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Deputados costuram um ‘vale tudo’ em favor de partidos e políticos

Do Canal Meio, Estadão, Globo e outras fontesPolítica, articulação, construção, afinação, entendimento

A maior anistia já concedida a partidos e políticos que cometeram irregularidades eleitorais deve ser aprovada nesta quarta-feira (13) em comissão especial da Câmara dos Deputados, seguindo na sequência para o plenário. Esse é o quarto indulto arquitetado pelo Congresso em menos de 30 anos, apesar das críticas de organizações da sociedade civil, de transparência eleitoral e de combate à corrupção.

Segundo o texto, não haverá sanções “de qualquer natureza” por irregularidades na prestação de contas apresentadas antes da promulgação da emenda constitucional. Com isso, todas as cobranças, que podem chegar a R$ 23 bilhões, podem ser perdoadas.

Pode quase tudo

Já o grupo de trabalho da minirreforma eleitoral, selecionado pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), concluiu ontem o projeto, que deve ser votado hoje pela Casa, já que, para ser válido no pleito do ano que vem, precisa ser sancionado até o início de outubro. O texto reduz punições a partidos e políticos que cometem irregularidades, como aplicar apenas multa a quem compra votos como alternativa à perda do mandato.

Também possibilita que as legendas burlem a cota mínima de 30% de candidatas mulheres nas disputas legislativas.

Além disso, flexibiliza a prestação de contas, liberando doação eleitoral por qualquer chave PIX, dificultando o rastreamento do dinheiro, e regulamenta as candidaturas coletivas.

Nota do BCS – A atividade política no Brasil segue sua descida célere para o submundo. E a possibilidade de piorar não é uma dedução, mas uma certeza, tamanho o nível de delinquência. Órgãos de fiscalização e controle terão papel apenas protocolar, para justificarem à boa remuneração de seus membros. O Brasil não é para principiantes.

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Luta por sobrevivência vai produzir mais experimentos em eleições

alquimia, experimento, química,Na próxima eleição municipal, em 2024, teremos um novo laboratório para ‘experimento’ de mudanças na legislação eleitoral.

Assim como aconteceu em 202o, com o fim das coligações partidárias, teremos novidades. E a partir daí, saberemos o que virá ou não às disputas gerais em 2026.

A previsão é simples de fazer, com enorme margem de acerto, em face do histórico do Congresso Nacional em sua permanente alquimia para reformar legislação eletiva e partidária.

No fundo, no fundo, nada parece ser feito ao avanço do processo democrático, mas à sobrevivência da espécie.

Esse encolhe-estica deve atacar, entre outras coisas, a questão da formação de nominatas parlamentares. O que está posto e em andamento, é hoje uma das maiores dores de cabeça da classe política, com enormes estragos.

Se o status quo está sob ameaça, a tendência é mexer de novo, mais e mais, para impedir a implosão do sistema que está moribundo há tempos.

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Coligação é aprovada e deverá voltar já para eleições 2022

Do Canal Meio e Canal BCS (Blog Carlos Santos)

Era início da noite de ontem, e os deputados estavam já pensando em ir para casa quando veio a bomba. Após uma reunião de líderes da maioria na Câmara, o presidente Arthur Lira (PP-AL) pautou para dali em seguida a votação da reforma eleitoral, tendo como carro chefe o chamado ‘distritão’ e como não tão discreta coadjuvante a volta das coligações nas eleições legislativas.

Eram propostas em essência conflitantes. A primeira fortalece as chances de políticos muito conhecidos e celebridades e enfraquece partidos; a segunda concentra mais ainda o poder dos grandes partidos e dá sobrevida aos pequenos, que devem servir também como “esteira” à eleição parlamentar de legendas maiores.

Pauta foi votada "de surpresa", já à noite, tendo amplo apoio até mesmo de PT e PSDB (Foto: Cleia Viana)
Pauta foi votada “de surpresa”, já à noite, tendo amplo apoio até mesmo de PT e PSDB (Foto: Cleia Viana)

O rolo compressor do Centrão foi acionado e o distritão era só boi de piranha. Foi rejeitado por 423 votos 35, enquanto as coligações proporcionais, incluídas repentinamente há poucos dias no texto, voltaram com apoio de 333 deputados e rejeição de 149.

