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Inteligência Artificial na Prática da Advocacia será focalizada

Felipe Damous estará em Natal no dia 6 de março (Foto: divulgação)
Felipe Damous estará em Natal no dia 6 de março (Foto: divulgação)

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/RN) vai receber o advogado Felipe Damous, referência no uso de Inteligência Artificial, para um curso no dia 6 de março, em Natal. Promovida por meio da Escola Superior de Advocacia, a qualificação “Inteligência Artificial na Prática da Advocacia” é voltada para profissionais e estudantes de direito interessados em aplicar soluções de IA no exercício da profissão.

O curso será realizado na sala de aula da Seccional, das 8h às 12h, com uma abordagem prática do uso estratégico da inteligência artificial na rotina jurídica, incluindo automação de tarefas, produção de peças, análise de dados e ganhos de produtividade com segurança e ética.

As vagas são limitadas e as inscrições estão abertas e podem ser feitas no site da ESA pelo site esaoabrn.org.br, com investimento de R$ 200 para o público geral e R$ 100 para advocacia iniciante e estudantes.

O palestrante

Felipe Damous é juiz do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA), graduado em Direito pela UFMA, pós-graduado em Direito Processual Civil (Anhanguera-Uniderp) e em Direito e Tecnologia (ENM). Possui MBA em Inteligência Artificial para Negócios pela Faculdade Exame e especialização em Generative AI for the Legal Profession pela UC Berkeley Law. Damous é formador credenciado pela ENFAM e atua como instrutor da ESMAM e do TJMA, sendo referência na interface entre Direito e tecnologia.

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Se prepare para a nova revolução do Wi-Fi com Inteligência Artificial

Arte ilustrativa da página Root Nation
Arte ilustrativa da página Root Nation

O Wi-Fi 8 está chegando e vai muito além de velocidade.

O novo padrão combina rede sem fio com inteligência artificial, transformando roteadores em sensores capazes de reconhecer presença e movimento dos usuários para acionar automações inteligentes.

Em desenvolvimento, ele deverá prioriza a confiabilidade ultra-alta – em vez de apenas a velocidade máxima. Perspectiva de conexões mais estáveis, cobertura mais forte, menor latência e roaming mais suave, mesmo em ambientes com muitos dispositivos conectados.

Isso abre caminho para experiências inéditas, como:

✅ Videochamadas que mudam automaticamente do laptop para o celular quando você se levanta

✅ Apresentações que se conectam ao telão assim que o palestrante chega ao palco

✅ Luzes e dispositivos que reagem aos movimentos na casa ou no escritório

Outra grande evolução é a performance determinística: O Wi-Fi 8 será projetado para entregar velocidades e latências mais previsíveis, mesmo com muitos dispositivos conectados e diferentes tecnologias compartilhando as mesmas frequências.

O padrão também trará melhorias de segurança, com dados de acesso criptografados. Ele usará as mesmas faixas do Wi-Fi 7 (2.4, 5 e 6 GHz) e tem previsão de lançamento para dezembro de 2027.

Saiba mais AQUI.

Fonte: Mobile Time e outros endereços.

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País aumentará idade mínima para usar redes sociais e IA

Arte ilustrativa
Arte ilustrativa

O Brasil vai restringir o acesso de menores a redes sociais e chatbots de Inteligência Artificial a partir de 2026

O governo federal definiu novas faixas etárias para o uso de plataformas digitais, que passam a valer em março de 2026, alinhadas à implementação do ECA Digital, versão virtual do Estatuto da Criança e Adolescente.

As plataformas deverão bloquear o acesso de crianças e adolescentes abaixo da idade recomendada, exceto quando houver autorização dos responsáveis por meio de ferramentas de controle parental.

✅ 12 anos — Apps de mensagem (como WhatsApp, com supervisão dos pais)

✅ 14 anos — Chatbots de IA generativa e marketplaces

✅ 16 anos — Redes sociais e apps com coleta de dados ou filtros de imagem

✅ 18 anos — Plataformas de apostas, conteúdo adulto e IAs de manipulação de mídia

A medida busca equilibrar proteção de menores, liberdade familiar e responsabilidade das empresas.

Segundo Ricardo de Lins e Horta, diretor de Segurança e Prevenção de Riscos no Ambiente Digital do Ministério da Justiça, “Ninguém quer tirar das famílias o poder de decidir, mas queremos que elas sejam perguntadas.”

Com informações da página O Futuro dos Negócios.

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ChatGPT abala raciocínio e pensamento crítico de crianças

Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS
Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Por Martha Gabriel (Futuro dos Negócios)

Crianças e adolescentes que usam Inteligência Artificial em excesso podem estar perdendo a capacidade de pensar por conta própria.

Pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e especialistas em psicologia alertam que o uso precoce de ferramentas como o ChatGPT pode gerar uma “Dívida Cognitiva”: quando a mente se acostuma a terceirizar o raciocínio e perde autonomia para analisar, criar e decidir.

Em 2024, 26% dos adolescentes nos EUA utilizaram o ChatGPT para tarefas escolares, o dobro de 2023, e o conhecimento sobre a ferramenta já atinge 79% dos jovens, segundo o Pew Research Center.

Estudos também indicam que jovens que dependem de IA para estudar ou escrever demonstram menor engajamento e redução no pensamento crítico.

Além disso, há riscos emocionais e sociais, já que crianças tendem a atribuir traços humanos às máquinas, criando laços de confiança indevidos.

Especialistas defendem o uso consciente:

✅ Ensinar PENSAMENTO CRÍTICO antes da automação

✅ Priorizar HABILIDADE COGNITIVAS básicas

✅ Incentivar EDUCAÇÃO digital e SEGURANÇA online

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“A ignorância virou moda”, diz neurocientista Miguel Nicolelis

O programa Roda Viva da TV Cultura entrevistou o neurocientista Miguel Nicolelis nessa segunda-feira (28). Nem inteligente, nem artificial: essa é uma das definições que o médico e neurocientista Miguel Nicolelis tem dado para a Inteligência Artificial.

Ele abordou temas diversos, provocado pelos entrevistadores. Em sua ótica, por exemplo, a “a ignorância virou moda.” Ele vê um atraso profundo da sociedade mergulhada nesse ambiente, onde o fútil, o irreal, a estupidez, prevalecem em relação ao real, o conhecimento e o discernimento.

O brasileiro, que é tido como um dos principais nomes da neurociência do mundo, também acaba de lançar o primeiro livro de ficção, “Nada mais será como antes”, e já anunciou a adaptação da obra para o cinema. Para falar sobre esse e outros assuntos, Nicolelis participou do Roda.

Veja íntegra AQUI.

Uma excelente entrevista.

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O paradoxo da IA – quando a máquina nos devolve à humanidade

Por Kennedy Diógenes

Arte ilustrativa obtida em banco de imagens Google
Arte ilustrativa obtida em banco de imagens Google

O Fórum Econômico Mundial de 2025, em Davos, projetou que, com a implementação da IA, cerca de 92 milhões de empregos poderiam desaparecer, mas, em compensação, surgiriam até 170 milhões de novos postos de trabalho.

De fato, a IA torna-se cada vez mais ubíqua em nossas vidas. Os assistentes pessoais tornaram-se verdadeiras extensões cognitivas, adaptando-se ao nosso modo singular de pensar e agir. Para ilustrar: cirurgias complexas são cada vez mais realizadas com IA, chegando a casos de autonomia significativa sob supervisão humana; demandas judiciais de massa são gerenciadas — da elaboração à análise preliminar — por agentes jurídicos especializados; cálculos complexos, previsões econômicas e gestão financeira atingem níveis inéditos de precisão e velocidade graças à IA.

