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Entenda o porquê do fracasso mossoroense nas urnas 2022

São muitas as teorias, em boa parte com base em preferências e repulsas, que tentam explicar o baixo desempenho de Mossoró na eleição de nomes à Assembleia Legislativa e à Câmara dos Deputados. São muitas as razões que se somam e estabelecem esse quadro desolador de 2022.

Isolda conseguiu vitória com proporção de votos bem maior fora de Mossoró (Foto: Wigna Ribeiro)
Isolda conseguiu vitória com proporção de votos bem maior fora de Mossoró; prioridade do PT (Foto: Wigna Ribeiro)

Apenas a deputada estadual Isolda Dantas (PT) conseguiu vitória nas urnas, ou seja, sua reeleição. Em 2018, ela e o também estreante Allyson Bezerra (Solidariedade) tinham sido eleitos. O outro político com base local, deputado federal Beto Rosado (Progressistas), fracassou ao tentar chegar ao terceiro mandato consecutivo.

Que fique claro: não faltaram candidatos à peleja de acesso a essas duas casas legislativas. Ao mesmo tempo, não se pode reclamar da ausência de certa dose de bairrismo do mossoroense.

Entre os oito primeiro colocados à Assembleia Legislativa em Mossoró, todos são desse município. Em relação à Câmara dos Deputados, os três mais votados são de Mossoró. A partir daí, aparecem em 7º, 8º, 11º, 12º e 14º lugares outros concorrentes nativos.

Mas, por que o município que já elegeu quatro deputados estaduais em 1974 e três em 1990, 1998 e 2002 (veja AQUI), agora chegou a esse resultado pífio?

Por que zerou sua representação na Câmara dos Deputados, depois de já ter conseguido eleger três deputados num único ano (1998) e dezenas de mandatos desde 1945 (veja AQUI)?

Fracasso como gênese

O ponto de partida à compreensão está no próprio fracasso de quem dominou a política de Mossoró por mais de 70 anos: a oligarquia Rosado. É a gênese. Seu enfraquecimento continuado até a queda livre este ano, não elegendo ninguém, revela a perda de um mando que privilegiava apenas seus membros.

Sempre houve escassa oportunidade de prosperidade eleitoral a qualquer outro não-Rosado local ou de fora. Os fatos falam por si.

Com o vácuo, surgem não apenas candidaturas viáveis e propósitos ousados, mas também uma diversidade de nomes e projetos que ambicionam seu quinhão em terra arrasada. Muitos são aventureiros e sonhadores, mas mesmo assim fracionam bastante os votos.

Estadual – Mossoró

1º lugar – Jadson (Solidariedade) – 17.781 votos – R$ 174.500,00

2º lugar – Cabo Tony Fernandes (Solidariedade) – 15.647 votos – R$ 186.964,04

3º lugar – Isolda Dantas (PT) – 15.489 votos – R$ 551.814,54

4º lugar – Jorge do Rosário (Avante) – 6.861 votos – R$ 234.500,007

5º lugar – Isaac da Casca (MDB) – 6.520 votos – R$ 18.000,00

6º lugar – Zé Peixeiro (PMN) – 5.957 votos – R$ 57.386,08

7º lugar – Larissa Rosado União Brasil) – 5.796 votos – R$ 776.107,13

8º lugar – Marleide Cunha (PT) – 5.342 votos – R$ 181.346,80

Federal – Mossoró

1º lugar – Lawrence Amorim (Solidariedade) – 33.303 votos – R$ 782.5000,00

2º lugar – Pablo Aires (PSB) – 14.997 votos – R$ 513.636,00

3º lugar – Beto Rosado (Progressistas) – 11.136 votos – R$ 1.295,650,00

7º lugar – Samanda Alves (PT) – 4.216 votos – R$ 792.565,45

8º lugar – Sandra Rosado (União Brasil) – 3.254 votos – R$ 1.336,934,13

11º lugar – Fernandinho das Padarias (Republicanos) – 2.598 votos – R$ 553.405,74

