Walter Alves coloca sucessão noutro patamar (Arte ilustrativa em foto do Diário do RN, com uso de recurso de Inteligência Artificial para o BCS)
Cá para nós e o povo da rua:
O vice-governador Walter Alves (MDB) embaralhou a sucessão estadual.
Sua decisão – que parece irreversível – de não assumir o governo a partir de abril do próximo ano, reposicionando-se no tabuleiro do jogo político de 2026, é um abalo sísmico.
Mexe com as estruturas do governismo e coloca a oposição para repensar e estudar cenários.
Se realmente evitar comandar o Governo do RN, o vice-governador Walter Alves (MDB) não ficará apenas guiando seu partido nas campanhas à Câmara Federal e à Assembleia Legislativa em 2026.
Existe um “Plano A.”
“Waltinho” voltará seu foco pessoal por uma vaga de deputado estadual, onde estreou na vida pública.
Ele foi eleito à Assembleia Legislativa do RN em 2006, com 55.296 votos (segundo mais votado). Já em 2010, reeleito com 50.587 (terceiro mais votado), além de federal em 2014 e 2018. Em 2022 o seu nome foi encaixado como vice na campanha à reeleição da governadora Fátima Bezerra (PT).
Retornar a esse poder não seria fracasso ou recuo, mas reordenamento de plano para novos saltos.
Coerente e racional, que se diga.
Afinal de contas, Waltinho tem apenas 45 anos (27 de fevereiro de 1980).
Há uma vida pela frente, como herdeiro político do ex-deputado estadual, ex-prefeito de Natal, ex-governador e ex-senador Garibaldi Alves Filho (MDB).
Fátima, Lula, Walter e dirigente petista Gleisi Hoffmann em 2022: o presidenciável decidiu em 2022 (Foto: Arquivo)
Encontro dois amigos petistas de origem e de longo curso. Um deles lança duas previsões vinculantes. Duas em uma: “A governadora Fátima Bezerra (PT) vai ficar até o fim do segundo mandato. Ela não concorrerá ao Senado.”
Retruco na hora: “Será candidata ao Senado e, portanto, não concluirá o mandato.”
Fixado o impasse, cada lado passou a seu arrazoado. Tese e antítese, em busca de uma conclusão.
“A governadora não vai deixar o governo de mão beijada para um Alves (vice-governador Walter Alves-MDB),” ouço. Ela mesma foi clara em entrevista no Podcast de Thaísa Galvão,” suplementa.
De fato, a governadora em entrevista à jornalista e blogueira Thaísa Galvão, dia 25 de setembro último, admitiu essa possibilidade. Implicitamente atingiu o seu vice, como se antecipasse que ele não tem chance mínima de ser o candidato a governador do sistema. Cutucou a onça com vara curta.
“Uma hipótese que eu tenho que ser muito franca, muito sincera, é sim cumprir na íntegra meu mandato e cuidar da minha sucessão. Eu posso ficar até 31 de dezembro e cuidar da sucessão,” afirmou Fátima no Podcast.
Meu interlocutor cita o exemplo da Bahia em 2022, para arrimar sua tese. “O governador Rui Costa não concorreu ao Senado e ficou até o fim do mandato, mesmo tendo uma eleição certa.”
Vamos entender o que correu na Bahia. Seis e meia dúzia não são a mesma coisa aqui.
O governador Rui Costa (PT) realmente seguiu no cargo até o fim, 31 de dezembro de 2022, abrindo caminho para que o então secretário de Educação, Jerônimo Rodrigues (PT), fosse eleito à sua sucessão. O petista venceu ACM Neto (DEM, hoje União Brasil).
Aliado do Partido dos Trabalhadores, o senador Otto Alencar (PSD-BA) não quis correr o risco de disputar o governo estadual, como defendia uma ala do PT e o presidenciável Lula (PT). E o partido evitou colocar em xeque a aliança com PSD, no estado, se lançasse Rui Costa contra Alencar. Vale lembrar que não foi uma situação nova na Bahia.
