Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS
Saudações comuns como “bom dia”, “boa tarde” e “boa noite” parecem estar em desuso.
A fidalguia do “obrigado”, então…
Em tempos de tantas relações cibernéticas, mas com diálogos frívolos e fugazes, o cumprimento educado e civilizado, na convivência cotidiana, ficou fora de moda para muita gente. Ó tempos, ó costumes!
Eis-me numa pequena e aconchegante cafeteria em Mossoró; algumas mesas ocupadas. Faço hora para reunião de trabalho noutro endereço. Sem pressa, que se diga.
Ao longo de quase meia hora, várias pessoas entram e saem do lugar. O abre e fecha de porta é mecânico e necessário. Passeiam bolsas femininas bonitas, sapatos masculinos com brilho impecável e perfumes agradáveis (outros nem tanto) no ar duelam com o aroma dos grãos cafeeiros. Gente que que vem, gente que vai, celulares à mão.
O “bom dia” parece manifestação proibitiva.
Após abrir lentamente a porta, um flanelinha pronuncia a mesura mágica: “Bom dia.” Mesmo assim, apenas eu respondo à sua abordagem. É ignorado por todos os demais circunstantes.
Redes sociais.
Minha mãezinha, Dona Maura, repetiria ao meu ouvido – com aquele seu comedimento, uma lição que aprendemos cedo: “Uso de casa vai à praça, Carlinhos! Não esqueça.”
Capela de São Vicente no centro da cidade (Foto: autoria não identificamos. O autor nos contacte)
Hoje, quarta-feira, 15 de março de 2023, Mossoró faz 171 anos de emancipação política.
Nesta foto eu rendo minhas homenagens ao lugar que melhor traduz minha identificação com a terra em que nasci: a Igreja de São Vicente, coração da cidade.
E minha ligação com ela não é por empatia religiosa ou força histórica, mas de bem-querer derivado da infância, como marco de um tempo. É aquela relação de afeto que carregamos para sempre. Jamais será o abismo que olha para mim, mas uma luz que não cessa a me guiar.
Sou ainda o menino capaz de circundar a velha igreja e apressar o passo por seu patamar (ou adro, mais elegante), como se fosse engrossar as pernas de talo de coentro e voltar no tempo. Nem uma coisa nem outra. Fracasso nas duas missões.
Na memória estou sempre me esgueirando das missas dominicais sem que dona Maura controle, porque confia que o Espírito Santo Paráclito possa cuidar de mim ao seu leve descuido. Tem sido assim.
Capiau que não consegue ser universal, mesmo pintando a própria aldeia há várias décadas, diante de seu pórtico frontal levanto os olhos para espiar seu cume… aquela torre inexpugnável de 1927. Isso, para depois fazer o sinal da cruz e sussurrar, só para Ele, as graças de sempre.
A ideia, já li por aí, “é morrer jovem o mais tarde possível“.
Que seja aqui mesmo, Mossoró.
Meu amor, feliz aniversário.
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Ela detestava fotos. Herdei. Dos escassos registros à nossa guarda, temos esse a ser fixado em seu túmulo.
Reprodução (Foto de família)
Se a lembrança estivesse em placa, na esquina de uma rua qualquer, talvez não fosse perpetuada em nós como está até hoje. Viva.
A imortalidade que acredito é plantada em vida. Se alguém continua em mim, mesmo após tanto tempo de partir, é-me claro que se fez imortal.
Não existe um único dia nesse tempo todo do adeus, que nao tive forças para dar, que eu a esqueça.
Se há vida após a morte física, não sei. Mas, Deus sabe como preciso acreditar que vou ter de novo Dona Maura comigo. Ser de novo “Carlinhos,” aquele menino mirrado e tímido que se fez forte, porque ela não deixou ser fraco.
Cuida de mim. Até lá.
Beijos.
