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“Abdicar da luta, jamais!”, um convite à leitura

Capa do livro Foto: BCS)
Capa do livro Foto: BCS)

Chegou às minhas mãos Luiz Alves Neto – “Abdicar da luta, jamais!”

O livro tem o jornalista Caio César Muniz, o professor Glênio de Azevedo Alves e o professor-pesquisador Lemuel Rodrigues da Silva à frente de sua produção.

A princípio, presumi que seria uma publicação biográfica. Não, não mesmo. Vai muito além.

Fala sobre um tempo delicado do país, a ditadura militar de 1964, e disseca a vida de alguém pouco conhecido às novas gerações: Luiz Alves Neto, ou o “Velho”, como é tratado pelos amigos esse areia-branquense, bancário aposentado e ex-preso político do regime de exceção.

Convida-nos à leitura.

Assim será nos próximos dias ou mesmo horas.

Obrigado, gente!

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Qualquer um será alcançado pela “democracia” do STF

Arte ilustrativa produzida com recursos de Inteligência Artificial para o BCS
Arte ilustrativa produzida com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Testemunhando esse arremedo de democracia em que vivemos, logo vem à memória um conceito magistral sobre o tema, cunhado por Millôr Fernandes:

– “Democracia é quando eu mando em você, ditadura é quando você manda em mim.”

O protagonismo judicial invadiu a seara da política e mexe com todos os brasileiros. Assuntos de governo, de Estado e da rotina nacional estão totalmente tutelados por excessos de quem devia dar limites. “O poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente”, lembra o Lord Action.

Alguns gargalham e vibram, outros rosnam e espumam de ódio.

Mas quase ninguém reage de forma racional. Vivemos num país dividido, de manadas ensandecidas e sentimentos primitivos que prevalecem em relação ao bom senso e respeito comum.

Quem ousa raciocinar e ponderar, pedir o mínimo de equilíbrio e zelo à Constituição, é desprezado ou enxovalhado moralmente. Típico argumento dos sem argumento.

O que ocorreu com Lula da Silva (PT) lá atrás, com turbas do contra e a favor, repete-se com Jair Bolsonaro. Quem chorava, agora dar risadas; e vice-versa.

Um ex-presidente sem qualquer condenação transitado em julgado ganha tornozeleira, é impedido de falar, de usar suas redes sociais e de ser entrevistado. Conteúdo seus já veiculados em suas mídias também sofrem garroteamento.

Por tabela, a imprensa não pode entrevistá-lo. Um réu em processo judicial gravíssimo que trata sobre denúncia de trama para golpe de Estado, simplesmente deixa de ser fonte e tem suprimido o amplo direito à autodefesa.

Amanhã, qualquer um será alcançado. Uns vão rir, outros chorar. E seguiremos sem aprender as lições que casos como esses deixam espalhados por aí, na própria superfície dos acontecimentos.

P.S – Millôr Viola Fernandes foi desenhista, humorista, dramaturgo, escritor, poeta, tradutor e jornalista brasileiro. Nasceu em 1923 e faleceu em 2012 no Rio de Janeiro. Gênio, que se diga.

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“O Velho” mergulha novamente nas sombras da ditadura

Arte de pré-venda
Arte de pré-venda

“Abdicar da luta, Jamais! Jamais abandonar companheiros, jamais deixar cair sua bandeira. Levante-a.”

(Luiz Alves Neto, “O Velho”)

Prestes a completar 104 anos, no próximo dia 10 de abril, a Liga Operária de Mossoró estreia também como um selo editorial devidamente registrado na Biblioteca Nacional e traz como a sua primeira publicação a biografia de um dos mais emblemáticos nomes dos movimentos sociais e políticos do Rio Grande do Norte, Luiz Alves Neto, “o Velho”.

Organizado pelo professor e historiador Lemuel Rodrigues, “Luiz Alves Neto – Abdicar da luta, Jamais!” reúne entrevistas de companheiros de luta e também memórias do revolucionário potiguar, companheiro de Anatália de Melo Alves, símbolo da resistência à ditadura militar instaurada no Brasil nos anos 1960 e vítima dos anos de chumbo que deixaram marcas profundas em todo o país.

Para garantir alguns custos de produção da obra, a Liga Operária está abrindo a sua pré-venda no valor de R$ 50,00.

A coordenação editorial de “Luiz Alves – Abdicar da luta, Jamais!” é da SobreArt Produções Culturais, do poeta, jornalista e editor Caio César Muniz.

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Garanta o seu exemplar com antecedência pelo Pix: 386.152.152-00

Após o depósito, envie o comprovante para o número (84) 9.9904-0286.

Não foi ontem, e sim hoje

Por François Silvestre

Foto captada na Web, sem identificação de autoria
Foto captada na Web, sem identificação de autoria

O golpe militar, com apoio ostensivo da imprensa e setores reacionários de civis, inclusive partidos políticos, não se consolidou dia 31 de Março (1964), ontem, mas dia Primeiro de Abril. Ontem não foi o dia de comemorar, para uns, nem condenar, para outros.

