Arquivo da tag: Benedito Vasconcelos Mendes

Salvação do RN não aparece no vazio de sua pré-campanha

Por Carlos Santos

Nenhum pré-candidato ao governo do RN tem qualquer esboço de plano de governo à mão. As evasivas vão desde clichês retóricos à fuga física de entrevistas, em que possam ser cobrados. A prioridade é falar de pessoas, em vez de ideias.

Ninguém espere que esse cenário mude, seja alterado, com a elevação de debate (que não existe nessa pré-campanha). Daí, para pior.

A crise vivida pelo Rio Grande do Norte tem explicações diversas, que se intercalam, mas a principal é a incapacidade de nossa classe política em tratar a gestão pública como prioridade e com eficiência.

Nessa fase da disputa, a pré-campanha, o mais interessante é produzir críticas ou acusações – caso do governador Robinson Faria (PSD) e ex-prefeito natalense Carlos Eduardo Alves (PDT).

Já a senadora Fátima Bezerra (PT) evita se desgastar com qualquer pronunciamento ou posicionamento. Opta por mexer apenas com questões nacionais e do interesse partidário.

O vice-governador dissidente Fábio Dantas (PSB) segue cada dia mais atrofiado, mas já se arriscou a promessas mirabolantes, como acabar com déficit previdenciário de uma canetada e defender o fim das oligarquias (ele, integrante de uma delas).

Bate desânimo. Não é pessimismo, mas retrato de observações de fácil percepção. Estamos ferrados.

PRIMEIRA PÁGINA

O “não voto” se confirma mais uma vez – O segundo turno das eleições suplementares ao Governo do Estado do Tocantins ratificou o que parece ser mesmo uma tendência capaz de alcançar seu ápice nas eleições gerais de outubro próximo no país. O “não voto”, soma de votos nulo-branco com abstenções, atingiu 527.868 votos (51,84%). Mauro Carlesse (PHS), governador interino que foi eleito, e Vicentinho Alves (PR), seu adversário, receberam 490.461 votos (48,16%) do eleitorado tocantinense (veja AQUI). Estavam aptas a votar na eleição do Tocantins 1.018.329 pessoas. No primeiro turno, a revolta popular com políticos, partidos e a política já tinha sido expressiva. Leia o que esta página tem antecipado há tempos: Eleitor diz no Tocantins o que está “guardado” para outubro.

Aliança entre PT e PR não tem apoio de Tião e Jorge – O diálogo aberto entre PT e PR com vistas à campanha deste ano no estado não deve prosperar. Pré-candidatos à Câmara Federal e à Assembleia Legislativa pelo PT, os ex-candidatos a prefeito e vice de Mossoró Tião Couto e Jorge do Rosário, respectivamente, não demonstram animação com o enlace. Freiam seu avanço.

Tião e Jorge: veto (Foto: Arquivo)

Estimativa de quociente eleitoral à Câmara Federal precisa ser revista – Refaça suas contas, comece ou recomece a fazê-las a partir de patamares realistas. Em 2014, últimas eleições, o quociente eleitoral à Câmara Federal foi de 197.608 votos. Os campeões de voto foram dois estreantes: Walter Alves (PMDB) – 12,09% (191.064) e Rafael Motta (PROS, hoje no PSB) – 11,15% (176.239). Fábio Faria (PSD) – 10,53% (166.427) – obteve Reeleição. Salve o surgimento de algum fenômeno ou deslocamento de algum campeão de votos (como os senadores José Agripino-DEM e Garibaldi Filho-MDB) para essa faixa de disputa, o quociente terá boa baixa.

Wilma de Faria atrai atenção em memorial – Vai até o próximo dia 30, de 10 às 22h, no Shopping Midway Mall em Natal a exposição Memorial Wilma de Faria. Começou no último sábado (23), após ter percorrido vários municípios do estado, com várias peças e documentos que mostram a trajetória política da ex-governadora do RN.

Agripino e Jácome podem alterar chapa majoritária – O jornal Tribuna do Norte deste domingo (24) noticiou que o senador e presidente estadual dos Democratas (DEM), José Agripino (DEM), não tentará a reeleição ao Senado Federal. Será mesmo candidato a deputado federal. A decisão será anunciada oficialmente nos próximos dias. Com a decisão de José Agripino, o deputado federal Antônio Jácome (Podemos) seria um dos candidatos ao Senado na coligação PDT, MDB e DEM. A chapa majoritária ficaria Carlos Eduardo (PDT) para o governo, Garibaldi Alves Filho (MDB) e Antônio Jácome (Podemos) para o Senado. E mais, o deputado Felipe Maia (DEM) ficaria fora das eleições de 2018, abrindo espaço para a médica Carla Dickson (PROS), vereadora em Natal e esposa do deputado estadual Albert Dickson (PROS), concorrer a uma vaga na Câmara Federal. Assim, Carla iria em busca de conquistar as bases de Antônio Jácome no segmento evangélico. (Do Blog da Chris).

Antônio Jácome quer surpreender como no passado – O atual deputado federal Antônio Jácome (Podemos) pode ser apresentado como nome ao Senado, na chapa a ser encabeçada pelo pré-candidato a governador Carlos Eduardo Alves (PDT). Em 2002, ele foi o vice de Wilma de Faria (PSB), uma chapa vista como fragil, mas TB, mas terminou eleito ao lado dela ao governo estadual. Nesse momento, o cenário é outro e com outros objetivos, como garantir reeleição do filho Jacó Jácome (PSD) à Assembleia Legislativa. Jácome tem a corrida à Câmara Federal comprometida pela concorrência de Carla Dickson (PROS) na faixa dos evangèlicos, além de outros fatores.

EM PAUTA

Carlos Cavalcante – Âncora do Cidade em Debate na Rádio Difusora de Mossoró, o radialista Carlos Cavalcante vai estrear programa com mesmo nome no próximo dia 2 (segunda-feira), às 18h, na TV Cidade Oeste (sistema cabo Brisanet), Canal 172. Sucesso.

