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O coração ainda bate

Por Odemirton Filho

Arte ilustrativa
Arte ilustrativa

Certa vez, lá na cidade de Areia Branca, cheguei à casa de uma senhora e bati à porta. Ela estava escutando música gospel, “nas alturas”, e tive que esperar o intervalo entre uma música e outra para chamá-la novamente. A senhora, então, veio me atender, mas não abriu a porta. Identifiquei-me. Disse-lhe que era oficial de Justiça e estava à procura de fulano de tal. Pelas rótulas, ela disse que a pessoa que eu estava procurando não morava naquele endereço.

Contudo, após agradecer pela informação, o que me espantou foi o seu choro compulsivo. Perguntei se estava tudo bem, a qual respondeu que sim, estava apenas pensando na vida e chorando. O que aquela senhora estava a enfrentar? Só Deus sabe. Cada um de nós, diariamente trava uma batalha interior renhida. São tantas dificuldades que a alma, às vezes, transborda lágrimas.

No cotidiano do meu ofício é comum encontrar situações, as quais me deixam comovido. Muitos aproveitam a minha presença para desabafar. Falam que o pai não quer pagar a pensão da criança, que dá uma “mixaria” e acha que está “abafando”. Outros, alegam que não pagaram a dívida, pois estão atravessando uma difícil situação financeira. Já fui recepcionado por pessoas arrogantes, mas, doutro lado, também já presenciei homens e mulheres com os olhos marejados.

Uma vez, tive que proceder à busca e apreensão de um veículo, o qual era usado por um cidadão para fazer a linha entre Areia Branca e Mossoró. Disse-me que atrasou as prestações do carro, pois somente conseguia fazer uma ou duas corridas por dia. Percebi que, ao retirar os seus pertences de dentro do automóvel, ele ficou cabisbaixo. Creio que deve ter pensado: como ganhar o pão a partir daquele momento?

Sabemos que há má-fé aqui e ali. Muitas pessoas, por exemplo, vendem o carro, e o comprador não transfere a titularidade junto ao Detran, cometendo várias infrações de trânsito e, por conseguinte, uma enxurrada de multas. E há os maus pagadores, os que vivem de dar golpes, aqueles que dão o passo maior que a pena e depois ficam “aperreados”. Nessa vida, existe de tudo e mais um pouco.

Assim, apesar de cumprir os mandados judiciais sem questionar a justiça ou a injustiça das decisões, pois não me cabe, compadeço-me diante da fragilidade e dificuldades humanas. Graças a Deus, o coração ainda bate.

Odemirton Filho é colaborador do Blog Carlos Santos

Pela estrada afora

Por Odemirton Filho

Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS
Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

O tempo, como se diz, voa. Anda a galope. Passa tão rápido que não percebemos. Eu, por exemplo, há vinte anos trabalho na região da Costa Branca, entre as cidades de Tibau, Grossos, Areia Branca e Porto do Mangue.

Aproveito o ensejo para apreciar as lindas praias do nosso litoral. Por outro lado, visito o “sovaco da cobra”, em Grossos; o Mocó, em Areia Branca; o assentamento Brilho do Sol, em Porto do Mangue.

No meu mister de oficial de diligências, já me deparei com inúmeras situações agradáveis e desagradáveis. Ninguém, ou quase ninguém, gosta de receber em sua casa um Oficial de Justiça com um mandado judicial. Às vezes, são diligências simples, como a intimação de uma sentença ou para comparecer a uma audiência.

Outras vezes, no entanto, as diligências são executórias, como uma penhora de bens, busca e apreensão de veículos, uma reintegração de posse ou a guarda de um menor de idade. São atos processuais mais complexos, os quais exigem cautela no seu cumprimento.

Infelizmente, a maioria das pessoas não entende o trabalho do oficial de Justiça, age com desrespeito e, em alguns momentos, com agressividade. Não entende que apenas cumprimos as ordens judiciais, não nos cabendo emitir juízo de valor sobre a justiça ou a injustiça das decisões.

Entretanto, até aqui, nos ajudou o Senhor. Raramente eu encontrei uma situação mais delicada, que exigiu um posicionamento firme. Nesses casos, sempre contei com o inestimável apoio da nossa gloriosa Polícia Militar.

