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Bolsonaro e militares se calam na Polícia Federal

Do Canal Meio e outras fontesCalar, silêncio, boca fechada

Como parte das investigações sobre uma suposta tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) esteve ontem na sede da Polícia Federal em Brasília, mas permaneceu calado e saiu do prédio em pouco menos de meia hora. A defesa afirmou que o ex-presidente “nunca foi simpático a qualquer tipo de movimento golpista”.

“Esse silêncio é uma estratégia baseada no fato de que a defesa não teve acesso a todos os elementos pelos quais está sendo imputada ao presidente a prática de certos delitos”, afirmou o advogado Fabio Wajngarten, referindo-se à falta de acesso à delação do ex-ajudante de ordens e Mauro Cid e aos conteúdos obtidos em celulares apreendidos pela PF. A defesa de Bolsonaro disse que ele prestará depoimento assim que for “garantido o acesso”. (g1)

Outras 22 pessoas, incluindo ex-ministros e militares, foram intimadas a prestar depoimento ontem, de forma simultânea. Na contramão de outros aliados de Bolsonaro, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o ex-ministro da Justiça Anderson Torres falaram à PF.

A defesa de Valdemar disse que ele “respondeu a todas as perguntas que lhe foram feitas”, mas não deu detalhes. A defesa de Torres, cujo depoimento avançou até o início da noite, também confirmou que ele respondeu a todas as questões. (Folha)

Também foram à sede da PF os ex-ministros Braga Netto (Defesa) e Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional). Quatorze depoimentos foram colhidos em Brasília, quatro no Rio de Janeiro, dois em São Paulo, um no Paraná, um em Minas Gerais, um no Mato Grosso do Sul e outro no Espírito Santo. Os militares mantiveram o pacto de silêncio. (Globo)

Enquanto isso… o Exército oficializou o afastamento de dois militares presos na operação Tempus Veritatis. São eles o coronel de cavalaria Bernardo Romão Corrêa Neto e o tenente-coronel Rafael Martins de Oliveira. (UOL)

Oliver Stuenkel: “Foi um ex-general de alto escalão – o vice-presidente de Bolsonaro, Hamilton Mourão – que ajudou a alertar os EUA para a perspectiva de um golpe. De acordo com uma investigação de 2023 do Financial Times, Mourão expressou preocupação com as correntes antidemocráticas dentro das Forças Armadas ao ex-embaixador dos EUA no Brasil, Tom Shannon, durante um almoço privado em Nova York em 2022. Independentemente de como os laços EUA-Brasil evoluíram desde 2022, a estratégia americana para o ano eleitoral em relação ao Brasil continua a ser um sucesso notável da política externa americana”. (Foreign Policy)

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O 8 de janeiro, um ano depois

Do Canal Meio e outras fontes

Pesquisa mostra maciça reprovação aos ataques, mesmo entre bolsonaristas (Foto: Arquivo)
Pesquisa mostra maciça reprovação aos ataques, mesmo entre bolsonaristas (Foto: Arquivo)

Há exatamente um ano uma turba, sob o olhar complacente das forças de segurança, invadiu e depredou as sedes dos Três Poderes, em Brasília, no mais grave ataque às instituições democráticas brasileiras desde que os militares deixaram o poder, em março de 1985. Para muitos, inclusive integrantes dos próprios Poderes, foi uma tentativa abortada de golpe de Estado, cujos mentores e financiadores ainda precisam ser levados à Justiça.

