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A “inimiga” abre as pernas

Por François Silvestre

Desde que Bolsonaro elegeu a Globo inimiga do seu governo e a platinada começou a perder grana por escassez de publicidade, a velha cortesã do poder, que apoiou a Ditadura, paparicou Collor, chupou os bagos de Sarney, apoiou a “nova república”, virou tucana, agora tenta bolsonarizar-se.

Não por isenção jornalística, que nunca foi seu norte, mas por sobrevivência.

Até escalar um time de charlatões, bonecos de novelas, que não resistiriam a um teste de teatro, para fazer figuração ética.

A televisão brasileira é certamente uma das mais escrotas e depravadas, em matéria jornalística, do mundo.

Em matéria cultural é um esgoto de massificação.

Globo, Record, SBT.

A trindade estupradora da cultura.

Cafetinas deste vasto cabaré.

* Ilustração: Caio César Arts

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O vazio de Davos

Por Paulo Linhares

Na fase mais recuada de minha infância literária consumia vorazmente livros de bolso, subliteratura de ficção vendida nas bancas de jornais. Quem queria começar  na arte do romance e não encontrava um editor maluco que o acolhesse, aqui como na França, ia para os “livres de poche” de baixo custo em papel-jornal  e  diminutos méritos literários. Alguns até faziam enorme sucesso no populacho e findavam por alçar os quase sempre ínvios degraus das academias, quando não catapultavam obscuros escribas às glórias de destacados círculos intelectuais.

Dito isto, hei de confessar: mexeu ferozmente com minha imaginação (e hormônios!) um livrinho de bolso intitulado “Giselle, a Espiã Nua Que Abalou Paris”, de autoria de David Nasser, publicação da mixuruca Editora Monterrey, edição de 1967. Narrava a saga da espiã Giselle Montfort, uma integrante da Resistência Francesa que, pela enorme beleza e corpo escultural, usava de seus atributos físicos para abobalhar militares de altas patentes do exército de ocupação nazista e extrair importantes informações  que eram repassadas aos compatriotas “maquis”.As peraltices de sedução e política da bela Giselle, levaram-me a um interesse por tudo o que escrevia ou escreveu o maldito ‘pai’ dessa glamurosa e não menos letal espiã: David Nasser. Misto de compositor, jornalista e escritor, Nasser era uma explosiva mistura de gênio e canalha que ocupou privilegiados espaços nas revistas “O Cruzeiro” e “Manchete”.

Acérrimo inimigo de Leonel Brizola, ‘presentou-lhe’ com  duríssimas críticas sob forma de artigos.  Em dezembro de 1963, num casual encontro  no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, Brizola aplicou uma cachoeira de bofetes em David Nasser que sobre o episódio escreveu o impagável “O coice do pangaré”.

Como compositor de muitos sucessos da MPB, ele foi o autor, em parceria com Rubens Soares, do clássico samba “Nega do cabelo duro”, imortalizado na gravação do famoso conjunto musical Bando da Lua e que hoje seria considerado politicamente incorretíssimo, senão racista mesmo.

Em suma, Nasser foi uma versão  tupiniquim de H. L. Mencken, o bombástico e corrosivo jornalista norte-americano autor do “Livro dos Insultos”, este, aliás, o formulador de frase lapidar que bem serve para uma reflexão sobre o empoderamento e onipotência do Poder Judiciário e do Ministério Público brasileiros neste momento: “A injustiça é relativamente fácil de aturar; é a justiça que fere”. E isto nos “calha à fiveleta”, para usar a expressão tão em moda quando o padre Antônio Vieira ainda fazia o Seminário Menor, antes até do famoso “estalo”…

Dos tantos escritos do calhorda genial Nasser, cheguei à sua obra magna: “Falta alguém em Nuremberg: torturas da polícia de Filinto Strubling Müller”. Algo difícil de esquecer; coisa definitiva e extraordinária na arte de escrever as chamadas “grandes reportagens”, inclusive com auxílio das fantásticas lentes do cineasta e fotógrafo Jean Manzon. E quando não havia fatos, Nasser os inventava – a exemplo do seu mestre Mencken – e Manzon, fiel escudeiro, aportava inolvidáveis registros fotográficos. Anti-jornalismo? Dependeria da ótica de quem visse. Ambos foram geniais repórteres. E o voluntarioso Zé Leão, do alto de um serrote de livros e revistas semanais (O Cruzeiro, Manchete, Realidade, Fatos e Fotos), lá nas Caraúbas, se encantava com as diatribes e diabruras jornalísticas paridas da corrosiva pena de David Nasser.