12º lugar – Heliane Duarte (MDB) – 2.573 votos – R$ 546.277,14

14º lugar – Gideon Ismaias (Cidadania) – 1.589 votos – R$ 124.900,00

*Natália Bonavides (PT), com 10.290 votos; Fernando Mineiro (PT), com 6.963 votos e General Giral (PL), que empalmou 6.193 votos votos, ocuparam respectivamente a 4ª, 5ª e 6ª posição entre os mais votados. Major Brilhante (Progressistas) ficou em 9º com 3.233 votos; Carla Dickson (União Brasil) foi a 10ª com 3.141 votos e João Maia (PL) o 13º com 1.761 votos.

*Números financeiros atualizados até o dia 8 de outubro de 2022.

Esse abalo sísmico no modelo político meramente familiar, da oligarquia, tem eco forte e consequências diversas. O surgimento e a consolidação de sistemas de substituição não são instantâneos. Não é uma mero processo de reposição de peça avariada por algo novo ou recauchutado. O tempo e as urnas vão fazer essa maturação.

Fundão, nominata, concorrência

Outro ponto que passa despercebido à maioria, é a competitividade financeira proporcionada pelo Fundão Eleitoral. Diferentemente do passado de décadas, pequenos partidos e candidatos de menor posição econômica conseguem fazer campanhas eficazes, com visibilidade e meios à conquista do eleitor.

Com Rosalba longe da prefeitura, Beto buscou socorro fora, mas não deu (Foto: campanha/divulgação)
Com Rosalba longe da prefeitura, Beto buscou socorro fora, mas não deu (Foto: campanha/divulgação)

O quadro acima nesta postagem mostra, por exemplo, os dados financeiros e de votações oficiais disponibilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sobre candidatos a deputado estadual e a federal com origem mossoroense. Fácil perceber, que pela primeira vez em décadas um Rosado não é primeiro lugar nas duas disputas. Tem posições secundárias.

Nessa contabilidade, não se deve esquecer que Mossoró é município polo e todos procuram votos no seu acervo. Dos 187 candidatos oficiais a deputado federal, apenas 12 não foram votados em suas urnas. Dos 320 disputantes à Assembleia Legislativa, 49 não obtiveram nada num total de 129.956 válidos a estadual e 131.239 a federal.

Outro grau de dificuldade à eleição, seja federal ou estadual, foi a complexidade de montagem das nominatas, sob novas regras da minirreforma política, sem coligações, com cada partido se virando para fechar lista com bem menos candidatos do que em pleitos anteriores.

Voto em casa/voto fora

Vencer um pleito de dimensão estadual é uma campanha de guerra. Regionalizada ou estadualizada, mas de enormes exigências em termos de planejamento, organização e ação. No caso de Isolda Dantas, por exemplo, a grande maioria dos seus votos foi obtida fora de Mossoró. Somou 15.489 votos em Mossoró e 57.046 no estado. Venceu. Sua candidatura era uma das prioridades partidárias e foi trabalhada sob esse prisma.

Consciente que teria baixa no seu capital de votos em solo mossoroense, sem Rosalba Ciarlini (Progressistas) na prefeitura como antes, Beto Rosado apostou pesadamente na sua nominata (que não correspondeu), distribuição de emendas parlamentares em dezenas de municípios e deixou Mossoró em segundo plano. Colheu bons resultados fora e votação sofrível em sua terra. Foram 11.136 votos em Mossoró e 83.968 votos em termos gerais. Não se reelegeu.

Em relação ao grupo do prefeito Allyson Bezerra, os números da votação paroquial são muito bons. Seus candidatos foram campeões. Adiante, a performance não foi igual. Não se elegeram.