Numa reportagem especial, Luciana Lima, cá deste Meio, nos mostra as implicações dos ataques sobre o país. “Foi o governo iniciado da forma mais turbulenta possível”, diz o cientista político Jorge Ramos Mizael, lembrando que a divisão política intensa dentro da sociedade permanece. Mas, para a ministra do Planejamento, Simone Tebet, o saldo é positivo. “Hoje nós temos que comemorar a estabilidade política e institucional no Brasil”, afirmou. (Meio)

O primeiro ano da tentativa de golpe vai ser marcado por cerimônias em defesa da democracia em Brasília. Os atos vão começar no STF às 14h, com a abertura de uma exposição das peças do tribunal danificadas pelos golpistas. Uma hora depois, uma sessão solene no Congresso vai reunir os Três Poderes, com a discursos dos presidentes da República, Luiz Inácio Lula da Silva; do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG); e do STF, Luiz Roberto Barroso, e a presença de autoridades como ministros e dos comandantes militares. (Metrópoles)

Mas uma ausência se fará sentir. Segundo o Painel, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), alegou problemas de saúde na família e cancelou a participação na solenidade, onde também deveria discursar. (Folha)

Convidados, oito governadores de partidos de oposição já avisaram que não comparecerão, incluindo o de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Cláudio Castro (PL), do Rio, e Romeu Zema (Novo), de Minas, também identificados com o bolsonarismo, não responderam. Já Eduardo Leite (PSDB) foi o único governador da Região Sul a confirmar a presença. (Poder360)

Embora a ausência dos governadores de direita aos eventos de Brasília ressalte a divisão no país, o repúdio à tentativa de golpe segue generalizado, aponta pesquisa divulgada ontem pela Genial/Quaest. De acordo com os dados, 89% dos entrevistados condenam os ataques de 8 de janeiro. Mas isso representa um recuo em relação aos 94% registrados em fevereiro do ano passado. Mesmo entre os eleitores de Jair Bolsonaro (PL), a desaprovação chega a 85%. (UOL)

Nos bastidores, os militares temem que o ato de hoje em Brasília reacenda críticas à politização da caserna durante o governo Bolsonaro. Os comandantes das três Armas pensaram em não comparecer, deixando o ministro da Defesa, José Múcio, representá-los. (Folha)

Luís Roberto Barroso, presidente do STF: “Embora impressentido, o ataque foi longamente articulado. Começou com a tentativa de desacreditar as instituições, com ofensas a seus integrantes e ameaças de desobediência aos comandos constitucionais. Depois avançou com campanhas de desinformação, discursos de ódio, mentiras deliberadas e teorias conspiratórias. Tanques desfilaram indevidamente na Praça dos Três Poderes. O fracasso da tentativa de golpe de Estado não minimiza a sua gravidade. Precisamos, é certo, virar a página. Mas não arrancá-la do livro da história.” (Folha)

Merval Pereira: “No plano político, a reação ao 8 de janeiro tem sido bem-sucedida. Não é possível achar que se pode invadir o Supremo, o Congresso, o Planalto e tudo bem. Toda rebelião tem consequências, para um lado ou para outro. Ainda bem que deu errado para quem estava querendo um golpe. Foi gravíssimo. A investigação tem que chegar rapidamente a quem planejou, a quem financiou.” (Globo)

Jamil Chade: “Em julho de 2022, uma reunião entre os chefes da pasta de Defesa do Brasil e dos EUA sinalizou aos militares em Brasília que eles não teriam o respaldo de Washington, caso optassem por uma aventura golpista. O recado era simples: um golpe poderia até ocorrer. Mas o dia seguinte do novo regime traria custos elevados para aqueles no poder.” (UOL)

Eliane Cantanhêde: “A história e as investigações vão mostrar que boa parte dos militares até trabalhou, torceu ou lavou as mãos para um golpe a favor do capitão mito, mas confirmarão também o que o próprio [ministro Alexandre de] Moraes atesta: o golpe não foi consumado, ou não deu ainda mais trabalho para as instituições, porque as Forças Armadas, institucionalmente, não aderiram.” (Estadão)

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Estado muda calendário de folha de pessoal para 2024

Lopes apresentou calendário a representantes de servidores (Foto: Ascom)
Lopes apresentou calendário a representantes de servidores (Foto: Ascom)

O Governo do Rio Grande do Norte divulgou, nesta quinta-feira (28), o calendário de pagamentos de 2024 para os servidores ativos, inativos e pensionistas. O anúncio foi feito pelo secretário da Administração (SEAD), Pedro Lopes, em reunião com as representações classistas dos servidores.

