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Codicismos

Por Marcelo Alves

Imagem gerada com recursos de Inteligência Artificial para o BCS
Imagem gerada com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Nos sistemas jurídicos filiados à tradição romano-germânica, tem vigorado o primado da lei, fonte quase que exclusiva do direito. E, mais do que isso, a partir do século XVIII, ocorre na Europa um movimento codificador, que encontrou o seu ápice no Código Napoleônico, precursor das muitas codificações modernas, granjeando o aplauso tanto de legisladores como de estudiosos do direito, da época e de hoje.

Houve até um tempo de um tipo de “codicismo”, digamos, hiperinflacionado. Nos albores da vigência do Código Napoleônico, sob o domínio da Escola da Exegese, a lei era aplicada exatamente como ela estava escrita, sem fazer “interpretações”, mesmo que fossem necessárias. Para os defensores desse tipo de “codicismo”, não havia um só caso concreto que não fosse previsto no Código. Nenhuma hermenêutica, ainda mais quando externa ao texto codificado, era minimamente permitida. Dogmatismo legal à décima potência.

Argumentos em prol da supremacia da codificação das leis são fáceis de colecionar. Anota Felix M. Calvo Vidal (em “La Jurisprudencia: fuente del Derecho?”, Editora Lex Nova, 1992) que os “critérios de segurança, de permanência, de estabilidade aparecem sempre como proeminentes. Para a doutrina, a codificação apresenta uma série de vantagens que não se dão em outros casos em que o direito não haja sido condensado em normas legais harmonizadas e organizadas”. E, citando boa doutrina, arremata: “se o Código supõe uma facilidade para o teórico, não é esta menor para o prático, que sabe com relativa facilidade onde buscar com segurança as leis com as quais vai resolver um caso determinado”.

Todavia, o sistema que prega a legislação, seja ela codificada ou não, como uma única fonte do direito, mostra-se, hoje, insuficiente, sobretudo no que diz respeito à necessária correspondência entre o que está previsto em tese na legislação e a realidade nos tribunais e juízos, seja no campo do direito material, seja no campo do direito processual.

E mais: a crise por que passa o direito brasileiro, em especial o seu Poder Judiciário (frequentemente vítima de campanhas orquestradas e injustas), atinge profundamente verdades que se têm por estabelecidas. Aproveitando uma feliz assertiva do já citado Vidal, essa nova situação política e institucional há de implicar também “uma grande flexibilidade técnico-jurídica de adaptação não somente às novas circunstâncias históricas normais, mas também às circunstâncias excepcionais e transitórias”.

Foi por isso que fiquei muito feliz quando li, no site do Senado Federal, que a futura lei para regulação do dito “processo estrutural”, segundo a Comissão ali criada para elaborar o respectivo anteprojeto (presidida pelo ex-procurador-geral da República Augusto Aras), deverá “ser concisa e adaptável para assegurar resultados concretos”.

Para quem não sabe, “a expressão processo estrutural surgiu entre as décadas de 1950 e 1970 nos Estados Unidos. O termo se refere a demandas que chegam ao Poder Judiciário quando políticas públicas ou privadas são insuficientes para assegurar determinados direitos. Nesses casos, a discussão é transferida para a Justiça, que usa técnicas de cooperação e negociação para construir uma solução efetiva para o problema”. Temática importantíssima.

Meu receio era que a comissão caísse em um segundo tipo de “codicismo”, que é a mania, em voga na França até hoje, de se criar códigos, longos e detalhadíssimos, para tudo.

