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Duas ótimas entrevistas sobre a tensa política nacional

Arte ilustrativa
Arte ilustrativa

Acesse o portal UOL e veja duas ótimas entrevistas dessa terça-feira (22).

Jornalistas conversam com o professor de Direito Penal da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Davi Tangerino, e com o deputado federal paulista Guilherme Boulos (Psol).

Abordagens com opiniões e análises que colaboram para entendermos melhor sobre decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), postura do clã Bolsonaro, relações entre poderes, política internacional do governo Donald Trump, soberania nacional e efeitos do tarifaço dos EUA na luta eleitoral brasileira.

Vale a pena. De alto nível.

Links abaixo:

Davi Tangerino

Guilherme Boulos

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Prefeito reassume liderança; Boulos é segundo e Marçal tem queda

Boulos, Nunes e Marçal: pesquisa faz simulação de segundo turno (Foto: Fábio Tito/G1)
Boulos está numericamente atrás de Nunes e Marçal perdeu fôlego (Foto: Fábio Tito/G1)

Do Canal Meio e outras fontes

Com o efeito da propaganda eleitoral, Ricardo Nunes (MDB) reassumiu a liderança das intenções de voto na eleição para a prefeitura de São Paulo, aparecendo com 27%, segundo nova pesquisa Datafolha.

Ele está empatado tecnicamente com Guilherme Boulos (PSOL), que tem 25%. Já Pablo Marçal (PRTB) ficou para trás, marcando 19%.

A margem de erro é de três pontos, para mais ou para menos.

Tabata Amaral (PSB) caiu de 9% para 8%.

José Luiz Datena (PSDB), de 7% para 6%.

A influência dos apoios dos padrinhos políticos também se movimentou. Entre os eleitores que afirmam terem votado em Lula, 48% declaram voto em Boulos — eram 44% há uma semana. E 19% desse eleitorado declaram voto em Nunes.

Já os eleitores de Bolsonaro migraram de Marçal, que tinha 48% dessa fatia e caiu para 42%, para Nunes, agora com 39% do voto dos bolsonaristas ante 31% da última sondagem.

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Pesquisa aponta empate técnico entre três candidatos

Boulos, Nunes e Marçal: pesquisa faz simulação de segundo turno (Foto: Fábio Tito/G1)
Boulos, Nunes e Marçal: pesquisa faz simulação de segundo turno (Foto: Fábio Tito/G1)

Do Canal Meio e outras fontes

Na primeira pesquisa do Datafolha após o início do horário eleitoral gratuito, a disputa pela prefeitura de São Paulo segue tecnicamente empatada. Os números mostram o acirramento da campanha paulistana.

O deputado federal Guilherme Boulos (PSOL) aparece com 23%, mesmo número do levantamento anterior. O influenciador Pablo Marçal (PRTB) passou de 21% para 22%, enquanto o prefeito Ricardo Nunes (MDB) oscilou de 19% para 22%.

Tabata Amaral (PSB) surge com 9%, pela primeira vez numericamente à frente de José Luiz Datena (PSDB), que tem 7%. Depois vêm Marina Helena (Novo, 3%) e Bebeto Haddad (DC) e Ricardo Senese (UP), ambos com 1%.

Quanto à decisão sobre o candidato, 59% dizem estar certos de seu voto e 41% podem mudar. Em caso de alteração, a segunda opção de voto preferencial é por Boulos (18%), empatado com Nunes (17%) e Tabata (15%). Depois aparecem Datena (13%), Marçal (9%) e Marina Helena (8%). A margem de erro é de três pontos percentuais para cima ou para baixo. (Folha)

E em um eventual segundo turno, Boulos e Nunes venceriam Marçal, segundo simulação feita em pesquisa do Datafolha. O atual prefeito também venceria o deputado federal. Em uma disputa entre Nunes e Marçal, o primeiro ganharia por 53% a 31%. Uma briga entre Boulos e Marçal seria mais apertada, 45% a 39%, com os números apontando empate no limite máximo da margem de erro. No embate Nunes contra Boulos, o resultado seria 49% a 37%. (Folha)

O desempenho de Marçal nas pesquisas levou Nunes a rever sua estratégia de campanha. Investindo em um discurso mais ideológico, ele tem priorizado entrevistas a veículos identificados com a extrema direita, radicalizado em questões de costumes e criticado o regime da Venezuela, apesar da pouca relação do tema com o pleito municipal. Pode estar dando certo. Em agosto, Marçal saltou sete pontos. Agora, apenas um. Nunes subiu três. (Globo)

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Lula pede votos para Boulos e governo apaga vídeo de seus canais

Boulos recebeu apoio explícito de Lula em São Paulo (Foto: Taba Benedicto/Estadão)
Boulos recebeu apoio explícito de Lula em São Paulo (Foto: Taba Benedicto/Estadão)

Do Canal Meio e outras fontes

Neste feriado do Dia do Trabalho, em ato organizado pelas centrais sindicais em São Paulo-SP, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez um pedido de votos explícito ao pré-candidato a prefeito Guilherme Boulos (PSOL), o que é proibido pela legislação eleitoral em período de pré-campanha. “Ninguém derrotará esse moço aqui se vocês votarem no Boulos para prefeito de São Paulo nas próximas eleições,” pregou Lula.

//www.terra.com.br/noticias/brasil/politica/lula-pede-voto-em-boulos-em-ato-esvaziado-do-1-de-maio-lei-eleitoral-veda,cb2b6b827dc28ce53cbdce76ad48f15fxjohn3xr.html?utm_source=clipboard

A gravação estava hospedada no YouTube do CanalGov, mas foi deletada. A mesma transmissão, porém, segue disponível no perfil pessoal de Lula no YouTube.

Punição

Segundo Vânia Aieta, coordenadora-geral da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político, o presidente pode ser multado com valores que variam de R$ 5 mil a R$ 25 mil. “O presidente pede votos. Boulos não pediu, mas o presidente pede, e o Boulos é beneficiário do pedido, pois estavam no palanque. Pode ser considerado propaganda antecipada sujeita a multa”, disse.

Adversários como o MDB, partido do prefeito Ricardo Nunes, Marina Helena (Novo) e Kim Kataguiri (União Brasil) anunciaram a intenção de recorrer à Justiça contra o presidente e o pré-candidato do PSOL. Durante o discurso, Lula referiu-se a Boulos como candidato, embora o período oficial de convenções e registros de candidatura só se inicie em julho.