Atualmente, a folha de pagamento do Governo do RN possui 112 mil pessoas, dentre as quais 53 mil são colaboradores em atividade (servidores efetivos, temporários, bolsistas e estagiários), 46 mil são aposentados e 12 mil são pensionistas. Ao todo, a folha de pagamento do Executivo Estadual tem o valor de R$ 770 milhões.

Diferentemente dos últimos anos, a partir de 2024 os vencimentos passarão a ser depositados nas contas de todo o funcionalismo no dia 30 de cada mês. No entanto, no decorrer do ano, haverá uma regra de transição para os servidores civis e militares da Segurança Pública, ativos e inativas, e servidores que recebem até R$ 4 mil (bruto).

De acordo com essa regra, de janeiro a abril, o pagamento integral do funcionalismo público estadual será mantido de forma antecipada no dia 15 dentro do mês trabalhado para os servidores da Segurança e àqueles que ganham até R$ 4 mil. De maio a agosto, o pagamento integral será realizado no dia 20 e, de setembro a novembro de 2024, igualmente de forma integral no dia 25 para essas categorias. Os servidores que ganham acima de R$ 4 mil, além dos servidores lotados em órgãos que possuem arrecadação própria, receberão os vencimentos integralmente no dia 30 de cada mês.

A partir do mês de dezembro de 2024, todos os servidores passarão a receber o pagamento no dia 30, independente de categoria ou faixa salarial.

Para o secretário estadual da Administração, Pedro Lopes, a mudança no calendário atende orientação do Tribunal de Contas do Estado para haver isonomia no pagamento dos servidores, “além de ser demanda de várias categorias, que pleiteavam o pagamento do salário de forma integral e não de maneira fracionada, como aconteceu entre 2019 e 2023”.

Calendário 2024:

O pagamento dos salários de todos os servidores passam para o dia 30.

* Regra de transição para servidores civis e militares da segurança pública e servidores que recebem até R$ 4 mil (bruto):

– janeiro a abril – integral no dia 15;
– maio a agosto – integral no dia 20;
– setembro a novembro – integral no dia 25.
– A partir de dezembro todos receberão no dia 30.

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A mentira clássica…

Por François Silvestre

Foto captada na Web, sem identificação de autoria
Foto captada na Web, sem identificação de autoria

da honestidade militar.

Essa história de que os quarteis são templos de honestidade e retidão é apenas uma bela e falsa estória.

Há relatos de agressões entre militares, nos clubes do generalato reservista, sobre ladroagem, que saltam nas folhas de memorialistas da própria caserna. Basta ler as memórias de Nelson Werneck Sodré, Assis Brasil, Juarez Távora, Teixeira Lott, pra citar apenas estes.

Há um fato muito grave, que teve repercussão no período ditatorial, sobre uma questão envolvendo dona Iolanda Costa e Silva, mulher do ditador de mesmo sobrenome, que influiu na própria autoridade do General. Nas redações dos jornais a noticia corria franca, mas a censura não permitia publicação. Envolvia a primeira dama e coronéis. Costa e Silva perdeu autoridade internamente. Tanto que ao tentar revogar o AI-5, sofreu uma agressão verbal de um coronel, ao gritar “você não vai revogar porra nenhuma”.

O resultado foi um AVC e o impedimento de Costa e Silva, juntamente com o veto ao vice-presidente Pedro Aleixo. Assumiu uma junta militar, que foi denominada por Ulisses Guimarães de “os três patetas”.

Eu militava na época, quando saía da cadeia, no jornalismo em São Paulo. Freelancer no Jornal de Tarde, revista Visão, fundação da Gazeta do Brás, chefia de redação do Boletim Cambial. Frequentava as redações de vários jornais. As notícias sobre corrupção e corruptos, entre militares e políticos, eram vastas e abundantes.

