Espetáculo será apresentado no sábado (Foto: divulgação)
A Comunidade Católica Shalom apresenta, no próximo 20 de dezembro, às 19h30, no Teatro Municipal Dix-Huit Rosado, o espetáculo artístico-musical “Filho de Deus, Menino Meu”.
A proposta une música, teatro e expressão cultural para refletir sobre o mistério do Natal, oferecendo ao público um momento de contemplação e beleza inspirado na fé cristã.
Pensado especialmente para o período do Advento, o espetáculo busca apresentar, de forma acessível e sensível, a temática da Encarnação de Cristo.
A produção tem alcançado diferentes públicos e, ao longo dos últimos anos, tornou-se presença constante no cenário cultural e religioso de Mossoró (RN). Em 2023, aproximadamente 300 pessoas acompanharam a apresentação no mesmo teatro.
A realização deste ano mantém o compromisso da Comunidade Shalom com iniciativas que unem arte e espiritualidade, valorizando a cultura local e promovendo experiências que dialogam com o significado do Natal.
Os ingressos estão disponíveis no link da bio do Instagram @shalommosoro e na Livraria Shalom (Rua Lopes Trovão, 805, Doze Anos). Os valores são R$ 16,00 (inteira) e R$ 8,00 (meia).
Mais informações podem ser encontradas no Instagram oficial do Shalom Mossoró.
Por Marcelo Alves Henrik Ibsen (1828-1906), o genial dramaturgo, nasceu numa pequena vila portuária da Noruega. Mas o seu teatro (ele foi também diretor) e a sua poesia não mimetizaram a gelidez da sua terra natal. Ao contrário, ele foi um dos precursores do realismo e do modernismo nas artes cênicas. Fez escândalo, na verdade. Era um “denunciante” de falsos moralismos e coisas que tais.
Algumas de suas peças são conhecidíssimas: “Peer Gynt” (1867), “Casa de Bonecas” (1879), “Um Inimigo do Povo” (1882), “O Pato Selvagem” (1884) e por aí vai. Alguns dizem ser ele, no seu métier, o segundo, apenas atrás de Shakespeare (1564-1616). E gigantes do teatro, gente como Gerhart Hauptmann (1862-1946), George Bernard Shaw (1856-1950), Oscar Wilde (1854-1900) e Eugene O’Neill (1888-1953), lhe pagaram tributo.
Ibsen perambulou muitos anos pela Europa. Sobretudo pela Itália e Alemanha. Quem viaja, se sabido, enxerga longe. Faleceu, em glória mas já inválido, na capital Oslo.
Para se ter uma ideia do tamanho de Ibsen, colho um trecho do “Ensaio sobre Henrik Ibsen”, de Otto Maria Carpeaux, que consta de um pequeno livro de bolso, intitulado “Seis Dramas” (parte 1), coleção “Mestres Pensadores”, da Editora Escala:
“Henrik Ibsen é o maior dramaturgo do século XIX. O superlativo – superlativos têm sempre qualquer coisa de exagero – justifica-se desta vez, com toda facilidade. Goethe, Schiller e Alfieri pertencem inteiramente, ou pela maior parte da obra, ao século XVIII; Tchekov significa um crepúsculo melancólico; Strindberg já é o século XX. E na época entre o começo e o fim do século? Os epígonos não contam; a glória do teatro romântico francês já passou. Kleist, Georg Buechner e Gogol, três gênios dramáticos, que não se realizaram inteiramente. Quem há mais? O teatro realista francês, Augier, Dumas Filho, só tem hoje interesse como precursor de Ibsen, que lhe tomou emprestados os processos cênicos e os ambientes burgueses; Hauptmann e Shaw já confessam que o próprio Ibsen foi o ponto de partida das suas obras. Ficam ainda dois grandes nomes: Hebbel e Bjørnson. Em Hebbel a crítica literária reconhece hoje a substância ibseniana, prejudicada pelos artificialismos do epigonismo classicista; Hebbel desapareceu do palco onde apareceu Ibsen. Bjørnson, o patrício de Ibsen, e seu companheiro e inimigo inseparável durante a vida inteira, empalideceu cada vez mais ao lado do rival maior; dia virá – já veio talvez – em que a vida e a obra de Bjørnson servirão apenas para esclarecer melhor a vida e a obra de Henrik Ibsen”.
O genial dramaturgo participa de todas as virtudes (e dos defeitos também, claro) do seu século. Um século, o XIX, que se orgulhava de ser o “século da ciência e da técnica”. Ibsen se preocupava com as descobertas da ciência, com as maravilhas e as angústias que os processos científicos provocam, e tinha a esperança, em razão das intervenções da ciência, num futuro melhor para a humanidade. E aqui jogo luz sobre a peça “Um Inimigo do Povo”, de 1882, cujo protagonista é um médico local que casualmente descobre e investiga a contaminação das águas de um balneário de uma pequena cidade norueguesa.
O médico imagina ser aclamado por haver descoberto, através da ciência, a verdade. Por salvar a todos, locais e turistas, da infecção/doença generalizada. Mas “algo” fala mais alto. Do negacionismo a outros interesses menos confessáveis. Os habitantes se viram contra ele, o “inimigo do povo”. E a desgraça, individual e coletiva, está feita. Pelo menos para os de bom-senso, lembrando que a ciência, dizia o nosso Rubem Alves (1933-2014), nada mais é que o bom-senso organizado.
Se evitar contaminação e doenças parece bom-senso – pelo menos para os de bom-senso –, isso não se mostra tão óbvio para aqueles outrora chamados de fanáticos loucos, e hoje, eufemisticamente, apenas apelidados de negacionistas.
Se na fábula de Ibsen foi assim, hoje, quem alerta para a gravidade da nossa situação sanitária, para o número absurdo de mortes, para o charlatanismo de remédios ineficazes, para o impacto atual e futuro da política/visão negacionista, inclusive sob o ponto de vista econômico, é taxado por alguns de torcer pelo “quanto pior, melhor”, pelo “vírus” ou de outras baboseiras/loucuras mais. É luta.
Afirmar a dura verdade e a ciência, ou simplesmente o bom-senso organizado, nos torna “um inimigo dos loucos”.
Marcelo Alves Dias de Souza é procurador Regional da República, doutor em Direito (PhD in Law) pelo King’s College London – KCL e membro da Academia Norte-rio-grandense de Letras – ANRL
Cia. Pão Doce de Teatro tem trabalho diverso e longevo, com reconhecimento público (Foto: divulgação)
A Cia. Pão Doce de Teatro inicia, em agosto de 2025, uma nova fase de atividades culturais gratuitas em Mossoró, celebrando mais de duas décadas de trajetória artística. Com o projeto Cia. Pão Doce 20 anos – Segunda edição, aprovado pela Fundação Nacional de Artes (FUNARTE), o grupo mossoroense é o único do Rio Grande do Norte com projeto vigente contemplado no Programa Funarte de Apoio a Ações Continuadas 2024.