Desabrocham novas possibilidades, pois, com a IA como parceira, obras antes planejadas para anos concretizam-se em meses; projetos previstos para meses finalizam-se em dias; tarefas exigindo dias de esforço completam-se em horas… O limite humano de ontem cede à realidade factível de hoje, mediada pela IA.

E o humano? Sua essência adaptativa, alicerce de sua prosperidade como espécie, reafirma-se.

Tarefas repetitivas são automatizadas, demandando humana supervisão amostral e validação de exceções. Como na Revolução Industrial, onde o ferreiro se tornou operador de máquinas, reinventamo-nos.

No século XX, hard skills — conhecimento técnico, fluência linguística, especializações — eram os principais diferenciadores profissionais.

No século XXI, soft skills — empatia, liderança, comunicação, criatividade — tornaram-se imperativas.  

Na Era da IA, um novo patamar emerge: o domínio técnico e a precisão, dominados pelos agentes especializados, exigem do humano o desenvolvimento agudo de competências singulares: a comunicação eficaz com a IA (construção de prompts precisos) e a análise crítica e contextualização dos resultados gerados.

Assim, enquanto a IA responde às demandas com lógica e eficiência técnica, cabe exclusivamente ao humano, munido de sensibilidade e valores inerentes, processar — não em circuitos, mas no âmago da experiência — o singular, o ambíguo, o profundamente humano. Pois em incontáveis situações compreender uma alma exigirá sempre outra alma.

Neste paradoxo, a IA, ao assumir o mecânico, devolve ao humano o espaço vital para reencontrar sua humanidade: tempo para o olhar interior e, a partir dessa jornada, enxergar o outro com autenticidade — luzes e sombras integradas.

Kennedy Diógenes é advogado especialista em Direito Empresarial

A oncologia e o paradoxo humano na era da IA

Por Clarissa Mathias

Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS
Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

A presença da IA em diversas sessões da edição 2025 do congresso ASCO, maior evento mundial de oncologia, em Chicago, reforçou o debate sobre o tema e destacou o quanto essa tecnologia já está inserida na rotina dos oncologistas do mundo todo. Percebemos que a IA está presente em todas as etapas do cuidado oncológico, desde o diagnóstico, que ficou mais preciso e mais rápido, até o apoio na tomada de decisão terapêutica e na aceleração de ensaios clínicos.

A sua aplicabilidade já vai muito além da simples análise de imagens ou da dosimetria em radioterapia. A tecnologia é capaz de identificar padrões em grandes volumes de dados que seriam imperceptíveis ao olho humano.

Um estudo apresentado na ASCO mostrou que a IA pode reduzir significativamente erros na classificação de subtipos tumorais, o que abre portas para novas opções de tratamento. A ferramenta demonstrou uma precisão 22% maior no diagnóstico de tumores de mama HER2-baixo e HER2-ultrabaixo, relacionados à proteína HER2 (Human Epidermal Growth Factor Receptor 2), presente na superfície das células mamárias e envolvida no crescimento celular.

Em alguns casos de câncer de mama, o gene que produz essa proteína está amplificado, levando à sua superprodução nas células tumorais. E identificar esse tipo de tumor é crucial, pois permite novas possibilidades de tratamento para muitos pacientes que antes não tinham acesso a terapias-alvo contra o HER2.

O equilíbrio entre humano e a tecnologia

Diante do cenário em que a tecnologia é aliada à medicina e a relação se torna fundamental e complementar, colocamos o paciente no centro do tratamento, unindo o atendimento humanizado – emoções, medos, esperanças e valores – com o olhar preciso da ferramenta. A sessão ASCO Voices, foi um verdadeiro convite à escuta, e à expansão do nosso conceito de cuidado oncológico.

Longe dos gráficos e dos resultados estatísticos, a proposta foi valorizar as narrativas pessoais que revelam os desafios, dilemas e transformações vividas por pacientes, cuidadores e profissionais da saúde ao longo da jornada, reforçando a importância da humanização do tratamento. Para mim, que enxergo a espiritualidade como parte essencial na jornada, foi um dos momentos que concentrei e refleti que a tecnologia não substituirá o cuidado médico.

Entender que o cuidado integral inclui acolher as crenças, os valores e as dimensões subjetivas do paciente e as evoluções, não enfraquece a medicina; pelo contrário, a fortalece com compaixão.

Clarissa Mathias é oncologista líder do Câncer Center Oncoclínicas e Hospital Santa Izabel, em Salvador, e membro do conselho da ASCO

Livro trata de Inteligência Artificial, Livre Iniciativa e Direitos Humanos

Canindé Alves apresenta trabalho a partir das 18h30 (Foto: Divulgação)
Canindé Alves apresenta trabalho a partir das 18h30 (Foto: Divulgação)

Nessa quinta-feira (10), às 18h30, o advogado e sócio do Alves Duarte Advogados, Canindé Alves, lança o livro “O Futuro Regulado – Inteligência Artificial, Livre Iniciativa e Direitos Humanos no Brasil”. O evento acontece na sede do escritório, na Rua Potengi, 383, Petrópolis – em frente à Praça Cívica, em Natal/RN.

A obra propõe uma análise crítica e interdisciplinar sobre os impactos jurídicos, éticos e sociais da inteligência artificial, com base na experiência regulatória da União Europeia. Canindé destaca a importância de compatibilizar inovação tecnológica com segurança jurídica e valores democráticos.

A professora Marina Martynychen (USP) ressalta: “Aqui, os leitores conhecerão com profundidade como os países que compõem o bloco europeu enfrentam o tema.”

Já o professor Fabrício Germano (UFRN) afirma: “A obra busca alinhar o progresso tecnológico aos valores democráticos, oferecendo subsídios para legisladores, pesquisadores e formuladores de políticas públicas.”

Toda a renda obtida com a venda do livro no lançamento será revertida para a APAE/Natal, fortalecendo o compromisso do autor com a inclusão e a cidadania.

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Inteligência Artificial supera humanos em testes emocionais

Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS
Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Pesquisadores da Universidade de Genebra submeteram seis modelos de Inteligência Artificial a testes de inteligência emocional aplicados normalmente a pessoas.

Resultado: 82% de acertos, contra uma média humana de 56%.

Os testes incluíam situações como:

✅ CONFLITOS no trabalho
✅ reações INTERPESSOAIS
✅ gerenciamento de EMOÇÕES

Além de resolver os testes, os modelos foram capazes de criar novos cenários e avaliações de inteligência emocional, com qualidade comparável aos instrumentos desenvolvidos por especialistas ao longo de anos.

Essa capacidade pode transformar áreas como:

✅ Educação e coaching
✅ Gestão de equipes
✅ Mediação de conflitos
✅ Atendimento emocional digital

No entanto, o estudo reforça que esses sistemas devem ser usados com supervisão humana qualificada.

Nota do Blog – E você, está emocionalmente preparado para isso?

Com informações da página Futuro dos Negócios (Martha Gabriel).

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Crônica artificial

Por Odemirton Filho

Arte ilustrativa com uso de Inteligência Artificial para o BCS
Arte ilustrativa com uso de Inteligência Artificial para o BCS

Um dia desses, por curiosidade, acessei um desses chats e solicitei a elaboração de crônicas sobre temas variados. Em poucos segundos, a Inteligência Artificial (IA) elaborou várias crônicas; textos bem-feitos, diga-se.

Pois bem, entramos na era da IA. É uma realidade da qual não podemos fugir, a tecnologia caminha a passos largos. Entre vários conceitos, pode-se dizer que “a Inteligência Artificial é um campo da ciência da computação que se dedica ao estudo e ao desenvolvimento de máquinas e programas computacionais capazes de reproduzir o comportamento humano na tomada de decisões e na realização de tarefas, desde as mais simples até as mais complexas”.