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Esta é a postagem oficial de numero 55.976 do Canal BCS (Blog Carlos Santos). Com ela, o registro de uma data bastante especial para mim, criador e editor do Canal BCS (Blog Carlos Santos) – Jornalismo com Opinião.
Completamos hoje (terça-feira, 03), 15 anos no ar de forma diária, contínua, com escassas paralisações.
Nossa estreia foi no dia 3 de maio de 2007, após experiência de um ano em página experimental no sistema Blogspot (veja AQUI), o Carlos Santos Online.
Por pura coincidência, hoje também é o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa e aniversário de minha Santa Mãezinha (in memoriam), Dona Maura. Coincidências que parecem arranjos divinos.
Muito a comemorar, é verdade. Contudo, prefiro agradecer. Em especial a você, webleitor. A todos os colaboradores, comentaristas, homens e mulheres de boa vontade, de fé; àquela força inexplicável que não permitiu que eu desistisse.
Muito obrigado.
Abaixo, uma crônica postada no dia 3 de maio de 2007 (veja AQUI), há 15 anos, quando tudo “recomeçou”:
De tempo, vida e caravelas
Quero lhes falar sobre o tempo. Virtual? Talvez.
Quero lhes falar sobre a vida. Fugaz? É possível.
Quero lhes falar sobre o recomeçar. Posso, sei.
Falo da crença no possível, despojado do retrovisor da existência e evitando ser apenas trapo humano, moendo e remoendo gente e fatos.
Medo? Muitos. Ainda bem. Tenho-os pulsantes, como necessários sacrários do porvir, bússolas da sobrevivência.
Neste ambiente universal, intangível e imaterial, ganho corpo. De novo. Os propósitos são abstratos: cumprir minha sina-paixão. Transpirar, existir, resistir. Ombrear-se a outros que têm minhas crenças, mas respeitando o contraditório. Estimulando-o até.
Sou filho de uma porção menor, mas nem por isso tacanha ou acovardada. Nada além de um indivíduo normal, que labuta. Estranho, talvez, por não ser parte de uma maioria incomum.
Este novo endereço eletrônico não revela nada de especial. Não o trato como avanço. É mais um passo no eterno caminhar, sem o pânico de olhar para trás. “Antes de tudo há que lutar! As caravelas mandei-as queimar, para não terdes a veleidade de voltar” (Hernán Cortés ).
Obrigado pela visita. Seja bem-vindo.
Vamos recomeçar?
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“Tá bonito pra chover!” Expressão típica do nordestinês que tantas vezes ele ouvia, não era apenas antecipação de que testemunharia uma bela “precipitação pluviométrica”, como falavam os radialistas à época. Era senha em ordem implícita: deveria entrar rapidamente, fugir daquela benção que estava próxima de desabar no sertão.
Que privação cruel! O menino que queria correr nas calçadas, cruzar a rua, chutar poças de água e desaparecer naquela enxurrada como qualquer outro, sabia que não podia sequer imaginar-se em tantas traquinadas, que incluiriam obrigatórios banhos de bica.
Trovões ou raios que talvez rasgassem o teto do mundo, não eram os causadores da apreensão. Mirrado, era um milagre de sobrevivência, muito até por teimosia de dona Mariinha, a vó que virava “mãe” e o tinha sempre protegido à barra da saia.
Escravo da asma, era condenado a assistir à rotina de outras crianças que faziam da natureza o seu recreio de exaltação à liberdade. Pelas frestas da janela, fenda à porta, via o que era negado sem entender o porquê de não ter direito à infância normal.
“Olhe o mormaço! Saia daí”.
Quem poderia acreditar que água fizesse mal? Chuva, então?! Como? Quem o convenceria que tudo aquilo não fosse exagero ou má vontade?. Talvez os primeiros chiados pulmonares, o olhar aflito para o teto e aquela sensação de afogamento no seco fossem a prova de que não devia teimar em ser como os outros: criança.