Sob a ótica, o ato também foi considerado esvaziado em termos de público. Durante seu pronunciamento, o presidente se queixou e considerou que tinha sido falha da organização, o motivo do acanhado público.

A Presidência da República e a campanha de Boulos ainda não se pronunciaram sobre o assunto.

Populismo de fancaria em Brasília

Banco Central teve aprovação de seu presidente em 2019 (Foto: arquivo)
Banco Central teve aprovação de seu presidente em 2019 (Foto: arquivo)

Pérola do deputado federal Guilherme Boulos (Psol-SP): “Lula foi eleito Presidente da República por mais de 60 milhões de brasileiros. Quem elegeu Campos Neto para Presidente do Banco Central?”

Jogando para a torcida, como o presidente Lula (PT).

Populismo de fancaria.

Leia também: Campos Neto defende autonomia do Banco Central;

Leia também: Autor da lei da autonomia do Banco Central reage às críticas de Lula;

Leia também: Entenda críticas de Lula e os efeitos na economia.

Nota do Canal BCS – Campos Neto teve seu nome aprovado pelo Senado em 2019, com apenas seis votos contrários e uma abstenção, em votação secreta.

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Ex-adversários apoiam Lula e Herique Meirelles faz balanço econômico

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSB), da Coligação Brasil da Esperança, receberam nesta segunda-feira (19/09) o apoio de ex-candidatos à Presidência da República em eleições anteriores. Entre os presentes estavam Marina Silva, João Vicente Goulart, Cristovam Buarque, Guilherme Boulos, Luciana Genro e Henrique Meirelles.

Meirelles, último à esquerda de Lula, é um nome de prestígio nacional e internacional (Foto: divulgação)
Meirelles, último à esquerda de Lula, é um nome de prestígio nacional e internacional (Foto: divulgação)

Talvez, Meirelles tenha maior representatividade entre todos, por simbolizar um segmento de pensamento e referência em termos de política econômica, tanto para o mercado interno como o setor financeiro internacional. Ele foi titular do Banco Central na gestão Lula, após ser eleito em 2002 como deputado federal por Goiás, no PSDB.

Sequer chegou a tomar posse, aceitando a missão no BC, sob reprovação de boa parcela do PT e da esquerda nacional.

Ex-presidente do Bank of Boston, Henrique Meirelles falou do convite e apoio a Lula, recapitulando em suas redes sociais como foi sua passagem pelo governo, sob a ótica econômica. Leia abaixo:

Trabalhei no governo de Lula durante oito anos, de 2003 até 2010, convidado para comandar o Banco Central. Neste período, mais de dez milhões de empregos foram criados no Brasil. Isso é um fato inquestionável. Quarenta milhões de pessoas saíram da linha da pobreza, o que mudou a vida do país por um longo tempo.

Meirelles foi do BC no governo Lula (Foto: Teirrer)
Meirelles foi do BC no governo Lula (Foto: Teirrer)

Tivemos no país um crescimento médio de 4%, que é relevante – e o último ano, em 2010, foi de mais de 7%. No período em que a meta de inflação foi de 4,5%, de 2005 até 2010, a inflação média foi de 4,5%. Isso é impressionante, e a longo prazo a inflação na meta é a que gera mais emprego. 

No cenário externo, quando assumi o BC, o país tinha baixo nível de reservas cambiais e dívida de US$ 30 bi com o Fundo Monetário Internacional (FMI). A diretora do FMI à época, Ana Maria Jul, vinha todo ano cumprir a missão de dizer o que o Brasil deveria fazer. Pois bem, eu tive a felicidade de, como presidente do BC, assinar o cheque pagando a dívida e dando adeus ao FMI.

O Brasil decretou sua independência financeira. Ao longo da minha passagem pelo BC, conseguimos acumular quase US$ 300 bilhões em reservas, dando ao país condições de enfrentar situações posteriores difíceis e graves. Encaramos com sucesso a crise de 2008, quando o Brasil teve a menor e mais curta recessão no mundo.

 Este é um resumo dos fatos. Isso é, na minha opinião, o que interessa à população, que é emprego, renda, e melhor padrão de vida. E mostrar quem faz, quem realiza. 

Essa história de só falatório pode impressionar muita gente, mas eu acredito em fatos. Eu olho e vejo os resultados. Isso me fez participar hoje do evento de apoio ao Lula com tranquilidade e confiança, porque sei o que funciona, e o que pode funcionar no Brasil.

Veja AQUI o conteúdo na íntegra.

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Bolsonaro afaga Alexandre de Moraes e pede desculpas por excessos

Do Metrópoles, Veja, UOL, G1 e Canal BCS

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) divulgou uma nota (leia a íntegra abaixo) na tarde desta quinta-feira (9/9) na qual diz que às vezes fala “no calor do momento” e que nunca teve “nenhuma intenção de agredir quaisquer dos Poderes”.

A nota, um claro recuo no tom das últimas semanas, foi publicada no site do Palácio do Planalto logo após encontro dele com o ex-presidente Michel Temer (MDB) – veja AQUI.

Bolsonaro conversou ao telefone com Alexandre, após sondagem de Temer ao ministro do STF (Foto: arquivo)
Bolsonaro conversou ao telefone com Alexandre, após sondagem de Temer ao ministro do STF (Foto: arquivo)

Temer, o pacificador

Em sua coluna online, o jornalista Lauro Jardim (O Globo) acrescentou:

A nota oficial que Jair Bolsonaro divulgou há pouco, recuando de forma radical das bravatas que tem proferido nas últimas semanas contra o Supremo, notadamente o discurso do dia da Independência, foi escrita pelo marqueteiro Elsinho Mouco sob a supervisão de Michel Temer.

A ideia da nota surgiu ontem à noite quando Temer e Bolsonaro conversaram pelo telefone. Em seguida, Mouco, que atuou como marqueteiro de Temer, redigiu o texto, sob a supervisão do ex-presidente.

Hoje, de manhã, às 7h30, um avião da FAB levou os dois a Brasília para se encontrar com Bolsonaro. O texto foi apresentado ao presidente e aprovado.A propósito, foi Elsinho quem, no dia 18 de maio de 2017, no dia seguinte à divulgação da explosiva delação de Joesley Batista escreveu o discurso em que Temer disse: “Não renunciarei”.