Costa foi o segundo governador a continuar no cargo na Bahia (Foto: Jonne Roriz/Veja/Arquivo)
O atual senador Jacques Wagner (PT) ficou até o fim do segundo mandato de governador em 2014, viabilizando outro candidato petista – o próprio Rui Costa. O PP indicou o vice João Leão e o PSD apresentou Otto Alencar, vice-governador de Wagner, ao Senado. O arranjo deu certo naquele ano e continuou em 2018.
Os sacrifícios assumidos em 2014, 2018 e 2022, na Bahia, tinham uma razão: manter coalizão de forças poderosas: PT, PSD e PP. Mesmo assim, houve baixa. Ano passado, o PP rompeu essa composição e o lugar de vice acabou ficando para o MDB, com Geraldo Júnior.
No RN, pelo que transpirou a governadora à Thaísa, a razão disfarçada seria impedir seu vice Walter Alves de ser candidato do PT. Ora, ora. Portanto, ínfima semelhança com a situação da Bahia em 2022.
Para não se calar, meu interlocutor insiste: “O PT não vai dar o governo de mão beijada a ‘Waltinho’.” E reforça: “Fátima não quer.”
Reajo.
Fátima não terá vontade própria na hora de decidir a chapa de 2026, como não teve em 2022. Tudo foi resolvido ‘democraticamente’ por quem manda: Lula. Ele retirou o nome preferido da governadora e pré-candidata à reeleição, seu vice Antenor Roberto (PCdoB), fixando Waltinho no lugar.
Lula fez o que os baianos aprenderam há mais tempo: política. Candidato presidencial, ele precisava do MDB e sua capilaridade nacional, à vitória contra Jair Bolsonaro (PL). Walter Alves vice era uma das exigências do emedebismo. E assim aconteceu.
Para 2026, de novo quem manda vai decidir e os aliados e devotos no RN vão baixar a cabeça, murchar as orelhas e obedecer. Se Lula quiser Walter Alves candidato a governador, se precisar dele nessa posição, assim vai acontecer.
Deixei o germe da desconfiança na cabeça dos meus amigos petistas. Como nenhum de nós tem bola de cristal, vamos dar tempo ao tempo. E seguirmos em frente nessa amizade.
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Na coluna Cena Urbana do jornalista Vicente Serejo, no Tribuna do Norte, uma pergunta que não quer calar. Ele escreve, com fina ironia:
Walter postou essa foto ao lado de Ezequiel, em suas redes sociais – dia 20 de março (Reprodução BCS)
CADÊ?
O que foi feito da foto do risonho aperto de mão de Walter Alves (MDB) e Ezequiel Ferreira (PSDB) festejando a chapa para o governo e o ex-ministro Rogério Marinho para senador da República?
‘Taqui‘ a foto, Vicente, postada novamente nessa página. Foi veiculada no dia 20 de março passado (um domingo) em redes sociais do deputado federal Walter Alves e muita gente da própria imprensa caiu no máxima universal de que “a primeira imagem é a que fica”.
A manifestação de vontade suplantou a opinião e análise racionais.
Duvidamos, questionamos e deixamos em aberto que foto não representava uma chapa. Era uma forma de pressão sobre a governadora Fátima Bezerra (PT), para se decidir pela comunhão com ambos.
Semanas antes, no dia 30 de janeiro, também um domingo, foi postada foto de Ezequiel ao lado de correligionários, insinuando-se que seria candidato a governador. A imagem foi pulverizada em escala industrial em redes sociais. Porém, a gente analisou a fragilidade de mais um Sobe, sobe balãozinho…
Ezequiel (centro) recebe políticos e aliados do interior e capital (Foto: Blog do BG, em 30 de janeiro)
Antes, em 2 de fevereiro traçamos perfil de supostos pré-candidatos na oposição e afirmamos textualmente que Ezequiel Ferreira seria candidato à reeleição – Oposição mostra em nomes e atitudes o medo de disputar governo. Não é, não será – afirmamos. Bingo!
Quanto a Walter Alves, o “Waltinho”, ele nunca quis estar na oposição. Sempre cavou espaço na chapa de Fátima.