Isso tem importância? Sim e não. Até porque datas em dias ou meses não refletem corretamente o que ocorre na História. Esse golpe foi maturado desde a redemocratização, em 1946. A queda da ditadura Vargas deixou sequelas nos seus adversários de sentimentos incuráveis. Pelo motivo simples de explicação.

Todas as eleições seguidas de 1945 em diante, teve um ou mais militar da Direita, sob a liderança do general Canrobert Pereira da Costa, contra alguém getulista ou remanescente do governo ditatorial de Vargas, sob a liderança do general Newton de Estilac Leal.

Em 45, General Dutra contra Eduardo Gomes. O primeiro, ex-ministro de Getúlio, por ele apoiado. O segundo, apoiado pela direita udenista e anti-getulista. Quem venceu? O getulismo. 1950, De novo Eduardo Gomes contra o próprio Getúlio. Venceu o ex-ditador, agora transformado em democrata e líder da luta trabalhista. Em 55, O general Juarez Távora contra o getulista Juscelino Kubitschek. Venceu JK.

Em 1960, finalmente a direita vence. Jânio Quadros derrota o general Teixeira Lott. Sossega o firo? Não. Jânio renuncia, com sete meses de governo, e assume o poder João Goulart, getulista da gema. Espécie de filho político de Getúlio.

Durante todo esse período houve incontáveis tentativas de golpes. Uns esclarecidos e conhecidos, outros abafados. Mas isso é outra história.

Nos fins de Março de 1964, a milicada conspirava a céu aberto. Sob o olhar incompetente e conivente da Esquerda e do próprio Jango. Quando o general Mourão Filho mobilizou tropas em Minas, elas seriam facilmente barradas pelo Segundo Exército, de São Paulo, chefiado pelo general Amaury Kruel, compadre de Jango, que fora seu padrinho de casamento.

Em vez de Jango ir pra São Paulo, de onde barraria o golpe, foi pro Rio Grande do Sul, onde o general Ladário nada podia fazer, pois até o governo local era aliado dos golpistas. Conta-se que Kruel foi cooptado pelo embaixador americano, com uma malinha de duzentos mil dólares. Dali saiu de São Paulo e cercou o Rio.

Foi no dia primeiro de Abril que o golpe se consolidou. Com o ódio antigo de Moura Andrade contra Jango, declarando vaga a presidência da Republica, na condição de presidente do Congresso. Na hora, recebeu uma cusparada do Deputado paulista Roger Ferreira e os gritos de “Canalha..canalha”… de Tancredo Neves. Estava ali consolidado o golpe, com Jango ainda no Brasil, saindo depois para o Uruguai.

Repetição da História; Jango no Uruguai, a tragédia. Bolsonaro na Hungria, a farsa. Hoje (1º de Abril) é o dia.

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60 anos depois – golpe ou revolução?

Ilustração Arquivo
Ilustração Arquivo

Por Ney Lopes

Consumada a destituição do presidente João Goulart, o regime instalado implantou no país severíssimas restrições à liberdade individual, através de uma série de outorgas de AI 5 (Ato Institucional).

Com tais evidencias, contaminaram-se as intenções democráticas do movimento armado.

Na administração pública recorreu-se a um centralismo tributário absurdo.

Deixou-se de lado a reforma da educação e não se tratou de incorporar os miseráveis ao mercado de consumo.

Houve lado positivo.

Conseguiu-se criar um setor exportador moderno e depois avançar investimentos em setores de indústria pesada e infraestrutura.

Implantou-se o Pró-álcool, programa brasileiro de etanol combustível à base de cana-de-açúcar, que permitiu o país tornar-se o segundo maior produtor mundial de etanol e o maior exportador mundial

A herança mais cruel foi ter violado toda atividade política, com a aceitação da censura, a tortura e submetido o país a um modelo centralizador.

A Comissão Nacional da Verdade (CNV) apurou violações cometidas nesse período e reconheceu a morte ou desaparecimento de 434 pessoas, do ano de 1964 até 1985, quando a democracia foi restabelecida no país.

Os militares protestam, exigindo investigações de violências generalizadas não apuradas, no mesmo período, contra as corporações armadas,

Pela forma como se consumou a mudança de poder do Brasil, em 1964, e os atos arbitrários praticados, à margem da Constituição da lei, coloco-me na posição de grupo significativo de acadêmicos brasileiros e estrangeiros, políticos e diversos setores da sociedade civil,

O que houve em 1964 foi um golpe de Estado

Ditador cruel

A análise não pode omitir o necessário registro sobre um general presidente desse período de exceção, que não pode ser apresentado na história como exemplo do esforço para a redemocratização do Brasil, como alguns consideram.

Quando já se aproximava a inevitável anistia política, a presença do general Ernesto Geisel no poder revelou sinais de recrudescimento do uso do arbítrio.

Ele foi um indutor do endurecimento do regime, que somente flexibilizou pelo compromisso do presidente João Figueiredo com a democracia, por ter tido o seu próprio pai punido em ditadura passada.

O general Ernesto Geisel, em 1977, decretou o fechamento do Congresso. por meio do “Pacote de Abril”.

