No próximo sábado (26), será aniversário de Belchior, cantor e compositor cearense. Vivo, ele faria 78 anos.
Para marcar a dada, a banda Corcel 73 fará show em homenagem ao artista, com o título de “ Noite Latino-americana.” Será na Cervejaria Bacurim, em Mossoró, a partir das 20 horas.
Serão 3 horas de boa musica de artistas que marcaram gerações, como Rita Lee, Zé Ramalho, Cazuza, Raul Seixas, Ney Matogrosso, Renato Russo e a última hora do show será dedicada ao “Rapaz Latino americano – Antônio Carlos Belchior”, destaca o vocal-líder da Corcel 73, Airton Cilon.
“Serão 17 músicas do repertório do saudoso filósofo da MPB”, acrescenta.
No evento não será cobrado ingresso, apenas couvert artístico.
Perfil
Antônio Carlos Belchior nasceu em 26 de outubro de 1946, na cidade de Sobral, no Ceará. Desde cedo sua vida esteve em sintonia com a música, pois a sua mãe Dolores cantava no coral da igreja. Seu pai, Otávio Belchior, era juiz e delegado respeitado na cidade.
Belchior era um estudioso da palavra, um poeta. Suas composições inteligentíssimas e cheias de personalidade traduzem a urgência e a inquietude do jovem brasileiro de sua época. Cantava temas filosóficos, geracionais e humanos, em uma obra de forte caráter crítico, político e poético.
Ele faleceu dia 30 de abril de 2017, em Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul. Tinha 70 anos.
Boêmio convicto, o jornalista-compositor pernambucano Antônio Maria cunhou uma frase que virou um culto à boa vida noturna carioca, que ele aproveitou intensamente, sobretudo nos anos 50: “A noite é uma criança”.
É verdade. Eu já a embalei muito e a conheço bem. Contei estrelas sob seu teto, tangi-a por aí, sem destino. Com seu consentimento eu bebi todas, bradando aos quatro cantos a minha felicidade.
Para Cazuza, “o banheiro é a igreja de todos os bêbados”. À noite, é também o vômito espalhado no chão, o batom na gola da camisa, recanto das mais sórdidas confissões e daquele inescapável último pingo na cueca.
“À noite todos os gatos são pardos.” Tenho minhas dúvidas. Muitos cintilam e reluzem, para morrer aos primeiros raios de sol da manhã. Outros têm cores próprias e se renovam ao amanhecer. Tem sete vidas.
Na verdade, a noite tem o poder de revelar pessoas, isso sim. Mas elas não são melhores ou piores por causa da noite. Nem adianta culpar a bebida por sua imagem lasciva declarada, longe da identidade diurna.
A “persona” (máscara) não cabe em qualquer um, é bom que fique claro. Ela se esconde na maquiagem borrada, na moral encardida.
Hemingway disparou: “Paris é uma festa”. Tem sido assim há décadas. E a noite?
Temos muito de Paris, do Sena que nos corta à Bastilha que nos prende. A Champs Élysées que parece infinita é como aquela noite que nunca devia acabar, de tão boa.
A “baladeira” (rede) me aguarda dadivosa. Tadinha, tão surrada, mas acolhedora. A noite engatinha e o sono não chega. É como meu novo bebê, vivo num imaginário dividido e partilhado, pronto para nascer. Estou à sua espera infinitamente.
O que seria da humanidade pós-moderna se não fosse Twitter, MSN, Facebook etc.? Sobreviveria, lógico, mas assim mesmo quero ir para Pasárgada. Sem querer ser esnobe, vou logo avisando: lá não faço questão de ser amigo do rei.
Sou velho mesmo. Do tempo que puxava o sono ouvindo a Rádio Mundial, folheava a Playboy às escondidas, com olhar rútilo, jogava conversa fora à calçada para engolir as horas e fazia do sarro o ápice do “amor”.
Bom tempo.
Sou do tempo que a madrugada insone, de boemia inocente, terminava no Mercado Central, na esquina de casa, na praça com o sol dando “bom-dia”. Feliz pela camisa amarrotada, por sentir outro perfume no corpo ou conformado com a solidão de muitas vozes ininteligíveis, sem que umazinha sequer me acalentasse.
Saudosista? Não. Vivo hoje o melhor dos meus dias terrenos, sem medo de olhar para trás e enxergar minhas próprias pegadas.
O meu tempo não é o da saudade. Fico a falar do que passou, porque passou sem ir embora. É como aquele livro bom, socado entre outros na estante, que a gente sempre consulta numa releitura que se renova.
É, muitas vezes, um volver para rir das próprias desgraças. Passeio por desventuras próximas as de “Geraldo Viramundo”, personagem de Fernando Sabino, sempre envolto em situações picarescas e estapafúrdias. Um Dom Quixote sertanejo.
Ah… e se eu fosse poeta? E se tivesse um violão? Não quero nem pensar. A sarjeta seria minha pátria. Bardo solto por aí, crente na imortalidade, não estaria aqui, balbuciando essas palavras. A noite teria minha vigília permanente à janela de Rapunzel.
Talvez fosse “um menino passarinho, com vontade de voar”, como escreveu Luiz Vieira. Até pediria que copiassem o próprio Sabino com um etipáfio parecido àquele posto em seu túmulo, para fechar minha história:
“Aqui jaz Carlos Santos, que nasceu homem e morreu menino”.
Boa noite. O sono chegou.
São 3h15… zzzz!!!
Carlos Santos é criador e editor do Blog Carlos Santos (Canal BCS)
*Texto originalmente publicado nesta página no dia 13 de fevereiro de 2011 (veja AQUI).