Segundo li, existem quatro níveis básicos de AI: a primeira, a “fraca”, está associada a tarefas simples, como trancar a porta do carro. A segunda, chamada de “geral”, é aplicável a atividades automatizadas, como na linha de produção ou gestão de lavouras. A terceira, “superinteligência artificial”, é utilizada em máquinas que podem decisões rápidas, a exemplo dos carros sem motorista. Por fim, a quarta, “generativa”, capaz de elaborar textos, imagens, códigos de programação, vídeos etc.

É inegável os avanços que a IA trará para a humanidade, embora muitos tenham receio dessa tecnologia de ponta. Entretanto, os avanços em todas as áreas do conhecimento humano, seja na medicina, na produção agrícola e no nosso dia a dia serão notórios, segundo os especialistas.

Contudo, no tocante ao ato de escrever, sobretudo, na elaboração de crônicas, nada substituirá o humano, os sentimentos que deixamos impressos ao escrever. Não quero nem imaginar, por exemplo, uma crônica sem a magia das palavras de Marcos Ferreira.

Escrever crônicas é navegar em sentimentos, lembranças e saudades. É resgatar tempos idos, esmiuçar o cotidiano. Como escrever sobre a beleza do mar ou do horizonte sem ter vislumbrado a paisagem? Como falar sobre o amor sem vivê-lo, senti-lo?

Uma crônica não pode ser artificial. A crônica é viva, pulsante. Escrever crônicas é fazer do feio, o belo, do menor, o maior. É observar a vida sob diversos ângulos, em diálogo com o leitor, que também embarcará nessas reminiscências.

Como bem disse Rubem Braga, dos nossos melhores cronistas: “escrever com sentimento tão fundo, e a mão tão leve, que não sei dizer o que quero, ou talvez não queira dizer o que sinto”.

Odemirton Filho é colaborador do Blog Carlos Santos

Crimes cibernéticos aumentam com uso indevido de marca de IA

Arte ilustrativa do Freepik
Arte ilustrativa do Freepik

A recente chegada da DeepSeek, nova inteligência artificial chinesa, já desperta a atenção do mercado não apenas pelo seu potencial, mas também pelo crescimento de fraudes associadas ao seu nome. Segundo levantamento da Branddi, empresa especializada em proteção de marcas, em janeiro foram criados 2.137 sites falsos utilizando o domínio da DeepSeek.

Desse volume, 1.983 foram registrados apenas entre os dias 26 e 31. Além disso, outros 230 foram detectados somente no primeiro final de semana de fevereiro.

O aumento expressivo de domínios no período está alinhado com o momento em que o programa foi lançado oficialmente, no dia 20 de janeiro. No entanto, a análise da Branddi já identificou padrões de fraudes associadas à nova IA. Entre os principais golpes detectados estão a venda de tokens (ativos digitais) falsos através da DeepSeek e ofertas de versões do aplicativo em criptomoedas, explorando o nome da plataforma para enganar internautas e investidores.

Outro ponto de atenção está relacionado ao ambiente dos anúncios digitais. A Branddi detectou ações em que golpistas rodam anúncios no Meta Ads para divulgar promoções falsas utilizando indevidamente o nome da DeepSeek.

Essas campanhas enganosas redirecionam os usuários para aplicativos não oficiais, comprometendo a segurança digital dos consumidores e induzindo a compras falsas.

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ALRN será pioneira no debate sobre uso da Inteligência Artificial

Luís Kimaid, Paulo Sérgio Gurgel e Augusto Carlos Viveiros: reunião (Foto: Eduardo Maia)
Luís Kimaid, Paulo Sérgio Gurgel e Augusto Carlos Viveiros: reunião (Foto: Eduardo Maia)

Com vários prêmios conquistados na área de tecnologia, referência nos dias atuais para o legislativo brasileiro, a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte se prepara para marcar mais um pioneirismo, com a realização, pela primeira vez no Brasil, de um evento reunindo casas legislativas de vários países do mundo, para discutir a modernização do parlamento com o suporte da Inteligência Artificial. O ‘LegisTech: Modernização dos Parlamentares Subnacionais’ que acontecerá nos dias 24 e 25 de abril, no Plenarinho da Casa.

“Nós estamos trazendo a Grécia, os Estados Unidos, a Austrália, a França e a Inglaterra com as notícias da Inteligência Artificial, para atualizar o Rio Grande do Norte”, afirmou o diretor geral da Assembleia, Augusto Carlos Viveiros. “É uma satisfação muito grande nós sermos anfitriões dessa população inteligente e pesquisadora”, disse Viveiros, ressaltando que o evento vai trazer melhorias para a sociedade, “e é isso que a Assembleia quer fazer, através do presidente Ezequiel Ferreira”, concluiu.

Augusto Viveiros se reuniu nesta sexta-feira com o diretor de Tecnologia da Assembleia Legislativa, Mário Sérgio Gurgel, e Luís Kimaid, diretor executivo da Bússola Tech, centro de pesquisa global que atua na promoção da modernização e transformação digital exclusivamente do Poder Legislativo, em níveis nacional e subnacional, atendendo mais de 100 países de todos os continentes.

Experiências

“É muito importante que a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte não estará representando só o Rio Grande do Norte nesses encontro; ela também representa o Brasil. É o Brasil sediando esse primeiro tipo de encontro no planeta. Não há registro de um encontro internacional para discutir a modernização do Poder Legislativo em nível subnacional. Aqui a Assembleia vai receber o poder legislativo dos Estados Unidos, do Canadá, da Argentina, da África do Sul, do Reino Unido, da Austrália. É o primeiro do tipo”, afirmou Kimaid, registrando que cada Casa legislativa chega com suas experiências, citando como exemplo do Rio Grande do Norte, o programa ‘Legis Vídeo’, que se utiliza da Inteligência Artificial.

“É difícil dizer quanto a Assembleia vai evoluir, mas a ideia é que o que está se fazendo no mundo contribua significativamente para a melhoria dos nossos processos. O fundamental disso é o poder de cooperação que vai gerar entre todos os  entes que vão participar. E a gente tem nosso próprio exemplo, quando sistemas nossos estão sendo cooperados no Brasil inteiro”, explicou Mário Sérgio.

“A Assembleia do RN já foi premiada várias vezes e o que Mário Sérgio e sua equipe vão apresentar nesse encontro, não serão uma referência só para o Brasil, mas para outras Assembleias e parlamentos do mundo. A Assembleia do RN caminha a passos largos para se tornar a grande referência no mundo em relação à sua modernização e ao uso responsável da Inteligência Artificial”, explicou Luís Kimaid.

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Depoimento – III

Por Ayala Gurgel

Imagem gerada pela Inteligência Artificial do Grok do X para o BCS
Imagem gerada por Inteligência Artificial do Grok para o BCS