Temperatura sufocante.

O ar era irrespirável pela prepotência, que vinha do Planalto.

Nos cinco anos de seu governo, Geisel cassou 11 mandatos parlamentares e mandou processar dois deputados pela Lei de Segurança Nacional, inclusive o presidente do MDB, Ulysses Guimarães.

Fechou o Congresso por duas semanas em 1977, cancelou eleições e criou a figura do senador biônico e a Lei Falcão, que impediu os candidatos de falar no rádio e na TV.

Levantamento do jornalista Elio Gaspari informa que nos cinco anos de Geisel morreram 42 oposicionistas, 39 dos quais “desaparecidos”, e foram registradas 1.022 denúncias de tortura.

Foram proibidos 47 filmes, 117 peças de teatro e 840 músicas.

A censura prévia, suspensa nos grandes jornais, continuou vigorando para a imprensa de oposição e para as editoras de livros.

A verdade é que o Governo Geisel é uma das heranças políticas mais cruéis, advindas de março de 1964, no Brasil.

Ney Lopes é jornalista, advogado e ex-deputado federal

Xi Jinping – ditador ou líder popular chinês?

Por Ney Lopes

Xi Jinping, líder supremo da China (Foto: reprodução)
Xi Jinping, líder supremo da China (Foto: reprodução)

O mundo começa a conhecer, o verdadeiro perfil de Xi Jinping, 69, presidente (talvez vitalício) da China, nação com quase 2250 anos de existência, uma potência que os EUA já consideram como o seu grande rival.

Sabia-se, que prevalece na China o regime comunista.

Porém, o “estilo” de Xi Jinping, discreto e todo-poderoso é mais duro do que Mao Tsé-Tung (1949-1976), que defendia uma visão revolucionária do comunismo.

Xi Jinping, a exemplo de outras lideranças globais, usou para chegar ao poder uma campanha anticorrupção.

Eleito, centralizou um poder, que recorda o dos antigos imperadores da China.

Ele percebeu o enorme sentimento de insatisfação da população chinesa, em relação à galopante corrupção, que existia no país e fez disso a base de suas articulações.

Há quem suspeite, que assim agiu por sofrer de um complexo de inferioridade, pois sabe que tem pouca formação política em comparação com outros líderes do Partido Comunista Chinês (PCC).

Desde que tomou posse como presidente da China, em 2013, Xi Jinping tornou-se, em apenas dez anos, o líder mais poderoso do país.

A China é uma ditadura.

O Presidente ocupa a Secretaria-geral do PCC e também preside a Comissão Militar Central.

A ditadura chinesa tinha certa divisão  interna de poderes, o que Xi Jinping acabou.

Quando foi nomeado pela primeira vez, em 2013, os delegados do Congresso Nacional do Povo receberam um boletim de voto, em que só constava o seu nome.

Tudo correu coimo esperava, 2952 membros votaram a favor da sua eleição, um votou contra e três abstiveram-se.

Em 2015, reformulou a estrutura do exército, dividindo-a em várias e pequenas agências, que passam a obedecer diretamente à Comissão Militar Central, que Xi Jinping controla com mão de ferro.

Estas mudanças permitiram ele anular qualquer tipo de deslealdade que pudesse surgir no exército, o segundo mais poderoso do mundo.

A campanha anticorrupção prometida por Xi Jinping levou mais 4,7 milhões de pessoas investigadas, com muitas e pesadas condenações.

Esta “caça ao corrupto” serviu para afastar os seus rivais.

Xi Jinping conseguiu, em março de 2023, ser eleito pelo Congresso Nacional do Povo, para um terceiro mandado, garantindo-lhe o poder até 2027.

Mais uma vez, era o único da lista.

Todos 2952 delegados votaram nele.

Na prática, Jinping poderá eternizar-se na presidência do país.

Diante do ambiente global de crescentes tensões, a China terá papel preponderante na política internacional.

O risco é o país moldado ao jugo totalitário de Xi Jinping.

Isso faz com que, o futuro do planeta terra dependa muito do que fizer este homem, o que gera inquietações e apreensões

Ney Lopes é jornalista, advogado e ex-deputado federal

O golpe adiado…

Por François Silvestre

…e consumado em Primeiro de Abril.

O Exército Brasileiro sempre foi politizado e politicado. Politizado por poucos, alguns oficiais estudiosos, e politicado pela maioria, oficiais frustrados, de vocação politica, com uso da farda para alcançar o poder. Ponto.

Heneral Henrique Lott, um prestígio e força em defesa da legalidade (Foto: FGV)
General Henrique Lott, um freio no golpe (Foto: FGV)

Os tenentes dos anos Vinte são os coronéis dos anos Quarenta e generais dos anos Cinquenta e Sessenta. O Exército dividiu-se, nesse período da História, em duas alas bem nítidas. Uma ala da Direita liderada pelo General Canrobert Pereira da Costa, e a outra, à esquerda, liderada pelo  General Newton Estilac Leal.

