Responsável pelo marketing eleitoral dos últimos dias da campanha 2020 de Rosalba Ciarlini (PP), prefeita derrotada de Mossoró, Raimundo Luedy tem nova missão.
Ele está em Pernambuco.
Cuida da pré-campanha ao governo estadual de Marília Arraes (Solidariedade).
Luedy é um nome de proa do marketing eleitoral do Brasil.
Originário da Bahia, uma escola desse segmento, já atuou em várias campanhas vitoriosas ao longo das últimas décadas.
Busca mais um bom resultado, com nome de linhagem da política pernambucana.
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Toda campanha político-eleitoral tem vida própria, marcas próprias, metabolismo próprio. Seu espírito, o ‘espírito do seu tempo’. São jingles, cores, retóricas, novos e velhos personagens, promessas antigas com roupagem recauchutada, incidentes naturais e fatos fabricados, além de lugares-comuns que nunca saem de moda e da boca dos políticos, como o substantivo masculino “povo”.
Debate TCM-Telecom juntou os seis candidatos a prefeito de Mossoró no dia 22 de outubro de 2020 (Foto: Arquivo BCS)
Mas, também, são disputas que ao desfiarmos sua cronologia identificamos um ponto, aquele momento onde o resultado começou a ser gerado, para ser parido nas urnas.
No caso da eleição do então candidato à Prefeitura de Mossoró, servidor público federal, engenheiro e deputado estadual Allyson Bezerra (Solidariedade), 28 anos em 2020, poucos têm dúvidas – entre especialistas e leigos que viveram esse certame político tão próximo – que o debate TCM-Telecom foi o divisor de águas (veja AQUI). Foi o start, a centelha propulsora de sua vitória contra a “imbatível” prefeita Rosalba Ciarlini (PP). Até então, uma “inderrotável” nas lutas paroquiais em Mossoró.
Hoje, sexta-feira, 22 de outubro de 2021, faz exatamente um ano desse acontecimento jornalístico e político promovido pelo grupo administrador da TV Cabo Mossoró (TCM-Telecom). Os seus desdobramentos foram vesuvianos. Paulatinamente soterraram a ‘vitória certa’ do rosalbismo e agregados. Em dois momentos desse duelo de vozes, gestuais, argumentos e do marketing eleitoral, Allyson foi capaz de tirar completamente do jogo quem ainda tentava polarizar com a prefeita, a ex-prefeita Cláudia Regina (DEM), e deixar cambaleante a própria Rosalba.
Mediado pelo jornalista Moisés Albuquerque, o debate começou de forma surpreendente, após apresentação pessoal de cada um dos seis debatedores-candidatos a prefeito. Cláudia Regina, com rosto cerrado, olhos vítreos na direção de Allyson Bezerra, foi para o ataque sob instrução de uma “cola” (pergunta por escrito) no púlpito onde estava.
Na ânsia de associar o adversário à imagem do ex-prefeito Francisco José Júnior, julgando-o como um jovem despreparado e produto de marketing virtual cosmético, cópia de “Silveirinha” (citou depreciativamente), Cláudia acabou desfigurada por ele (veja vídeo mais abaixo). A partir daí, vagou sem prumo e rumo. Os dias seguintes, até as eleições de 15 de novembro (24 dias depois), a rebaixaram à quarta colocação em votos.
Momento decisivo
O debate de quase 3 horas estava próximo do fim, quando Rosalba soltou um comentário que soou a deboche. Tratou o deputado nascido no Sítio Chafariz, zona rural do município, como “pobrezinho”. Balbuciava explicações sobre cerca de R$ 12 milhões desviados (segundo denúncias processuais que a envolvem) do Hospital da Mulher Parteira Maria Correia, quando se atreveu à zombaria inconsequente.
Loquaz, de raciocínio ágil e inteligência política, Allyson deixou a adversária grogue ao definir aquela postura como uma visão “preconceituosa”, mexendo com o inconsciente de milhares de pessoas.
