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Um pouco de ontem

Por Odemirton Filho

Foto ilustrativa
Foto ilustrativa

“A criança que fui chora na estrada. Deixei-a ali quando vim ser quem sou; mas hoje, vendo que o que sou é nada, quero ir buscar quem fui onde ficou”. (Fernando Pessoa).

Vez ou outra, lembro-me da criança que fui; de poucas palavras, poucos amigos. Vivi os dias da minha infância na rua Tiradentes, no centro de Mossoró. Ali, o adulto de hoje foi forjado.

Os dias corriam devagar, quase parando, divididos entre a casa onde morava, a padaria dos meus pais e o colégio. À noitinha, gostava de jogar bola com os meninos da rua e ouvir histórias de “trancoso”. As férias, como já escrevi em inúmeras oportunidades, era na praia de Tibau, meu xodó.

Lembro que os dias na padaria começavam ainda de madrugada. Meu pai, por inúmeras vezes saiu de madrugada para ir buscar outro funcionário, porque o padeiro do turno, depois de tomar umas, faltava ao serviço. Então, era um aperreio para conseguir um substituto e conseguir começar o dia com uma nova fornada de pães.

Durante o período da manhã, depois de fazer o dever de casa, eu corria pra padaria a fim de ver os funcionários, literalmente, com a mão na massa, trabalhando incansavelmente com o cilindro. Recordo-me muito bem do padeiro João Camilo, um mestre em sua arte.

A massa depois de pronta era colocada em um enorme forno a lenha. Ao sair do forno, em alguns pães, passava-se um pincel com uma espécie de melaço, transformando-o no famoso “pão doce”. Maria Arimar Braga, funcionária antiga da padaria, fazia os bolos e doces.

O que mais apreciava, entretanto, era a bolacha sete capas, enquanto ajudava a encher os pacotes, saboreava algumas.

Cheguei, algumas vezes, a atender no balcão. O final da tarde era o horário de maior movimento, quase não dava conta atender a freguesia. Outra vezes, porém, quando tinha mais idade, ficava no caixa, recebendo dinheiro e passando troco. Nada de cartão de débito, crédito ou PIX. Era dinheiro “vivo”.

Duas ou três Kombis faziam a entrega dos pães em alguns pontos de revenda nos bairros mais afastados da cidade. Às vezes, vendia-se muito; a sobra, chamávamos de “boia”. Final de semana, normalmente no sábado à tarde, fazia-se o pagamento dos funcionários. Inúmeras vezes, restava-nos uma quantia mirrada de dinheiro.

Havia um senhor, não lembro o nome, que toda tarde passava para comprar pão. Ele chegava no seu carro potente, descia, comprava e ia embora. Criança, eu ficava sentado na calçada, vendo-o, e dizia a mim mesmo que, um dia, teria o meu carro pra ir comprar pão em uma padaria e levar para minha mulher e meus filhos. Um inocente sonho de criança. Mas, quem não teve um sonho quando era criança? Eu tive. Muitos. Não deixei de sonhar, é claro, no entanto, sonho com os pés no chão.

Por isso, aqui e acolá, ao buscar a criança que um dia fui, lembro um pouco do ontem. Dos meus medos e sonhos; das minhas alegrias e tristezas. E hoje, agradeço a Deus pelo pão nosso de cada dia.

Odemirton Filho é colaborador do Blog Carlos Santos 

Eu entendo

Quem chorou vendo entrevista do músico Roberto de Carvalho (marido de Rita Lee), ao programa Fantástico – Show da Vida, da Rede Globo, exibida no domingo (14), eu entendo.

Eu chorei.

Quem não chorou, entendo mais ainda. 

* Rita Lee faleceu de câncer no último dia 09 (veja AQUI).

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O choro dos fariseus

vista-frontal-do-jovem-macho-na-camisa-preta-posando-e-choro-falso_140725-19470Redes sociais viraram muro das lamentações de pessoas que fazem ‘merda’, sofrem pressão e se veem obrigadas à manifestação de pedido de desculpas.