Desde o fim do Estado Novo, essas duas alas se enfrentavam. Ora, na surdina. Ora às escâncaras. Não houve uma eleição, após a redemocratização de 1945, que não tivesse um Oficial de última graduação de uma das três forças. Em 45, dois. O General Dutra, pelo PSD, e o Brigadeiro Eduardo Gomes pela UDN. Dois candidatos civis, Iêdo Fiúza e Rolim Teles, sem importância.

Em 1950, Eduardo Gomes novamente, agora contra Getúlio Vargas. Cristiano Machado só pra compor. Em 1955, O general Juarez Távora. Derrotado por Juscelino Kubitschek. Adhemar de Barros e Plinio Salgado completaram o quadro. Foi aí que se tentou o golpe, que veio a ser vitorioso em 1964.

JK não obteve cinquenta por cento dos votos, nem havia comando legal exigindo essa condição. Foi apenas o candidato mais votado. Dentro da regra constitucional. A UDN, useira e vezeira em perder eleições, iniciou uma campanha contra a posse dos eleitos. JK e Jango. Orquestrada pelo jornalista e político Carlos Lacerda.

Um homem inteligentíssimo, fluente, convincente, estudioso, culto; tudo que se diga sobre seu talento ainda é pouco. Porém, dotado de uma ojeriza patológica à Democracia. Fora comunista na mocidade, defensor da ditadura do “Proletariado”. Agora, anticomunista visceral, queria uma ditadura de Direita.

A armação do Golpe. No sepultamento do General Canrobert Pereira da Costa, líder da direita no Exército, Novembro de 1955, o coronel Bizarria Mamede faz um discurso sugerindo intervenção militar para evitar a posse dos eleitos.

O Ministro da Guerra, do Governo Café Filho, General Henrique Batista Dufles Teixeira Lott, estava presente. Contou depois que não dera voz de prisão ao Coronel por respeito à família do morto. Mas exigiu do Presidente que Mamede fosse punido.

Não poderia ele mesmo punir, pois Bizarria Mamede era lotado em área de vínculo com a Presidência. A UDN mobilizou-se para evitar a punição do coronel. Lacerda procura Café Filho. O presidente potiguar não quis comprometer-se pessoalmente com o golpe.

Saiu a seguinte jogada. Café Filho “adoece”, recolhe-se ao seu apartamento, e a presidência é assumida pelo Presidente da Câmara, Carlos Luz. O deputado mineiro, inimigo de JK, aliado dos golpistas, assume o poder.

O General Lott vai ao presidente Carlos Luz. Após um chá de cadeira de mais de duas horas, Lott é recebido. Ao informar do que se tratava, Carlos Luz foi incisivo. “Não há nada a ser punido”.

Lott pede demissão. Aí, Carlos Luz comete o erro fatal. “Aceito sua demissão e marco para amanhã a transmissão do cargo”. Festa na UDN. Se houvesse feito a transmissão naquela hora, o golpe teria se consumado. Ao chegar em casa, Lott usa um rádio de campanha e fala com o general Odylio Denys.

Ao ouvir o relato, Denys comenta. “Vão impedir a posse dos eleitos”. Pergunta quem é o substituto de Lott. Lott responde que só saberá “amanhã”. “Não houve transmissão”? Pergunta Odylio. “Não”. Responde Lott. “Então você ainda é Ministro. Ponha os tanques na rua”.

Foi o que Lott fez. Depôs Carlos Luz, deu posse a Nereu Ramos, presidente do Senado. Lacerda, Carlos Luz e Penna Boto esconderam-se no navio Almirante Tamandaré. Café Filho tentou voltar ao cargo. Recebeu do novo governo a informação de que ele continuaria doente. E Lott pôs um tanque guarnecendo o apartamento de Café Filho.

Em Janeiro de 1956, JK e Jango assumem a presidência e vice-presidência da República. Estava adiado o golpe pra Primeiro de Abril de 1964. E daí vinte anos de trevas. Cassações, exílios, torturas, desaparecidos, censura, prisões e fim do Habeas Corpus. Baixe o pano!

François Silvestre é escritor

Um não à ditadura e aos ditadores

Eu não conheço exemplo de ditadura boa.

Toda ditadura é supressiva de um bem que não abro mão: a liberdade.

Quem quiser que exalte a sua ditadura ou ‘ditabranda‘, neologismo porco que produziram para justificar o injustificável.

Eu tenho nojo de ditadura e ditadores.

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Veja balanço da campanha 2022 e caminhos decisivos às eleições

Trecho de entrevista que o editor do Canal BCS (Blog Carlos Santos) concedeu ao jornalista Márcio Costa, na estréia do programa Giro pelo Estado na plataforma YouTube, nessa terça-feira (27).

Nesta quarta-feira (28), haverá a segunda parte desse bate-papo (às 20h) sobre eleições 2022, disputa presidencial, sucessão estadual, nominatas, nomes fortes à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa – entre outros pontos.

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Chega de lero-lero

O dia todo as redes sociais com blá-blá-blá sobre suposta intervenção militar, ditadura.

Atenção desviada, como querem os líderes desse besteirol.

Graduados militares blefam.

Não tem apoio popular, não possuem respaldo internacional e coragem.