Pode até parecer absurdo, mas, essas lembranças todas afloraram com força à revelação dos recentíssimos episódios ensejados por mais uma edição Fórum Econômico Mundial de 2019,  realizado em Davos, na Suíça, pois, se faltou  alguém  em Nuremberg, agora faltaram muitos em Davos: Donald Trump; Xi Jinping, presidente da China; Emmanuel Macron, presidente da França; Theresa May, primeira-ministra do Reino Unido.

Enfim, uma Davos esvaziada e inexpressiva cuja maior atração seria o novel presidente do Brasil, Jair (se acostumando) Bolsonaro, a quem foi deferida a possibilidade de falar por generosos 45 minutos. Para Davos “et orbi”. Jair se encolheu e falou, no máximo, para sua pequena Glicério, São Paulo, em reles seis minutos. Lançou mão de um pobre arsenal de clichês. E nada disse para aplacar a enorme curiosidade da comunidade mundial reunida na fria conferência suíça. Na verdade, pouco disse do que tantos esperavam ouvir. Vexame. Enfim, saiu bem menor do que entrou; perdeu uma grande “janela” para anunciar ao mundo o que seria o Brasil “sob nova direção”.

O grave é que o presidente Bolsonaro estava ladeado dos mais expressivos quadros de seu governo: o superministro da economia Paulo Guedes e o arquiministro da Justiça Sérgio Moro. Por injunção de fatores obscuros, o trio desmarcou entrevista coletiva muito aguardada por jornalistas do mundo inteiro. Prevaleceu, enfim, a cortina de silêncio que foi a grande tática de campanha do Bolsonaro após ser esfaqueado por um maluco. Os jornalistas que cobriam o evento de Davos ficaram a “chupar os dedos”, sem dados confiáveis a transmitir aos seus leitores de todo o mundo alguma impressão sobre o que se deve esperar, em vários domínios, do novo governo brasileiro.

Dessarte, a estreia que o presidente Jair Bolsonaro fez, o seu “début” no palco internacional no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, demonstrou despreparo e, sobretudo, a ausência de uma agenda positiva do Brasil em face da comunidade internacional. O mundo queria saber o que pensa o novo presidente  do Brasil. Pouco ou quase nada captaram os ávidos jornalistas presentes. Foi rápido e não menos preciso, o solitário dirigente do Brasil. Claro, basta dizer que se partirmos para um campo comparativo entre ele e os últimos presidentes brasileiros que discursaram noutras edições do fórum de Davos, quem falou menos, no discurso inicial, gastou expressivos 28 minutos. Nos seus raquíticos seis minutos de tatibitate pronunciamento, Bolsonaro falou pouco e nada disse do seu projeto para o Brasil nos próximos quatro anos. Frustrante. Uma fala bem estruturada do presidente brasileiro até serviria para ‘adoçar’ a sua imagem na imprensa mundial, hoje tida como bastante negativa e não menos grotesca.

Aliás, vale recordar  a “sacada” que tivemos,  em artigo publicado acerca do ‘eloquente silêncio’ que marcou a campanha presidencial de 2018: de um lado, um candidato com amplas condições de ser eleito – a tirar pelas pesquisas divulgadas – , Lula,  porém, preso por unânime decisão da máquina judiciária brasileira, e do outro, pelo que representava no imaginário da expressiva parcela da população  eleitora, o expurgo  da cena política brasileira “a volta do PT”,  tudo a partir de construções midiáticas, tendo como vetor um fanfarrão que espargia conceitos morais e políticos que se coadunam com o que há de mais retrógrado e reacionário na  agenda política da extrema direita subdesenvolvida. Eleição brilhantemente ganha.

Tudo o que foi planejado, pelos barões midiáticos e lideranças políticas – o emplastramento do PT e de suas mais expressivas lideranças, com impedimento legal de Lula disputar as eleições de 2019 – foi cumprido com milimétrica precisão: Lula preso e condenado em tempo recorde a severas penas, corroboradas (e até agravadas) na 2ª Instância.

Teoricamente, o caminho estava aberto para uma tucano de alta plumagem disputar a presidência da República. Nada. Tudo deu errado: os  tucanos do PSDB eram lastimavelmente comprometidos com práticas políticas corruptas e até com perigoso envolvimento com o narcotráfico (veja-se o episódio da apreensão do helicóptero de Gustavo Perrella, amigo de Aécio Neves, carregado de cocaína). E como não havia mais “céus de brigadeiro” para tucano voar, um capitão paraquedista da linhagem do corvo Lacerda aterrissou nos impúdicos gramados de Brasília.

