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Projeto RN no Cafezal tem Beatles e clássicos da MPB

Projeto tem proposta de exaltação à boa música (Foto: divulgação)
Projeto tem proposta de exaltação à boa música (Foto: divulgação)

Neste sábado (07), a partir das 20 horas, no Cafezal Café & Bistrô, Memorial da Resistência, Centro de Mossoró, tem música ao vivo de alta qualidade. Anote aí.

Em cena, o “Projeto RN no Cafezal”, com tributos aos Beatles e uma seleção de clássicos da MPB, pop e rock. Todos estão convidados para uma noite de música boa, ambiente descontraído e muita interação com o público.

A ideia do projeto é celebrar repertórios que marcaram gerações — de Beatles a sucessos inesquecíveis da música brasileira e internacional — reunindo amantes da boa música em um cenário acolhedor e culturalmente rico.

Sobre o Cafezal no Memorial da Resistência

O Cafezal funciona como café e bistrô no coração de Mossoró, situado no espaço cultural do Memorial da Resistência. É um ponto de encontro cultural que, além de ter um cardápio aconchegante e bebidas especiais, costuma receber eventos ligados à música e à cultura local — como feiras de vinil, rodas de música e apresentações diversas. A atmosfera é ideal para quem curte arte, conversa e boas experiências ao som de repertórios variados.

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Uma doce mensagem para o Senhor

A Polícia Militar de Minas Gerais, através do Centro de Atividades Musicais e Centro de Equoterapia do Regimento de Cavalaria Alferes Tiradentes (CERCAT), gravou uma mensagem mais do que especial, em parceria com o Shopping Del Rey.

Policiais-músicos do coral da corporação se dirigiram sobretudo a um público de pessoas especiais e seus familiares, com a música “My sweet Lord” (Meu doce Senhor) de George Harisson.

O vídeo é ainda de fins de 2024, mas atemporal.

Maravilha!

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Morre Djow Lins, um dos mais versáteis músicos mossoroenses

Djow Lins faleceu neste sábado em Mossoró (Foto: Reprodução Bolsa de Discos)
Djow Lins faleceu neste sábado em Mossoró (Foto: Reprodução Bolsa de Discos)

Por William Robson (Bolsa de Discos)

Um dos músicos mais versáteis de Mossoró, o contrabaixista Alex Magno, mais conhecido por Djow Lins, morreu na manhã deste sábado (21), segundo informações de amigos apuradas pelo site Bolsa de Discos. Com atuação em várias bandas e músicos da cidade, Djow tinha projetos que passavam pelo samba de André da Mata ao jazz com a banda Brazuka Jazz, dividindo o palco com Alison Brazuka (guitarra) e Gustavo Almeida (bateria). Ainda não há informações sobre o sepultamento.

Djow teria sido diagnosticado tardiamente com endocardite, uma inflamação da camada interna do coração, o endocárdio, que pode afetar as válvulas cardíacas. No caso do músico, duas válvulas apresentavam este problema. Ele estava perdendo peso, sem saber ao certo do que lhe acometia.

“Ele sentia-se mal, tomava um remédio e voltava para casa”, relatou um músico e amigo próximo do baixista. A situação foi se agravando e precisou ser internado, até ter duas paradas cardíacas na madrugada. A expectativa era de que o músico se recuperasse a ponto de fazer uma cirurgia.

Graduado em música com pós-graduação em Arte, Cultura e Educação, Djow também era compositor e produtor musical. “Juntos nós fizemos várias canções, mas, “O Tempo é Mistério”, quando estávamos escrevendo tivemos a sensação de que estávamos compondo uma oração. Lembro me bem da data, era 20 de outubro de 2008, umas 14h quando comecei a escrever…”, lembrou o músico André da Mata, que vai dedicar show na Estação das Artes ao amigo e companheiro musical. ” E, hoje meu irmão, me despeço de você cantando a nossa conexão direta com o criador! “Ô Pai explica! Pra quem suplica! É dura a partida mas tem hora certa pra gente vencer, são léguas tiranas, caminhos e pedras que fazem doer…” em 2012 tivemos o prazer de ouvir a nossa obra gravada pelo grande Mumuzinho e em 2015 eu regravei no meu CD também.”

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O fogo eterno de Gilberto Gil em sua última jornada no palco

Por Caio Barretto Briso (Do Canal Meio)

No palco, resultado de trabalho árduo, exigência máxima de si e equipe para qualidade no show (Foto: Tempo Rei)
No palco, resultado de trabalho árduo, exigência máxima de si e equipe para qualidade no show (Foto: Tempo Rei)

Gilberto Gil está no centro do palco, braços cruzados, guitarra no ombro, ouvidos atentos. É sexta-feira, dia de Oxalá, e o filho de Xangô veste branco dos pés aos cabelos. Não escolheu medicina, como o doutor José Gil sonhou, mas está mais sério do que médico em hora de cirurgia. “Tá esquisito. Não tô sentindo a harmonia”, diz o baiano de Ituaçu, 82 anos no mundo, quase 83.

O efeito de Gil insatisfeito é imediato e faz a banda emudecer. Bem Gil, baixista e diretor musical que escolheu cada um dos 15 músicos que os acompanham, responde rápido: “Vamos passar de novo e ver a harmonia pro meu pai”, e todos recomeçam Funk-se Quem Puder.

Tocam apenas três segundos. “Peraí, peraí, peraí, peraí”, interrompe Gil, erguendo os braços como um maestro. “Nesse tam tam ram ram tam tam tam tem uma coisa complicada”, repara, e todos tentam descobrir o que está complicado, ou quem está complicando. “Não é só a harmonia. Tem uma intervenção de alguém aí. Não sei se são as cordas.” Se o próprio Gil não sabe, como descobrir? Um a um, cada músico repassa suas notas. Depois de alguns minutos examinando as partes e o todo, Gil dá o diagnóstico: o problema “não é a execução, é a escrita” — a partitura da música.

Ninguém lembra a última vez que Gil cantou essa canção, gravada há 42 anos no álbum Extra. Ele mesmo demora a recordar os versos e pede ajuda à Nara Gil, sua primogênita, backing vocal e mãe do guitarrista João Gil, também no palco. Finalmente os músicos chegam ao primeiro verso: “É imperativo dançar”, ele canta, antes de parar o ensaio de novo, repetindo o verbo “dançar”, esticando a última sílaba, entoando a palavra de jeitos diferentes, buscando no baú da memória o tom exato.

Arrisca um agudo em “sentir o ímpeto”. “A nota é lá em cima”, observa, pedindo à filha e à nora Mariá Pinkusfeld, cantora e mulher do baterista José Gil — oitavo e último filho, também no palco —, que cantem mais alto.

Sua voz não estava alcançando o agudo desejado.

Ensaio e detalhismo

São os primeiros minutos de um ensaio da turnê Tempo Rei, a última de Gil, que está arrebatando multidões e lotando estádios por onde passa. Se o show tem sido definido como catártico e muitos outros adjetivos por quem o assiste, o ensaio no meio da turnê é, por sua vez, uma obra para poucos e ajuda a explicar o sucesso do espetáculo grandioso.

