia de Ciências Jurídicas e Sociais de Mossoró (ACJUS), recebeu em sua sede, Palácio Cultural Acadêmico Milton Marques de Medeiros, o mossoroense, acadêmico e imortal João Almino, único potiguar a integrar a Academia Brasileira de Letras (ABL), eleito em 8 de março de 2017, na sucessão de Ivo Pitanguy na Cadeira nº 22, e empossado em 28 de julho de 2017, da prestigiada academia literária fundada em 26 de julho de 1897, e presidida por Machado de Assis.
João Almino traduz e é a prova maior de que Mossoró é um berço profícuo da cultura e que tem alcance para muito além de suas fronteiras.
A simplicidade de João Almino pode ser constatada em sua trajetória de vida, marcada pelas suas vívidas lembranças de uma Mossoró que lhe acolheu aquela criança nos primeiros anos de vida até, literalmente, ganhar o mundo como diplomata.
Sua mente e criatividade literária, aliada à sua sensibilidade como um observador atento do cotidiano e das transformações sociais e interrelacionais, refletem prodigiosamente em suas obras literárias, como nos romances “As cinco estações do amor”, “Samba-Enredo”, “Homem de papel”, “Cidade livre”, “Enigmas da primavera”, “Ideias para onde passar o fim do mundo”, “Entre facas, algodão” e “O Livro das Emoções”.
Além para esse olhar literário, suas obras não-ficcionais também demonstram que o seu olhar técnico como diplomata enxerga muito além da crítica comum, como nas obras “Os Democratas Autoritários”, “A Idade do Presente”, “500 anos de Utopia” e tantas outras.
Ao contrário daqueles encontros mais formais ou ritualísticos, sua passagem por Mossoró, segundo ele próprio registrou, foi um reencontro com o seu passado, com os personagens reais que marcaram sua primeira fase de vida e, visivelmente emocionado, detalhou sua trajetória e o orgulho de ser mossoroense, demonstrando como a força de vontade e, sobretudo, uma mente brilhante e criativa, o fez trilhar um caminho sempre amparado na literatura.
Foi interessante constatar que suas memórias de infância e juventude nas ruas de Mossoró, assim como nos sítios da família, em muito se assemelha a outras tantas, como nos episódios de livramento que teve, ao quase sofrer de um choque elétrico fatal ao brincar; ao quase ser arremessado cerca a fora pela freada do cavalo em disparada, e ao ser salvo pela irmã de um atropelamento – certamente fatal – quando partiu em disparada bem em frente à sua casa. A diferença, talvez, seja que ele consiga contar esses episódios com vontade de repeti-los.
Sua passagem por Mossoró essa semana também foi marcada ao ser homenageado na vigésima edição da Feira do Livro de Mossoró, onde participou de uma sessão de autógrafos e uma conversa literária com os leitores.
Almino testemunha foto sua sendo fixada em mural da ACJUS (Foto: Bruno Ernesto)
Aliás, em sua recepção na sede da Academia de Ciência Jurídicas e Sociais de Mossoró, registrou que foi com um prêmio literário – o seu primeiro -, que conseguiu as passagens para poder ir ao Rio de Janeiro e prosseguir com a sua formação acadêmica, graduando-se em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, mestrado em sociologia pela UnB, doutorado em História Comparada das Civilizações Contemporâneas pela École des Hautes Etudes en Sciences Sociales de Paris e pós-doutorado no Centro de Estudos Avançados da USP, além de ter sido agraciado com a Medalha de Ouro do Rio Branco, após ter sido aprovado em primeira colocação no Curso de Preparação à Carreira Diplomática do Instituto Rio Branco, o qual dirigiu posteriormente.
Numa conversa franca e direta, portanto, João Almino fez questão de registrar que valoriza todas as instituições de promoção e preservação da cultura e da literatura, pois são o contraponto e o elo entre quem produz e quem vive a cultura, e que é importante manter viva e a veia cultural pulsante de todas as formas possíveis.
De fato, João Almino é um exemplo para todos que ainda acreditam que a cultura, arte e, sobretudo, a literatura, ainda vivem, e que é necessário resistir para ser cada vez mais valorizada.
É interessante notar, todavia, que poucos veículos de comunicação registraram a passagem histórica de João Almino por Mossoró essa semana. Não por onde, isso reflete e faz constatar que a pauta literária e cultural vem perdendo espaço para outras menos proveitosas, embora resista.
Aliás, se não fosse a criatividade literária, que nos permite essa fuga da realidade controlada, se assim podemos dizer, a vida – bem ou mal – seria menos interessante para todos nós e, talvez, o narrador de “O Empréstimo”, conto do Bruxo do Cosme Velho, tivesse razão, ao dizer que podemos elogiá-la à vontade: está morta.