É muito choro, é muito arrependimento.

Todos adultos, muitos com cargos públicos ou posições sociais relevantes.

Fariseus.

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Ninguém chorou por ti

Por Inácio Augusto de Almeida 

Faz tanto tempo. Eu não era nem nascido. Crupe é o nome da doença que te levou. Hoje, uma coisa boba. Mas naqueles dias antibióticos era difícil. Difícil e caro, principalmente para nosso pai que trabalhava numa mina de carvão no interior de Santa Catarina. Vê, Geraldo, nem mesmo o nome da cidade eu me lembro mais.

Para ti, irmão, faltou um comprimido de penicilina e o homem da mercearia, que sempre te via brincando nos fins de tarde, só soube da tua morte dias depois do teu enterro.  sofrimento, reflexão, solidão, depressão, isolamento, banco de praça,

A preta velha que te rezou, fez de coração, mas, coitada, rezava sozinha, sem nenhuma corrente formada para ajudá-la.

Eu, apesar de não te ter conhecido, sempre me lembro de ti. Papai sempre me falava de teus cabelos pretos, encaracolados, teus olhos castanhos, vivos, de uma vivacidade que denotava uma inteligência muito acima do normal; dizia que tu te foste porque Deus quis.

Sei não, irmãozinho. Sei não.

Ou será que se tu tivesses naquela noite uma equipe médica à tua cabeceira, com todos os medicamentos possíveis e imagináveis; e muitas, muitas pessoas a pedir por ti, será que o Criador não teria um pouco mais de paciência e deixaria para te levar só muitos anos depois?

Tu foste um nordestino que morreu como morrem milhões e milhões de irmãos nossos. Sem um comprimido sequer. E o que é pior irmãozinho, sem que ninguém derramasse uma lágrima sequer. Porque sobre ti e sobre os teus coleguinhas de desgraça não se criou nenhum clima emocional. Não se dramatiza sobre os Zés da vida. E são tantos, Geraldo.

Tantos, tantos que me causa espanto, quando vejo gente tão insensível, à fome e à miséria destes pequeninos, chorando nas ruas por um doente qualquer. E era dos pequeninos que o Senhor mais gostava ou não foi ele que disse: “ai de quem tocar em um dos meus pequeninos…”

Sabe, Geraldo, ainda hoje morrem pequeninos de Crupe. Não, irmãozinho, não. Existem antibióticos, sim. Bastam alguns comprimidos e pronto.

A doença que te matou é hoje fácil de curar. Tão fácil como uma simples gripe. Mas os garotinhos do Nordeste continuam morrendo de crupe. Por quê?

Ora, nenhum destes que choram e oram por um doente que nunca viram, é capaz de mandar para um pequenino uma pílula.

E elas custam tão pouco! Menos do que o preço de uma cerveja.

Não consigo entender a sensibilidade desta gente que chora a morte de um animal de estimação ou de algum famoso a quem nunca viram. Se alguém consegue entender, não sei.

Não, não me pergunte, irmãozinho, eu realmente não entendo esta sensibilidade.

Sinto vontade de rir. De rir e de chorar.

Tu te foste, irmão querido. Não tinhas sequer cinco aninhos. Eu não te vi, mas em mim ficaram as imagens de ti através do meu pai, que como nordestino que era, não podia chorar por ti.

Nem ele nem ninguém chorou por ti. E hoje, ninguém chora, reza ou faz promessas pelas crianças que, como tu, morreram e morrem sem a menor assistência.

Ninguém chora por elas, ninguém, como ninguém chorou por ti.

Inácio Augusto de Almeida é jornalista e escritor

P.S. – Quatro mil crianças morreram de subnutrição em 2020 e ninguém chora por elas. (Fonte: Data SUS- Ministério da Saúde).

