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Discurso de ódio e honra em xeque

Por Odemirton Filho

Não bastassem as fake news que se tornaram corriqueiras nas redes sociais, divulgando notícias falsas que desinformam e destroem a honra subjetiva e objetiva das pessoas, temos, ainda, o que se chama de hate speech (discurso de ódio).

Tal comportamento revela a face odiosa de pessoas que agridem o semelhante da forma mais vil. Comportamentos misóginos, racistas, homofóbicos, machista, entre outros, são a tônica do mundo virtual.

Conforme João Trindade Cavalcante Filho, “o discurso do ódio pode ser entendido como uma forma de exercício da liberdade de expressão como prerrogativa para o insulto de pessoas ou grupos de pessoas, propagando o ódio baseado em motivos como raça, religião, cor, origem, gênero, orientação sexual”.Assim, alguns agem como se as redes sociais fossem um território sem lei, de forma desmedida, sem o menor pudor ou respeito por seu semelhante.

Nos últimos tempos os partidários, na verdade convertidos, de políticos dos mais variados espectros, agridem-se.

Não existe diálogo baseado em argumentos para refutar o interlocutor, apenas emitem   opinião sem um embasamento crítico-reflexivo.

Ou seja, a opinião não muda os fatos, mas os fatos deveriam mudar a opinião. Discordar faz parte de qualquer diálogo, sobretudo, na democracia, agredir, não.

As redes sociais, é certo, aproximaram as pessoas e socializaram o conhecimento, mas revelaram, até de pessoas do nosso círculo familiar e social, pensamentos e atitudes inimagináveis.

Quem profere discurso de ódio poderá responder criminalmente. Além, é claro, da devida indenização por dano moral.

O Supremo Tribunal Federal (STF) já teve a oportunidade de se pronunciar sobre os discursos de ódio (hate speech) no HC 82.424 (caso Ellwanger), julgado em 17.9.2003, ocasião em que denegou ordem pleiteada por um escritor de livro com conteúdo racista e antissemita, por entender caracterizado o tipo do art. 20 da Lei 7.716/89.

O STF concluiu que a liberdade de expressão não alcança a intolerância racial e o estímulo à violência, sob pena de sacrificar inúmeros outros bens jurídicos de estatura constitucional.

O Brasil vem há algum tempo dividido politicamente, sendo que os próprios líderes alimentam essa cisão.

À guisa de exemplo, para aumentar o fosso, o presidente da República apontou sua “arminha” verbal contra os nordestinos, quando, de forma deselegante, para não dizer xenofóbica, fez referência aos “governadores de Paraíba”.

Há quem afirme que o presidente incorreu em ilícito, pois serão punidos os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. (Art. 1. da Lei 7.716/89).

O fato é que Bolsonaro tem sido recorrente em atitudes dessa natureza, denotando destempero e despreparo, como parte de sua idiossincrasia.

Por outro lado, os seguidores do ex-presidente Lula também jogam lenha na fogueira da discórdia, ajudando a desconstruir um debate que deveria ser plural.

Isto é, não há razoabilidade nos extremos, seja de qualquer viés ideológico.

Cumpre destacar, ainda, o uso de robôs para impulsionar notícias falsas e discursos de ódio, bem como as milícias virtuais, tornando as redes sociais, muitas vezes, um ambiente inóspito.

É de se indagar: diante do que estamos vendo no mundo virtual, ainda cabe afirmar que o povo brasileiro é tolerante e que não existem preconceitos?

Desse modo, enquanto ficamos nos digladiando no vazio das notícias falsas e do discurso de ódio para defender e incensar pessoas que se deleitam em privilégios, o país segue firme em sua interminável crise social e econômica e, talvez, moral.

Odemirton Filho é bacharel em Direito e oficial de Justiça

Igreja não se pronuncia sobre fúria de padre contra Rosalba

Cornélio em seu endereço no Facebook: nada a esconder

Até à tarde desta terça-feira (18), a Diocese de Mossoró não se pronunciou sobre pronunciamento em redes sociais do padre e professor Francisco Cornélio, desfechando pesada catilinária contra a prefeita mossoroense Rosalba Ciarlini (PP). O bispo diocesano Dom Mariano Manzana não se manifestou por sua assessoria até o momento, após quase 48 horas do episódio.