É claro que existem situações hilárias e delicadas, como correr por medo de um cachorro; meter o pé na lama, subir e descer dunas sob um sol escaldante, percorrer ruas e becos sem saída. Além disso, é comum encontrar pessoas que aproveitam para desabafar sobre os seus problemas, sobre um filho ou neto que estão envolvidos com as drogas.

Um dia desses, lá pra bandas da cidade de Porto do Mangue, conversei com uma mãe que perdeu dois filhos, ambos envolvidos com o mundo da criminalidade. Ela chorou. Eu, que ainda sou feito de carne, osso e, principalmente, de coração, fiquei emocionado.

Ainda tenho sonhos? Sim, tenho, pois “os sonhos não envelhecem”. Contudo, “viver é melhor que sonhar”. A maturidade me trouxe a certeza que ser feliz é fazer o que se gosta e estar ao lado de quem amamos. Simples assim.

Pois é, o tempo passou, e eu tive que me adaptar às mudanças. Fomos do processo físico ao Processo Judicial Eletrônico (PJE), das intimações pessoais as intimações por meio do aplicativo WhatsApp, das audiências presenciais as audiências por videoconferência.

E, talvez, ainda tenha um longo tempo pela estrada afora. Por isso, rogo ao bom Deus para que continue a ser a minha proteção e companhia nessas andanças.

Odemirton Filho é colaborador do Blog Carlos Santos

Sobre causos e diligências

Por Odemirton Filho

Foto ilustrativa
Foto ilustrativa

No último domingo, o editor deste Blog publicou uma crônica sobre a visita de um oficial de Justiça em sua residência (veja AQUI). Segundo ele, à época da publicação do texto, estava acostumado a receber esses servidores públicos em sua casa, o fazendo com a educação que qualquer pessoa merece.

Pois bem. Lembrei-me do dia a dia do nosso ofício, dos perrengues que atravessamos para cumprir algumas diligências. Há, infelizmente, uma falsa ideia que o oficial de Justiça somente leva notícias ruins. Todavia, apenas cumprimos as determinações judiciais para fazer valer o que foi decidido pelos magistrados. Quem “ganhou a ação” fica feliz com nossa visita, quem a perdeu, não. É natural.

Entretanto, nesta crônica, pretendo falar sobre alguns causos e diligências. Aqui ou acolá acontecem situações que depois nos fazem rir. Eu, por exemplo, já tive que fechar rapidamente uma porteira de uma fazenda, pois um boi “cismou” e veio em minha direção. Outro dia, uma senhora conhecida por ser “desbocada”, disse-me que não tinha bens para serem penhorados, e mandou que eu penhorasse as suas partes íntimas.

Existem aqueles que pedem para eu dizer que não os encontrei. Já subi dunas, andei por ruas enlameadas, atolei o carro, percorri assentamentos de difícil acesso, tive que empurrar o carro da polícia que “deu o prego”, com um preso sendo conduzido na viatura.

Às vezes, algumas pessoas ao serem abordadas perguntam “o que estão devendo à Justiça”, fazendo cara de poucos amigos. Há pessoas que “passam mal”, ficam nervosas, quase sem voz. Em alguns casos, já aconteceu dos intimandos serem levados de ambulância para o hospital.

Contudo, bom que se diga, nem sempre é tranquilo. Dia desses, um colega oficial de Justiça foi agredido, tendo que se abrigar em uma casa próxima enquanto esperava a polícia comparecer ao local para acompanhá-lo. Há, também, diligências mais complexas e delicadas, como a reintegração de posse de um imóvel, a busca e apreensão de veículos, a penhora de bens e a guarda do filho menor de idade, por vezes, sendo necessário retirar a criança dos braços do pai ou da mãe.

Recentemente, uma senhora fechou a cara quando me viu chegar a sua casa. Porém, quando eu lhe disse que era uma intimação para receber uma quantia em dinheiro, por meio de um alvará judicial, abriu um sorriso e me ofereceu até café com bolachas.

Existem outras situações hilárias que aconteceram comigo e outros colegas. Quem sabe, volto a mencionar em outra oportunidade. Além disso, há os bons e maus profissionais, como em toda e qualquer atividade. Faz parte.