Mas não. O anteprojeto será curto. Terá um texto flexível, que privilegie o consenso entre as partes e não a opinião do juiz. Como afirma o relator da referida comissão de juristas, Desembargador Edilson Vitorelli, o papel do anteprojeto de lei “é não atrapalhar”, “é construir”. E, como arremata o vice-presidente da comissão, o potiguar Marcelo Navarro Ribeiro Dantas, a futura lei não pode trazer retrocessos. Há de se encontrar um texto moderado em prol da eficiência: “todos querem flexibilidade porque o processo estrutural, embora exista e funcione, trabalha na base da tentativa e do erro. Se você amarrar muito as coisas, não pode fazer experimentações. Mas essa flexibilidade não pode prejudicar o fluxo do processo estrutural porque há também um compromisso de que a coisa termine”.

Pois, então, abaixo os codicismos! E viva a moderação!

Marcelo Alves Dias de Souza é procurador Regional da República, doutor em Direito (PhD in Law) pelo King’s College London – KCL e membro da Academia Norte-rio-grandense de Letras – ANRL

Procuradoria-Geral do Trabalho tem potiguar reconduzido ao cargo

Por Eliana Lima (BZ Notícias)

José de Lima Ramos Pereira terá novo mandato a partir de agosto (Foto: MPT)
José de Lima Ramos Pereira terá novo mandato a partir de agosto (Foto: MPT)

O procurador-geral da República, Augusto Aras, decidiu reconduzir o potiguar José de Lima Ramos Pereira para novo mandato de procurador-geral do Trabalho, por mais dois anos.

Como Aras está de férias, a portaria de nomeação foi assinada pela vice-procuradora-geral da República, Lindôra Maria Araújo, e entra em vigor a partir do dia 9 de agosto. 

Currículo

O currículo de José de Lima Ramos Pereira:

Ingressou na carreira do Ministério Público do Trabalho em 1993 por concurso de provas e títulos. 

Graduado pela UFRN, com as especializações em Direito Processual Civil, sob o título “Provas Ilícitas no Processo Civil”, pela UFRN, e “Negociação Coletiva e o Processo de Arbitragem”, pelo Centro de Formação de Turim/OIT. 

Em 2017, concluiu mestrado em Direito pela Universidade Católica de Brasília, apresentando a dissertação “Direito fundamental à prova e as provas ilícitas no Processo Civil” e é doutorando em Direito na Uninove.

No Ministério Público do Trabalho, foi promovido, por merecimento, ao cargo de subprocurador-geral do Trabalho. 

Ainda exerceu várias atividades, tais como: procurador-chefe das Procuradorias Regionais do Trabalho da 7ª Região/CE, 14ª Região/RO-AC, 21ª Região/RN e 24ª Região/MS, membro da 2ª Subcâmara da Câmara de Coordenação e Revisão (CCR), coordenador nacional da Coordenadoria Nacional de Combate às Fraudes nas Relações de Trabalho (Conafret), vice-presidente do Conselho Superior do MPT (CSMPT) e participações em diversas bancas de concursos públicos de procuradores e procuradoras do Trabalho e da magistratura trabalhista. É autor de livros e artigos publicados. Pelas ações e trabalhos desenvolvidos, recebeu prêmios e títulos.

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PGR defende cassação de decisão que bloqueou contas da Caern

Aras: parecer contestador (Foto: arquivo)
Aras: parecer contestador (Foto: arquivo)

O procurador-geral da República, Augusto Aras, defendeu que a decisão da 2ª Vara do Trabalho de Mossoró (RN) de bloquear as contas da Companhia de Águas e Esgotos do Estado (Caern) para pagamento de dívidas trabalhistas deve ser cassada, por desrespeitar decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Em parecer enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), Aras afirma que a reclamação ajuizada pela estatal deve ser acolhida, uma vez que a medida questionada contrariou decisão anterior do próprio STF, que já havia suspendido bloqueios semelhantes.

O entendimento é no sentido de que, por explorar serviço público em regime de exclusividade, a empresa está sujeita à sistemática dos precatórios.

Ao julgar a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 556, em fevereiro de 2020, a Suprema Corte suspendeu a eficácia de decisões judiciais nas esferas Estadual, Federal e do Trabalho que determinaram bloqueio, penhora e liberação de valores contidos em contas bancárias da Companhia para pagamento de condenações trabalhistas, cíveis ou tributárias.