Seria um menino daquele jeito mesmo: confinado, isolado, em conflito com os elementos – terra, água e ar, além daquele fogo de terra em brasa do sertão. O picolé não podia, mas aqui e acolá era permitido drená-lo no copo de alumínio, socado e prensado como se fosse sorvete.
Seu refúgio foram os livros. Não porque os amasse; não mesmo. Eram as companhias possíveis, que foram o abduzindo num teletransporte quântico de matéria. Eram sonhos, personagens, fantasias em capa e espada, viagens ao centro da terra, mergulhos submarinos, o lúdico como escapatória da realidade incômoda.
Tempo para consumir os Tesouros da Juventude, Enciclopédia Britânica (o Gooogle impresso da época), livros, livros e mais livros. Tudo ia sendo devorado como se alimento o fosse, num duelo contra o tempo e aquele clausura sem fim.
Não havia qualquer disciplina ou ordem pedagógica. No cardápio entrava ainda um pequeno rol de publicações ininteligíveis, que só anos ou décadas depois foram decifradas total ou parcialmente, como se fossem a Pedra de Roseta de Champollion.
Ele queria dá bicos na bola Canarinho ou apenas fazer parte do mundo lá fora. Queria jogar futebol sem saber, ser super-herói sem poder ou apenas um menino normal. Era “Carlinhos” que não amava os livros, que jamais jogou futebol nem se deu conta até hoje de que não nasceu para Batman ou Homem-Aranha, apesar de milhares de quadrinhos que povoaram seu quarto e cabeça.
Está na hora de ouvir Prelúdio para ninar gente grande (Luiz Vieira)… “Sou menino-passarinho com vontade de voar”.
Carlos Santos é criador e editor do Canal BCS (Blog Carlos Santos)
Sua crônica (veja AQUI) desse domingo (19) transportou-me no tempo e espaço.
Devolveu-me à presença do seu pai, ‘Seu’ Chico Honório. Até o “Carlinhos” à boca, que não me deixava envelhecer, voltou.
Há pouco mais de dois anos e quatro meses eu consegui a duras penas escrever sobre o meu velho (Um beijo para dizer que “te amo”). Mas, sobre dona Maura, não.
Olhe que já tentei. Parei, mas não desisti.
Em algum momento, passados quase 12 anos, ela vai me inspirar – como sempre o fez.
Não chegou o momento.
Preciso pacientar mais um pouco.
CarlosSantos é editor do Canal BCS – Blog Carlos Santos
Algumas pessoas me perguntam por que sou arredio a debates em redes sociais. Por uma questão de civilidade e saúde mental, respondo-lhes.
Não tenho linguagem para sustentar altercações baseadas em insultos, recalques e democracia da opinião única.O silêncio me dá paz.
Estou muito bem.
Redes sociais são um péssimo ambiente para discussões. Assemelham-se ao trânsito, em que qualquer um infla músculos e verbo, numa coragem que talvez não tivesse em outro espaço ou contexto.
A arte de ter razão, aqui lembro Schopenhauer, é arrimada na estupidez.
Sei bem que essa interação gera mais seguidores, projeção e acessos.
Esses ativos não me atraem tanto, que fique claro.
Sou iluminista por convicção e exercício diário, o que por si só contraria essa selvageria virtual entre seres que sabem ‘tudo’ sobre tudo.
Descobri com o tempo que minha Santa Mãezinha, Dona Maura, sempre foi aristotélica: “A virtude está no meio”. Segundo ela, na moderação, na tolerância. Na prática de contar até dez, até 1000, para não perder a cabeça.
Aqui, não. Nesse mundo, aluado tem fãs.
Mentiria se lhe falasse que não gostaria de ter 1 milhão de pessoas me acompanhando.
Quem tem seguidor é líder de seita.
Se milhares me ouvem e, às vezes me escutam, ótimo. Se esperam a ofensa pela ofensa: ‘peguem o beco’.