Fátima Bezerra chora e emociona em Assembleia Universitária

A Assembleia Universitária da Universidade do Estado do RN (UERN) ocorrida nesta tarde de sábado (28), em Mossoró, foi uma das mais concorridas dos últimos anos. Ponto marcante foi o discurso da governadora Fátima Bezerra (PT).

Fátima: "autonomia financeira da Uern" (Foto: reprodução BCS)

Ela chegou chegou a chorar ao final, em agradecimento pela titulação recebida. Emocionou-se e emocionou muitos presentes:

– Eu vou guardar como uma das melhores lembranças de minha trajetória política, esse título de Doutora Honoris Causa – disse.

Seu pronunciamento arrancou aplausos e outras manifestações da plateia que lotou o Teatro Municipal Dix-huit Rosado.

Em vários momentos, a governadora se desvencilhou do texto formal escrito à sua fala, para apostar no improviso. E talvez tenha sido o que mais acrescentou em empatia e emoção.

Recapitulou sua relação com a Uern, trajetória como sindicalista, professora e política em defesa da educação.

– Temos prioridade absoluta com o fortalecimento dessa universidade – deixou claro.

Salientou que a escolha da Reitoria da instituição para sediar o Governo do Estado em sua estada provisória, em Mossoró, desde a última quinta-feira (26), não era por acaso. Tinha o “simbolismo” dessa identificação.

Reconhecimento

Voltando-se para a prefeita e ex-governadora Rosalba Ciarlini (PP), sua adversária política, declarou: “Reconhecemos sua luta junto ao Banco Mundial, para conseguir o empréstimo (referência ao Programa Governo Cidadão que tem várias obras no estado).” Aditou, que seu governo trabalha mais um empréstimo com a mesma instituição internacional.

Não esqueceu de exaltar “Luís Inácio Lula da Silva como o melhor presidente do Brasil, inclusive para a educação”. Pregações de “Lula livre” e vozes em contrários ecoaram no teatro.

Advogou pacificação política em defesa dos mais legítimos interesses do estado e reforçou empenho para mobilizar e estar ao lado da bancada federal, para diligenciar questões em favor do RN.

– Sou a governadora dos que votaram em mim e a governadora dos que não votaram em mim – cientificou.

Uma promessa específica à comunidade universitária, que mexeu positivamente com os ânimos da plateia, foi quando assegurou que estava entre seus sonhos a viabilização “da autonomia financeira da Uern”.

– Viva a Uern, viva Mossoró, viva o RN, viva a democracia – encerrou a governadora.

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Terceirizada pede salário para pelo menos “ter o que comer”

A servidora terceirizada da Prefeitura Municipal de Mossoró, Ariosnilda Firmino, causou comoção durante reunião no final da manhã de hoje (quarta-feira, 6), na sala da Presidência da Câmara Municipal de Mossoró.

– Se nós tivéssemos pelo menos o que comer, bastava – lamentou a terceirizada, enxugando lágrimas que escorriam por seu rosto.

A reunião foi decorrente de protesto de servidores de empresas terceirizadas que prestam serviço à municipalidade. Muitos levaram sua angústia para a Câmara Municipal. Há casos de sete meses sem pagamento salarial.

A sessão da CMM foi suspensa, com os vereadores tentando um contacto com representantes do governo Rosalba Ciarlini. Governistas prometeram intermediar contacto, mas os terceirizados terminaram saindo do encontro sem nenhum retorno do governo.

“A decoração natalina desde ano está de acordo com a situação da cidade: até as árvores estão chorando”, comentou a vereadora oposicionista Isolda Dantas. Lembrou desabafo da própria servidora terceirizada, que citou “as árvores chorando” (alusão à iluminação natalina da prefeitura, colocadas em árvores).

Calote

“Está difícil algum retorno da prefeitura. Saímos da Câmara Municipal e nada”, criticou Petras Vinícius (DEM), também da oposição.