Literatura – O XVI Seminário Literário do Colégio Mater Christi (Mossoró) será lançado no próximo dia 30, com cortejo literário saindo às 8h da Praça dos Esportes em direção ao Mater Christi. Já no período de 02 a 06 de julho de 2018, haverá apresentações elaboradas pelos alunos por turmas no Teatro Municipal Dix-Huit Rosado.

Zenóbio: foco poético (Foto: Web)

O livro de Zenóbio – “Verbo Sertanejo” é o título do livro do jornalista e cinegrafista Zenóbio Oliveira, o “Zenóbio das Aguilhadas”, a ser lançado no mês de agosto próximo. O prefácio será do jornalista Sérgio Farias, com diagramação do poeta e jornalista Caio César Muniz. O livro contém sonetos, cordéis e outros estilos poéticos. As vendas estão sendo antecipadas. Quem desejar garantir o exemplar basta depositar a quantia de 30 reais nas seguintes contas: Caixa Econômica Federal, Agência – 0560, Operação – 013, Conta poupança – 00068949-9. Banco do Brasil, Agência – 3526-2, Conta Poupança – 36.732-X, Variação – 051. As duas em nome de Zenóbio Francisco de Sousa Oliveira.

Religiosidade sertaneja – O presidente do Grupo de Estudos do Cangaço do Ceará (GECC), pesquisador Ângelo Osmiro Barreto, convidou o professor Benedito Vasconcelos Mendes para fazer uma palestra sobre “Religiosidade Sertaneja”, no próximo dia 5 de julho (quinta-feira ), na reunião mensal do GECC, que se realizará no apartamento do professor-doutor e renomado cientista brasileiro, Melquíades Pinto Paiva, em Fortaleza.

Programa na TV – O jornalista Saulo Vale é nome cogitado para compor programa jornalístico na TV Terra do Sal (Canal 14 aberto e 173 na Brisanet), em Mossoró.

Frete e sal – O setor salineiro do Rio Grande do Norte e, em especial da região de Mossoró, está asfixiado com o impasse quanto ao frete rodoviário, desde a paralisação nacional dos caminhoneiros. O escoamento da produção está seriamento comprometido. Queda de mais de 50% no fluxo do produto para os centros de consumo, pela via rodoviária.

SÓ PRA CONTRARIAR

Não existe impossível na política, mas o improvável.

GERAIS… GERAIS… GERAIS…

Acontece nessa terça-feira(26), a missa de um ano pela morte do professor e engenheiro José Henriques Bittencourt, na Igreja de São Camilo de Lellis, às 19h, bairro de Lago Nova em Natal. Ele foi um dos fundadores da Escola de Engenharia em Natal e membro-fundador da Academia Norte-Riograndense de Ciências do Rio Grande do Norte, da qual foi presidente.

Obrigado à leitura do Nosso BlogJosé Antônio Nunes (Pau dos Ferros), Raimundo Nonato Sobrinho, o “Cinquentinha” (Mossoró) e Vagner Araújo (Natal).

Veja a edição anterior da Coluna do Herzog (18/06) clicando AQUI.

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo Twitter clicando AQUI e o Instagram clicando AQUI.

A José Romero, uma lágrima e uma prece

Por Marcos Araújo

Em tempos de tecnologia, as notícias (boas ou ruins) vêm por aplicativos eletrônicos. Recebi uma mensagem do Prof. Benedito Vasconcelos reproduzindo uma nota do Departamento de Geografia da Universidade do Estado do RN (UERN), lamentando a morte do Prof. José Romero Araújo Cardoso.

Em Fortaleza, onde curso um doutorado, entre uma tarefa acadêmica e outra, brota uma lágrima nos olhos e paro para fazer uma prece para Romero. Rezo para sua alma. Rogo pela intercessão de Nossa Senhora para lhe dar acolhida.

Rezo também pela incompreensão que ele foi vítima. Preto e pobre, Romero foi alvo do estigma e do preconceito. Na Uern, creio – lastimo pelos alunos que se julgam sábios -, nunca recebeu a atenção devida.

Louco por Josué de Castro – outro negro, que travou uma luta contra a fome (acreditem os que veneram Lula, foi ele quem pensou antes do PT a renda mínima como combate à pobreza!) -,  odiava o regime militar por ter impedido a indicação do autor de Geografia da Fome ao prêmio Nobel da Paz.

Genial por excelência, sofreu também as contingências de um casamento fracassado. Enveredou pelo caminho tortuoso das drogas, em busca de um alento pelo desprezo conjugal. Sofreu, e muito!

Lembro de sua mãe e de sua tia. As duas largaram suas casas e passaram meses em Mossoró. Nessa luta, merece relevo a pessoa de Dona Chiquita, de saudosa memória, que assumiu a recuperação de Romero como meta de vida.

Naquela época não se entendia a dependência química como doença e a Uern até ensaiou um processo demissional, obstado depois por puro bom senso. Nesse tempo, recebia ele quase todo dia em nosso escritório. Eu e Lindocastro Nogueira, advogado da Associação dos Docentes da Uern (ADUERN).

Ouvimos as lamúrias do seu coração dezenas de vezes.

Depois de recuperado, convidei ele pelo menos cinco vezes para falar aos meus alunos no Curso de Direito. Dizia repetidas vezes: um dos homens mais inteligentes que tinha conhecido em vida.

Contudo, essa sociedade europeizada, branca e mesquinha, legatária genética de europeus de quinta categoria, não admite a inteligência dos descendestes de africanos. Um preto genial é uma ameaça. E ainda mais quando esse “preto” tem vícios comportamentais…Era mais Romero, na sua bizantinice de homem pecador do que muitos “Santos” de conduta impoluta.

Como lembrava o lisboeta Fernando Pessoa, gostava de Romero porque “tenho amigos para saber quem eu sou, pois vendo-os loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que a normalidade é uma ilusão imbecil e estéril”.

Romero era gênio. Como tal, vivaz entusiasta dos seres humanos, sem cor, raça ou qualquer atributo de gênero.

Só incensava um deles: Vingt-Un Rosado! Para ele, nunca houve ninguém mais inteligente…Escrevia como ninguém, e, assim como o negro Castro Alves, tinha sede do saber.