Soldo engordou.

Tá ótimo.

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Toda ditadura é abjeta

Temos duas fortes correntes com luta em torno da ideia de outra ditadura militar. Uma quer mesmo, capitaneada por Jair Bolsonaro. Outra torce por intervenção que o ejete do poder.Nenhuma tem espírito público.

Movem-se por ranço e apetite pela hegemonia política no país.

É muito improvável que tenhamos uma ruptura desse simulacro de democracia com o qual lidamos.

Não há amplo apoio popular, lideranças verde-oliva não desejam, não existe estímulo do exterior nem conjuntura favorável ao cesarismo, mesmo que sobrem estupidezes.

Desistam.

A democracia é cheia de distorções, mas tem em si mesmo remédios a ajustes.

O inverso disso é a negação de tudo que mais prezamos, como vida e liberdade.

Toda ditadura é abjeta. Toda.

“O poder tende a corromper e o poder absoluto corrompe absolutamente.” (Lord Acton)

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A democracia na sarjeta

Por Paulo Linhares

A aparência de fragilidade é certamente a característica mais interessante da democracia. Parecer frágil, contudo, faz da democracia uma possibilidade vigorosa de realização dos desígnios da humanidade na perspectiva aristotélica do ser humano como “animal político” cuja existência se dá unicamente em ambiência social.

Em suma, viver na pólis é existir em sociedade e participar dos processos de gestão, construção e controle do mecanismo maior de organização social que é o Estado. Todavia, esta é apenas uma das concepções dos sistemas políticos estatais. Alguns destes excluem a participação, em níveis diversos dos segmentos da sociedade, deferindo a uma pessoa ou um restrito  grupo social as decisões sobre a condução do Estado.Neste caso, tem-se sistemas políticos autocráticos de gestão e controle do Estado, sobretudo, a tirania e a oligarquia. A perversão da democracia  é o populismo que, na classificação de Aristóteles, foi chamada de demagogia.

A conversão da democracia em populismo tem sido um fenômeno recorrente nestes tempos modernos, caracterizado na manipulação dos diversos segmentos sociais. O fascismo e seu irmão siamês, o nazismo, são exemplos do populismo de direita. No campo oposto, à esquerda, ele também se manifesta: o stalinismo e suas derivações assentidas em muitos países são igualmente expressões da condução autocrática de Estados e sociedades.

Em ambos os casos, contudo, os resultados, nos mais diversos níveis, foram drásticos em desfavor da humanidade, embora seja bem certo que uma democracia nem sempre garante que a vida do cidadão seja um paraíso terrestre:  numa visão bem singela, ela é sempre, segundo a banalíssima  Wilkipédia, “um regime político em que todos os cidadãos elegíveis participam igualmente — diretamente ou através de representantes eleitos — na proposta, no desenvolvimento e na criação de leis, exercendo o poder da governação através do sufrágio universal”. Melhor definição não pode haver para a proposta desta reflexão.

Assim, não parece ingênuo, nos dias atuais, indagar se é possível viver num Estado em que não haja democracia. Claro que sim, até porque a História mostra que a experiência humana da democracia é ínfima.

Melhor entendendo: a regra é que a humanidade tem vivido mais em autocracias do que em democracias, merecendo sempre considerar que os sistemas políticos, autocráticos ou democráticos, em cada momento histórico e latitudes diversas, têm peculiaridades que os tornam únicos e irrepetíveis: nos anos sessenta  do século XX, a ditadura argentina era diferente da boliviana, que diferia da brasileira que não foi tão abertamente sanguinária quanto à chilena e nenhuma delas foi tão aberrante quanto algumas ditaduras de países africanos, do mesmo período, como a do caricato Idi Amin Dada ou a do ‘imperador’ Bokassa.

Além de extermínio em massa de etnias rivais, foi constatado que Jean-Bédel Bokassa, posteriormente autointitulado Imperador Bokassa I  (adotou o nome de Salah Eddine Ahmed Bokassa), foi o segundo presidente da República Centro-Africana (01/01/1966 a 04/12/1976, quando se fez coroar imperador Centro-Africano, permanecendo até 20 de setembro de 1979.

Após sua deposição, fato estarrecedor chegou ao conhecimento da comunidade internacional: para seu consumo pessoal, Bokassa mantinha câmaras frigoríficas apinhadas de ‘cortes’ de carne humana, picanhas, maminhas e outras “coisitas” mais. Enfim, um escroto canibal que resgatou uma ‘cultura’ de seus ancestrais.

Hoje, cada Estado independente considerado democrático – a partir de indicadores cientificamente identificados – pode ser classificado e passar a compor um ranking determinado. Cada modelo de aferição obtém resultados que não se coadunam, necessariamente, com outros, por questões metodológicas.

Um das mais sérias instituições que medem e classificam a democracia em  muitos países do mundo é a V-dem, de origem sueca, sendo um dos mais importantes “observatórios”  da democracia no mundo. Em relatório recentemente publicado, que teve divulgação no prestigioso jornal espanhol El País, constatou que o Brasil vive “uma guinada à autocracia das mais rápidas e intensas do mundo nos últimos anos”, após a chegada de Jair Bolsonaro à presidência da República.