Almino é mossoroense e membro da Academia Brasileira de Letras (Foto: Rede social)
A Academia de Ciências Jurídicas e Sociais de Mossoró (ACJUS) recepciona o seu sócio honorário João Almino nesta segunda-feira (11), às 20h30, no Palácio Cultural Acadêmico Milton Marques de Medeiros. Ele será homenageado pela casa. A visita representa um marco histórico para a entidade.
Ocupante da cadeira 22 da Academia Brasileira de Letras (ABL), nascido em Mossoró, João Almino está na cidade também para participar da Feira do Livro de Mossoró (FLIM), que acontece no Campus Central da Universidade do Estado do RN (UERN) – veja AQUI, participando de sua abertura nesta tarde de segunda-feira.
Perfil
João Almino, escritor e diplomata brasileiro, nasceu em Mossoró, no Rio Grande do Norte, em 1950. Ele é membro da Academia Brasileira de Letras e autor de vários romances premiados, além de escritos de história e filosofia política reconhecidos como referência para o estudo do autoritarismo e da democracia.
Ideias para Onde Passar o Fim do Mundo, Samba-Enredo, As Cinco Estações do Amor, O Livro das Emoções, Cidade Livre e Homem de Papel são alguns dos seus romances. Mas existem incursões a outros gêneros com ensaios como Os Democratas Autoritários, Era uma Vez uma Constituinte e 500 Anos de Utopia.
Academia e diplomacia
Almino tem uma formação acadêmica sólida, com bacharelado em direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), mestrado em sociologia pela Universidade de Brasília (UnB), doutorado em História Comparada das Civilizações Contemporâneas pela École des Hautes Études en Sciences Sociales de Paris e pós-doutorado na USP.
No campo diplomático, trabalhou em representações brasileiras na França, México, EUA (Washington, Miami, São Francisco), Líbano, Inglaterra, Espanha e é Embaixador do Brasil no Equador. Também lecionou em instituições como UNAM, UnB, Instituto Rio Branco, Berkeley, Stanford e Universidade de Chicago .
8ª Feira do Livro de Mossoró no dia 11 de agosto de 2012, há quase 13 anos, o editor do BCS e Lira Neto (Foto: Arquivo)
O jornalista e escritor cearense, Lira Neto, anunciou neste domingo (23):
“Estou trabalhando no livro que, acredito, será o melhor e mais importante de minha carreira como autor de não ficção. A biografia de Luiz Gonzaga, que já tem contrato assinado com a Companhia das Letras.”
Lira tem mais de dez livros publicados e venceu quatro vezes o Prêmio Jabuti de Literatura (2007, 2010, 2013 e 2014).
Na lista de livros, esses, por exemplo:
Padre Cícero: Poder, Fé e Guerra no Sertão;
Castello: A marcha para a ditadura;
O Inimigo do Rei: Uma biografia de José de Alencar;
Maysa: Só numa multidão de amores;
Trilogia sobre o presidente e ditador Getúlio Vargas;
Oswald de Andrade – O mau selvagem.
Vem à minha memória, uma oportunidade especial de intermediar bate-papo dele com plateia, na 8ª Feira do Livro de Mossoró, dia 11 de agosto de 2012.
Recebemos convite para lançamento de um livro bastante aguardado.
O médico cardiologista por profissão, músico e escritor João Paulo Gurgel de Medeiros apresentará “Água de Chloé”, seu terceiro livro, no próximo dia 1º de novembro.
Será no Partage Shopping Mossoró, precisamente na Livraria Arte e Saber, dentro da Feira do Livro de Mossoró.
Águas de Chloé tem 257 páginas, capa produzida pelo artista plástico Carlos Careca e sairá com o selo da Editora Tinteiro Azul.
“(…) A história que se desenvolve entre as fictícias Cálida e Solária e acaba em Veneza, explora tanto as profundezas psíquicas de dr. Marcos, quanto mostra sua dedicação para com os pacientes, indo na contramão narcisista em que vivemos“, resenhou o “Rascunho”, o maior impresso literário do país, ao destacar esse título na edição de agosto último (veja AQUI).
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O capitão Jair Bolsonaro (PSL) marcha para uma vitória superlativa nas urnas no segundo turno. Um fenômeno. É provável que supere o recorde obtido por Lula da Silva (PT) em 2002, que à ocasião empalmou 61,27% dos votos no segundo turno, contra José Serra (PSDB).
O petista acumulou 52.793.364 de votos há 16 anos.
Sempre comentei e repeti (antes até de campanha e das eleições no primeiro turno), não acreditar que Bolsonaro chegasse à vitória. Como ele chegou até aqui com tamanha força?