A abertura oficial do calendário de atividades será realizada no dia 01 de agosto, às 19h, no Ponto de Cultura e Espaço Cultural Teatro de Quintal (Rua Bodoca 35, bairro Alto de São Manoel – Mossoró), em um encontro especial voltado para a imprensa e convidados. Nessa noite será lançado o edital do 2o Festival de Cenas Curtas – Teatro de Quintal, iniciativa que valoriza a produção artística local, fomentando a diversidade de linguagens cênicas e fortalecendo o intercâmbio entre coletivos e artistas independentes.
Seleção
Serão selecionados, através do edital, até 8 (oito) esquetes/cenas curtas com duração mínima de 11 minutos e máxima de 15 minutos cada, nos mais variados gêneros: comédia, tragédia, performance, romance, teatro-musical e drama, com o objetivo de refletir o panorama da produção teatral da cidade de Mossoró. As inscrições poderão ser feitas de 01 a 22 de agosto. As informações e detalhes sobre o edital estarão disponíveis nos canais da Cia Pão Doce.
Além do Festival de Cenas Curtas com as apresentações teatrais, a companhia também retoma uma programação diversificada, a partir de agosto quando serão ofertadas oficinas formativas, rodas de conversa, festival de audiovisualidades Cine Quintal. Todas as atividades serão gratuitas e abertas à comunidade, com foco na inclusão social, acessibilidade e formação de novos talentos, na ampliação do trabalho que a Companhia já faz de democratização do acesso à cultura.
Perfil
Em 20 anos de atuação a Cia. Pão Doce é referência em Mossoró e no Rio Grande do Norte por seus espetáculos e trabalho contínuo de formação e experimentação artística. Hoje é composta pelos atores Mônica Danuta, Lígia Kiss, Paulo Lima e Raull Davyson e que também contam com apoios fundamentais como o artista Diogo Rocha, diretor musical do grupo e assistente de produção do Ponto de Cultura.
Arte criada com recursos de Inteligência Artificial – AI Meta – BCS
Estes dias, xeretando a Internet, dei de cara com um verbete da enciclopédia “Britannica”, intitulado “Fontes de Shakespeare”, que interessantemente afirma:
“Com algumas exceções, Shakespeare não inventou os enredos de suas peças. Às vezes, ele usava histórias antigas (Hamlet, Péricles). Às vezes, ele trabalhava a partir de histórias de escritores italianos relativamente recentes, como Giovanni Boccaccio — usando histórias bem conhecidas (Romeu e Julieta, Muito Barulho por Nada) e outras pouco conhecidas (Otelo). Ele usou as ficções em prosa populares de seus contemporâneos em Como Gostais e Conto de Inverno. Ao escrever suas peças históricas, ele se baseou amplamente em tradução de Sir Thomas North de Plutarco, Lives of the Noble Grecians and Romans, para as peças romanas, e nas crônicas de Edward Hall e Holinshed para as peças baseadas na história inglesa. Algumas peças lidam com história bastante remota e lendária (Rei Lear, Cimbelino, Macbeth). Dramaturgos anteriores ocasionalmente usaram o mesmo material (houve, por exemplo, as peças anteriores chamadas The Famous Victories of Henry the Fifth e King Leir). Mas, como muitas peças da época de Shakespeare foram perdidas, é impossível ter certeza da relação entre uma peça anterior perdida e a sobrevivente de Shakespeare: no caso de Hamlet, foi plausivelmente argumentado que uma ‘peça antiga’, conhecida por ter existido, era meramente uma versão inicial da própria peça de Shakespeare”.
Aliás, o fato de William Shakespeare (1564-1616) ter, digamos, as suas “fontes” já era algo sabido e falado à sua época, como atestam documentos contemporâneos referidos no curioso verbete.
Bom, teria então sido o grande Shakespeare um “plagiador”?
O que se sabe, com segurança, acerca da vida de Shakespeare, é muito pouco. Até a sua própria existência, embora isso seja um evidente exagero, é às vezes contestada, com várias teorias conspiratórias sendo sugeridas. Quem sabe algum dia não falaremos sobre elas? Certamente, em Shakespeare, há mais mistérios do que ousa imaginar nossa vã filosofia.
Mas, de logo, afirmo: o Bardo não era um plagiador.
Ao contrário. Ben Jonson (1572-1637), contemporâneo de Shakespeare e durante certo tempo até mais aclamado que ele, considerava Shakespeare um escritor premiado pela natureza com o dom da genialidade. Dizer, sim, que Shakespeare foi um gênio e que ele representa o que de mais sublime há na língua inglesa ou mesmo na natureza humana é afirmar uma verdade hoje quase “científica”.
E, se Shakespeare é considerado um gênio natural, autodidata, isso se deve, em grande medida, à sua capacidade de rapidamente extrair maravilhas das suas fontes, reformulando-as, em tragédias e comédias, quase ao ponto da perfeição. É dito que “Shakespeare provavelmente estava muito ocupado para estudos prolongados. Ele tinha que ler os livros que podia, quando precisava”. Mas há também evidências de que ele, quando necessário, lia acuradamente os clássicos gregos, para fins de elaboração de cada uma de suas peças, assim como as reescrevia e revisava frequentemente.
Na verdade, o escritor de gênio deve ter suas boas fontes. Deve saber das muitas ideias e compreendê-las. Deve interpretar esse seu mundo junto a outros universos e épocas. Deve sobretudo descobrir e dizer o ainda não dito a partir daquilo que já foi dito.
O genial Mark Twain (1835-1910) certa vez disse: “Não existe uma nova ideia. É impossível. Nós simplesmente pegamos um monte de ideias antigas e, então, as colocamos em um tipo de caleidoscópio mental”. E assegurava Picasso (1881-1973): “Bons artistas copiam, grandes artistas roubam”.
Pois então Shakespeare era o gênio que tinha o dom de roubar/transformar o que já era muito em muito mais do que muito.
Marcelo Alves Dias de Souza é procurador Regional da República, doutor em Direito (PhD in Law) pelo King’s College London – KCL e membro da Academia Norte-rio-grandense de Letras – ANRL
Diversas manifestações artísticas reforçam programação (Foto: Lucas Bulcão)
O “Estação Natal” – iniciativa da Prefeitura de Mossoró que faz parte do ciclo natalino – reúne famílias e turistas a cada ano na Estação das Artes Poeta Elizeu Ventania. Agora, em 2024, na terceira edição do evento, uma série de atrações para crianças, adolescentes e adultos, também é reforçada por programação cultural.
