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Para Styvenson, Brasil está diante de um “doido” e um “ladrão”

Do Blog Túlio Lemos

O senador Styvenson Valentim (Podemos) não tem papas na língua. Conhecido como atirador de elite verbal, o capitão que chegou ao Senado sem apoio de nenhuma liderança política do Estado, não poupa ninguém e atira nos dois principais concorrentes na disputa presidencial.

Valentim não vota em nenhum dos prováveis candidatos em 2022 (Foto: Jefferson Rudy-Agência Senado)
Valentim não vota em nenhum dos prováveis candidatos em 2022 (Foto: Jefferson Rudy-Agência Senado)

Em contato com o blog Tulio Lemos na manhã deste sábado (26), Styvenson falou sobre Lula e Bolsonaro.

Ele disse que em 2018 já não votou em Bolsonaro: “Agora é que não voto mesmo. Prometeu um monte de coisa e não cumpriu. Disse que ia intensificar o combate à corrupção e não fez. Desandou tudo. Disse que não ia ceder ao toma lá dá cá e o que vejo é um festival de distribuição de emendas.”

Segundo Styvenson, “Bolsonaro é doido e mentiroso. Não voto nele de jeito nenhum.”

Sobre o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT), o senador Styvenson também não poupou ‘elogios’ e disparou sua metralhadora: “Lula é o maior bandido que o Brasil já teve. Se estão dizendo que esse Lázaro aí é perigoso. Perigoso é Lula que tá solto.”

O senador Styvenson Valentim conclui: “Não voto em nenhum dos dois.”

Nota do Blog – Falta agora um diagnóstico sobre o próprio senador Valentim. Que o faça.

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Um larápio sedutor

Arsène-Lupin-1024x512 - O ladrão de casacaPor Marcelo Alves

O Netflix acaba de lançar a série “Lupin”, baseada na personagem Arsène Lupin, o “gentleman cambrioleur” (espécie de ladrão e cavalheiro), criada pelo escritor francês Maurice Leblanc (1864-1941). O site oficial do Netflix afirma que, na adaptação para a pequena tela, “o ladrão gentil Assane Diop [esse é o nome dado ao anti-herói da série] quer se vingar de uma família rica por uma injustiça cometida contra o pai dele”. Não assisti ainda. Mas pretendo.

De toda sorte, essa série do Netflix me fez lembrar que “Les Aventures d’Arsène Lupin”, numa publicação da Hachette – Français langue étrangère, foi um dos primeiros livros que li na língua falada em Paris, quando ali estive, acho que em 2006, como aluno da Alliance Française. Que saudade daquele tempo!

Maurice Leblanc é um grande achado para um amante da literatura policial/detetivesca. Para quem não sabe, Leblanc é natural de Rouen, na Normandia francesa, descendente de uma família de ricos industriais. Ainda criança, conheceu seus conterrâneos normandos Gustave Flaubert (1821-1880) e Guy de Maupassant (1850-1893). Foi protegido deste.

Estudou direito. Trabalhou nos negócios do pai. Morou no estrangeiro. Abandonou o direito e a indústria. Foi ser escritor em Paris. Misturou-se com gente como Edmond de Goncourt (1822-1896), Émile Zola (1840-1902) e Stéphane Mallarmé (1842-1898), entre outros. Dizia-se socialista e livre pensador. Ao final, nos deixou diversos romances e contos.

Entretanto, foi com o seu Arsène Lupin, cujas aventuras foram originalmente publicadas, a partir de 1905, na revista Je sais tout, que Leblanc alcançou pleno sucesso. Foi comparado – ou mesmo tido como herdeiro – a Edgar Allan Poe (1809-1849) e Arthur Conan Doyle (1859-1930). As aventuras de Lupin se passam na França da Belle Époque (que maravilha!) ou da virada dos anos 1920.

LUPIN É UM “GENTLEMAN CAMBRIOLEUR” do tipo anarquista. É alegadamente inspirado em um personagem real, Alexandre Marius Jacob (1879-1954), celebrado anarquista/fora da lei francês. Mas, em razão da 1ª Grande Guerra, Lupin torna-se também um patriota (para meu desgosto, pois desconfio deveras desse tipo quase sempre impostor). E, à medida que o tempo passa, ele vai transmudando de larápio para detetive. Lupin é sobretudo uma figura cativante. Esportista e bom de briga. Mestre dos disfarces. Misterioso e ao mesmo tempo divertido e sedutor. Um “ladrão de casaca”.