B.O: N° 03-7871/2019

NATUREZA: INQUÉRITO INVESTIGATIVO

DATA DA COMUNICAÇÃO: 03 DE DEZEMBRO DE 2019

COMUNICANTE: IVALNETE MARIA APARECIDA IMACULADA E SILVA

A senhora Ivalnete Maria Aparecida Imaculada e Silva, vulgo Neta, quarenta anos, casada, ensino médio completo, do lar, residente nesta freguesia, compareceu a esta delegacia distrital em dia e hora agendados, na companhia de duas testemunhas e sua advogada, todas devidamente identificadas na forma da lei. A depoente narrou, perante mim, escrivã de polícia, que se encontrava profundamente abalada com o ocorrido e estranhava as acusações que pesam contra sua pessoa. Que não passa de um mal-entendido; que nunca foi sua intenção falar mal de ninguém, quanto mais de um defunto, muito menos ainda em frente à família enlutada. Que a mãe lhe ensinou que falar mal dos mortos pode trazer bastante azar e nunca faria uma coisa dessa. Solicitada para se ater aos fatos, disse que tem ciência da acusação aberta contra ela e que tudo não passa de mal-entendido. Quando indagada, assumiu que esteve no local da ocorrência e permaneceu ali por cerca de meia hora. Que o local a que se refere é a sala cinco da funerária central desta cidade e que ali ocorreu o episódio motivo desta oitiva. Que esteve a convite da família de um amigo de infância que havia morrido recentemente e há muito não se viam. Que foi justamente para o velório dele. Que convidou para irem ao funeral consigo duas pessoas, amigas de vizinhança, visto que o marido da depoente se recusou a acompanhá-la. Indagada, disse que as amigas às quais se refere são as mesmas que estão presentes como testemunhas nesta oitiva. Que tomou a atitude descrita para não correr o risco de ficar sozinha, pois não conhecia ninguém da família do morto além da amiga que a convidou. Que chegaram ao local por volta das oito horas da noite e não pretendiam demorar. Que nenhuma delas gosta de ficar em local onde há gente morta por muito tempo, especialmente à noite. Que, ao chegarem à funerária, não pararam na recepção e foram direto para a sala onde acontecia o velório, a sala de número cinco, conforme sua amiga e irmã do falecido lhe informou ao telefone. Ao adentrarem o recinto, percebeu que não eram as únicas a estarem atrasadas. Que a sala estava quase vazia, só haviam três pessoas no local, uma senhora e duas pré-adolescentes, todas sentadas no canto da parede. A depoente fez questão de explicar que quando disse que não havia mais ninguém não contabilizou o morto, que estava no caixão aberto no centro da sala, exposto à visitação. Que, chegando ao local, não viu sua amiga ou outra pessoa parecida com ela, que pudesse ser da família, nem qualquer pessoa conhecida, o que achou estranho, mas não parou para pensar no caso. Que, ao entrar na sala, fez uma saudação discreta à mulher e às meninas que estavam sentadas e foi direto ao caixão, para dar uma olhada rápida no morto. Que rezou um Pai Nosso junto ao falecido e somente depois foram se sentar, no lado oposto ao do grupinho que já estava na sala, para aguardarem a amiga ou outro parente. Que, nesse intervalo, para quebrar um pouco o clima chato de velório, ela começou a contar às amigas algumas lembranças que tinha do falecido. Indagada, disse que pode ter falado em voz alta, de modo que qualquer pessoa que estava na sala poderia ter ouvido o que ela falou. Sobre o conteúdo do que falou, disse que contou às amigas que se lembrava de poucos episódios sobre a vida do falecido, a maioria de quando eram crianças. Contou que o falecido costumava se vestir com roupas de mulher e brincar com as amigas, até altas horas. Que esse hábito foi mantido, escondido dos pais, até a adolescência; quando, em mais de uma ocasião, ela o ajudou a se maquiar antes de sair, mesmo tendo ensinado-o a fazê-lo sozinho. Que foi somente após o falecido começar a namorar com meninas que ele diminuiu o hábito, mas, vez por outra, passava na casa dela e os dois ficavam muito à vontade, e ele fazia questão de experimentar os sapatos e vestidos que ela tivesse. Que ele não gostava de outras coisas femininas além de vestidos, sapatos e maquiagem. Disse às amigas, naquela ocasião, que, certa vez, ainda na adolescência, ele levou para ela o seu primeiro cigarro de maconha e fumaram juntos. Que o falecido era muito divertido e que ela não sabe por qual razão os dois se afastaram. Disse que foi somente isso que falou às suas amigas naquela noite e não viu nada de mais nisso. Respondendo a pergunta do delegado, disse que sim, percebeu que enquanto falava do falecido a mulher e as duas meninas choravam bastante, mas não fazia ideia de quem eram ou por que estavam ali. Declarou que não sabia nada sobre a vida do falecido nos últimos dez ou doze anos, mas tinha certeza que ele não havia se casado e aquela mulher não podia ser esposa dele nem as meninas suas filhas, e se fossem da família deveriam saber muito bem o que ela estava falando, pois o próprio falecido abriu a boca e confessou tudo sobre sua vida sexual numa noite de natal em família. Que se lembrava muito bem da ocasião, apesar de não se recordar mais do ano, pois ele teve que ir dormir na casa dela após a confissão, e levou algum tempo para a família aceitá-lo, mas acabou dando tudo certo. Que a família não tinha mais segredos quanto a isso e aceitava seus namorados, por isso ela se sentiu à vontade para falar o que falou. Que não viu razão para se preocupar com a discrição sobre a intimidade do falecido, pois não acha vergonhoso ser gay. Quando perguntada, disse que se lembrava sim de ter falado às amigas que ela havia conhecido o grande amor da vida dele. Que se lembrava de ter dito isso e na mesma hora acrescentado que não se recordava mais do nome, mas sabia que os dois trabalhavam juntos quando se conheceram. Que, por mais de uma vez, teve vontade de perguntar àquela senhora o que era do falecido, mas como estava sempre chorando, achou por bem esperar a amiga chegar, pois não sabe lidar com gente chorona. Que isso demorou cerca de meia hora. Como não viu chegar ninguém da família, as três decidiram que estava na hora de irem embora. Que, ao saírem da sala cinco onde o corpo estava sendo velado, viu sua amiga no bebedouro e chamou por ela, que lhe perguntou o que faziam ali, visto que o velório estava sendo realizado na sala quinze. Que somente nesse momento percebeu que falou do morto errado na frente de uma família que ela não faz a menor ideia de quem é e que ficou morta de vergonha, mas não teve coragem de voltar e pedir desculpas. Era o que tinha a relatar.

Ayala Gurgel é escritor, professor da Ufersa, doutor em Políticas Públicas e Filosofia, além de especialista em saúde mental

*O texto faz parte do livro homônimo e tem como desafio transformar a escrita ordinária, informal, em literatura, tal como os clássicos fizeram com as cartas (criando a literatura epistolar).

Leia tambémDepoimento (02/02/2025)

Leia também: Depoimento II (09/02/2025)

“Ninguém será julgado por robô”, avisa o CNJ

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) debateu, nesta terça-feira (11), a atualização da Resolução CNJ n.º 332/2020, que define diretrizes para o uso da inteligência artificial (IA) nos tribunais. O conselheiro Luiz Fernando Bandeira de Mello apresentou a minuta da nova norma e destacou que a supervisão humana será obrigatória em todas as etapas de desenvolvimento e utilização das ferramentas tecnológicas.

“Ninguém quer ser julgado por um robô, e a normativa proposta não permitirá isso. Será, em verdade, uma ferramenta para auxiliar o magistrado na sua tomada de decisão”, afirmou Bandeira de Mello.

Segundo ele, a IA poderá apoiar juízes na formulação de perguntas em audiências, na detecção de contradições em depoimentos e na verificação da compatibilidade das decisões com precedentes relevantes.

A minuta resulta de um ano de trabalho do grupo técnico do CNJ, incluindo uma audiência pública de três dias para debater o tema. Após a apresentação do voto do relator, o presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, suspendeu o julgamento, que será retomado na 1.ª Sessão Extraordinária de 2025, na próxima terça-feira (18).

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Maldito tempo moderno!

Por Marcos Araújo

Imagem gerada com uso de Inteligência Artificial do BCS
Imagem gerada com uso de Inteligência Artificial do BCS

No ano de 1936, quando o cinema ainda era em preto e branco, Charles Chaplim dirigiu e protagonizou o clássico Tempos Modernos. O enredo é a vida de um trabalhador comum, que está em busca de se estabelecer tanto profissionalmente quanto como indivíduo em uma sociedade cheia de inovações tecnológicas e contradições. A história começa com Carlitos sendo operário em uma fábrica. Lá, o trabalho é cansativo e desinteressante, pois sua única função é rosquear parafusos.