Só não se podia publicar. O derrame de dinheiro na construção da Transamazônica, governo do torturador Médici, foi na mesma dimensão da quilometragem da própria rodovia. Todo mundo sabia e comentava. Entre cochichos e medo.

O que fez o general Pazuello no Ministério da Saúde? Corrupção. Se não há a denúncia preventiva, tudo teria se consumado. Com muita grana empenhada para compra de vacinas inexistentes. Essa patifaria de agora é ficha pequena nessa história. Se Bolsonaro houvesse sido eleito, nada disso seria descoberto ou punido. Nisso, a Bíblia citada pela operação da PF seria desmentida.

“Quando a política entra no quartel pela porta da frente, a disciplina sai pela porta dos fundos”. Não lembro do general que disse isso. Só não é verdade pela simples razão de que, no Brasil, a política nunca saiu dos quarteis. E por nunca ter saído, confunde-se com corrupção e golpes. São incontáveis os golpes. Entre os tentados e os consumados. É isso. Pobre e sempre jovem Democracia, posto que nunca deixam que ela amadureça.

François Silvestre é escritor

“Camburão da Folia” acontecerá nessa sexta-feira, 24

Camburão da Folia 2023 - 24-02-2023 - Mossoró, ApramA Associação de Praças da Polícia Militar de Mossoró e Região (APRAM) promove baile carnavalesco nessa sexta-feira (24), em Mossoró. É o “Camburão da Folia”. Terá início ao meio-dia.

O evento é voltado para militares, servidores da segurança pública e comunidade em geral “para um momento de folia com muita alegria, música e descontração”, divulga a entidade.

Entrada e feijoada gratuitas, gente.

O evento será no espaço Mont Carlo, localizado na Avenida Abel Coelho, Abolição II.

A atração musical ficará por conta da banda “Os Metais”, composta por veteranos da Polícia Militar.

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Chega de lero-lero

O dia todo as redes sociais com blá-blá-blá sobre suposta intervenção militar, ditadura.

Atenção desviada, como querem os líderes desse besteirol.

Graduados militares blefam.

Não tem apoio popular, não possuem respaldo internacional e coragem.

Soldo engordou.

Tá ótimo.

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O oitão do Cajá

Por François Silvestre

O Cajá era um sitio minimalista, de propriedade de minha avó, onde morava seu Bendito do Cajá. Nunca soube do seu sobrenome, conhecido era ele pelo pós nome do sitio onde morava.

O sítio era tão sem graça, sem pomares, sem atrativos, que até os bodes dormiam, durante o dia, no oitão da triste casinha de taipa, onde seu Benedito aboletara-se ainda jovem e lá veio a morrer com quase um século de vida.

Pois assim está o Brasil. Tão sem graça, sem esperança, sem futuro, sem apelo, que até os bodes dormem de dia pra não berrarem ante tamanha desmotivação.

Aqui, nesse meu oitão, espantei um pouco a pasmaceira com a Live de Maria Betânia, o texto de Tácito Costa sobre a mesma Live e terminando o livro de Tião Carneiro. Uma taça de vinho muito bem degustada.

Acompanhei tudo com algumas garfadas de paçoca de mucunã e cuscuz de macambira.

Mas o Brasil não é mais do carnaval nem do futebol. É um país de bola murcha. De civis sem civismo e de militares sem vergonha.

François Silvestre é escritor

Quem garante quem?

