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“União Brasil” e a terceira via

Por Ney Lopes

Afinal, aprovada a fusão do DEM e PSL (veja AQUI). Faltam apenas algumas formalidades junto à Justiça Eleitoral.

A indagação que surge é qual a dimensão das mudanças no cenário eleitoral, que resultarão dessa fusão.

O que se percebe é que a nova sigla “União Brasil” nasce rachada, pois segundo o secretário geral ACM Netto, cerca de 40% dos parlamentares deverão debandar.União Brasil - 44 - convenção conjunta de PSL e DEM para fusão partidária em Brasília

Para quem conhece a política nacional é notório que na “União Brasil” tem muito cacique, para poucos índios. Muitos mandando e poucos obedecendo; muitos falantes e poucos ouvintes.

Na última semana, o presidente do novo partido, deputado Luciano Bivar, deu entrevista ao GLOBO, que precisa ser lida com atenção, por ser muito significativa. Ele deixou claro certos pontos, que têm projeção no cenário político futuro do país.

Vejamos o que disse:

“Os filiados à sigla terão que se adaptar ao programa partidário ou tomar seus “caminhos”.

“Não diria que queremos ser a terceira via. Queremos representar um candidato que com certeza vai para o segundo turno.

Sobre magoas de Bolsonaro disse “por que ter mágoa de alguém que nunca me causou nenhum dano material? ”

“Isso não significa que a gente tenha mágoa um do outro. Eu não tenho mágoa”

“Nunca é tarde para pedir perdão, de reparar meus caminhos. Então a vida é assim”

As declarações do deputado Luciano Bivar sinalizam, que até Bolsonaro poderá ser apoiado pelo União Brasil, o que já transparece na acomodação permitida de bolsonaristas e não bolsonaristas, convivendo na mesma sigla.

A essa altura do momento político brasileiro, uma terceira opção à presidência da República exigiria a convicção de um partido determinado e convencido desse objetivo. Somente assim o eleitor daria credibilidade ao nome lançado.

O “União Brasil” deixa claro que não deseja ser essa terceira via. O propósito anunciado pelo seu presidente é chegar ao segundo turno, com qualquer nome que possa se compor.

Anunciado praticamente um “vale tudo”, em busca de composição política.

Nota-se que o partido terá como objetivo eleger bancada federal expressiva, a partir do seu milionário Fundo Eleitoral e buscar uma forma de salvar-se na disputa presidencial, que lhe permita chegar ao segundo turno.

Isso está claro, pelo que afirmou o presidente Luciano Bivar.

Dessa forma, permanece o vazio em busca de uma terceira via, que possa reduzir a tensão entre Bolsonaro e Lula.

“União Brasil” será mais um partido disponível para composições, como os demais do chamado “centrão ”atual.

Conclui-se, que a única esperança da terceira via seja o PSD de Gilberto Kassab, que tem se fixado nessa meta, com o nome de Rodrigo Pacheco.

Caso realmente o presidente do Senado inscreva-se no PSD e se lance candidato, ele poderá até ter o apoio da União Brasil.

Trocando em miúdos: União Brasil não se propõe ser a terceira via, mas poderá no futuro apoiar a terceira via.

Se isso ocorrer, será bom para a terceira via afirmar-se eleitoralmente.

Aguardemos.

Ney Lopes é jornalista, advogado e ex-deputado federal

Agripino não descarta candidatura, mas prioriza maior partido do país

“Depois de tudo que eu fui, duas vezes governador e quatro vezes senador, não posso dizer que dessa água não beberei. Mas, não é minha prioridade mesmo”. A declaração foi dada há poucos minutos ao Canal BCS (Blog Carlos Santos) pelo ex-senador José Agripino (DEM).

Agripino deverá ser presidente da sigla que nascerá da fusão de DEM e PSL (Foto: rede social)
Agripino deverá ser presidente da sigla que nascerá da fusão de DEM e PSL (Foto: rede social)

Ele é um dos principais articuladores da fusão do seu partido, o Democratas, com o PSL. E nessa tarefa, garante, não há lugar para projeto particular e pessoal. “Não é minha prioridade ser candidato em 2022. Quero participar do processo de discussão de chapa presidencial alternativa e no âmbito do RN”, disse.

José Agripino surge como nome ascendente no Democratas e PSL para dirigir a legenda que surgirá dessa composição. “Meu nome tem sido comentado para a presidência”, assinalou. “Nosso trabalho é para fortalecimento do novo partido que nascerá como o maior do país e grande no RN”, reforçou e previu.

DEM e PSL hoje possuem bancada na Câmara Federal com 81 deputados (53 do PSL e 28 do DEM), além de sete senadores (seis do DEM e um do PSL). Porém, a comunhão de forças para surgimento de outra sigla não agrada a todos internamente.  Vão existir defecções.

– “Devemos lidar com naturalidade em relação à saída de alguns membros. Formaremos um partido de centro democrático e hoje não existe, que eu saiba, ninguém nos dois que seja de extrema esquerda. De extrema direita existe. Essas pessoas estarão livres para novas decisões partidárias, sem problemas – deixou claro.

Quanto à política do RN, José Agripino não vê como compulsória a ideia de uma candidatura própria do novo partido, ao governo, no próximo ano. Contudo, acredita que a legenda que está sendo germinada nasce atrativa à montagem de projeto viável eleitoralmente.

– “Teremos maior tempo de rádio e televisão e fundo partidário. Candidatos com potencial, que comunguem de nossas ideias, podem se juntar a nós”, acenou.

Providências à fusão

Pesquisas qualitativas estão sendo feitas pelo DEM e pelo PSL quanto à definição de nome e número do futuro partido. Algumas etapas precisam ser cumpridas, de lado a lado, até a tese da fusão se materializar na vontade partidária comum e no cumprimento das etapas burocráticas na Justiça Eleitoral.

Ontem, o Democratas realizou reunião de sua Comissão Executiva nacional, quando houve aprovação da proposta de fusão, à unanimidade, com 41 votos a zero (veja AQUI). Nessa terça-feira (22), o PSL fará a mesma consulta interna sobre essa junção de forças com o partido do ex-senador potiguar.

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Dois partidos planejam fusão para as próximas eleições

Partido político, fusão, incorporaçãoA chamada “Grande Imprensa” dá como certa a fusão entre o Partido Social Liberal (PSL) e o Democratas (DEM). Como o Senado deve botar freio na ressuscitação das coligações proporcionais, as duas siglas pensam em criar um partido forte.

O PSL tem 53 deputados federais e foi a legenda escolhida pelo presidente Jair Bolsonaro ser eleito em 2018. Entretanto, ele logo a deixou para trás. O partido é a maior bancada da Câmara Federal, ao lado do PT.

Mas, é provável que pelo menos a metade dos deputados siga Bolsonaro em sua futura escolha partidária.

Quanto ao DEM, a sigla tem 28 deputados federais e maior capilaridade municipalista do que o PSL, que se somaria aos gordos Fundo Partidário e Fundo Eleitoral do PSL.

Ponto pacífico entre PSL e DEM: Bolsonaro não poderá se filiar.

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