Sagaz, suas peripécias para resolver qualquer enigma são surpreendentes. No dossier pédagogique da citada edição de “Les Aventures d’Arsène Lupin” consta: “Figura insólita do romance policial e de aventura, Arsène Lupin tornou-se um verdadeiro mito popular em França e no mundo inteiro”.

Encontramos um pouco dele já em Hercule Poirot e James Bond, por exemplo. E, claro, Lupin foi bater no cinema, na TV, no teatro, no desenho animado e até no excelente mangá japonês.

Para mim, uma das coisas mais interessantes em Arsène Lupin é ser ele é uma “resposta francesa” ao meu querido Sherlock Holmes, do britânico/escocês Conan Doyle. Isso até deu confusão. Uma querela. E, por instância de Conan Doyle, Leblanc teve de mudar o nome da personagem Sherlock Holmes (isso mesmo: havia um Sherlock nos casos de Lupin) para Herlock Sholmes. Acho que, aqui, Leblanc/Lupin não disfarçou muito bem.

Também acho maravilhoso o fato de Arsène Lupin ser uma personagem da Belle Époque francesa. Para quem já conhecia a ambiência dos casos do Inspetor Maigret, de George Simenon (1903-1989), mais pé no chão, próxima à realidade das ruas, foi uma viagem imaginária num mundo de glamour e sofisticação. Uma fuga das coisas da vida. E tipicamente francesa, bien sûr.

Para terminar, jogo a indagação: podemos gostar dessa mistura de ladrão e herói? Na ficção, pelo menos, parece que ela nos provoca grande atração. Vide a lenda inglesa de Robin Hood, tantas vezes já contada e recontada, no papel e na tela. E na vida real, essa simbiose mocinho e bandido, é possível? No Brasil, parece que sim. Embora, nem na Inglaterra, nem em França, nem aqui, de vera, isso seja recomendável.

Marcelo Alves Dias de Souza é procurador Regional da República, doutor em Direito (PhD in Law) pelo King’s College London – KCL e escritor

O Ministério Público descobriu a pólvora

Por François Silvestre

Sim, o Ministério Público descobriu a pólvora. E deixou a China com cara de tacho.

Informa o MP que Delcídio do Amaral é mentiroso. Grande novidade.

Qual corrupto, delator ou não, que seja verdadeiro? Qual?

O problema é que o MP no afã de expor-se aos holofotes anuncia aos sete ventos as delações como verdades incontestáveis. E acabam ficando com a cara de tacho maior do que a China.

Essa promiscuidade investigativa, nos inquéritos sem cuidados, entre um órgão público e ladrões privados, vai terminar levando todos para a privada.

E povo, pagador da conta, fica sem lenço para tapar o nariz.

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Henrique é tratado como “safado” e “ladrão” por populares

O ex-deputado federal (11 mandatos) e ex-ministro (duas vezes) Henrique Alves saiu por volta de 8h22 de hoje do prédio onde mora, em Natal, escoltado por policiais federais.

Henrique é  um dos presos na Operação Manus (veja AQUI), desdobramento da Operação Lava Jato.

Cercado por repórteres e dezenas de populares com smartphones à mão para fotos e filmagens, ele evitou se pronunciar.

Mas foi fortemente hostilizado por aglomerado de pessoas que resolveram esperar in loco a sua prisão.

Gritos de “ladrão” e “safado” ecoaram no lugar, enquanto Henrique entrava num veículo da Polícia Federal.

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Regra (de) Três

Por Francisco Edilson Leite Pinto Júnior

Não se espante, caro leitor, mas, na época do colégio Salesiano, uma das matérias que eu mais gostava era matemática! Com certeza, a explicação para essa preferência foi a presença de mestres excepcionais, como Augusto e Helder. Gostava tanto dos números, que a minha primeira experiência, como professor, foi ensinando regra de três, cálculo do “x” da questão, etc. etc. para os meus colegas de turma.

