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Areia Branca e os holandeses

Foto de Bruno Ernesto
Foto de Bruno Ernesto

Por Bruno Ernesto

Para quem se interessa por história, uma das maiores curiosidades é saber a origem do nome de uma cidade ou localidade, o topônimo. Inclusive, há um ramo específico que estuda a origem dessas denominações e seus significados, a toponímia.

No caso do Brasil, no início da ocupação portuguesa, por costume, era muito comum nominar os locais fazendo referência às datas religiosas ou outras derivações igualmente religiosas, como o santo do dia, o seu hagiológico. E isso ocorreu por muitos séculos. Basta ver, por exemplo, a denominação da nossa Capital, Natal.
Embora vagamente lembrado por aqui, o curto período da ocupação holandesa do Estado do Rio Grande do Norte (1633-1654) deixou profundas marcas.

A mais conhecida delas foi o massacre de Cunhaú e Uruaçu, ocorrido em 16 de julho de 1645, onde atualmente é o município de São Gonçalo do Amarante, episódio que, recentemente, passou a ser feriado estadual e os mártires foram canonizados pelo Papa Francisco no dia 15 de outubro de 2017, em cerimônia realizada na Praça São Pedro, no Vaticano.

Outro fato marcante, foi que Natal, ao ser capitulada pelos holandeses, em 12 de dezembro de 1633, teve o Forte dos Reis Magos rebatizado para Castelo de Keulem, em homenagem a um dos diretores da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, com sede em Amsterdam (West-Indische Compagnie – WIC), e passou a ser denominada de Nova Amsterdã.

Interessante destacar, a título de curiosidade, que durante todo o período de exploração holandesa por intermédio da Companhia Holandesa, apenas as cidades de Natal (1633) e Nova Iorque (1625), mais especificamente, a Ilha de Manhattan, foram denominadas de Nova Amsterdã.

Apesar de os holandeses terem concentrado a ocupação do Rio Grande do Norte na região de Natal e no litoral Sul, em direção à Paraíba e o Pernambuco, pelo fato deles também terem ocupado o Ceará, e lá instalado uma base, sob o comando de Gedeon Morris, as incursões holandesas na nossa Costa Branca partiam de lá, na grande maioria, e daí há um fato que, embora seja um marco histórico para a economia do Rio Grande do Norte, pouco é lembrado.

Diria que, se não fossem os saudosos pesquisadores e escritores Vingt-un Rosado e América Rosado, com a publicação do livro “ Os holandeses nas salinas do rio Mossoró”, essa história, ou seria totalmente desconhecida ou, talvez, ignorada por nós.

Referida obra pode ser obtida gratuitamente no acervo digital do site da Coleção Mossoroense (//colecaomossoroense.org.br/ ).

Naquele tempo (Século XVII), o sal era um produto estratégico sob todos os aspectos, inclusive militar, pois servia especialmente como conservante, o que permitia as grandes jornadas dos navios naquela época, mundo afora

Gedeon Morris, notável explorador neerlandês do Século XVII, tido como o pai da indústria salineira das salinas do rio Mossoró, pois foi ele quem inaugurou a exploração de sal em grande escala, em uma carta escrita em 14 de fevereiro de 1641, quando ainda se encontrava na foz do atual rio Mossoró, e endereçada ao Conselho Supremo do Governo holandês em Pernambuco, narrou com incrível detalhe a descoberta das imensas salinas naturais existentes no rio Mossoró, e cujo relato se mostra tão impressionante a ponto de, até hoje, quem põe os olhos nessas imensas salinas, constata a importância desse produto.

Por acaso você já imaginou qual foi a impressão do primeiro europeu que pôs os olhos e os pés nas salinas do rio Mossoró? Eis o relato:

“O rio Iwipanim demora cerca de 50 léguas a leste do Ceará e cerca de 60 a oeste do Rio Grande. A salina fica no braço ocidental do rio, coisa, de 3 léguas da margem, de sorte que os barcos e os botes que vierem tomar sal poderão aproximar-se até três quartos de légua da salina. Esta tem de extensão a distância que eu pude percorrer em meia hora e de largura um tiro de mosquete, apresentando-se o sal, tão branco como a neve há alguns lugares com a espessura de 1, 2 e 3 dedos, pelo que calculei que vinte navios não poderiam carregar todo sal aí existente. Aquele belo espetáculo satisfez os meus fatigados sentidos, mas não, completamente, porque o sal, fica muito longe do rio e é incômodo embarcá-lo. Pensei então se não aprovaria a Deus que eu descobrisse nessa região uma salina melhor situada do que aquela e caminhado assim cerca de uma hora para o ocidente, ao longo da margem da campina, vi tudo branco diante de mim justamente como se tivesse nevado. Segui para aí e encontrei uma ótima salina com a extensão de quase uma légua, que percorri caminhando sobre o sal, e tendo de largura seguramente a oitava parte de uma légua. Em alguns lugares o sal tem a espessura de um, dois ou três dedos e no circuito de um quarto de légua a grossura de uma mão, pelo que suponho que 50 navios não poderão carregar o sal que vi nessa salina; e o que mais e, esse sal tão belo que excede o de S. Touvris. Pelo portador desta envio a V. Excia e a Vv. Ss. uma amostra do sal desta salina e também de uma outra pequena.”

E quanto à toponímia? Bem, Amsterdam significa dique do Amstel, rio que banha aquela cidade Holandesa e forma os famosos canais da cidade, característica da cidade desde a sua fundação.

Já a nossa Areia Branca, pelo que consta, tem essa denominação em razão das areias brancas das belíssima praias e dunas da região.

Entretanto, quem vai hoje à cidade, pode apreciar aqueles imensos diques e que, após, transformam-se em imensas superfícies brancas de sal, a perder de vista, feito neve, o mesmo sal que encantou Gedeon Morris há quase 400 anos e que, certamente, poderia ter sido a justificativa para a denominação da cidade.

Assim, a toponímia é indispensável para compreender a história local.

Tanto é verdade que outro fato curioso chama a atenção: o rio Mossoró, nas proximidades de Areia Branca, pode ser chamado de Mossoró, Upanema e Iwypanim; sendo esta última denominação em holandês dada por Adriano Werdonck, em 1630, e que até hoje é conhecido como tal na cidade.
O tempo passou, os holandeses foram embora, entretanto, deixaram uma marca em Areia Branca e região, que passou a ser a maior produtora de sal marinho do Brasil, hoje sendo um produto altamente empregado na indústria e, é claro, na alimentação.

Quanto à Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, passados quase 400 anos, após encerrar suas atividades, no ano de 1792, sua sede histórica em Amsterdam, na Holanda, passou a ser apenas um belo restaurante e um centro de convenções, muito bem preservado.

A impressão que dá quando caminhamos pelos seus corredores, salões e o pátio interno, é a de que, a qualquer instante, surgirá um daqueles Batavos, tal qual retratados por pelo famoso pintor holandês Rembrandt.

Desse modo, fico a imaginar se Areia Branca ainda haverá de nos contar muito mais histórias do que supomos.

Bruno Ernesto é professor, advogado e escritor

Avanço das águas desabriga famílias; município faz socorro

Escola de Artes passa a abrigar uma parte das primeiras famílias desalojadas (Fotomontagem do Canal BCS)
Escola de Artes passa a abrigar uma parte das primeiras famílias desalojadas (Fotomontagem do Canal BCS)

A Defesa Civil de Mossoró, com apoio de outros setores da municipalidade, além de colaboração do Tiro de Guerra 07/010, intensiva trabalho para remoção de famílias de áreas comprometidas pela crescente expansão de margens do rio Mossoró na área urbana e setor rural.

O aumento no volume de águas já causa desalojamento de muitas pessoas.

Nesta terça-feira (11), elas estão sendo acomodadas no prédio da Escola de Artes, com transporte também de móveis e utensílios domésticos diversos.

Plano de Contingência

O prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (Solidariedade), se reuniu nesta segunda-feira (10) com representantes da Defesa Civil de Mossoró e secretários para discutir ações de combate aos efeitos da chuva e definir estratégias do Plano de Contingência do município.

Em caso de emergência, a Defesa Civil pode ser acionada através do telefone 199.

A última grande cheia do rio Mossoró ocorreu em 1985.

Nesse espaço de tempo, 38 anos, ocorreram outros invernos rigorosos causando muitos transtornos.

Prefeito (de costas) mobilizou equipe para atuação ágil e sincronizada (Foto: PMM)
Prefeito (de costas) mobilizou equipe para atuação ágil e sincronizada (Foto: PMM)

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A chegada das águas, abundantes, do rio Apodi-Mossoró

Veja imagens da barragem do Centro da cidade de Mossoró nesse domingo (2), feita com uso de drone, por Glauber Soares, o bom advogado e professor, que também é mestre nas lentes.

Com fotografia, por drone, é possível ver duas pontes no Centro da cidade.
Com fotografia, por drone, é possível ver duas pontes no Centro da cidade.
Rio Mossoró-Apodi nasce na Serra de Luís Gomes.
Rio Mossoró-Apodi nasce na Serra de Luís Gomes.

As águas barrentas do rio Apodi-Mossoró transpõem a barragem e revelam sua força crescente, em face de chuvas constantes em seu trajeto.

É o segundo maior rio potiguar, com cerca de 210 km de extensão. A partir de seu nascedouro na serra de Luís Gomes, Alto Oeste do RN, ele passa pelos municípios localizados na chapada do Apodi e, depois de banhar a cidade de Mossoró, deságua no oceano Atlântico, entre os municípios de Grossos e Areia Branca. Seu estuário, que começa ainda em Mossoró, em condições incomuns, permite a produção de sal em escala industrial.

Na margem direita, o rio Mossoró tem como afluentes os rios Carmo-Upanema, Umari e Pitombeira; na margem esquerda, os rios Tapuio, Grande e Bom Sucesso.

Aprecie.

Imagem no sentido delta-Centro da cidade de Mossoró.
Imagem no sentido estuário-Centro da cidade de Mossoró.

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Prefeito promete novo parque para Mossoró e esquece o ‘outro’

O prefeito mossoroense Francisco José Júnior (PSD) anuncia nova promessa. Garante que obteve em Brasília, em sua estada nesta semana, cessão de terreno do Ibama nas ribeiras do rio Mossoró, Centro, para construção de um Parque Ecológico. Isso, às margens de um rio poluído.

Ótima notícia, mesmo assim.

Mas é conveniente lembrarmos de algo praticamente idêntico, que foi visitado este ano pelo governador Robinson Faria (PSD) e o prefeito, no dia 6 de janeiro, na primeira visita do governante à cidade, após assumir o Governo. Visitaram o Parque da Cidade, obra que teve ‘início’ na gestão Wilma de Faria (PSB).

Dia 6 de janeiro deste ano, Robinson e prefeito visitaram o 'Parque da Cidade' e fizeram promessas (Foto: Assecom do Estado)

Veja o texto abaixo do jornal Gazeta do Oeste à época. Tire você mesmo suas conclusões:

O Parque da Cidade de Mossoró, que começou a ser construído e foi abandonado em seguida, foi o terceiro local visitado pela comitiva. Engenheiros civis da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Habitação mostraram ao governador um layout de apresentação do que pode vir a ser o espaço público. “Robinson gostou do que viu e sugeriu que fosse acrescentado no projeto um parque infantil e uma área de alimentação”, disse o engenheiro Dorian Jorge Freire Neto.

A ordem de serviço para a construção do Parque da Cidade foi assinada em março de 2010 pela então governadora Wilma de Faria. No local nada foi construído. Apenas uma cerca de tapumes – que pouco tempo de-pois começou a cair – davam a falsa impressão de que estava sendo executado algum serviço.

A expectativa é de que a obra seja retomada em breve. “O Parque da Cidade é um projeto que visa trazer muitos benefícios para Mossoró. Além de mudar completamente a entrada de nossa cidade, tornando-a mais bonita, trará muitas opções de lazer para as famílias mossoroenses. Este local, de 61 mil metros quadrados, está entre dois dos bairros mais populosos de Mossoró, que são o Santo Antônio e os Abolições”, ressaltou o prefeito de Mossoró, Francisco José Júnior.

Nota do Blog – Leu? E aí?

Cidade organizada, administrada sob rigoroso planejamento, é outra coisa. Terá segundo parque sem fazer o primeiro; no beiço de um rio podre.

Ah, tá!

Leonardo apresenta projeto sobre Rio Mossoró

Projeto de Lei apresentado nesta quinta feira (2) pelo deputado Leonardo Nogueira (DEM) reconhece a existência do ecossistema do estuário do rio Apodi-Mossoró, compreendendo áreas dos municípios de Mossoró, Grossos e Areia Branca.

De acordo com o Projeto, são componentes integrantes do ecossistema todos os recursos naturais ali existentes, diversidade biológica, suas comunidades vegetais e animais e a variabilidade de organismos vivos de todas as origens, que interagem entre si como uma unidade funcional.

Segundo o deputado Leonardo Nogueira, a área reconhecida passa a gozar de todos os direitos legais de proteção e conservação que beneficiam os demais ecossistemas encontrados em território nacional.

“A preservação do ecossistema hipersalino no Rio Grande do Norte está seriamente ameaçada com o volume de água que hoje é despejado no leito do rio Mossoró a partir das comportas das barragens de Santa Cruz, em Apodi e de Umarí, em Upanema”, afirmou o deputado, acrescentando que a conservação dos ambientes salinos e hipersalinos, encontrados no litoral setentrional do Rio Grande do Norte é fundamental para a sustentabilidade das atividades humanas tradicionais de uso dos recursos ali encontrados.

Com informações da Assessoria de Imprensa de Leonardo Nogueira.

… Ah! se esse rio fosse levado a sério

Depoimento do ex-candidato a prefeito de Mossoró Renato Fernandes (PR) sobre uma delicada questão ambiental no município:

– Existem recursos no Governo federal, na Petrobras, para despoluição de rios. O que faltam são projetos sérios e exequiveis.

É nessa mesma direção, de raciocínio lógico, ele complementa:

– Algumas cidades brasileiras despoluiram seus rios e tornaram suas áreas urbanizadas a ponto de encontro para as famílias.