Enfim. Mas feliz, feliz mesmo, é o colega oficial de Justiça Otacílio, sempre recebido com todo apreço pelo editor deste Blog.

Valeu, Carlos Santos!

Odemirton Filho é bacharel em Direito e oficial de Justiça

Um oficial de Justiça (amigo) em minha porta

Batendo à porta, porta,Por Carlos Santos

Mais uma vez tenho um oficial de justiça à minha porta. A batida ao portão, com o punho cerrado e em sequência tonitruante, não me deixa dúvida. Pergunto só para conferir mesmo:

– Quem é?

– Sou eu, Carlos Santos. É Otacílio, oficial de Justiça.

Nem precisava a declaração oficial.

O “toque” de Otacílio é personalíssimo.

Tomo a liberdade, para não atrasá-lo, de sair em trajes quase sumários, com meu físico de pintassilgo resfriado, pernas de talo de coentro à mostra.

Uso apenas uma toalha contornando a cintura, dorso “atlético” à exibição, como um gladiador apolíneo, espécie de deus grego do semi-árido.

Tenho essa naturalidade, em face da frequência com que os oficiais de justiça aportam aqui em meu muquifo, sempre trazendo citações e intimações da patota que está no poder e, que, não é do ramo.

Pelo menos do ramo de governar, que se diga.

Suas manoplas têm outras habilidades.

Bem, mas voltemos ao ponto central desta prosa.

Surpreendi-me. Nem intimação nem citação.

O amigo Otacílio, de manhã ainda cedo, pede desculpas pelo suposto incômodo. Quer apenas uma informação sobre outra pessoa a ser citada judicialmente. Oriento-lhe, ajudo-o. E, lógico, coloco-me sempre à disposição para esse ou outro fim ao meu alcance.

Como jurisdicionado, até cobro tratamento diferenciado, pois me considero o melhor por essas plagas, sem nunca me esconder ou colocar qualquer embaraço ao prosseguimento processual, desde a simples citação.

Dessa vez, na pressa não deu para oferecer pelo menos um copo com água ao Otacílio. Mais não posso. A geladeira parece um chafariz: só tem água.

Fica para uma próxima.

– Volte sempre – intimei ao me despedir.

Carlos Santos é editor e criador do Blog Carlos Santos (Canal BCS) e autor dos livros “Só Rindo – A política do bom humor do palanque aos bastidores” (I e II)

*Texto originalmente publicado no dia 20 de maio de 2011, quando eu era soterrado por dezenas de processos judiciais originários de um mesmo grupo político local.

Ação contra Rosalba dorme há quatro meses na ‘gaveta’ da Justiça

Há exatos quatro meses hiberna como se fosse um rotundo urso polar, em alguma “gaveta virtual” da Secretaria Judiciária potiguar, a Ação Civil de Improbidade Administrativa nº. 0860384-32.2019.8.20.500. E de lá não sai. Foi movida pela 60ª Promotoria de Justiça de Natal em desfavor da ex-governadora Rosalba Cialini (PP) e do ex-secretário de Estado do Planejamento e Finanças Francisco Obery Rodrigues Júnior.

Ao lado do marido Carlos Augusto, Rosalba aparece na foto em uma viagem internacional (Foto: arquivo)
Ao lado do marido Carlos Augusto, Rosalba aparece na foto em uma viagem internacional (Foto: arquivo)

A ação, que traz denúncia de “Improbidade Administrativa, Dano ao Erário e Violação aos Princípios Administrativos” durante a gestão da então governadora Rosalba Cialini no Governo do RN (2011-2014) – portanto há quase dez anos, foi protocolada em dezembro de 2019. Ufa!

Está assinada por cinco promotores de Justiça, após demorado inquérito civil público. Tramita sob a titularidade do juiz Cícero Martins de Macedo Filho, da 4ª Vara da Fazenda Pública do Natal.

Até agora, os dois demandados não foram localizados para serem notificados, ou seja, tomarem conhecimento formal da ação e apresentarem contestação.

A última movimentação processual data de 16 de novembro de 2021, quando um oficial de Justiça em Mossoró devolveu o mandado sem este ter sido entregue ao destinatário, no caso, a ex-governadora Rosalba Ciarlini. Simplesmente foi impossível à Justiça do RN localizá-la nos endereços informados. Em Natal, Obery Júnior é outro que ninguém sabe, ninguém viu.