Eleições 2022

Por ser uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), a matéria terá que passar por nova votação, marcada para hoje, antes de seguir para o Senado. E só valerá para as eleições do ano que vem se for sancionada antes do início de outubro. (Folha)

Nas redes sociais, alguns parlamentares comemoraram a derrubada do distritão e classificaram como retrocesso a permissão para que partidos se coliguem em eleições legislativas. (UOL)

As coligações proporcionais foram banidas em 2017, mas a medida só foi aplicada no ano passado. Sem elas, partidos tinham que contar apenas com os próprios votos para ocupar cadeiras no Legislativo, sem se aproveitar dos votos de outras legendas coligadas.

A medida reduziu a pulverização partidária nas câmaras de vereadores, e seu retorno é visto como um retrocesso. Entenda as mudanças. (Globo)

Veja como votaram os deputados tanto sobre o distritão quanto sobre as coligações. (G1)

Em tempo: os dois partidos que lideraram a Nova República, PSDB e PT, votaram em peso pelo retorno das coligações.

Leia também: Reforma, de novo, tenta evitar perda de poder e frear novidades.

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Reforma, de novo, tenta evitar perda de poder e frear novidades

perigo, traição, cadafalso, poder, política, golpe, ameaçaToda reforma eleitoral que afete os legisladores votantes acaba tendo enorme possibilidade de não servir à democracia e ao país.

Mudar regras para perder jogo que costumam ganhar, por que o fariam?

Ordem é frear renovações e garantir o status quo, custe o que custar.

Simples e fácil de entender.

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Minirreforma a caminho recomenda prudência em decisões agora

Voto, votação, eleiçõesDevagar com o andor, pessoal.

Está vindo aí a galope uma minirreforma eleitoral (outra, de novo, novamente, mais uma vez).

Até o finzinho de setembro, beirando outubro, é possível que os congressistas terminem parindo o tal do Distritão (despois daremos detalhes), na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 125.

Com esse modelo de eleição, a escolha dos deputados federais e estaduais passa a ser majoritária (os mais votados), em vez de proporcional (como é vigente).

Enfim, algo feito para privilegiar as grandes estruturas, forças políticas mais fortes, dificultando o surgimento de novidades e que tornará os maiores partidos (donos de gordos fundos eleitorais) ainda maiores.

Então, prudência.

Um passo em falso, algum acerto logo agora, poderá ruir em poucas semanas.

Anote, por favor.

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“Conversa de Alpendre” discute delicadas questões políticas

A convite dos jornalistas Carol Ribeiro e Bruno Barreto, o editor do Blog Carlos Santos participou de gravação na última segunda-feira (22) à tarde, na cidade-praia do Tibau (a 42 quilômetros do Mossoró), do programa “Conversa de Alpendre”.

O programa foi ao ar às 20h30 dessa quinta-feira (25), pela TV Cabo Mossoró (TCM), Canal 10.

A gente dividiu a mesa de bate-papo também com a professora Andrea Linhares, do Departamento de Ciências Sociais da Universidade do Estado do RN (UERN).

Os apresentadores instigaram o debate sobre questões como o papel da bancada federal do RN no Congresso Nacional, o projeto de reeleição dos senadores José Agripino (DEM) e Garibaldi Alves filho (MDB), ascensão de novos nomes ao Senado e o surgimento de Zenaide Maia (PR) nessa corrida eleitoral.

A disputa presidencial com ou sem Lula (PT), também foi objeto de abordagem.

Na conversa, a gestão Michel Temer (MDB) e dificuldades dos governos Robinson Faria (PSD) e Rosalba Ciarlini (PP), não deixaram de ser focalizados.

Outro ingrediente que mexeu com o debate, é o comportamento do eleitor em relação à disputa eleitoral deste ano. É possível mudança radical nas urnas?

Reforma eleitoral, a força de campanhas em redes sociais contra votos nulo/branco/abstenções e pela não reeleição de detentores de mandatos, deram mais amplitude à discussão. O campo de visão chegou ainda ao pluralismo partidário nos Estados Unidos e Brasil, a marca do peronismo na Argentina e a força do populismo como galvanizador de massas no Brasil.

Nesta postagem, em quatro vídeos em sequência, a gente apresenta a íntegra do programa.

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Triste realidade da politicagem brasileira – Parte II

Por José Herval Sampaio Júnior

Mesmo sendo mais do que patente a triste realidade do cenário nacional, em que os mandatos eletivos são conquistados pela força poderosa dos recursos financeiros, alimentados pelos recursos que escorrem dos cofres públicos, por força das garantias constitucionais, não se pode julgar procedente nenhum pedido de cassação de registro ou perda de mandato, em termos práticos, sem que se tenha um mínimo de prova de qualquer tipo de abuso de poder em seu sentido mais amplo possível. Não podemos condenar ninguém pelo que estamos vendo na mídia, apesar dos escândalos serem cada vez mais grotescos!