Declaração à Nação

No instante em que o país se encontra dividido entre instituições é meu dever, como Presidente da República, vir a público para dizer:

1. Nunca tive nenhuma intenção de agredir quaisquer dos Poderes. A harmonia entre eles não é vontade minha, mas determinação constitucional que todos, sem exceção, devem respeitar.

2. Sei que boa parte dessas divergências decorrem de conflitos de entendimento acerca das decisões adotadas pelo Ministro Alexandre de Moraes no âmbito do inquérito das fake news.

3. Mas na vida pública as pessoas que exercem o poder, não têm o direito de “esticar a corda”, a ponto de prejudicar a vida dos brasileiros e sua economia.

4. Por isso quero declarar que minhas palavras, por vezes contundentes, decorreram do calor do momento e dos embates que sempre visaram o bem comum.

5. Em que pesem suas qualidades como jurista e professor, existem naturais divergências em algumas decisões do Ministro Alexandre de Moraes.

6. Sendo assim, essas questões devem ser resolvidas por medidas judiciais que serão tomadas de forma a assegurar a observância dos direitos e garantias fundamentais previsto no Art 5º da Constituição Federal.

7. Reitero meu respeito pelas instituições da República, forças motoras que ajudam a governar o país.

8. Democracia é isso: Executivo, Legislativo e Judiciário trabalhando juntos em favor do povo e todos respeitando a Constituição.

9. Sempre estive disposto a manter diálogo permanente com os demais Poderes pela manutenção da harmonia e independência entre eles.

10. Finalmente, quero registrar e agradecer o extraordinário apoio do povo brasileiro, com quem alinho meus princípios e valores, e conduzo os destinos do nosso Brasil.

DEUS, PÁTRIA, FAMÍLIA

Jair Bolsonaro – Presidente da República federativa do Brasil

Bolsonaro conversa com quem ele agrediu

O jornalista Igor Gadelha, do portal Metrópoles, noticiou que o presidente Jair Bolsonaro conversou por telefone com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quinta-feira (9/9), antes de divulgar uma “declaração à nação”, em tom de pacificação.

Ainda na noite de quarta, o ex-presidente afirmou que “falou rapidamente” com Moraes, principal alvo de Bolsonaro nos discursos durante os atos de 7 de setembro.

Na ocasião, Temer também sondou a disposição de Moraes em dialogar com Bolsonaro. A conversa telefônica, então, ocorreu enquanto o ex-presidente estava reunido com o atual mandatário no Planalto, hoje.

Segundo relatos, Moraes teria repetido a Bolsonaro num diálogo ‘cordial’ (veja AQUI) o que disse para Temer na noite anterior: que age apenas nos termos jurídicos e que não tem nada pessoal contra o atual presidente e seus apoiadores (veja AQUI).

Reações

Nas redes sociais e imprensa formal, as reações à posição de Bolsonaro foram as mais variadas. Muita incredulidade, outras vozes aplaudindo o sinal de pacificação e muitos aliados decepcionados ou sem entender nada ainda.

“O leão virou um rato”, ironizou o governador de São Paulo, João Doria (PSDB). “É um frouxo e covarde”, provocou o deputado federal Rodrigo Maia, ex-presidente da Câmara dos Deputados.

“Continuo aliado, mas não alienado”, disse o pastor Silas Malafaia. “Ele não vai parar sozinho. Só com Impeachment. Não há outra forma de sair deste pesadelo!”, mostrou Guilherme Boulos (PSOL), ex-candidato a presidente da República.

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), destacou que a “harmonia entre os Poderes é uma determinação constitucional que todos, sem exceção, devem respeitar”. Enquanto isso, o blogueiro bolsonarista Allan dos Santos jogou a toalha, para ele, é o “fim do jogo”. Veja outras reações de aliados AQUI.

Nota do Blog – Presidente Bolsonaro dá um passo atrás. Recua para não desabar de vez. Os babaquaras da infantaria, que topam tudo, é que estão na pior. Daqui a pouco ele voltará ao normal. Porém, mesmo que por conveniência, vale esse armistício. O país precisa de paz para sair disso.

No andar de cima, o presidente fuma cachimbo da paz (agora, taokey?) com quem ele agrediu verbal e moralmente. Claro que não é sincero nem reconhece excessos, mas por necessidade de sobrevida ou sobrevivência. Já Zé Trovão e outros manés não escapam do xilindró.

Estúpido, inconsequente, Bolsonaro é aquele do discurso (veja AQUI) em 7 de setembro. O da nota de hoje é o que precisa ser agora. Sua ‘normalidade’ não demora a eclodir novamente.

Leia também: ‘Caminhão sem freio’ do bolsonarismo ameaça o próprio governo.

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O novo mapa do poder municipal no Brasil

Do Congresso em Foco

Por Sylvio Costa, André SathlerRicardo De João Braga

Eleições municipais são como um caleidoscópio. As múltiplas arenas de batalha, o grande número de partidos e de candidatos e as complexas conexões entre temas locais – em princípio, os mais determinantes para os resultados eleitorais – e nacionais possibilitam visões muito diversas, de tonalidades bastante diferentes. Análises apressadas, em geral, estão condenadas ao daltonismo.

Para reduzir tal risco, consolidamos nesta edição especial os principais resultados, facilitando a compreensão do que as urnas falaram em novembro, e acrescentando sempre que possível observações que tentam ir além do óbvio.

Deve-se ressaltar que ainda não foram divulgados oficialmente os resultados finais e completos das eleições (sem falar que Macapá escolherá o prefeito apenas neste domingo, dia 6). Por isso, alguns dos gráficos usados a seguir apresentam totalizações que ficam por vezes abaixo do número total de municípios brasileiros (5.570).Vencedores que perderam

O MDB é o partido com a maior quantidade de prefeitos eleitos, 784. Mas perdeu 260 prefeituras em relação a quatro anos atrás. Pela primeira vez desde 1988, controlará menos de mil municípios. O PSDB foi quem se saiu melhor nas maiores cidades, mas perdeu ainda mais: terá sob o seu controle 279 municípios a menos. Esse declínio em capilaridade poderá afetar as bancadas de deputados federais de ambos os partidos, que já caíram bastante nas últimas eleições para o Congresso.