Lembrando Castro Alves,

“Desta sede de saber,
Como as aves do deserto
– As almas buscam beber…
Oh! Bendito o que semeia
Livros… livros à mão cheia…
E manda o povo pensar!
O livro caindo n’alma
É germe – que faz a palma,
É chuva – que faz o mar”.

Requiescat in pace, Romero!

Deus te acolha e cure tuas mágoas.

Seu amigo, Marcos Araújo

Marcos Araújo é professor, escritor e advogado

Bodegas sertanejas

Por Benedito Vasconcelos Mendes

Nas décadas de 1950 e 1960, a bodega do Seu Raimundo Galdino, localizada ao lado da igreja do distrito de Caracará, município de Sobral-CE, a quatro quilômetros da propriedade do meu avô (Fazenda Aracati), era muito surtida e a única existente naquela vila. Ocupava a sala da frente da residência de seu proprietário.

Não fechava para o almoço e funcionava de maneira ininterrupta, das cinco horas da manhã até às oito horas da noite. Funcionava inclusive nos domingos e feriados.

Às vezes, abria de madrugada, quando algum freguês batia em sua porta, solicitando a compra de medicamentos para dor de dente, diarreia, dor de cabeça, vômito, febre ou azia, ocasião em que o Seu Raimundo Galdino oferecia as poucas opções do seu estoque de medicamentos populares (Cibalena, Cibazol, Melhoral, Sonrisal, Elixir Paregórico, Óleo de Rícino, Pílulas de Vida do Dr. Ross, Pílulas de Matos, Mercúrio Cromo e mais uns poucos outros remédios).

A frente do prédio era de duas portas e tinha um alpendre com um banco de carnaubeira deitada, sobre duas forquilhas de aroeira fincadas no chão. Embora a construção fosse de taipa, o piso era de cimento vermelho e a coberta de telhas artesanais, com uma calha de estirpe de carnaubeira no beiral do alpendre, formando uma bica, onde, no período das chuvas, a meninada tomava banho. Nos fundos da bodega, ao lado das prateleiras de madeira, havia uma porta, que se comunicava com a residência do proprietário.

No oitão da bodega tinha um poste de bambu, bem alto,  com uma antena de rádio na extremidade. No interior da bodega, sobre uma pequena mesa de pau-branco, estava um rádio Philips a válvula, ligado a uma bateria de caminhão, que só pegava na frequência AM (ondas médias e curtas), pois ainda não existia FM.

O rádio da bodega funcionava o dia todo, com muito chiado, retransmitindo a programação da Rádio Iracema de Sobral. Só era desligado à noite, quando começava a Hora do Brasil.

O balcão de madeira, revestido com folha de zinco, exibia algumas moedas antigas furadas (pataca, cruzado e vintém), fixadas  por pregos na parte de cima do balcão. Na extremidade do balcão, uma passagem com dobradiças de couro, que permitia levantar o tampo do balcão, quando o bodegueiro necessitava sair para pegar algum produto pendurado nos caibros do espaço externo.

A balança de pratos, a lâmina de cortar fumo de rolo, a guilhotina de partir rapadura, o rolo de papel de embrulho e a gamela com toicinho de porco salgado (sal preso) ficavam sobre o balcão.

A pobreza regional era tão grande que a rapadura podia ser vendida em pedaços. Era comercializada por unidade, por banda (meia rapadura) ou ainda  por pedaço de um quarto de rapadura. A lata de querosene (da marca Jacaré), com a bombinha de zinco, para bombear o querosene, acoplada a ela, localizava-se sobre um estrado de madeira no canto da parede.

Os gêneros alimentícios podiam ser comercializados no peso ou no volume. No litro eram vendidos farinha de mandioca, milho, feijão-de-corda e arroz-vermelho em casca. O litro era feito de madeira e tinha a forma quadrada. O produto era colocado dentro do litro, com o auxílio de um casco de cágado.

O toicinho, a linguiça caseira, a carne de sol, a tripa de porco salgada, as carnes verdes (de bode, ovelha ou de porco), a banha de porco, o açúcar, o sal grosso, o café em grão,  a goma de mandioca e outros alimentos eram vendidos por quilo. Comprava-se o sal grosso na bodega e em casa pilava-se no pilão, pois naquela época não existia sal moído.

Seu Raimundo Galdino tinha muita prática de embrulhar com papel de embrulho, usando os dedos, os produtos vendidos, pois os gêneros alimentícios não eram acondicionados em pacotes, tudo vinha à granel.

Para o querosene tinha medidas apropriadas, feitas de zinco, que depois de cheias eram despejadas na garrafa do freguês, usando um funil de zinco. Cada residência tinha sua garrafa de comprar querosene, a qual era transportada pendurada no dedo indicador do freguês, pois a mesma  tinha um barbante amarrado no gogó, que terminava em laço, para pendurá-la no dedo.

A manteiga de garrafa, o óleo de coco, o mel de abelha (jandaíra ou mandaçaia) e o mel de engenho eram comercializados em garrafas de 600 ml.

A bodega vendia de um tudo, pois na vila não existiam lojas nem farmácias. Além de alimentos, lá se comprava ferragens (enxadas, pás, machados, facas, lamparinas, ralo de flandres para ralar milho verde, facões, pregos e arame farpado); remédios populares; aviamentos (elásticos, cianinhas, bicos, linhas, agulhas, botões etc); aspiral para repelir muriçocas; sabão da terra, sabonetes, creme dental, chinelas de rabicho de sola e de pneu (tiras de couro e solado de pneu de automóvel); louças de barro (panelas, potes, quartinhas etc); cestos de cipó; artigos feitos com palha de carnaubeira (chapéus, bolsas, esteiras, urus, vassouras, surrões e outros); urupemas; abanos;  cuias; cuités; gamelas; cochos e outros utensílios domésticos.

Parede e meia à bodega, morava Seu João Enfermeiro, um profissional da área da saúde que tinha muita habilidade e prática para curar as enfermidades dos habitantes daquela comunidade rural. Era um misto de enfermeiro, farmacêutico, dentista e de médico. Ele encanava braço, arrancava dente, aplicava injeção no músculo (não aplicava injeção na veia), costurava, com linha zero e agulha grande de coser tecidos, facadas e outros ferimentos e vendia meizinhas (raizes, folhas e outras partes de plantas medicinais, sebo de carneiro capado e banhas de animais, como banha de tejo, de raposa, de cobra cascavel, de galinha, de traíra, de cágado e de jia).