Numa visão primária e muito simplista, muita gente fala no “antipetismo” como a razão dessa onda. O antipetismo é a centelha, não o substrato. O voto maciçamente no primeiro turno foi antissistema. Votação em todo o país mostrou isso. Aqui mesmo no RN.
O candidato do PSL soube galvanizar os diversos segmentos sociais e reforçou retórica palatável, populista, em contraposição à desesperança e indignação de boa parcela do povo, em relação ao status quo e à elite social, econômica e política de um país, o denominado establishment.
EM SOLO POTIGUAR, o protesto varreu vários nomes imbatíveis e ‘certos’ à vitória, ao mesmo tempo em que catapultou a senadora Fátima Bezerra (PT) para o segundo turno, como a mais votada, além de surpreendentemente eleger dois deputados federais por seu partido, Natália Bonavides e Fernando Mineiro.
Esse mesmo votante fez do general Eliéser Girão (PSL), porta-voz de Bolsonaro no estado, um dos campeões de votos à Câmara dos Deputados.
Na Câmara Federal, o PT foi o partido que mais elegeu parlamentares (56), mesmo com número inferior ao obtido em 2014, quando foram 69 os efeitos (13 a menos).
Com tal postura, o eleitor implodiu a “presidenta” Dilma Rousseff (PT) em Minhas Gerais, em sua tentativa de ser senadora, mas também enxotou Eunício Oliveira (MDB) no Ceará e Romero Jucá (MDB) em Roraima, que queriam se manter no Senado.
Como postamos na coluna da semana passada, “essa tsunami também não ficou localizada à esquerda ou a direita. Foi generalizada” (Leia: O caráter punitivo do “voto útil”).
Lá adiante, o tempo e estudos que vão além do achismo, darão um retrato mais consistente sobre esse período. Agora, tudo está ainda efervescente, em ebulição. Soa arrogante se fazer alguma afirmação categórica. A sociologia, a antropologia, a psicologia, a psicologia social, a ciência política, a história e outros ramos dos estudos sociais terão respostas mais sólidas posteriormente.
PRIMEIRA PÁGINA
Pesquisas para todos os gostos e propósitos – Na reta final de campanha, você escolhe a pesquisa que quiser. Tem para todos os gostos nesse mercado de secos e molhados da política potiguar. Temos pesquisas informativas (sérias), tracking (de monitoramento), para consumo interno, pesquisa de araque (só para divulgação em WhtasApp) e também pesquisa com registro e tudo o mais, feita para indução ao voto. Aproveite, aproveite!
Ex-candidata a vice-prefeito segue carreira docente – Rayane Andrade (PT), candidata a vice-prefeito de Mossoró na chapa de Gutemberg Dias (PCdoB) em Mossoró, no ano de 2016, está em fase conclusiva de mestrado em Direito Constitucional na Universidade Federal do RN (UFRN), mas com atenção profissional voltada para o Centro-Oeste. Ela foi aprovada em concurso para docência da Universidade Estadual de Goiás (UEG), em Goiânia. Bacana demais. Parabéns!
Gustavo ficou com Carlos Eduardo e Ezequiel está com Fátima Bezerra em costura de olho na AL (Foto: arquivo)
Gustavo e Ezequiel cravam duplo na sucessão estadual – O grupo dos deputados estaduais Ezequiel Ferreira (PSDB) e Gustavo Carvalho (PSDB) cravou um duplo na sucessão estadual do RN no segundo turno. Cada um ficou de um lado. Ezequiel, com Fátima Bezerra (PT); Gustavo, com Carlos Eduardo Alves (PDT). A manobra não é por acaso. A estratégia visa fechar em 100 por cento a viabilização de candidatura de um ou de outro à Presidência da Assembleia Legislativa no próximo biênio (2019-2020). A astúcia conta com amplo apoio preliminar de eleitos e reeleitos, mas não é uma ciência exata. Atual presidente, Ezequiel venceu Ricardo Motta (PSB) em 2015 na disputa interna, quando tudo dava a entender que não aconteceriam surpresas. Ezequiel é a prova de que “surpresas” existem em eleições internas na AL.
Ex-candidato ao Senado é nome pensado para pasta da Saúde – Candidato ao Senado no primeiro turno das eleições no Rio Grande do Norte, na Coligação Do Lado Certo, o médico Alexandre Motta (PT) é cotadíssimo para ocupar pasta da Saúde, num eventual governo Fátima Bezerra (PT). Ele tem largo conceito além dos limites partidários e da própria categoria médica, além de circular no universo forense.
Tatiana Mendes não cruzou os braços no segundo turno – Titular “imexível” até o final do Governo Robinson Faria (PSD) na pasta do Gabinete Civil, Tatiana Mendes Cunha não cruza os braços na política eleitoral neste segundo turno. No primeiro, ela votou e trabalhou para o governador Robinson Faria (PSD), que não obteve êxito na reeleição. Agora, qualquer coisa, acionem Tatiana. Entendi.