O MDB tem um problema adicional. Não conseguiu projetar nenhuma liderança de expressão nacional. Bons nomes numa campanha presidencial, por exemplo, podem puxar candidatos a cargos legislativos, inclusive à Câmara (algo decisivo, já que o tamanho da bancada de deputados eleita define a porção do fundo partidário apropriada por cada legenda).

Quem mais cresceu

Como salta à vista desde a divulgação dos resultados do primeiro turno, os partidos que apresentaram maior crescimento em número de prefeituras pertencem ao Centrão, coalizão de corte conservador que se caracteriza menos pelo perfil ideológico do que pelo apego a nomeações e recursos federais, valiosos instrumentos para conquistar e preservar o poder local. DEM, com 196 municípios a mais, PP (190), PSD (116) e Republicanos (106) foram os maiores vitoriosos.

Percentualmente, as agremiações que mais cresceram foram Avante, Patriota, Podemos e PSL, mas todas conquistaram números modestos de prefeituras: quem mais ganhou foi o Podemos, 102. O risco de embarcar no ilusionismo aqui é grande, como mostra o caso do PSL. De fato, ele triplicou o total de prefeitos, mas isso significou passar de 30 a 90, resultado fraco se lembrarmos que se trata do partido com a segunda maior bancada na Câmara (atrás apenas do PT) e que mais recebeu dinheiro para a campanha eleitoral – quase R$ 200 milhões.

Estratégia importa

Pode demorar, mas pensamento e posicionamento estratégico dão resultados. Os expressivos avanços do PP e do PSD devem ser creditados em parte ao apurado senso tático dos seus presidentes, Ciro NogueiraGilberto Kassab, que souberam fazer alianças que deram certo. Mas o maior destaque foi o DEM.

Quem “governará” mais habitantes

Ao alterar o nome em 2007, o partido iniciou um movimento de renovação interna que projetou uma nova geração de líderes (com destaque para Rodrigo MaiaDavi AlcolumbreACM NetoEduardo Paes) e criou as condições para vencer em quatro capitais de grande peso político: Rio de Janeiro, Salvador, Curitiba e Florianópolis.

O esvaziamento dos polos

Se o PSL foi mal, melhor não pode ser dito sobre o PT. Havia uma expectativa de que o partido de Lula se recuperaria do baque sofrido em 2016, ano do impeachment de Dilma Rousseff. Isso não ocorreu. O partido não apenas perdeu ainda mais prefeituras (71 a menos) como, pela primeira vez desde 1986, não terá nenhum prefeito de capital.

Para piorar, ao levar Guilherme Boulos à segunda rodada de votação na maior metrópole do país, o Psol ocupou com brilho um espaço tradicionalmente petista. Portanto, os partidos que se confrontaram no segundo turno das últimas eleições presidenciais ficaram na periferia do poder municipal, o que antecipa nítidos problemas para alcançar um bom desempenho nas eleições gerais de 2022, quando serão eleitos presidente da República, governadores, senadores e deputados federais, estaduais e distritais.

A disputa na esquerda

A dobradinha PDT e PSB rendeu quatro capitais, todas no Nordeste – Recife, Fortaleza, Maceió e Aracaju. As duas siglas saem das eleições como as agremiações de esquerda/centro-esquerda mais enraizadas nos municípios. Mas ambas perderam prefeituras. O PDT elegeu 20 a menos. O PSB, 155, tornando-se assim o terceiro partido com mais perdas (atrás apenas de PSDB e MDB). De qualquer forma, a parceria mandou um sinal claro: é possível uma frente de esquerda que passe ao largo do PT. Embora não sejam excepcionais, os resultados são suficientes para sustentar o sonho de uma quarta candidatura do pedetista Ciro Gomes ao Palácio do Planalto.

Já o governador maranhense Flávio Dino sai do pleito menor do que entrou. Errou ao deixar que três candidatos aliados se digladiassem no primeiro turno, na esperança de que o apoio ao mais votado no segundo turno liquidaria a fatura, e perdeu a Prefeitura de São Luís. No conjunto do país, o seu partido – o PCdoB – contabiliza 35 municípios a menos. Com exceção do Psol, todos os partidos de esquerda e centro-esquerda amargaram prejuízos.O desafio da cláusula de barreira

Para a maioria das 29 legendas que elegeram prefeitos (outras cinco não elegeram ninguém), 2022 trará um desafio de bom tamanho – obter 2% dos votos válidos nacionalmente para a Câmara dos Deputados, com pelo menos 1% dos votos em no mínimo nove estados. Quem não atingir essa votação ficará fora da repartição dos recursos do fundo partidário e do tempo de propaganda na TV. Na prática, significará se inviabilizar como partido. Espera-se que essas e outras regras restritivas, como a proibição de coligações para eleições legislativas, levem a um processo de fusões e incorporações que tende a tornar o sistema partidário menos fragmentado. A elevada fragmentação é uma das marcas mais peculiares, e mais disfuncionais, do sistema político brasileiro.

PSDB mantém força

Embora tenha perdido capilaridade, o PSDB venceu em cidades importantes, com destaque para São Paulo; terá sob sua gestão mais de 34 milhões de habitantes; e estará à frente de municípios que respondem por R$ 1,4 trilhão do Produto Interno Bruto (PIB), isto é, perto de um quarto da soma das riquezas produzidas pelo país. Nesse aspecto, saiu-se melhor do que qualquer outra agremiação. Os resultados foram especialmente vistosos nos estados de São Paulo e Rio Grande do Sul, onde o partido é liderado por João DoriaEduardo Leite, este recentemente apontado no Painel do Poder pelos líderes do Congresso como o melhor governador do país.

O prefeito reeleito de São Paulo, Bruno Covas, é outra liderança emergente do PSDB. Sua vitória não pode ser atribuída a Doria, que é forte no interior do estado, mas enfrenta grande rejeição na capital. O seu nome foi cuidadosamente omitido da campanha de Bruno Covas.

O prefeito paulistano e o governador gaúcho, cujo estilo amigável contrasta bastante com a agressividade de Doria e da ala bolsonarista do partido, recuperam para o PSDB a imagem do partido aberto ao diálogo e à construção de alianças amplas.

Dito isso, vale lembrar que a população governada pelo PSDB nos últimos quatro anos era ainda maior. Os municípios conquistados pelos tucanos em 2016 abrangiam no total 48,4 milhões de habitantes – 14,4 milhões a mais que o alcançado agora. O que reforça o diagnóstico anterior. Sim, o partido amargou prejuízos, mas mantém estrutura partidária, visibilidade e recursos. Não pode ser desprezado nos cenários para 2022.