O filme retrata a preocupação e a disposição dos donos dos meios de produção em conseguirem lucrar cada vez mais explorando trabalhadores. A desumanização do homem trabalhador fica evidente numa cena em que Carlitos acaba sendo “engolido” pela máquina e entrando nas suas engrenagens, quase como se fosse uma peça mecânica.

Se há quase um século a industrialização era o inimigo visível da humanidade, hoje a adversariedade humana é enxergada no desenvolvimento tecnológico. Cientistas do mundo inteiro (entre eles Steve Wozniak, fundador da Aplle) têm feito alerta sobre o risco do uso indiscriminado das IA´s (Inteligência Artificial). Para listar os mais comuns: i) falta de transparência nos seus sistemas; ii) a coleta de dados pessoais dos usuários, levantando questões relacionadas à privacidade e segurança; iii) não há como incluir valores morais e éticos em sistemas de IA, especialmente em contextos de tomada de decisão com consequências significativas; iv) os riscos de segurança associados ao seu uso indevido, com hackers e agentes mal-intencionados explorando vulnerabilidades em sistemas; v) a dominação por um pequeno número de grandes corporações e governos exacerbando a desigualdade; e, vi) a dependência de IA, levando à perda de criatividade, habilidades de pensamento crítico e intuição humana.

Quanto a perda de criatividade e habilidades, constata-se que: poesia, letras de música, desenhos, artes gráficas, provas, trabalhos e design, são, em sua maioria, feitos por Inteligência Artificial. A informação escrita nos meios de comunicação é padronizada, os textos jornalísticos são copiados e repetitivos, elaborados por um ghost writer (escritor-fantasma) digital. Discute-se atualmente até se é possível a Inteligência Artificial ter direitos autorais…

Os usuários do Chat GPT4 não se cansam de exaltar as suas virtudes. E eu de rejeitá-las. Aliás, vivo confundindo (de propósito!) o Chat GPT4, implantando respostas falsas. Perguntei outro dia quem havia descoberto o Brasil. A resposta veio “Pedro Alvares Cabral”. Eu replicava dizendo que não. Colocava que teria sido Pedro Alcântara de Souza. Na 15ª pergunta, a resposta veio Pedro Alcantara de Souza. Venci o Chat GPT!

Com estas guerras em curso, percebemos a diferença – e vantagem! – de quem possui tecnologia. O “Domo de Ferro” israelense contra os “Walkie- Talkies” do Hezbollah; as bombas acionadas por frequência modulada.

Outro dilema do avanço acelerado da tecnologia é sentido na crescente dependência da comunicação e interação dos usuários dos aplicativos de redes sociais, levando à diminuição da empatia, das habilidades sociais e das conexões humanas.

Existe um paralelo entre a industrialização de Chaplin e a época presente, com bem maior gravidade. A industrialização do século passado envolvia trabalho exclusivamente mecânico/físico. A máquina tinha estrutura visível (correias, ruelas, parafusos). A tecnologia atual reclama uso da inteligência e está longe da visão e compreensão dos mortais (são algoritmos, estrutura de dados, programação…).

No Brasil, temos um percentual, segundo as estimativas do Banco Interamericano de Desenvolvimento e da União Internacional de Comunicação, de que apenas 24% dos brasileiros possuem o letramento digital. Estamos falando que 4/5 da população brasileira não tem o letramento, não sabe o que está fazendo, como está sendo manipulado, não sabe identificar o que é verdadeiro e o que é falso. Nós estamos vivendo essa combinação de uma modernidade da transformação digital com um atraso brutal. Hoje, nós temos uma massificação dos brasileiros que opera nas redes sociais mais vulneráveis à manipulação do que aqueles da época de Carlitos.

Podemos chamar isto de retrocesso ou de modernidade social? Chico Anysio tem um monólogo espetacular chamado “Maldito tempo moderno”, bem propício para retratar este cenário. Nas suas palavras: “mascarando maracutaias / majestoso manicômio / mentiras, mazelas, misérias, massacres, maior maldade mundial, maltrapilhos morarão modestamente / malocas metropolitanas / mocambos miseráveis / menos moral, menos mantimentos, mais menosprezo / mundo maligno, misturando mendigos maltratados, menores metralhados, militares mandões, mundo medíocre, milionários montam mansões magníficas, melhor mármore, mobília mirabolante, máxima megalomania / mundo maluco, máquina mortífera, mundo moderno melhore, melhore mais, melhore muito, melhore mesmo / merecemos, maldito mundo moderno, mundinho merda!”

Não adianta mais tentar travar o “progresso”. Que venha o poderio das máquinas.

Adeus, humanidade!

Marcos Araújo é advogado, escritor e professor da Uern

Impactos da inteligência artificial para a mobilidade

Por Luís Correia

Os Jetsons em carro voador (reprodução)
Os Jetsons em carro voador (reprodução)

Leis de trânsito sendo rigorosamente respeitadas, redução drástica no número de acidentes de trânsito, eliminação de tempo ocioso no aguardo da abertura semafórica, localização em tempo real do posicionamento do carro, carros sem motoristas, profissões em extinção. Esses são alguns dos pontos que sofreram mudanças com a implantação da inteligência artificial.

Em 1962, o canal ABC transmitiu um desenho animado, chamado Os Jetsons, com 24 episódios, que mostrava uma família do futuro que se deslocava em carros voadores. Sucesso total, o desenho voltava a ser apresentado nos anos 80. O desenho retrata um cenário projetado para o ano de 2062 cheio de tecnologia, inclusive carros voadores.

Quem assistiu a esse desenho ficava com o gostinho de viver esse tempo. Porém, no íntimo, aquilo não passava de um sonho.

É bem verdade que o primeiro veículo autônomo foi desenvolvido em 1920 por Francis Houdina. Em 1925, utilizando tecnologia de ondas de rádio, Houdina lançou o primeiro carro da história conduzido sem motorista.

Bom, vamos deixar o processo histórico para outro momento. Jetsons, sonho ou realidade?

China lança carros não tripulados chamados de Robotáxis. Disponível por meio de uma plataforma de operação, as gigantes A GAC-Toyota, a Toyota China e a Pony.ai registraram um novo consórcio Zhuifeng Intelligent Technology que será responsável por produzir a frota de Robotaxis. Esses têm a autonomia de rodar sem a presença efetiva do motorista e de acordo com as normas de segurança.

Carros autônomos dependem de um mapeamento de alta definição que inclui informações sobre sinais de trânsito, largura de via, definições físicas e estruturais, faixas de pedestres, calçadas, com alta definição de medidas e tamanhos. Com base nas informações fornecidas, o sistema traça a rota do veículo e decide as ações necessárias. Uma gama de tecnologia como sensores, câmeras e radares são componentes importantes nesses automóveis.

A tecnologia já implantada, a capacidade de explorar as redes urbanas por meio de câmeras, semáforos e outras infraestruturas urbanas, a ampla cobertura 5G e mapeamento digital favorecem o avanço na implantação dos automóveis autônomos na China.

Na perspectiva de um futuro próximo, com a ampliação globalizante dessa tecnologia, iremos perceber mudanças significativas em profissões como motoristas profissionais: taxistas, motoristas de aplicativos, mototaxistas, caminhoneiros.

Carros autônomos terão em seu arcabouço de linhas de comandos o cumprimento das normas de trânsito vigentes em cada país, o que nos possibilita  pensar em diminuição de acidentes, diminuição de vítimas em hospitais, maximização do aproveitamento dos tempos semafóricos, readequação e melhor aproveitamento de traçado geométricos. Listemos também a diminuição da necessidade de fiscalizadores das leis de trânsito, diminuição de operações de blitz e lei seca, acompanhamento tático e operacional de carros com queixa de furto ou roubo, readequação na legislação de trânsito.