Por François Silvestre

Numa dessas notas de generais de pijama, que tá virando rotina, prática nunca vista em períodos de legitimidade democrática,este é um desses períodos, mesmo que o eleito, legitimamente, jogue quase todos os dias na lata de lixo essa legitimidade, uma delas diz: “Nós garantimos a Constituição”. Nós, quem, cara pálida?Ninguém garante a Constituição. Ela é que garante todos. Inclusive, garante vocês. Quando ela precisar da garantia de vocês é porque não existirá mais. E aí vocês, de trabuco na mão, vão tentar a farsa dos seus ancestrais. E vão cair do cavalo e do helicóptero. Mesmo se conseguirem, não terão condições de manter uma ditadura. Sabem por quê? Porque não possuem condição objetiva, competência administrativa, nem amparo internacional.

Se vocês tivessem competência administrativa este governo estaria muito bem. Vocês empanzinaram o Executivo. Só tem milico. Até os civis do governo são sargentos frustrados. E vejam a merda que se espraia desse governo de vocês. As Forças Armadas nada têm a ver com isso.

Os responsáveis são vocês. Espertos fardados ou de pijama abiscoitando uma boquinha comissionada. É mentira?

Pois bem. Esses generais das notas cavilosas, com o peito cheio de medalhas de batalhas inexistentes, e de guerras nunca lutadas, não assustam nem as crianças de antigamente, quando eram chantageadas pelo medo do papafigo. Militar merece respeito, militarismo merece nojo. Militar de essência é sentinela do civismo.

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Os militares

Por François Silvestre

Vejo nas folhas que os militares do governo defendem Bolsonaro. Onde está a estranheza? Normalíssimo. Quem está no governo defende o governo. O militar é um disciplinado por força de lei e por princípio de vocação. A hierarquia militar não permite questionar a ordem superior.

O tenente diz ao sargento: “Abra a torneira e deixe sair água à vontade”. O sargento discorda, mas pergunta: “É uma ordem”? O tenente responde: “É uma ordem”. Aí o sargento abre a torneira e deixa a água perder-se. É uma ordem equivocada, mas não ilegal.

Porém, o regimento militar abre exceção. Quando? Quando diz que o subordinado não se obriga a cumprir ordem manifestamente ilegal.

Dissesse o tenente ao sargento: “Abra a torneira e jogue água até bloquear o trânsito”. O sargento não precisaria perguntar se era uma ordem. Bastaria descumpri-la, por ser manifestamente ilegal.

Uma coisa são os militares do governo, outra coisa são os militares dos quarteis.

Lição não escrita do manual militar: Não tema o que seu inimigo quer contra você, tema o que ele pode contra você.

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As razões dos militares

Por François Silvestre

Servi no Exército, Regimento de Obuses.

Tenho orgulho de ser reservista de primeira categoria do Exército Brasileiro. Respeito os militares e reconheço a excepcionalidade das suas funções. Não guardo nenhum respeito pelo militarismo ou pelas ditaduras dele decorrentes.

Militar é quem promove o civismo, quem faz apologia da violência é militarista,vizinho parede-meia da imbecilidade.

Nessa questão previdenciária eles não podem ser tratados na mesma ótica dos outros servidores, públicos ou privados.

Militar não pode sindicalizar-se, não pode fazer greve, não ganha hora extra, não ganha adicional noturno, não promove qualquer acordo individual ou coletivo para pressionar aumento ou correção salarial.

Portanto, não pode ser tratado igualmente quem não tem relação comparativa com o restantes dos servidores, em matéria previdenciária.

Militar não se aposenta, vai para a reserva. E pode ser convocado a qualquer tempo, nos primeiros cinco anos da reserva, sempre que algum fato excepcional ou guerra exija sua convocação.

François Silvestre é escritor

Prisão de Lula realiza sonho dos militares

Por Pedro Paulo Rezende

prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou o sonho da maioria dos militares, principalmente do Exército. Não há uma pesquisa científica, mas, em conversas privadas, são poucos os oficiais e subalternos que não compartilham o desejo de ver a cúpula do Partido dos Trabalhadores na cadeia. As ações do juiz federal Sérgio Moro, da 13ª Vara Criminal Federal, em Curitiba, coordenadas com o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, são aprovadas e elogiadas.

