As movimentações políticas de rua no fim de semana, em Mossoró, mostraram nova realidade que quebra um ciclo de mais de sete décadas no município: o fim do protagonismo do clã Rosado em sua própria terra.
Na sexta-feira (2) ruas e avenidas da cidade foram tomadas por carreata comandada pela governadora Fátima Bezerra (PT) – veja AQUI, candidata à reeleição. Já no sábado (3), o prefeito mossoroense Allyson Bezerra (Solidariedade) – veja AQUI, puxou outra ainda mais expressiva, com seus nomes no pleito deste ano: Jadson (Solidariedade), nome a estadual; lawrence Amorim (Solidariedade), federal; Rogério Marinho (PL), Senado; e Fábio Dantas (Solidariedade), candidato ao governo.
Na sexta-feira, a banda Rosado comandada pela candidata à Câmara dos Deputados, Sandra Rosado (União Brasil), foi coadjuvante na movimentação de Fátima. Acomodou-se como apoiadora.
O grupo da ex-prefeita Rosalba Ciarlini Rosado (PP), nem isso. Apenas assistiu de longe as duas mobilizações.
Com duas semanas de campanha, em prol de seus candidatos a deputado estadual e federal, Anax Vale (União Brasil) e deputado federal Beto Rosado (PP), que tenta a reeleição, o sistema da ex-prefeita é quase invisível: aposta em redes sociais, pequenas reuniões segmentadas e recruta pessoal para propaganda de rua e catequese nos bairros e zona rural, casa a casa.
Os tempos são outros. E a luta é por sobrevivência ou subsistência política.
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Eleger um deputado federal Rosado não é apenas objetivo político, vaidade ou demonstração de força para o clã rosadista que já chegou a ter três integrantes na Câmara dos Deputados simultaneamente, nos anos 90.
O deputado federal retroalimenta esquema eleitoral e empresarial, azeitando o grupo de meios à perpetuação do poder. É uma máquina que precisa estar azeitada.
Depois explico em números.
Recapitulo histórias.
Veremos.
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Até aqui, passados mais de seis meses das eleições municipais de 2020, ocorridas em 15 de novembro, os dois grupos do clã Rosado ainda não se juntaram à mesa (com máscaras, claro) à avaliação do pleito.
Pelo visto, o resultado com a derrota catastrófica da então prefeita Rosalba Ciarlini (PP) não foi suficiente para que realizassem inventário e planos para seguirem (ou não) juntos em 2022.
Último bastião do clã é o legislativo local (Foto: arquivo)
O clã Rosado está resumido a um mandato eletivo da vereadora Larissa Rosado (PSDB), ex-deputada estadual.
Ela é quem mantém a bandeira familiar tremulando na política, no pior momento da história desse grupo, que há mais de 70 anos, de forma quase contínua, pontificava em Mossoró e chegou a se expandir pelo estado.
Com a perda do mandato de Beto Rosado (PP) – veja AQUI – no dia passado, além da derrota de Rosalba Ciarlini Rosado (PP) à Prefeitura de Mossoró, há pouco mais de dois meses, a oligarquia tem que repensar tudo.
E o que se almeja logo ali, para 2022, não é muita coisa. No máximo, mandato de deputado federal e estadual. Com um detalhe: eles podem ocupar novamente palanques opostos – repetindo o duelo rosalbismo x rosadismo que mantiveram por cerca de 30 anos.
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A campanha municipal do próximo ano é decisiva para os Rosados como grupo político-familiar. Seu apogeu já passou, está bem distante, fora mesmo do retrovisor empoeirado. Recorrendo-se a uma analogia, é como o ciclo do petróleo na região mossoroense: já foi, mesmo que continue existindo o ‘ouro negro’ em seu subsolo, por mais e mais tempo – décadas ou séculos.
O pleito 2020 será de subsistência, bem longe do paroxismo de sucessos de alguns tempos atrás. É vencer ou vencer.
Chegaram a ter o governo estadual, dois mandatos (e até três) simultâneos de deputado federal, Prefeitura e controle de Câmara Municipal, tudo ao mesmo tempo. Obtiveram assentos no Senado (direta e indiretamente) e sempre foram próceres do Palácio do Planalto.