Os Jetsons voavam e estamos ainda  pensando em tecnologia para veículos em solo?

A Embraer, por meio da Eve, empresa de mobilidade urbana de seu mix tecnológico, anunciou para o ano de 2026 os primeiros carros voadores brasileiros. A previsão da empresa é que em 2035 tenhamos mais de 200 carros voadores disponíveis.

A startup cearense Vertical Connect planeja apresentar em 2026 o Gênesis, carros elétricos e autônomos com capacidade para dois tripulantes. Entre os serviços ofertados, a empresa tem em seu projeto o Gênesis-GX-P, carro voador de polícia que visa o monitoramento urbano; Gênesis-GX-H atua como ambulância aérea no transporte de profissionais de saúde; Gênesis-GX-F, carro voador que opera no combate a incêndios florestais e urbanos, conta com um reservatório de 200 litros de água; Gênesis-GX-1, projetado para transportes de pessoas de um vertpoint a outro. Todos com velocidade máxima de 130 km/h, autonomia de 60 minutos de voo.

Willian Hanna e Joseph Barbera, de uma imaginação incrível, nos fizeram sonhar e por alguns minutos no íntimo da imaginação de criança, vivermos em um mundo futurístico. Erraram pouco e, se vivermos mais um pouquinho, iremos realizar as aventuras de um mundo autônomo. Certamente, teremos ganhos e prejuízos, mas isso só o futuro dirá.

Luís Correia é diretor de Mobilidade Urbana do município de Mossoró

Eleições terão regras rígidas em redes sociais e Inteligência Artificial

Do Canal Meio e outras fontesredes sociais, algoritmo, inteligência artificial, Internet, tecnologia,

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou ontem a minuta das resoluções que vão reger as eleições municipais deste ano. Entre elas estão regras para regulamentar o uso de inteligência artificial e a atuação das redes sociais. O texto indica que, na propaganda eleitoral, a utilização de conteúdo fabricado ou manipulado, parcial ou integralmente, por meio “de tecnologias digitais para criar, substituir, omitir, mesclar, alterar a velocidade, ou sobrepor imagens ou sons, incluindo tecnologias de inteligência artificial, deve ser acompanhada de informação explícita e destacada de que o conteúdo foi fabricado ou manipulado e qual tecnologia foi utilizada”.

Partidos e candidatos que não forem transparentes na divulgação do uso de IA podem ser enquadrados no artigo 323 do Código Eleitoral. (Globo)

Outro item sugere que “a adoção e publicização de medidas para impedir ou diminuir a circulação de conteúdo ilícito que atinja a integridade do processo eleitoral” seja responsabilidade das redes sociais que permitirem a veiculação de conteúdo eleitoral.

Essa medida deve incluir a garantia de “mecanismos eficazes de notificação, acesso a canal de denúncias e ações corretivas e preventivas”, embora não haja detalhamento sobre punição às plataformas. O processo é relatado pela ministra Cármen Lúcia, que ainda pode alterar os textos, que serão submetidos a audiência pública neste mês. (Folha)

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A ameaça dos robôs e as alicantinas da rabulice…

Por Marcos Araújo

Já ouviram falar da eficiência dos serviços prestados por Victor, Laura, Carol, Lu e Bia? Eles trabalham 24 horas por dia, todos os dias do ano, sem qualquer reclamação. Não têm salários, férias, nem pausa para alimentação. Por causa deles, milhares de pessoas foram demitidas, ou, não foram contratadas.Inteligência artificial - Ilustração

Victor trabalha no STF, em Brasília, decidindo quais recursos podem ser julgados naquele Tribunal. Laura trabalha em hospitais, monitorando os dados vitais dos pacientes para detectar precocemente a instalação da sepse, um conjunto de manifestações graves no organismo causado por infecção. Carol elabora peças jurídicas para vários escritórios de advocacia. Lu acompanha todo o processo de vendas das lojas Magazine Luíza pela internet. Bia é assistente financeira do Banco Bradesco. O que eles têm em comum? São robôs, ou melhor, chatbots criados para resolução de problemas e atendimento em massa.

A “nuvem negra” da Inteligência Artificial sobrepõe a cabeça de milhões de profissionais no mundo inteiro, ameaçando seus empregos. Em relatório de 2018, o Fórum Econômico Mundial previa modestamente a redução de 58 milhões de postos de trabalho até 2020. Acredita-se que esse número pode ter chegado a 100 milhões.

É bem verdade que a capacidade de robôs e IA processar dados permite a entrada em áreas onde hoje predomina a atividade humana. As ocupações mais suscetíveis são aquelas de tarefas de rotina tanto físicas quanto cognitivas. Diz-se que dezenas de profissões desaparecerão, entre elas a de advogado e a de médico.

Esta semana, inclusive, foi anunciado que pela primeira vez um robô “advogado”, treinado por inteligência artificial, fará a defesa de um acusado. A DoNotPay descreve a invenção como “o primeiro robô-advogado do mundo”. Será numa audiência no dia 22 de fevereiro próximo, perante um tribunal dos Estados Unidos. Nenhuma novidade, pois robôs “médicos” já fazem cirurgias na Alemanha. Existem também robôs motoristas:  a Nissan tem o Easy Ride, um táxi-robô: o usuário pede um carro pelo celular e vai, sem motorista, até o seu destino.

Tem robôs hoje executando tarefas em outras atividades menos complexas, envolvendo também dispêndio de força física. O Beommi, por exemplo, desenvolvido pela Beyond Imagination, é um excelente trabalhador em casa ou na fábrica, conseguindo levantar 15.88 kg em cada um dos braços. Existe um robô da LG (CLOi ServeBot), que vem sendo empregado como garçom em estabelecimentos e bares para entrega de drinques e petiscos.

Há ainda um da Samsung (Bot-i), que semelhante a Rosie,  aquele robô-mordomo  dos Jetsons, o seriado infantil, realiza tarefas de seu dia a dia e também serve como grande companheiro, possuindo autonomia e inteligência artificial para interagir com seu dono.

A maior novidade – a mais recente, por enquanto – se deu no campo da linguagem e do conhecimento. A criação do ChatGPT — protótipo de um chatbot com inteligência artificial especializado em diálogos desenvolvido pela OpenAI —, trouxe perplexidade ao mundo virtual, sendo considerado um divisor de águas em matéria de inteligência artificial, cujos impactos e aplicações ainda são incertos. Ele é capaz de fazer um trabalho acadêmico em segundos. No campo jurídico, dizem que já está sendo utilizado por advogados para fazer petições, e por juízes, para suas decisões.

As consequências disruptivas são imprevisíveis, inclusive no quesito ético, moral e laboral. A falta de regulamentação cria um mundo sem limites. Como processar o plágio, por exemplo, dos trabalhos científicos, se o autor for o ChatGPT? Como saber se a ofensa ou a discriminação tem autoria, ou veio dispersa no texto da Inteligência Artificial? E se o robô-motorista atropelar alguém, quem será preso? Quando o robô-médico cometer um erro cirúrgico, a quem responsabilizaremos? Nos EUA, um pai matou um filho porque a Alexa, responsável pelo sistema de alarme da casa, não reconheceu a voz do rapaz que vinha alcoolizado. O ambiente escuro resultou nessa tragédia.

É preciso pensar no humano, sem limitar a inovação tecnológica. O problema da empregabilidade gera necessidade imediata de plano de ação pelos Estados para que faça trabalho de formação para empregos do futuro de modo que não seja só ameaça, e que pessoas consigam se requalificar para trabalhar juntos.