O Blog Carlos Santos fez contato e recebeu a informação de que ele estava participando de programação interna da Igreja, com viagem agendada ainda para Luís Gomes (Oeste do RN). “Quando for possível eu lhe retorno”, informou fonte da Diocese.

No domingo (16), às 20h26, o apodiense Francisco Cornélio escreveu artigo sob o título de “O desespero de uma prefeita medíocre”.

Declaradamente defensor das candidaturas da senadora Fátima Bezerra (PT) ao Governo do Estado e Fernando Haddad (PT) à Presidência da República, ele tomou as dores da candidata e do partido a discurso da prefeita em comício na cidade, onde fazia ilações relacionando o PT ao ataque à faca contra o candidato Jair Bolsonaro e satanizava à imagem da própria Fátima.

Leia abaixo – na íntegra – o texto do padre Cornélio:

O DESESPERO DE UMA PREFEITA MEDÍOCRE, que carrega em si o status de pior governadora da história do Rio Grande do Norte, de senadora menos produtiva de todos os tempos e, hoje, sabe que a sua forma ultrapassada de fazer política, ainda baseada no sistema de capitanias hereditárias, está chegando ao fim.

Já quase certa de que seu filho não será eleito vice-governador, ela ataca desesperadamente quem sempre esteve ao lado dos trabalhadores e trabalhadoras do RN.

A saúde e a educação, sobretudo a UERN, sabem o quanto foram duros os quatro anos de gestão Rosalba. Por isso, a chapa ALVES-ROSADO está sendo rejeitada pela população do RN.

A oligarquia Maia já não ameaça mais o RN. O suspiro das oligarquias ALVES-ROSADO está ameaçado no momento, com a tendência de derrota da chapa CARLOS ALVES-KADU CIARLINI. Por isso, a PREFEITA MEDÍOCRE está desesperada, partindo para a baixaria.

Finalmente, o pobre RN está tendo a chance de deixar, definitivamente, de ser capitania hereditária, com políticos eleitos sem necessitar do sobrenome de um clã oligárquico.

Fátima, vítima dos ataques e causa do desespero da prefeita, é a única esperança para esse estado, pobre e sofrido, sair do caos. Essa esperança aumenta quanto o assunto é educação/UERN, uma das áreas mais negligenciadas pela prefeita desesperada, quando foi governadora.

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Menti num discurso…

Por François Silvestre

..e menti escandalosamente. Não foi num discurso de campanha eleitoral. Nem nos da Casa do Estudante. Menos ainda nos pronunciamentos do meio da rua, na missa de Edson Luiz, ou nos batentes da vetusta Faculdade de Direito. Ou nos distritos das grotas, dessa terra de miseráveis.

E a pior miséria não é a do povo. É a miséria moral de um governo desprovido de qualquer respeito. Desrespeitado por si mesmo. Pela mentira dos que o fazem.

Qual foi esse discurso?

O que fiz para a posse do governador Robinson Faria (PSD). Naquele dia, num restaurante que nunca frequentara, onde nunca estive depois, um garçom trouxe folhas de papel, nas quais anotei todas as promessas do governador eleito, em quem eu não votara.

Mas, após ouvi-lo eu disse: “Se você cumprir dez por cento do que está dizendo, prometendo, já será um grande governo. E eu sinto-me na obrigação de arrepender-me do meu voto”.

Um assessor, chamado “Beleza”, me repreendeu: “Esse é o mal de vocês. Vamos fazer um governo cem por cento”.

Menti num discurso que fiz com entusiasmo. E nunca pensei que o governo seria o condutor de meias verdades,  mentiras completas e percentuais do dever.

“Beleza” caiu pouco tempo depois, envolvido em friúras no próprio cargo.

Tenho vergonha daquele discurso. O único de que me envergonho.

Mas o governo não se envergonha de todo mês anunciar percentuais “inovadores” de mentiras escancaradas.

O governo Robinóquio e seus Gepetos de caras ensebadas. E haja sebo no nariz de madeira que cresce…

Nota do Blog Carlos Santos – O que me intriga, hoje, é saber quem estaria escrevendo para ele nesses tempos, depois da pré-mentira.

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