Isso mesmo: ensinava e aprendia ao mesmo tempo! Guimarães Rosa foi esperto ao perceber que professor é aquele de repente, aprende…

Sim! Não se espante mais uma vez pelo fato de eu ter escolhido medicina ao invés de engenharia…  Ora, até os filósofos gostam de matemática: “Só poderá entrar quem for um geômetra!”, não eram os dizeres da placa, na entrada da escola de Atenas?!  Pois é, para os gregos, Deus era um matemático! Por isso, Einstein acertou ao afirmar que Ele não joga dados…

Pois bem! Mesmo gostando de matemática, tem um cálculo que eu não consigo fazer… Já procurei a resposta de várias maneiras, mas não consigo chegar a nenhum resultado. Qual o cálculo?! Quer saber, mesmo?! É simples, mas é complexo: quantas vezes devemos perdoar?! Cristo até tentou dizer a resposta: 70 x 7! No entanto, quando estava no momento da sua morte, entre o ingrato e o ladrão, olhando para esse último, ele disse: “Em verdade te digo, hoje estarás comigo no paraíso!”.

Veja que ele não disse: “hoje, vocês estarão comigo no paraíso”.

O verbo ficou mesmo no singular. O ladrão, Cristo perdoou, mas o ingrato… Oh! Coisa difícil é perdoá-lo! Por que a ingratidão é sem dúvida o pior de todos os pecados. Shakespeare abominava tanto a ingratidão que ele não se cansava de dizer: “Não é um ano, nem em dois, que se conhece um homem. Tudo que eles são é estômago, e nós não passamos de comida. Eles nos comem com sofreguidão e, quando se sentem empanturrados, eles nos arrotam!”.

Padre Antônio Vieira colocava esse defeito de caráter como uma das armas mais poderosas para destruir o amor; maior até do que o tempo e a distância.

Portanto, não se espante, caro leitor, com a “Regra três” de Vinícius de Morais: “Tantas você fez, que ela cansou, por que você rapaz, abusou da regra três, onde menos vale mais… Da primeira vez ela chorou mas resolveu ficar/ É que momentos felizes tinham deixado raízes no seu penar. Depois perdeu a esperança/ por que o PERDÃO também CANSA de perdoar!”.

E perder a esperança, meu caro, significa: acabou! Afinal, a fila tem que andar, não é mesmo? Até porque, muitas vezes, querendo ressuscitar uma convivência que já morreu há anos, estamos esquecendo, perigosamente, a grande lição de Zeus ao seu neto Asclépio: “Ressuscitar mortos não é coisa para os médicos. A ciência tem limites! Ressuscitar mortos é coisa dos deuses!”. E eu acho que somente Ele, e ninguém mais do que Ele, para perdoar eternamente!

Nós, mortais de carne e osso, com um coração que sangra a cada ingratidão, indiferença, humilhação, etc. etc. é impossível não cansar, ao chegar ao número cabalístico de setenta vezes sete… Na verdade, nossa vontade, além de não perdoar, é de revidar a cada agressão, a cada ingratidão… Gostaríamos até de nos tornarmos também porcos-espinhos e ferir com a mesma moeda o ingrato.

Mas como um pinto (Edilson Pinto) poderá virar um porco?! Ainda mais um porco-espinho?! Será que torcendo pelo time do Palestra Itália, o Palmeiras, conseguirei?!

Não! Estou fora! Transformar o meu coração em pedra?! Jamais! E porco espinho não combina comigo. Até por que, sei muito bem o que Nietzsche quis dizer quando nos alertou: “Aquele que luta com monstros deveria tomar cuidado para não se tornar um deles!”. O melhor é aceitar tudo calado.

O silêncio é o melhor remédio. Só não sei se o silêncio seria um perdão… Dizem que quem cala consente! Mas, também, do que adiantaria o meu perdão, se você nunca conseguirá perdoar o que você fez a si mesmo?

P.S. Dedico este artigo ao colega médico Henrique Santos, afinal foi ele que deu o mote: “Amigo, escreva pensando na bossa nova!”.

Francisco Edilson Leite Pinto Junior– professor, médico e escritor.