Atores relevantes do centro para a direita

Mapear PIB e população facilita a identificação de outros atores estratégicos. MDB, DEM, PSD e PP formam o quarteto que administrará os maiores contingentes populacionais e os maiores nacos do PIB brasileiro. Isso mostra como o centro e a centro-direita se posicionaram bem para a batalha eleitoral de 2022.

A vitória de Bruno Covas fez do PSDB o partido que mais "governará" brasileiros a partir de 2021 (Foto: campanha)

Os três últimos partidos, de novo, cresceram de modo mais expressivo em relação a 2016. Obtiveram um ganho em população de 7 milhões para o PP, 9,5 milhões para o PSD e 13,6 milhões para o DEM.

O DEM ficou ainda com o segundo maior naco do PIB nacional. No campo do centro e da direita, também merecem destaque Podemos, PL e Republicanos. Consolidam-se como partidos médios, com baixo risco de terem problemas com a cláusula de barreira.

Nesse campo político-ideológico, os partidos que mais perderam em população foram PTB (menos 3 milhões de habitantes) e MDB (menos 2,6 milhões).

Atores relevantes do centro para a esquerda

À esquerda, quem mais saiu perdendo foi o PSB (7,4 milhões de brasileiros a menos). Mas é o agrupamento que saiu como segunda maior força nesse campo político-ideológico, atrás somente do PDT. As duas agremiações, aliadas no Congresso e nas eleições municipais deste ano, governarão mais de 20 milhões de pessoas e um PIB municipal de nada desprezíveis R$ 466 bilhões.

Guilherme Boulos (Psol-SP) foi o destaque da esquerda nas eleições municipais - eleições 2020 (Foto: campanha)

Os dois números são três vezes maiores que os amealhados pelo PT. A rigor, temos aqui um fato de excepcional significado: o PT perdeu a hegemonia na esquerda, posição conquistada desde que venceu a batalha contra o PDT de Leonel Brizola na eleição presidencial de 1989.

O PT ficou fora do “top ten” tanto em população quanto em PIB. No primeiro caso, permaneceu do mesmo tamanho: ganhou pouco mais de 11 mil habitantes em comparação com 2016. Mas é outra legenda que não deve ser desdenhada. Nem que seja pelo fato de possuir os dois nomes de esquerda que melhor aparecem nas pesquisas eleitorais para presidente mais recentes: Lula (que será provavelmente inelegível) e Fernando Haddad (o melhor nome que o PT tem a oferecer no momento).

Somente o Psol ampliou a área de influência, tendo Guilhermes Boulos candidato a prefeito de São Paulo-SP, mesmo derrotado. Terá sob sua gestão 1,5 milhão a mais de brasileiros. Do centro para a esquerda todas as demais forças saíram perdendo em total de habitantes: PV, com 2,3 milhões a menos; Cidadania, PCdoB e PDT, empatados em 1,7 milhão; e Rede, com menos 1,2 milhão.

Reeleição, Bolsonaro e pandemia

Como revelou o Congresso em Foco, é nítida a relação entre os resultados eleitorais e a pandemia. Prefeitos que se mostraram gestores razoáveis da profunda crise sanitária que já matou mais de 175 mil brasileiros se reelegeram com facilidade ou na maioria das vezes conseguiram fazer o sucessor.

Esse foi o sinal mais preocupante que as eleições trouxeram para o presidente Jair Bolsonaro, que sempre minimizou os riscos representados pela covid-19 e desdenhou os ensinamentos da experiência internacional e da ciência. O seu negacionismo, assim como dos seus adeptos e dos gestores que o reproduziram em escala estadual ou municipal, foi claramente derrotado nas urnas, embora esse aspecto tenha sido até aqui bem menos ressaltado que a perda de popularidade do filho Carlos ou a derrota da esmagadora maioria dos candidatos apoiados pelo presidente da República.

De fato, é impressionante que o chefe do governo central tenha conseguido eleger apenas 16 dentre os 63 candidatos que apoiou explicitamente por meio de lives e outras manifestações públicas. E que apenas uma dessas vitórias tenha ocorrido em uma capital (Rio Branco). Algum recado certamente houve, mas é preciso levar em conta que o voto municipal quase sempre é decidido em razão de fatores locais e é prematuro tirar conclusões sobre os seus efeitos na corridade presidencial de 2020.

É fato que Bolsonaro volta a enfrentar forte crescimento da rejeição, sobretudo nas maiores cidades, e que superestimou a sua capacidade de transferir votos. Mas ele permanece neste momento como o jogador mais bem posicionado para a sucessão presidencial e sua eventual reeleição continuará dependendo, sobretudo, dele mesmo. O desempenho da economia, a gestão da pandemia e sua capacidade para manter e ampliar alianças serão as principais variáveis a observar nos próximos meses.

Fundamental é que, num ambiente pandêmico, os eleitores preferiram não correr riscos. Isso fica muito evidente na elevada taxa de reeleição. Com base nos dados do TSE, o jornal Folha de S.Paulo apurou que 62,9% dos prefeitos que disputaram um segundo mandato saíram vitoriosos. Em 2016, esse índice havia ficado em 46,4%.Termômetro

NA GELADEIRA – A polarização, que marcou a política brasileira nas últimas três décadas, foi trancada no armário pelos eleitores. O dualismo PT x alguém (sucessivamente, Collor, PSDB e Bolsonaro) desapareceu. Comprovam isso os resultados pífios atingidos por petistas e bolsonaristas e o aumento da importância de partidos de centro e de direita. Isso deixa mais aberto o jogo presidencial de 2020, que a esta altura é jogado em quatro campos: a) o bolsonarismo (apoiado por PP, PTB, Republicanos, PSC e parte do PSL e de outras legendas); b) o campo do PT e do Psol (de onde despontam como potenciais presidenciáveis Fernando Haddad, Jaques Wagner e Guilherme Boulos); c) o campo da centro-esquerda mais PCdoB (onde pontificam Ciro Gomes, Flávio Dino e o sonho ainda cultivado pelo PSB de uma candidatura de Joaquim Barbosa); e d) o agrupamento mais fortalecido pelos resultados eleitorais, o centro e a direita não bolsonarista, área em que sobram candidatos com algum potencial eleitoral (Luciano Huck, Sergio Moro, Eduardo Leite, Doria, Mandetta).