O interessante é que essa indignação não se espalha em igual intensidade para os partidos conservadores, como o MDB e o PP. A rejeição é forte também em relação a essas legendas, mas ninguém chega ao ponto de defender sua extinção pura e simples.

Essa situação contrasta com o grau de atenção que as administrações do PT deram ao reequipamento das Forças Armadas. Lula encontrou o aparato militar brasileiro em situação de total penúria. Investiu em programas importantes. A Marinha ganhou novos submarinos convencionais, dos quais o primeiro será entregue neste ano, e reativou o projeto de fabricação de um submarino nuclear.

A Força Aérea contratou a aquisição de aviões de combate Gripen E/F com a Suécia e deu início ao desenvolvimento de um avião de transporte capaz de atender uma demanda mundial de 2 mil unidades. O Exército poderá substituir suas velhas viaturas de transporte blindadas Urutu por novos Guaranis, tecnologicamente mais avançados. Além disso, desenvolve o primeiro míssil de cruzeiro de fabricação nacional, que poderá entrar em operação em 2020.

Há inúmeros outros projetos em curso, inclusive um míssil ar-ar avançado, em cooperação com a África do Sul, e um fuzil de projeto inteiramente nacional. Apesar disso, a antipatia dos militares em relação ao PT é evidente. Isso é fácil de explicar.

O conflito com Celso Amorim

Em sua passagem pelo Ministério da Defesa, o ex-chanceler Celso Amorim verificou que o coronel Wilson Dias Machado ainda ministrava aulas de Organização Social e Política do Brasil no Colégio Militar de Brasília. No primeiro encontro com o então comandante do Exército, general-de-exército Enzo Martins Peri, em 2011, ele exigiu a exoneração do oficial, ligado à repressão e envolvido no atentado ao Riocentro em 30 de abril de 1981, quando uma bomba explodiu no colo do sargento Guilherme Pereira do Rosário, que estava ao seu lado no carro, um esportivo Puma GTE.

Mesmo com esse passado, Machado construiu uma carreira no magistério militar. Amorim também defendeu uma reformulação do currículo das academias e escolas militares. Na época, foi acusado pelo Clube Militar de querer aparelhar as Forças Armadas com a ideologia petista.

O movimento de 31 de março de 1964, que instalou um regime autoritário que durou 21 anos, ainda é comemorado nas organizações militares. Não existe mais a pompa e circunstância dos velhos tempos, mas os comandantes ainda emitem uma ordem do dia que alerta para o risco do comunismo. Para eles, o golpe foi uma resposta aos anseios da sociedade brasileira contra as ideologias de esquerda. Esse ideário é ensinado nas escolas de sargentos e nas academias que formam os futuros oficiais da Marinha, do Exército e da Aeronáutica. A proposta de Amorim era esvaziar esse conteúdo, que se transformou em dogma entre os militares.

O PT é visto como um partido de ideologia marxista, apesar de Lula ter feito um governo muito longe disso, que economicamente foi mais próximo de correntes do pensamento liberal. Mas incomodam, por exemplo, as relações entre o partido e organizações como o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) ou o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), que os militares identificam como braços da esquerda radical.

No ideário, caberia às Forças Armadas evitar a transformação do Brasil em um regime similar ao da Venezuela, com todas as mazelas vividas pela nação vizinha, como focos de fome e desabastecimento generalizado de alimentos e remédios. Ninguém analisa a dependência extrema do governo venezuelano ao petróleo, quase que único produto de exportação do país.

Legalismo e contatos com o Judiciário

Apesar disso, a nova liderança militar é essencialmente legalista e respeita os limites impostos pela Constituição. Os laços de lealdade da tropa com os três comandantes militares também são fortes, o que reduz os riscos de uma aventura.