“Eu sou direto. Eu disse que eles não vão receber, vão levar calote, do jeito que as coisas estão”, alertou o vereador oposicionista Raério Araújo (PRB).

* O vídeo constante desta postagem foi publicado originalmente no Instagram do Blog Saulo Vale.

Leia também: Terceirizados da prefeitura estão sem salários há sete meses AQUI.

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Primeira-dama promete que não vai mais chorar

Desde segunda-feira (5) à noite, em reunião com a militância de seu grupo político, que a primeira-dama mossoroense Amélia Ciarlini tem repetido:

– Eu não vou mais chorar!

Combinado!

Nota do Blog – Seu choro ao vivo (Veja AQUI) causou sérios estragos à candidatura à reeleição do marido, “Francisco”, o Francisco José Júnior (PSD) – Veja AQUI.

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Mulher de prefeito chora, critica dura ingratidão e anuncia o rompimento com governador Robinson Faria em vídeo-carta

A primeira-dama e ex-secretária municipal do Desenvolvimento Social de Mossoró Amélia Ciarlini, mulher do prefeito mossoroense Francisco José Júnior (PSD), agora denominado apenas de “Francisco”, fez um longo depoimento banhada em choro.

O episódio foi à manhã de hoje, através do Facebook Live em aplicativo “ao vivo”. Seu pronunciamento, em cima de um texto que afirmou ter sido feito por ela mesma, sem conhecimento do marido.

– Fiz isso sem o conhecimento do meu esposo Francisco José Júnior (…) – assinalou.

A “vídeo-carta” foi dirigida especialmente ao governador Robinson Faria (PSD), num desabafo que o definiu como homem ingrato por ter deixado seu marido praticamente só, contra tudo e todos na política de Mossoró, sem uma contrapartida de apoio para administrar a prefeitura.

Amélia leu ao vivo, texto que teria sido escrito por ela e dirigido ao governador (Foto: reprodução)

Paralelamente à sua manifestação, em lágrimas e com uso até de lenço, Amélia era bombardeada por internautas adversários e aliados, num “tiroteio” verbal grotesco.

Amélia disse: “Ele (Francisco) acreditou ter um amigo que, se vitorioso, iria ajudar Mossoró”.

Em outros trechos, ela reitera a decepção com o governante e o sacrifício do seu marido, que esperava “Mossoró ser reconstruída”, com apoio de Robinson.

Lembrou também, que Robinson chegou a afirmar em Campanha que seria “o governador de Mossoró”.

Deixou claro que “não sigo mais com orientação política do governador Robinson Faria”. Assinalou que acredita no marido e “não acredito na candidata Rosalba que sequer sabe o que está sendo feito por Mossoró”.

Avisou ainda que “estarei me desfiliando do PSD” e continuará ao lado do prefeito e marido, mas “não faço mais parte dessa política do senhor Robinson Faria”.

Veja Link integral da fala da primeira-dama clicando AQUI.

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Entidade sindical sai dividida e sob desconfiança

A greve de quase 40 dias encabeçada pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Mossoró (SINDISERPUM), encerrada nessa quinta-feira (24), vai deixar profundas marcas na entidade. Há uma fenda, que divide sindicato.

As últimas duas assembleias revelaram profunda divisão e mesmo o retorno ao trabalho decidido ontem, não teve apoio de franca maioria. Resultado foi apertado, com discursos acalorados.

Não faltou até mesmo a dramaticidade do choro de um orador do segmento de odontologia, lastimando desfecho inglório do movimento.

Apenas parte das categorias em greve do segmento de Saúde obteve promessa de ganho.

A maioria saiu de mãos abanando e indignada.

Não será fácil o Sindiserpum mobilizá-los novamente.

Ficou no ar o desapontamento e muita gente se sentiu manipulada por interesses que fogem às aspirações das categorias de trabalhadores.