Sei ouvir.
Falem, por favor.
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Hoje, como Emery Costa de O Mossoroense, prefiro falar de amenidades. E, para isso, recorro à minha querida Areia Branca. Ontem, 30/11, foi lá o dia do lançamento do nosso livro BECOS RUAS E ESQUINAS.
E como fiquei feliz com a sua presença prestigiando o evento. Muito obrigado.
Por sinal, numa das crônicas do livro, eu me refiro a Maura, sua
mãe, o último dos Moicanos da classe de telegrafistas da décadas de 40/50, operadores do Telégrafo em Mossoró.
Eu, ainda menino, na minha terra, tive a honra de trabalhar com ela. Sua letra, tanto manuscrita, como “nos traços e pontos” do código Morse era simplesmente linda. Saudades.
Renovo meus agradecimentos pela sua presença de ontem a noite. Abraçaço. Abraçaço?
Sim, pegando carona no novo termo da nossa língua: “Sabadaço, jogaço, morenaço”, etc. Obrigaduuuuuuuu, como diz Fábio Júnior.
Chico de Neco Carteiro (Francisco Rodrigues da Costa).
Confesso-lhes: não há um único dia de minha vida que não lembre de minha mãe – dona Maura.
Passam dias, anos começam a se distanciar, eu assim mesmo não a vejo ao longe. Parece tão perto, aqui do lado, que nem computo a partida como perda. Não nos largamos. Estamos mais próximos.
Se dificuldades parecem intransponíveis, o ar teima em faltar, nem a perturbo. Poupo-lhe de minhas angústias. Sei que de algum modo virá a luz. Dela. Tem sido assim.
Mas se estou alegre, exultante com alguma vitória, aí sim a procuro: é para dividir minha alegria. É também sua. Partilho.
Nos últimos anos fui sitiado, tenho sofrido as mais profundas vilanias; nem meus filhos foram poupados da má-fé. Mesmo assim não capitulei ou caí na armadilha de ser, como eles são, para legitimar o que fazem.
Dona Maura não gostaria que eu fosse como eles, para deixar de ser como ela me formou. É principalmente pela senhora que optei não reagir à altura. Vem daí minha força silenciosa, meu autocontrole.
O mal sempre volta às mãos de quem o arremessa. É um juiz infalível. Não precisarei levantar a mão.
“(…) Se eu curvar meu corpo na dor
Me alivia o peso da cruz
Interceda por mim minha Mãe, junto a Jesus.”
Hoje, este Blog chega aos cinco anos de existência continuada. Foi ao ar pela primeira vez no dia 3 de maio de 2007. Antes, o seu editor já montara uma página experimental (veja AQUI), protótipo do que viria a ser o que temos hoje.
Coincidência: hoje também estaria aniversariando Dona Maura, minha santa mãezinha, falecida no dia 4 de dezembro de 2009.
Coincidência, não. Duas bençãos: a primeira, virtual; a segunda, imaterial. Para sempre.
Obrigado por esses presentes que mudaram e mudam minha vida diariamente.
Existe uma força Superior que não sei explicar, mas preciso agradecer por poder senti-la.
Relembro o poeta Gonçalves Dias em “Juca Pirama” para proclamar: “Meninos, eu vi”. Testemunhei duas enchentes épicas em Mossoró. Dois quadros, duas visões.
Rua Jerônimo Rosado virou um marzão (Foto: origem não identificada)
Em uma delas fui desalojado pela enxurrada; de outra resultou meu alojamento, de forma indireta, numa paixão: o jornalismo.
Vou contar o primeiro caso. Depois, quem sabe, abordo o outro, acontecido em 1985.
Situo-me em 1974. Estou nos arrabaldes do Santuário do Sagrado Coração de Jesus, Centro de Mossoró. Assisto o rio Mossoró banhar lentamente a rua Jerônimo Rosado, escalar as escadarias do adro desse templo e ocupar nossa casa sem resistência.
Sua água barrenta e devastadora produzia cenas incomuns aos meus olhos infantis: Homens com calças arregaçadas, outras crianças a nado, caminhões ou simples carroças transportando móveis e picuás da vizinhança.
A chuva incessante que engordou o rio nos empurrou para fora com a força de quem manda, sem pedir licença. Um poder onipotente. Mesmo assim, a água que quase batia à cintura de muitos ali bem em frente, me divertia, sem que eu soubesse medir os estragos ou pressentir os desdobramentos da cheia.
Sapos apareciam aos montes, como se fora reprodução de uma das dez pragas do Egito. Multiplicavam-se aos milhares, fazendo do enorme quintal uma Normandia no Dia D, só para anfíbios. Uma cena grotesca que nunca mais vi se repetir.
Canoas e pequenas lanchas navegavam à nossa frente; o rádio ligado noticiava a ampliação territorial do rio Mossoró. Estávamos ilhados, acuados, a cada dia.
O burburinho na rua e o alagamento continuado não me afligiam. A imagem diluviana era acima de tudo encantadora à minha avaliação limitada. Cinematográfica. Estimulava a imaginação cheia de aventuras e super-heróis da TV e quadrinhos.
Ruas, praças e avenidas estavam transformadas num marzão. Uma via só. Fluvial. Quase amazônica.
Só me toquei do pior com a convocação final: “Arrume suas coisas. Amanhã cedinho a gente vai embora”. Partimos para nunca mais voltarmos àquele endereço.
Lá ficou uma parte de minha infância e inocência: a pequena pracinha de seu João Cantídio, nosso Colégio Dom Bosco a tão poucos passos.
Para trás o presépio de Maria de Uriel, miniatura bíblica cheia de vida em todo Natal; a casa acolhedora de dona Fefita e seus netos, todos meus amigos, que vez por outra me convocavam para tumultuar seu sossego.
A padaria de seu Eliseu Costa e dona Julita nunca mais seriam meu endereço de fim de tarde. Seus pães e bolos deliciosos, enrolados com técnica apurada em papel madeira, continuam em meus olhos, olfato e paladar. Memória sensorial.
As confrarias noturnas à calçada, com o tititi do dia, quase sempre vetadas à presença de crianças curiosas, continuam gravadas. As famílias pareciam uma só, sem o temor da violência urbana, sem as aflições psicossociais deste século XXI.
Vários nomes e lugares mantêm-se memorizados, outros se dispersaram com o tempo, mesmo que a imagem deles, ainda turva, pulule até hoje em minha mente.
Vejo o casal Izete-Raílton; Moisés dos Portões, padre Américo Simonetti e suas concorridas missas no Coração de Jesus; o tenente e delegado Clodoaldo Meira aboletado num Jeep aterrorizando quem teimava em jogar bola na área, pronto para picotar a pelota.
A senhora Júlia Menezes absorta; as irmãs Ilná e Alaíde Nascimento; minha “Maura” sempre loquaz, festiva e amante da prosa com Nadir Brasil e tantos amigos e amigas. A professora exemplar Dagmar Filgueira e a serenidade do senhor Trajano Filgueira.
O sítio “Pica-pau” no beiço do rio; o Cine Cid tão perto e a lenda de que em seu subsolo existia uma baleia. Com chuva ou sol, enchente ou não, o barulho que vinha de lá nos fazia acreditar nesse “Moby Dick” subterrâneo, enredo que caberia numa aventura escrita por Júlio Verne.
Por aquele pequeno portão gradeado de ferro da casa em que eu morava, de batente alto, soltei meu barquinho tosco, de papel. Vi-o flutuar nas águas por alguns minutos, até que desaparecesse.
Só muito tempo depois descobri que “navegar é preciso”. Minha nau frágil, não tripulada, era também esperança.