A mulher do bodegueiro, Dona Ciça, era parteira e rezadeira, pois curava quebranto, espinhela caída, mau olhado, moleira caída e outras doenças de crianças. Ela também curava, no rasto, bicheiras dos animais, com suas rezas.

Uma coisa que me chamava a atenção era a convivência pacífica de três animais que ficavam soltos, o dia todo, dentro da bodega, sem brigas. Uma gralha cancão para comer baratas, um gato para pegar ratos e um cachorro de estimação e guarda. Interessante que o gato e o cachorro eram adestrados para não comerem as carnes, toicinho e linguiça da bodega. Eles só se alimentavam em horário certo e dentro da casa do bodegueiro, nunca no interior da bodega. Também, o gato não perseguia o cancão.

A bodega do Seu Raimundo Galdino vendia doses de cachaça no pé do balcão, com tira-gosto de queijo de coalho. A cachaça vinha em ancoretas feitas de imburana, sobre lombos de animais, da Serra da Meruoca.

Seu Raimundo Galdino era um senhor de muito respeito, imprimia em sua bodega um ambiente familiar, onde mulheres e crianças faziam compras com segurança. Embora fosse um estabelecimento comercial de muita ordem e seriedade, não deixava de ser também o local onde as notícias e as fofocas chegassem em primeira mão.

As novidades, como doenças, queda de cavalo, chifrada de touro brabo, coice de vaca, coice de burro ou de cavalo sofrido por algum membro da comunidade, primeiramente, eram noticiadas, de boca em boca, a partir do bodegueiro.

Ele tinha prazer em comunicar, em primeiríssima mão, as novidades locais e as notícias que captava pelo rádio. Quando alguma mocinha da vila engravidava, também ele era o primeiro a saber, pois seu vizinho, João Enfermeiro vendia Cabacinha e Babosa para fazer chá para abortar e ele não se continha em não contar para o seu vizinho e compadre Raimundo Galdino o segredo precioso de quem comprava estas ervas.

O bodegueiro sabia a vida de todos os habitantes da vila Caracará e vizinhanças.

Quase todas as compras neste ponto comercial eram feitas fiado, na caderneta, para serem pagas, semanalmente, no sábado à tarde, embora um cartaz pregado na parede anunciasse: FIADO SÓ AMANHÃ.

Benedito Vasconcelos Mendes é professor, escritor, ex-diretor da Escola Superior de Agricultura de Mossoró (ESAM, hoje Ufersa) e criador do Museu do Sertão

Benedito Vasconcelos Mendes recebe cidadania potiguar

Benedito: reconhecimento (Foto: João Gilberto)

O professor cearense Benedito Vasconcelos Mendes teve sua contribuição reconhecida pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, que lhe entregou o título de Cidadão Norte-Rio-Grandense, em sessão solene de propositura do deputado Getúlio Rêgo (DEM).

O mais novo cidadão potiguar é o idealizador do Museu do Sertão, e a sessão solene aconteceu na manhã desta quinta-feira (19).

“Agradeço ao deputado Getúlio Rêgo por tão especial honraria, sobretudo porque, até hoje, ele só a propôs a cinco pessoas. Sinto-me honrado em estar aqui hoje”, externou o homenageado, cuja honraria passou pela lembrança do Museu do Sertão, de sua própria curadoria e que preserva os costumes e cultura camponesa.

Agrônomo, professor, escritor, criador do Museu do Sertão em Mossoró e ex-diretor da Escola Superior de Agricultura de Mossoró (ESAM, hoje Ufersa), Benedito Vasconcelos Mendes é um nome largo conceito no universo acadêmico, cultural e social do estado.

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo Twitter clicando AQUI e o Instagram clicando AQUI.

Museu do Sertão promove manhã de Cultura e Lazer

Nesse sábado (10), foi realizado com muito êxito na Fazenda Rancho Verde, em Mossoró-RN, a XXII Manhã de Cultura e Lazer do Museu do Sertão. A iniciativa é do escritor, professor e ex-reitor da Escola Superior de Agricultura (ESAM, hoje UFERSA), Benedito Vasconcelos Mendes.

Museu espelha a vida sertaneja (Foto: cedida)

A parte musical ficou a cargo da Filarmônica do Instituto Gentil de Campo Grande-RN, mantida pelo Grupo Gentil Negócio,  e da cantora mossoroense Goretti Alves. Os músicos infanto-juvenis do Instituto Gentil emocionaram os presentes.

A cantora Goretti Alves apresentou-se com as crianças do projeto da Professora Marta Noberto, intitulado “Onde Canta o Rouxinol, Tocam os Sabiás”.

Depois houve palestra do professor Benedito Vasconcelos Mendes, criador e mantenedor do Museu do Sertão, sobre Cultura Regional, além de apresentação de Exposição de Artes Plásticas, organizada pela Academia Mossoroense de Artistas Plásticos, sob a liderança de sua presidente Franci Francisca Dantas.

A programação teve ainda o lançamento do cordel sobre o Museu do Sertão, de autoria do poeta Expedito de Assis Silva.

Várias pessoas do universo empresarial, público e cultural foram agraciadas com comendas e diplomas pelo Curador do Museu do Sertão, Benedito Vasconcelos Mendes.

Nota do Blog Carlos Santos – A iniciativa do professor Benedito Vasconcelos Mendes é de extraordinária importância à preservação da cultura sertaneja, por é um mix de variados artefatos e componentes desse universo regionalista, pouco conhecido pela maioria das pessoas.

Parabéns demais!

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo Twitter clicando AQUI e o Instagram clicando AQUI.

A cozinha da casa grande na Fazenda Aracati

Por Benedito Vasconcelos Mendes

A Fazenda Aracati era uma propriedade de criar gado bovino, ovelhas e cabras, de meu avô paterno, José Cândido Mendes. De janeiro a setembro, meus avós ficavam  nesta fazenda cuidando do gado e fazendo queijo de coalho e manteiga da terra (manteiga de garrafa).