Esconde-esconde 

O jogo de esconde-esconde começou no dia 11 de novembro de 2021 (veja AQUI). Oficial de Justiça deu a largada em périplo por endereços os mais improváveis possíveis até chegar naqueles onde ela, realmente, reside episodicamente ou de modo regular. Exemplo: Condomínio Varandas do Nascente, apartamento 801 B, Rua Dalton Cunha, número 1003, CEP 59.611-270, bairro Abolição I – Mossoró.

Porém, de lá pra cá o processo não teve mais nenhuma movimentação. O juiz natural nem ao menos foi comunicado da certidão do oficial de Justiça, que no dia 16 de novembro concluiu as diligências (veja AQUI o relatório na íntegra).

Não é a primeira vez que Rosalba se torna invisível. Como jurisdicionada, precisa ser estudada pela física e sensitivos. Ou no mínimo, indiretamente, pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), como um case de insucesso judicial.

Respondendo a dezenas de ações judiciais, a inencontrável e ‘incondenável’ Rosalba chegou a ficar cerca de um ano e dois meses ‘desaparecida’ aos olhos do judiciário do RN. A ‘melada’ foi para evitar tomar ciência de movimento processual em que é denunciada por desvio de cerca de R$ 12 milhões do Hospital da Mulher Parteira Maria Correia, em Mossoró (veja AQUI).

Aconteceu após o fim do seu mandato de governadora (concluído em 2014) e antes da posse como prefeita em janeiro de 2017. Até então, ela possuía o foro privilegiado a seu favor, espécie de ‘câmara fria‘ de processos contra políticos influentes.

Será que agora a “Rosa” bate o próprio recorde? Veremos.

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Sumida aos olhos da lei, Rosalba reaparece como ‘prefeita’ em evento

A ex-prefeita e ex-governadora Rosalba Ciarlini (PP), 69, finalmente reapareceu. Desembarcou na sede do Progressistas em Natal, à rua Rodolfo Garcia, 1965 – Lagoa Nova – Natal/RN, nessa quinta-feira (18).

Participou de Convenção Estadual do seu partido, sendo até apresentada equivocadamente como “prefeita” de Mossoró.

Em redes sociais, apresentada como "prefeita", Rosalba esteve em evento do seu partido em Natal Reprodução BCS)
Em redes sociais, apresentada como “prefeita”, Rosalba esteve em evento do seu partido em Natal Reprodução BCS)

Há cerca de duas semanas, ela passou a ser procurada pela Justiça do RN para tomar ciência de novo processo por “Improbidade Administrativa, Dano ao Erário e Violação aos Princípios Administrativos”. Remonta à época em que foi governadora (2011-2014), derivando de denúncia da 60ª Promotoria de Defesa do Patrimônio Público da Comarca de Natal.

Mas, na terça-feira (16), oficial de Justiça designado para notificá-la quanto ao processo sob número 0860384-32.2019.8.20.5001, que ‘repousa’ na 4ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Natal, acabou encerrando diligências, remetendo notificação à comarca da capital.

Sumiu

Em nenhum endereço residencial ou de trabalho em Mossoró e Tibau, ela chegou a ser encontrada. Veja AQUI matéria sobre o assunto, em que consta reprodução na íntegra da “certidão de mandado cumprido com ato negativo“. A “Rosa” simplesmente sumiu.

Na verdade, ela reside com o marido e ex-deputado estadual Carlos Augusto Rosado e seu filho e ex-marqueteiro Cadu Ciarlini, à Rua Dalton Cunha, 1003, Abolição I, apartamento 801-B, Condomínio Varandas do Nascente. O imóvel fica a poucos metros da sede da TV Cabo Mossoró (TCM-Telecom).

A ex-prefeita está nesse apartamento há mais de um ano, tendo se mudado ainda em período anterior à campanha eleitoral de 2020. Não faltam fotos em redes sociais com ela no condomínio, até mesmo desfrutando de piscina.

Oficial de Justiça chegou a estar no local na última terça-feira, porém foi informado à portaria que ela nunca residiu no local. Desistiu.

Rosalba segue inencontrável, inotificável e incondenável pela Justiça do RN. Um feito raríssimo.

