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Novo Jornal anuncia seu fim na plataforma impressa

O jornalismo potiguar, que já anda mal das pernas há algum tempo, sofreu mais um duro golpe nesta sexta-feira (27).

O Novo Jornal do Natal anunciou que não circulará mais na plataforma impressa a partir de segunda-feira (30).

Vai se manter no ambiente virtual.

Outro que se vai.

Uma pena.

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Fim dos impressos ou dos jornais?

Por François Silvestre

O Jornal do Brasil continua? Não. Seu formato apenas online tentou, mas não conseguiu esconder a verdade.

O Jornal do Brasil acabou. Perdeu assinantes, perdeu leitores, perdeu a cara. Jornal é o de papel. Na internet o que há são Portais, Blogs, Twitter e outras denominações. Jornal é de papel.

Natal marcha para ter apenas um jornal impresso.

Refiro-me a jornal com grande circulação.

Só a “Tribuna do Norte” continua, como sempre foi.

Morreram, não faz muito tempo, o Diário de Natal, o Dois Pontos, Jornal de Natal, o Jornal de Hoje, matutino e vespertino.

Agora, sob o manto “diáfano” da modernização, que serve a todas as desculpas, o Novo Jornal encolhe.

Começa morrendo no Domingo.

A metástase semanal é só uma questão de tempo.

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Rogério Marinho defende “direito sagrado de autodefesa”

O deputado federal Rogério Marinho (PSDB) saiu em defesa do Projeto de Lei 3.722/12, de autoria do deputado Rogério Peninha Mendonça, que revoga o Estatuto do Desarmamento.

A posição do parlamentar foi divulgada por meio de um artigo publicado neste final de semana, no Novo Jornal (de Natal).

Segundo o texto, o tucano considera que o Estatuto do Desarmamento votado em 2003 “demonstrou ser um completo e irreversível fracasso. Desarmou o cidadão honesto e não conseguiu retirar armas de bandidos”.

Seu artigo teve o título de “Direito sagrado de autodefesa”.

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Cassiano Arruda é empossado em Academia de Letras

O jornalista e escritor, Cassiano Arruda Câmara, tomou posse na noite desta segunda-feira (18) na Academia Norte-rio-grandense de Letras (ANL), em Natal. Assumiu assento do amigo e jornalista falecido ano passado, deputado estadual Agnelo Alves.

Cassiano, ladeado pelo prefeito Carlos Eduardo, recebeu homenagem expressiva (Foto: redes sociais)

A cerimônia foi muito concorrida, com a presença de muitas autoridades, familiares e amigos do novo acadêmico.

Cassiano Arruda Câmara tem dois livros publicados. O primeiro é “Um Repórter na Roda Viva: do Tipo Móvel ao Notebook” (Chegança, 2002) e “Hotel de Trânsito (Flor de Sal, 2009).

Novo Jornal

Aos 72 anos, ele é diretor-fundador do impresso Novo Jornal, é comentarista da TV Tropical e Rádio CBN.

Mas sua experiência vai para um tempo mais remoto, com passagens pelo Tribuna do Norte e extinto Diário de Natal, onde ganhou grande dimensão e prestígio, com sua coluna diária Roda Viva.

Prestigiaram a posse de Cassiano o desembargador Cláudio Santos, presidente do Tribunal de Justiça do RN (TJRN); professora Ângela Cruz, da Universidade Federal do RN (UFRN); o prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves (PDT); Marcelo Navarro Ribeiro Dantas, ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ); Claudia Santa Rosa, secretária estadual de Educação; ex-ministro Henrique Alves (PMDB); deputado federal Felipe Maia (DEM) etc.

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Um fim que está próximo

Por Alex Medeiros

Junte uma crise econômica nacional sem precendentes a um mercado publicitário local carente de anunciantes privados e ao advento dos espaços jornalísticos virtuais. Aí, então, é possível ter a dimensão aterradora da realidade que desaba sobre os jornais impressos em qualquer cidade do Brasil.

No RN, depois das mortes do Diário de Natal, O Jornal de Hoje, Gazeta do Oeste, Correio da Tarde e O Mossoroense, parece se aproximar a hora dos últimos suspiros das edições impressas da Tribuna do Norte e do Novo, únicos da capital.

Fontes internas nos dois diários dizem que a situação complica a cada dia e já há diretor, em ambos, prevendo e sugerindo o fim breve.

Nota do Blog do Carlos Santos – Lamentável, mas é o que estamos testemunhando a cada dia.

Prefeito tem dianteira em pesquisa, mas não pode se descuidar

A pesquisa veiculada pela FM 98 e o Novo Jornal nessa quarta-feira (1º), a partir de trabalho realizado pelo Instituto Consult, sobre a intenção de votos do natalense à Prefeitura, não revelou maiores novidades. Entretanto, não se pode dizer que mesmo a dianteira folgada do prefeito Carlos Eduardo Alves (PDT), seja realmente confortável.

Carlos Eduardo Alves tem vantagem boa, mas não pode se descuidar (Foto: Magnus Nascimento - Tribuna do Norte)

Pode camuflar o perigo à sua reeleição.

O grande desafio de Carlos Eduardo Alves é manter uma dianteira capaz de não ser molestado por qualquer adversário. Vencer no primeiro turno é uma prioridade, mas que pode ser comprometida por provável grande lista de adversários. E um segundo turno é sempre outra história.

A campanha curta de 45 dias ajuda Carlos Eduardo. É, igualmente, compromete essa leva de potenciais adversários.

A seu favor, ainda, o fato de não aparecer até aqui um real adversário. Um nome sequer com potencial de enfrentamento.

Mas como dizem os chineses: “Não existe inimigo pequeno”. Todo cuidado é pouco.

Veja os números:

O Consult ouviu 800 pessoas entre os dias 24 e 26 de maio. Carlos Eduardo apareceu com 36,3% e o segundo colocado, deputado estadual Fernando Mineiro (PT), apenas 4,8%.

Robério Paulino (PSOL) com 4%, deputado federal Rogério Marinho (PSDB) com 4%, deputado federal Jacó Jácome (PSD) com 3,6%, deputado federal Walter Alves (PMDB) 2,8%, deputado estadual Kelps Lima (SDD) com 2,4%, deputado federal Rafael Motta (PSB) com 2%, deputada estadual Márcia Maia (PSDB) com 1,6%, advogado Luiz Gomes (PEN) com 1,5%, vereador George Câmara (PCdoB) com 1%, Gleydson Batalha (PTC) 0,3% e Geraldo Ferreira (PPS) com 1% aparecem com essas respectivas pontuações na Estimulada.

Os que não votariam em nenhum desses candidatos somaram 24%. Indecisos bateram a casa dos 12%.

Numa simulação com oito candidatos, o prefeito Carlos Eduardo ganhou mais dianteira com 37,9%, seguido de Mineiro (5,3%), Rogério Marinho (4,8%), Robério Paulino (4,6%), Walter Alves (2,9%), Kelps Lima (2,6%), Rafael Motta (2,1%) e Luiz Gomes (1,9%).

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Jornal impresso e portal vão juntar plataformas

Será em março o lançamento do projeto de fusão do portal Noar e do Novo Jornal. Ambos estão sediados em Natal.

As duas plataformas de mídia, virtual e jornal impresso, devem funcionar em prédio físico único, se constituindo em forte grupo de comunicação.

O Novo Jornal foi negociado pelo seu principal acionista, jornalista Cassiano Arruda, com o “Ritz” – fundo de investimento com sede em Singapura e negócios diversos no Brasil.

O Noar pertence a um consórcio que envolve elenco de jornalistas – Ricardo Rosado, Aluísio Lacerda e Alex Medeiros – com o empresário Flávio Azevedo.

Assaltante pede mais policiamento e investigação contra crimes

“Tem que ter policiamento nas ruas, mais investigação e emprego”.

A declaração acima não é de nenhuma autoridade pública, qualquer líder oposicionista ou dirigente de alguma Organização Não-Governamental.

É a fala de um tal Léo Boy. Foi preso como um dos responsáveis pelo assalto ao vice-governador eleito Fábio Dantas (PCdoB) e da advogada e futura chefe do Gabinete Civil do Estado, Tatiana Mendes Cunha, há poucos dias, em Natal.

A fórmula é conhecida por todos, inclusive pela classe política e a própria marginália, como o próprio bandido aponta com conhecimento de causa.

Na voz de Léo Boy, tudo parece irônico.

Seu “pronunciamento” oficial está hoje nas páginas do Novo Jornal.

TRE concede direito de resposta a Robinson no Novo Jornal

O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) concedeu ao candidato a governador Robinson Faria (PSD) o direito de resposta por matéria veiculada no Novo Jornal no último dia 21 de setembro.

A coligação Liderados pelo Povo pediu direito de resposta por causa da reportagem intitulada “Vice quer censurar jornais”.

A decisão do juiz Cícero Martins de Macedo concede o direito ao candidato Robinson a se defender no mesmo espaço usado pelo jornal para acusar.

O parecer do Ministério Público do Rio Grande do Norte também foi favorável à decisão do magistrado.

O direito de resposta deve ser veiculado no Novo Jornal no dia 5 de outubro, dia da eleição.

Com informações da Coligação Liderados pelo Povo.

 

Ruim é não envelhecer

Por François Silvestre

Ouvi muitas vezes, de amigos mais velhos, a frase pronunciada com a fisionomia na moldura de uma foto antiga: “A velhice é uma merda”. “Envelhecer é uma bosta”.

Só não envelhece quem morre novo. E quando isso ocorre o morto jovem parte deixando uma sensação de saudade mal resolvida. É uma inaturalidade, uma agressão ao natural.

O velho, não. O corpo envelhece e prepara a naturalidade do desfecho. Começa pelo arquivando de desejos. Coisas indispensáveis, na mocidade, vão se tornando arquivos, deixando lembranças e arrumando conformação. É a cerimônia do adeus, de que falava Simone de Beauvoir, ao ver no sofá a mancha de urina de Jean-Paul Sartre.

“A vida é apenas um demorado adeus”. E Esse adeus demorado ou breve é pra ser vivido intensamente. Sem culpas, preconceitos ou hipocrisia.  Sem ligar para o fascismo dos costumes, que é o moralismo. E se faltar coerência, que sobreviva a honestidade.

O desejo não é mais do que a vontade de uma necessidade estimulada. A fome, a sede, a libido, são necessidades estimuladas pelo desejo. O conjunto do ciclo forma a vontade. A volição que cobra a satisfação do estímulo. Quando o corpo vai transformando a vontade numa gradação mais serena, menos impulsiva, começa a preparar o fim do ciclo, com naturalidade.

A única coisa que a velhice tem de ruim mesmo, e sem jeito, é a perda de pessoas queridas. A perda de amigos sem ser pela inimizade. Ou a imponderação dos acidentes.

Nascer é um bambo maior do que qualquer percentual restritivo de loteria. Para o seu nascimento foi preciso que a sequência de todos os ancestrais tenham sido exatamente o que foi. E se o sexo dos pais houvesse ocorrido minutos antes ou depois, certamente o espermatozoide seria outro a chegar à ovulação. É ou não é uma loteria do destino? Nascer é um acaso, morrer é uma naturalidade inevitável; e necessária à vida.

A velhice não é um castigo, é um prêmio; só chega lá quem ganhou do tempo. Só o tempo não envelhece; mas tudo que ocupa espaço envelhece e finda. Há coisas, na velhice, que não mudam do que foram na juventude. O caráter, o temperamento, os princípios. Pelo contrário, acentuam-se.

O velho impaciente foi jovem impulsivo. O velho velhaco foi jovem ladrão. Dostoievsky disse que se Deus não existisse tudo seria permitido. Não é verdade. A boa ou má ação não é matéria de fé ou de razão, mas de caráter. O mundo está entregue aos deístas, que tentam destruir o que eles dizem que Deus fez. Quem desmanda no mundo são os fervorosos; cristãos, muçulmanos e outras denominações.

O bom caráter tem no remorso o limite das ações. Seja ele deísta ou ateu. O mau caráter tem um “deus” particular que é seu cúmplice. O Diabo envelhece vitorioso porque seus combatentes teóricos são seus aliados da prática.

Té mais.

François Silvestre é escritor

* Texto originalmente publicado no Novo Jornal.

Novo Jornal e novo controle

Por Vicente Serejo (O Jornal de Hoje)

Em ritmo de finalização as conversas do empresário Flávio Azevedo com o jornalista Cassiano Arruda em torno do controle acionário do Novo Jornal.

Mas Cassiano continuará como seu principal colunista.

Nota do Blog – Azevedo é ex-dirigente da Federação das Indústrias do RN (FIERN) e será primeiro suplente de senador, na chapa de Wilma de Faria (PSB).

Ele já tem investimento na área de comunicação, como principal controlador do “Portalnoar.com”.

O palanque de antiquário

Por François Silvestre

O Rio Grande do Norte é um antiquário político. E como a antiguidade merece respeito, respeitemo-la.

Não falemos de idades, que é deselegante. E a elegância é uma hipocrisia agradável. Certa vez, Zé Limeira perguntou a dona Antonieta, mulher do Governador Agamenon: “Quantos anos tem a senhora”?  Dona Antonieta repreendeu: “Poeta, não é elegante perguntar a idade de uma dama”. Zé Limeira respondeu: “Pois eu jurava que a senhora era mais nova”.

Não é disso que trato. Mas da incapacidade nossa, papagerimum, de renovação política. De 1960 até hoje, nenhuma renovação. E se alguma houve, não foi mérito dos “novos”, mas imposição da Ditadura, ao matar a democracia adolescente.

O ano que nasce enrugado é tempo de eleições. São as mesmas e velhas lideranças que tecem as rugas de cada época. E o povo, essa abstração invisível, a oferecer muletas e guias espertos aos olhos embaçados do mesmo comando geriátrico. No meio do fingimento do orgasmo coletivo.

Donde se conclui que o velho mais idiota é o próprio povo, na forma de eleitores. O gaiato Arlequim da Democracia. Que se desculpa ao espernear contra a desgraça pública e depois sai pinotando nas passeatas, feito frevolentes, ao som de ruídos loucos e discursos ocos. Quem são os candidatos?

Robinson Faria diz que é. Quer ser. Topa ser. Mas daí a viabilizar-se há uma baita distância. Por não ter sido candidato, nas eleições passadas, rompeu com o governo e elegeu-se Vice na oposição. Desprestigiado, rompeu novamente e lançou-se candidato. Mendiga aliados.

Fernando Bezerra não se lançou. Nem pediu. Foi convidado e aguarda o tocar das ondas.

Garibaldi Filho jura de pés juntos que não é. Tem motivos. Não lhe acrescenta nada à biografia, a não ser o desassossego de um Estado falido.

Henrique Alves sempre quis. Mas sabe que não pode querer. Mesmo querendo. Tem uma excelente posição nacional, como poucos daqui tiveram. E um histórico de eleições majoritárias nada animador.

Rosalba Ciarlini é afônica, gritando aos ouvidos dos navegantes de Odisseu, defronte do Promontório da Lucárnia.

José Agripino Maia tenta salvar o mandato do filho, numa composição com tradicionais adversários. Nem põe o nome nas alternativas. Originário da exceção, virou regra do museu.

O PT quer vaga no Senado, com qualquer companhia. A pureza também envelheceu, na cavilosa e aconchegante rede do poder.

Wilma de Faria é o Lázaro de todos esses “cristos” aí citados. Ressuscitaram-na. Uns, por descuido. Outros, por incompetência. Nenhum deles gosta dela. Detestam-na. Ela sabe, eles disfarçam. Ela não quer o governo. Maestrina do pantim, quer o Senado. Paraíso-recompensa do pós purgatório. Verão os que viverem.

É o que vejo. E olhe que meus olhos são cuidados pelo Dr. Alexandre Bezerra. Té mais.

François Silvestre é escritor

* Texto originalmente publicado no Novo Jornal.

 

Novamente a primeira chance

Por François Silvestre

Ouvi numa canção de Rock, em inglês, uma frase poética que dizia mais ou menos assim: Não quero uma segunda chance. Mesmo que me seja dada uma segunda vida, quero novamente a mesma primeira chance.

Pois é. Não tive o talento para compor esses versos, mas foi sempre assim que repensei minha vida. Gostaria de uma segunda vida, não de uma segunda chance. Até porque gostaria de ter os mesmos amigos para amar e os mesmos inimigos para desprezar. O mesmo lugar de nascimento, a mesma origem e a mesma família bocó da primeira vez.

Os mesmos mofumbos para me esconder e o mesmo jardim da casa da avó. Os mesmos medos para vencer e os mesmos sonhos inalcançáveis. As mesmas molecas que pari e os mesmos paridos delas.

Nem o cinzento da seca eu quero diferente, pois só assim a chuva se faz desejo.

As mesmas dores, para exercitar a tática de vencê-las. Os mesmos atropelos, para afiar o gume de superá-los. E mesmo sem vencer umas ou superar outros, não peço suavidade neles, mas a chance de ter de novo a mesma primeira chance.

Arrependimentos, não. Que é coisa de cristão. E só fui cristão na infância, por indução irresistível. Autocrítica, nem tanto, que é coisa de marxista; e eu o fui, na mocidade, por influência da ingenuidade.

Mesmo assim quero Cristo de novo e novamente Marx, na nova primeira chance. Duas grandes figuras que nasceram na humanidade errada, ou na pré-humanidade.

Alguns livros deixaria fechados, desletrados que foram da primeira leitura. Outros a serem abertos, muito poucos; pois a vida merece mais vida e menos leitura. Não escrever antes dos quarenta, para renegar a escrita só aos sessenta. E rasgar meia página de cada página escrita. E da meia página salva, deixar exposto apenas o último parágrafo.

Apoiar todas as campanhas contra a bebida alcoólica, acompanhado de uma cerveja gelada; para dar testemunho da irresistível hipocrisia. E tomar todas as cervejas possíveis para diminuir o estoque e agradar aos abstêmios.

Aprender todas as rezas de afugentar visagens, durante a noite, e esquecê-las ao amanhecer. Pileque à tarde para conquistar a noite e ressacar a madrugada.

Olhar de chã e igualdade para os humildes, ombro a ombro. Olhar de serra pra grota, de cima pra baixo, os poderosos falsos e fáceis arrogantes. Não perder a oportunidade de uma flatulência na presença deles.

Manter distância higiênica do poder. Cuja força falece ante a vulnerabilidade. Até dos que estão na festa sem o convite da Constituição. Penetras do foguetório.

Manter a reclusão na democracia e a revolta na ditadura. Mesmo que a democracia seja apenas uma ditadura alegre. Lutar por eleições e depois votar nulo.

Peço ao infinito surdo uma segunda vida quase do jeito da primeira vez. Numa nova primeira chance. Té mais.

François Silvestre é escritor

* Texto originalmente publicado no periódico Novo Jornal (Natal).

Relações deterioradas e um fosso entre dois amigos

Andam bastante deterioradas as relações entre o jornalista Cassiana Arruda Câmara (sócio fundador do Novo Jornal, de Natal) e o ex-deputado estadual Carlos Augusto Rosado (DEM), chefe do Gabinete Civil do Governo Rosalba Ciarlini (DEM).

Fontes credenciadas ligadas a ambos, com as quais conversei em Natal, relataram o fosso que os separa. Nada instransponível, mas com nítidas sequelas e ressentimentos.

Cassiano é dos tempos das vacas magras e do isolamento do casal Carlos-Rosalba, como em 1996, quando colocou sua então agência Dumbo com toda estrutura, recursos e equipe à campanha municipal de Mossoró.

À ocasião, Carlos e Rosalba amargavam ostracismo. Ela venceu as eleições e recomeçou trajetória de retomada de espaço político até chegar ao Governo do Estado em pleito no ano de 2010.

Secetário pode aumentar ‘micarlização’ de governo

O Governo Rosalba Ciarlini (DEM) pode sofrer mais e mais modificações em sua equipe. O entra-e-sai de auxiliares tem sido intermitente desde seu primeiro ano de gestão, ano passado, o que o assemelha muito ao governo da prefeita natalense Micarla de Sousa (PV).

Agora, há uma possibilidade iminente de que o ex-deputado federal baiano e presidente nacional interino do PTB, Benito Gama, secretário estadual do Desenvolvimento Econômico, seja obrigado a pedir o boné.

O jornalista Cassiano Arruda do diário Novo Jornal, coluna Roda Viva, aponta que Benito estaria tomando providências para sair da equipe da governadora, em face da possibilidade de assumir oficialmente a presidência do PTB nacional.

Devido a condenação do ex-deputado federal Roberto Jefferson no julgamento do caso “Mensalão”, no Supremo Tribunal Federal (STF), Gama tende a ser efetivado em seu lugar. Jefferson licenciou-se do cargo há poucas semanas, para tratamento de saúde e Benito Gama assumiu seu posto partidário.

Nota do Blog – A passagem de Benito Gama pelo Rio Grande do Norte, pela política e Secretaria do Desenvolvimento, não deverá deixar muitas saudades na enorme maioria dos potiguares.

Mas tem uma minoria privilegiada que o incensará para sempre.

Camus entre nós

Por Franklin Jorge (do Novo Jornal)

Recorda-se Jorge Antonio de um tempo norteado por Albert Camus, cujo inconformismo e paixão pela Justiça contribuíam para o esclarecimento dessa sensação de incompletude e mal-estar moral que nos oprimia e fazia-nos pensar sobre o potencial ético da arte e sua relação com a política.

Torturado pelo desgosto de existir, Camus é acometido pelo pernicioso hábito do pensamento reflexivo que compreende e sintetiza que viver não tem cura. Viver é fazer mal aos outros e a si mesmo, através dos outros, assim resumindo e tornando compreensível a todos a essência mesma do existencialismo – “o inferno são os outros”.

Até então não conhecera, entre os mestres do desespero, nenhum outro pensador mais apto do que ele para excitar a nossa inquietação de adolescentes diante da vida que se nos afigurava desmesurada e sem sentido.

Seu prestígio só rivalizava então com o de Hermann Hesse, ambos lidos em todo o mundo por centenas de milhares de jovens rebelados contra a guerra. Sempre atroz, em todas as culturas.

Muitos de nós, porém, ignorávamos ou sabíamos vagamente que o escritor franco-argelino, agraciado com o prestigioso Prêmio Nobel de Literatura, escrevera em seu diário de viagem à América do Sul e nele registrava com acuidade e argutamente, de maneira crua, suas impressões do Brasil, que visitou em 1949 – ainda sob os efeitos dissolventes da síndrome de A Peste, romance sombrio e alegórico que se lia em toda a parte, entre os rebeldes apregoadores da paz.

– Lemos, Jorge Antonio e eu, com sofreguidão e desconforto os escritos de Albert Camus. No dia 15 de julho, após resistir por duas vezes ao desejo de suicidar-se em alto mar, Camus anota em seu Diário Viagem que ao amanhecer viu à distância as luzes do Rio de Janeiro, cidade espremida entre o mar, a baía e as montanhas, vivendo sob a égide algo folk “de um grande e lamentável Cristo luminoso”.

Aqui, impressionado com a insolência do luxo mesclado à miséria, seu coração treme diante de tanta admirável desumanidade. Camus vê o Brasil como uma terra sem homens. Um país submergido numa realidade intolerável para alguém incapaz de conceber um mundo absolutamente desprovido de amor.

Andando por intermináveis subúrbios num ônibus sacolejante, Camus logo percebe em meio ao caos que os motoristas brasileiros não respeitam a vida; ele os descreve como loucos alegres ou loucos frios sádicos, o que – sessenta anos depois – mantém a atualidade, apesar de todas as leis restritivas criadas desde então.

Camus pensava no suicídio como o único problema filosófico pertinente. E, olhando à sua volta, tem premonições sombrias e inquietantes. Observa, Camus, as tribos e intui, – ao pensar sobre essas multidões que não param de crescer -, que, num dia não muito remoto, asfixiarão a terra.

Levam-no, ainda, a um terreiro de macumba em distante subúrbio carioca. Ao visitar a Bahia, como parte dessa viagem ou peregrinação cultural pelo inferno tropicaliente, Salvador, em seu traçado urbanístico, parece a Albert Camus uma casbah fervilhante.

Recife, sua próxima parada, pareceu-lhe uma terra vermelha devorada pelo calor. Positivamente Camus gosta do Recife e o descreve como uma espécie de “Florença dos trópicos”.

De volta ao Rio, antes de partir para São Paulo, sua esperança é que nasça no Brasil uma nova cultura e que a América do Sul – apesar da perda da fé do desencanto característicos dos tempos modernos – talvez ajudem a temperar a besteira mecânica que domina e corrói o mundo.

Franklin Jorge é escritor e jornalista potiguar

No RN, 95% dos homicídios ficam “insolúveis”

Do Novo Jornal

Enquanto o alto escalão da segurança pública tenta minimizar a crise que afeta o sistema penitenciário potiguar, o Rio Grande do Norte caminha a passos largos para se tornar uma terra onde a impunidade campeia. A prova desta triste realidade está na quantidade de assassinos que jamais serão descobertos pela polícia.

Segundo dados atualizados pelo Conselho Nacional do Ministério Público, dos 1.171 homicídios registrados em solo potiguar até o final de 2007 – crimes que precisam ser concluídos até o final do ano – somente 148 foram analisados e remetidos ao MP. Deste total, porém, 60% foram definitivamente arquivados. Significa dizer que 89 mortes ficarão sem culpados. E este número só tende a subir.

Afinal, a meta da Polícia Civil é dar uma satisfação para todos os 1.171 crimes desengavetados – investigações de assassinatos praticados antes de 2008 que precisam ser remetidos ao Ministério Público antes de o ano acabar; seja solicitando a realização de novas diligências, oferecendo denúncias contra supostos envolvidos ou, simplesmente, considerando o caso encerrado por falta de provas ou evidências que justifiquem manter a investigação aberta.

Saiba mais AQUI.

Nota do Blog – Nenhuma surpresa nos números. E vai piorar.

Falta perícia, falta inteligência. Falta material humano qualificado para a atuação. Não é possível o combate ao crime, minimizando tamanha impunidade, com propaganda enganosa, tentando passar ideia de sensação de segurança.

Ministério Público não pode pedir punição se os inquéritos em sua maioria são confusos ou sem substância. A Justiça não pode sentenciar ninguém à prisão, sem provas cabais de culpa.

E assim vamos continuar. Continuamos vítimas do próprio Estado incapaz, omisso e criminoso, que autoriza o estado paralelo a matar e impede o cidadão comum de se defender.