Na ocasião, os ministros consideraram que, em julgamentos anteriores – inclusive com consolidação de tese a ser seguida pelas demais instâncias da Justiça – o próprio STF assentou que empresa estatal prestadora de serviço público em regime não concorrencial está sujeita ao regime de precatórios.

Serviços prestado

A exceção a essa regra são as estatais que exerçam atividade econômica em regime de concorrência e distribuam lucros entre seus sócios, o que não é o caso da Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte.

“Verifica-se que a Caern é sociedade de economia mista que presta serviço essencialmente público – abastecimento de água e esgotos sanitários –, e de natureza não concorrencial, circunstância que lhe enseja a submissão ao regime de precatórios, conforme entendimento firmado pela Corte Suprema”, conclui o PGR no parecer.

A aplicação da sistemática dos precatórios às empresas que atuam em regime de exclusividade visa proteger a continuidade do serviço prestado à coletividade, conforme ressaltou a ministra Cármen Lúcia, relatora da ADPF 556, na época do julgamento do caso.

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STF cancela reunião com Bolsonaro, após ataques presidenciais

Do Canal Meio

Foi de surpresa. Ao encerrar na tarde de ontem a sessão no Supremo Tribunal Federal, o presidente da Corte, ministro Luiz Fux, fez um discurso duro, em tom ríspido e sem esconder a irritação, dirigido ao presidente Jair Bolsonaro. “O Presidente da República tem reiterado ofensas e ataques de inverdades a integrantes desta Corte, em especial os Ministros Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes”, afirmou.

Fux se pronunciou de forma contundente nessa quinta-feira (Reprodução BCS)
Fux se pronunciou de forma contundente nessa quinta-feira (Reprodução BCS)

“Além disso, Sua Excelência mantém a divulgação de interpretações equivocadas de decisões do Plenário, bem como insiste em colocar sob suspeição a higidez do processo eleitoral brasileiro.” Fux falou por alguns poucos minutos, não mais.

“Diante dessas circunstâncias, o Supremo Tribunal Federal informa que está cancelada a reunião outrora anunciada entre os Chefes de Poder, entre eles o Presidente da República. O pressuposto do diálogo entre os Poderes é o respeito mútuo entre as instituições e seus integrantes.” Assista à íntegra do discurso. (G1)

Ataque, resposta, recuo 

Na quarta-feira, Moraes aceitou a notícia-crime enviada pelo TSE, presidido por Barroso, e incluiu Bolsonaro no inquérito das fake news por conta de seus ataques infundados ao sistema de votação brasileiro. Ontem, Bolsonaro atacou Moraes dizendo que “a hora dele vai chegar”. (Poder360)

Em resposta, Bolsonaro vacilou no tom em sua live de quintas, que ficou por vezes na defensiva, noutras agressivo. “Daí vem a imprensa, imprensa esta que lamentavelmente o ministro Fux se alimenta dela para fazer uma nota. Ora, prezado ministro Fux, se o senhor se basear na imprensa brasileira, o senhor está desinformado.” (UOL)

Outra reunião: “Depois do pronunciamento em que cancelou a reunião entre os três Poderes, motivado pelos ataques de Jair Bolsonaro ao STF, Luiz Fux ligou para Augusto Aras (Procurador Geral da República) e marcou um encontro entre os dois para hoje. (Lauro Jardim, O Globo)

São três os assuntos: os ataques de Bolsonaro ao Supremo, os ataques de Bolsonaro ao Supremo e os ataques de Bolsonaro ao Supremo.”