Os últimos três meses do ano eles passavam no Sítio Frecheiras, na Serra da Meruoca, produzindo rapadura, farinha e goma de mandioca.A ampla e bem equipada cozinha da casa-grande da Fazenda Aracati tinha um grande fogão à lenha, com trempe de cinco bocas e um forno de tijolo, de formato semiesférico, para assar bolo e carnes, especialmente perus e galinhas caipiras recheados e coxão de porco.

A cozinha tinha duas portas (a dos fundos e uma que dava para um dos alpendres laterais e duas janelas em paredes diferentes, onde uma abria para o quintal e a outra para o alpendre).

Ao lado do fogão, duas cantareiras. Uma de alvenaria, com duas grandes jarras de barro, de boca larga, com água para o gasto. A outra cantareira era de madeira e suportava dois pequenos potes, com água para beber.

Todos estes recipientes tinham as bocas cobertas com tecido de algodãozinho, com elástico e com tampas de madeira.

Vizinha às cantareiras estava uma bancada de alvenaria com uma grande pia de lavar louças, no centro. Encostado à parede, em frente ao fogão, próximo à porta dos fundos, ficava um pilão deitado de três bocas (uma para pilar  milho, a do meio para fazer paçoca de carne seca e a outra boca para pilar café, torrado no caco de barro).

Uma das  janelas  da cozinha (a que se abria para o quintal) dava para um jirau feito de pau-branco, que era usado para secar as panelas de ferro, tachos de cobre e as panelas de barro. As duas robustas prensas de miolo de aroeira, de dois fusos, para prensar queijo, situavam-se próximas à parede,  ao lado da porta dos fundos. Os cinchos de madeira, de formato retangular,  eram para queijos de cinco quilos.

Durante o dia, as janelas e as bandas de cima das portas da cozinha permaneciam abertas.

Presos  a tornos de aroeira chumbados na parede, observava-se o abano, a urupema, a colher de pau, a quenga de coco com cabo, o coador de café, o pano de coar  água, o ralador de coco, o ralador de milho verde, a tábua de cortar queijo, a tábua de carne, um cesto de aselha cheio de panos de queijo (feitos de algodãozinho, para enrolar os queijos durante a prensagem) e algumas cuias e cuités.

As panelas e a chaleira de ferro, a cuscuzeira de ágata, os tachos de cobre de diferentes tamanhos e as panelas de barro ficavam sobre uma grande mesa retangular de cedro, encostada na parede. Esta mesa não tinha cadeiras nem bancos. Era usada somente para guardar, sobre ela, panelas, caco de barro para torrar café, tachos e, também, para a preparação de queijo, manteiga e alimentos em geral, para o pessoal da casa.

Em suas duas grandes gavetas, guardava-se os talheres, a faca de carne (faca peixeira de 12 polegadas),  a machadinha de cortar osso e as louças (pratos rasos, pratos fundos, pratinhos de doce, xícaras e pires). Sobre o fogão, suspensos nos caibros, dois cambitos de cinco ganchos, que eram usados para pendurar  os coalhos de boi salgados.

No processo de fabricação do queijo de coalho, a coagulação do leite era feita com coalho de boi (parte do estômago, denominada abomaso). Cada corda de tucum, que sustentava o cambito, atravessava o centro de uma cuité, para evitar a descida de ratos. Era interessante observar que a cozinha tinha o cento livre, onde tudo era distribuído radialmente, junto às paredes.

Também não tinha cadeiras, com uma única exceção, a cadeira da minha avó, que ficava em uma das cabeceiras da mesa.

Os grandes e deliciosos queijos de coalho, pesando aproximadamente cinco quilos cada, depois de preparados sob a supervisão de minha avó, eram prensados envoltos em tecido de algodãozinho (pano de queijo), nas prensas de dois fusos. Depois de prensados, para escorrer o excesso de soro, que caía em gamelas de madeira, feitas de gameleira, eram desenrolados para cortar as aparas, as quais  eram saboreadas por aqueles que estivessem no momento na cozinha.

Os queijos eram colocados para curar nas tábuas de queijo, que ficavam penduradas por grossos arames nos caibros da cozinha. Cada arame, que sustentava a tábua, passava pelo centro de uma cuité, com a boca para baixo, para evitar a descida  de algum rato, que por ventura existisse no telhado da casa.

Depois de curados, os queijos eram armazenados, mergulhados na farinha, dentro de grandes caixões de cedro.

Para a produção de manteiga da terra, a nata era batida em uma batedeira de madeira. Depois de pronta, a manteiga era acondicionada em garrafas escuras,  muito bem limpas e secas. As rolhas de sabugo de milho eram flambadas em um tição com chama (pedaço de lenha acesa), para matar fungos e bactérias e, assim, evitar que a manteiga se estragasse.

O soro que sobrava do processo de fabricação de queijo era fornecido aos porcos e cachorros.

Diariamente, minha avó fazia um potinho  de barro de coalhada (cerca de 5 litros), que era servido no jantar, adoçada com raspa de rapadura e misturada com cuscuz ou farinha de mandioca.

Benedito Vasconcelos Mendes é engenheiro agrônomo, professor-doutor, ex-diretor da Escola Superior de Agricultura de Mossoró (hoje, UFERSA) e presidente da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço (SBEC)

A retirada do gado do sertão para a praia

Por Benedito Vasconcelos Mendes

O meu avô paterno, José Cândido Mendes, proprietário da Fazenda Aracati, situada em pleno sertão semiárido cearense, no distrito de Caracará, às margens do Rio Aracatiaçu, a 60 quilômetros da cidade de Sobral, desenvolveu uma estratégia para a sobrevivência do rebanho nos anos ruins de chuvas (Seca Verde). Ele sabia que a quantidade de forragens nativas de sua fazenda dependia da quantidade de chuvas.

Quanto mais chuvas, maior a produção de pastagens. A quantidade de forragens é diretamente proporcional à quantidade de chuvas.

Nos anos de bom inverno (período chuvoso), o gado atravessava o estio anual (de julho a fevereiro) em razoável estado de carne. Nos anos de chuvas escassas, as forragens nativas só eram suficientes para alimentar o gado até o mês de outubro ou novembro, fazendo com que, a partir daí, o rebanho começasse a emagrecer, chegando, às vezes, até a morrer, por falta de alimentos.