Flora Gil, mulher do artista há 43 anos e diretora da Gege Produções, já disse que ensaiar é o que Gil mais gosta de fazer na vida. Cada ensaio é uma costura, um dia de trabalho que começa difícil e vai se resolvendo aos poucos, ponto a ponto, linha a linha. No desafio de “repetir, repetir, até ficar diferente”, como escreveu o poeta Manoel de Barros, Gil tem a manha.

Por ser um processo com imprevistos e segredos, como os nomes dos convidados daquele fim de semana — Anitta no sábado e Caetano Veloso no domingo, nomes que precisam ser mantidos em sigilo até o momento final —, é incomum a presença de jornalistas nesse momento. E, ainda assim, lá estava eu, assistindo a um espetáculo particular de aperfeiçoamento. Aquele era um dia difícil para o artista e sua equipe, que também tem a filha Maria Gil na produção.

O motivo é que Preta Gil, que trata um câncer no intestino há dois anos e a princípio ensaiaria naquela sexta-feira para cantar a música Drão com seu pai no domingo, teve de ser internada em São Paulo e só ganhou alta no dia 17. Por isso Caetano foi convidado, fato que provocaria o momento mais emocionante desde a estreia da turnê, em março: os dois amigos cantando Super-homem (A Canção), no show do dia 7, com Gil muito emocionado e Caetano inseguro, segundo ele próprio, por Djavan estar na plateia.

Esperado no palco às 13h30 naquele ensaio de sexta-feira, véspera do show, Gil entra em cena às 13h29, mas estava no camarim havia uma hora. Cumprimenta de longe os músicos, que começaram a passar o som 20 minutos antes, enquanto é observado por uma legião de técnicos, produtores e assessores nas coxias, na frente do palco e até embaixo dele. Gil precisava ir embora às 16h e aproveitou até o último minuto para ensaiar.

Funk-se Quem Puder foi incluída naquela tarde no setlist para marcar a entrada de Anitta. A música entraria no meio de Aquele Abraço, um dos clássicos da música brasileira que ele escreveu logo após saber, no início de 1969, que iria para o exílio. Após Anitta subir ao palco ao som de Funk-se, a banda voltaria a tocar Aquele Abraço, só que num tom diferente: a pedido da cantora, em Sol maior em vez de Dó.

A “deusa-música”

A obsessão de Gil pela “deusa-música” — como ele a chama em Palco, primeira canção do espetáculo — está na forma minuciosa de Gil trabalhar. É um artista do detalhe. Não à toa o ensaio em que precisaria passar apenas três músicas — Funk-se Quem PuderSuper-homem (A Canção) e Aquele Abraço em outro tom — dura o mesmo tempo que um show inteiro, no qual ele canta 30 sem contar algumas vinhetas, como Retiros Espirituais.

“Ainda não tá clara essa harmonia pra mim”, diz ele, após 45 minutos passando Funk-se. Fora do microfone, Bem conversa com os músicos e combinam algo inaudível. De repente, a magia acontece e a música assenta. Nada mais incomoda Gil e tudo parece fluir. Mesmo assim, ele continua ensaiando a música por uma hora e meia no total — até ficar diferente. “Está bom”, diz, de repente. “A entrada da Anitta vai ser um alvoroço. O que temos agora?”, indaga, antes de Bem respondê-lo. “A mudança em Aquele Abraço e depois Super-homem.”

Além de mudar o tom, é preciso puxar o andamento de Aquele Abraço um pouco mais para frente. “Vamos cantar até a metade. Quando você sambar, a gente muda para uma levada de funk. Anitta entra e continuamos em Sol”, anuncia Bem, de 40 anos, mais velho dos três filhos de Gil com Flora. Bem cresceu sentindo um certo distanciamento do pai.

Era comum ele e seus irmãos passarem mais tempo com a empregada e o motorista — que apresentou a Bem, por exemplo, o Flamengo — do que com Gil, embora o jantar em família fosse sagrado. A música os aproximou. Aos 18 anos ele já tocava com o pai no Carnaval de Salvador. Aos 21, virou integrante oficial da banda. Hoje é um multi-instrumentista e braço direito do pai, seu herói, sua maior inspiração.

Gil pergunta que horas são. “Quinze horas”, alguém grita. “Temos tempo”, aquiesce, gostando da brincadeira. Ele está em pé há uma hora e meia e agora começa a dançar no palco, cantando em um tom mais agudo para fazer o papel de Anitta. Esse homem completará 83 anos em dois meses e parece de outro mundo. Não parou nem mesmo para beber um gole de água.

Enquanto isso, José, também diretor musical do show junto com Bem, fica de pé para se alongar. Apenas na hora de tocar Super-homem, Gil olha o banquinho ignorado antes de sentar. Logo nos primeiros acordes, um efeito especial é acionado sem querer, soltando faíscas para o alto a poucos metros do cantor. Ele está tão concentrado que não olha para as faíscas, nem sequer se move. “Ok?”, pergunta Gil às 15h54. “Ok”, responde Bem. Fim do ensaio.

O show

É sábado, dia do show. Para que tudo saia como planejado na véspera, um novo ensaio é marcado às 15h, desta vez com Anitta. Dura pouco tempo, cerca de 30 minutos. A cantora se empolga com a ideia de Gil repetir o verso Funk-se Quem Puder oito vezes, para que ela tenha mais tempo de subir ao palco entre uma e outra vez. “Assim é perfeito, Gil”, comemora Anitta.

O show está marcado para 20h, mas começará às 20h30. Enquanto Gil e a banda descansam nos camarins, um batalhão de bombeiros, seguranças, faxineiros, recepcionistas e vendedores de bebidas começa a chegar para o trabalho. Por volta das 17h, chegam também os primeiros fãs, que ficam horas esperando do lado de fora da Farmasi Arena, palco dos quatro primeiros shows no Rio de Janeiro.

Tempo Rei é a consagração de seis décadas de carreira de um dos gigantes da música, fruto de uma geração de artistas de fazer inveja a qualquer outra, de qualquer época, de qualquer país. Uma geração da qual também fazem parte Caetano Veloso, Milton Nascimento, Chico Buarque, Maria Bethânia, Paulinho da Viola, além de outros já falecidos, como Gal Costa e Tim Maia. De todos, ninguém está em melhor forma do que Gil — um homem, segundo sua comadre Fernanda Torres, de quem ele é padrinho do filho mais velho, “talhado para o palco, que nasceu para a estrada, com alma de Chuck Berry”.

Antes de estrear em Salvador, a turnê foi preparada ao longo de um ano inteiro. O diretor artístico, Rafael Dragaud, ainda tem no celular as anotações que fez durante a primeira reunião, no dia 1º de abril de 2024, quando Flora o convidou para a missão. “Estreia em março de 2025. Fazer algo histórico, mas não linear. Pensar na equipe de luz e cenografia. Apesar de ser a última turnê, uma despedida, tudo é recomeço, tudo evolui e retrocede ao mesmo tempo, o tempo todo”, lê Dragaud. Diretor e roteirista de TV experiente, responsável por reformular o Criança Esperança, da TV Globo, ele compara o convite a uma convocação para a seleção brasileira de futebol.