Mesmo antes do fim do debate, a provocação da “Rosa” foi transformada em combustível para a arrancada dele. Allyson Bezerra virou o “Menino pobrezinho”, com trechos do debate e jingles popularizando o episódio nas redes sociais (mais de 400 mil visualizações em várias plataformas como no Instagram – veja AQUI – em poucos dias) e ruas. A virada começou ali.
Bastidores
Rosalba precisava ir ao debate? Uma corrente de integrantes da cúpula de sua campanha entendia que não. E tinham até a justificativa prontinha e arrumada. A prefeita teria sofrido um mal-estar no dia anterior (21 de outubro) e foi internada no Hospital Wilson Rosado (HWR) – veja AQUI. Até horas antes do programa havia a dúvida: ela vai ou não vai?
Metendo a mão com força numa mesa que era rodeada por integrantes do grupo rosalbista/campanha, Cadu Ciarlini – filho da candidata e dublê de marqueteiro – deixou claro quem mandava. “Ela vai!”
Quando a mãe-candidata disparou a asneira do fim do debate, Cadu baixou e apertou a cabeça com as mãos, acusando o golpe numa sala próxima do estúdio, na TCM-Telecom. Desde então, a campanha foi descendo a ribanceira até se precipitar à derrota histórica. Nem mesmo a importação de pessoal de marketing, como o consagrado marqueteiro Raimundo Luedy, nos últimos dias, ressuscitou a candidatura cadavérica e insepulta de Rosalba.
Comemoração e arrancada
A reação da retaguarda de assessoria e marketing de Allyson Bezerra foi inversamente proporcional. O clima foi de euforia. Sentia-se que prefeita tinha dado o ‘mote’ para o restante da campanha.
Na preparação do candidato ao debate, por longas horas, discutindo os mais variados temas e estratégias (ataque e defesa), inclusive sob a hipótese de ausência da prefeita, em momento algum ninguém poderia imaginar tamanho escorregão da favorita. Nem o candidato. Contudo, ele não deixou passar.
Desde então, paralelamente atraiu a atenção de grande margem de indecisos, além de galvanizar centenas e milhares de potenciais eleitores de Cláudia e da deputada Isolda Dantas (PT). Ambas, a propósito, terminaram como forças-auxiliares de Rosalba, promovendo campanhas anti-Allyson no rádio-TV, redes sociais e ruas. As urnas deram seu veredito (veja AQUI).
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Carlos manteve na campanha da mulher, o filho Kadu como marqueteiro, que jogou campanha “no mato” (Foto: arquivo)
Líder do rosalbismo, o ex-deputado estadual Carlos Augusto Rosado começou a sondar nomes para o marketing da mulher e ex-prefeita Rosalba Ciarlini (PP). Daquele seu jeito, quase invisível.
Ela será candidata à Assembleia Legislativa em 2022.
Carlos não quer repetir o erro crucial de 2020, quando entregou tudo nas mãos do filho Kadu Ciarlini e testemunhou uma vitória certa se transformar em desastre eleitoral catastrófico.
Dessa feita, mais precavido e “vacinado”, deseja apostar em nome com experiência e equipe mais tarimbada. Kadu deve ficar numa posição secundária.
“Milagre”
Em 2020, faltando pouco mais de dez dias para fim da campanha, com pesquisas apontando derrota iminente da favorita “Rosa”, Carlos importou o marqueteiro baiano Raimundo Luedy para tentar uma reviravolta. Ele é nome consagrado do marketing político e eleitoral no país e já tinha trabalhado com Rosalba na campanha ao governo estadual em 2010.
À mesa, vendo números de pesquisas e peças de propaganda à vista, ele admitiu: “Está perdida, mas vamos tentar um milagre”.
O milagre não veio.
Deu Allyson Bezerra (Solidariedade). Aquele mesmo adversário que militantes e agitadores de redes sociais rosalbistas tratavam por “abestalhado”, “deputadozinho”, “Silveirinha 2” (alusão ao ex-prefeito Francisco José Júnior) e que Rosalba coroou em desprezo fatal com o epíteto “menino pobrezinho” (veja AQUI).
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