Ou seja, todas as espécies de ações existentes em nosso ordenamento jurídico e que podem inclusive serem intentadas cumulativamente a partir do mesmo fato – mesmo se tendo a certeza de que muito do que se comenta no meio do próprio povo realmente acontece – tem que vir embasadas em provas, logo para que haja uma mudança no resultado formal das eleições, não basta a remissão genérica a essa realidade, pois o Juiz nunca pode impor os seus valores pessoais para fundamentar suas decisões.

A realidade aqui noticiada é inclusive objeto de pesquisa científica de um colega juiz Márlon Reis, em livro recente intitulado “O nobre Deputado”, citado em nota de rodapé, e precisa para surtir efeito, dentro de um processo judicial, de provas e isso também não pode ser olvidado.

Exemplifico: sinceramente, nunca tive dúvidas a partir de nossa experiência judicante e até mesmo de vida – que mesmo tendo me esforçado junto com minhas equipes de trabalho ao longo desses anos de atuação eleitoral, em especial nos últimos dias dos pleitos, que não houvesse compra de votos, inclusive de forma mais evidente – como é de conhecimento – sei que houve utilização de dinheiro e outros recursos espúrios para fazer com que o eleitor votasse por algum interesse particular, todavia, somente se pode atribuir alguma consequência a esses fatos que para mim, pessoalmente, acontecem de forma muito evidente, se houver alguma prova, mesmo que mínima.

Na boca do povo como se diz a compra foi rasgada, inclusive de ambos os lados de quase todas as cidades que trabalhamos, contudo o que não está nos autos devidamente comprovado, infelizmente não tem serventia para imposição de qualquer responsabilidade, por mais que subjetivamente possamos depreender que seja verdade. Não se pode condenar ninguém sem o devido processo legal.

Segundo: sei também que os que detêm o poder político e administrativo de alguma forma se utilizam da estrutura pública para beneficiá-los eleitoralmente falando e por mais que se queira negar tal situação, infelizmente isso é outra prática ocorrente dentro do processo eleitoral e que somente uma visão real e firme dessa situação poderá no futuro minimizar esse uso indevido do dinheiro público. O fim da reeleição ajudaria a combater tal prática, pois os possíveis benefícios dessa exceção são exterminados pelo patente abuso de poder político, como regra geral, de atuação nesses casos, por nossos políticos.

Acredito que nem mesmo o financiamento público das campanhas, por si só, (//www.novoeleitoral.com/index.php/en/opiniao/herval/527-caixadois)  será suficiente para resolvê-lo, daí porque somente a conscientização do eleitor e a atuação concreta do Judiciário quando da comprovação de tais práticas poderá verdadeiramente mudar essa situação, logo em se comprovando, por meio lícito e através do devido processo legal numa ótica substancial, mesmo que de forma mínima, a ocorrência desse tipo de abuso de poder, talvez um dos piores, deve a Justiça ser firme, retirando inclusive o mandato dado pelo povo de forma ilegítima, independentemente das críticas que as autoridades pessoalmente possam vir a sofrer e isso é natural, principalmente daqueles que de alguma forma dependem diretamente dos que forem retirados do poder.

Terceiro: os partidos e coligações políticas infelizmente são utilizados com fins meramente eleitoreiros, ou seja, suas estruturas formais e jurídicas, na maioria dos casos, só servem para assegurar ou manter privilégios pessoais de alguns de seus integrantes, sem que haja qualquer interesse realmente partidário e com isso os abusos de poder ficam mais fáceis de serem praticados, já que a falta de uma ideologia partidária, na acepção da palavra, faz com que haja todo tipo de acomodação e muitas vezes, através dessas entidades, é que se cometem muitas das ilegalidades que viciam o processo eleitoral e tal fato não deve ser também olvidado em nenhum dos julgamentos a serem feitos pela Justiça Eleitoral.

José Herval Sampaio Júnior é Mestre em Direito Constitucional, Juiz de Direito e Juiz Eleitoral no Estado do Rio Grande do Norte e escritor renomado nacionalmente, com obras publicadas em diversas áreas do direito, inclusive direito eleitoral.

Texto originalmente divulgado no site www.novoeleitoral.com

Veja a primeira  parte desse artigo clicando AQUI.