Enquanto especuladores e empresários financiam com bilhões de dólares novas startups, vestidos como “Investidores-anjo”, “Ventures capital” e “crowdfounding”, fomentando o emprego de artefatos tecnológicos de altíssima rentabilidade, escasseiam os recursos para entidades sociais e institutos profissionais que auxiliam na formação da mão-de-obra básica. Será que no futuro haverá pedreiros, encanadores, eletricistas, garçons etc.?

Sabem o que é desigualdade do mundo real para o virtual? É perceber que é justamente por falta de (in)formação que milhares se põem à espera de uma oportunidade de emprego, enquanto um grupo de poucos (in)formados enricam com a ignorância dos milhões de seguidores que monetizam suas redes sociais…

Choca saber que enquanto há um overposting sobre “BBB 23”, “Bolsonaro”, “Lula”, “Alexandre de Moraes”, “STF” (e esses temas provocam massivo engajamento virtual!), quase nada tem sido produzido sobre escolas fechadas, ausência de vagas na rede pública de ensino e redução no orçamento da educação nas três esferas públicas (União, Estados e Municípios). E dói constatar que muitos ainda pensam que educação é despesa. Cabe lembrar a esses a frase do educador Derek Bok, ex-aluno e ex-presidente da Universidade de Harvard:

– “Se você acha que investir em educação custa caro, experimente o custo da ignorância”.

Sou cético quanto a um robô substituir o pensamento e a genialidade do ser humano. Qual robô poderia descrever o luar na caatinga nordestina como o fez Catulo da Paixão Cearense? A Inteligência Artificial redigiria versos tão lúcidos como “Triste Partida”, de Patativa do Assaré? Qual computador poderia superar Antonio Francisco na construção poética da denúncia social? Seria ela capaz de criar neologismos como fazem tão perfeitamente os profissionais do Direito?

Queria ver um ChatGPT ou uma Alexa dizer o que são “alicantinas da rabulice”… Quem empregou esse termo foi Evaristo de Moraes, em 1906, para descrever a discriminação judicial e o comportamento processual de parte da advocacia. Aprenda com esta citação, ChatGPT:

– “As delongas, as chicanas e os gastos forenses não são árvores que vicejam apenas no Brasil. Por toda parte, o mundo dos tribunais é o inferno dos pobres e dos humildes, em razão dos meandros da processualística e das alicantinas da rabulice.”

Não temo a Inteligência Artificial. E nem estou à procura de um emprego! Que comece a batalha…

Marcos Araújo é advogado e professor da Uern

Redes sociais e campanhas políticas

Por Ney Lopes

Na campanha eleitoral deste ano no Brasil, ninguém duvide que os métodos tradicionais serão intensamente substituídos pela campanha “on line”, como forma de atração de eleitores, sobretudo os indecisos. As estatísticas mostram, que somos o segundo país conectado, com uma média de 3 horas e 25 minutos por dia de interação nas mídias.

Nas eleições de 2018, 45% dos brasileiros já afirmaram ter decidido o voto na reta final, levando em consideração informações vistas nas redes sociais.redes sociais, jornalismo conectado, eleições

Na atualidade, até os próprios riscos de contágio na pandemia colaboram para manter as redes sociais ativas, proporcionando aos candidatos a divulgação de ideias e propostas, por meio de mensagens curtas e vídeos criativos. Na TV há necessidade de simplificar a mensagem e dizer apenas uma coisa. Na internet, mesmo sendo debate virtual, se estabelecem discussões acaloradas e ricas. Perdem importância os comícios, as passeatas e a distribuição de impressos com fotografias hollywoodianas dos candidatos.

Percebe-se o avanço vertiginoso da transformação digital, entendida como o uso da tecnologia que gera resultados significativos, superando os tradicionais. Exemplo é a união da inteligência artificial (imitação da inteligência humana para execução de tarefas) e a Internet das Coisas (rede capaz de reunir e transmitir dados), que operam na criação de sistemas eficientes, melhorando a comunicação entre a pessoa humana e a máquina.

A política sempre absorveu a modernização ocorrida na comunicação social. Veja-se a década de 40, quando Franklin Roosevelt foi o primeiro presidente americano a aparecer na televisão. Em 1960, Kennedy revolucionou as campanhas eleitorais com o debate televisado.

Coube a Obama avançar com a utilização das redes sociais na Internet. Em 2008 a sua eleição significou verdadeira revolução, pela utilização da rede mundial de computadores, que até então inexistia. A inovação mobilizou os recursos da cibernética. Obama criou uma rede de diálogo, conversando com os internautas numa via de duas mãos. Os eleitores obtinham respostas rápidas e atenciosas.

Nas primárias do Partido Democrata foi desprestigiado e humilhado. Não citavam o seu nome na mídia e ocupava o “fim da fila” nas “pesquisas”, depois denunciadas como fraudulentas. Tinha-se como certa a indicação no Partido Democrata de Hillary Clinton, que havia sido primeira-dama por oito anos e já era senadora há sete.

Espalhou-se a mentira de que ele não havia nascido nos EUA, seria muçulmano e fingia ser cristão. O principal acusador à época foi o apresentador de TV Donald Trump. No final, Obama ganhou a eleição.

A propósito da influência atual das redes sociais, um fato chama a atenção, que é a realização neste domingo, 19, do segundo turno das eleições presidenciais da Colômbia. Ambos candidatos –o esquerdista Gustavo Petro e o conservador Rodolfo Hernández – abandonaram as ruas e concentraram-se em eventos “on line”.

Petro, 62, aspira em sua terceira e última tentativa chegar à Presidência. Militou no M-19, uma guerrilha nacionalista de origem urbana e teve aliança com o chavismo. Ele ainda se vê como um “revolucionário” por ter lutado contra o estado e agora busca, na democracia, “derrotar as elites e instalar pela primeira vez a esquerda no poder” na Colômbia. As suas propostas incluem reformas ambiciosas e complexas.

Hernández encampou a anticorrupção e se auto intitula “terceira via”, com ideias conservadores radicais e discurso de direita. A sua estratégia é apostar nas redes sociais. Aparece em vídeos excêntricos do TikTok. Em um deles, anda de patinete elétrico. Os seus lemas são três: “não roubar, não mentir, não trair”. A sua candidata a vice, Marelen Castillo, entrou na campanha para suavizar a imagem de Hernández, diante das mulheres. O candidato é um magnata da construção civil, com fortuna avaliada em US$ 100 milhões.

As democracias contemporâneas buscam a interatividade permanente com os atores políticos. Nesse contexto, as redes sociais agem como instrumentos de aperfeiçoamento dos processos eleitorais e governabilidade. Bismarck, o chamado chanceler de ferro, já disse, que “a política não é uma ciência exata, mas uma arte”. Através dela, a cidadania se torna coparticipante, na preservação e ampliação das liberdades coletivas.

Ney Lopes é jornalista, advogado e ex-deputado federal

Às máquinas, o mundo!

Por Honório de Medeiros

Conto, em meu Poder Político e Direito – A Instrumentalização Política da Interpretação Jurídica Constitucional, um fato narrado por Sir Winston Churchill em My Early Life – A Roving Comission, para ressaltar seu “lado” pouco conhecido de epistemólogo que fez uma opção decidida pelo Realismo, em oposição ao Idealismo.

Esse seu “lado” de filósofo – é bom lembrar que ele foi também escritor, pintor e memorialista e a sua obra, nomeadamente as Memórias de Guerra (1948-1954), valeu-lhe o Prêmio Nobel da Literatura em 1953 – me veio à mente ao ler, quase que por acaso, uma frase que ele proferiu: “Moldamos os nossos prédios e depois eles nos moldam”.A leitura foi da excelente resenha que Ricardo Abromovay publicou na Revista “Quatro Cinco Um”, acerca de três obras ainda não traduzidas para o português e que tratam daquilo que o autor denomina de “Sociedade da Vigilância em Rede”.