Noutras palavras, como o ‘xerém’ não  podia ser dos tucanos, o foco recaiu em Jair Bolsonaro,  inexpressivo parlamentar do baixo clero da Câmara Federal que apareceu como ‘reserva moral’ da Nação, o novo santo guerreiro no combate à corrupção. O resto todos sabem. Curioso é lembrar que os dois outros presidentes que se elegeram no passado com plataformas anticorrupção, Jânio Quadros (“o homem da vassoura “) e Fernando Collor (“o caçador de marajás”), sequer terminaram seus mandatos presidenciais. O tal “mar de lama” sempre traduzido em execração suprema na política brasileira em sete décadas, respinga naqueles que o denunciam e que o fazem de trampolim para ganhar eleições. Uma maldição inafastável.

Assim diante da sofisticada plateia de Davos, o presidente Bolsonaro, em raríssimo momento de ‘inspiração’, pontificou: “o Brasil precisa de vocês e vocês com toda certeza em parte precisam do nosso querido Brasil”. Mais podia, não pôde, travou geral. Os solitários neurônios Tico e Teco do capitão,  angustiados se afogaram na bolsa de colostomia presidencial.

E o quê dizer diante de algo tão profundo? PQP! Nada! A sensação que transparece é a de que, mesmo com um acanhado Bolsonaro e seu telegráfico discurso de seis precários minutos, faltou muita gente em Davos. E não foi apenas o tresloucado Donald Trump…

Paulo Linhares é professor e advogado

Campanha eleitoral

Por Odemirton Filho

Quem gosta de política lembra-se, com saudade, das campanhas eleitorais de outros tempos.

Em minha memória guardo a campanha ao Governo do Estado do Rio Grande do Norte, em 1982, entre Aluízio Alves (Cigano Feiticeiro) e José Agripino (Jajá).

Ainda criança, lembro-me da magia que cercava aqueles momentos, levado pelos meus pais para acompanhar essas movimentações políticas.

Decerto não entendia nada, gostava era de ver as figuras que faziam a alegria das movimentações políticas. Ramos de árvores nas mãos dos eleitores, o homem do carneiro verde, discursos inflamados, passeatas com uma multidão a perder de vista.

Candidato ao Senado Carlos Alberto de Sousa, governador Lavoisier Maia, ex-governador Tarcísio de Vasconcelos Maia e José Agripino Maia com o filho Felipe Maia nos braços na campanha eleitoral de 1982 no RN (Foto: autoria não identificada)

A tradicional descida do Alto de São Manoel sempre foi o ponto alto das campanhas em Mossoró. O candidato que conseguisse reunir maior número de pessoas estava a um passo de ser eleito, segundo a lenda eleitoral.

Era, sem dúvida, uma festa popular.

A campanha de 1986 entre João Faustino (João do Coração) e Geraldo Melo (o Tamborete) foi memorável. Ali, já adolescente, me envolvi com maior atenção, pois tínhamos tido, recentemente, a redemocratização do país.

Até hoje não ouvi uma música de campanha que embalasse tanto os eleitores como as do “tamborete”, que “soprava o vento forte”.

Existia, em Mossoró, o chamado Largo do Jumbo, onde hoje se localiza o Ginásio de Esportes Engenheiro Pedro Ciarlini Neto.

Naquela época era possível a realização dos showmícios. O candidato que contratasse um cantor de nome nacional conseguiria impressionar, pois reuniria um número maior de pessoas, não necessariamente seus eleitores.

Simultaneamente tínhamos dois comícios. Um realizado no Largo do Jumbo e o outro no Largo da Cobal. As pessoas, então, ficavam circulando entre um e outro, para ver qual tinha mais gente e curtir as atrações musicais.

Em 1988 a disputa foi entre Laíre Rosado, o favorito, e Rosalba Ciarlini, a novidade. Em uma campanha acirrada que teve a adesão do prefeito Dix-Huit Rosado, a “Rosa” sagrou-se vencedora.

Mais uma vez acompanhei tudo de perto. Naquela campanha o Partido dos Trabalhadores (PT) lançou Chagas Silva/Zé Estrela a prefeito e vice-prefeito de Mossoró.

Em um arroubo de minha juventude, depois de uns goles a mais, fui repreendido pelo meu saudoso avô Vivaldo Dantas, comunista histórico, quando menosprezei uma movimentação do PT que se fazia em frente à sua residência.

Na campanha de 1989 votei pela primeira vez. Era o “Caçador de Marajás”, Fernando Collor, contra Lula, em sua primeira disputa à Presidência da República.

Em 1992 tudo caminhava para a vitória de Luiz Pinto, candidato de Rosalba, contra o ex-prefeito Dix-Huit Rosado. Porém, apresentando toda sua força, o “velho” alcaide mostrou que era a grande liderança de Mossoró e foi eleito para um terceiro mandato.

Para mim essas campanhas eleitorais são inesquecíveis.

Com o passar dos tempos a alegria dos comícios foi substituída pela responsabilidade que deveria ter ao escolher os meus representantes. Era mais do que uma festa.

Sem dúvida, nas cidades interioranas todos têm suas campanhas favoritas. Quanto menor a cidade, maior o acirramento. Move-se pela paixão, não pela razão.

No dia de eleição, ao sair às ruas, se as cores do seu partido estivessem em maioria, provavelmente o candidato ganharia. A pesquisa, nas cidades pequenas, era feita de acordo com a quantidade de camisas no dia da eleição.

Quem não se lembra das vigílias na véspera do dia da eleição? Os correligionários dos candidatos passavam à noite percorrendo os bairros da cidade, “vigiando” os adversários para que não praticassem a compra de voto.

As pessoas ficavam nas calçadas durante toda a madrugada a espera de um agrado dos candidatos.

Hoje a realidade é outra. As campanhas eleitorais saíram das ruas e estão nas redes sociais. O medo de ir às ruas para acompanhar uma movimentação política impede uma maior concentração de eleitores.

Ademais a sociedade encontra-se em desalento, pois há tempos que vem sendo manipulada pelas falsas promessas que ano após ano se repetem.

A intolerância é marca registrada da campanha eleitoral deste ano. A violência campeia. Chegamos ao absurdo de um candidato ser esfaqueado e uma mobilização de outro ser alvejada por tiros disparados a esmo.

Outros tempos. A festividade de outrora perdeu o brilho.

O rigor da legislação eleitoral, para se evitar os muitos abusos que eram praticados, arrefeceu as mobilizações políticas.

A sociedade parece que cansou do circo.

Agora, mais do que nunca, precisa é do pão.

Odemirton Filho é professor e oficial de Justiça

Os presidentes da República Federativa da Lama

Depois do fim do regime militar, todos os presidentes da República Federativa do Brasil patinharam na lama da corrupção.

A exceção é Itamar Franco.

Vamos à lista do bloco dos sujos:

– José Sarney;

– Fernando Collor de Mello;

– Fernando Henrique Cardoso;

– Lula da Silva;

– Dilma Rousseff;

– Michel Temer.

Aguardemos o próximo.

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A oposição e os “salvadores da pátria”

Por Mauro Santayana

A divulgação de “acusações” de delatores “premiados” contra os senadores Renan Calheiros, Randolfe Rodrigues, Fernando Collor e Aécio Neves vêm corroborar o que afirmamos recentemente em O impeachment, a antipolítica e a judicialização do Estado.

A criminalização da política, na tentativa e na pressa de retirar o PT do Palácio do Planalto por outros meios que não os eleitorais, iria descambar para a condenação, paulatina, geral e irrestrita, da atividade como um todo.

Esse é um processo que parece estar focado, além de, principalmente, no PT, também nos partidos ou candidatos que possam fazer sombra, no campo adversário ao do governo, ao projeto messiânico de um “novo Brasil” que está sendo engendrado à sombra da ambição e do deslumbramento das forças surgidas da “guerra contra a corrupção” e da “Operação Lava-Jato”.

A entrevista da semana passada, com o procurador Deltan Dalagnoll, na primeira página do Correio Braziliense  e a capa da retrospectiva de Veja, com a cara fechada do Juiz Sérgio Moro, com o título de “Ele salvou o ano” (a segunda, se não nos enganamos) que – será por mera coincidência? – lembra a capa da mesma revista com o rosto de Fernando Collor, com o título de “O caçador de Marajás”, publicada muito antes de ele anunciar-se candidato a presidente da República – são emblemáticas do que pode vir a ocorrer – do ponto de vista midiático – nos próximos três anos.

Só os cegos, os surdos, ou os ingênuos, não estão entendendo para que lado começa a soprar quase como brisa – o vento – ou melhor, para tocar que tipo de música está começando a se preparar a banda.

Mauro Santayana é jornalista