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Para onde caminha o RN em 2022?

Por Ney Lopes

Faltam praticamente seis meses para a eleição geral de 2022. No RN, somente a reeleição da governadora Fátima Bezerra coloca-se na disputa, além de partidos menores. A oposição está sem definição. O quadro já é consumado? Não. Pode mudar.

Marco Maciel dizia, que “enquanto há prazo, há tempo”.elefante na estrada

O que se comenta é o deputado Ezequiel Ferreira de Souza como candidato da oposição ao governo, entretanto sem confirmação oficial. Um bom nome. Mas, será que o “silêncio” dele o beneficia? Ou assemelha-se ao aforisma de Adriana Falcão, roteirista da Rede Globo, quando diz: “Indecisão é quando você sabe muito bem o que quer, mas acha que devia querer outra coisa”.

O cenário indefinido revela a falta de ações compatíveis com a conjuntura política que vivemos. A classe política local teima em não querer enxergar. Sempre raciocina com base em precedentes passados, que deram certo, tais como, “apoios”, “colégios eleitorais”, “marketing” sofisticado, “nominatas”, “caixa de campanha” e vai por aí.

Atualmente, tais fatores influem na eleição proporcional. Na majoritária, a realidade é outra, totalmente diferente.

Em período pós pandemia e violenta crise econômica, uma campanha política não pode ser unicamente “tática”, mas sim “estratégia”.

Sun Tzu, o chinês, alertava que “tática sem estratégia é o ruído antes da derrota”. Abraham Lincoln dizia, “que nunca se conseguirá convencer um rato de que um gato traz boa sorte”. Pavarotti afirmava que fazer política sem estratégia, é o mesmo que fazer amor por correspondência.

Candidato majoritário competitivo necessita apresentar-se com antecedência e com “algo mais”, que seriam propostas concretas, causando impacto de gestão ao eleitor. Essa exigência acentua-se diante da descrença na classe política. Aliás, há exemplos passados.

Em 1994, no RN, a ex-prefeita de Natal Wilma de Faria candidatou-se ao Governo do Estado como o “novo”. Perdeu a eleição. Fernando Bezerra, senador e candidato a governador, encarnou o empresário novo, líder nacional da indústria e amargou a mesma experiência.

Ambos eram nomes dignos, mas falharam na estratégia. Consideraram-se vitoriosos, antes das urnas abrirem.

Já em 2002, Wilma na largada da campanha era a última colocada nas pesquisas. Montou estratégia ousada, embora não somasse apoio sequer de dez prefeitos. Ganhou a eleição. Vamos esperar e ver como ficarão as coisas em 2022.

Debilitado na economia, o RN dá sinais de colapso político, quase caminhando para o WO na disputa pelo governo, que seria a vitória dada pelo fato do adversário não competir.

No passado, não era assim. O estado era dos mais politizados do país. Recordo que em 1960 recebi convite de Sales da Cunha e Hélio Vasconcelos para presidir um “Comitê” de estudantes, em prol da candidatura de Djalma Marinho, ao Governo do Estado. A primeira providência foi realizar debates para sugerir ideias e propostas ao candidato.

Hoje, existem inegavelmente nomes capazes, mas não se sabe “para onde caminha o RN”. Tudo é escondido em “cúpulas partidárias” hermeticamente fechadas, que não dão chances a ninguém e só favorecem escolhas de algibeira, sem a credibilidade que inspire confiança ao eleitor.

Na falta dessa credibilidade, até na escolha dos vices e suplentes, o naufrágio torna-se iminente e abre portas para aventureiros.

Essa conjuntura estadual reflete o país, transformado em latifúndio privado, com os partidos na defesa de interesses pessoais e de grupos. As siglas são propriedades privadas, custeadas pelo dinheiro público.  Praticam crimes de responsabilidade, todos aqueles que, com deveres públicos, cruzaram os braços e facilitam a propagação dessas distorções, por não terem eliminado as causas da doença, através de mudanças políticas.

Quando um dia for indagada a causa desse quadro desolador, a resposta será a omissão da atual classe dirigente.  Afinal, no frigir dos ovos, o que foi feito de concreto para combater essa pandemia política? Nada. Absolutamente nada.

Vergonhosamente, o governo e o Congresso Nacional engavetaram a reforma político-eleitoral. E deu no que está dando.

Ney Lopes é jornalista, ex-deputado federal e advogado

Ataque e defesa na ‘arte da guerra’ eleitoral em Mossoró

As ações que pedem cassação de registro das candidaturas a prefeito e vereador, respectivamente de Rosalba Ciarlini (PP) e Betinho Rosado (PP) em Mossoró (veja AQUI), “estavam escritas”. Absolutamente normais e previsíveis.

As ações protocolizadas no dia passado talvez não produzam efeito prático pretendido em seu bojo, ou seja, alijar Rosalba Ciarlini da disputa. É provável que tenham papel mais tático-eleitoral do que judicial-eletivo.

A judicialização das campanhas eleitorais não é um fenômeno da política mossoroense. Ela advém do fomento da própria legislação eleitoral, a maior profissionalização de campanhas do ponto de vista técnico-jurídico, além da vigilância dos órgãos de fiscalização.

De acordo com dados levantados em julho passado pelo portal G1/SP, no âmbito do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Rio Grande do Norte é o Estado brasileiro que teve proporcionalmente o maior número de prefeitos eleitos em 2012 cassados nos últimos quatro anos.

Ao todo, foram 16 cassações, com oito afastamentos definitivos e oito permanências no cargo por meio de recursos judiciais e liminares.

O Brasil teve, segundo o levantamento, 136 prefeitos cassados e retirados do cargo pela Justiça Eleitoral – uma média de um a cada oito dias.

Além disso, outros 93 também foram cassados, mas se mantêm no cargo com liminares e recursos, a poucos meses de um novo pleito, que ocorre em outubro deste ano.

O dado de cassados no cargo e fora dele representa 4% do total de prefeitos eleitos em 2012 (5.568).

O que acontece em Mossoró logo nos primeiros dias de campanha está pulverizado no país. Isso é inquestionável. Segue-se à risca uma máxima militar milenar, posta em “A arte da guerra”, do general chinês Sun Tzu:

– “Mantenha o teu inimigo ocupado”.

É o que procuram fazer nesses primeiros dias as campanhas dos candidatos Francisco José Júnior (PSD) e Tião Couto (PSDB), em relação à concorrente Rosalba Ciarlini. Acuam-na judicialmente.

Favorita, Rosalba é uma adversária a ser caçada (ou cassada, diga-se). Em sua retórica, numa tática do marketing, pode e provavelmente posará de vítima.

Sua reação também faz parte da arte da contenda eleitoral. “A estratégia é uma economia de forças”, afirmou o general prussiano (alemão) Carl von Clausewitz no clássico “Da Guerra”. Ou seja, pensar antes de agir.

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A arte da guerra política de Henrique Alves

O presidente da Câmara Federal, Henrique Alves (PMDB), certamente leu um dos clássicos da estrategia militar, aplicado à política e ao mundo dos negócios.

Falo sobre “A arte da Guerra”, de Sun Tzu.

O general e filósofo chinês disse, com muita propriedade:

A suprema arte da guerra é derrotar o inimigo sem lutar.

E mais:

Triunfam aqueles que sabem quando lutar e quando esperar.

Tem tudo a ver com a política contemporânea que ele empina, com destreza e incrível serenidade.