Após aquela reunião, Dragaud começou a pensar no conceito do show. Conversou com Bem e José, que tinham suas próprias ideias. Decidiram que o conceito seria o próprio Gil. “Eu tinha na cabeça que precisa ter um início impactante, começar pelas essências musicais de Gil, o início de carreira, chegar a Londres e depois enlouquecer de ácido — e, a partir de então, virar um flow musical, para que fosse histórico, para que fosse Gil, para que fosse não-linear e, principalmente, para que não fosse um show de despedida. Não é um fim de tarde, é um alvorecer”, reflete.

Para a equipe técnica, convidou profissionais como Daniela Thomas (cenografia) e Samuel Betts (iluminação). Daniela pensou em um vórtex, uma espécie de escultura em dois painéis que se entrelaçam sem se tocar. Além disso, há três telões gigantescos em LED no palco que transmitem o show em tempo real, a partir das imagens de 14 câmeras, entre elas um drone que sobrevoa Gil, sua banda e a plateia. É uma forma de usar as câmeras como nunca se viu em um show no país.

Além disso, houve um esmero nos vídeos que são exibidos: as imagens de uma romaria, na música Procissão, foram gravadas na cidade natal de Gil. O céu que aparece nos telões não é de qualquer lugar: é o céu de Ituaçu, da infância do pequeno Beto, como era chamado em casa.

Temperatura altíssima

Às 20h30, o show começa. Não por acaso, o primeiro verso cantado é “subo neste palco”. É a música que Gil compôs nos anos 80 quando pensou em parar de cantar. As primeiras três canções (PalcoBanda Um e Tempo Rei) já abrem o espetáculo com a temperatura altíssima — e ela não cai em momento nenhum.

Em seguida vem o mergulho na história do menino que sonhava ser Luiz Gonzaga, o moleque que começou na música tocando um dos instrumentos mais difíceis, o acordeon. Como a ordem das músicas não é cronológica, a canção que representa a influência de Gonzagão é um forró de Dominguinhos e Anastácia (Eu Só Quero um Xodó), que Gil gravou em 1973.

Gil tocou sanfona no grupo Os Desafinados, em Salvador, entre 1959 e 1961. O ano em que a banda nasceu foi o mesmo em que João Gilberto lançou seu álbum seminal, Chega de Saudade. Gil, que já estava encantado com o violão de Dorival Caymmi, apaixonou-se pela batida do pai da bossa nova. Logo o violão Di Giorgio que dona Claudina comprou na Mesbla para o filho se tornou seu amigo inseparável.

Enquanto alguns músicos têm rituais estranhos antes dos shows — Keith Richards, por exemplo, sempre come uma torta inglesa com carne e creme de batatas, enquanto Beyoncé reza e usa uma cadeira de massagem enquanto é maquiada —, o que Gil gosta de fazer é tocar violão. E como ele vai embora assim que o show acaba — para não ficar preso nos abraços e depois no trânsito —, costuma receber convidados antes das apresentações.

Um dos momentos emocionantes é quando Gil canta Refazenda, que ele apresenta como parte de uma espécie de trilogia de sua obra, que inclui também Refavela e Realce. Gil conta que ele e sua irmã, Gildina, não foram à escola no primário porque a avó os alfabetizou em casa. A Refazenda refere-se a Ituaçu, base de toda a permanência do mundo rural que não sai de Gil. “Todos os lugares do interior que vi no mundo me remetiam a Ituaçu, que ocupa uma função mítica na minha vida”, disse uma vez. Ele considera Refazenda a primeira música filosófica de sua obra.

A impressão que se tem durante o show é que se trata de um espetáculo cênico que não deve nada às grandes produções internacionais que chegam ao Brasil. E que se coloca acima de outras grandes turnês recentes, como A Última Sessão de Música, que marcou o adeus de Milton Nascimento dos palcos. O show de Gil é uma raridade: mal acaba e já dá vontade de ver outra vez. Passa uma semana e seu eco continua reverberando em quem o assistiu, como um bom filme ao qual voltamos em pensamento involuntariamente.

Para quem tem ao menos 35 ou 40 anos de idade, é um mergulho na própria história, embalada pelas músicas de Gilberto Gil em suas muitas fases.

Quando o show caminha para o fim, as luzes iluminam a plateia e o que se vê é uma multidão de olhos marejados sob impacto de algo profundo que acabou de acontecer — algo que nos torna maiores do que antes do show e que poucos conseguem definir com exatidão. Não é raro ouvir frases como “é o melhor show da minha vida”. Todos os grandes temas da obra de Gil estão presentes: amor, separação, liberdade, morte, Deus, tempo.

A vida é sempre ruim e sempre boa ao mesmo tempo, acredita Gil, com seu estoicismo baiano, seu taoísmo sertanejo. Enquanto todos se deslumbram com o que viram, ele volta correndo para o camarim já sabendo o que precisa melhorar para o dia seguinte. Marca um novo ensaio às 15h de domingo, antes de mais uma noite inesquecível.

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Fest Bossa & Jazz anuncia data para edição 2025 em Pipa/RN

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Um dos mais importantes festivais do segmento no Brasil, que une tradição e inovação em uma explosão de ritmos, o Fest Bossa & Jazz, já tem data marcada para sua aguardada edição em Pipa, no Rio Grande do Norte. Em 2025, o evento acontece do dia 14 a 17 de agosto, consolidando-se como um dos maiores festivais do gênero no País. A novidade foi anunciada pela Juçara Figueiredo Produções, organizadora do festival.

Celebrando 16 anos de história, firmando seu espaço como Patrimônio Cultural, Imaterial e Turístico do Rio Grande do Norte, o Fest Bossa & Jazz  atrai amantes da música instrumental, da Bossa Nova, do Jazz e do Blues. Mais do que um evento musical, o festival tem o compromisso de fomentar a cena cultural e promover a responsabilidade social.

Com a data definida, os fãs do festival já podem se programar e garantir hospedagem antecipadamente para aproveitar toda a magia da edição 2025 em um dos destinos mais paradisíacos do Brasil: a Praia da Pipa.

O Fest Bossa & Jazz  – Pipa 2025 é uma realização da Juçara Figueiredo Produções, apresentado pela Ster Bom com patrocínio do Governo do Estado do Rio Grande do Norte, por meio do Programa Câmara Cascudo de Incentivo à Cultura, MAC Madeiras, Ki Preço e Prefeitura de Tibau do Sul. Tem o apoio da Emprotur, Secretaria de Turismo de Tibau do Sul, Preserve Pipa, Luck Receptivo, Michelle Tour, Abrasel Litoral Sul, Ratts Ratis, G7 Comunicação e InterTV.

Mais informações serão divulgadas em breve pelos canais oficiais do evento. Siga @festbossajazz

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O privilégio de ouvir Patrick Raniery e Márcio Rangel

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Neste domingo, 16 de março, às 13h, na Barraca Lua com Mel, na praia de Ponta do Mel (Areia Branca, RN), Márcio Rangel e Patrick Raniery apresentam um show especial em duo. No repertório, clássicos do pop rock, MPB, reggae e muito mais.

Dois músicos com ampla trajetória musical, trazendo interpretações envolventes e cheias de personalidade. Não perca!