Na véspera do julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do habeas corpus impetrado pela defesa do ex-presidente Lula, o comandante do Exército, general-de-exército Eduardo Villas Bôas, soltou dois tuítes: no primeiro, que assinalava a posição oficial da força, destacou o respeito às instituições; no segundo, jogou para a torcida, o público interno, essencialmente antipetista, ao afirmar que a instituição não aceita a impunidade nem a corrupção.

O Alto Comando do Exército agrupa 16 generais-de-exército, o posto mais alto da carreira. Segundo oficiais da ativa, o general Villas Bôas instituiu uma rotina semanal: compartilhar e analisar os dados obtidos pela inteligência da força com a cúpula do Exército em Brasília e, por meio de teleconferência, com os comandantes de área. Nestas reuniões forjou-se um consenso de que uma ação só se justificaria em um quadro de completa falência das instituições nacionais.

Além disso, as Forças Armadas oferecem a garantia de independência do Judiciário por meio de contatos diretos com autoridades que atuam de maneira direta na Operação Lava Jato, incluindo o relator no STF, ministro Edson Fachin, e a presidente da corte, ministra Cármen Lúcia. Oficiais generais também costumam visitar o juiz Sérgio Moro e os desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre. Apesar dessa ligação, existe o respeito à legalidade e à ordem constitucional. Há um consenso de que os militares pagaram um preço alto pelo regime militar. São esses os limites que impedem uma pressão maior contra o Partido dos Trabalhadores e os movimentos sociais.

A verdade é que, enquanto não houver uma mudança radical na formação de oficiais e subalternos, continuará a desconfiança das Forças Armadas em relação aos partidos de esquerda. Ela também atinge um segmento importante da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) que, até hoje, prioriza a vigilância interna, a exemplo do que ocorria nos tempos do velho SNI criado pelo regime militar. São resquícios de 21 anos de governo autoritário que se recusam a morrer. Infelizmente.

Pedro Paulo Rezende é jornalista especializado na área de defesa. Em mais de 30 anos de atuação profissional, foi o correspondente brasileiro de uma das principais publicações do mundo nessa área, a James Defense Weekly, e trabalhou nos jornais O Globo e Correio Braziliense

* Texto originalmente publicado no Congresso em Foco

Militares farão ato público na sexta-feira

Associações representativas da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros do Estado confirmam para esta sexta-feira (23) ato público em defesa da melhoria dos serviços de segurança pública e das condições de trabalho aos profissionais que atuam no setor. Outras entidades do segmento militar asseguraram adesão.

A mobilização, que faz referência ao Dia do Soldado (25), terá a concentração a partir das 9h em frente à sede da ASSPMBM/RN na Av. Presidente Bandeira – Alecrim.

Depois, os policiais que estarão vestidos à paisana, com camisetas brancas e desarmados, seguirão pelo Centro Comercial do Alecrim em direção à Cidade Alta, onde encerrarão a caminhada de 3 km em frente à Assembleia Legislativa.

Cobrança

Segundo Eliabe Marques, presidente da ASSPMBM/RN, o objetivo do ato é expor para sociedade os problemas pelos quais os PMs e bombeiros militares enfrentam no exercício da profissão, como o atraso no pagamento das diárias operacionais. Os militares também cobram do Governo a aprovação da Lei de Promoção de Praças, que permite a ascensão funcional dos militares estaduais, bem como o cumprimento integral da Lei Complementar de nº 463, que estabelece o pagamento de subsídio aos militares, de acordo com a mudança de nível.

Entre as demandas nacionais, os militares defendem a adequação das leis e regulamentos à Constituição Federal de 1988; a garantia de escalas de trabalho que contemplem o exercício do voto aos praças; a desmilitarização das polícias; o fim da prisão administrativa e a fixação de um piso nacional à classe. As entidades representativas do RN estão articulando com órgãos e entidades de outros estados para que o movimento ganhe força e repercussão nacionais. “Já entramos em contato com entidades dos estados do Ceará, Pernambuco, Sergipe, Alagoas, Bahia que estão em processo de adesão ao movimento”, declara.