Noutras palavras, as novas diretrizes políticas que constam da agenda do presidente Bolsonaro, com “os esforços do presidente e seu Governo para calar os críticos, a exemplo do que “fez (Recep Tayyip) Erdogan quando levou a Turquia da democracia à ditadura, o que faz (Viktor) Orban na Hungria, que está prestes a deixar de ser uma democracia, e exatamente o que (Narendra) Modi faz na Índia”, conforme assertiva do diretor do V-dem, o professor Staffan I. Lindberg. Inequívoco que Bolsonaro se enquadra no modelo dos democraticidas que, atualmente, têm ascendido ao poder pelas urnas.

A propósito, lembre-se que o Partido Nacional Socialista alemão, participou de sete eleições, a partir dos anos 1920, até entronizar seu líder máximo Adolf Hitler como chanceler, em 1933, que, depois de uma série de manobras escusas e vários assassinatos, fechou o Parlamento, tornou proscritos todos os partidos políticos e empalmou o poder supremo na condição de “Fürher” da Alemanha.

Os horrores que se seguiram, são por demais conhecidos.

A potente ‘metralhadora giratória” do capitão-presidente Bolsonaro, manejada por ele mesmo ou por seus filhos e acólitos políticos, atingem a imprensa, personalidades, artistas e instituições republicanas como o Congresso Nacional, o Supremo Tribunal Federal e a Ordem dos Advogados do Brasil, além de Estados estrangeiros amigos do Brasil.

Em todas as intervenções de Bolsonaro e seus seguidores afigura-se perceptível um profundo desapreço às instituições democráticas com as quais a sociedade brasileira tem vivido. Claro, têm imperfeições e insuficiências o modelo de democracia erigido na Constituição de 1988, mas, inequívoco que vêm garantido enorme e profícua estabilidade ao Estado brasileiro.

Ajustes são – e sempre serão necessários -, mas, desde que não possam desfigurar às conquistas democráticas, sociais e políticas plasmadas na Carta Política de 1988. Aliás, ao lado de certos eventos históricos, ela será sempre o ponto de partida para a consolidação dos interesses fundamentais  da sociedade brasileira.

Batam ou não as miseráveis panelas da classe média ensandecida e ignorante ou o ridículo pato amarelo que grasna no edifício da Fiesp, na Avenida Paulista. A democracia e os valores que ela imantam sempre serão algo por que lutar e manter. Acima de tudo e todas as coisas, pois, certamente aí estarão, verdadeiramente, qualquer ideia que se tenha de Deus e de amor a esta pátria que chamamos pelo singelo de Brasil.

Paulo Linhares é professor e advogado

A “inimiga” abre as pernas

Por François Silvestre

Desde que Bolsonaro elegeu a Globo inimiga do seu governo e a platinada começou a perder grana por escassez de publicidade, a velha cortesã do poder, que apoiou a Ditadura, paparicou Collor, chupou os bagos de Sarney, apoiou a “nova república”, virou tucana, agora tenta bolsonarizar-se.

Não por isenção jornalística, que nunca foi seu norte, mas por sobrevivência.

Até escalar um time de charlatões, bonecos de novelas, que não resistiriam a um teste de teatro, para fazer figuração ética.

A televisão brasileira é certamente uma das mais escrotas e depravadas, em matéria jornalística, do mundo.

Em matéria cultural é um esgoto de massificação.

Globo, Record, SBT.

A trindade estupradora da cultura.

Cafetinas deste vasto cabaré.

* Ilustração: Caio César Arts

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José Dirceu lança livro e diz que PT nunca alimentou o ódio

Da Agência Saiba Mais (Isabela Santos)

Em curta estada em Natal, o ex-ministro da Casa Civil do Governo Lula José Dirceu (PT) lançou seu livro “Zé Dirceu Memórias – Volume 1”. Foi nessa segunda-feira (24), no bar Acabou Chorare, reduto da esquerda natalense no bairro Ponta Negra.

Dirceu: grandes reformas (Foto: BCS)

A noite de autógrafo abriu espaço para série de entrevistas e discurso no palco do bar onde costumam se apresentar cantores e músicos.

“Vocês se lembram como rasgavam nossa bandeira. A campanha que fizeram contra a Dilma, contra o Lula esses anos todos. Nós nunca alimentamos o ódio na sociedade brasileira”, assegurou.

“Quem foi o presidente do diálogo? Quem mais que o Lula criou diálogo no Brasil e criou mesas e conselhos pra negociação com todos os setores da sociedade?”, lembrou, ao afirmar que o PT governou para que todos ganhassem mais no Brasil. “Nenhum dos setores saiu perdendo, mesmo quando a Dilma governou”, garantiu.

Reforma tributária, baixar juros, reforma política…

“O papel da eleição é principalmente apresentar propostas. Nós queremos fazer reforma tributária, baixar os juros, fazer uma reforma política e queremos mais pluralismo e diversidade da mídia, mas isso não significa censurar ou controlar a mídia, significa que precisamos discutir a mídia no Brasil. A escola sem partido é escola com partido de direita. É isso que é a eleição”, disse.