Ele engendrou a estratégia de retirar o gado no começo do verão (estio anual) para uma outra fazenda, localizada no litoral, que, embora também estivesse na região semiárida, tinha melhores recursos forrageiros. O irmão do meu avô, empresário Antônio Oriano Mendes, era dono de uma grande propriedade, denominada Fazenda Quatral, situada no litoral, nas cercanias da foz do rio Acaraú, próxima da cidade de mesmo nome (Acaraú-CE), para onde meu avô levava o seu gado, nos anos de inverno de poucas chuvas.

Naquela época, décadas de 1950 e 1960, não se usava caminhões para transportar gado e a boiada era levada tangendo, de uma fazenda para outra. O litoral  semiárido nordestino é rico em forrageiras herbáceas, como o oró e várias espécies de cipó e em algumas arbóreas,  como a catanduva, que permanecem enfolhadas o ano inteiro (são plantas perenifólias), de maneira que, na região litorânea,  tem forragem verde, de janeiro a dezembro, e a quantidade de pasto é sempre maior do que no sertão, especialmente, nos anos de seca.

No final do período chuvoso, no mês de junho, era avaliada a quantidade de chuvas precipitadas na Fazenda Aracati e observado o volume de pastagens nativas existente no campo. A decisão de se  retirar o gado para a Fazenda Quatral ou de deixá-lo  na Fazenda Aracati era tomada no mês  de julho. Meu avô, depois de ouvir os vaqueiros da fazenda e as pessoas mais experientes da região, às vezes, decidia retirar o gado.

Esta decisão tinha que ser tomada cedo, para aproveitar o gado gordo, capaz de suportar o gigantesco esforço da longa viagem.

Após a tomada de decisão, logo começava o estressante período de preparação da demorada e sofrida viagem, pelos desertos e rudes caminhos, tangendo o rebanho por 60 quilômetros, até a praia. Os primeiros 15 dias do mês de agosto era de preparação da viagem.

Primeiro, meu avô decidia quais os vaqueiros e os auxiliares de vaqueiro que deveriam lhe acompanhar na estafante e longa caminhada. Depois, calculava o número de reses, que os campos de pastagens nativas existentes na Fazenda Aracati era capaz de sustentar, até o próximo período chuvoso.

O passo seguinte era escolher as reses mais gordas, os cavalos e burros que deveriam fazer a dolorosa caminhada.

A quantidade de reses que deveria ser retirada para a fazenda do litoral variava, mas, às vezes, correspondia à metade do rebanho. Minha avó vistoriava os apetrechos que iam ser necessários para a difícil retirada, como cela, arreios, esporas, chicote, alforje (para levar alimentos),  carona (para transportar as peças de roupa) e véstia (chapéu, gibão, peitoral, perneiras, luvas e guarda-pés), que meu avô deveria levar.

Depois de tudo preparado, no final de agosto, chegava o triste dia da partida.

No dia anterior, a última tarefa de minha avó tinha sido a preparação da boia, para o meu avô e demais vaqueiros, que deveria ser levada. O alforje (mocó) do meu avô era de pele de ovelha curtida e tinha o formato cilíndrico, em forma de saco, com 25 centímetros de diâmetro e 50 centímetros de comprimento.

Nele, meu avô iria levar alimentos para todos os vaqueiros: paçoca de carne seca pilada com farinha de mandioca, carne de sol assada, torresmo, queijo de coalho e rapadura, tudo misturado. A boia era colocada dentro do alforje, até enchê-lo completamente. Cada vaqueiro levava sua cabaça d’água, uma cuité, para usar como  prato, e uma colher.

Um burro, com dois caçuás de couro cru, acompanhava o gado levando mais alimentos (rapadura, farinha de mandioca, queijo de coalho e carne seca ) e outras coisas, como água, machado, facão, corda de laçar, espingarda de caça, munições, fósforo, sabão, pasta e escovas de dente, roupas, redes, lençóis e outros objetos. Dois burros de cela, de reserva, também acompanhavam a boiada.

Na hora da partida, minha avó chorosa se despedia  do marido, com beijos, abraços e com as  frases: “Boa viagem !”… “Deus te proteja !” Antes, na calçada da casa-grande, todos de mãos dadas tinham rezado um Pai Nosso e uma Ave Maria, implorando a Deus proteção e sucesso na caminhada.

As esposas dos vaqueiros também faziam suas despedidas e expressavam seus desejos de que tudo corresse bem, no desenrolar desta difícil empreitada.

Depois de abrir a porteira de paus roliços do espaçoso curral para o gado sair, o Sales, escolhido para ser o vaqueiro guia, tomava a frente da boiada e começava  a entoar o dolente aboio, para acalmar e direcionar o rebanho. Meu avô e os outros quatro vaqueiros iam na retaguarda, tocando o gado e aboiando para apascentar o rebanho.

Meu avô tinha na memória as fazendas que ele e os vaqueiros iriam se arranchar. Ele conhecia muito bem o percurso e os proprietários das fazendas onde eles iriam dormir, tomar banho, banhar e milhar os cavalos e dessedentar o gado. Durante vários dias, os vaqueiros, os cavalos, os burros e o gado descansavam à noite e caminhavam durante todo o dia.

Os vaqueiros se alimentavam sobre os  cavalos caminhando.

De tempos em tempos, meu avô tirava, com uma quenga de coco, paçoca com as misturas de dentro do alforje e colocava nas cuités dos vaqueiros e eles iam comendo de colheradas, sobre os cavalos em movimento. As paradas para possibilitar o gado pastar eram rápidas.

No final da exaustiva jornada, depois dos desgastantes dias de caminhada, com os vaqueiros muito enfadados, as montarias e o gado estropiados entravam na Fazenda Quatral, quando os vaqueiros de lá passavam a cuidar do gado e dos cavalos e burros.

Os vaqueiros fatigados tomavam banho, comiam coalhada com cuscuz e rapadura e dormiam. Depois de três dias de repouso, retornavam pelo mesmo caminho para a Fazenda Aracati.