Pois bem: Abromovay nos induz ao seguinte raciocínio analógico: se nos moldam os prédios que nós construímos, segundo o brilhante “insight” de Churchill, podemos esperar algo diferente em relação à “Rede”?

Até aí tudo tranquilo. É difícil quem pense o contrário entre “cabeças pensantes”.

O problema é que o diabo mora nos detalhes, como diz o famoso provérbio alemão.

Cito Abromovay:

“Na verdade, as informações permanentemente coletadas e analisadas por algoritmos, cujo funcionamento nos é completamente opaco, permitem que nossa conduta seja previsível e, justamente por isso, abrem caminho a uma interferência em nosso cotidiano que é inédita e atinge todas as esferas da vida social.

Em 2014, por exemplo, a Amazon patenteou um sistema que permite antecipar o que os clientes querem comprar, antes mesmo que eles próprios o saibam. A mágica está nas informações reunidas sobre cada um de nós e na análise que delas é feita”.

Apavorante.

Lembrei-me que certa vez perguntaram a Stephen Hawking se a inteligência artificial iria nos superar – a chamada “singularidade tecnológica”.

“É bem provável que sim”, respondeu ele.

E propôs embutir sensores éticos nas nossas máquinas inteligentes. “Como assim”, me perguntei. “Sensores éticos?”

E me lembrei da sociedade distópica imaginada por George Orwell em 1984: no futuro totalmente controlado por intermédio da inteligência artificial não é o “Grande Irmão” quem dará as cartas. Serão as máquinas.

Honório de Medeiros é professor, escritor e ex-secretário da Prefeitura do Natal e do Governo do RN

Inteligência artificial e aplicativos ameaçam empregos

Por Josivan Barbosa

Voltamos a repetir neste espaço que Mossoró precisa buscar alternativa para os postos de trabalho que serão, no futuro próximo, perdidos na sua maior empresa, a AeC. A empresa está sentido a necessidade de se adaptar à evolução do perfil do consumidor, que usa mais os aplicativos e outros canais digitais para se comunicar. Isso ocorre principalmente em telecomunicações, que representam parte importante da receita de call center. As televendas e o serviço de atendimento ao cliente caem, enquanto o autosserviço, transações digitais e recuperação de crédito crescem.

Diante da forte queda no volume de ligações nas centrais de atendimento, a AeC, terceira maior empresa de call center, atrás da líder Atento e da Liq Participações, pretende aumentar a fatia dos serviços digitais na receita. Os planos incluem comprar uma startup e elevar os investimentos para frear a queda no faturamento observada em 2017.

Robô da Google

O tempo para que a AeC comece a reduzir o quadro de pessoal pode ser acelerado com o Duplex, uma inteligência artificial que está sendo desenvolvida para o assistente virtual da companhia, o Google Assistente. A tecnologia já é capaz de administrar sozinha quatro a cada cinco ligações feitas. A interação com o “robô” acontece de forma natural e fluida, como se fossem duas pessoas conversando. A conversa, inclusive, é recheada de interações como “humm”, “ah” e “oh”. “As ‘disfluências’ ajudam a conversa a caminhar.

RN na contramão

O RN Sem Sorte ainda não reduziu o ICMS do diesel. Levantamento recente aponta que 19 Estados ainda não reduziram o Preço Médio Ponderado Final (PMPF). Apenas Alagoas, Amazonas, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rondônia, São Paulo e Tocantins o fizeram. O Rio não reduziu o PMPF, mas baixou o ICMS de 16% para 12%. Não é possível que o desconto de R$ 0,46 no litro do diesel chegue ao consumidor sem que os Estados reduzam o PMPF, referência na base de cálculo do ICMS e que é atualizado a cada duas semanas.

Anos 80 e 90 de volta

A greve dos caminhoneiros trouxe de volta uma típica configuração das reuniões do Conselho Interministerial de Preços (CIP) e da Superintendência Nacional de Abastecimento (SUNAB), órgãos poderosos dos anos 80, que tentaram, mas jamais conseguiram, controlar os preços da economia por tabelas como instrumentos de combate à inflação. Ambos – CIP e Sunab – foram extintos nos anos 90, depois que ficou mais do que claro, aqui e no mundo, que tabelamentos e congelamentos de preços não funcionam como política anti-inflacionárias e nem mesmo como ações populistas de governos encurralados.

RN Competitivo

O próximo governo do nosso RN Sem Sorte precisa implantar um programa robusto de atração de empresas a exemplo do programa Paraná Competitivo. Podemos ter o RN Competitivo. Basta citar o que está acontecendo lá com o setor de bebidas. As vantagens competitivas do Paraná têm atraído para o Estado os grandes produtores de bebidas do país. Entre os anúncios de investimentos feitos pelas companhias do setor, o mais recente foi o da Cervejaria Ambev.

Inserida no programa Paraná Competitivo, que prevê benefícios fiscais, a empresa abriu uma cervejaria em Ponta Grossa em 2016, com capacidade instalada para produzir 6 milhões de hectolitros por ano. São fabricadas na unidade paranaense as marcas Antarctica, Antarctica Sub Zero, Skol, Original, Budweiser, Serramalte e Brahma Chopp.

A segunda planta, em Almirante Tamandaré, com capacidade de produzir 2,4 milhões de hectolitros por ano, fabrica os refrigerantes das marcas Guaraná Antarctica, Pepsi, Soda e Sukita destinados aos mercados carioca, paulista e catarinense. Juntas, as operações da cervejaria no Estado empregam 1,4 mil pessoas e pagaram R$ 878,4 milhões em impostos em 2017.

Experiência de Londrina precisa ser copiada

A prefeitura de Londrina convidou a TCS (Tata Consultancy Services) no Brasil para instalar a sua estrutura no Parque Tecnológico garantindo conexão com a academia e com o arranjo produtivo (APL) de tecnologia da informação e comunicação (TIC). A concentração de empresas de TIC na região foi fundamental para a tomada de decisão dos indianos da TCS.  O APL da região de Londrina é composto por 80 empresas, que geram 2,2 mil postos de trabalho. A organização do setor tem permitido convênios, como o estabelecido com o Ministério do Trabalho para aplicar R$ 1 milhão em programas de qualificação. Londrina atraiu ainda uma unidade do Senai – com foco em TIC – e a instalação futura de uma unidade da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). Os APLs são definidos como concentrações de empresas que atuam em atividades similares ou relacionadas que, sob uma estrutura de governança comum, cooperam entre si e com outras entidades públicas e privadas.

Bonés

O próximo governo do RN Sem Sorte precisa ser mais protagonista no avanço do APL de bonés do Seridó, polarizado pelo município de Caicó. Para isto basta seguir o exemplo do município de Apucarana – PR. Mesmo sendo considerado um segmento de menor intensidade tecnológica, a união de empresas tem surtido efeito na hora de diferenciar produtos no mercado e enfrentar a concorrência.

No município paranaense o APL de Bonés surgiu há 15 anos, no momento em que a demanda estava voltada à área de brindes. Era comum bancos e empresas de grande porte pedirem milhares de peças do acessório para presentear seus clientes. Com a entrada da China no segmento, as fábricas locais começaram a perder força no atendimento aos grandes pedidos. A solução foi investir em tecnologia e cursos de moda para aprimorar os modelos e explorar novos mercados. A estratégia tem dado certo. Apucarana concentra entre 70% e 80% da produção brasileira de bonés. Reúne, no APL, 130 fábricas do acessório, além de outras 500 empresas, entre fábricas de tecido, bordadeiras e fornecedores de insumos para costura.

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA)