Arquivo da tag: procurador-geral da República

Procurador da República pede arquivamento de inquérito contra Girão

Girão é deputado federal pelo RN (Foto: Zeca Ribeiro)
Girão é deputado federal pelo PL (Foto: Zeca Ribeiro/Arquivo)

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) o arquivamento do inquérito que investiga o deputado federal General Girão (PL-RN) por suposta incitação a atos golpistas.

A investigação apura declarações do parlamentar relacionadas aos acontecimentos de Ataques de 8 de janeiro de 2023 no Brasil, quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas em Brasília.

No parecer enviado ao STF, Gonet afirma que não há “elementos de prova a corroborar a hipótese criminal de adesão direta ou auxílio material” aos atos registrados naquela data.

Segundo o chefe do Ministério Público Federal, a investigação não reuniu indícios suficientes que comprovem participação efetiva do deputado na organização ou financiamento das manifestações que culminaram nas invasões.

Em relação à possível incitação por meio de declarações públicas, o procurador-geral também apontou que eventual crime estaria prescrito.

Em 2023, a Polícia Federal do Brasil chegou a afirmar que Girão teria cometido crimes ao estimular apoiadores a defender uma intervenção das Forças Armadas após o resultado das eleições, mas a manifestação da PGR agora indica que não há base jurídica para dar continuidade ao caso.

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Gilson Machado, ex-ministro de Jair Bolsonaro, é preso pela Federal

Gilson estaria favorecendo Mauro Cid, diz a PF (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)
Gilson estaria favorecendo Mauro Cid, diz a PF (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

Da CNN

O ex-ministro do Turismo Gilson Machado foi preso nesta sexta-feira (13) em Recife (PE). A informação foi confirmada à CNN por fontes da Polícia Federal (PF).

Nesta semana, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de inquérito contra Machado por obstrução de investigação de organização criminosa e favorecimento pessoal.

O requerimento tem como base informações da Polícia Federal (PF) de que Machado teria atuado, no dia 12 de maio, para obter a expedição de um passaporte português – junto ao consulado de Portugal no Recife (PE) – em favor do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, “para viabilizar sua saída do território nacional”.

Além disso, Machado teria promovido, por meio de seu perfil no Instagram, uma campanha de arrecadação de doações em dinheiro que seriam destinadas a Bolsonaro, o que também chamou a atenção dos investigadores.

No pedido da PGR ao Supremo, Gonet diz que Machado não obteve êxito na emissão do documento para Cid, mas que a PF ainda considera possível que ele “busque alternativas junto a outras embaixadas e consulados” para essa finalidade.

Para Gonet, essas informações levantam suspeita de que Machado esteja atuando para obstruir a ação penal sobre a tentativa de golpe. A PGR pediu que o ministro Alexandre de Moraes autorize não só a abertura de um inquérito, mas também permita a adoção de medidas de busca e apreensão.

As buscas seriam “em prol do avanço das investigações, que podem se beneficiar do achado de documentos, anotações, registros, mídias, aparelhos eletrônicos e demais dispositivos de armazenamento de dados reveladores de circunstâncias delituosas”.

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PGR quer denúncia única para três indiciamentos contra Bolsonaro

Do Canal Meio e outras fontes

Gonet tem caminho jurídico discutível contra Bolsonaro (Foto: arquivo)
Gonet tem caminho jurídico discutível contra Bolsonaro (Foto: arquivo)

O Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, cogita reunir os três indiciamentos do ex-presidente Jair Bolsonaro em uma só denúncia. Além da trama golpista, a peça trataria também da venda de joias sauditas recebidas pelo governo brasileiro e da falsificação de certificados de vacinas contra Covid-19. Bolsonaro não é réu em nenhum dos casos nem formalmente acusado.

Juristas ouvidos pela Folha dizem que é possível tratar os casos conjuntamente, mas divergem sobre os riscos da estratégia.

Por falar em estratégia, a defesa de Bolsonaro adotou uma nova: sugerir que altos oficiais militares planejaram um “golpe dentro do golpe” no final de 2022. Os generais Augusto Heleno e Walter Braga Netto seriam os principais beneficiários de uma eventual ruptura institucional, que levariam a cabo para derrubar o então presidente e assumir o poder. Esta nova abordagem causou desconforto entre aliados militares de Bolsonaro, que veem o movimento como oportunista. (Folha)

E o presidente Lula recebeu no Palácio da Alvorada o ministro da Defesa, José Múcio, e os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica. Os militares advogaram um alívio na idade mínima de 55 anos para a passagem remunerada para a reserva, apesar de terem dito que as Forças Armadas estão solidárias com o pacote de corte de gastos do governo. O tema da anistia aos militares golpistas ficou apenas nos bastidores. (CNN Brasil)

Eliane Cantanhêde: “A conversa, fora da agenda e em pleno sábado, foi amena. Um tema especialmente sensível, o de uma inviável anistia aos indiciados e eventualmente julgados e condenados pela tentativa de golpe durante o governo Jair Bolsonaro, não foi abordado nesta reunião, até para não misturar questões objetivas com política”. (Estadão)

Procuradoria-Geral do Trabalho tem potiguar reconduzido ao cargo

Por Eliana Lima (BZ Notícias)

José de Lima Ramos Pereira terá novo mandato a partir de agosto (Foto: MPT)
José de Lima Ramos Pereira terá novo mandato a partir de agosto (Foto: MPT)

O procurador-geral da República, Augusto Aras, decidiu reconduzir o potiguar José de Lima Ramos Pereira para novo mandato de procurador-geral do Trabalho, por mais dois anos.

Como Aras está de férias, a portaria de nomeação foi assinada pela vice-procuradora-geral da República, Lindôra Maria Araújo, e entra em vigor a partir do dia 9 de agosto. 

Currículo

O currículo de José de Lima Ramos Pereira:

Ingressou na carreira do Ministério Público do Trabalho em 1993 por concurso de provas e títulos. 

Graduado pela UFRN, com as especializações em Direito Processual Civil, sob o título “Provas Ilícitas no Processo Civil”, pela UFRN, e “Negociação Coletiva e o Processo de Arbitragem”, pelo Centro de Formação de Turim/OIT. 

Em 2017, concluiu mestrado em Direito pela Universidade Católica de Brasília, apresentando a dissertação “Direito fundamental à prova e as provas ilícitas no Processo Civil” e é doutorando em Direito na Uninove.

No Ministério Público do Trabalho, foi promovido, por merecimento, ao cargo de subprocurador-geral do Trabalho. 

Ainda exerceu várias atividades, tais como: procurador-chefe das Procuradorias Regionais do Trabalho da 7ª Região/CE, 14ª Região/RO-AC, 21ª Região/RN e 24ª Região/MS, membro da 2ª Subcâmara da Câmara de Coordenação e Revisão (CCR), coordenador nacional da Coordenadoria Nacional de Combate às Fraudes nas Relações de Trabalho (Conafret), vice-presidente do Conselho Superior do MPT (CSMPT) e participações em diversas bancas de concursos públicos de procuradores e procuradoras do Trabalho e da magistratura trabalhista. É autor de livros e artigos publicados. Pelas ações e trabalhos desenvolvidos, recebeu prêmios e títulos.

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PGR defende cassação de decisão que bloqueou contas da Caern

Aras: parecer contestador (Foto: arquivo)
Aras: parecer contestador (Foto: arquivo)

O procurador-geral da República, Augusto Aras, defendeu que a decisão da 2ª Vara do Trabalho de Mossoró (RN) de bloquear as contas da Companhia de Águas e Esgotos do Estado (Caern) para pagamento de dívidas trabalhistas deve ser cassada, por desrespeitar decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Em parecer enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), Aras afirma que a reclamação ajuizada pela estatal deve ser acolhida, uma vez que a medida questionada contrariou decisão anterior do próprio STF, que já havia suspendido bloqueios semelhantes.