Lawrence, Allyson e Jadson numa campanha em que os interesses da cúpula estavam na capital (Foto: campanha/divulgação)
Lawrence, Allyson e Jadson numa campanha em que os interesses da cúpula estavam na capital (Foto: campanha/divulgação)

Faltaram votos além dos limites de Mossoró para a eleição de Jadson (Solidariedade) e Lawrence Amorim (Solidariedade), candidatos respectivamente a estadual e federal. Jadson conseguiu 17.781 votos em Mossoró e 27.763 no RN. Lawrence bateu um recorde com maior votação da história no município, a federal. Foram 33.303 votos. No plano estadual, ele recebeu 57.598 votos.

Erro capital: o governismo local ficou à mercê dos interesses próprios da cúpula partidária e chapa majoritária ao Governo do RN, em Natal, que tinham como prioridades a reeleição da deputada estadual Cristiane Dantas e a eleição de Luiz Eduardo à AL, além da candidatura do atual deputado estadual Kelps Lima à Câmara Federal. Só falhou a ascensão de Kelps, comandante-em-chefe do partido no estado.

Rescaldo

O ano de 2022 é emblemático. Vira a chave e arrima as condições primárias de uma nova era política em Mossoró. Todavia, é ainda muito vago o que deixa em números, para que possamos enxergar o que virá adiante e compreendermos completamente as mensagens das urnas.

É preciso um período de rescaldo, estudos, avaliação de cenário pós-eleições, para leitura mais precisa da voz do povo.

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Após 6 meses de eleições, Rosados seguem ‘distanciamento social’

Distanciamento social, mantenha distânciaAté aqui, passados mais de seis meses das eleições municipais de 2020, ocorridas em 15 de novembro, os dois grupos do clã Rosado ainda não se juntaram à mesa (com máscaras, claro) à avaliação do pleito.

Pelo visto, o resultado com a derrota catastrófica da então prefeita Rosalba Ciarlini (PP) não foi suficiente para que realizassem inventário e planos para seguirem (ou não) juntos em 2022.

Preferem evitar aglomeração.

São fieis ao “distanciamento social”.

Cada um na sua.

A postagem sob o título Larissa e Rosalba devem concorrer à Assembleia Legislativa, que veiculamos dia 23 de março, talvez esclareça o porquê da distância.

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Clã Rosado se resume agora a um mandato de vereador em Mossoró

Último bastião do clã é o legislativo municipal (Foto: arquivo)
Último bastião do clã é o legislativo local (Foto: arquivo)

O clã Rosado está resumido a um mandato eletivo da vereadora Larissa Rosado (PSDB), ex-deputada estadual.

Ela é quem mantém a bandeira familiar tremulando na política, no pior momento da história desse grupo, que há mais de 70 anos, de forma quase contínua, pontificava em Mossoró e chegou a se expandir pelo estado.

Com a perda do mandato de Beto Rosado (PP) – veja AQUI – no dia passado, além da derrota de Rosalba Ciarlini Rosado (PP) à Prefeitura de Mossoró, há pouco mais de dois meses, a oligarquia tem que repensar tudo.

E o que se almeja logo ali, para 2022, não é muita coisa. No máximo, mandato de deputado federal e estadual. Com um detalhe: eles podem ocupar novamente palanques opostos – repetindo o duelo rosalbismo x rosadismo que mantiveram por cerca de 30 anos.

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Quem é Allyson Bezerra, novo prefeito de Mossoró?

Allyson Bezerra, 28 anos, casado, é engenheiro civil e servidor público federal licenciado da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA). Mossoroense, nascido em 12 de maio de 1992, filho mais velho de José Américo e Maria das Neves, Allyson agora é prefeito empossado de Mossoró – após vitória histórica (veja AQUI) no dia 15 de novembro do ano passado.

Com sua infância fincada na comunidade rural do Sítio Chafariz, a 33 quilômetros da área urbana de Mossoró, dividiu seu tempo entre estudos, o lado lúdico de uma criança pobre e tarefas colaborativas na roça, ajudando o pai.