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Rosalba segue se esquivando; Justiça não consegue encontrá-la

Segue a odisseia de oficiais de Justiça do RN para conseguirem uma simples notificação da ex-governadora e ex-prefeita de Mossoró Rosalba Ciarlini (PP),69. Até aqui tem sido inúteis as tentativas de cientificá-la de mais um processo que terá de responder.

Rosalba ainda está longe do recorde na prova olímpica de 'Melada em Oficial de Justiça' (Foto: arquivo/2020)
Rosalba ainda está longe do recorde na prova olímpica de ‘Melada em Oficial de Justiça’ (Foto: arquivo/2020)

A comunicação é imprescindível em obediência aos princípios do Amplo Direito à Defesa e do Devido Processo Legal, mas ela esquiva-se de tomar ciência. Foge.

Em ‘tocaia’ há vários dias para notificá-la em Mossoró, o judiciário do RN ‘jogou a toalha’. Pelo menos por enquanto. Em diligência concluída nessa terça-feira (16), conforme pode se constatar em página de Processo Judicial Eletrônico (PJe), sob o número 0860384-32.2019.8.20.5001, do Tribunal de Justiça do RN (TJRN), é atestado que não foi possível encontrá-la.

A ‘inincontrável’ e ‘inotificável’

A Acompanhe relato recente da diligência de oficial de Justiça designado para localizar Rosalba:

“(…) Na data de 11/11/2021, por volta das 7h40min, dirigi-me ao endereço AVENIDA DOUTOR ALMIR DE ALMEIDA CASTRO, 05 – CENTRO, onde encontrei o imóvel fechado. Em contatos com colegas de profissão alguns informaram que a notificanda morou no Residencial Ivo Lopes, na esquina da Rua Antonio Vieira de Sá com a Rua Amaro Duarte. Na mesma data, por volta das 8h5min, dirigi-me ao endereço do Residencial Ivo Lopes onde fui informado pelo porteiro de que a notificanda não reside no local. Fui informado por outros colegas que a notificanda dá plantão em Mossoró, mas não souberam precisar aonde. Na mesma data, por volta das 9h10min, dirigi-me até o Hospital Regional Tarcísio Maia onde fui informado que a notificanda nunca deu plantão no local. Sugeriram que procurasse a Centro Regional de Saúde II, na Rua Dr. João Marcelino, próximo a Subestação da Cosern. Por volta das 9h30min, do mesmo dia, dirigi-me até o Centro Regional de Saúde II onde fui informado que a notificanda era funcionária da Saúde Municipal e que talvez na Secretaria de Saúde, do Centro Administrativo Prefeito Alcides Belo, pudesse dar alguma informação sobre a notificanda. Na mesma data, por volta das 9h35min, dirigi-me ao Centro Administrativo Prefeito Alcides Belo e lá chegando fui informado que a notificanda dava plantão no Hospital Rafael Fernandes e que talvez lá alguém pudesse dar alguma informação sobre o seu paradeiro. Na mesma data, por volta das 9h55min, dirigi-me ao endereço do Hospital Rafael Fernandes e lá chegando fui informado que a notificanda se aposentou e deixou de tirar plantão. Neste final de semana a blogueira Chris Alves escreveu que a notificanda poderia ser achada na RUA DALTON CUNHA, 1003 – APTO 801-B – CONDOMÍNIO VARANDAS DO NASCENTE – CEP 59.611-270 – BAIRRO ABOLIÇÃO. Na data de hoje, por volta das 7h50min, dirigi-me ao endereço RUA DALTON CUNHA, 1003 – APTO 801-B – CONDOMÍNIO VARANDAS DO NASCENTE – CEP 59.611-270 – BAIRRO ABOLIÇÃO, onde fui informado pelo porteiro do dia, Sr. Sidney, de que o endereço é residência de um filho da notificanda de nome Kadu e que a mesma mora em Natal, não sabendo precisar o endereço. Em contato telefônico com o advogado da notificanda, Dr. Anselmo Carvalho (084 99411-7599) o mesmo confirmou que a notificanda reside em Natal no seguinte endereço: AVENIDA GOVERNADOR SÍLVIO PEDROSA, 314 – EDIFÍCIO PORTO SALINAS – APTO 301 – AREIA PRETA – NATAL/RN – CEP 59.014-100. Sendo assim, DEIXO DE NOTIFICAR o(a) Sr(a). ROSALBA CIARLINi ROSADO, de todo o conteúdo da presente determinação, devolvo o expediente e fico no aguardo de novas decisões judiciais. O referido é a mais pura expressão da verdade, do que DOU FÉ