O entendimento é no sentido de que, por explorar serviço público em regime de exclusividade, a empresa está sujeita à sistemática dos precatórios.

Ao julgar a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 556, em fevereiro de 2020, a Suprema Corte suspendeu a eficácia de decisões judiciais nas esferas Estadual, Federal e do Trabalho que determinaram bloqueio, penhora e liberação de valores contidos em contas bancárias da Companhia para pagamento de condenações trabalhistas, cíveis ou tributárias.

Na ocasião, os ministros consideraram que, em julgamentos anteriores – inclusive com consolidação de tese a ser seguida pelas demais instâncias da Justiça – o próprio STF assentou que empresa estatal prestadora de serviço público em regime não concorrencial está sujeita ao regime de precatórios.

Serviços prestado

A exceção a essa regra são as estatais que exerçam atividade econômica em regime de concorrência e distribuam lucros entre seus sócios, o que não é o caso da Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte.

“Verifica-se que a Caern é sociedade de economia mista que presta serviço essencialmente público – abastecimento de água e esgotos sanitários –, e de natureza não concorrencial, circunstância que lhe enseja a submissão ao regime de precatórios, conforme entendimento firmado pela Corte Suprema”, conclui o PGR no parecer.

A aplicação da sistemática dos precatórios às empresas que atuam em regime de exclusividade visa proteger a continuidade do serviço prestado à coletividade, conforme ressaltou a ministra Cármen Lúcia, relatora da ADPF 556, na época do julgamento do caso.

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STF cancela reunião com Bolsonaro, após ataques presidenciais

Do Canal Meio

Foi de surpresa. Ao encerrar na tarde de ontem a sessão no Supremo Tribunal Federal, o presidente da Corte, ministro Luiz Fux, fez um discurso duro, em tom ríspido e sem esconder a irritação, dirigido ao presidente Jair Bolsonaro. “O Presidente da República tem reiterado ofensas e ataques de inverdades a integrantes desta Corte, em especial os Ministros Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes”, afirmou.

Fux se pronunciou de forma contundente nessa quinta-feira (Reprodução BCS)
Fux se pronunciou de forma contundente nessa quinta-feira (Reprodução BCS)

“Além disso, Sua Excelência mantém a divulgação de interpretações equivocadas de decisões do Plenário, bem como insiste em colocar sob suspeição a higidez do processo eleitoral brasileiro.” Fux falou por alguns poucos minutos, não mais.

“Diante dessas circunstâncias, o Supremo Tribunal Federal informa que está cancelada a reunião outrora anunciada entre os Chefes de Poder, entre eles o Presidente da República. O pressuposto do diálogo entre os Poderes é o respeito mútuo entre as instituições e seus integrantes.” Assista à íntegra do discurso. (G1)

Ataque, resposta, recuo 

Na quarta-feira, Moraes aceitou a notícia-crime enviada pelo TSE, presidido por Barroso, e incluiu Bolsonaro no inquérito das fake news por conta de seus ataques infundados ao sistema de votação brasileiro. Ontem, Bolsonaro atacou Moraes dizendo que “a hora dele vai chegar”. (Poder360)

Em resposta, Bolsonaro vacilou no tom em sua live de quintas, que ficou por vezes na defensiva, noutras agressivo. “Daí vem a imprensa, imprensa esta que lamentavelmente o ministro Fux se alimenta dela para fazer uma nota. Ora, prezado ministro Fux, se o senhor se basear na imprensa brasileira, o senhor está desinformado.” (UOL)

Outra reunião: “Depois do pronunciamento em que cancelou a reunião entre os três Poderes, motivado pelos ataques de Jair Bolsonaro ao STF, Luiz Fux ligou para Augusto Aras (Procurador Geral da República) e marcou um encontro entre os dois para hoje. (Lauro Jardim, O Globo)

São três os assuntos: os ataques de Bolsonaro ao Supremo, os ataques de Bolsonaro ao Supremo e os ataques de Bolsonaro ao Supremo.”

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O “Poste Geral da República” e a Síndrome de Bartleby

Procurador-Geral da República, Dr. Augusto Aras - foto do UOL arquivoPor Marcos Araújo

O escritor americano Herman Melville (1819-1891), autor de Moby Dick, sua obra mais famosa, é também autor de Bartleby, o escrevente, um conto pouco conhecido. Nesse conto, o melancólico Bartleby trabalha em um escritório de advocacia em Wall Street, como escrevente, inicialmente ativo, sendo tomado depois por uma paralisia encantatória que o impede de fazer quaisquer serviços. Cada dia mais circunspecto e sem apetência para a execução das tarefas designadas pelo patrão, às determinações respondia sempre: “Eu preferia não fazer!” (I would prefer not to).

Esta pulsão negativa, o desinteresse, o não fazer nada, recebeu o diagnóstico no meio literário como a “Síndrome de Bartleby”, por parêmia ao escrevente preguiçoso. No conto, Bartleby vive sempre na penumbra, inapetente ao cargo e relutante ao cumprimento do seu ofício. Seu rosto fletia uma permanente tristeza. No original está registrado: “Ainda posso ver-lhe as feições – sua fragilidade asseada, sua miséria apresentável, sua ruina insondável! Era Bartleby.” (“I can see that figure now – pallidly neat, pitiably respectable, incurably forlorn! It was Bartleby.” ).

O escrevente, para passar despercebida a sua inatividade, se postava atrás de um biombo,. Ele chega a dizer “I would prefer to be left alone here” (Eu preferiria que me deixassem sozinho aqui, sendo que este “aqui” era atrás do biombo). De tão amorfo e sem motivação, Bartleby era um morto-vivo. O personagem parecia traduzir nas feições a célebre frase do escritor Albert Camus: “os homens morrem e não são felizes”.

Pois bem. Transpondo os umbrais da mítica literária, o personagem de Melville pode ser comparado atualmente com o nosso Procurador-Geral da República, Dr. Augusto Aras. Tem ele demonstrado uma letárgica inapetência para o desiderato do seu cargo e desidiosa omissão no cumprimento das atribuições funcionais instituídas pela Constituição Federal, simbolicamente o seu “patrão”, especialmente quando se trata de apurar os crimes cometidos por integrantes do governo ou apoiadores de Bolsonaro. Adestra-se à cômoda posição da não-investigação.

O professor de Direito Constitucional da USP, Conrado Hubner Mendes, em artigo recente no jornal Folha de São Paulo, chamou Augusto Aras de “Poste Geral da República” e “servo do presidente”, por ter “engavetado investigações criminais contra Damares por agressão a governadores; contra o Ministro Heleno por ameaça ao STF; contra a Deputada Carla Zambelli por tráfico de influência; contra Eduardo Bolsonaro por subversão da ordem política ao sugerir golpe”. Por isso, integraria “o bando servil”.

No ano passado, Augusto Aras pediu o arquivamento de investigações contra o Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Também a seu pedido, o Ministro Dias Toffoli do STF mandou arquivar três inquéritos abertos com base no acordo de delação premiada fechado pela Polícia Federal com o ex-governador do Rio Sérgio Cabral. Os inquéritos, que tramitavam em sigilo no Supremo, tinham como alvos ministros do Superior Tribunal de Justiça e do Tribunal de Contas da União. Na decisão mais recente, no início deste mês, Aras não quis investigar o pagamento de dinheiro para a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, por Fabrício Queiroz, pivô do esquema de rachadinhas no gabinete do senador Flávio Bolsonaro.

Assim como Bartleby, Augusto Aras tem adotado o mantra: “Eu preferia não fazer!” (I would prefer not to). Há quem enxergue nessa ergofobia o seu desejo de ser indicado pelo presidente Bolsonaro ao cargo de Ministro do Supremo Federal, ou, minimamente, a sua recondução ao cargo de Procurador-Geral, em mais um mandato de dois anos.

A omissão do PGR provoca uma falha grave no sistema acusatório brasileiro. Nesta última semana, pensa-se que dado o fato de Aras sempre pedir o arquivamento de investigações, o Ministro Alexandre de Moraes não comunicou à Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre a operação contra o Ministro Ricardo Salles. A opção de deixar Aras de fora do assunto, deixou exposta certa desconfiança sobre a atuação do PGR.

Volta-se à Bartleby…O filósofo Gilles Deleuze fez uma releitura da obra de Melville. Para ele, o advogado que contrata o escrevente Bartleby tenciona colocar-lhe numa posição de devedor permanente, por saber que ele não tinha referencias objetivas para o cargo.

No dizer do filósofo, “Pode-se supor que a contratação de Bartleby foi uma espécie de pacto, como se o advogado, depois de sua promoção, tivesse decidido converter esse personagem, sem referências objetivas, num homem de confiança que lhe deveria tudo. Quer fazer dele o seu homem.” É bem possível que o Presidente Bolsonaro ao nomear Augusto Aras fora da lista tríplice, ou, ao lhe sinalizar com a possibilidade de sua indicação como ministro do STF, queira lhe converter à condição diminuta de “homem de confiança que lhe deveria tudo.”

O final do conto de Melville traz a narrativa de que Bartleby fora demitido e, sem dinheiro, é preso pelo não pagamento do aluguel. Em visita à prisão, o ex-patrão do escrevente dá dinheiro ao cozinheiro (“cara-da-boia”) para que este prepare comida diferenciada para o preso. Quando o jantar é oferecido a Bartleby, a resposta é dura e direta: “Prefiro não jantar hoje” (I prefer not dine today).

Alguns dias depois o narrador-patrão volta a visitar Bartleby e o encontra morto ao pé do muro, de inanição. Por comparação à realidade, se for intenção do Presidente servir-se da fidelidade funcional de Aras em troca de uma nomeação para o STF, convém a ele, como prova de sua grandeza pessoal e em defesa da instituição que hoje representa, dar a mesma resposta de Bartleby: “Prefiro não jantar hoje!”.

Melhor morrer de inanição, do que de vergonha.

Marcos Araújo é advogado e professor

Bolsonaro acusa Moro de pressioná-lo por vaga ao STF

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fez pronunciamento agora ao fim da tarde, ao lado de vários ministros e outros auxiliares, para rebater palavras do ex-ministro da Justiça Sérgio Moro.

Implicitamente, o tratou como ingrato e injusto, além de vaidoso. Até o tom de voz e gestual carregados, comum ao presidente, foram suavizados. Postou-se como vítima de alguém que admirava, mas que o decepcionara na convivência no poder em cerca de um ano e cinco meses.

Atacou o ex-ministro, ao insinuar que Moro tentara chantageá-lo para ser indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF), além de negar quisesse interferi na autonomia da Polícia Federal.

Bolsonaro, com equipe quase toda sem máscara, evita arroubos e tenta mostrar Moro como vaidoso injusto (Reprodução BCS)

“Mais de uma vez, o senhor Sergio Moro disse para mim: ‘Você pode trocar o Valeixo (Maurício Valeixo, diretor-geral da Polícia Federal, exonerado hoje) sim, mas em novembro, depois que o senhor me indicar para o STF'”, acusou Bolsonaro.

Poucos minutos (18h20) após a fala de improviso (e também em texto lido) de Bolsonaro, Sérgio Moro fez tréplica no Twitter, o desmentindo:

– A permanência do Diretor Geral da PF, Maurício Valeixo, nunca foi utilizada como moeda de troca para minha nomeação para o STF. Aliás, se fosse esse o meu objetivo, teria concordado ontem com a substituição do Diretor Geral da PF.

Às 18h35, outra postagem de Moro, reforçava contraposição à fala do presidente:– De fato, o Diretor da PF Maurício Valeixo estava cansado de ser assediado desde agosto do ano passado pelo Presidente para ser substituído. Mas, ontem, não houve qualquer pedido de demissão, nem o decreto de exoneração passou por mim ou me foi informado.

O presidente insistiu em afirmar que nunca assediou nenhum servidor nem fez pressão alguma para obtenção de informações confidenciais, como Sérgio Moro chegou a afirmar a manhã de hoje (veja AQUI).

Saiu rapidamente após seu discurso, sendo aplaudido discretamente pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.

Inquérito

O procurador-geral da República, Augusto Aras, pediu autorização ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta sexta-feira (24) para abrir um inquérito sobre os fatos narrados e as declarações feitas pelo então ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sergio Moro.

Entre as providências, o procurador-geral solicita ao Supremo a oitiva de Sergio Moro em razão da abertura do inquérito. O ministro anunciou um pedido de demissão do cargo na manhã desta sexta, após Jair Bolsonaro exonerar o diretor-geral da Polícia Federal, Mauricio Leite Valeixo.

Saiba mais detalhes clicando AQUI e AQUI.

Com informações adicionais do G1.

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Beto lembra projeto para reforçar saúde contra coronavírus

Diante do caos que vive o mundo com a pandemia do novo coronavírus, autoridades brasileiras têm apontado soluções na perspectiva de melhoria do sistema de saúde. Nesta quinta-feira (19), no Supremo Tribunal Federal (STF), o procurador-geral da República, Augusto Aras, defendeu que R$ 1,6 bilhão recuperados pela Operação Lava Jato sejam destinados ao Ministério da Saúde para o combate ao vírus.

Já em 2015, atento à importância do investimento em saúde pública no Rio Grande do Norte e no Brasil, o deputado federal Beto Rosado (Progressistas) apresentou Projeto de Lei (PL 2760/2015) determinando que as verbas recuperadas da corrupção sejam destinadas à Saúde.

O documento prevê a criação de uma conta exclusiva do Sistema Único de Saúde (SUS) para o recebimento desses recursos, que deve ser gerida por um conselho formado por Ministério da Saúde, Tribunal de Contas da União (TCU), Ministério Público Federal (MPF), Tribunal de Contas da União (TCU), Ministério Público Federal (MPF) e Magistratura Federal.

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Após presos, Joesley e Saud devem ser levados a Brasília

Do G1

O empresário Joesley Batista, um dos donos do grupo J&F, e o executivo da empresa Ricardo Saud deverão ser levados de São Paulo para Brasília nesta segunda-feira (11) pela Polícia Federal (PF). Eles estão presos desde o início da tarde de domingo (10) na sede da PF em São Paulo, onde passaram a noite.

Presos por ordem do ministro Edson Fachin e a pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, Joesley e Saud deverão viajar em um avião da PF para Brasília.

Até a noite deste domingo, a previsão era de que Joesley e Saud desembarcassem em Brasília às 13h em um avião da Polícia Federal.

Leia também: PF faz busca e apreensão em casa de ex-procurador, de Joesley e de executivo da J&F AQUI.

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Henrique Alves recebeu recursos do petrolão, diz Janot

Do Folha de São Paulo

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o ministro Henrique Eduardo Alves (PMDB), do Turismo, atuou para obter recursos desviados da Petrobras em troca de favores para a empreiteira OAS.

Parte do dinheiro do esquema desbaratado pela Operação Lava Jato teria abastecido a campanha de Alves ao governo do Rio Grande do Norte em 2014, quando ele acabou derrotado.