STF não precisa de ninguém para desmoralizá-lo – Gravação em que o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL), reeleito deputado federal por São Paulo, questiona força do Supremo Tribunal Federal (STF) e comenta que esse poder pode ser fechado por “um soldado e um cabo”, ganhou enorme repercussão no final de semana. Nem deveria. Mas como estamos num momento de tensão eleitoral, compreensível. O STF há muito que se desmoraliza sozinho, sem precisar de nenhum empurrão externo. Por vezes tem-se apresentado como força auxiliar de grupos e partidos ou compadre de interesses particulares. Precisamos de um STF autônomo, soberano, com gente de notável saber jurídico e zelo à Constituição. Nada mais do que isso.
Deputado federal verde-oliva é parlamentar federal do rosalbismo e de Mossoró – Ex-secretário de Estado da Segurança Pública e ex-secretário municipal da Segurança em Mossoró, ambos cargos em gestões da hoje prefeita Rosalba Ciarlini (PP), o general da reserva Eliéser Girão Monteiro Filho (PSL) é deputado federal do rosalbismo. Com o fracasso do projeto de reeleição do deputado federal Beto Rosado (PP), Girão passa a ser um representante político desse grupo na Câmara Federal, até pela afinidade que tem com quem o chamou para esses cargos. Sua eleição é um atenuante para o rol de fracassos até aqui desse esquema político.
Candidatos se esquivam de questões delicadas – A campanha vai chegando ao seu final, com os candidatos ao governo estadual se esquivando de questões delicadas. Evitaram ao máximo falar direta e francamente quanto aos remédios que pretendem utilizar para que estado saia da insolvência. Poderemos ter demissão até de servidores de carreira, proposta de aumento da alíquota previdenciária, privatização de empresas e venda de outros ativos públicos, além de tentativa de reordenamento de duodécimo da Assembleia Legislativa, Defensoria Pública, Ministério Público do RN (MPRN), Tribunal de Contas (TCE/RN) e Tribunal de Justiça do RN (TJRN). Para situação excepcional, medidas excepcionais. Não há remédio doce para problemas tão graves como os vividos pelo estado.
EM PAUTA
Sem pagamento – A empresa Infraestrutura em Controle do Espaço Aéreo e Aeroportos (INFRACEA), com sede em Brasília, e que administra o Aeroporto Dix-sept Rosado de Mossoró, está sem pagamento atualizado por seus serviços. O Governo do Estado não cumpre suas obrigações. A infracea tem comprometimento de folha de pessoal e outros compromissos devido essa situação. Teve publicação de edital como vencedora de licitação no dia 27 de junho deste ano (veja AQUI).
Beleza Urbana – Feliz, feliz muito pelo sucesso de uma história que conheço de perto e como poucos. Aplausos para Ana Cléa e seu Beleza Urbana – localizado à Rua Amaro Duarte, 170, pertinho da Praça do Rotary (Nova Betânia, Mossoró). O salão ficou no capricho para o culto à beleza, à autoestima e à Vênus que cada mulher tem em si. Mas os homens também são bem-vindos por lá. Sucesso, querida.
Ana Cléa: Beleza Urbana (Foto: redes sociais)
Dorian – Em alusão aos 85 anos do nascimento de Dorian Jorge Freire e 70 anos de seu início na imprensa, a Feira do Livro de Mossoró irá promover o bate-papo “Em busca de Dorian: entre crônicas e reportagens”, que acontecerá no dia 31 (quarta-feira). Participarão do evento os professores da Universidade do Estado do RN (UERN) Esdras Marchezan, Aluísio Barros e Marcílio Falcão. Nascido em Mossoró, Dorian foi jornalista, professor, escritor e integrante da Academia Norte-rio-grandense de Letras (ANL). Faleceu em 24 de agosto de 2005 em Mossoró.
Clauder – O escritor Clauder Arcanjo vai ser empossado no próximo dia 1º de novembro na Academia de Letras do Brasil (ALB), em sessão marcada para começar às 20, na Associação Nacional de Escritores (ANE), em Brasília. Obrigado pelo convite, meu caro. Infelizmente não poderei comparecer.
Palavra de Mulher – O espetáculo “Palavra de Mulher”, misto de show e teatro em que as cantoras/atrizes Lucinha Lins, Tania Alves e Virgínia Rosa interpretam personagens femininas da obra de Chico Buarque de Holanda, vai ser apresentado em Mossoró. Será no dia 2 de novembro, às 21 horas, no Teatro Dix-huit Rosado.
Veron – O Real Madrid está interessado na contratação de mais uma jovem promessa do futebol brasileiro. Segundo informações divulgadas neste domingo (21 de outubro) pelo programa El Larguero, da rádio espanhola Cadena Ser, os merengues monitoram o jovem assuense Gabriel Veron, do Palmeiras. O atacante de 16 anos chamou atenção do Real durante a disputa do Mundial Sub-17 de clubes, disputado no último mês de junho. O Palmeiras foi campeão na final justamente em cima do Real Madrid. Naquela final, o time paulista venceu por 4 a 2, com um gol marcado por Gabriel. No total, o jovem balançou as redes nove vezes em seis partidas e foi o artilheiro e o melhor jogador da competição. (Blog Tatutom Sports/Fox Sports).
SÓ PRA CONTRARIAR
Depois da era do “voto de cabresto”, agora querem nos convencer da existência do “voto de zap-zap”.
GERAIS… GERAIS… GERAIS…
O radialista Jarbas Rocha (Princesa FM 90 do Assu) planifica retomada de página própria na Internet. Promessa de muito êxito.
Obrigado à leitura do Nosso Blog a Nadja Escóssia (Tibau), Carlos Nascimento (Mossoró) e Edinael Castro (Upanema).
Veja a edição anterior da Coluna do Herzog (15/10) clicando AQUI.
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Novembro de 2015. Lá estávamos numa sala de apoio da Feira do Livro de Mossoró: João Almino, Jotta Paiva e eu. Jornalista, Jotta Paiva tinha o objetivo preciso de entrevistar João Almino. Enquanto que a minha “obrigação” era a de acertar detalhes para a sequência da “mesa”, que logo se desenrolaria no palco principal do evento, onde Almino seria o protagonista e eu, um mero coordenador.
Naqueles poucos minutos, estava meio complicado avançarmos nas tarefas, pois éramos interrompidos constantemente: primos e amigos de João adentravam à saleta desejosos em abraçá-lo, saudá-lo, ávidos em manifestarem a satisfação do reencontro. Por outro lado, representantes de entidades literárias e culturais também irrompiam reivindicando alteração no roteiro pré-estabelecido, no afã de prestar-lhe homenagens.
Intuitivamente fiquei observando o comportamento de João Almino. Aos parentes e amigos, João esboçava humanísticas reações, ou seja, sem alardes descabidos, contudo extremamente afetuoso, dispensava uma cordialidade que se estendia, na medida do possível, ao esforço de corroborar com as “reconstruções” das lembranças, muitas das quais sacadas dos recôncavos das memórias.
Almino e David Leite na Feira do Livro (Foto: cedida)
Em relação aos representantes das entidades, João delineava concordância quanto às ampliações propostas, porém sempre olhando para mim, como a perguntar se eu, como coordenador, não se opunha. Claro que a minha resposta era de aquiescência.
Seria descabido tolher aquele espectro de euforia que pairava no ar. Afinal de contas, era um filho ilustre que voltava à sua cidade numa condição especialíssima.
Particularmente, até então, não conhecia pessoalmente o nobre conterrâneo. Éramos amigos “virtuais”, vamos assim dizer; e, há tempo, fazíamos o chamado “escambo” de livros.
Enviei-o, por exemplo, nosso livro Cartas de Salamanca (Sarau das Letras, 2011), e recebi dele um agradecimento mais ou menos assim: “David, gostei especialmente desse seu livro, pois tanto fala sobre a Espanha, onde estou servindo como diplomata, como retrata aspectos de nossa Mossoró”.
Ainda estava em Salamanca, nos últimos meses do doutorado, quando João chegou à Espanha, na qualidade de cônsul. Costumava brincar com os colegas: “Estou doido que apareça um problema em meu ‘visto de permanência’ para eu ir ao consulado em Madri. Afinal de contas, seria muito bom um mossoroense ser atendido por outro mossoroense”.
Claro que era da boca pra fora, pois nem augurava o problema e, muito menos, queria importuná-lo.
Mas a vida nos reservou o momento de convergência literária. Significativo momento, diria. Já havia lido outros livros de João, entretanto Enigmas da Primavera (Record, 2015) me propiciou um prazer especial. Ambientado entre Brasília e Espanha, o romance desenrola-se dentro de uma perspectiva jovial, movimentada e calcada em um lastro de bem urdidas abordagens histórica e filosófica, num melhor diapasão possível.
Sem pedantismo, a obra nos leva a navegar, avaliar e sopesar sentimentos religiosos e políticos, que se tangem, na maioria das vezes, de forma equivocada. Naquela tarde-noite, tive oportunidade de entabular perguntas sobre o referido livro, para que o público pudesse ouvir esclarecedores comentários do próprio autor.