CHAPA QUENTE – As abstenções alcançaram níveis recordes nas eleições deste ano. No segundo turno, ficaram na média em 29,5%, chegando em algumas cidades – como Rio de Janeiro – a passar de 35%. Segundo o TSE, em 483 cidades a soma de abstenções e votos nulos e em branco superou a votação do candidato mais votado. O fenômeno era em parte esperado por causa da tendência de parte do eleitorado a não votar durante a pandemia.

Mas, não é de hoje que o Brasil, um país onde o voto é obrigatório, ostenta taxas muito elevadas de não voto, o que indica o desinteresse de muitas pessoas pelo processo eleitoral ou mesmo o desejo de protestar contra um sistema político em que elas não se sentem representadas. Embora seja recomendável analisar os números com prudência, eles merecem atenção, sobretudo da parte dos partidos e lideranças que saíram derrotados das urnas de novembro. Ou esses líderes e organizações repensam suas relações com a sociedade que se propõem a representar ou dificilmente terão grande futuro nos próximos embates eleitorais.

Quem mais ganhou vereadores (2016-2020)

Quem mais perdeu vereadores (2016-2020)Veja material completo clicando AQUI.

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TSE rejeita, por unanimidade, realização de “livemícios”

Luis Felipe: rejeição (Foto: TSE)

Do UOL

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou, por unanimidade, a realização de “livemícios” nas eleições municipais deste ano. A corte analisou hoje (28) uma consulta feita no início do mês pelo PSOL sobre a legalidade de lives eleitorais com artistas.

O PSOL estuda a possibilidade de fazer um evento nesses moldes para a candidatura de Guilherme Boulos e Luiza Erundina à Prefeitura de São Paulo.

O ministro relator, Luis Felipe Salomão, disse que o modelo é vedado pela legislação.

O parecer do Ministério Público Eleitoral (MPE) também entendeu que o formato é semelhante ao dos showmícios, proibido pela legislação.

Saiba mais detalhes clicando AQUI.

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Governadora também protesta contra cortes orçamentários

A governadora Fátima Bezerra (PT) participou diretamente das manifestações contra o corte orçamentário de 30% nas universidades federais e institutos federais, impostas pelo Governo Jair Bolsonaro (PSL).

Fátima teve a companhia de Boulos e alguns secretários na manifestação de ontem (Foto: redes sociais)

Esteve na Avenida Salgado Filho em Natal, ao lado de professores, estudantes, servidores públicos, militantes partidários e populares.

Vários de seus secretários a acompanharam, bem como o ex-candidato presidencial Guilherme Boulos (PSOL), que à tarde fizera palestra (veja AQUI) no Instituto Federal do RN (IFRN), na mesma avenida.

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Bem além da pipoca

O marketing da governadora Fátima Bezerra (PT) precisa com certa urgência arranjar outra alegoria popularesca para a pulverização de sua imagem pública.

Fátima recebeu ontem o ex-candidato presidencial do Psol Guilherme Boulos e 'serviu' pipoca (Foto: redes sociais)

A pipoca Bokus venceu.

Alguém precisa avisá-la.

Mas a melhor propaganda mesmo é atualizar salários.

Os antecessores Rosalba Ciarlini (PP) e Robinson Faria (PSD) descobriram isso da pior forma possível: execrados pela população, sem a mínima chance de reeleição.

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Guilherme Boulos participa de protesto em Natal

O ex-candidato à Presidência da República no ano passado Guilherme Boulos (PSOL) fará palestra nesta quarta-feira (15), em Natal, às 13h30.Será no Instituto Federal do RN (IFRN), na Avenida Salgado Filho, no Tirol.

Ele falará sobre cortes do Governo Jair Bolsonaro em recursos para as universidades federais e IF’s do país.

Paralelamente, nas principais cidades e em todos os estados federados e Brasília, há mobilização contra essa decisão governamental que compromete o funcionamento das instituições.

Saiba mais clicando AQUI.

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Psol vai com “chapas cheias” para campanha estadual

Cida Dantas, Carlos Alberto, Guilherme Boulos (presidenciávell), Telma Gurgel e Lailson Almeida (Foto: arquivo 04-07-2018)

O diretório estadual do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) realizará a convenção partidária que irá homologar as candidaturas para as eleições desse ano neste sábado (28).

Está marcada para começar às 13h, no auditório do Centro Municipal de Referência em Educação (Cemure), no bairro Nossa Senhora do Nazaré, em Natal.

O partido tem como pré-candidato a governador o professor Carlos Alberto, e a sindicalista Cida Dantas para o cargo de vice.

Como nas eleições desse ano são duas vagas para o Senado Federal, o PSOL homologará as candidaturas da professora Telma Gurgel e do Professor Lailson Almeida.

Terá ainda nominatas para a Câmara Federal e à Assembleia Legislativa.

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Boulos prega fim de oligarquias como caminho de mudanças

Boulos (centro) teve rápida agenda em Natal (Foto: cedida)

O pré-candidato do PSOL à presidência da República, Guilherme Boulos, esteve em Natal nesta quarta-feira, 4. Exaltando o apoio aos candidatos do partido no Rio Grande do Norte, ele ressaltou que se faz necessário acabar com as oligarquias que se perpetuam no estado.

“Essas oligarquias representam um atraso. É gente que se acha dona da política. Gente que troca até água por voto. Temos que tirar Henrique Alves, os Maias e todos esses nomes daqui”, afirmou Boulos.

Ao lado do pré-candidato ao Governo do Estado, professor Carlos Alberto, da pré-candidata a vice-governadora, Cida Dantas, da professora Telma Gurgel, que é pré-candidata ao Senado, e do professor Lailson Almeida, também postulante ao Senado, Boulos afirmou que o Brasil precisa de mudança.

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Presidenciável do Psol terá programação em Natal

Boulos: dia 4 (Foto: Gabo Morales/Agência Pública)

Do Saiba Mais

O pré-candidato à presidência da República Guilherme Boulos (PSOL) estará em Natal dia 4 de julho. A passagem pela capital potiguar será relâmpago. Serão apenas seis horas na cidade.

Boulos desembarca por volta das 9h30 no aeroporto internacional de São Gonçalo e segue para o espaço Cuxá, em Lagoa Nova.