Márcio Rangel é violonista, guitarrista e compositor com carreira internacional por vários anos, tendo se apresentado e colaborado com grandes nomes da música na Europa.

Patrick Raniery é cantor barítono e compositor, com uma vasta trajetória na música, destacando-se pela versatilidade e por suas interpretações marcantes em diversos estilos.

Vamos!

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A sinfonia dos Arys

Por Marcos Araújo

Ary Neto, em foto de autoria familiar
Ary Neto, em foto de autoria familiar

O nosso pai se chamava ARY. Não faço a menor ideia como o meu avô, um campesino e analfabeto, vivendo nos grotões do Seridó, possa ter registrado um filho com este nome. A única razão lógica da origem do nome, penso eu, é que se tratava de uma homenagem ao compositor Ary Barroso, nascido em 1903. Não há outro homógrafo “Ary”, com “Y” no final, antigo, que a história registre. Embora remanesça internamente também uma dúvida porque, em 1934, ano do nascimento de papai, Ary Barroso, com apenas 31 anos de idade, não tinha fama nacional. A canção pela qual ele ficaria famoso (o samba-exaltação “Aquarela do Brasil”), somente seria gravada e apresentada ao público em 1939.

De certo é que o homenageado ARY Barroso, mineiro de Ubá/MG, primeiro brasileiro a ser indicado ao Oscar (pela música “Rio de Janeiro”, do filme Brasil, de 1944), ficaria muito feliz com o seu antropônimo seridoense ARY Araújo, especialmente pelos qualificados dotes musicais. Afinação, ritmo e interpretação fizeram de nosso pai um cantor diletante. Com um pendor natural para a exibição de seus dons sem qualquer convocação. Seja na Padaria, no Supermercado, ou em qualquer lugar que houvesse público ouvinte, ele puxava um canto de inopino, causando surpresa aos circunstantes.

Em festas privadas – nossas ou de amigos, ele “sequestrava” o microfone, e emburrava-se na hipótese de o músico profissional contratado querer resgatá-lo. Cantava de tudo, mas sua preferência era por guarânias e boleros, tendo como ídolo Francisco Alves (o “Rei da Voz”).

Em 2015, nosso pai foi diagnosticado com câncer, impactando toda a família. Fui minimizado pela dor, na época, ao saber que seria pai de gêmeos. Em consenso com Carla, um dos neonatos foi batizado com o nome do avô, acrescido de Bernardo, em referência ao santo companheiro de São Francisco, de modo a pactuar simbolicamente a unidade com o irmão gemelar (João Francisco). ARY Bernardo é o nosso caçula, com a inegável transferência genética artística do avô.

O ARY (neto) logo nos primeiros meses/anos de vida demonstrou pendor pela música e pelo canto. De bebê embalado pelo ninar dos compositores clássicos instrumentais, engatou de logo suas primeiras palavras com as letras infantis do grupo “Palavra Cantada”, pulando em pouco tempo para o canto das músicas de Vitor Klein, Merlin, AnaVitória, Kell Smith, entre outros. Agora, seu “passeio” sonoro comporta apreço por sambistas da velha guarda como Ivone Lara, Beth Carvalho, Cartola, Nelson Cavaquinho e Arlindo Cruz, e os da nova geração a exemplo de Diogo Nogueira e Ferrugem.

Sofisticado nas preferências e um Lord no comportamento, seu gosto musical transcende a explicação humana. É sobrenatural. Um eflúvio do espírito. Outro dia, ele me apresentou a canção americana “Old Yazoo”, das irmãs Boswell (The Sisters Bolswell), de 1932. A letra fala de um lugar ideal (“Yazoo”) para se viver; um alento existencial como a Pasárgada de Manuel Bandeira.

Com a sensibilidade aflorada, acessa por vezes o Spotify do meu carro, a caminho do colégio, para ouvir um repertório que inclui “Retalhos de cetim” (composta em 1973 por Benito di Paula), ou “Corazón Partío”, de Alejandro Sanz (1998).  A conclusão que se chega é de que um “velho” habita o corpo de um garoto de apenas 09 anos…

Seu apuro e harmonia vocal credenciaram-no a fazer parte – por uma temporada – do Coral do Colégio onde estuda. Claro que, sendo criança, recebe a influência do meio social, tornando-o um pouco eclético. Não causa nenhuma estranheza quando em dado momento ele está cantarolando Ana Castela ou MC Kevinho.

Aliás, eclético o seu avô também era. Mesmo não sendo do seu gosto primevo, nem de sua época, vez ou outra ele cantarolava “La belle de jour”, de Alceu Valença. Grandes músicos são sinfônicos. Gostam de todos os sons. A palavra sinfonia tem origem grega, significando “todos os sons juntos”. Ary Barroso associou, pioneiramente, o pandeiro a outros instrumentos de sua época. E não só isto: unificou sons, geografia e raças na sua Aquarela do Brasil.  Como diz a letra: “Deixa cantar de novo o trovador / À merencória luz da Lua / Toda canção do meu amor …”.

Viva a música! Viva a sinfonia artística dos Arys!

Marcos Araújo é advogado, escritor e professor da Uern

“Estação Natal” fecha o ano de 2024 com uma série de atrações

Diversas manifestações artísticas reforçam programação (Foto: Lucas Bulcão)
Diversas manifestações artísticas reforçam programação (Foto: Lucas Bulcão)

O “Estação Natal” – iniciativa da Prefeitura de Mossoró que faz parte do ciclo natalino – reúne famílias e turistas a cada ano na Estação das Artes Poeta Elizeu Ventania. Agora, em 2024, na terceira edição do evento, uma série de atrações para crianças, adolescentes e adultos, também é reforçada por programação cultural.

As apresentações com expressões artísticas como dança, teatro e música acontecem no palco montado na Estação das Artes e vão ter sequência até o dia 6 de janeiro de 2025.

Confira a programação de apresentações desta semana do “Estação Natal”:

27 de dezembro

19h Passos de Sabedoria, Danças Pastoril da Terceira Idade

20h Késia e Banda

28 de dezembro

18h Pão da Vida Music

20h30 Solange Santos e Banda

29 de dezembro

19h Banda Luz

20h Elthayse

30 de dezembro

19h IEBM

Com informações da PMM.

Cantores e canções

Por Marcos Araújo

Arte do Canva - reprodução do Sic Notícias
Arte do Canva – reprodução do Sic Notícias

Penso eu que todo ser humano tem uma música favorita (ou várias!).  Em diferentes fases de nossa existência, uma música ou um cantor embalou nossos sonhos e emoções. Os gêneros não importam (gospel, MPB, rock, forró…). Sempre existirá uma música para nossas diferentes recordações. Há aquela que remete à memória do pai ou da mãe; às lembranças da infância; aquelas da adolescência; as que embalaram os romances, até o casamento; as preferidas da Igreja etc.

Existem duas etapas bem distintas na arte de compor, que muita gente pensa serem simultâneas: a letra e a melodia, sem existir uma ordem. Alguns compositores são muito bons em melodia.  Outros são apenas letristas. E existem os que fazem as duas coisas. Fazendo uma metáfora, na música a melodia é apenas a roupa, enquanto a letra é o próprio corpo.

Algumas composições são apenas melódicas, tocando no fundo de nossa alma (e a alma tem fundo?). Um exemplo? O “Tema da vitória”, uma música composta em 1983 pelo maestro Eduardo Souto Neto, especialmente a pedido de Aloysio Legey da Globo para o final do GP do Brasil. A música foi associada definitivamente à imagem de Ayrton Senna, porque ele ganhou a prova. “Colou” na sua biografia e na sua história, tocando em cada vitória sua.

Outro exemplo? Aos mais “experientes” como eu, que adoram cinema, devem recordar o assobio do ator italiano Giuliano Gemma nos Western´s. Aquele assobio, composto por Ennio Morricone para o filme “Por uns Dólares a mais”, eternizou o chamado faroeste “espaguete” de Sergio Leone.

João Donato e Carlinhos Lyra, por exemplo, foram os criadores da melodia da bossa nova. Com a melodia de Carlinhos Lyra, o compositor João Gilberto letrou a canção mais famosa do movimento: “CHEGA DE SAUDADE” (“Vai minha tristeza / E diz a ela que sem ela não pode ser / Diz-lhe numa prece / Que ela regresse / Por que eu não posso mais sofrer…”).

De João Donato, conta Gilberto Gil, recebeu uma melodia dedicada a uma namorada de nome Leila. A letra de “A PAZ”, feita numa madrugada, não tem nenhum conteúdo romântico (“A paz invadiu o meu coração / De repente me encheu de paz / Como se o vento de um tufão / Arrancasse meus pés do chão / Onde eu já não me enterro mais …”)

Eu gosto muito de historiografia musical, ouvindo a melodia e lendo a letra com o desejo de aproximar-se o máximo da intenção do compositor. Às vezes, uma música de fundo religioso, onde o autor tenta se comunicar com Deus e declarar amor a Ele, é fixada no imaginário popular como uma canção romântica, ou vice-versa. Um exemplo bem patente é o pop rock “ESPERANDO NA JANELA”, que está no álbum “Raulzito Sexo & Rock’n’roll” da banda Cogumelo Plutão.

A canção foi composta por Manuca Almeida e pelo natalense Blanch Van Gogh, compositor e vocalista da banda, numa tarde de verão na praia de Pipa. A letra da música fala sobre Jesus Cristo, a única “escada” e amor da nossa vida. Teria sido ela inspirada, segundo os autores, no versículo 16, do capítulo 3, do Evangelho de João. (“Você é a escada na minha subida/ Você é o amor da minha vida / e o meu abrir de olhos no amanhecer / Verdades que me leva a viver…”)

Todo “beatlemaníaco” sabe que a composição “Hey Jude”   não foi para nenhum “JUDE”, mas para o filho de John Lennon chamado JULIAN. Veio à mente de Paul McCartney durante uma viagem de carro para Weybridge, onde ele iria visitar Julian e Cynthia Lennon. Na época, John havia se separado da esposa e saído de casa para viver com a artista japonesa Yoko Ono.

A música é um encorajamento para Julian que, sendo uma criança, sofria com a separação dos pais. Cantarolando pequenas melodias e versos, Paul chegou em algo parecido com a frase que abre a música: “Hey Jules, don’t make it bad, take a sad song, and make it better..” (Ei, Jules, não fique mal / pegue uma canção triste e torne-a melhor…) Depois de composta, trocou o nome de Julian por Jude, inspirado pelo personagem do filme Oklahoma!.

Aproveitando que é final de semana, escute uma boa música. A musicoterapia agora faz parte da Medicina e tem sido muito empregada para combate a problemas de insônia e estresse, com estudos da eficácia de liberação de endorfinas e serotoninas, proporcionando prazer e sensação de bem-estar. Além disso, um estudo apresentado na American Society of Hypertension-ASH, apontou que a música pode até mesmo baixar a pressão arterial e o ritmo cardíaco.

Portanto, solte o som!

Marcos Araújo é advogado e professor da Uern

Dupla tem repertório especial para esse sábado

Nesse sábado (15), às 21h30, o “Forró Dobrado” de Natal vai se apresentar no Mossoró Cidade Junina (MCJ). A dupla Dani Cruz e Daniela Fernandes estará na Cidadela – Palco 2 (em frente à sede do Sebrae, Centro).

Forró raiz, o xote e o baião vão ser a trilha sonora de um show preparado com esmero por Dani Cruz e Daniela Fernandes.

O público vai se divertir com repertório que resgata clássicos da riqueza rítmica nordestina.

Elas terão no palco o reforço qualificado de Mônica Michelly no contrabaixo; Jubileu Filho na guitarra e direção musical; José Hilton Filho na sanfona; Ramon Gabriel na bateria e percussões, e Jadson Ricardo nas percussões. Simbora!

Líder da “Robinzband” se emociona e encanta plateias com seu grupo

Robinho e sua banda têm agenda sempre cheia (Foto: Divulgação)
Robinho e sua banda têm agenda sempre cheia (Foto: Divulgação)

Por William Robson (Bolsa de Discos)

Robson Régis está na cena musical há muitos anos, passando por várias bandas em que sempre se destacava com sua voz potente. Também se arriscava no violão, instrumento que deixou um pouco de lado, para efetivamente se tornar um lead vocal. Com a Robinzband consegue imprimir mais do que isso, adicionando forte presença de palco, figurinos variados e apostando na interação com o público.

Robinzband hoje é o maior expoente da cidade entre os grupos cover. Tem agenda sempre requisitada, parcerias em avanço e novos projetos de ingressar no circuito dos buffets, dos casamentos, aniversários e formaturas. Sempre como uma banda cover, sem abrir mão, mesmo com composições próprias no forno, que devem ser lançadas dentro de alguns meses em projeto paralelo.

Robinho relembra o início da banda, dos projetos para este ano e dos destaques e reconhecimento que vem alcançando, nesta exclusiva ao BDD. A Robinzband, formada ainda por Juan (baixo), Kecinho (bateria), Ruann e Juninho (guitarras), Luiza e Alana (backing vocals) e Carlos (teclados), é relativamente nova.

Foi formada em 2019, mas com a pandemia no ano seguinte, muita coisa precisou ser mudada. Ele também fala disso.

Agora a banda está a todo vapor, com músicos azeitados e uma dupla de backing vocals, Luiza e Alana, que Robinho faz questão de ressaltar como “vozes supremas”.  Além de deixar bem claro o compromisso do grupo, ao afirmar que o projeto é sério, empolgante e que sempre se diverte nos shows.

Antes de você começar detalhando os novos projetos, fale um pouco da Robinzband.

Em 2019, surge a Robinzband e nossa pretensão inicial era dar continuidade a um projeto que tínhamos anteriormente de fazer alguns shows para motociclistas, tocar em pubs, fazer os pop-rock, mas com a intenção de incrementar uns dances também. Queríamos uma banda nova mesmo. E foi incrível. Nos primeiros shows, rapidamente, a banda formou uma agenda. A gente começou a ter uma agenda tecnicamente mensal e, depois, bimestral. 2019 foi o ano que a gente mais tocou. Fizemos mais de cem shows.