Em 2018, Sandra e Rosalba enfurnaram-se na periferia e zona rural, mas não evitaram derrotas humilhantes (Foto: arquivo)
A última vez que elegeram alguém para a Assembleia Legislativa foi há nove anos, em 2010 (Larissa Rosado-PSDB). Ela própria, certamente o melhor quadro político Rosado-raiz em atividade, coleciona quatro derrotas à municipalidade e duas a estadual.
Na Câmara dos Deputados, Beto Rosado (PP) reelegeu-se a duras penas, tendo que duelar nos escaninhos da Justiça Eleitoral.
Em termos de Governo do RN, o clã aboletou Kadu Ciarlini (PP) como vice de Carlos Eduardo Alves (PDT) em 2018, mas perdeu nos dois turnos. Em Mossoró, a derrota foi ainda mais dolorosa, mesmo com a prefeita e mãe de Kadu, Rosalba Ciarlini (PP), enfurnando-se na periferia e zona rural com toda estrutura municipal à mão.
Estão entrincheirados no Palácio da Resistência (nome bem adequado à sede da municipalidade) com o mandato da “Rosa” e um assento no Legislativo (vereadora Sandra Rosado-PSDB). É muito pouco. E para tentar voltar a ter tamanho além dos limites de Mossoró, precisa desesperadamente vencer o embate de 2020.
Para os seus eventuais adversários, a chamada oposição não-rosado, essa não será uma eleição de vida ou morte.
Será diferente.
É a segunda campanha paroquial que vão ter, nessa nova configuração, após décadas de Rosado x Rosado polarizando no mesmo campo político.
O rosadismo/rosalbismo não tem adversário até o momento, mesmo com profundo desgaste em imagem, números e votos recentes, mas vê fantasmas com rostos disformes em todos os lados. O comportamento é obsessivo.
Compreensível essa inquietação. Pela forma como o grupo começa a ‘perseguir’ esses inimigos, da mídia à política, percebe-se que a patologia está se acentuando perigosamente.
Tática espontânea ou planificada, o fato de na oposição ninguém – à exceção do PCdoB de Gutemberg Dias – se apresentar como pré-candidato, deixa o governismo ainda mais indócil, impaciente e sem saber para onde atirar.
Na dúvida, ataca tudo que se mexa ou possa representar uma ameaça.
Com pesquisas regulares em mãos, o governismo sabe que a qualquer momento pode surgir uma chapa competitiva, capaz de catalizar uma multidão “do contra”: contra os Rosados, contra o rosalbismo, contra o establishment, contra Potiguar e contra o Baraúnas. Do contra.
Em 2016, essa insatisfação já tinha aflorado no pleito municipal, quando do nada surgiu uma multifacetada ala oposicionista. Em 2018 houve visíveis decepções nas urnas. Então, compreensível, que 2020 cause tantos calafrios.
Lá, no próximo ano, os Rosados estarão outra vez misturados porque ficaram fracos, desnutridos. A “união” é paradoxalmente um sinal de debilidade, não de força.
Os fatos, números eleitorais recentes e pesquisas (atuais) que possuem mostram isso. Eles sabem que eu sei que eles sabem. O webleitor menos atento agora também sabe.
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As eleições municipais do próximo ano em Mossoró não serão como aquelas que passaram.
Para o clã Rosado, que se misturou no pleito de 2016, mas não se uniu hermeticamente até hoje, será muito mais do que outra disputa municipal.
Com certeza teremos a mãe de todas as eleições para os Rosados.
Uma derrota da atual prefeita Rosalba Ciarlini (PP), que não é Rosado, mas encarna no momento sua marca eleitoral remanescente mais forte, representará um ocaso difícil de ser reparado.
Há tempos que os Rosados não produzem mais peças de reposição. O “filhotismo” tem-se revelado um fracasso continuado.
Seguem em crescente denutrição eleitoral, não se renovaram ou se reciclaram e colecionam derrotas que lhes empurraram de volta a Mossoró, como sistema de peso meramente paroquial.
Sua influência política não chega a Areia Branca ou Tibau, municípios contíguos e satélites de Mossoró.
Por isso que todos nesse grupo oligárquico não relaxam há tempos.
É vencer ou vencer.
Custe o que custar.
Não há outra saída.
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Self-made man é uma expressão de origem norte-americana. Assim são tratados os grandes empreendedores, que conseguem subir na vida pelo próprio esforço, saindo praticamente do nada.