Há tempos, que essa costura política iniciada ano passado pelo ex-presidente Lula abriu caminho à composição Fátima-Walter. Dia 1º último postamos – Falta pouco para o anúncio da chapa Fátima-Walter.
Essa semana (quinta-feira, 7) coube à presidenciável do MDB, senadora Simone Tebet, dizer em alto e bom som à FM 98 de Natal exatamente isso. Bingo!
Falta agora a foto oficial de ambos. Ezequiel vai ficar fora dela.
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Presidente estadual do PCdoB, Divanilton Pereira divulga texto que assina, sob o título “PCdoB – Amplitude política exige reforçamento da Unidade Popular”. Em síntese, defende manutenção da chapa Fátima Bezerra (PT)-Antenor Roberto (PCdoB) à reeleição e vê com preocupação a chegada de apoios e mudança dessa formação.
Para Divanilton, uma mudança brusca na chapa poderá ter consequências danosas no futuro (Foto: web)
“Há dias, o PCdoB foi comunicado pela Governadora sobre as suas tratativas com outras forças políticas e partidárias para virem ocupar a Vice-governadoria. Agora, após o processo da janela partidária e as dificuldades do campo oposicionista, esse cenário ganha novas dimensões e especulações”, registra.
Segundo ele, “tal esforço de ampliação (de forças) não pode se dar à custa do enfraquecimento da unidade popular que, no RN, constitui o núcleo estratégico do atual Governo. Por que então mudar essa exitosa configuração? A história provavelmente responderá.”
Fátima e Walter
O Canal BCS (Blog Carlos Santos) antecipou há vários dias (veja AQUI) que o deputado federal Walter Alves (MDB) era pule de dez para ser o novo vice de Fátima Bezerra. Sábado (3), por exemplo, ele foi convidado para mais uma rodada ‘decisiva’ de negociação no bloco bolsonarista e avisou que não participaria (veja AQUI).
No domingo (4), até esteve reunido pessoalmente com Fátima Bezerra. “Waltinho” é um nome desejado pelo ex-presidente Lula (PT) para selar apoio do MDB. Ao contrário do que setores da imprensa da capital noticiam, as conversas entre governismo e o MDB local não foram retomados agora, mas continuaram.
O PCdoB de Divanilton Pereira sabe muito bem.
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Notícia dada pelo deputado federal Walter Alves (MDB) há poucos horas, em suas redes sociais, muda tudo, novamente e de novo, na sucessão estadual do RN – versão 2022.
Walter postou essa foto ao lado de Ezequiel, hoje, em suas redes sociais (Reprodução BCS)
“Em reunião realizada hoje (domingo, 20) com o presidente do PSDB-RN, deputado estadual Ezequiel Ferreira, tomamos a decisão de caminharmos juntos nas eleições deste ano. Parceria forte em prol do Rio Grande do Norte. Agradeço a confiança do amigo Ezequiel”, publicou “Waltinho”.
Porém, outra vez, não ficou claro, claríssimo, se ambos estão afinados para uma decisão comum ou se essa posição já seria de formação de chapa: Ezequiel, governador; Walter, vice.
Precisou entrar em cena o pai de Walter Alves, ex-senador e pré-candidato a deputado federal Garibaldi Filho (MDB), para praticamente esclarecer tudo. Ou pelo menos tentar. Arriscou, que se diga.
Em conversa com o jornalista Heitor Gregório, do Tribuna do Norte e blog que leva seu nome, o ex-senador afirmou: “A informação que eu tenho é essa. Ezequiel será candidato a governador, Walter o vice e Rogério Marinho (PL) para o Senado”.
“Posso publicar, Senador?” – cobrou o jornalista.
– Se você quiser ‘arriscar’, pode publicar, porque Ezequiel disse que só quem fala por ele é ele próprio. Mas, a informação que recebi é que essa chapa está formada – soltou Garibaldi Filho, passando a responsabilidade para o interlocutor da imprensa.
Até sábado (19), a aliança PT-MDB estava certa, como desdobramento de conversa entre Waltinho e a própria governadora Fátima Bezerra à semana passada (veja AQUI e AQUI) bastidores.
Hoje, muda tudo. Giro de 180 graus.
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