Nesses tempos em que tudo é muito fugaz, líquido – como definiu o sociólogo polonês Zygmunt Bauman -, a morte como fim definitivo do indivíduo, da matéria, não tem a devida paz. Nem ela. Testemunhamos experimentos que buscam a eternidade in vitro. Ou a longevidade máxima através de complexos vitamínicos e exaustão física sob peso de marombas. Todos, todas, todes e toddynhos pensam que viver muito é viver.
Surgiu até a “compostagem humana” nos Estados Unidos, onde o capitalismo ganha sempre, tirando de vivos e mortos o máximo possível. Nesse método de ‘reciclar’ o finado, o cadáver passa por processo químico e de decomposição com produtos naturais, para se transformar em “solo utilizável.” Um adubo, digamos.
A parentada pode levar para casa e espalhá-lo no jardim, onde dividirá o solo gramíneo com o cocô do bichano e aquela frutinha que se esparramou no chão, lá se decompondo. Enfim, o fim nada edificante, coabitando o lugar com o que apodrece e pisoteado todos os dias por quem lhe amava (ou detestava em silêncio).
Vida louca vida, vida breve
Já que eu não posso te levar
Quero que você me leve
Vida louca vida, vida imensa
Ninguém vai nos perdoar
Nosso crime não compensa
(Cazuza em Vida, louca vida)
Essa resistência em partir é muito humana. Contudo, não faz parte do mundo líquido de Bauman, sem dúvidas.
Nem todos pensam e agem assim. Diagnosticado com câncer, o genial jornalista, escritor e cronista Rubem resolveu que não se submeteria à qualquer tipo de tratamento.
Ele optou pela cremação, para que as cinzas do seu corpo fossem dispersas no rio de Cachoeira de Itapemirim-ES, sua terra natal. Tudo em data, local e horário que só um núcleo familiar soubesse e o filho Roberto sacramentasse. Já tinha feito as despedidas em vida.
No livro Rubem Braga – Um cigano fazendeiro do ar, de Marco Antônio de Carvalho, publicado em 2007, o autor narra esquisitices que muitos pensavam ser lenda, quanto aos preparativos à viagem sem volta do cronista, em 1990. Braga (olha só a minha intimidade) saiu do Rio de Janeiro para São Paulo, onde tratou dos detalhes da cremação em empresa do ramo, acostumada a torrar gente.
Uma funcionária muito educada quis apenas saber de quem seria o cadáver. “O cadáver sou eu!”
De adeus eu entendo. Por não saber me despedir, não acompanhei meus velhos à última morada. Só depois, dias depois, só eu e eles, pude chorar ao pé da cova e imerso no meu eu, enquanto balbuciava alguma oração que decorei – mal – na infância.
Por achar que doeria muito ver um amigo indo embora aos poucos, resisti em visitá-lo num leito hospitalar – mais consegui, só Deus sabe como. Foi nosso último encontro por aqui. À esposa, sobre minha ausência até então, quase acertou:
– “Carlos não vem. Ele não aguenta me ver assim.”
Previno-o nessas últimas linhas: essa não é uma crônica sobre a morte, embora pareça. Nem é epitáfio laudatório, mesmo que assim possa ser interpretado. Ao contrário de Brás Cubas, um defunto autor que só a cabeça criativa de Machado de Assis daria vida, cá estou para contar – do meu jeito – sobre o que é viver… antes de partir.
“Não tenho tempo a perder (…),” diria o poeta piauiense Torquato Neto, que resolveu ir mais cedo, sem nunca nos deixar.
Carlos Santos é criador e editor do Blog Carlos Santos
Reinvenção, coragem e ousadia. Essas são as características que marcaram as gravações em homenagem ao Dia Mundial do Rock (8 de julho), que a banda Mobydick preparou especialmente para comemorar a data.
A live especial vai ao ar no canal do Youtube Mobydick.natal , no próximo sábado, dia 11 de julho, às 18h. Inscrevam-se e ativem o sino para não esquecer.
Mobydick é uma banda natalense que toca clássicos do rock com enorme talento (Foto: divulgação)
No repertório estarão mais de vinte músicas contempladas de grandes nomes do rock nacional e internacional, como Raul Seixas, Cazuza, Renato Russo, Beatles e Rolling Stones.
A produção contou com o apoio de toda uma equipe técnica para auxiliar, como decoradores, direção de filmagem e iluminação especial, sempre de forma controlada e seguindo às orientações sanitárias. Também houve a participação especial de músicos locais.
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Todo amor que houver nessa vida tem um fervor poético intenso, como a própria natureza de quem a escreveu, Cazuza, em parceria com Roberto Frejat. Dupla de considerável produção nos anos 80.
Letra e música são eternas porque dizem muito, para muitos e em qualquer tempo; por lidar com um sentimento universal, atemporal e cotidiano.
Um presente do Blog neste último domingo do ano, incensando a vida e lhe desejando realmente “todo amor que houver nessa vida”.
Eu quero a sorte de um amor tranqüilo Com sabor de fruta mordida Nós na batida, no embalo da rede Matando a sede na saliva
Ser teu pão, ser tua comida Todo amor que houver nessa vida E algum trocado pra dar garantia
E ser artista no nosso convívio Pelo inferno e céu de todo dia Pra poesia que a gente não vive Transformar o tédio em melodia
Ser teu pão, ser tua comida Todo amor que houver nessa vida E algum veneno antimonotonia
E se eu achar a tua fonte escondida Te alcanço em cheio, o mel e a ferida E o corpo inteiro como um furacão Boca, nuca, mão e a tua mente não
Ser teu pão, ser tua comida Todo amor que houver nessa vida E algum remédio que me dê alegria.