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O “Poste Geral da República” e a Síndrome de Bartleby

Procurador-Geral da República, Dr. Augusto Aras - foto do UOL arquivoPor Marcos Araújo

O escritor americano Herman Melville (1819-1891), autor de Moby Dick, sua obra mais famosa, é também autor de Bartleby, o escrevente, um conto pouco conhecido. Nesse conto, o melancólico Bartleby trabalha em um escritório de advocacia em Wall Street, como escrevente, inicialmente ativo, sendo tomado depois por uma paralisia encantatória que o impede de fazer quaisquer serviços. Cada dia mais circunspecto e sem apetência para a execução das tarefas designadas pelo patrão, às determinações respondia sempre: “Eu preferia não fazer!” (I would prefer not to).

Esta pulsão negativa, o desinteresse, o não fazer nada, recebeu o diagnóstico no meio literário como a “Síndrome de Bartleby”, por parêmia ao escrevente preguiçoso. No conto, Bartleby vive sempre na penumbra, inapetente ao cargo e relutante ao cumprimento do seu ofício. Seu rosto fletia uma permanente tristeza. No original está registrado: “Ainda posso ver-lhe as feições – sua fragilidade asseada, sua miséria apresentável, sua ruina insondável! Era Bartleby.” (“I can see that figure now – pallidly neat, pitiably respectable, incurably forlorn! It was Bartleby.” ).

O escrevente, para passar despercebida a sua inatividade, se postava atrás de um biombo,. Ele chega a dizer “I would prefer to be left alone here” (Eu preferiria que me deixassem sozinho aqui, sendo que este “aqui” era atrás do biombo). De tão amorfo e sem motivação, Bartleby era um morto-vivo. O personagem parecia traduzir nas feições a célebre frase do escritor Albert Camus: “os homens morrem e não são felizes”.

Pois bem. Transpondo os umbrais da mítica literária, o personagem de Melville pode ser comparado atualmente com o nosso Procurador-Geral da República, Dr. Augusto Aras. Tem ele demonstrado uma letárgica inapetência para o desiderato do seu cargo e desidiosa omissão no cumprimento das atribuições funcionais instituídas pela Constituição Federal, simbolicamente o seu “patrão”, especialmente quando se trata de apurar os crimes cometidos por integrantes do governo ou apoiadores de Bolsonaro. Adestra-se à cômoda posição da não-investigação.

O professor de Direito Constitucional da USP, Conrado Hubner Mendes, em artigo recente no jornal Folha de São Paulo, chamou Augusto Aras de “Poste Geral da República” e “servo do presidente”, por ter “engavetado investigações criminais contra Damares por agressão a governadores; contra o Ministro Heleno por ameaça ao STF; contra a Deputada Carla Zambelli por tráfico de influência; contra Eduardo Bolsonaro por subversão da ordem política ao sugerir golpe”. Por isso, integraria “o bando servil”.

No ano passado, Augusto Aras pediu o arquivamento de investigações contra o Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Também a seu pedido, o Ministro Dias Toffoli do STF mandou arquivar três inquéritos abertos com base no acordo de delação premiada fechado pela Polícia Federal com o ex-governador do Rio Sérgio Cabral. Os inquéritos, que tramitavam em sigilo no Supremo, tinham como alvos ministros do Superior Tribunal de Justiça e do Tribunal de Contas da União. Na decisão mais recente, no início deste mês, Aras não quis investigar o pagamento de dinheiro para a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, por Fabrício Queiroz, pivô do esquema de rachadinhas no gabinete do senador Flávio Bolsonaro.

Assim como Bartleby, Augusto Aras tem adotado o mantra: “Eu preferia não fazer!” (I would prefer not to). Há quem enxergue nessa ergofobia o seu desejo de ser indicado pelo presidente Bolsonaro ao cargo de Ministro do Supremo Federal, ou, minimamente, a sua recondução ao cargo de Procurador-Geral, em mais um mandato de dois anos.

A omissão do PGR provoca uma falha grave no sistema acusatório brasileiro. Nesta última semana, pensa-se que dado o fato de Aras sempre pedir o arquivamento de investigações, o Ministro Alexandre de Moraes não comunicou à Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre a operação contra o Ministro Ricardo Salles. A opção de deixar Aras de fora do assunto, deixou exposta certa desconfiança sobre a atuação do PGR.

Volta-se à Bartleby…O filósofo Gilles Deleuze fez uma releitura da obra de Melville. Para ele, o advogado que contrata o escrevente Bartleby tenciona colocar-lhe numa posição de devedor permanente, por saber que ele não tinha referencias objetivas para o cargo.

No dizer do filósofo, “Pode-se supor que a contratação de Bartleby foi uma espécie de pacto, como se o advogado, depois de sua promoção, tivesse decidido converter esse personagem, sem referências objetivas, num homem de confiança que lhe deveria tudo. Quer fazer dele o seu homem.” É bem possível que o Presidente Bolsonaro ao nomear Augusto Aras fora da lista tríplice, ou, ao lhe sinalizar com a possibilidade de sua indicação como ministro do STF, queira lhe converter à condição diminuta de “homem de confiança que lhe deveria tudo.”

O final do conto de Melville traz a narrativa de que Bartleby fora demitido e, sem dinheiro, é preso pelo não pagamento do aluguel. Em visita à prisão, o ex-patrão do escrevente dá dinheiro ao cozinheiro (“cara-da-boia”) para que este prepare comida diferenciada para o preso. Quando o jantar é oferecido a Bartleby, a resposta é dura e direta: “Prefiro não jantar hoje” (I prefer not dine today).

Alguns dias depois o narrador-patrão volta a visitar Bartleby e o encontra morto ao pé do muro, de inanição. Por comparação à realidade, se for intenção do Presidente servir-se da fidelidade funcional de Aras em troca de uma nomeação para o STF, convém a ele, como prova de sua grandeza pessoal e em defesa da instituição que hoje representa, dar a mesma resposta de Bartleby: “Prefiro não jantar hoje!”.

Melhor morrer de inanição, do que de vergonha.

Marcos Araújo é advogado e professor

Dupla pede morte de Bolsonaro e rolha no ânus contra Covid-19

Do Metrópoles

Polícia Civil do DF (PCDF) analisa o material apreendido nessa quinta-feira (21/05) com ameaças a diversas autoridades do país. Dentre eles, há uma espécie de ofício em que um dos suspeitos presos incita a morte do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido); do procurador-Geral da República, Augusto Aras; e do advogado-Geral da União, José Levi.

Célio Evangelista e Rodrigo Ferreira foram flagrados com farto material ameaçador (Reprodução BCS)

Na manhã de quinta-feira (21/05), Célio Evangelista Ferreira do Nascimento, 79 anos, e Rodrigo Ferreira, 40, foram detidos suspeitos de serem os autores das ameaças de morte endereçadas a juízes do Tribunal de Justiça do DF e dos Territórios (TJDFT).

Num comunicado com papel timbrado, que conta, inclusive, com brasão da Presidência, alega-se haver um complô para “entregar o Brasil para a China”.

Eles afirmam que Bolsonaro é aliado do presidente chinês, Xi Jinping. Em um raciocínio que segue confuso, Célio ainda sugere que Bolsonaro fez parte do “projeto do PT de comunizar o Brasil em 22 anos”.

Rolha no ânus e morte de juízes

Também tem raciocínio bizarro de combate à Covid-19. Numa gravação, publicada no canal da dupla no YouTube, o advogado Rodrigo Ferreira solicita que “se estabeleça a obrigatoriedade do uso de rolha no ânus para todas as pessoas”, além de multa de R$ 500,00 para quem desobedecer a decisão – veja AQUI. Segundo suas explicações, é uma forma de evitar a doença pela “flatulência”.

O vasto material, que também coage promotores e políticos, foi encontrado em um escritório no Lake Side, residencial de luxo às margens do Lago Paranoá. Entre os materiais apreendidos, há um pendrive com a etiqueta “Matar juízes. Matar todos”.