Ao fim e ao cabo, já nos bastidores, João Almino me fez um comentário, deixando-me com uma ponta de vaidade, confesso: “David, depois das perguntas, posso dizer que a sua leitura foi atenta e perspicaz”.
Bem, agora, quando da eleição de João Almino para uma das cadeiras da Academia Brasileira de Letras (ABL), me veio logo a vontade de escrever estas linhas. Por vivermos um momento ímpar: é o primeiro filho de Mossoró a galgar uma cadeira no mais festejado templo das letras brasileiras. Registre-se, o quarto potiguar.
Porém, por um cacoete mnemônico ou bairrista, derivado, talvez, pela aproximação dos nomes, o que não para de ressoar em minha cabeça é uma frase de Almino Afonso, tribuno da Abolição: “Os ventos do deserto prologam ainda estrofes suavíssimas de primor patriótico, repetindo, cem vezes o nome de Mossoró”.
Canhestramente, valho-me da frase de Afonso, para dizer que desta feita é o outro Almino, o João, que reverbera o nome de nosso chão com seu primoroso pulsar das letras. Elevando-o, assim, por inesperadas alturas.
David Leite – Doutor pela Universidade de Salamanca (Espanha) e professor da Universidade do Estado do RN (UERN).
Pesquisando sobre Tibau (município a 42 quilômetros de Mossoró) no arquivo do centenário jornal O Mossoroense, são poucos os registros anteriores à primeira metade do Século XX e encontramos duas razões: a primeira talvez porque Tibau pertencia ao estado do Ceará até 1920; e segundo, porque não havia estrada de rodagem até 1932, o que dificultava o percurso entre Mossoró e a então Vila de Tibau.
Nesse tempo, Areia Branca era mais presente nas páginas dos jornais de Mossoró, havia a estrada para Areia Branca, motivada pelo grande volume de negócios em consequência do porto, por onde chegavam e saiam as mercadorias comercializadas em Mossoró e região oeste. Então, o fluxo de pessoas entre Mossoró e Areia Branca, trazendo e levando notícias, era bem maior.
Desde que Henry Koster – um português nascido em 1793, filho de pais ingleses – passou por Tibau, em 1810, montado em cavalo, em sua passagem pelo nosso litoral, escreveu sobre os morros de areia colorida, Tibau tem sido citada e cantada pelos apaixonados por seu mar limpo e falésias. O texto de Henry Koster sobre Tibau foi publicado em jornal inglês, em 1816. Depois, ele o incluiu no livro Travels in Brazil.
Pois bem, a partir do texto de Henry Koster, decidi pesquisar outros autores ou pessoas comuns que escreveram sobre Tibau. Juntei meu acervo de livros produzidos no Rio Grande do Norte, mais os que garimpei nos sebos – a maioria publicados pela Coleção Mossoroense, do abençoado Vingt-un Rosado – e trouxe para Tibau, onde li mais de trezentos deles, filtrando tudo o que foi publicado sobre Tibau.
Pela leitura dos livros e jornais antigos, percebe-se o tratamento que davam a esse pedaço de chão. Até a década de 1920, é ‘povoado de Tibau’. Depois, ‘pitoresca estância balneária’. A partir da década de 1950, ‘praia do Tibau’. E até sua emancipação, em 1995, ‘Vila do Tibau’.
A partir do episódio da invasão do bando de Lampião a Mossoró, em junho de 1927, Tibau passou a ser considerada um excelente refúgio, servindo de abrigo às famílias que preferiram se esconder a correr o risco de morrer como heróis da resistência a Lampião.
Antes de 1932, quando construíram a estrada de rodagem, Tibau era citada como um lugar distante, quase inalcançável, ou seja, uma aventura sair de Mossoró para Tibau. A pé, são até hoje, exatamente, doze horas.
Vinha-se de cavalo, jumento ou carro de bois. A partir de 1915, quando inauguraram o primeiro trecho da estrada de ferro, entre Areia Branca e Mossoró, surgiu a opção de vir de trem até Porto Franco, onde pegava-se uma charrete ou carro de boi e a viagem prosseguia à beira mar.
Os primeiros veranistas, da década de 1890, só alcançavam Tibau a cavalo. A partir de 1900, vinham em carros de bois. Saíam de Mossoró num dia e chegavam no outro, sempre pernoitando em alguma fazenda no meio do caminho.
Lazer e descanso
Através dos poucos registros na imprensa, tomamos conhecimento de como Tibau passou a ser uma opção de lazer ou descanso. Esses desbravadores pioneiros nunca receberam homenagens do poder público tibauense, não são patronos de ruas ou prédios públicos, como acho que mereciam.
Mas Tibau tem nome de mossoroenses como patronos de ruas só pelo fato de ter sido proprietário de casa de veraneio. Esse livro permitirá que o poder legislativo tome conhecimento da história desses homens e mulheres e suas relações e vínculos com Tibau para, quem sabe, merecer homenagens futuramente.
Foi o cearense doutor Castro, primeiro médico a atuar em Mossoró, que propagou que as águas e o clima de Tibau curavam algumas doenças. E, assim, passou a ser o primeiro relações públicas de Tibau. Indicou o tratamento, por exemplo, ao poeta e escritor, Henrique Castriciano que, tempos depois fundou a Escola Doméstica de Natal.
O trabalho de pesquisa não ficou somente nos livros e jornais. Em 2009, passei a apresentar o programa Tibau de Todos os Tempos, na FM Tibau, entrevistando nativos e veranistas sobre Tibau, claro. Criei no Facebook um grupo com o mesmo nome do programa e passamos a ter acesso a inúmeras fotografias de Tibau, a partir da década de 1930, através da contribuição dos membros que foram buscá-las no fundo do baú.
As fotos revelam uma Tibau com morros, casas de taipa, cobertas de palhas, os Pingas, as falésias, a famosa Furna da Onça ou Buraco da Sereia; da Tibau onde famílias de empresários, médicos, funcionários públicos e profissionais liberais passavam meses com suas famílias, numa Tibau sem energia elétrica, água encanada, automóveis, ultra-leves, bugres, barcos, jet-sky ou quadriciclos.
Essas famílias vinham em busca de tranquilidade, de uma vida simples, onde seus filhos pudessem correr à beira mar, brincar entre os morros de areia colorida, caminhar com os pés descalços nas ruas de areia, brincar com os animais, jumentos, carneiros e bodes; com aves como galinha, galo e pintinhos. Podiam ouvir o cantar dos pássaros, chupar cana, comer tapioca, beiju, gelé de côco, tomar água de côco, dentre outras delícias oferecidas por crianças e jovens em meio às casas dos veranistas.
Férias
Independente da conta bancária do veranista, em Tibau, sua família levava uma vida comum dentre os nativos: dormia em redes, até nos alpendres, a comida era preparada em fogão à lenha, bebia água das vertentes, comia o peixe pescado em jangadas que voltavam no final da tarde, onde se misturavam veranistas e nativos, para alegria da garotada, curiosa para ver aqueles a quem, Raimundo Nonato denomina de vaqueiros do mar.
Até muito pouco tempo, as famílias ainda vinham a Tibau com essa intenção, de férias para dias diferentes da vida que levam na cidade grande, de poder dormir sem aparelho de ar condicionado, sem micro-ondas, sem telefone ou qualquer meio de comunicação. Mas os hábitos vão mudando, de acordo com as gerações. Já não se anda mais com os pés descalços, já não há mais serenatas.
Resta a saudade daqueles tempos em algumas famílias tradicionais que ainda mantêm residências à beira mar ou no entorno da Capela de Santa Teresinha.
As casas de taipa deram vez às mansões e apartamentos – inclusive em condomínios fechados – com aparelhos de telefone celular, internet, antena de TV por assinatura e tudo o que o mundo moderno eletro eletrônico permite, com exceção de uma ou outra como, por exemplo, a do casal Ildérica e João Cantídio, construída em 1929 e ainda mantida em seu estilo original.
Mas os avanços como, por exemplo, a estrada asfaltada em pista dupla reduzindo o tempo da viagem para, no máximo, meia hora, ainda não entrou na mente de muita gente que mantém a casa fechada de fevereiro a dezembro. É como se Tibau ainda fosse muito longe ou algo como um projeto de longa distância. Não usufruem da natureza, do mar e do céu limpos disponíveis de janeiro a janeiro. Com raras exceções. Alguns mudaram para Tibau e vão diariamente trabalhar em Mossoró.
Esse livro, portanto, reúne fotos, textos de livros, revista, jornais e redes sociais, onde escritores, jornalistas, médicos, pesquisadores, pensadores, poetas, formadores de opinião ou pessoas comuns citam Tibau. Cada texto é precedido de uma curta biografia e comentário acerca do autor para ajudar o leitor a situá-lo. Não podia também faltar músicas em homenagem a Tibau.
Reunimos fotos e as primeiras imagens registradas de Tibau, são da década de 1930, período em que o fotógrafo cearense, Manuelito Pereira, migrou para Mossoró. A maior parte dessas fotos estão sem os créditos, porém, agradeço quem possa nos informar da autoria para registrarmos em futuras edições.
Registros fotográficos
Esses registros fotográficos reúnem membros das famílias Escóssia, Cantídio, Nogueira Mendes, Andrade Freire, Gadê, Monte Rocha, Ferreira Leite e Rosado Maia e alguns – poucos – nativos.