Juventude, luta contra a ditadura militar, clandestinidade, resistência armada, vida em Cuba, relação com Fidel Castro, treinamento militar, anistia, fundação do PT, mandatos como deputado estadual e federal, candidatura ao Governo de SP, campanha Diretas Já, impeachment de Collor, campanhas de Lula, 30 meses como ministro, cassação pela Câmara e a denúncia no Mensalão estão presentes no livro.

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O poder letal da “ditabranda”

Num editorial publicado em sua edição do dia 17 de fevereiro de 2009, sob o título “Limites a Chávez”, com críticas ao endurecimento do regime discricionário do Governo Hugo Cháves na Venezuela, o jornal Folha de São Paulo utilizou o termo “ditabranda” (aglutinação das palavras ‘ditadura’ e ‘branda’) para compará-la com o regime militar brasileiro (1964-1984).

Na avaliação do impresso, o Brasil teria abrigado uma ditadura “branda” (ou seja, amena), que bancou o funcionamento das instituições de estado e da sociedade como um todo, sem maiores excessos, ao contrário da crescente asfixia imposta pelo ditador venezuelano ao seu país.

Agora, com as recentes revelações de que os presidentes militares brasileiros Ernesto Geisel e João Batista Figueiredo transformaram o assassinato de inimigos do regime numa política de estado (veja AQUI), como o jornal avalia seu disparate?

* A expressão ditabranda surgiu na Espanha (“dictablanda”) nos anos 30, em pleno regime ditatorial do general Dámaso Berenguer. Vendeu a imagem de que seu governo era mais flexível do que o de seu antecessor, o general Primo de Rivera, tido como violento. Entretanto, oficialmente promoveu mais penas de morte do que Rivera.

Nota do Blog – Toda ditadura é nojenta. De direita à esquerda e vice-versa. Não existe ditadura boa.

Todo poder absoluto tende a agir sem limites. A palavra “ditadura” tem origem latina (‘dignidade de magistrado ou regente supremo, dignidade do ditador’), definindo manifestação de poder nascida na república romana.

O ditador era escolhido pelo cônsules (colegiado de maior poder nessa fase), tendo um período específico (a princípio eram seis meses) para agir em defesa da preservação da república em momentos delicados como revoltas internas ou cerco inimigo. Mas com o passar do tempo se transformou no que conhecemos hoje.

“O poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente” (Lord Acton).

Leia também: Cai a máscara.

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Só há um estado policial

Por François Silvestre

Estado policial é como casa dos avós, só muda o endereço. Na casa dos avós todos os netos são felizes. No Estado policial ninguém está seguro, nem os que mandam. Não interessa o tempo ou o espaço, todos os Estados policiais são iguais. Antropofágicos.

Lembra do Estado policial de Robespierre? O terror moral e ético. Ninguém estava seguro. Nem o próprio Robespierre, que acabou executado pelos seus discípulos. Lembram do Estado policial de Salazar, em Portugal?

Quantos dos edificadores da ditadura foram engolidos? E do mesmo Estado policial de Franco, na Espanha? Ou na Alemanha de Hitler?

Ernst Röhm sustentou Hitler e o Nazismo nos momentos mais difíceis, era a menina dos olhos do Nazismo, até cair em desgraça e ser executado.

Quantos criadores do Estado soviético foram mortos pelo Estado policial de Stalin? Ninguém conta.

Cheguemos aqui.

Quem foi o líder carismático e anti-comunista mais eficiente para a consumação do golpe militar de 1964, no Brasil? Carlos Lacerda.

Após a consolidação do Estado policial, que ele ajudara a fundar, Lacerda foi preso e cassado. Morreu humilhado e esquecido.

O Estado policial não poupa nem os seus. O ensaio para a edificação de um Estado policial no Brasil, fantasiado de “reparo moral”, só terá chance de consolidação porque o fanatismo não estuda nem aprende História.

E os moralistas, defensores dessa alternativa, são tão estúpidos que nem imaginam serem eles as vítimas futuras. Tudo vale, desde que haja a exibição idiota e pueril de uma pureza inexistente.

Temperada com mau caratismo ao gosto de cada um.

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“Última Hora” chega pelas mãos de autor mossoroense

Nasceu “Última Hora”, romance que venceu o Prêmio Sesc de Literatura em 2017. A publicação conta a história de “Marcos”, um jornalista atormentado entre a militância comunista e o trabalho no jornal que apoia Getúlio Vargas. O autor José Almeida Júnior reconstrói os últimos meses do presidente no governo, antes do suicídio, e a briga entre Samuel Wainer, da Última Hora, e Carlos Lacerda, da Tribuna da Imprensa.

Livro foi premiado (Foto: cedida)

O livro será lançado oficialmente pela Editora Record em quatro cidades: 28/11 em São Paulo, 05/12 em Brasília, 07/12 em Belém e 21/12 em Mossoró, no Teatro Municipal Dix-huit Rosado.