Às 11h, ele tem um encontro com a militância do PSOL e simpatizantes da candidatura da principal liderança do movimento dos trabalhadores Sem Teto do país.

Após a apresentação da candidatura dele, Boulos concede entrevista coletiva à imprensa local e embarca às 14h para João Pessoa.

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Novos critérios para empréstimos a estados brasileiros

Por Josivan Barbosa

Quase metade dos Estados brasileiros estaria impedida hoje de tomar empréstimos da União devido à situação de seus indicadores fiscais. De acordo com as novas regras do Tesouro Nacional, apenas entes que receberem notas A e B no sistema de “rating” da secretaria podem obter os recursos – o que deixa 12 unidades federativas sem esse direito.

A nova metodologia de notas de crédito do Tesouro considera indicadores estaduais de endividamento, poupança corrente e liquidez. Somente Espírito Santo e Pará alcançaram a nota máxima, “A”.

Ficaram com a nota “B”: Acre, Alagoas, Amazonas, Amapá, Ceará, Maranhão, Paraíba, Paraná, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima e São Paulo.

A chapa de Alckmin

Por preferência, o DEM seria o vice na chapa, com um nome do Nordeste. Já estão juntos o PTB, o PSD, o PSDB e, para mais adiante, esperados os fregueses de sempre: PP, PR e PRB. O PSB, hoje na coligação de Alckmin, está fora das considerações iniciais por uma avaliação que permeia todos os aliados: o partido voltou a se aproximar com intensidade do PT e, portanto, da candidatura Lula. E o PMDB de Temer teria seu curso natural na candidatura Alckmin, Mas, por enquanto, está com sinal verde para Meirelles se viabilizar, sem falar na possibilidade de Temer pleitear a reeleição, uma irrecusável chance para quem está no cargo.

Imunidade para políticos

Estudos recentes mostram uma clara correlação entre imunidade para políticos e indicadores de corrupção. Países com maior imunidade tendem a ser aqueles com mais corrupção. Um resultado intuitivo, pois faz sentido que haja mais corrupção quando a probabilidade de ser punido é menor.

E o Brasil, como se posiciona no quesito imunidade para políticos? Infelizmente, no topo do ranking, de mãos dadas com nossos vizinhos Paraguai e Argentina, líderes da amostra.

Mané Garrincha

A arena mais cara da Copa do Mundo de 2014 será concedida à iniciativa privada em fevereiro. O edital definitivo do Estádio Nacional Mané Garrincha, com capacidade para 71 mil torcedores e tido em Brasília como “elefante branco” fora do calendário esportivo-cultural, sai até o fim deste mês e tem dois consórcios interessados em formação.

A concessão será por 35 anos e prevê investimentos totais de R$ 199 milhões no período, incluindo o ginásio poliesportivo Nilson Nelson – cuja estrutura interna não atende atualmente aos requisitos para eventos de alto padrão – e um complexo aquático nas imediações. A partir do 6º ano de contrato, haverá ainda pagamento mínimo anual de outorga no valor de R$ 5 milhões. Vencerá a concorrência quem oferecer o maior ágio sobre esse valor-base.

O labirinto do PSB

O partido está num sinuoso labirinto. Existem os que querem continuar com o PSDB em alianças que já vigoram nos governos de alguns Estados e, portanto, com Geraldo Alckmin na campanha presidencial. Há os que querem correr para o abraço com o PT, e embarcar com Lula, finalmente, o que não puderam fazer, por constrangimento, quando o acidente de avião interrompeu a campanha do candidato próprio do partido à Presidência. E os que, grupo minoritário, querem ter candidatura própria com Joaquim Barbosa na cabeça de chapa.

Muitos, que recusam Barbosa, fortemente, anunciam candidatura concorrente em prévia do ex-ministro de Lula e Dilma, Aldo Rebelo. Um grupo quer o lançamento do próprio Aldo sem prévias, e outro pretende fazer de Beto Albuquerque, ex-candidato a vice, o candidato a presidente.

A delicada situação do PSDB

Após a convenção que o elegeu presidente nacional do PSDB, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, terá de realizar duas difíceis missões: soldar as rachaduras do partido, dando-lhe coerência e propósitos, e conquistar posição de relevo entre os eleitores moderados.

O fato de Aécio Neves, ex-presidente do partido e quase vencedor da eleição de 2014, escapar por pouco de ser preso e ser alvo de várias denúncias na Lava-Jato, atingiu fortemente a imagem da legenda. O mensalão mineiro, a inacreditável lentidão com que andam as investigações sobre corrupção envolvendo próceres tucanos em São Paulo e o possível início de investigação contra Alckmin por receber dinheiro não declarado em campanha desaconselham qualquer artilharia pesada contra os adversários neste quesito.

Manga

Em pouco mais de um mês, a União Europeia aplicará limites mais restritivos ao comércio de alimentos que utilizam Tiabendazol, um produto químico pós-colheita que visa proteger a fruta contra doenças causadas por fungos, reduzindo o nível de descarte. A medida atingirá a manga produzida no Brasil e também no Peru, assim como a batata doce da Carolina do Norte (EUA).

Produção de manga no Vale do Açu (Foto: arquivo)

A decisão da EU poderá trazer sérios prejuízos aos produtores de manga da região do RIDE – (Região Integrada de Desenvolvimento) Petrolina – Juazeiro e do Vale do Açu.

No Vale do Açu, a principal empresa produtora e exportadora de manga para a Europa é a Finoagro (Ex-Finobrasa). Esta empresa lidera a produção e exportação de manga para a Europa e Estados Unidos há mais de duas décadas.

O futuro de Lula

Na hipótese de Luiz Inácio Lula da Silva ter a condenação por corrupção e lavagem confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), na sessão de julgamento marcada para 24 de janeiro, o Supremo Tribunal Federal (STF) poderá ser instado a retomar a discussão sobre o início da execução provisória de pena.

O atual entendimento do Supremo sobre o tema é baseado em uma interpretação da maioria dos ministros da Suprema Corte sobre o texto constitucional, que estabelece em seu artigo 5º, inciso 57 que “ninguém será considerado culpado antes do trânsito em julgado da sentença penal condenatória” – enquanto não estiverem esgotadas todas as possibilidades de recurso a uma condenação.