Estudando sempre em escola pública, durante o último semestre do curso técnico em edificações no Instituto Federal do RN (IFRN), ele foi aprovado no concurso para servidor da Ufersa, aos 20 anos. Porém, antes disso, também dava aulas a colegas, exercendo a docência com espírito colaborativo.

Em 2013, na mesma universidade, conclui o bacharelado em ciência e tecnologia, sendo o primeiro da família a ter um diploma de nível superior. Em 2016, cola grau como engenheiro civil e em 2017 conclui o mestrado em Manejo de Solo e Água.

Na universidade, desenvolve pesquisas na área de engenharia civil, chegando a publicar mais de vinte artigos científicos em congressos por todo o país.

Duas eleições surpreendentes

Decide cursar direito e se torna estudante na Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). Aos 23 anos é eleito presidente do sindicato dos servidores da Ufersa, sendo o mais jovem a ocupar o cargo entre as 67 instituições similares no país.

Em 2017, é eleito para o Conselho Superior da Ufersa, sendo o servidor mais votado para o cargo em toda a história da instituição.

Em 2018 foi escolhido pela Rede de Ação Política pela Sustentabilidade (RAPS), instituição de alcance nacional, entre mais de mil inscritos, tornando-se uma das 100 lideranças emergentes no Brasil, segundo essa organização de renovação política do país.

Mesmo sem nunca ter sido filiado a um partido, aos 25 anos aceita o convite para ser pré-candidato a deputado estadual e inicia a “Rota da Mudança” por todas as regiões do estado, já inscrito no Solidariedade. Mesmo sem fazer parte das famílias tradicionais, sem maiores meios financeiros ou apoio de grupos/lideranças políticas, acabou eleito em 2018 como um dos 24 deputados estaduais do RN. Nesse poder, foca suas ações em questões delicadas como segurança pública e saúde, atuando na bancada oposicionista.

Em 2020, o maior desafio: candidatura a prefeito de Mossoró. Encarou a prefeita e candidata à reeleição Rosalba Ciarlini (PP), com toda sua trajetória de vitórias e estrutura municipal, empresarial e expertise em resolver eleição no vale tudo. O resultado final apontou maioria para Allyson de 6.263 votos, ou seja, 4,56 pontos percentuais.Venceu não apenas a ‘Rosa’ e seu grupo que domina a política local há mais de 70 anos, mas também um estranho consórcio entre outras duas adversárias, Cláudia Regina (DEM) e deputada estadual Isolda Dantas (PT), que resolveram atacá-lo, em vez de fustigarem a ‘favorita’ e ‘adversária’ Rosalba Ciarlini.

Foram hostilidades em redes sociais e nas ruas, guias eleitorais e até com militantes rosnando à porta de debates (veja AQUI) ou mesmo invadindo emissora de televisão.

Agora, enfrentará o grande desafio de pegar uma herança maldita deixada por uma antecessora raivosa, que criou todas as dificuldades possíveis para embaraçar sua gestão. Incapaz, por exemplo, de fazer a transição de governo de forma elevada e republicana, optando pela sabotagem.

*Vídeo constante nessa postagem é de do fim de setembro do ano passado, rumo à campanha a prefeito de Mossoró.

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Entenda a vitória histórica em Mossoró

Por Matheus Leitão (revista Veja)

O povo chegou na Prefeitura de Mossoró (RN). Foi dessa forma, bem clichê, que Allysson Bezerra (Solidariedade) comemorou sua vitória nas eleições municipais no dia 15 de novembro, depois de conquistar 47,52% dos votos da população.

O feito foi inédito e simbólico por um motivo em especial: o deputado estadual de 28 anos venceu a disputa contra Rosalba Ciarlini (PP), atual prefeita de Mossoró e integrante do clã Rosado, que está no poder há mais de 70 anos.À coluna, Allysson Bezerra ressaltou que fez uma campanha simples, sem acordo com partidos e sem financiamento empresarial. Para ele, a vitória veio do desejo de mudança por parte do povo.

“Eu acredito que o sentimento que já vinha na população de mudança foi também o sentimento de que o povo pode eleger alguém que vem de baixo, que é pobre e cresceu na vida pela educação, que enfrenta uma oligarquia. A nossa campanha foi muito simbólica também por conta disso, pelo sistema que a gente conseguiu vencer”, afirma o prefeito eleito.

A origem humilde de Allysson, filho de um agricultor com uma dona de casa, foi um ponto essencial para a vitória. Segundo ele, um debate contra Rosalba na televisão durante a disputa teria mudado o cenário das eleições.

Na ocasião, ao ser questionada sobre denúncias de corrupção envolvendo sua gestão como governadora do Rio Grande do Norte, Rosalba afirmou que daria dinheiro a Allysson se pudesse. “Cadê esses R$ 12 milhões? Eu gostaria de dar todo ao senhor, o senhor é tão pobrezinho que eu poderia lhe ajudar”, afirmou a atual prefeita.

Liberdade para atuar

Allysson conta que, a partir daquele momento, ficou estigmatizado como “menino pobrezinho” e viu o sentimento da população mudar.

“Aquilo criou um sentimento… Eu vi que as pessoas viram que eu estava disputando uma campanha não contra outro político, mas contra um político que representava uma oligarquia e que olhava para o povo desse jeito, que o povo é pobre e precisa dele nesse momento”, conta.

O histórico de Rosalba Ciarlini indicava que Allysson tinha poucas chances. Durante sua carreira, Rosalba foi prefeita de Mossoró por quatro mandatos e ocupou os cargos de  senadora e governadora do Rio Grande do Norte.

Segundo Allyssson, a candidata que “nunca perdeu uma campanha na vida” foi vencida por um adversário humilde e com uma campanha simples.

Sobre a gestão que pretende fazer à frente de Mossoró, o prefeito eleito conta que chega com liberdade para atuar. Sem se rotular como de esquerda ou de direita, o atual deputado diz que tem uma postura de centro. É formado em Engenharia Civil, evangélico, servidor público da Universidade Federal Rural do Semi-árido (Ufersa) e ressalta que a educação mudou a sua vida.

“Eu chego muito livre, não fiz acordo com nenhum partido e não fiz acordo com nenhum empresário. O sentimento que fica é que realmente eu fui eleito pelo povo, o povo me escolheu para tirar uma oligarquia do estado e do Brasil. É muito difícil vencer uma oligarquia e, quando se vence, geralmente é com uma estrutura muito grande. Eu me sinto honrado pela oportunidade, principalmente de trabalhar pelo povo mais simples” finaliza o prefeito eleito.

Veja postagem original, na Veja, clicando AQUI.

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“Os Rosado chegaram ao seu limite, mas não ao seu fim”

Junção dos Rosado revelou uma necessidade (Foto: arquivo)

Do Blog da Chris

O quadro “6eis Perguntas” continua. Hoje, conversamos com o jornalista e blogueiro Carlos Santos, do Blog Carlos Santos.

Carlos, na entrevista fala sobre a administração Rosalba Ciarlini (PP): “O quadro atual é incomum, mas a prefeita adota um modelo de governo baseado numa época distante, de muitas facilidades, insistindo em medidas cosméticas, propaganda e ações previsíveis”; da relação imprensa com a administração municipal:” Nada muda porque a própria imprensa em sua maioria não cuida de sua imagem”; e futuro da família Rosado: “A prioridade em 2018 é sobrevivência, ou sobrevida. Isso é normal”.

Veja abaixo um pequeno trecho desse bate-papo:

Blog da Chris – Em Mossoró, como o senhor vislumbra o futuro político da família Rosado e esses nomes “novos” que começaram a surgir?

Carlos Santos – A junção de Rosado-Rosado em 2016 foi um sinalizador de esgotamento da fórmula. Isso se desenha há tempos, até porque a família praticamente não tem mais peças de reposição com forte apelo popular, engenhosidade política e poder de articulação. Parece ter chegado ao seu limite, mas não ao seu fim político, que fique claro. A prioridade em 2018 é sobrevivência, ou sobrevida. Isso é normal. As oligarquias são por natureza um atraso, como o próprio Platão as definia há mais de 2 mil e 400 anos em Atenas, em “A República”. É um poder para poucos e de poucos. Mas a simples substituição de um Rosado por um Oliveira, Santos, Silveira, Couto, Moreira, Freire, Dias etc., não significa que mudaremos de conceito na política e na gestão da urbe. Nas eleições municipais de Mossoró em 2016, a maioria dos eleitores não votou nos Rosado. Rosalba foi eleita pela minoria, mas ninguém na oposição pode se sentir dono desse capital não-Rosado. Política, costumo afirmar, é uma atividade de inteligência e transpiração.

Leia a íntegra da entrevista clicando AQUI.

Nota do Blog Carlos Santos – Obrigado, Chris. É de enorme generosidade a abertura de seu espaço virtual para nós do Blog Carlos Santos, o “Nosso Blog”.

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Tião acelera contra o tempo para vencer também na política

Self-made man é uma expressão de origem norte-americana. Assim são tratados os grandes empreendedores, que conseguem subir na vida pelo próprio esforço, saindo praticamente do nada.

Em suma: é aquela pessoa que “se fez sozinha” sem herdar nada, sem pegar nada pronto ou tomar atalhos com influência de pais ou padrinhos generosos.  É o perfil que se encaixa perfeitamente em Tião Couto (PSDB), candidato a prefeito de Mossoró pela primeira, após construir uma carreira de sucesso saindo dos arrabaldes do rio Mossoró, periferia, como filho de uma dona-de-casa e de um agricultor.

Tião tem uma história de vida incomum e um desafio político também extremado (Foto: divulgação)

Ele chega à reta final de campanha de forma competitiva contra uma candidata de família oligárquica e com longo currículo vitorioso na política, a ex-prefeita (três vezes), ex-senadora (uma vez) e ex-governadora (uma vez) Rosalba Ciarlini (PP). Um feito para quem até pouco mais de 30 anos vivia em atividade braçal.

Chegou a trabalhar em campos de petróleo no Oriente Médio (com temperaturas acima de 50 graus) e se transformou num empresário de sucesso em múltiplos negócios, a partir da indústria do petróleo.

Competitivo

Tião, na “Coligação Unidos Por Uma Mossoró Melhor”, também impressiona em sua imberbe caminhada política, com performance que muita gente via como impossível e até o desdenhava. Tornou-se competitivo e capaz de chegar à Prefeitura, sem o amparo de qualquer grupo tradicional.

Um feito já foi obtido, que é o desenho de uma força política alternativa num momento em que o clã Rosado está extremamente fragilizado e precisa desesperadamente retomar a Prefeitura, seu habitat regular – com escassos intervalos – desde as eleições de 1948.

Com o também empresário Jorge do Rosário (PR), filho de  um mestre-de-obras e dona-de-casa, Tião só surpreende a quem não o conhece e não conseguiu fazer leitura antecipada dos acontecimentos e da conjuntura nacional e local. O protagonismo de Rosalba Ciarlini e seu favoritismo não seriam e não são surpresa. Tião, também não.

Sua candidatura nasceu a partir reuniões despretensiosas com o próprio Rosário, ano passado. As conversas sobre a necessidade de se oferecer uma alternativa política e de gestão pública baseada na meritocracia, acabou ganhando força e transformou-se no movimento “Mossoró Melhor”. Daí até a oficialização da chapa foram mais alguns meses.

Em face do desgaste superlativo do prefeito Francisco José Júnior (PSD), que se virou simplesmente “Francisco” na campanha municipal deste ano, era previsível que Tião e Jorge crescessem nesse vácuo, como opção. O que o próprio rosalbismo calculava, era que tudo não passasse de uma “marolinha”. Fazia cálculos de vitória sempre acima de 40 ou 50 mil votos de maioria.

Capilaridade na massa

Nas últimas semanas essas estimativas são refeitas e refeitas para baixo. O vencedor estará longe de impor essa vantagem sobre o adversário.

O prefeito desistiu de sua candidatura no último dia 19 e a oficializou no dia passado, provocando uma debandada de seus candidatos a vereador, militância e partidos, principalmente na direção de Tião e Jorge. Isso contribuiu para dar novo fôlego à chapa, que já vinha em crescimento vertiginoso.

A questão mais crucial da campanha dos dois empresários não é a disputa pelo voto em si, que tem erros crassos como qualquer outra, do ponto de vista do marketing. O pecado não mora ao lado. Ficou para trás, incidindo sobre o próprio período curto de apenas 45 dias de disputa oficial, a chamada pré-campanha.

Tião e Jorge pecaram na pré-campanha por não criarem maior capilaridade na massa, deixando vácuo enorme entre os primeiros passos no final de 2015 e este segundo semestre de 2016. Até formalizarem alianças, definirem chapas proporcional e majoritária, permitiram até que o próprio Francisco se iludisse com a hipótese de ser viável e capaz de vencer Rosalba. Nem uma coisa nem outra.

O tempo recente mostrou isso a Francisco e a poucos dos seus seguidores que se iludiam com tamanho disparate.

“Canteiro da Rosa”

Esse hiato entre o preâmbulo da pré-campanha e a campanha, em si, comprometeu a disseminação do empreendedor principalmente nos rincões. É uma área geopolítica que fica na periferia, com públicos mais pobres, conhecida como o “Canteiro da Rosa”.

Em face dessa falha, Tião é obrigado a ter um crescimento aloprado, correndo contra o tempo – principal aliado de Rosalba. Se a “onda azul” será capaz de encobri-la a tempo, as urnas dirão.

E não adianta se imaginar outro cenário, com o raciocínio de que mais dias lhe dariam vitória certa. O tempo posto é esse. Para vencer ou vencer. É possível, mas não é fácil.

Tião já é vencedor numa prova que não dá medalha de prata ou bronze para quem não vence, mas que certamente o projetará como uma nova liderança que os Rosado sempre temeram: audaz, independente e catalizador de gente. Um self-made man.

Nada será como antes.

* Essa é a última matéria especial sobre os candidatos a prefeito de Mossoró da série que iniciamos há poucos dias. Abaixo, veja as quatro anteriores, traçando perfil de cada postulação na corrida pelo voto:

– Rosalba tem o tempo a seu favor para confirmar favoritismo (AQUI);

– Gutemberg tenta marcar posição num cenário vantajoso (AQUI);

– Francisco e o estigma do político gelatinoso e sem credibilidade (AQUI);

– Nova tentativa a prefeito leva Josué a dificuldades maiores (AQUI).

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União de forças em torno de Josivan causa preocupação

A aglutinação preliminar de sete partidos em torno da pré-candidatura a prefeito de Mossoró, do professor Josivan Barbosa (PT), abre o sinal amarelo das forças mais conservadoras da política mossoroense.

A oligarquia Rosado, dividida em dois braços, que consegue o feito de ser governo e oposição em Mossoró, tem motivos para se preocupar. E, é fácil entender, por que de forma subliminar ou modo explícito, tenta desacreditar a postulação de Josivan, que é reitor da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA).

PT, PDT, PR, PCdoB, PTN, PPS e PSDC estiveram reunidos ontem (veja postagem ao final da noite de ontem, neste Blog) com Josivan e seu possível vice, empresário Rútilo Coelho (PDT).

O pacto firmado para união, não é hermético e sólido. Mas é viável e amplamente possível. De fato, a costura pavimenta caminho para uma opção alternativa, capaz de levar os Rosado à reflexão mais delicada sobre a disputa do próximo ano.

Até as convenções partidárias em junho de 2012, todos estarão sujeitos às tentações da cooptação ou ao veneno da cizânia.

Acompanhemos os acontecimentos.