Se não surpreendê-la em Natal, a Justiça do RN ainda pode dar uma ‘incerta’ em Tibau, a 42 km de Mossoró, onde a prefeita tem uma casa. Fica localizada à Avenida Beira-mar, sem número, Centro, CEP 59.678-000. Em Mossoró, o apartamento em que seu filho Cadu Ciarlini supostamente mora, sozinho, é na verdade seu endereço mais constante há muitos meses.

Atraso salarial

Foi a 60ª Promotoria de Natal do Ministério Público do RN (MPRN) que desencadeou a Ação Civil Pública (ACP) correspondente a esse processo contra Rosalba Ciarlini, por “Improbidade Administrativa, Dano ao Erário e Violação aos Princípios Administrativos”. Além da ‘Rosa’, é réu o ex-secretário do Planejamento e Finanças Obery Rodrigues Júnior.

A demanda corre na 4ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Natal, com o valor da causa sendo estabelecido em R$ 100 mil, sendo referente à sua gestão como governadora do RN (2011-2014). “(…) Ao que tudo conduz a causa da falta de recursos financeiros para pagamento dos servidores públicos estaduais foi a utilização de recursos ordinários e referente à receita orçamentária do exercício de 2013 para pagamento de despesas que não faziam parte do orçamento”, apontou o MPRN.

‘Melada em oficial de Justiça’

Pode ser dito que a ex-governador e ex-prefeita é uma jurisdicionada incomum aos olhos da Justiça do RN: inincontrável, inotificável e incondenável.

Nesse caso específico, nada demais o esconde-esconde de poucos dias. Seu recorde olímpico na prova de ‘Melada em Oficial de Justiça’ está longe de ser batido. Ficou cerca de um ano e dois meses para ser intimada sobre um dos processos relativo à corrupção à instalação e funcionamento do Hospital da Mulher Parteira Maria Correia, em Mossoró, com prejuízos que sem atualização passariam de R$ 12 milhões.

O vácuo temporal, coincidentemente, foi em período que ficou sem mandato entre governo estadual e o quarto período como prefeita (2017-2020). Com mandato, todos os processos praticamente estacionam de vez, graças ao chamado “foro privilegiado”. “Entende?” – diria Pelé, num conhecido bordão seu.

Leia também: Justiça tenta localizar e notificar a ‘incondenável’ Rosalba Ciarlini.

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O casal de idosos e a casa de taipa

Por Odemirton Filho 

Na minha atividade profissional faz parte do trabalho ter contato com inúmeras pessoas, levando-me a “visitar” várias residências para o cumprimento de mandados judiciais.

Já “visitei” de mansões a casas simples. Uma delas, porém, marcou-me. Era uma casa de taipa, lá pela zona rural da cidade de Grossos, na qual morava um casal de idosos.Casa de taipa

Não é novidade pra ninguém. Nem todo mundo recebe de bom grado a “visita” de um oficial de Justiça. Aquele casal de idosos, ao contrário, recebeu-me de forma atenciosa e educada.

Lembro-me da pequena sala da casa de taipa. Havia latas de leite vazias com flores, uma televisão de tubo, alguns retratos antigos e duas ou três cadeiras de balanço. Na cozinha, uma mesa de madeira com uns tamboretes, uma geladeira e um fogão corroídos pelo tempo.

O “terreiro” estava impecável. Não tinha uma folha no chão, sequer. Dava gosto ver. Uma velha rede de pesca descansava sobre a cerca, como prova que muitas vezes fora lançada ao mar.

Fui convidado a sentar à mesa e tomar um café coado. Daquele dos bons. A boa conversa rendeu por um tempo. No nosso ofício é comum ouvir os fatos que deram causa à ação judicial.

A velha senhora, com os olhos marejados, falou-me um pouquinho sobre as dificuldades da vida. As “coisas” vão melhorar, disse-me com uma fé inabalável.