Sou grata a quantos facilitaram a pesquisa, aos que atenderam à minha solicitação de textos e material fotográfico e aos que apoiaram através de um simples incentivo.
À Misherlany Gouthier, que digitou todo esse material e também colaborou com a pesquisa e material fotográfico, minha eterna gratidão.
Agradecer também ao nobre colega, Carlos Adams, pela revisão final, como tem feito nos últimos onze anos, em todos os meus livros publicados.
À Consuelo Freire que, de Brasília, colaborou dando tratamento ao material fotográfico aqui publicado com melhor qualidade.
Ao inesquecível e eterno Vingt-un Rosado, por tudo que fez para deixar registrado em livros e plaquetes, páginas da história de nossos dias, de nossos antepassados, costumes, cultura, fatos e curiosidades da nossa província. O Rosado que mais fez diferença na história recente do Rio Grande do Norte e está eternizado, jamais será esquecido ou deletado pelas gerações futuras. E, por isso, o maior mossoroense de todos os tempos.
Como saber dos outros sem a publicação dos feitos deles? Você foi mil, merece a devoção, o respeito e as homenagens de tantos quantos souberam, sabem e saberão de sua existência. Alguém que conheci na infância – fomos vizinhos – e Deus me deu o privilégio de regressar à Mossoró, a tempo de uma salutar convivência em seus últimos anos de vida. Esse livro é uma viagem no tempo, dito por quem viveu todas as fases de Tibau.
A pesquisa continua para futuras publicações e será um prazer receber colaboração de quem desejar contribuir para o enriquecimento da história de Tibau, através de textos publicados ou que estejam perdidos em alguma gaveta ou baú.
Esse é o primeiro de uma série de livros dedicados a Tibau, com entrevistas numa troca de irmandade entre nativos e veranistas.
Lançamento
Lançado no último dia 19 de agosto de 2016, na 12ª Feira do Livro de Mossoró, Tibau de Todos os Tempos, Volume I, é o primeiro de uma série de livros-reportagens, de autoria da jornalista Lúcia Rocha, moradora de Tibau desde 2009. Em sua apresentação, a autora explica o que a levou a escrever sobre Tibau e como se deu o processo de criação do primeiro volume.
Lúcia Rocha, padre Sátiro Dantas e Mário Ilo no lançamento do 'Tibau de todos os tempos' (Foto: cedida)
Nos dias 31 de agosto e 1º de setembro haverá lançamento em Natal. Em Tibau, o lançamento será no dia 9 de setembro, no Viola Beach, por trás do antigo Brisa, a partir das 19 horas.
Em Mossoró, o livro está à venda no Rust Café e na A Revistaria, vizinho o Hotel Caraúbas, na Rua Dionísio Filgueira, centro. Vendas com entrega pelos Correios através do e-mail: emuribeka@uol.com.br ou whatsapp 84 9668.4906 com despesas inclusas R$ 50.
A seguir, a apresentação do livro na íntegra, escrito pela autora. A arte da capa é de Augusto Paiva, da equipe de diagramadores do Jornal de Fato. O livro foi impresso em Mossoró, algo que Lúcia Rocha faz questão, na Gráfica Santa Maria, ex-Igramol, de Michel Mendes.
Com o título “Um Livro na mão e um sorriso no rosto” será lançada nesta quarta-feira (10), às 10h, no Auditório do Centro Administrativo Prefeito Alcides Belo, a 9ª edição da “Feira do Livro de Mossoró”, que acontecerá no período de 7 a 11 de agosto.
De acordo com a secretária de Educação, Iêda Chaves, estão convidados a participar educadores, livreiros, escritores e demais interessados no evento. Na ocasião serão apresentadas as novidades para edição 2013 como nomes já confirmados de participantes, local, valor do cheque livro, entre outras.
A 9ª edição da Feira do Livro de Mossoró será lançada na próxima quarta-feira, 10, durante solenidade no auditório da Secretaria de Educação do município. O evento tem início às 10h da manhã e contará com a presença da Prefeita de Mossoró, Claudia Regina (DEM), que anunciará o valor disponibilizado para o cheque-livro. Estarão presentes também autoridades, escritores e livreiros da região.
Durante o evento serão divulgadas as novidades e os detalhes técnicos da Feira, além da programação já confirmada. Na quarta-feira será lançado também o 7ª Prêmio Cosern Literatura de Cordel.
Com o slogan “Um livro na mão e um sorriso no rosto”, a 9ª Feira do Livro do Mossoró que integra o Circuito Potiguar do Livro será realizada entre os dias 07 e 11 de agosto.
Neste ano a musicalidade e a literatura serão o ponto de partida para as discussões. Temas como o Centenário de Vinícius de Moraes e o Forró, por exemplo, serão debatidos por autores de várias partes do país e do RN.