Esgotados os recursos no próprio TRF-4, por meio de embargos infringentes e de declaração, os advogados do ex-presidente poderão entrar com pedido de liminar em habeas corpus no STJ. Se a liminar for indeferida, podem ir ao Supremo. Mas se o STF também negar a liminar, aí o Supremo só poderá julgar o mérito desse pedido depois que o STJ tiver concluído o julgamento da questão. E isso pode levar algum tempo.

Psol

A opção majoritária no partido é a da candidatura presidencial do líder nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos. Professor e filósofo, filho de professores de medicina da USP, Boulos já recusou sucessivos convites de Lula para entrar no PT e disputar uma vaga na Câmara. As ressalvas em relação à política de alianças petista, sobretudo com o PMDB, nunca deixaram prosperar essa aproximação. O PT ainda aposta em alianças ao centro para viabilizar a volta ao poder enquanto o líder do MTST prefere colocar suas fichas num projeto de longo prazo de renovação da política com menos concessões programáticas.

Novas prioridades

No Brasil, mais de 80% da população vive em centros urbanos desestruturados. Eles refletem a ineficiência da infraestrutura criada para suportar o intenso desenvolvimento das metrópoles no século XX: pequenos grupos de interesse foram privilegiados e necessidades coletivas – no que se refere a mobilidade, saneamento, habitação, energia, tratamento de água e resíduos, parques, áreas de lazer e meio ambiente — ficaram em segundo plano.

Nesse sentido, Mossoró continua com uma gestão velha. Após um ano da nova gestão municipal, não há sinais de qualquer projeto nessa direção. As principais avenidas da cidade estão entrando em colapso e não há perspectivas de novas vias.

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Universidade Federal Rural do Semiárido

Meirelles, uma opção que precisa ser viabilizada por Temer

Por Josivan Barbosa

O presidente Michel Temer busca consolidar uma aliança para 2018 que reúna os partidos de centro com o objetivo de lançar um candidato competitivo do governo. O ministro Henrique Meirelles, da Fazenda, que é filiado ao PSD, não era o candidato do governo à sucessão presidencial até agora, mas, com o aval do presidente Michel Temer, acelerou o ritmo de postulante à indicação no fim de semana.

Para que Meirelles conquiste o posto, são necessários, de largada, três fatores: a consolidação da recuperação econômica, com a efetiva retomada da geração de empregos; que a melhora econômica se transforme em realidade no bolso dos eleitores; e que o ministro da Fazenda consiga convencer os eleitores de que é o responsável pelos bons resultados econômicos.

Por enquanto, ele alcança 2% de intenções de voto segundo a última pesquisa Datafolha.

Marina

Finalmente, o Rede Sustentabilidade confirmou no último final de semana a pré-candidatura da ex-senadora Marina Silva à Presidência da República em 2018.  Diferentemente dos dois últimos pleitos, a pré-candidatura de Marina Silva mostra-se desidratada e isolada. O partido terá muita dificuldade de sustentar a candidatura.

Psol

No mesmo fim de semana em que a ex-senadora Marina Silva finalmente anunciou sua pré-candidatura à Presidência, na terceira tentativa seguida de chegar ao cargo, o Psol recebeu o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, em sua convenção nacional, mas, sem uma decisão do militante sobre a filiação à sigla e a candidatura, o partido adiou para março a escolha de seu candidato.

Com a situação de Boulos, que discursou no último sábado na convenção, indefinida, outros quatro possíveis candidatos se apresentaram: Hamilton Assis, do movimento negro da Bahia, Sônia Guajajara, da articulação indígena do partido, e os economistas Nildo Ouriques e Plínio e Arruda Sampaio Júnior. Sem garantia de que participará dos debates eleitorais em 2018, a sigla procura nome de expressão nacional para divulgar suas propostas.

Centrão e DEM

PP, DEM, PSD, SD, PR, PTB e PMDB avançaram em negociações para construir uma única candidatura presidencial. Num primeiro momento, o grupo pretende enfraquecer as candidaturas de centro e direita, como a do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ, mas a caminho de se filiar no PEN) e de empresários que tentem se vender como o novo.

O movimento é paralelo ao articulado pelo Palácio do Planalto, que procura um candidato da base aliada para defender o legado do presidente Michel Temer. Segundo três integrantes da cúpula desses partidos, se a popularidade do pemedebista não melhorar e a economia não “decolar”, essa defesa estaria descartada e o grupo sairia com o discurso de que tirou o Brasil da crise, ao apoiar o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e garantir uma pauta de crescimento para o país.

PSDB

O acesso dos mais ricos a serviços públicos gratuitos precisa ser reavaliado. O país deve ter um “choque de capitalismo”. O governo federal tem de ampliar as privatizações e concessões, cobrar mais tributos de quem ganha mais e renegociar as dívidas dos Estados e municípios. Essas são algumas das propostas apresentadas pelo PSDB, que servirão de diretrizes para o programa do partido e para o plano de governo tucano na disputa pela Presidência, em 2018. A legenda defende também que o Brasil adote o parlamentarismo, o voto distrital misto e o voto facultativo.

Lei Kandir

A Lei Kandir desonerou as exportações de produtos primários e semielaborados da incidência do ICMS. Com o fim da lei, as exportações desses produtos voltarão a ser taxados pelo imposto. O impacto da PEC é relevante sobre a pauta de exportações, pois, com o fim da Lei Kandir, o ICMS passará a incidir sobre as vendas ao exterior de petróleo bruto, soja, minério de ferro, café e açúcar, entre outros produtos.

Um setor que pode ser duramente afetado é a agricultura irrigada do Semiárido, especialmente os polos de fruticultura, como o Polo RN-CE, onde a exportação sustenta o setor há mais de 30 anos.

A PEC aprovada na CCJ segue agora para apreciação do plenário do Senado. Se for aprovada, irá para apreciação da Câmara. Como se trata de emenda constitucional, o Executivo não tem como vetar o texto aprovado pelo Congresso.

‘Novo’ DEM

O “novo” DEM será lançado numa convenção nacional no dia 14 de dezembro, em Brasília. Está certa a filiação de pelo menos oito deputados federais que são ou eram do PSB.

Além dos pessebistas, o DEM espera filiar outros sete deputados de outras legendas, como PMDB e PSDB, e chegar próximo dos 45 parlamentares federais, número que o aproximaria de PSDB e PP.

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA)