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Carlos Lacerda vive na politica dos ‘sem voto’ de Mossoró

Carlos Lacerda fez oposição feroz (Foto: Acervo da Folha Press/1968)
Carlos Lacerda fez oposição feroz (Foto: Acervo da Folha Press/1968)

“O senhor Getúlio Vargas não deve ser candidato à presidência. Candidato, não deve ser eleito. Eleito, não deve tomar posse. Empossado, devemos recorrer à revolução para impedi-lo de governar.” Na iminência de vencer as eleições à presidência do Brasil em 1950, nos braços do povo, Getúlio Vargas recebia do feroz opositor, Carlos Lacerda, essa ameaça contra a legalidade, a legitimidade e a vontade da massa gente que se confirmou nas urnas.

Em Mossoró, o prefeito reeleito Allyson Bezerra (UB) enfrenta a reprodução desse sentimento primitivo. É exercitado por uma parte da oposição paroquial, mesmo com baixa representatividade popular e obtusa, diferentemente de Lacerda, um gênio político, catalizador de multidões e intelectual.

A cólera para ejetar Allyson Bezerra do poder, estranhamente, não parte de quem mais tomou prejuízo com sua ascensão: os Rosados. A oligarquia que desde 1948 pontificava em Mossoró desabou nas eleições de 2020 e 2024. Mas, nem assim, rosna e vomita ira. Tem sabido perder, mesmo que ainda estrebuche em seus estertores e insufle porta-vozes de baixa representatividade pública à disseminação de zunzunzum contra o prefeito.

Registre-se: antes mesmo da campanha municipal deste ano, quando foi vitorioso – veja AQUI – com 113.121 votos (78,02%), Bezerra já convivia com o oposicionismo do ‘quanto pior, melhor’. Normal, digamos. O agravante foi o surgimento da perfídia de aliados que viraram adversários ressentidos, casos do presidente da Câmara Municipal Lawrence Amorim (PSDB) e o ex-vereador Genivan Vale (PL), derrotados de forma vexatória à prefeitura. Amorim com 16.115 votos (11,11%) e Vale totalizando 11.019 votos (7,60%).

A avalanche de ações judiciais e denuncismo orquestrado contra Allyson Bezerra (veja AQUI) e seu vice eleito Marcos Medeiros (PSD) não foi parida agora – que fique claro. Bem antes da abertura do processo eleitoral, oposicionistas de carteirinha e esses aliados quintas colunas entraram em sintonia para tirá-lo de cena (veja AQUI). Até aqui, sem sucesso algum.

Contrariados em suas ambições pessoais e obcecados em derrotá-lo no campo judicial, haja vista que sabiam não ter condições mínimas de êxito nas urnas, eles não vão parar. Juntos na pré-campanha, corpo e alma na campanha, seguirão unidos após a posse dos vitoriosos. Seguem úteis às forças políticas estaduais que os recrutaram à essa missão. Mossoró em segundo plano. O que interessa é marcar posição para 2026.

Carlos Lacerda vive na política dos ‘sem voto.’

Eu tenho um monte de coisas para não fazer

Ilustração da página Family Center
Ilustração da página Family Center

Impressiona-me o tempo que tanta gente dedica às redes sociais para dar lições de moral, despejar indignação seletiva, julgar quem discorda de si, provocar quem não conhece e falar ‘com propriedade’ sobre temas complexos, dos quais claramente é divorciado.

Esse ódio de algibeira, carregado por aí como a quintessência da virtude, fala muito sobre quem o conserva e bem menos em relação ao objeto de sua fúria.

Eu, particularmente, tenho um monte de coisas para não fazer.

Com licença.

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Mau-caratismo e ódio, o fracasso do “quanto pior, melhor”

ódio, ira, raiva,Atmosfera de velório em certos grupos de oposição, em Mossoró, com notícia de empréstimo de R$ 200 milhões da Prefeitura Municipal de Mossoró (veja AQUI).

Porém, muitos têm surto psicótico pelo fracasso do “quanto pior, melhor.”

Mau-caratismo e ódio os dilaceram.

Socorramos esses doentes.

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O fracasso da bola

Bola-murchaFutebol com torcida única é o fracasso desse esporte, o ocaso da civilidade.

A sociedade e o Estado admitem sua incapacidade de preservar os verdadeiros torcedores e sua paixão.

E nós vamos nos conformando com isso, achando natural que ódio e estupidez prevaleçam.

Chega.

Basta.

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Para onde vamos?

Por Ney Lopes

A pesquisa do Datafolha é o retrato 3×4 do atual quadro eleitoral brasileiro. Confirma-se que não há provável vencedor ou vencido, por antecipação.

Há dúvidas sobre certos movimentos e reações do eleitor brasileiro, ainda não totalmente fotografados nas pesquisas.bolsonaro-lula-prismada-848x477

O país assiste a disputa do segundo turno entre Lula e Bolsonaro, que é o terceiro mais apertado, desde 1989.

A balança eleitoral mantem-se imprevisível.

O “gargalo” de Lula é o crescimento de Bolsonaro em SP, RJ, MG e o Sudeste em geral, o maior colégio eleitoral do país.

Com a “zebra solta” ambos candidatos tentam evitar a abstenção.

Em 2018, 3% do eleitorado que votou no primeiro turno não foi votar no segundo.

Se isso acontecer em 2022, significaria que mais 4 milhões e meio de pessoas deixariam de votar.

A incógnita é saber de quem seriam esses eleitores.

Como mero palpite, admito que dois fatores centrais influirão decisivamente na decisão final do eleitor.

De um lado, o temor da tendência autoritária de Bolsonaro que, caso saia fortalecido pelas urnas, poderá tentar implantar uma “democracia” ao seu modo no país, no estilo de Erdogan, na Turquia.

Bolsonaro também se considera irmão do político de ultradireita na Hungria, Viktor Orban que combate o sistema judiciário húngaro e entidades de direitos humanos.

De outro lado, o temor de que se repitam os fatos públicos e notórios de corrupção nos governos petistas, com devoluções de somas astronômicas de dinheiro público.

Todos esses temores são agravados, em razão do lulismo e do bolsonarismo terem seguidores, que embora não sendo maioria, formam verdadeiras seitas, com “bolsões” de fanáticos, intolerantes, descompensados, que não raciocinam, apenas repetem “chavões” e se consideram acima do bem e do mal.

O que se observa é que a polarização leva consigo um aprisionamento ao passado dos dois candidatos e o medo de que por isso o futuro seja comprometido.

Não há preocupações com propostas e visões do futuro do país.

A força de Lula surge no ódio a Bolsonaro.

A força de Bolsonaro do ódio a Lula.

A história das eleições presidenciais brasileiras mostra que as campanhas eram diferentes.

Tradicionalmente, antes da explosão do ambiente polarizado, campanhas presidenciais envolviam o mínimo de proposições sobre o futuro, num jogo onde o eleitor aceita perspectivas de um futuro melhor do que o existente.

Hoje nada disso existe.

Situação muito difícil.

Para onde vamos?

Deus nos proteja!

Ney Lopes  é advogado, jornalista e ex-deputado federal

O mal do “nós contra eles”

bolsonaro-lula-prismada-848x477Por Carlos Santos

Estou em grupos de WhatsApp bolsonarista e lulista. Nos dois lados a prioridade é atacar o adversário, em vez de exaltar méritos do seu ídolo. Psicologia explica: falar mal do outro é uma forma de projeção do que somos, mas não aceitamos ou desconhecemos em nós. Ego refletido.

Entre os participantes desses grupos, com quem consigo interagir com urbanidade, pergunto por que não destacam realizações e pensamentos do seu candidato. As respostas são estrábicas. A rotina diária é a mesma e sempre compulsiva: polarização de sentimentos doentios.

Digo-lhe: torço que a eleição possa promover armistício, aplacar esse ódio coletivo, instigar recomposição de amizades, sarar famílias e pacificar o país.

Mas, duvido.

Seja lá quem vença, seguiremos vítimas da intolerância, movidos pelo “nós contra eles.”

Doentes.

Carlos Santos é fundador e editor do Canal BCS (Blog Carlos Santos)

Amizades e saúde mental

Estou seguindo à risca um objetivo para esse período asfixiante de campanha eleitoral doentia, carregada de ódio e fanatismo: preservar amizades e minha saúde mental.

Se não der a primeira, quero assegurar a segunda.

Tudo passa!

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A intolerância incurável e a normalidade do ódio

medo, prisão, ódio, tensão, angústia, correntes, portaSegundo um campo da psicanálise, a intolerância é “incurável”. Porém, pode ser controlada.

Alojado em vários grupos de WhatsApp com tendências bolsonarista ou lulista, não coloco em dúvida essa corrente de pensamento, a partir do que testemunho passivamente. Menino, eu vejo.

A frequência com que cada lado vomita impropérios e despeja conteúdo contra o opositor, é revelador do vínculo umbilical entre ambos. Há maior prazer em insultar o ídolo alheio do que exaltar seu amo.

O oposto do amor é o ódio? Vários pensadores asseguram que não. Seria a indiferença.

Como leigo no tema, diletante no conhecimento cientificista, mas metódico na observação em considerável tempo de vida, raciocínio que o indiferente não é alguém imune ou liberto de quem odiou ou odeia. Apenas superou a dominação.

O intolerante está doente.

Se incurável, que cada um pelo menos consiga administrar sua normalidade.

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A morte da cordialidade

Foto ilustrativa
Foto ilustrativa

Quanta gente tem-me surpreendido ao vivo e virtualmente nos últimos anos.

Constatamos a morte da cordialidade em família e sociedade.

Surtos de cultura artificial, profundo desconhecimento sobre tudo, fanatismo e ódio, acuaram a civilidade e o bom senso.

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Um Brasil finalmente unido

Rayssa Leal faz uma manobra na final (Foto: Ezra Shaw-Getty Images)
Rayssa Leal faz uma manobra na final (Foto: Ezra Shaw-Getty Images)

Bom saber que nessa madrugada, o Brasil finalmente se uniu, deixando de lado a estupidez, as fake news, fanatismo e ódio.

Torceu pela menina skatista Rayssa Leal, 13 anos, Prata nas Olimpíadas de Tóquio.

Meninos eu não vi, mas gostei demais.

Viva a maranhense Rayssa!

Saiba mais sobre essa vitória gigante clicando AQUI.

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Candidato a vice-prefeito é denunciado por divulgar fake news

O Ministério Público Federal (MPF) apresentou uma Ação Civil Pública (ACP) contra o ex-candidato a deputado estadual e candidato a vice-prefeito de Mossoró, Daniel Sampaio (PSL). Ele teria divulgado notícias falsas – as chamadas fake news – envolvendo a Universidade Federal Rural do Semi-árido (UFERSA), alunos de forma generalizada, e demais universidades federais.

Daniel deu entrevista ao programa Cenário Político da TCM; ele é candidato a vice-prefeito (Foto: reprodução)

Em entrevista à TV Cabo Mossoró (TCM), programa Cenário Político, dia 7 de maio de 2019, “ele acusou falsamente essas instituições de não prestarem conta dos recursos recebidos, de promover o vício em drogas entre os alunos e ainda tratou com preconceito os estudantes que usam tatuagens”.

O MPF alerta que essas informações falsas prejudicam a imagem não só das instituições, como de todos os profissionais por elas formados, e requer do réu o pagamento de indenização em danos morais coletivos no valor de R$ 500 mil.

Difamação, preconceito, ódio e intolerância

“A afirmação do réu é difamatória e preconceituosa e não corresponde à realidade dos professores e alunos”, enfatizam os procuradores da República Emanuel Ferreira e Fernando Rocha, autores da ACP, para quem a omissão diante desse tipo de comportamento estimularia novas manifestações de ódio e de intolerância, passando longe da legítima liberdade de expressão.

“Eu como médico psiquiatra estou acompanhando os alunos que estão saindo das universidades federais, e acompanho jovens que entraram na universidade com sonhos e estão saindo com tatuagens, dependências químicas, principalmente em álcool e maconha, doenças mentais graves. Isso é um alerta aos pais: se minha filha fosse aprovada numa universidade federal, eu não deixaria ela cursar”. (Daniel Sampaio)

Na oportunidade, ele ainda considerou “esquisita” as manifestações culturais desenvolvidas na universidade e alegou que muitos alunos entram nessas instituições “sem nenhuma dependência química, sem nenhuma tatuagem e estão saindo cheios de tatuagens com dependências químicas”, resultando em doenças mentais graves. Atribuiu ainda às universidades o aumento dos casos de suicídio entre jovens.

Ufersa reage

A Ufersa lembrou ao psiquiatra, que “os transtornos mentais e do comportamento têm origem e desenvolvimento multicausais, dada a influência dos fatores sociais, culturais, genéticos, neurobiológicos e psicológicos”, não sendo obviamente resultado de um único fator, muito menos da frequência a uma universidade federal.

Para o MPF, as declarações do ex-candidato mostram – além de preconceito e desconhecimento – uma visão autoritária de cultura que admite somente uma visão de mundo possível, a do próprio réu, a respeito de uma esfera de ensino público no qual devem vigorar o pluralismo de ideias, a vedação da censura e a proteção à liberdade de expressão.

Daniel é médico psiquiatra, originário de Fortaleza, 45 anos, presidente estadual do PSL e candidato a vice-prefeito da ex-prefeita Cláudia Regina (DEM) – veja AQUI e AQUI.

Acesse e baixe AQUI a íntegra da ação.

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Em tempos de pós-verdade

Por Francisco Edilson Leite Pinto Júnior

Em tempos de “Pós-Verdade”, onde  os fatos objetivos têm menos influência que os apelos às emoções e às crenças pessoais, nada mais atual do que ler o livro do escritor e estudioso digital Gil Giardelli:

– “Nesse mundo em rede, podemos estar solitários, mas jamais estaremos sozinhos. São dezenas de amigos em seu Inbox, Messenger, Facebook, Twitter, Foursquare, Blog, Instagram, Pinterest… Contudo, passamos a viver em uma zona de neblina entre a vida real e a virtual (…)

– “O mundo on-line parece um grande palco de teatro de espelhos, no qual o tímido se torna extrovertido, o calmo se torna visceral, o rude se torna romântico. A inconveniência da verdade é criar um alter ego digital acima da lei, viver uma vida paralela completamente diferente da real (…)

– “Quando você dá sua opinião, curte, divulga, comenta, segue, lê, escreve, redireciona, divide, fala sobre e faz mais gente saber sobre algo, usando os recursos digitais, já está compartilhando. Sua existência digital, sua reputação, é medida pelo que você COMPARTILHA, pelo quanto influencia os outros e pelo modo como faz a diferença no mundo (…)

– “Eu amo a internet, vanguardista e revolucionária, que tem como principal e mais vantajosa característica a pura e simples liberdade de expressão. A ideia de que todo progresso tem seu preço talvez seja tão velha quanto a invenção da roda e o primeiro acidente por ela provocado. E o preço da internet é que ela potencializa e amplifica tudo, inclusive a idiotice”…

Pois bem, se comecei com o livro do Gil Giardelli, vou terminar agora fazendo uma advertência do sempre atual Nelson Rodrigues:

– “Os idiotas vão tomar conta do mundo; não pela capacidade, mas pela quantidade. Eles são muitos”…E como são muitos os idiotas que passam o dia fazendo Fake News, distribuindo ódio e amargura pelo mundo, só porque não conseguem amar a si mesmo e nem amar ao próximo… “Ó tempos, ó costumes” (Cícero, orador romano).

Que o Brasil acorde, antes que seja tarde demais…

Francisco Edilson Leite Pinto Júnior é professor, médico e escritor

Uma frase rancorosa murmurada ao celular

Mossoró, 19 de fevereiro de 2019 (última quarta-feira).

Câmara Municipal de Mossoró:

Ele vai pagar tudo que fez a…!

Frase murmurada ao celular por uma pessoa integrante da bancada governista, logo após aprovação de parecer (veja AQUI) pela reprovação de contas do exercício 2016, último da gestão do ex-prefeito Francisco José Júnior.

Leia tambémFrancisco José Jr. e um julgamento político sob encomenda;

Leia também: Ex-prefeito se diz vítima de manobra de grupo de Rosalba.

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“É o governo do ócio, do ódio e do negócio”

Em sua estada em Mossoró na última segunda-feira, o jornalista e escritor Vicente Serejo relembrou seus tempos de Diário de Natal  (o maior jornal impresso que o RN já teve).

Em palestra no Teatro Municipal Dix-huit Rosado, focado no tema “Vingt-un: Uma militância Editorial”, em que tratou sobre a vasta produção de livros e plaquetes da “Coleção Mossoroense”, Serejo pegou um atalho para a política.

Citou manchete que emplacou, a partir de entrevista com o então deputado federal Vingt Rosado, que resolveu romper com o primo Tarcísio Maia e definiu assim a gestão dele:

– “É o governo do ócio, do ódio e do negócio”.

O que diria Vingt hoje, espiando o cenário político de Natal a Mossoró?

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Graças à Internet, “facilitamos muito para quem odeia”

Da BBB Brasil (Por Néli Pereira)

Historiador e um dos palestrantes mais requisitados do país atualmente, Leandro Karnal diz que o discurso de ódio sempre existiu nas sociedades mas chama a atenção para a facilidade com que ele se propaga, hoje, graças à internet.

“Hoje é um clique e um site, com muitas imagens. Facilitamos muito para quem odeia. O ódio tem imenso poder retórico. Ele sempre existiu. Agora, existe este ódio prêt-à-porter, pronto, onde você se serve à la carte e pega seu prato preferido”, disse ele à BBC Brasil.

Leandro Karnal afirma que o 'ódio é o mais poderoso opiáceo já criado' (Foto: divulgação)

Mas apesar da maior facilidade, hoje, de propagação do discurso de intolerância, o professor de história da Universidade Estadual de Campinas diz que “os mais sólidos preconceitos e violências humanos são muito anteriores à globalização”.

Leia abaixo trechos da entrevista:

BBC Brasil – Uma das suas frases que mais viralizou e foi repetida em 2016 diz que “não existe país com governo corrupto e população honesta”. O sr. acha que a população não se enxerga como responsável também pelo processo de corrupção?

Leandro Karnal – Característica nossa e da humanidade: excluir da parte negativa da equação o pronome pessoal reto EU. Em nenhum momento quis dizer que todos nós, brasileiros, somos corruptos, mas que a corrupção é algo forte na política e que a política é uma das camadas constituidoras do todo social, como um mil-folhas.

A política não é descolada da sociedade, mas nasce e volta ao mundo que a gerou. Os políticos são eleitos por nós. Denúncias são feitas e o político é reeleito. Seria coisa de grotões?

De forma alguma, eu me refiro também aos grandes centros urbanos. A expressão rouba mas faz não nasceu no sertão mas na maior e mais rica cidade do país. Meu alunos costumavam assinar lista de presença por colegas e, depois, ir a uma passeata contra corrupção na política.

A mudança não pode ser somente numa etapa do processo. Se você usa – a metáfora é importante – um lava-jato para limpar seu carro e a estrada continua sendo de terra batida, você precisará de uma nova lavagem todos os dias.

BBC Brasil – Mas de certa forma, responsabilizar a população pela corrupção da classe política pode parecer culpar a sociedade pelos erros cometidos pela elite governista, não?

Karnal – O que eu desejo sempre afirmar é que não existe uma elite separada do todo. Um político ladrão deve ser preso e devolver o que roubou. A culpa é dele e só dele. Mas, se queremos um novo país, devemos discutir na base, na educação, na família, na fila do aeroporto e em todos os campos para uma sociedade mais ética.

BBC Brasil – Nesse sentido, é a desigualdade mesmo nosso maior problema?

Karnal – A desigualdade é a base do problema e colabora para a má formação escolar. Uma sociedade que seja desigual já é um problema, mas uma que não educa nega a chance de corrigir a desigualdade. Como sempre, educação escolar básica é a chave da transformação.

Mudar isto muda tudo, como vimos no Japão e na Coreia do Sul após a guerra. Educação é músculo e osso, limpeza ética do Senado é maquiagem, mesmo quando necessária, como toda maquiagem, passageira.

BBC Brasil – Tivemos nesse fim de ano o episódio do ambulante morto a pancadas após defender uma transexual, também tivemos uma chacina em Campinas na qual o autor deixou uma carta criticando o feminismo. O que explica essa intolerância – racial, de gênero, de classe -, e de que forma ela pode ser combatida?

Karnal – Sempre existiu este ódio que flui por todos os lados. Não é fácil existir e acumular fracassos, dores, solidão, questões sexuais, desafetos e uma sensação de que a vida é injusta conosco. O mais fácil é a transposição para terceiros.

Um homem fracassa no seu projeto amoroso. O que é mais fácil? Culpar o feminismo ou a si? A resposta é fácil. Tenho certeza absoluta de que o autor do crime não era um leitor de Simone de Beauvoir ou Betty Friedan. Era um leitor de jargões, de frases feitas, de pensamento plástico e curto que se adaptava a sua dor.

Esses slogans são eficazes: “toda feminista precisa de um macho”, “os gays estão dominando o mundo”, “sem terra é tudo vagabundo”. Curtos, cheios de bílis, carregados de dor, os slogans entram no raso córtex cerebral do que tem medo e serve como muleta eficaz.

No cérebro rarefeito a explicação surge como uma luz e dirige o ódio para fora. Se não houvesse feminismo, o assassino continuaria sendo o fracassado patético que sempre foi, mas agora ele sabe que seu fracasso nasceu das feministas e ele não tem culpa. Isto é o mais poderoso opiáceo já criado: o ódio.

BBC Brasil – De que forma as redes sociais acabaram potencializando essa intolerância e esse discurso de ódio. Eles são reflexo da nossa sociedade ou acabam estimulando os comportamentos mais intolerantes e polarizados?

Karnal – Antes era preciso ler livros para criar estes ódios. Mesmo para um homem médio da década de 1930, ele precisava comprar o Mein Kampf de Hitler e percorrer suas páginas mal redigidas. Ao final, seus vagos temores antissemitas era embasados numa nova literatura com exemplos e que fazia sentido no seu universo. Mesmo assim, havia um custo: um livro.

Hoje é um clique e um site, com muitas imagens. Facilitamos muito para quem odeia. O ódio tem imenso poder retórico. Ele sempre existiu. Agora, existe este ódio prêt-à-porter, pronto, onde você se serve à la carte e pega seu prato preferido.

Exemplo? Uma pessoa me disse: “Quem descumpre a lei deveria ser fuzilado! Bandido deveria ser executado”. Eu argumentei: “Pela sua lógica, descumprimento da lei merece pena capital. Como a lei brasileira proíbe a pena capital, você está defendo crime e incitação ao crime, na sua lógica, deveria ser punida com pena de morte.”

Era uma maneira socrática de argumentar a contradição do enunciado. O caro leitor pode supor que a resposta do indivíduo não foi socrática nem platônica.

BBC Brasil – Pensando num contexto geral, a globalização deu errado? Com esse discurso de fechar fronteiras, de medidas protecionistas…Estamos vivendo um retrocesso, um avanço ou uma estagnação?

Karnal – Não havia um mundo harmônico e feliz antes, e não existe agora. O que varia em história é como produzimos a dor. Nosso método atual mudou este método. Os mais sólidos preconceitos e violências humanos são muito anteriores à globalização.

BBC Brasil – Para muitos, 2016 foi um ano marcado pelo avanço de forças conservadoras. Em 2017, haverá eleições na França e na Alemanha, com os partidos de extrema-direita em ascensão. O que vem pela frente?

Karnal – Difícil falar de futuro para um historiador, profissional do passado. A tendência é de uma onda conservadora por alguns anos em quase todos os lugares. Provavelmente, seguindo o que houve antes, depois de experimentar candidatos conservadores que prometem o paraíso e não vão conseguir, os eleitores estarão de novo inclinados a candidatos de outro perfil que oferecerão o paraíso.

As coisas mudam, mas não mudam porque o presidente usa topete ou é conservador. Presidente democratas estavam no poder com Kennedy e Johnson e a violência racial chegou ao ponto máximo. No período Obama, muitos policiais mataram muitos negros, tendo um presidente negro no poder. Então, de novo, não estamos abandonando um paraíso e ingressando no inferno.

BBC Brasil – O dicionário Oxford escolheu “pós-verdade” como palavra do ano de 2016. A definição é “circunstâncias em que os fatos objetivos têm menos influência sobre a opinião pública do que apelos à emoção e a crenças pessoais”. O conceito é de que a verdade perdeu o valor, e acreditamos não nos fatos, mas no que queremos acreditar que é verdade. Qual sua avaliação sobre essa “nova era” e novo comportamento, que acaba reforçado pelas redes sociais?

Karnal – Sempre fomos estruturalmente mentirosos em todos os campos humanos. A mudança é que antes se mentia e se sabia a diferença entre mentira e verdade, hoje este campo foi esgarçado. O problema talvez seja de critério. Com a ascensão absoluta do indivíduo, o que ele considerar verdade será para ele.

Perdemos um pouco da sociologia da verdade, ou de um critério mais amplo de validação do verdadeiro. No século 18 era o Iluminismo: o método racional que tornava algo aceito como verdade. No 19, foi a ciência e o método empírico para distinguir falso de verdadeiro.

Hoje o critério é a vontade individual. “A água ferve a 100 graus centígrados ao nível do mar”. Verdade? A resposta seria diferente no (século) 19 e hoje.

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As lições que não aprendemos em 2012

Tem gente que não aprendeu com a campanha de 2012 e o pós-urnas.

Redes sociais repetem ódio, confrontos.

Depois vem as frustrações, arrependimentos.

No andar de cima, “até o ódio é falso”, repito o grande orador/político/escritor Carlos Lacerda.

E, se existir, a maioria deles não tem qualquer constrangimento em ser hipócrita, para galgar seus objetivos, fazendo as pazes de mentirinha.

No andar de baixo, não.

Fica a malquerença, a antipatia injustificável, o ressentimento bobo ou a odiosidade cega.

Por qual motivo mesmo?

Em nome do quê?

Deixa de ser imbecil.

Enquanto eles tomam vinhos finos, gargalhando, você carrancudo se entorpece de rancor por nada.

Cuide do que realmente é importante: família, saúde, amigos, trabalho, seu eu.

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Fábio Faria pede paz e desestimula ódio em redes sociais

O deputado federal Fábio Faria (PSD) fez um desabafo em endereço próprio nas redes sociais, agora à noite.

Em tom professoral, recomendou a algumas pessoas – sem citar nomes – pediu equilíbrio em vez de ódio.

– Ao invés de estimular intrigas, ódio ou destilar um veneno para receber um parabéns pelo WhatsApp, vocês podem muito mais que isso disse.

– Respeito o trabalho e a amizade de cada um. Não podemos ser servos de pessoas inconformadas. Temos que desestimular o ódio e estimular a Paz – acrescentou.

Faria manifesta-se em meio à debate acirrado nas redes sociais em relação à interdição da Festa do Boi, promovida pela Associação dos Criadores (ANORC) com apoio do Governo do Estado.

Para o parlamentar, que também é filho do governador Robinson Faria (PSD), há uma campanha frenética contra o governismo, com conotação meramente politiqueira.

Robinson, também nas redes sociais, já tinha desabafado: “Comemorar a decisão de interditar a Festa do Boi é tornar público o ódio, o desespero e o desprezo ao povo. Confio na justiça como defensora do interesse público.”

Ostracismo e ódio falso na “mídia palaciana”

Constatação: a chamada “mídia palaciana”, em Mossoró, é realmente palaciana.

Como gato, gosta da casa e não necessariamente do dono da casa.

Já deu as costas para a prefeita cassada e afastada Cláudia Regina (DEM).

Prioridade mesmo é o inquilino da vez do Palácio da Resistência, seja ele quem for.

Não fossem as redes sociais com alguns de seus ex-auxiliares e escassos militantes mais sectários, cada dia em menor número, Cláudia teria sumido de vez.

Contudo se ela volta ao poder… muda tudo. Tudo volta a ser como antes.

Carlos respeitava "DBS"
Lacerda: constatação

Os “jagunços” da mídia não têm amigos, mas contratantes. São caudatários do poderoso de ocasião.

Desconhecem a gratidão.

Não sobrevivem sem o “soldo”.

Além de sentenciada duramente na Justiça Eleitoral, a prefeita cassada e afastada luta contra a pior das condenações: o ostracismo.

O isolamento “aparece” de forma mais visível no silêncio ensurdecedor.

É um tempo, mesmo assim, que oferta oportunidade para reflexão quanto ao poder, o ser humano e o próprio eu. Não é tempo perdido.

Hora de balanço sobre o que vale e não vale a pena.

Chance de lembrar uma frase proferida há mais de 50 anos, no Congresso Nacional, pelo então deputado federal do extinto estado da Guanabara, o brilhante escritor e jornalista Carlos Lacerda:

– Aqui, senhores, até o ódio é falso!

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Radicalismo de verdade e a pobreza do ódio virtual

A política de Mossoró chegou ao subsolo da pobreza nesses tempos.

Boa parte das amizades é comprada e até os lampejos de ódio são falsos.

Mudam de lado e de alvo, ao sabor do vento. Ou de certa brisa.

Trocam de senhores, sem que deixem de ser vassalos, com joelhos encardidos pela servidão voluntária.

Saudades da época do radicalismo de verdade, em que era fácil encontrar a espontaneidade dos gestos, cores, sons e brados sinalizando quem era quem de verdade.

Verde era verde; encarnado era encarnado.

Tínhamos lado e forma.

Hoje, quase tudo é virtual. Parece… mas não é.

Desconfio dos vitupérios e não levo em conta as paixões.

A política de Mossoró é difícil de ser levada a sério num simples jornal, porque do seu Expediente à data, tudo parece falso e revela forte odor de perfídia.

Ainda bem que sobra o horóscopo.