As apresentações com expressões artísticas como dança, teatro e música acontecem no palco montado na Estação das Artes e vão ter sequência até o dia 6 de janeiro de 2025.
Confira a programação de apresentações desta semana do “Estação Natal”:
27 de dezembro
19h Passos de Sabedoria, Danças Pastoril da Terceira Idade
Criado em 2018, o Festival Internacional Casa da Ribeira (FICA) se expande e, em sua 4ª edição, desembarca pela 1ª primeira vez em Mossoró. Essa novidade é resultado da parceria entre a Casa da Ribeira e o Centro Cultural Banco do Nordeste.
Sob a temática “Artes da Cena e do Ser”, o Festival acontece com apresentações entre os dias 20 a 22 de dezembro, no Teatro de Quintal – ingressos serão distribuídos uma hora antes das sessões – rua Bodoca, nº 35, Alto de São Manoel.
Após edições realizadas em 2018, 2019 e 2021, o FICA retorna em 2024, promovendo a reflexão sobre “Artes da Cena e do Ser”. Trata-se de um festival de artes cênicas, que visa o desenvolvimento de atividades que fortaleçam e articulem as cadeias produtivas e os arranjos produtivos locais, nos diversos segmentos culturais.
A programação do FICA em Mossoró inclui três apresentações, uma em cada dia, proporcionando uma experiência rica e única para o público. Veja a programação:
Dia 20, às 20h, tem o espetáculo teatral “A Força da Água” do Pavilhão da Magnólia de Fortaleza/CE;
Dia 21, às 20h, é a estreia internacional do espetáculo “Íris” (Dança) de Clarissa Rêgo e Thilo Seevers (Graz/Áustria);
Dia 22, às 17h, o espetáculo “Canções Daqui, Contos do Mundo” da Cia Pão Doce, de Mossoró – RN.
O FICA Mossoró é uma realização da Casa da Ribeira: Casa + Negra Diversidade em parceria com o BNB Cultural e apoio da Das Land Steiermark – Kultur, Europa, Sport e Bundesministeriums für Kunst, Kultur, öffentlichen Dienst und Sport.
Para mais informações sobre o FICA 2024, links de inscrições e ingressos, basta acessar as redes sociais da Casa no @casadaribeira ou visitar o site casadaribeira.com.br/
Tony é um nome de enorme expressão do teatro do RN (Foto: Divulgação)
Uma das principais atrizes do Rio Grande do Norte e base da história teatral de Mossoró, com repercussão no RN e além das divisas do estado, Tony Silva, será homenageada na segunda edição Cine Árido – Mostra Audiovisual do Semiárido. O evento acontecerá na próxima semana, entre os dias 19 e 21 de novembro, no SESC Mossoró.
Além de uma mostra especial com filmes de sua carreira, o Cine Árido fará uma exibição especial do filme “Lua Cambará: nas escadarias do palácio”, de 2002, com as presenças do diretor do filme, Rosemberg Cariry, e de Tony, que participarão de uma roda de conversa ao final.
A exibição acontecerá na abertura do evento, às 18h30, na sala de cinema do Sesc Mossoró. O longa-metragem, protagonizado por Dira Paes, conta com a presença da atriz mossoroense, em seu primeiro trabalho no cinema nacional. Com ele, Tony recebeu indicação de melhor atriz coadjuvante no 35° Festival de Cinema de Brasília, em 2002.
“O Cine Árido nasce com o objetivo de ampliar o protagonismo e visibilidade do audiovisual realizado na região, partindo de Mossoró, capital do semiárido. Por isso consideramos importante mostrar para o mundo quem são nossos artistas, qual é o cinema feito aqui. Nesta edição, escolhemos a atriz mossoroense Tony Silva como homenageada, por toda contribuição que ela tem para a arte potiguar. E decidimos trazer para a programação um filme importante na carreira dela, que muitas pessoas não tiveram a chance de assistir aqui em Mossoró, que é o “Lua Cambará”, com a presença do diretor Rosemberg Cariry”, comenta o diretor do Cine Árido, jornalista e professor da Uern Esdras Marchezan.
No dia 20 – Dia da Consciência Negra – o Cine Árido realizará também a Mostra Tony Silva, à tarde, a partir das 15h, com exibição de filmes da carreira da atriz. “Me sinto muito feliz e lisonjeada por está homenagem que o Cine Árido realiza nesta edição. Será um momento muito especial poder rever o filme “Lua Cambará”, mais de vinte anos depois, ao lado do diretor Rosemberg Cariry e do público mossoroense. Estou muito feliz”, declarou Tony Silva.
O II Cine Árido é uma ação do Vozes do Semiárido, projeto de extensão do curso de Jornalismo da UERN e conta com recursos da Lei Paulo Gustavo, por meio de edital público operacionalizado pelo Governo do Rio Grande do Norte, através da Secretaria Estadual de Cultura e Fundação José Augusto. A mostra conta com apoio da UERN, do Sesc RN e da Grão de Cinema.
Toda a programação é gratuita e pode ser conferida no Instagram @cinearido.
Nota do Blog – Maravilha. Tony merece tudo e muito mais. Gigante!
Espetáculo tem tradição de décadas )Foto: Arquivo)
A encenação da Paixão de Cristo em Carnaúba dos Dantas-RN é uma das mais tradicionais do interior do Nordeste, com quase meio século de existência. O espetáculo, que acontece aos pés do Monte do Galo e atrai anualmente romeiros e turistas do sertão potiguar e estados vizinhos, tinha sido interrompido pela pandemia e está retomando agora em 2024, com a 46ª edição.
O cenário será montado na nova Praça dos Romeiros, agora reformada com o erguimento do Santuário de Nossa Senhora das Vitórias. “O espetáculo envolve cerca de 70 atores, entre crianças e adultos, com destaque para participantes que têm mais de trinta anos de atuação, mantendo viva uma tradição que vai se passando de pai para filho”, explica o diretor Jairo Dantas.
O projeto tem importância cultural, econômica e social para a comunidade, considerando que a confecção de figurino e cenário, além de gravação de áudio e outros serviços de produção envolvem a contratação de trabalhadores da cultura e prestadores de serviço da própria cidade. A chegada de romeiros impulsiona o comércio formal e informal, contribuindo para a geração de renda.
O novo pároco de Carnaúba dos Dantas, padre Ronney Galvão, anuncia como novidade que esse ano serão dois dias de espetáculo, 28 e 29 de março, quinta e sexta-feira da Semana Santa.