A polícia não descarta a participação de mais pessoas, porque considera estranho o padrão do condomínio, para pessoas sem posses para tanto, como os dois detidos.

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O vampiro de novembro

Por François Silvestre

Pois é. Em Novembro uma vaga surge na caverna dos morcegos. Essa alegoria é uma brincadeira por semelhança plástica e não pelo comportamento dos membros da Corte. Quando eles vêm em fila, com suas becas talares, na direção da Sala das Sessões do Pleno, parecem enormes e sisudos morcegos.

Já se especula sobre vários candidatos à vaga do Decano, que sai por força da aposentadoria compulsória. O jus-integralista, feição tupiniquim do nosso fascismo, Ives Gandra Martins saiu do sarcófago forense em que repousava para fazer a defesa “jurídica” das estripulias verbais de Bolsonaro. Tudo com a capa de “proteger” a instituição da presidência da república. Papo.

A verdade é que seu filho, Ives Gandra, ministro do Tribunal Superior do Trabalho, novamente é candidato à vaga. Por que novamente? Porque já fora candidato, quando da vaga ocupada por Alexandre de Moraes, indicado por Michel Temer.

Outro candidato é o juiz bíblico Marcelo Bretas. E essa condição é bem forte. O próprio juiz já declarou numa entrevista à televisão que há muito tempo não ler outra coisa além da Bíblia. E usa a Bíblia para fundamentar sentenças, fazendo a ressalva de que só a usa “nos seus textos históricos”. Da literatura em geral, nunca foi leitor. De Direito, estudou o suficiente para passar em concursos.

Da doutrina jurídica, prefere a Bíblia como genérico da medicação. É um forte candidato.

O atual ministro da justiça também é candidato. Nada posso acrescentar sobre ele porque nada sei. Mas substituiu Sérgio Moro, o primeiro e invencível candidato, que foi defenestrado. Tem chance.

Há outros candidatos, cuja condição de “terrivelmente evangélico” pesa mais do que notório saber e reputação ilibada. São muitos.

Porém, um novo nome aparece na ribalta. Augusto Aras, atual procurador Geral da República. Esse nome carrega um peso metafórico nessa história da caverna dos morcegos. Por quê?

Porque o morcego usa uma tática para não espantar sua presa. Ele abana, com a asa, a parte a ser afetada para anestesiá-la, e só depois ferroa. Isto é, abana e ferroa.

Ele apenas inverteu o processo, na relação com o presidente que poderá indicá-lo. Qual seja, ferroou primeiro para abanar depois. Pediu a abertura do inquérito, ferroada. Com isso, sinalizou independência. Agora, faz de tudo para esconder a culpa (dolo) de Bolsonaro.

Fala e age como se advogado de defesa fosse. Tudo para preparar a motivação de arquivamento do inquérito. Abano. Morcego esperto.

Bem. Quem será, não se sabe. Talvez nenhum dos citados. O certo é que será uma única vaga em Novembro. Um satisfeito. E vários ressentidos.

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Bolsonaro acusa Moro de pressioná-lo por vaga ao STF

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fez pronunciamento agora ao fim da tarde, ao lado de vários ministros e outros auxiliares, para rebater palavras do ex-ministro da Justiça Sérgio Moro.

Implicitamente, o tratou como ingrato e injusto, além de vaidoso. Até o tom de voz e gestual carregados, comum ao presidente, foram suavizados. Postou-se como vítima de alguém que admirava, mas que o decepcionara na convivência no poder em cerca de um ano e cinco meses.

Atacou o ex-ministro, ao insinuar que Moro tentara chantageá-lo para ser indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF), além de negar quisesse interferi na autonomia da Polícia Federal.

Bolsonaro, com equipe quase toda sem máscara, evita arroubos e tenta mostrar Moro como vaidoso injusto (Reprodução BCS)

“Mais de uma vez, o senhor Sergio Moro disse para mim: ‘Você pode trocar o Valeixo (Maurício Valeixo, diretor-geral da Polícia Federal, exonerado hoje) sim, mas em novembro, depois que o senhor me indicar para o STF'”, acusou Bolsonaro.

Poucos minutos (18h20) após a fala de improviso (e também em texto lido) de Bolsonaro, Sérgio Moro fez tréplica no Twitter, o desmentindo:

– A permanência do Diretor Geral da PF, Maurício Valeixo, nunca foi utilizada como moeda de troca para minha nomeação para o STF. Aliás, se fosse esse o meu objetivo, teria concordado ontem com a substituição do Diretor Geral da PF.

Às 18h35, outra postagem de Moro, reforçava contraposição à fala do presidente:– De fato, o Diretor da PF Maurício Valeixo estava cansado de ser assediado desde agosto do ano passado pelo Presidente para ser substituído. Mas, ontem, não houve qualquer pedido de demissão, nem o decreto de exoneração passou por mim ou me foi informado.

O presidente insistiu em afirmar que nunca assediou nenhum servidor nem fez pressão alguma para obtenção de informações confidenciais, como Sérgio Moro chegou a afirmar a manhã de hoje (veja AQUI).

Saiu rapidamente após seu discurso, sendo aplaudido discretamente pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.

Inquérito

O procurador-geral da República, Augusto Aras, pediu autorização ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta sexta-feira (24) para abrir um inquérito sobre os fatos narrados e as declarações feitas pelo então ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sergio Moro.

Entre as providências, o procurador-geral solicita ao Supremo a oitiva de Sergio Moro em razão da abertura do inquérito. O ministro anunciou um pedido de demissão do cargo na manhã desta sexta, após Jair Bolsonaro exonerar o diretor-geral da Polícia Federal, Mauricio Leite Valeixo.

Saiba mais detalhes clicando AQUI e AQUI.

Com informações adicionais do G1.

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Beto lembra projeto para reforçar saúde contra coronavírus

Diante do caos que vive o mundo com a pandemia do novo coronavírus, autoridades brasileiras têm apontado soluções na perspectiva de melhoria do sistema de saúde. Nesta quinta-feira (19), no Supremo Tribunal Federal (STF), o procurador-geral da República, Augusto Aras, defendeu que R$ 1,6 bilhão recuperados pela Operação Lava Jato sejam destinados ao Ministério da Saúde para o combate ao vírus.

Já em 2015, atento à importância do investimento em saúde pública no Rio Grande do Norte e no Brasil, o deputado federal Beto Rosado (Progressistas) apresentou Projeto de Lei (PL 2760/2015) determinando que as verbas recuperadas da corrupção sejam destinadas à Saúde.

O documento prevê a criação de uma conta exclusiva do Sistema Único de Saúde (SUS) para o recebimento desses recursos, que deve ser gerida por um conselho formado por Ministério da Saúde, Tribunal de Contas da União (TCU), Ministério Público Federal (MPF), Tribunal de Contas da União (TCU), Ministério Público Federal (MPF) e Magistratura Federal.

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Cibele Benevides é nomeada para chefia de Procuradoria no RN

A procuradora da República Cibele Benevides Guedes da Fonseca foi nomeada pelo procurador-geral da República, Augusto Aras, para a chefia da Procuradoria da República no Rio Grande do Norte (PR/RN) no biênio 2019-2021. A nomeação, publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta segunda-feira (30), ratifica a eleição por unanimidade pelo colegiado de procuradores no RN.

Cibele Benevides é procuradora da República desde 2002, ao ser aprovada em primeiro lugar (Foto: divulgação)

Ela terá como substituto o procurador da República Victor Manoel Mariz.

A procuradora assume o cargo de procuradora-chefe após dois anos à frente da Procuradoria Regional Eleitoral. Posto que agora ficará com a procuradora da República Caroline Maciel – que esteve na chefia da PR/RN pelos últimos dois biênios –, que terá como substituto o procurador da República Ronaldo Sérgio Chaves Fernandes.

Cibele Benevides foi nomeada procuradora da República em 2002, aprovada em primeiro lugar nacional.

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Novo procurador é nomeado em edição extra do Diário Oficial

Augusto Aras durante sabatina na Comissão de Constituição e Justiça do Senado (Foto: Pedro França-Agência Senado)

Do G1

A nomeação de Augusto Aras para a Procuradoria-Gral da República foi publicada em edição extra do “Diário Oficial da União” nesta quarta-feira (25).

Mais cedo, ele havia sido aprovado pelo Senado por 68 votos a 10 para assumir o cargo, no qual ficará pelos próximos dois anos.

A data de posse de Aras como chefe do Ministério Público Federal (MPF) foi marcada para esta quinta-feira (26), às 10h.

Para ser aprovado, um indicado à PGR precisa de pelo menos 41 votos. Dos 81 senadores, dois faltaram e um se absteve.

Aras havia sido escolhido no início de setembro pelo presidente Jair Bolsonaro para ser o sucessor de Raquel Dodge, mesmo sem constar em lista tríplice para esse fim.

Antes da votação no plenário principal do Senado nesta quarta, Aras passou por uma sabatina de mais de cinco horas na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa.

No colegiado, recebeu 23 votos favoráveis e somente três contrários.

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Governo monitora parlamentares antes de soltar emendas

Do Estado de São Paulo

O governo vem monitorando as redes sociais de parlamentares, assim como seus discursos na tribuna, para avaliar a taxa de fidelidade de cada um. Nessa semana e na próxima, aproximadamente R$ 15 bilhões do Orçamento serão desbloqueados e, destes, R$ 2 bi devem servir para o pagamento de emendas prometidas quando se discutia a Reforma da Previdência.

O dinheiro é condicionado a uma lista de pautas de interesse do Planalto. No Senado, as aprovações de Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) para a embaixada nos EUA e de Augusto Aras, para a Procuradoria-Geral da República (PGR).

Entra na lista, também, impedir a abertura da CPI da Lava Toga.

A negociação mais tranquila vem sendo a de Aras.

Eduardo Bolsonaro, porém, ainda não tem os votos necessários para virar diplomata. Pelo menos dois senadores ouvidos pelas repórteres Julia Lindner e Camila Turtelli afirmam que há um clima de esperar a liberação das verbas antes de qualquer decisão.

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Procuradores defendem lista tríplice em movimento nacional

Aras: foco da movimentação (Foto: G1)

Do Congresso em Foco e Blog Carlos Santos

A Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) realiza nesta segunda (9), manifestações em ao menos quinze estados a favor da lista tríplice para escolha do procurador-geral da República (PGR).

Procuradores com atuação no RN não devem participar de movimentação.

Na última quinta (6), Jair Bolsonaro (PSL) anunciou a escolha de Augusto Aras para o cargo, o que desagradou os procuradores.

Veja onde ocorrerá manifestação:

Amapá, 14h30, sede da PRAP

Amazonas, 10h30 (sede da PRAM) e 11h (anexo)

Distrito Federal, 15h, sede da PRDF

Mato Grosso, 14h, sede da PRMT

Minas Gerais, 15h, sede da PRMG

Pará, 15h30, sede da PRPA

Paraná, 14h30, sede da PRPR

Pernambuco, 15h, sede da Procuradoria Regional da República da 5ª Região

Piauí, 11h, sede da PRPI

Rio de Janeiro, 11h, sede da PRRJ

Rondônia, 9h30, sede da PRRO

Santa Catarina, 14h00, sede da PRSC

São Paulo, 15h, sede da PRSP

Sergipe, 7h30, sede da PRSE

Tocantins, 11h30, sede da PRTO

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