Natural de Mossoró, José Almeida Júnior é formado em Direito pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), com pós-graduação em Direito Processual e em Direito Civil. Há dez anos reside em Brasília, onde exerce o cargo de Defensor Público do Distrito Federal.

‘Democrata’ e ditador

“Getúlio Vargas lançou as bases do trabalhismo brasileiro e influenciou o pensamento de esquerda de políticos como Jango, Brizola e Lula. Por outro lado, Vargas perseguiu comunistas e implantou uma ditadura violenta durante o Estado Novo. Tive a curiosidade de compreender o comportamento dos comunistas, que haviam sido perseguidos no Estado Novo, durante o governo democrático Vargas do início dos anos 50”, conta o autor, em entrevista ao blog da editora.

No livro, Almeida Júnior refaz uma das maiores batalhas da imprensa na época, a de Carlos Lacerda, da Tribuna da Imprensa, e Wainer. Com o apoio da cadeia de jornais e rádios de Assis Chateaubriand, o Chatô, e de outros magnatas das comunicações, como Roberto Marinho, Lacerda perseguiu o dono da Última Hora até o desfecho final da crise, com o suicídio do presidente. Marcos, que ora se alia a Wainer ora ajuda Lacerda, é o contraponto entre esses personagens tão complexos.

Boa literatura

“Procurei encontrar as contradições em Wainer e Lacerda e explorá-las no ponto de vista de Marcos”, diz o autor.

“Histórico, mas sem qualquer ranço de didatismo, Almeida Júnior consegue, ao mesmo tempo, com enorme competência, reviver uma época e insuflar vida a personagens reais, tornando-os complexos”, assinala o escritor Luiz Luffato, resenhando as 352 páginas de “Última Hora”.

“O romance é lapidar em nos lembrar a história do país sem expor a pesquisa – um bordado que camufla o cerzido e deixa ver apenas o que interessa: a boa literatura, diz a também escritora Andréa del Fuego, na orelha do livro.

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Juízes federais são condenados. Na Argentina!

Por François Silvestre

Juízes Federais condenados na Argentina. Recebo de Laurence Nóbrega texto informando a condenação de quatro juízes federais à prisão perpétua, por crimes contra a humanidade.

Os crimes dizem respeito à conivência com a Ditadura Militar que devastou a democracia no país vizinho.

Contemporânea, e de menor duração, com a MESMA Ditadura Militar que devastou as liberdades fundamentais no Brasil. Lá, até os colaboradores são condenados.

Aqui, não se condenam nem os torturadores. E o pior, vez ou outra vemos “operadores do Direito” defendendo esse passado nojento. E alguns até pedindo o retorno. Coisa da venezuelona brasilis.

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Morre em São Paulo Dom Paulo Evaristo Arns

Do portal G1

Morreu nesta quarta-feira (14) o cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, Arcebispo Emérito da Arquidiocese de São Paulo. Ele estava internado no Hospital Santa Catarina em decorrência de uma broncopneumonia. Arns tinha 95 anos.

Dom Paulo teve um papel decisivo contra ditadura e movimento Diretas Já (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

D. Paulo foi internado no dia 28 de novembro para tratar de problemas pulmonares. Com o passar do dia o estado de saúde piorou e ele teve de ir para a UTI por causa de dificuldades na função renal.

O velório de D. Paulo será na Catedral da Sé, no Centro de São Paulo, e deve durar 48 horas. Ele deve ser sepultado na cripta da catedral.

Contra Ditadura

O comunicado da morte de Arns foi feito em nota divulgada pela Arquidiocese de São Paulo.

O arcebispo metropolitano, Dom Odilo Scherer, afirmou em nota que Arns “entregou sua vida a Deus, depois de tê-la dedicado generosamente aos irmãos neste mundo”.

Ao longo de sua trajetória, trabalhou como jornalista, professor e escritor, tendo publicado 57 livros. Durante a Ditadura Militar, destacou-se por sua luta política, em defesa dos direitos humanos, contra as torturas e a favor do voto nas Diretas Já.

Veja matéria mais ampla clicando AQUI.

Nota do Blog – Figura carismática, de enorme simbologia à luta pela democracia no Brasil. Que descanse em paz!

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Ditador e ditador

“Ditador” era o título dado em Roma a alguém diferenciado para dirigir a República em momentos de grande crise interna ou ameaça externa.

Era preenchido apenas em condições excepcionais, com aval do Senado – composto pela elite romana, o “patriciado”.

O ungido tinha mandato de seis meses (renovável), mas não autonomia ilimitada para impor sua vontade autocrática acima de Roma.

Após algumas experiências delicadas e desempenhos preocupantes, acabou extinto no primeiro século da era cristã.

Com o passar dos séculos, ditador virou sinônimo de sangue e intolerância, poder absolutista.

Seu conceito mudou, mudou seu papel. Tudo muito longe da semântica e da etimologia que o formaram no passado.

Mas há quem veja algumas ditaduras com romantismo e acredita em ditadores bonzinhos, mesmo torturando, matando e suprimindo o elementar direito à liberdade alheia.

Pai, perdoa-os!

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