Benedito Vasconcelos Mendes é professor, escritor e ex-diretor da Escola Superior de Agricultura de Mossoró (ESAM, hoje Ufersa)

O ‘céu’ e o ‘inferno’ nos bastidores da sucessão de Robinson

Por Carlos Santos

O presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, Ezequiel Ferreira de Souza (PSDB), é a pessoa mais empenhada no âmbito desse poder, à aprovação do pacotão “RN Urgente”. Trata-se de um elenco de 18 mensagens do Governo Robinson Faria (PSD) para viabilizar o “ajuste fiscal” do estado.

O fervor do deputado em nome dessa causa é compreensível. Ezequiel enxerga a Governadoria.

Fábio Dantas quer o "céu", mas pode passar pelo "inferno" de Robinson para viabilizar candidatura de Ezequiel (Foto: arquivo)

Credencia-se e coloca-se como a primeira opção no bloco governista, para ser candidato à sucessão de Robinson. A engenharia política passa pela aprovação do RN Urgente, mas uma “zebra” (desaprovação) necessariamente não o alijaria dessa corrida eleitoral.

O próprio Robinson, viabilizando ou não o ajuste fiscal, não conseguirá reverter a avassaladora repulsa popular que o soterra e a seu projeto de reeleição. Sua saída pode ser a desincompatibilização, para ascensão do vice Fábio Dantas (PCdoB).

A partir daí, outro caminho à sobrevivência política de Robinson é tentar retorno à Assembleia Legislativa, numa eleição bastante viável.

Fábio Dantas, governador, não seria problema para Robinson nem atrapalharia foco de Ezequiel para tentar chegar ao “inferno” (governo). O vice quer ir pro “céu” do RN, ou seja, receber indicação para conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), sonho que fecharia esse acordo. Ou ‘acordão’, como queira.

PRIMEIRA PÁGINA

O pleito de 2018 para o grupo Alves é uma incógnita. Fora de cena e do jogo, o ex-deputado federal Henrique Alves (MDB) é uma perda que o senador Garibaldi Filho (MDB) não consegue suprir. E confessa isso sem constrangimento. Até aqui, pairam mais interrogações do que definições para a campanha que se aproxima, tornando preocupante a reeleição do congressista e o projeto ao governo dos Alves.

O ‘inquestionável’ Fundo Garantidor

Para viabilizar a construção do Arena das Dunas, o Governo do Estado teve aprovado no dia 8 de setembro de 2010, finalzinho da gestão Iberê Ferreira (PSB, já falecido), o projeto de lei do Fundo Garantidor para Parceria Público-Privado (PPP), dando como garantia (por 22 anos) dez imóveis para o Consórcio OAS, posteriormente vencedor da “licitação”. Em valores atualizados, eles passariam hoje, provavelmente, dos 600 milhões.

Mas até o momento, mesmo com denúncia de corrupção na construção desse equipamento (veja AQUI), o atual governo não questiona judicialmente o negócio, para estancar pagamento mensal que hoje é de R$ 9,5 milhões/mês (já foram R$ 11,7 milhões) e dar novo destino a esses ativos. Pelo menos pretende fazer uma avaliação preliminar dos imóveis. Mas prioridade mesmo é avançar no mais fácil:  sangrar a jugular do servidor e do contribuinte com o tal do “ajuste fiscal”. Outro crime.

Movimento começa a ganhar corpo, em Caicó, para homenagens ao célebre Manoel Torres, ex-prefeito (duas vezes) e ex-deputado estadual (quatro vezes), um dos nomes mais expressivos da política seridoense em todos os tempos. Se fosse vivo, completaria 100 anos no dia 15 de fevereiro próximo. Faleceu no dia 16 de janeiro de 2012, em Natal.

Em sua passagem pela cidade-praia do Tibau, onde foi hóspede sexta-feira (12) da presidente da Câmara Municipal de Mossoró, Izabel Montenegro (MDB), o senador Garibaldi Filho (MDB) deixou claro: espera novo apoio à sua reeleição da prefeita mossoroense Rosalba Ciarlini (PP). Por lá, em almoço oferecido pela vereadora, a prefeita desconversou. Tudo é ainda muito turvo para tomada de posições definitivas.

Natural de Rafael Godeiro no Oeste potiguar, o tabelião (em Parnamirim) Airene Paiva é um nome que se projeta a deputado federal. O abrigo partidário tende a ser o PCdoB. Airene foi o mentor político do projeto que viabilizou a eleição de Carlos Augusto Maia (PSD) à Assembleia Legislativa em 2014, pelo PTdoB.

Airene: mentor de Carlos Augusto (Foto: Web)

Entrevistado pelo repórter Jenully Cristiano, da Rádio Cabugi Seridó, o desembargador Cláudio Santos (pré-candidato a governador), desabafou: “Eu economizei R$ 442 mil em dois anos, presidindo o Tribunal de Justiça (TJRN). Esse dinheiro pagou a folha dos juízes e de todos os funcionários desse poder durante quase quatro meses, com o atraso nos repasses do duodécimo, pelo governo. Por que a Associação dos Magistrados (AMARN) não disse nada? Por que o Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do RN (SISJERN) não disse nada? Eles receberam dinheiro nos últimos três, quatro meses, porque eu economizei sabendo que nós íamos chegar à situação de penúria de hoje.”

Nesse sábado (13) foi praticamente esquecida uma data emblemática para o clã Rosado. Em 13 de janeiro de 1918 nascia Jerônimo Vingt Rosado Maia. Faria 100 anos ontem. Faleceu em Mossoró no dia 2 de fevereiro de 1995, aos 77 anos. Escassos registros em redes sociais marcaram a data. Grande Vingt!

O ex-presidente da Câmara Municipal de Mossoró Jório Nogueira (PSD) voltou a ser valorizado pelo presidente estadual do seu partido, governador Robinson Faria (PSD). Teve a primazia de indicar sua mulher Nadja Comaneci de Almeida Costa para cargo comissionado no Hemocentro de Mossoró. Outras nomeações poderão ocorrer. Bom se apressar. Logo, logo, o governo chegará ao fim.

TÚLIO RATTO – JANELA INDISCRETA EM PAUTA

Benedito – O professor e escritor Benedito Vasconcelos Mendes vai lançar seu mais recente livro em Serra Talhada (PE), no dia 28 de março, às 19 horas, na Academia Serra-talhadense de Letras (ASL), às 19 horas. “As artes na civilização da seca” é o título da obra.

Carnaval do Apodi – A Prefeitura Municipal do Apodi já antecipou três das atrações do Carnaval 2018 na cidade: Banda Saia Rodada, o cantor baiano Tatau, ex-vocalista da banda AraKetu, e o grupo Dan Ventura e os Meninos. Promete monopolizar as atenções na região.

TV Terra do Sal: estreia no dia 22

Terra do Sal – Vai estrear no próximo dia 22 a TV Terra do Sal. Será captada no canal aberto 14 e 173 no sistema fechado Brisanet, a partir de Mossoró. Alguns nomes já estão certos à sua grade de programação local, como Carlos Cavalcante, Aline Linhares, Adriana Mendes, Márcio Costa e Jaedson Freitas. Excelente notícia pro mercado de comunicação do estado. Sucesso.

Amab – O cantor-compositor e músico Amab prepara lançamento de seu novo CD autoral sob o título “Sonho Real”, em Mossoró. Ele há muito está radicado em Natal, mas também teve recente temporada musical em Portugal. Seja bem-vindo, meu caro.

Carnaval com Café – O Café e Artesanato, na Praça da Convivência em Mossoró, fará festas no período carnavalesco. Até aproveita vácuo do evento público na cidade, que não será promovido pela municipalidade (acertadamente).

Assu – No dia 23 de janeiro, às 19h, o Cine-Teatro Pedro Amorim, em Assu, sediará a “Mostra de Documentários do Assu”, com uma série de filmes realizados por produtores locais, com temáticas regionais.

Baile da Cidade – Em Caraúbas, Vandilson Ramalho e Tica Soares preparam o “Baile da Cidade”, a partir das 22 horas, no Espaço Maria Júlia, dia 19 (sexta-feira). Uma das atrações é a ótima banda Radiola Club. Reservas de mesas neste número: (84) 99908-2051.

Biblioteca – Uma parceria (convênio) entre o Sistema Fiern e a Prefeitura de Pau dos Ferros viabiliza a construção e montagem de uma biblioteca na cidade. O Serviço Social da Indústria (SESI) entrará com acervo, móveis e equipamentos de informática. Bravo!

SÓ PRA CONTRARIAR

Até quando os poderes e órgãos do Estado do RN que recebem duodécimos acreditam que estarão imunes à crise, sem atrasar salários de seus membros?

GERAIS…GERAIS…GERAIS

Obrigado à leitura de Nosso Blog a Gilberto Dias (Olho D’água do Borges), Jarleide Souza (Mossoró) e Paulo Tarcísio Cavalcanti (Natal).

O cantor-compositor Oswaldo Montenegro estará dia 24 de fevereiro no Teatro Riachuelo em Natal, a partir das 21 horas. Comemora 40 anos de carreira.

O radialista Haroldo Jácome retorna à titularidade do Show da Manhã na Rádio Difusora de Mossoró (1.170Khz), nessa segunda-feira (15), após alguns dias de folga.

Veja a Coluna do Herzog do domingo passado (07), clicando AQUI.

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo Twitter clicando AQUI e o Instagram clicando AQUI.

Nova diretoria do Icop toma posse nesta sexta-feira

É hoje (sexta-feira, 24), às 19h, no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Subseccional de Mossoró, a posse da nova diretoria do Instituto Cultural do Oeste Potiguar (ICOP).

Sai Benedito Vasconcelos Mendes e entra Clauder Arcanjo na presidência.

Saiba mais detalhes clicando AQUI.

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo Twitter clicando AQUI e o Instagram clicando AQUI.

Instituto Cultural empossará diretoria e lançará revista

Clauder: posse (Foto: arquivo)

Na próxima sexta-feira (24), às 19h, no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Subseccional de Mossoró, o Instituto Cultural do Oeste Potiguar (ICOP) dará posse à sua nova diretoria.

O escritor Clauder Arcanjo substituirá o professor, pesquisador e escritor Benedito de Vasconcelos Mendes, na presidência

Mandato para o biênio 2017/2019.

O Icop também lançará a 18ª edição da Revista Oeste.

Na mesma ocasião a escritora Valdívia Beauchamp lançará o livro “Stigma, saga por um novo mundo”.

Nota do Blog – Confirmo presença, caros confrades.

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo Twitter clicando AQUI.

Benedito Mendes assume cadeira na Academia de Letras

Mendes discursa durante sua posse (Ivanízio Ramos)

Foi à noite desta sexta-feira (10), a Sessão Solene de Posse de Benedito Vasconcelos Mendes na Academia Norte-riograndense de Letras (ANL), em Natal. A solenidade que empossou o escritor e pesquisador na cadeira de número 38 foi realizada na sede da Academia, no bairro de Petrópolis.

O novo imortal é professor universitário, doutor em ciências agronômicas, pesquisador e escritor, além de um estudioso do semiárido. Presidiu a Emparn e foi o criador da Estação Experimental de Terras Secas, em Pedro Avelino.

Benedito Vasconcelos Mendes vai ocupar a cadeira 38, cujo patrono é o doutor Luís Antonio Ferreira Souto dos Santos Lima e sucede à acadêmica América Fernandes Rosado Maia que, por sua vez, sucedeu o esposo, Vingt-Un Rosado.

Rosalba

Na posse, ele foi saudado pelo acadêmico Ernani Rosado Soares.

Para a governadora Rosalba Ciarlini (DEM), que prestigiou a posse, Benedito nesta cadeira é motivo de muito orgulho para o povo potiguar.

“É uma responsabilidade muito grande assumir essa cadeira que já foi de Vingt-Um e de América Rosado. Como aluno de Vingt-Um, o nosso novo imortal seguiu seus passos e tenho certeza de que, hoje, o seu mestre está orgulhoso de ver o resultado deste trabalho que foi iniciado ainda muito jovem, quando Benedito foi professor e, depois, diretor da Escola Superior de Agricultura”, afirmou a Rosalba Ciarlini.