Henrique Alves é ministro do Turismo pela segunda vez (Foto: Antônio Cícero da Folhapress)

A negociação envolveria o deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e o ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro.

As afirmações da Procuradoria constam do pedido de abertura de inquérito para investigar os três, enviado no fim de abril ao Supremo, mas até hoje mantido em sigilo.

No despacho obtido pela Folha, Janot aponta que Cunha e Alves atuaram para beneficiar empreiteiras no Congresso, recebendo doações em contrapartida.

A investigação tem como base mensagens apreendidas no celular de Pinheiro.

Conversas indiscretas

Henrique Alves para Léo Pinheiro (22 de junho de 2013):

– Charles (não identificado) poderia me procurar segunda cedo em casa? Lá marcaria com presidente do TC, irmão do Garibaldi. Discutiríamos problema. Se ele puder, 8h30! OK

Henrique Alves para Léo Pinheiro (14 de julho de 2013):

– Segunda em Brasília vou pra cima do TCU. Darei notícias.

Segundo a Procuradoria, o ministro diz que procurará o então presidente do Tribunal de Contas do RN, Paulo Roberto Chaves Alves, irmão do senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), para resolver demandas da OAS.

Eduardo Cunha para Léo Pinheiro (10 de outubro de 2014):

– Vê Henrique segundo turno.

– Vou ver.

Eduardo Cunha para Léo Pinheiro (13 de outubro de 2014):

– Amigo, a eleição é semana que vem preciso que veja urgente… (sic)

Eduardo Cunha para Léo Pinheiro (15 de outubro de 2014):

– Henrique, amigo?

– Está muito complicado (Léo Pinheiro).

– Mas amigo, tem de encontrar uma solução se não todo esforço será em vão (Eduardo Cunha).

Henrique Alves para Léo Pinheiro (16 de outubro de 2014):

– Amigo, como Cunha falou, na expectativa aqui. Abs e obrigado.

Eduardo Cunha para Léo Pinheiro (17 de outubro de 2014):

– Amigo, qual a saída para Henrique (Eduardo Cunha)?

– Infelizmente não tenho (Léo Pinheiro).

Eduardo Cunha para Léo Pinheiro (21 de outubro de 2014):

– Deixa falar. Tive com Júnior. Pedi a ele para doar por você ao Henrique. Acho que ele fará algo. Tudo bem (Eduardo Cunha)?

– Preciso que dê um reforço ao Júnior ao menos 1 dele da. Sua contra precisava de emergência (Eduardo Cunha).

Eduardo Cunha para Léo Pinheiro (23 de outubro de 2014):

O.K. Bom tocando com Júnior aqui na pressão ele vai resolver e se entende com você (sic).

Segundo a Procuradoria, “Júnior é Benedicto Barbosa Silva Júnior, ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura.

“Verificou-se não apenas a participação de Henrique Eduardo Alves nesses favores, como também o recebimento de parcela das vantagens indevidas, também disfaçadas de ‘doações oficiais'”.

Eduardo: cobranças a Léo (Foto: Alex Ferreira)

Entre 10 e 23 de outubro de 2014, houve ao menos oito pedidos de recursos para Alves, feitos por Cunha a Pinheiro. Também há cobranças diretas do atual ministro ao empreiteiro.

Alves, segundo a PGR, prometeu ao comando da OAS atuar junto ao Tribunal de Contas da União e ao Tribunal de Contas do RN, onde a empreiteira tinha pendências.

As mensagens também citam diversos encontros dos empreiteiros com Alves.

Na prestação de contas da campanha de Alves, há o registro do recebimento de R$ 650 mil da OAS.

Além disso, outros R$ 4 milhões doados p ela Odebrecht, são considerados suspeitos por Janot, porque as doações teriam sido feitas a pedido de Cunha para um posterior acerto da empresa com a OAS.

Veja matéria completa clicando AQUI.

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