Em suma: é aquela pessoa que “se fez sozinha” sem herdar nada, sem pegar nada pronto ou tomar atalhos com influência de pais ou padrinhos generosos. É o perfil que se encaixa perfeitamente em Tião Couto (PSDB), candidato a prefeito de Mossoró pela primeira, após construir uma carreira de sucesso saindo dos arrabaldes do rio Mossoró, periferia, como filho de uma dona-de-casa e de um agricultor.
Tião tem uma história de vida incomum e um desafio político também extremado (Foto: divulgação)
Ele chega à reta final de campanha de forma competitiva contra uma candidata de família oligárquica e com longo currículo vitorioso na política, a ex-prefeita (três vezes), ex-senadora (uma vez) e ex-governadora (uma vez) Rosalba Ciarlini (PP). Um feito para quem até pouco mais de 30 anos vivia em atividade braçal.
Chegou a trabalhar em campos de petróleo no Oriente Médio (com temperaturas acima de 50 graus) e se transformou num empresário de sucesso em múltiplos negócios, a partir da indústria do petróleo.
Competitivo
Tião, na “Coligação Unidos Por Uma Mossoró Melhor”, também impressiona em sua imberbe caminhada política, com performance que muita gente via como impossível e até o desdenhava. Tornou-se competitivo e capaz de chegar à Prefeitura, sem o amparo de qualquer grupo tradicional.
Um feito já foi obtido, que é o desenho de uma força política alternativa num momento em que o clã Rosado está extremamente fragilizado e precisa desesperadamente retomar a Prefeitura, seu habitat regular – com escassos intervalos – desde as eleições de 1948.
Com o também empresário Jorge do Rosário (PR), filho de um mestre-de-obras e dona-de-casa, Tião só surpreende a quem não o conhece e não conseguiu fazer leitura antecipada dos acontecimentos e da conjuntura nacional e local. O protagonismo de Rosalba Ciarlini e seu favoritismo não seriam e não são surpresa. Tião, também não.
Sua candidatura nasceu a partir reuniões despretensiosas com o próprio Rosário, ano passado. As conversas sobre a necessidade de se oferecer uma alternativa política e de gestão pública baseada na meritocracia, acabou ganhando força e transformou-se no movimento “Mossoró Melhor”. Daí até a oficialização da chapa foram mais alguns meses.
Em face do desgaste superlativo do prefeito Francisco José Júnior (PSD), que se virou simplesmente “Francisco” na campanha municipal deste ano, era previsível que Tião e Jorge crescessem nesse vácuo, como opção. O que o próprio rosalbismo calculava, era que tudo não passasse de uma “marolinha”. Fazia cálculos de vitória sempre acima de 40 ou 50 mil votos de maioria.
Capilaridade na massa
Nas últimas semanas essas estimativas são refeitas e refeitas para baixo. O vencedor estará longe de impor essa vantagem sobre o adversário.
O prefeito desistiu de sua candidatura no último dia 19 e a oficializou no dia passado, provocando uma debandada de seus candidatos a vereador, militância e partidos, principalmente na direção de Tião e Jorge. Isso contribuiu para dar novo fôlego à chapa, que já vinha em crescimento vertiginoso.
A questão mais crucial da campanha dos dois empresários não é a disputa pelo voto em si, que tem erros crassos como qualquer outra, do ponto de vista do marketing. O pecado não mora ao lado. Ficou para trás, incidindo sobre o próprio período curto de apenas 45 dias de disputa oficial, a chamada pré-campanha.
Tião e Jorge pecaram na pré-campanha por não criarem maior capilaridade na massa, deixando vácuo enorme entre os primeiros passos no final de 2015 e este segundo semestre de 2016. Até formalizarem alianças, definirem chapas proporcional e majoritária, permitiram até que o próprio Francisco se iludisse com a hipótese de ser viável e capaz de vencer Rosalba. Nem uma coisa nem outra.
O tempo recente mostrou isso a Francisco e a poucos dos seus seguidores que se iludiam com tamanho disparate.
“Canteiro da Rosa”
Esse hiato entre o preâmbulo da pré-campanha e a campanha, em si, comprometeu a disseminação do empreendedor principalmente nos rincões. É uma área geopolítica que fica na periferia, com públicos mais pobres, conhecida como o “Canteiro da Rosa”.
Em face dessa falha, Tião é obrigado a ter um crescimento aloprado, correndo contra o tempo – principal aliado de Rosalba. Se a “onda azul” será capaz de encobri-la a tempo, as urnas dirão.
E não adianta se imaginar outro cenário, com o raciocínio de que mais dias lhe dariam vitória certa. O tempo posto é esse. Para vencer ou vencer. É possível, mas não é fácil.
Tião já é vencedor numa prova que não dá medalha de prata ou bronze para quem não vence, mas que certamente o projetará como uma nova liderança que os Rosado sempre temeram: audaz, independente e catalizador de gente. Um self-made man.
Nada será como antes.
* Essa é a última matéria especial sobre os candidatos a prefeito de Mossoró da série que iniciamos há poucos dias. Abaixo, veja as quatro anteriores, traçando perfil de cada postulação na corrida pelo voto:
– Rosalba tem o tempo a seu favor para confirmar favoritismo (AQUI);
– Gutemberg tenta marcar posição num cenário vantajoso (AQUI);
– Francisco e o estigma do político gelatinoso e sem credibilidade (AQUI);
– Nova tentativa a prefeito leva Josué a dificuldades maiores (AQUI).
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Mais dois nomes de proa dos Rosado podem ser candidatos a vereador, além de Sandra Rosado (PSB), ex-deputada federal – ex-vice-prefeita, ex-prefeita e ex-deputada estadual.
Poderemos ter um “engarrafamento” na Câmara Municipal a partir de 2017.
O voto é livre.
Qual problema?
Ouvido ao chão como bom índio Sioux, Apache, Comanche, Cherokee, Navajo ou Cheyenne.
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Nas últimas duas eleições municipais, o clã Rosado (subdividido em três facções) não conseguiu eleger um integrante à Prefeitura de Mossoró.
Deu Cláudia Regina (DEM) em 2012, mesmo com apoio da banda rosadista da então governadora Rosalba Ciarlini (DEM, hoje no PP).
Já em 2014, o eleito em disputa suplementar foi o então prefeito interino e vereador Francisco José Júnior (PSD), com reforço do esquema da ex-prefeita Fafá Rosado (PMDB).
Para 2016, a família Rosado não quer dar chance ao azar com o terceiro prefeito estranho à sua história de poder municipal.
Estarão unidos de alguma forma.
Perder, nem pensar.
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Em Mossoró, os últimos insucessos eleitorais de grupos do fracionado clã Rosado, criou um vácuo na oposição.
Com poucos meios além do gogó, disposição e ferramentas das redes sociais (Internet), os vereadores Tomaz Neto (PDT) e Genivan Vale (PROS) cumprem esse papel.
Mas os dois sabem que possuem pouca retaguarda para empunharem bandeira à oposição, liderando forças nessa contraposição ao Governo.
Preferem afirmar, com bom senso, que apenas cumprem prerrogativas como vereadores.
É fato.
Os Rosado estão silentes, relativamente atordoados, mas continuam vivos. Em separado ou juntos, não abrem caminho para ninguém.
E, parte deles, ainda pode se compor com o prefeito Francisco José Júnior (PSD).
Mossoró poderá ter uma eleição municipal sem candidato do clã Rosado na cabeça de chapa.
Impossível?
João: candidato eleito há 37 anos.
Não.
É algo até muito provável.
Se ocorrer uma eleição municipal suplementar à de 2012, esse fenômeno é uma hipótese palpável.
A última vez que essa situação aconteceu foi em 1976, quando o então monolítico grupo Rosado apresentou como candidato à prefeitura, João Newton da Escóssia, cunhado do líder Vingt Rosado.
Faz 37 anos.
Foi eleito, lógico.
Aguardemos os acontecimentos, pois entraves legais e escassez de nomes criam enormes dificuldades para o clã que se dividiu para somar.
Ah, vale lembrar, que a última vez que Mossoró elegeu um prefeito não-Rosado, sem apoio de qualquer ala desse esquema político-familiar, foi em 1968: Antônio Rodrigues de Carvalho.
Venceu o professor Vingt-un Rosado por 98 votos de maioria.
Ainda hoje, mais informações sobre processo eleitoral-judicial mossoroense.