Após assinarem e receberem a cópia do mandado insistiram para que eu ficasse mais um pouco. Infelizmente, em razão de outros mandados para cumprir, não pude ficar. Prometi voltar outro dia para continuarmos o agradável bate-papo.

Ao me despedir, a senhora me abençoou. “Deus te proteja nos seus caminhos, meu filho”. Até hoje me lembro daquele casal de idosos que transmitia uma energia tão boa. Uma paz.

Mesmo com o pouco estudo e as dificuldades cotidianas, mostraram um fino trato que raras vezes presenciei nas minhas andanças, seja “visitando” mansões de pessoas de posses ou casas simples de gente humilde.

Eram ricos de valores que nem uma ruma de dinheiro poderia comprar.

Para mim foi uma verdadeira lição. De vida.

Odemirton Filho é bacharel em Direito e oficial de Justiça

Falece em Mossoró o oficial de justiça aposentado “Nonatinho”

Nonatinho: perda (Foto: redes sociais)

Faleceu hoje (quarta-feira, 16), às 14h30, em Mossoró, António Nonato de Oliveira, carinhosamente conhecido como “Nonatinho”.

Era oficial de Justiça aposentado, tinha 71 anos de idade e deixa esposa ( Laura Oliveira), dois filhos e dois netos.

O velório acontecerá a partir das 19h de hoje, no Centro de velório Geraldo Xavier (por trás do Museu Municipal Lauro da Escóssia).

O sepultamento ocorrerá  amanhã (quinta-feira, 17/08), às 10h, no Cemitério São Sebastião, em Mossoró/RN.

Que descanse em Paz.

Nota do Blog – Meus pêsames à família, em especial ao meu querido amigo e advogado André Luís de Oliveira, um de seus filhos.

Que tenhas o conforto, principalmente na fé, em face dessa perda.

Amém!

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Vida de político é ‘flórida’

Louvo o vigor de quem sai do sossego do seu lar e perde a privacidade para ser candidato. É muita renúncia. Eu não nasci para ser político, confesso.

Quem é candidato deixa de ter endereço próprio: seu lar vira a “casa de Noca”. Prefiro minha vida modesta.

Em meu moquiço só recebo oficiais de justiça e pessoal da Caern e Cosern.

Que a propósito, são sempre bem-vindos.

Estou mentindo, Otacílio?

Um oficial de justiça (amigo) em minha porta

Batendo à porta, porta,Mais uma vez tenho um oficial de justiça à minha porta. A batida ao portão, com o punho cerrado e em sequência tonitruante, não me deixa dúvida. Pergunto só para conferir mesmo:

– Quem é?

– Sou eu, Carlos Santos. É Otacílio, oficial de justiça.

Nem precisava a declaração oficial.

O “toque” de Otacílio é personalíssimo.

Tomo a liberdade, para não atrasá-lo, de sair em trajes quase sumários, com meu físico de pintassilgo resfriado, pernas de talo de coentro à mostra.

Uso apenas uma toalha contornando a cintura, dorso “atlético” à exibição, como um gladiador apolíneo, espécie de deus grego do semi-árido.

Tenho essa naturalidade, em face da frequência com que os oficiais de justiça aportam aqui em meu muquifo, sempre trazendo citações e intimações da patota que está no poder e, que, não é do ramo.

Pelo menos do ramo de governar, que se diga.

Suas manoplas têm outras habilidades.

Bem, mas voltemos ao ponto central desta prosa.

Surpreendi-me. Nem intimação nem citação.

O amigo Otacílio, de manhã ainda cedo, pede desculpas pelo suposto incômodo. Quer apenas uma informação sobre outra pessoa a ser citada judicialmente. Oriento-lhe, ajudo-o. E, lógico, coloco-me sempre à disposição para esse ou outro fim ao meu alcance.

Como jurisdicionado, até cobro tratamento diferenciado, pois me considero o melhor por essas plagas, sem nunca me esconder ou colocar qualquer embaraço ao prosseguimento processual, desde a simples citação.

Dessa vez, na pressa não deu para oferecer pelo menos um copo com água ao Otacílio. Mais não posso. A geladeira parece um chafariz: só tem água.

Fica para uma próxima.

– Volte sempre – intimo ao me despedir.