E continuou nesta pegada?

Sim, em 2020 tínhamos agenda até abril e maio, mas vem a pandemia e tora as pernas de todo mundo.  Nossa classe musical foi afetada logo no começo e no fim também. Ficamos naquela loucura. Quando a gente volta em 2021, ainda com todos aqueles cuidados, fizemos duas lives via TCM. A banda arrecadou bem e começamos a entrar numa campanha para ajudar  a todos os demais músicos. Mas, a gente estava morrendo de saudades de voltar aos palcos e, segundo dizem, um ponto forte da  Robinzband é a interação com o público. E quando a gente volta, percebemos a sede desta interação das pessoas.

Então, já tinha um público fiel nos shows?

Por incrível que pareça, as pessoas achavam que a Robinzband não era daqui de Mossoró. A gente era pouco conhecido. Em 2019 e 2021, por exemplo, foram os anos que tocamos muito em outros lugares e pouco aqui. Foi quando pensamos ser necessário tocarmos mais em Mossoró para que as pessoas pudessem conhecer nosso trabalho.  Em, 2022, tínhamos o desafio de fazer a banda acontecer, porque é uma banda grande (numericamente falando).

São sete componentes, além do pessoal de apoio. Mas, tínhamos as barreiras dos locais de Mossoró que estavam se adaptando para palcos menores, para bandas pequenas ou apenas para voz e violão. Aí, pensamos: como vamos entrar? Porque nos divertimos muito, mas o projeto é serio. A gente sorri seriamente (risos). Temos muita qualidade. Sou apaixonado pela musicalidade de nossos músicos, de cada um deles e delas – com suas vozes supremas. Eu me encanto, me divirto e me emociono sempre.

Os bares foram uma forma de tornar a banda conhecida?

Isso. Nos quatro cantos da cidade, quando a gente falava da Robinzband, a galera da cena não nos conhecia. Em 2023, a gente resolveu tocar muito aqui para resolver isso, mantendo a pegada do rock, pop e dance. E deixar claro que a Robinzband é uma banda genuinamente mossoroense.

Robinho fala em parcerias (Foto: Divulgação)
Robinho fala em parcerias (Foto: Divulgação)

Há perspectivas de incluir algum trabalho autoral ou mesmo ampliar o repertório com mais músicas?

Autoral não, porque acreditamos que a identidade da banda, de forma  orgânica, é cover. Vamos neste trilho, Se a gente colocasse uma música autoral no meio das covers, soaria estranho  e não saberíamos como o público iria compreender. Poderia ficar confuso. Mas, eu, Robinho, tenho músicas autorais e penso em lançar em 2024 alguma coisa. O nosso baixista Ruan Mendonça também tem músicas autorais, puxando mais para o indie. Luísa [backing vocal] idem. Nossos integrantes têm trabalhos autorais paralelos à banda, mas da minha parte talvez lance algo em seis meses, por ai.  No caso da Robinzband, não.

E como vocês se organizam em termos de repertório e shows?

Como eu disse, a gente é muito orgânico, bem natural. Foi assim como os componentes, com nosso set list, com os shows, com o número de seguidores da banda. Os nossos seguidores participam, comentam, opinam, sugerem. E a gente sempre responde. Nas nossas redes sociais, principalmente o Instagram, temos esta interação maior. Tudo na banda é muito natural.

Quais os novos projetos, então, para este ano?

Em 2024, já entramos com uma parceria firme com a CYM Iluminação e já estamos engatinhando no circuito das formaturas, aniversários, casamentos… Alguns eventos, como o último que fizemos em Tibau no Senset, já teve esta pegada de eventos de médio e grande porte. Claro que não vamos abandonar os barzinhos, mas a banda está focando neste novo caminho em 2024. Vamos remando nessa.

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Letra e Música – 219 (Você tem um amigo)

Ouvi dezenas, centenas e milhares de vezes “You’ve got a friend” (Você tem um amigo/a), escrita pela compositora e cantora norte-americana Carole King – início dos anos 70. A seu modo, genial, foi como ela confortou James Taylor, também cantor e compositor, grande amigo, que passava por momentos difíceis.

A interpretação de Taylor (veja mais abaixo) é incomum, com sua voz tão marcante. Lady Gaga, nessa pegada tão intimista, do fundo d’alma, também mexe comigo e meus sentimentos.

Reproduzi-la é uma forma de homenagear, com a própria Lady Gaga, Carole King e James Taylor, cada um dos meus amigos. Meu amor por vocês está todo nessa declaração de bem-querer, zelo, gratidão, disponibilidade, compaixão e amizade.

Contem sempre comigo. Podem chamar. You’ve got a friend!

Você tem um amigo

Quando você estiver abatido e com problemas

E precisar de uma mão para ajudar

E nada, nada estiver dando certo,

Feche seus olhos e pense em mim

E logo eu estarei aí

Para iluminar até mesmo suas noites mais sombrias.

Apenas chame meu nome

E você sabe, onde quer que eu esteja

Eu irei correndo

Para te ver novamente.

Inverno, primavera, verão ou outono,

Tudo que você tem de fazer é chamar.

E eu estarei aí, sim, sim, sim,

Você tem um amigo.

Se o céu acima de você

Tornar-se escuro e cheio de nuvens

E aquele antigo vento norte começar a soprar,

Mantenha sua cabeça sã e chame meu nome em voz alta

E logo eu estarei batendo na sua porta.

Apenas chame meu nome

E você sabe, onde quer que eu esteja

Eu virei correndo para te encontrar novamente.

Inverno, primavera, verão ou outono,

Tudo que você tem de fazer é chamar

E eu estarei lá, sim, sim, sim

Ei, não é bom saber que você tem um amigo?

As pessoas podem ser tão frias,

Elas te magoarão e te abandonarão

E então elas tomarão sua alma se você permitir-lhes.

Oh, sim, mas não permita-lhes

Apenas chame alto meu nome

E você sabe, onde quer que eu esteja

Eu virei correndo para te encontrar novamente.

Você não entende que

Inverno, primavera, verão ou outono

Ei, agora tudo que você tem a fazer é chamar?

Senhor, eu estarei lá, sim eu estarei

Você tem um amigo

Você tem um amigo

Não é bom saber? Você tem um amigo

Não é bom saber? Você tem um amigo.

Veja, leia e ouça AQUI toda a série Letra e Música que hoje estamos retomando, dominicalmente, como sempre ocorreu.

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Simone faz uma viagem musical de 50 anos e avisa que está de volta

"Tô voltando" rebobina o tempo e as canções da intérprete (Foto: divulgação)
“Tô voltando” rebobina o tempo e as canções da intérprete (Foto: divulgação)

A cantora Simone vai se apresentar no Teatro Riachuelo em Natal, nessa quinta-feira (24). A turnê “Tô voltando” comemora 50 anos de carreira da artista baiana, que começou a percorrer o país em abril, com o show.

A apresentação está marcada para as 21 horas.

Serviço 

Ingressos: na bilheteria do Teatro Riachuelo (Terça a sábado, das 14h às 20h) ou no site uhuu.com

Atendimentofalecom@uhuu.com

Mais informações:  www.teatroriachuelonatal.com.br

Nascida em Salvador no Natal de 1949, Simone estreou como cantora profissional em 1973. De lá para cá, gravou 31 álbuns de estúdio e seis ao vivo, alguns produzidos especialmente para o mercado internacional. Teve quase 50 canções em trilhas de novelas e incontáveis hits em listas das mais tocadas no país.

O álbum de estúdio mais recente, Da Gente, foi lançado no ano passado e jogou luz sobre a nova geração da música nordestina. Uma retrospectiva no tempo e nas canções fazem parte de Tô voltando.

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Cantora mossoroense vai se apresentar em festival em Londres

Márcia Lima está há cinco anos na Europa (Foto: divulgação)
Márcia Lima está há cinco anos na Europa (Foto: divulgação)

A cantora mossoroense Márcia Lima é uma das atrações do Brazil World Fest, o maior festival da cultura brasileira na Europa. O evento acontece de 14 a 17 de setembro, em Londres (Inglaterra), durante a London Fashion Week. A artista sobe ao palco do festival nos dias 16 e 17, enaltecendo as suas raízes, com muito forró, xote e baião.

Márcia reside na Europa há quase cinco anos, período em que viu sua carreira alcançar um novo patamar, mas sem esquecer das suas origens nordestinas. Agora, pela primeira vez participando do Brazil World Fest, seu orgulho em representar Mossoró é ainda maior.

“A música é uma porta muito larga aqui, que tem levado bastante meu nome na Inglaterra. As coisas têm acontecido. Com certeza tudo que tem acontecido, tem sido por causa do forró, da cultura nordestina”, enfatizou a mossoroense.

Sobre o evento

O Brazil World Fest possui uma programação vasta, que conta com mostras de dança, música, gastronomia e folclore; palestras em português e inglês; exposição de arte, livros, esculturas; feira e rodadas de negócios com empresas do Brasil e da Europa; desfile de modas com marcas brasileiras e europeias, entre outras atrações.

O festival tem o apoio do Ministério do Turismo e Ministério da Cultura, e é um projeto aprovado pela Lei Rouanet, com organização da revista britânica High Profile.

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Depois de lançar Natália no frevo, Fátima bota Isolda no xote

Depois de apresentar a deputada federal reeleita Natália Bonavides (PT) como pré-candidata à Prefeitura de Natal, no Carnaval deste ano na capital, arriscando passos de frevo, a governadora Fátima Bezerra (PT) agora usa outro ‘dote’ artístico, digamos, para fazer o mesmo com a deputada estadual Isolda Dantas (PT).

Em meio ao “Pingo da Mei Dia” (veja AQUI) nesse sábado (3) último em Mossoró, Fátima e a deputada formaram uma dupla caipira com microfone à mão.

O dueto do xote “Tareco e mariola” (Petrúcio Amorim) pode ser desafinado, mas é profundamente simbológico. A governadora a quer na disputa outra vez.

Em 2020, Isolda foi terceira colocada à municipalidade, com apenas 8.051 votos (5,86%), contra 59.034 votos (42,96%) da então prefeita Rosalba Ciarlini (PP). O eleito foi o deputado estadual Allyson Bezerra (Solidariedade), com 65.297 votos (47,52%).

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Música para a alma

Por Marcos FerreiraMúsica para a alma

Neste minuto, como ocorre em parte do meu tempo, aqui me ponho frente o computador redigindo e escutando uma de minhas playlists favoritas. E embora seja melhor ouvir, que tal falarmos um pouco sobre música?

Pode ser um Raul Seixas (Ed Mota, não!) num desses dias em que me encontro inclinado para o pop rock nacional. Também gosto de música americana de vários estilos e épocas. Além, claro, de alguns compositores como Schubert, Debussy, Stravinsky. Esses eu guardo numa caixinha de nome “Produtos Zen”, para quando estou em momentos extramurais, fumando um charuto de metáforas.

Depois da literatura, portanto, música é a lombra salutar de que me permito usufruir com algumas doses de um cafezinho. Ambos aquecem e motivam o espírito deste colecionador de palavras e melodias. Palavras são a essência da literatura. A música é a maternidade das palavras. Ao menos é o que acho.

Um tal de Wolfgang Amadeus Mozart, compositor austríaco, já apregoava que a poesia tem de ser a filha obediente da música. Há quem afirme que é o contrário. Eu, particularmente, prefiro não me engalfinhar nisso.

Fico aqui em meu aconchego, neste cantinho, saboreando muitas dessas canções que ninguém fez para mim. À exceção do poeta cantador Genildo Costa, que musicou uns quatro ou cinco poemas de minha cuca, entre os quais o estrondoso fenômeno “Caminhos Opostos”, com quase dez CDs vendidos. Não é pouca coisa. Pois se trata de um artista outsider, distante dos holofotes da grande mídia.

Agora ouço um tanto do grande Belchior, do qual vai rolando a faixa “Tudo Outra Vez”. Um pouco antes passaram por aqui a Elza Soares e a Gal Costa. Não. Rita Lee ainda não apareceu. Deve estar em outra playlist.

Curto também o choque de gerações. Tenho um gosto eclético, quiçá promíscuo. Daí aprecio artistas insuperáveis como Michael Jackson, Nelson Gonçalves, Elvis Presley, Frank Sinatra, Vicente Celestino, Tim Maia, Caetano, Chico Buarque, Elton John, Lady Gaga, Amy Winehouse, Legião Urbana, Paralamas do Sucesso. Ah, são tantos e tão bons que me parece ser um risco deitar nomes.

Mas quem, enfim, deseja conhecer o meu gosto musical? É provável, sendo otimista, que pouca gente. Ou, pensando melhor, ninguém. No entanto eu daria todo o meu exercício literário por uma voz e um palco para cantar. Aí a minha alma, como na letra de Gilberto Gil, teria um cheirinho bom de talco.

Marcos Ferreira é escritor

Um palco inteiro para o talento de Khrystal & Bia Gurgel

A noite promete, musicalmente, em Mossoró. No Teatro Lauro Monte Filho tem diversidade rítmica e afinação com Khrystal & Bia Gurgel. Começa às 20h.Khrystal & Bia

Ingressos estão à venda no Varanda Café & Bistrô – (84) 2142-5838.

Khrystal é de Natal e ostenta carreira sólida há mais de 20 anos, também enveredando pela arte cênica. Bia Gurgel é uma adolescente mossoroense que tem a benção da música nas veias, herdeira em talento da bisavó natalense Glorinha Oliveira – cantora que marcou época na era do rádio.

As duas ganharam projeção nacional com milhões de fãs através da Rede Globo de Televisão. No The Voice Brasil foi Khrystal quem brilhou, enquanto Bia teve destaque no The Voice Kids, ano passado.

A produção do show leva a assinatura de Katharina Gurgel, escritora e cantora também, mãe de Bia Gurgel.

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Escola de Música realiza VII Festival Internacional de Violão

A Escola de Música da Universidade Federal do RN (UFRN) será palco da sétima edição do Festival Internacional de Violão de Natal (VII FIVN). O evento acontecerá a partir dessa quarta-feira (17), indo até o sábado (20). É voltado para estudantes, professores e apreciadores de música, de modo geral.

Violonista, compositor e pesquisador brasileiro Marcos Pereira (Foto: Web)
Violonista, compositor e pesquisador brasileiro Marcos Pereira (Foto: Web)

Contará com a presença de violonistas e pesquisadores renomados do Brasil e do exterior, proporcionando ao público uma verdadeira efervescência cultural. A programação conta com oficinas, palestras e master classes com temas relacionados à música, ao violão e a instrumentos similares, como é o caso do alaúde, instrumento de cordas medieval que teve o seu auge no período renascentista.

Um dos momentos mais importantes será o concerto de abertura, estrelado pelo violonista, compositor e pesquisador brasileiro Marcos Pereira (UFRJ), acompanhado da premiada Orquestra Filarmônica da UFRN, sob a batuta do maestro André Muniz.

Apresentação

A apresentação acontece na quarta-feira, no Auditório da Escola de Música, com credenciamento a partir das 18h e apresentação às 19h. A entrada é gratuita.

O VIIFIVN é um projeto de extensão da Escola de Música da UFRN e prossegue com parceiros como a Arte Musical, PAVIO (Paraíba Violões), Festival de Guitarra José Tomás (Espanha) e nesse ano formou uma importante parceria com a Prefeitura Municipal do Natal.

Para mais informações acesse: www.fivnatal.com.

A programação completa também está disponível no Instagram (@vii_fivn).

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Lulu Santos chega a Natal com a turnê “Alô, Base!”

Lulu revisitará seus grandes sucessos (Foto: divulgação)
Lulu revisitará seus grandes sucessos (Foto: divulgação)

Em comemoração aos 40 anos de sucesso, a partir do álbum “Tempos Modernos”, com a proposta de reconectar todos os pontos da sua trajetória, Lulu Santos apresenta seu show “Alô, Base!”, no dia 30 de julho, às 21h no Teatro Riachuelo, em Natal.

Vai revisitar grandes sucessos, com um setlist que terá músicas como “Toda Forma de Amor”, “O Último Romântico”, “Tempos Modernos” e recentes como “Hit”, primeira canção e clipe da nova série.

Em 2021, Lulu comemorou os 40 anos de lançamento do seu primeiro single, marco muito importante salientado pelo artista. A turnê é a junção desta comemoração com a volta do cantor e compositor à estrada, após um longo período de isolamento social.

Canais de vendas oficiais

Bilheteria do Teatro: Shopping Midway Mall – Av. Nevaldo Rocha, 3775 – piso L3 (terça a sábado, das 14h às 20h)

Site: www.uhuu.com

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Projeto Samba Negra 2022 será dias 26 e 27

Samba Negra 2021 - Praia Shopping em NatalNos dias 26 e 27 de fevereiro, a praça de alimentação do Praia Shopping (Natal) será palco mais uma vez da quarta edição do Samba Negra, 2022, projeto que busca enaltecer o ritmo tipicamente brasileiro. Grandes nomes do samba potiguar, como Isaque Galvão, Dodora Cardoso, Josy Ribeiro, Analuh Soares, Tornado do Samba e grupo Legal D+, vão agitar o público e esquentar o clima carnavalesco da Zona Sul.

O evento continua com acesso gratuito, mas, será obrigatório o uso de máscara e apresentação do cartão de vacinação. Além de distanciamento das mesas e cadeiras. Ressaltamos que a área do evento conta com ventilação natural.

O Samba Negra conta patrocínio da Hiunday Terra Santa e Prontoclinica de Olhos através do Programa Djalma Maranhão da Prefeitura do Natal. Apoio do Sicoob e é uma realização da Idearte Produções e Atividade Promoções.

PROGRAMAÇÃO 2022

SABADO, 26/02
14h Analuh Soares
17h Tornado do Samba
20h Legal D+

DOMINGO, 27/02
13h Josy Ribeiro
16h Isaque Galvão & Janilson D’LosManos
19h Dodora Cardoso

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De longe chegava a voz de Altemar Dutra cantando…

Janela, olhando da janela, janela de edifício, apartamento, iluminação externa, condomínio, cerca de proteção em janelaPor Honório de Medeiros

De longe chegava a voz de Altemar Dutra cantando “Tudo de Mim”, de Evaldo Gouveia e Jair Amorim. Quem estaria escutando essa música, no último dia do ano, quando já era noite fechada e faltava pouco para os fogos subirem aos céus?

Enquanto desfrutávamos da nossa solidão a dois, preparávamos, a quatro mãos, nossa ceia. Eu e ela. Os meninos, ainda os chamamos assim, já tinham partido, para muito longe. Ficamos nós, aqueles cujas raízes são fundas demais para serem arrancadas.

Eles se foram, são o futuro, e, nós, cada dia mais, o passado.

Ela nota minha melancolia. Disfarço. Brinco. Não resolve. Não consigo mais engana-la. São muito anos de cumplicidade. Falo-lhe de Altemar Dutra, de quando o conheci ainda praticamente adolescente, uma noite, no “Casarão”, e emendo com uma confissão, dizendo-lhe que minha tristeza não vem da batida do passado na porta do meu coração.

Não é isso, digo-lhe. É a tristeza de quem sente que algo precioso está se perdendo, e não voltará. Estou, agora, falando acerca da maravilhosa letra da música que Altemar Dutra canta e que ouvimos vinda de longe, de alguma das casas que cercam nosso prédio, elas mesmas, as casas, antigas, desaparecendo para cederem seus lugares a prédios modernos, repletos de vidros e ausentes de história.

Essas músicas sobrevivem como espasmos e me quedo surpreso quando as escuto em algum lugar, por insistirem em abrir espaço, vindas do passado, em um futuro tão diferente. Como quando escutei uma melodia de Chiquinha Gonzaga, em um celular portado por uma adolescente no shopping onde almoçávamos.

Altemar Dutra segue desaparecendo lentamente da nossa memória, e fatos como esse sempre me lembram amigos que se foram, ao longo do tempo, de nossas vidas. Amigos que se afastam, aqueles velhos amigos, com eles desaparecem “a testemunha e o comentarista de milhares de lembranças compartilhadas, fiapos de reminiscências comuns que se desvaneceriam“(*). “All those moments will be lost in time, like tears in rain“(Todos esses momentos serão perdidos no tempo, como lágrimas na chuva**).

Assim, concluo, enquanto ela põe a mesa, morre aquilo que o homem constrói, apaga-se, desaparece na neblina do tempo, pois o futuro e seu filho dileto, o esquecimento, algoz de todas essas lembranças, não se compadece do quanto já foi construído em todos os lugares e tempos. É preciso que chegue o novo, que se vá o passado.

Eu me calo. Muito antes, já se calara Altemar Dutra. Decerto, quem o escutava, já se aproximando do inverno da vida, resolveu dormir. Mal sabe ele que lhe fiz um brinde, com um copo de água, quando vinha a madrugada.

Para ele, Altemar Dutra, Evaldo Gouveia e Jair Amorim.

* Hereges, Leonardo Padura.
** O replicante Roy Batty, em “Blade Runner“.

Honório de Medeiros é professor, escritor e ex-secretário da Prefeitura do Natal e do Governo do RN.