A realização da Paixão de Cristo é da Associação de Desenvolvimento Cultural Dom José Adelino Dantas e da Paróquia de Carnaúba dos Dantas, com patrocínio da Lei Câmara Cascudo, Fundação José Augusto e Governo do Rio Grande do Norte, e apoio da Prefeitura de Carnaúba dos Dantas e Geoparque Seridó.
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O espetáculo “A história não contada de OZ” é uma livre adaptação do Musical Wicked, que relata a história da Terra de Oz muito antes da chegada de Dorothy. É a reinterpretação do clássico “O Mágico de Oz”e será apresentado em Mossoró.
A direção geral do musical é de Natália Negreiros, direção executiva de Sandra Sayonara e cenografia de Lavínia Negreiros, além de um elenco de grandes bailarinos e artistas convidados que levarão essa linda mensagem para o palco do Teatro Municipal Dix-Huit Rosado, nos dias 24, 25 e 26 (sexta, sábado, domingo) de novembro às 19h!
O musical aborda assuntos bem atuais, como preconceito, amizade, amor e coragem. Essa história cheia de lições e significados, será contada, pelo Espaço Artístico Natália Negreiros, com muita dança, música e teatro!
“A história não contada de OZ” promete encantar e cativar o público com uma narrativa envolvente e uma produção de alta qualidade.
Convite está feito.
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Atriz descobriu o câncer ainda ano passado (Foto: Rede Globo)
Morreu nesta segunda-feira (7), aos 83 anos, a atriz Aracy Balabanian. Com décadas de carreira na TV, teatro e cinema, a artista ajudou a construir a história da dramaturgia brasileira. Aracy estava internada na Clínica São Vicente, na Zona Sul do Rio de Janeiro, e não resistiu às complicações de um câncer. Descobriu a doença ano passado.
A Atriz não era casada e optou também por não ter filhos.
Nascida em 1940, em Campo Grande (MS), Aracy fez vestibular aos 18 anos para a Escola de Arte Dramática de São Paulo e para ciências sociais, na USP, atendendo ao desejo do pai. Aprovada nos dois, ela abandonou ciências sociais no terceiro ano para se dedicar totalmente ao teatro.
No início da carreira na televisão, nos anos de 1960, Aracy fez a peça “Antígona”, do filósofo Sófocles, montada pela antiga TV Tupi, mas estreou na Record. A estreia na TV Globo veio em “O primeiro amor”, novela de Walther Negrão, onde ela interpretou a psicóloga Giovana, que disputava o amor de Luciano com Paula e Maria do Carmo.
á com uma carreira extensa, veio um dos personagens que mais ficaram estampados na memória do público: a Dona Armênia, da novela “Rainha da Sucata”. Com um sotaque e alguns costumes do povo armênio, Aracy trouxe um pouco da própria história, já que era filha de imigrantes desse país.
Algum tempo depois, participou do fenômeno humorístico “Sai de Baixo”, onde viveu a inesquecível Cassandra entre 1996 e 2001.
O teatro precisa ir onde o povo está. Por isso, preocupados com a ausência de opções de cultura para a população rural, a Cia A Máscara de Teatro lança na próxima semana o projeto O Campo é um Palco.
Ensopado de história é o espetáculo na pauta do grupo (Foto: divulgação)
A ideia do projeto é a de contemplar com espetáculos a população de áreas rurais do estado, inicialmente em Mossoró e que enfrentam dificuldades de acesso a estes recursos artísticos, pela inacessibilidade às políticas culturais, tendo em vista que, por mais que se tenha implantado projetos culturais, eles têm se concentrado mais nas áreas urbanas da cidade e não se estendem ao campo.
O Campo é um Palco busca reverter essa situação de exclusão social cultural e levará um kit de cultura incluindo cinema, teatro às comunidades e também cursos de formação para que a juventude seja protagonista nas ações. Ao todo, serão cinco atividades tendo escolas como local de realização.
O lançamento do projeto que conta com o patrocínio do Governo do Estado do Rio Grande do Norte através Fundação José Augusto com recursos da emenda parlamentar da deputada estadual Isolda Dantas, será lançado oficialmente e de forma aberta ao público, no próximo dia 15 de Maio, às 19, na sede da companhia A Máscara, localizada à Rua Antônio Vieira de Sá, 156 – Nova Betânia, Mossoró.
A Máscara
Com uma trajetória de mais de duas décadas, a Cia A Máscara de Teatro segue sendo uma referência na cena teatral brasileira, A Máscara de Teatro é conhecida por seu elenco talentoso e diversificado, formado por atores, atrizes, produtores e técnicos de diferentes idades e trajetórias profissionais.
Anderson Silva, Jeyzon Leonardo, Júlia Medeiros e Luciana Duarte: juntos, esses profissionais se dedicam a criar espetáculos que mesclam elementos de nuances diferentes do teatro, sempre com o objetivo de provocar reflexão e engajamento em seu público.
As atividades da companhia e um pouco mais sobre o trabalho realizado pelo elenco também pode ser acompanhado através do instagram: @amascaradeteatro
Programação
MAIO
DIA 15 – Abertura/lançamento do projeto na sede da Cia A MÁSCARA de Teatro às 19h
Rua Antônio Vieira de Sá, 156 – Nova Betânia, Mossoró.
Dia 20 (Matutino) – Comunidade Piquiri
E.M. Jerônimo Rosado
Dia 29 (Vespertino) – Comunidade Pau Branco
E.E. Iracema Fernandes
JUNHO
Dia 01 (Vespertino) – Assentamento Jurema
E.M. Neci Campos
Dia 02 (Vespertino) – Juremal
E. Justina do Nascimento
Dia 10 (Matutino) – Jucuri
E.M. Ricardo Vieira do Couto
Ficha Técnica
Produção
Andreilson de Castro
Angélica Regina
Jeyzon Leonardo
Luciana Duarte
Espetáculo
Ensopado de Histórias
Elenco
Júlia Medeiros
Anderson Silva
Luciana Duarte
Jeyzon Leonardo
Direção
Mônica Danuta
Jeyzon Leonardo
Luciana Duarte
Identidade visual
Bruna Layara
Apoio
Repet
Tcm telecom
Mármores e Granito
Priscila Dorcas
Josué buffet
Kaio Dias Ateliê
Hotel Villa Oeste
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O projeto Encena da Atitude Cooperação, coordenado por Diana Fontes, apresenta sexta-feira (9) e sábado (10), às 19h, na sede da Instituição, localizada no bairro Felipe Camarão (Zona Oeste de Natal), o espetáculo “Salve Camarão”. Trata-se de uma ação formativa que envolve 64 crianças e jovens da comunidade.
Projeto tem participação de jovens da comunidade (Foto: André Rosa)A partir de histórias do bairro, a encenação ganhou vida (Foto: André Rosa)
A apresentação vai percorrer diversos espaços da Instituição. Os intérpretes irão mostrar parte do que aprenderam e ensaiaram ao longo do ano de 2022 no projeto. Teatro, canto, dança, brincadeiras e manipulação de bonecos, confeccionados pelos próprios alunos, fazem parte da peça que mergulha na história do bairro de Felipe Camarão.
“Salve Camarão” tem direção de Diana Fontes, que possibilitou o processo focado na arte-comunidade. “Este ano resolvemos criar algo a partir das histórias do bairro e das histórias de vida dos próprios alunos. Na peça eles têm a possibilidade de falar do orgulho de morar num bairro tão cultural, com figuras ilustres, e também enxergar o quanto são importantes para o local onde moram”, conta Diana.
Olhar também para o Brasil
Para criação da peça, professores e alunos participaram de um processo formativo no decorrer de todo o ano, dirigidos por Jhoao Junnior, potiguar, radicado em São Paulo e idealizador de vários projetos em áreas periféricas, referência no Brasil e no exterior. “A ideia era criar uma obra cênica pautada nas histórias de vida dos jovens, a influência do teatro e da arte na perspectiva de vida deles. Isso tudo numa relação direta com a moradia e com a história do bairro, sem deixar de olhar para o Brasil”, explica Jhoao.
A ação formativa contou com patrocínio da Prefeitura Municipal do Natal através da Lei Djalma Maranhão e Unimed Natal, além de parceria cultural com a Atitude Cooperação. A realização é de Diana Fontes direção e produção cultural.
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A trajetória do grupo natalense Clowns de Shakespeare reflete a essência do teatro de grupo: uma jornada feita de descobertas, encontros, despedidas, desalentos, vitórias e muitos recomeços. Em 2013, o diretor Carito Cavalcanti acompanhou a trupe durante todo o ano, para fazer um documentário em comemoração ao vigésimo aniversário. A falta de verba impediu o grupo de concluir o filme. O projeto ficou suspenso por quase dez anos, até que em 2021 as atividades puderam ser finalmente retomadas.
Grupo tem história “sem fim” contada em filme documental (Foto: divulgação)
O documentário “Um Filme Sem Fim” será lançado neste mês de outubro, em uma circulação por escolas públicas da capital, levando para os nossos jovens um pouco da história e do talento desse importante grupo de teatro potiguar.
“Um Filme Sem Fim” tem o patrocínio da Prefeitura do Natal e Colégio CEI, via Lei Djalma Maranhão, apoio do SEBRAE-RN, realização Clowns de Shakespeare e Praieira Filmes e coprodução Bobox Produções.
Durante os últimos anos o grupo Clowns de Shakespeare passou por várias transformações. O grupo circulou por todo o Brasil e vários países da América do Sul e da Europa. Em cerca de 1300 apresentações, 26 espetáculos e inúmeras ações pedagógicas e de pesquisa, mais de setenta integrantes entre atores, atrizes e técnicos participaram dessa jornada.
O filme é um recorte pessoal de uma história que parece não ter fim. E talvez não tenha mesmo, pois já é memória enquanto ainda está sendo escrita: o registro de um trabalho coletivo que é feito da mesma matéria dos sonhos.
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Espetáculo teve apresentação em palco europeu (Foto: Paulo Demétrio)
Após temporada na Europa – dentro da programação da Mostra São Palco, em Portugal – o premiado espetáculo “A Invenção do Nordeste”, do grupo potiguar Carmim, chega ao palco do Teatro Riachuelo (Natal) no dia 23 de outubro – domingo. Com produção da Jorge Elali Produções, a apresentação faz parte do projeto Palco Natal.
A peça terá início às 19 horas.
A peça aborda o surgimento e a trajetória histórica da região nordeste, propondo a desconstrução da imagem estereotipada do nordestino. Motivada por reações xenófobas, manifestadas na internet durante as eleições de 2014, a atriz e diretora Quitéria Kelly encontra, na obra de Durval Muniz de Albuquerque Júnior – “A Invenção do Nordeste e Outras Artes” – um ponto de partida para refletir as divisões sociais brasileiras.
Enredo
Durante a pesquisa, o Carmin mergulhou nos mecanismos estéticos, históricos e culturais que contribuíram para a formação de uma visão reducionista do Nordeste brasileiro. A partir daí, Pablo Capistrano e Henrique Fontes escreveram uma autoficção, onde um diretor é contratado por uma grande produtora de fora do Nordeste para preparar dois atores norte-rio-grandenses na disputa pelo papel de um personagem nordestino.
Durante a preparação, a identidade nordestina entra em xeque, os atores refletem sobre sua identidade, cultura, história pessoal e descobrem que ser e viver um personagem nordestino não é tarefa simples. Afinal, existiria apenas uma identidade nordestina?
Ingressos
Bilheteria do Teatro: Shopping Midway Mall – Av. Bernardo Vieira 3775 – piso L3 (terça a sábado, das 14h às 20h).
Mossoró recebe desde essa quarta-feira (14) o Encontro Internacional de Artes Cênicas do RN, com exibições gratuitas de espetáculos de dança, teatro e circo, em diversos pontos da cidade. Programação segue até o domingo (18). Em Natal será de 19 a 23 de setembro.
A Mulher Monstro é uma das apresentações da temporada em Mossoró (Foto: Brunno Martins)
Um dos destaques da programação deste final de semana é a apresentação do espetáculo “A Mulher Monstro”, da S.E.M. Companhia de Teatro. O espetáculo tem sessão gratuita no sábado (17), às 21h, na Praça Cícero Dias – em frente ao Teatro Municipal Dix-huit Rosado.
A peça é baseada na Mulher Monga/Konga dos parques e circos nordestinos e investiga a linguagem Drag Queen, com inspiração nas sátiras do Teatro de Revista.
“A Mulher Monstro”, encenada pelo ator José Neto Barbosa, venceu os Prêmios Copergás de Melhor Ator e Melhor Espetáculo do Festival Internacional Janeiro de Grandes Espetáculos de Pernambuco, em 2022.
Roda de conversa
A Praça Cícero Dias recebe ainda, no dia 17, uma roda de conversa sobre os programas artísticos ibero-americanos, com Fabiano Carneiro (Iberescena) e Carlos Gomes (Itaú Cultural), e uma Intervenção urbana com a Cia. HIP HOP Coletivo Pé de Barro e Felipe Luiz BBOY FELP. Tudo isso a partir das 17h.
“Bye, Bye, Natal” é um musical a ser apresentado no Lauro Monte Filho (Foto: Brunno Martins)
Já no domingo (18), o público vai poder conferir a exibição da Mostra Internacional de Videodança e a apresentação do espetáculo “Bye Bye, Natal”, às 20h30, no Teatro Lauro Monte Filho. Ele retrata de forma cômica e inusitada o agito provocado pela presença americana no Rio Grande do Norte, nos anos 40, com roteiro e música original de Danilo Guanais, texto de Racine Santos e direção cênica de Diana Fontes.
O musical, que será executado com banda ao vivo, ganhou em 2018 o Prêmio Brasil Musical, como melhor espetáculo do gênero no Nordeste. Para assistir ao “Bye Bye, Natal” deve ser feita reserva antecipada dos ingressos através deste endereço: linktr.ee/encontrodeartesrn
O Encontro Internacional de Artes Cênicas do RN conta com patrocínio dos Hotéis Holliday In e Praiamar Express Hotel, através da Prefeitura do Natal e Lei Djalma Maranhão. Tem ainda o apoio do SESI, Fecomércio, SESC RN, UERN e UFERSA . A realização é de Diana Fontes – Direção e Produção Cultural.
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Prefeito não deu detalhes do que planeja para a “companhia” do Chuva de Bala (Fotos: Allan Phablo)
Na estreia da temporada 2022 do “Chuva de Bala no País de Mossoró” (veja AQUI e AQUI), o prefeito Allyson Bezerra (Solidariedade) anunciou uma novidade que pretende implementar em relação ao espetáculo. Vai trabalhar a montagem de uma companhia fixa e outra (ou outras) itinerante, para percorrer o RN e outros estados da federação, fomentando a cultura, história e turismo mossoroenses.
Ele falou da proposta – sem maior detalhamento – no adro da igreja de São Vicente, Centro, nessa quinta-feira (9).
Segue um conceito adotado pelo Cirque du Soleil (Circo do Sol), grupo multinacional de entretenimento, sediado na cidade de Montreal, Canadá. Foi fundado em junho de 1984. Lá fica a sede, para recrutar pessoal, treinar e organizar espetáculos sempre temáticos, que são apresentados na cidade e em todos os continentes.
A iniciativa permitirá que o “Chuva” tenha apresentação o ano todo, nos mais diversos locais, oportunizando trabalho para artistas locais (absoluta prioridade) praticamente o ano todo. Abrirá caminho também à formação e qualificação de jovens talentos de Mossoró e região.
Estreia teve muitas novidades e qualidade sob direção de Diana Fontes (Foto: Allan Phablo)
As apresentações do espetáculo seguem nos dias: 10, 11, 12, 16, 17, 18, 19, 23 e 24 deste mês sempre as 21h no adro da Capela de São Vicente. A direção é de Diana Fontes.
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A última peça de teatro que eu assisti, se não estou enganado, foi “A morte acidental de um anarquista” (“Morte accidentale di un anarchico”, de 1970), de Dário Fo (1926-2016). A produção tinha direção de Hugo Coelho, com Dan Stulbach no papel principal.
Foi no Teatro Tuca, da PUC/SP, onde por coincidência estudei. Ainda me lembro dos atores entrando em cena cantando uma versão da música “Os alquimistas estão chegando” (e, no caso, eram os “anarquistas”), do nosso Jorge Ben Jor. Acho que foi no comecinho de 2017. Como o tempo passa e como a pandemia nos tirou alguns prazeres da vida (falo de ir ao teatro ou ao cinema).
A morte acidental de um anarquista (Foto: divulgação)
O italiano Dario Fo, o autor da peça em questão, foi um bocado de coisas na vida. Estudou arquitetura. Recusou a guerra ao lado dos fascistas (seus pais eram da Resistência). Foi a partir da arquitetura, apaixonando-se pela cenografia teatral, que Fo “pôs o pé da profissão”, como diria o nosso Milton Nascimento. A profissão de artista como um todo, já que Fo foi ator, comediante, cantor, compositor, cenográfo, diretor de teatro, dramaturgo e por aí vai.
Esquerdista, talvez anarquista ou mesmo apenas anti-establishment, Fo meteu-se até com a política (que não deixa de ser uma forma de “arte”, manejada, para o bem ou para mal, por grandes ou pequenos “artistas”). Mas foi como dramaturgo, claro, que Fo se consagrou. Foi muito popular em vida. Traduzidíssimo, provavelmente chegou a ser o autor mais representado no palco do mundo. “Mistero Buffo” (1969), “Morte accidentale di un anarchico” (1970) e “Non Si Paga! Non Si Paga!” (1974) foram e são sucessos retumbantes. Ele arrebatou, merecidademente, o Nobel de literatura de 1997.
Na verdade, como dito no manual “Gli spilli fissano le idee – Letteratura Italiana 3” (Edizione Alpha Test, 2016), Fo é o criador de uma obra agudamente satírica e profana – anticlerical mesmo, numa Itália profundamente católica –, “que se inspira em questões históricas, políticas e atuais”.
E, como completa o guia “Tutto Letteratura Italiana” (De Agostine Editore, 2005), “definindo-se como ‘palhaço do povo’, ‘comediante itinerante da arte’, Fo liga-se à tradição da comedia dell’arte para recriar um espetáculo aberto, capaz de envolver o público, graças a uma comédia que faz uso de misturas dialetais e invenções linguísticas, interpretadas com força histriônica e com uma mímica irrefreável”. Acrescento: há muitos monólogos e improvisações no teatro de Dario Fo.
É nesse contexto, que mistura história, política, fantasia e crítica inteligente, que entra a peça “A morte acidental de um anarquista”. Antes de tudo, ela parte de um fato real, o famoso “Atentado da Piazza Fontana”, de 1969. Um ato terrorista, em Milão, em que uma bomba acaba matando quase duas dezenas e ferindo quase uma centena de pessoas. A ação foi atribuída inicialmente a supostos anarquistas.
Um deles acaba morrendo/suicidando-se – alegadamente teria caído/pulado do prédio da polícia – durante o interrogatório. Isso gera ainda mais violência e vingança. De toda sorte, posteriormente, o “Atentado da Piazza Fontana” é atribuído a grupos de direita, que queriam fomentar a repressão. O resto é mistério da história.
Basicamente (não vou fazer spolier), a peça visa reinterpretar a coisa, partindo da “morte acidental do anarquista”, com muita ironia e perspicácia. Na produção que assisti, Dan Stulbach faz o papel de um louco, cuja patologia é fingir ser outras pessoas, detido então por falsa identidade.
A confusão na delegacia está feita. O louco aproveita a deixa e se passa por muita gente, inclusive pelo juiz da investigação da “morte acidental” do anarquista. O juiz-louco, que assume várias identidades, engana a todos. A imprensa e a população tomam partido. Ele desmonta o poder. “Mas o que teria se passado ali realmente?”, acho que ainda perguntamos.
“A morte acidental de um anarquista” é uma obra com mais de cinquenta anos. Mas, como um clássico da literatura, é ainda bastante atual. O ano que assisti à produção foi 2017. Tínhamos, aqui no Brasil, os nossos juízes. Ainda me lembro das improvisações.
Desde a entrada em cena dos “anarquistas” ao som de Jorge Ben Jor às manifestações sobre o nosso juiz-herói de então. O ano agora é 2022. E hoje perguntamos, entre nós, sobre a nossa história: “o que, de fato, aconteceu?”, “que peça está faltando?”.
Marcelo Alves Dias de Souza é Doutor em Direito (PhD in Law) pelo King’s College London – KCL
O que lhe incomoda? O que lhe tira do sério, leva-o a perde o norte, as estribeiras? É o universo que A Máscara de Teatro busca enveredar em seu novo trabalho intitulado “Desassossegos”.
A estreia nacional de Desassossego acontecerá no dia 28 (quinta-feira da próxima semana), às 20h, no canal da Máscara de Teatro no youtube (//www.youtube.com/c/AMascaradeTeatro01), com direção do consagrado Marcelo Flecha.
Após a exibição, o diretor e elenco aguardam o público para um bate-papo online e aberto a todos os expectadores e interessados em discutir o trabalho em uma videoconferência pela plataforma google meet. O link será disponibilizado na discrição do vídeo.
E para aqueles que estão buscando responder as perguntas do início deste texto, Marcelo Flecha alerta: “cada um de nós deve sentir a certeza da qualidade entregue, e a profunda satisfação de ter realizado um trabalho honesto, digno, e muito, muito potente”.
Sinopse
Desassossegos é a abertura de processo do novo espetáculo da Cia. A Máscara de Teatro. Na peça de autoficção, a atriz Luciana Duarte e o ator Jeyzon Leonardo buscam penetrar no âmago das suas angústias, sem filtros estéticos nem cosméticas psíquicas. É o desabafo dos seus desassossegos, e pulsa mais como um manifesto exigindo que deixem o artista respirar.
Ficha Técnica
Direção: Marcelo Flecha
Produção Executiva: Luciana Duarte
Dramaturgia: Marcelo Flecha, Luciana Duarte e Jeyzon Leonardo
Elenco: Luciana Duarte, Jeyzon Leonardo, Marcelo Flecha e Andreilson de Castro
Captação de Imagens: Andreilson de Castro (Marcelo Flecha – Leitura da justificativa)
Edição de Vídeo e Áudio: Andreilson de Castro
Designer Gráfico: Jeyzon Leonardo
Realização: Cia A Máscara de Teatro
Agradecimentos: Hotel Villa Oeste, Mármores e Granitos, Daniela Rosado, Priscila Dorcas, Francisca Ferreira (Leleta), Chrystian de Saboya e Tony Silva.
Créditos Institucionais: Este projeto está sendo executado com recursos do Prêmio Fomento de Incentivo à Cultura Maurício de Oliveira 2019 e no edital de Fomento à Cultura Potiguar 2019
A Máscara
A Máscara de Teatro existe desde 1999 e conta com uma trajetória cheia de experiências e aventuras teatrais vividas não só em Mossoró, mas também, em todo o país. Com uma lista de grandes espetáculos, a Viagem de um barquinho (2004), Medeia (2005), Deus Danado (2007), Viagem Aos Campos de Alfenim (2014), Dois (2015) e A Farsa (2018) e Percursus (2021).
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A ópera “O Empresário” estreia a partir das 20h desta sexta-feira (15), no Teatro Lauro Monte Filho. O projeto pioneiro da Companhia Lyricus ficará em cartaz até domingo (17). Essa é a primeira ópera montada em Mossoró, um espetáculo que representa música erudita, o teatro, a dança, a literatura. “O Empresário” é uma livre adaptação em português da ópera em 1 ato “Der Schauspieldirektor”, de W. Amadeus Mozart.
O espetáculo será apresentado no sábado (16) e no domingo (17), às 20h. Os ingressos estão sendo vendidos a preço popular no valor de R$ 20 e podem ser adquiridos na Escola de Artes de Mossoró, até sexta-feira, das 8h às 17h. Os ingressos também serão comercializados a partir das 15h de sexta, sábado e domingo, na bilheteria do Teatro Lauro Monte Filho.
Esse espetáculo operístico foi aprovado no projeto “Erudito Pelo Não Dito”, e está sendo realizado com recursos do edital do chamamento público nº 005/2020 da Lei Aldir Blanc da Secretaria Municipal da Cultura, da Prefeitura Municipal de Mossoró, do Ministério do Turismo e Governo Federal.
A Companhia Lyricus surgiu em 2017, a partir das professoras Claudia Max e Tatyana Xavier, como estratégia de fomentar o canto lírico na cidade de Mossoró. O grupo vem desenvolvendo um trabalho tanto a vertente do canto erudito quanto a vertente da MPB e de grandes clássicos da música universal de todos os tempos.
A partir desse trabalho pioneiro e de excelência, a Companhia Lyricus vem se destacando no cenário artístico-musical da cidade, já tendo realizado várias apresentações, shows, musicais, produzindo grandes espetáculos, tais como Grandes Clássicos Infantis in Concert, Passione, Cantos della terra e Árias e Canções.
Ficha Técnica:
Músicos instrumentistas Quarteto de Cordas Mozartianos: Keyvison Danilo (primeiro violino), Isaac Rufino (segundo violino), Lucas Almeida (viola), Jonathan Rodrigues (violoncelo);
Pianista convidado: Heber Jamin;
Direção artística, produção-geral e versão em português das músicas: Claudia Max;
Direção musical e arranjo para orquestra de câmara: Kleiton D’Araújo;
Direção cênica e livre adaptação do texto: Leo Wagner;
Produção executiva: Manu Aires;
Preparação vocal: Tatyana Xavier;
Cenografia: Damásio Costa;
Figurinos: Marcos Leonardo;
Maquiagem: Joriana e Manu P.;
Iluminação: Alex Peteka;
Design das artes: Felipe Nobre.
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Henrik Ibsen (1828-1906), o genial dramaturgo, nasceu numa pequena vila portuária da Noruega. Mas o seu teatro (ele foi também diretor) e a sua poesia não mimetizaram a gelidez da sua terra natal. Ao contrário, ele foi um dos precursores do realismo e do modernismo nas artes cênicas. Fez escândalo, na verdade. Era um “denunciante” de falsos moralismos e coisas que tais. Algumas de suas peças são conhecidíssimas: “Peer Gynt” (1867), “Casa de Bonecas” (1879), “Um Inimigo do Povo” (1882), “O Pato Selvagem” (1884) e por aí vai. Alguns dizem ser ele, no seu métier, o segundo, apenas atrás de Shakespeare (1564-1616). E gigantes do teatro, gente como Gerhart Hauptmann (1862-1946), George Bernard Shaw (1856-1950), Oscar Wilde (1854-1900) e Eugene O’Neill (1888-1953), lhe pagaram tributo.
Ibsen perambulou muitos anos pela Europa. Sobretudo pela Itália e Alemanha. Quem viaja, se sabido, enxerga longe. Faleceu, em glória mas já inválido, na capital Oslo.
Para se ter uma ideia do tamanho de Ibsen, colho um trecho do “Ensaio sobre Henrik Ibsen”, de Otto Maria Carpeaux, que consta de um pequeno livro de bolso, intitulado “Seis Dramas” (parte 1), coleção “Mestres Pensadores”, da Editora Escala:
“Henrik Ibsen é o maior dramaturgo do século XIX. O superlativo – superlativos têm sempre qualquer coisa de exagero – justifica-se desta vez, com toda facilidade. Goethe, Schiller e Alfieri pertencem inteiramente, ou pela maior parte da obra, ao século XVIII; Tchekov significa um crepúsculo melancólico; Strindberg já é o século XX. E na época entre o começo e o fim do século? Os epígonos não contam; a glória do teatro romântico francês já passou. Kleist, Georg Buechner e Gogol, três gênios dramáticos, que não se realizaram inteiramente. Quem há mais? O teatro realista francês, Augier, Dumas Filho, só tem hoje interesse como precursor de Ibsen, que lhe tomou emprestados os processos cênicos e os ambientes burgueses; Hauptmann e Shaw já confessam que o próprio Ibsen foi o ponto de partida das suas obras. Ficam ainda dois grandes nomes: Hebbel e Bjørnson. Em Hebbel a crítica literária reconhece hoje a substância ibseniana, prejudicada pelos artificialismos do epigonismo classicista; Hebbel desapareceu do palco onde apareceu Ibsen. Bjørnson, o patrício de Ibsen, e seu companheiro e inimigo inseparável durante a vida inteira, empalideceu cada vez mais ao lado do rival maior; dia virá – já veio talvez – em que a vida e a obra de Bjørnson servirão apenas para esclarecer melhor a vida e a obra de Henrik Ibsen”.
O genial dramaturgo participa de todas as virtudes (e dos defeitos também, claro) do seu século. Um século, o XIX, que se orgulhava de ser o “século da ciência e da técnica”. Ibsen se preocupava com as descobertas da ciência, com as maravilhas e as angústias que os processos científicos provocam, e tinha a esperança, em razão das intervenções da ciência, num futuro melhor para a humanidade. E aqui jogo luz sobre a peça “Um Inimigo do Povo”, de 1882, cujo protagonista é um médico local que casualmente descobre e investiga a contaminação das águas de um balneário de uma pequena cidade norueguesa.
O médico imagina ser aclamado por haver descoberto, através da ciência, a verdade. Por salvar a todos, locais e turistas, da infecção/doença generalizada. Mas “algo” fala mais alto. Do negacionismo a outros interesses menos confessáveis. Os habitantes se viram contra ele, o “inimigo do povo”. E a desgraça, individual e coletiva, está feita. Pelo menos para os de bom-senso, lembrando que a ciência, dizia o nosso Rubem Alves (1933-2014), nada mais é que o bom-senso organizado.
Se evitar contaminação e doenças parece bom-senso – pelo menos para os de bom-senso –, isso não se mostra tão óbvio para aqueles outrora chamados de fanáticos loucos, e hoje, eufemisticamente, apenas apelidados de negacionistas.
Se na fábula de Ibsen foi assim, hoje, quem alerta para a gravidade da nossa situação sanitária, para o número absurdo de mortes, para o charlatanismo de remédios ineficazes, para o impacto atual e futuro da política/visão negacionista, inclusive sob o ponto de vista econômico, é taxado por alguns de torcer pelo “quanto pior, melhor”, pelo “vírus” ou de outras baboseiras/loucuras mais. É luta.
Afirmar a dura verdade e a ciência, ou simplesmente o bom-senso organizado, nos torna “um inimigo dos loucos”.
Marcelo Alves Dias de Souza é procurador Regional da República e doutor em Direito (PhD in Law) pelo King’s College London – KCL
“Escravo” é um escultor de grande talento e figura como destaque de hoje (Foto: TCM)
O Departamento de Jornalismo da TCM exibe nesta sexta-feira (04), às 18h, no Jornal TCM, mais um episódio do quadro/série cultural “Meu Palco”. A produção especial destaca talentos de grandes artistas da cena cultural mossoroense, com foco em diversas linguagens como teatro, dança, música e esculturas.
Hoje, a história em destaque é do renomado escultor, Escravo da Arte.
O quadro cultural composto por entrevistas é exibido às sextas-feiras. A primeira entrevista especial teve como primeira convidada, a renomada atriz Tony Silva; e a segunda contou com Chico Window, atual diretor do Teatro Municipal Dix-Huit Rosado.
O palco da série é o Teatro Municipal Dix-Huit Rosado e durante a produção jornalística os artistas falam sobre seus trabalhos, trajetórias profissionais, de que forma a arte está resistindo em meio à pandemia, entre outros pontos. As entrevistas são conduzidas pela repórter Luiza Gurgel, que também tem atuações na dança e no teatro.
Acompanhe o quadro “Meu Palco” no Jornal TCM, pelo Canal TCM 10HD, pelo App TCM 10 Play ou pelo site www.tcmplay.tv.br.
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O segundo programa Carlos Santos – AOS VIVOS dessa segunda-feira (25 de Maio de 2020) recebeu a cantora e produtora cultural Khatarina Gurgel, em nosso endereço no Instagram AQUI.
A gente falou sobre teatro, crônicas, música, família e um monte de abobrinhas.
Confira no vídeo fixado nessa postagem, o papo leve que rolou com a participação dos internautas.
Experiência
O Carlos Santos – AOS VIVOS é um projeto experimental, embrionário e laboratorial. Antecede investimento mais esmerado desta página, a ser desenvolvido adiante, em que pretendemos instigar o colaboracionismo de internautas e convergência de mídias num ambiente multiplataforma.
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