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A oncologia e o paradoxo humano na era da IA

Por Clarissa Mathias

Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS
Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

A presença da IA em diversas sessões da edição 2025 do congresso ASCO, maior evento mundial de oncologia, em Chicago, reforçou o debate sobre o tema e destacou o quanto essa tecnologia já está inserida na rotina dos oncologistas do mundo todo. Percebemos que a IA está presente em todas as etapas do cuidado oncológico, desde o diagnóstico, que ficou mais preciso e mais rápido, até o apoio na tomada de decisão terapêutica e na aceleração de ensaios clínicos.

A sua aplicabilidade já vai muito além da simples análise de imagens ou da dosimetria em radioterapia. A tecnologia é capaz de identificar padrões em grandes volumes de dados que seriam imperceptíveis ao olho humano.

Um estudo apresentado na ASCO mostrou que a IA pode reduzir significativamente erros na classificação de subtipos tumorais, o que abre portas para novas opções de tratamento. A ferramenta demonstrou uma precisão 22% maior no diagnóstico de tumores de mama HER2-baixo e HER2-ultrabaixo, relacionados à proteína HER2 (Human Epidermal Growth Factor Receptor 2), presente na superfície das células mamárias e envolvida no crescimento celular.

Em alguns casos de câncer de mama, o gene que produz essa proteína está amplificado, levando à sua superprodução nas células tumorais. E identificar esse tipo de tumor é crucial, pois permite novas possibilidades de tratamento para muitos pacientes que antes não tinham acesso a terapias-alvo contra o HER2.

O equilíbrio entre humano e a tecnologia

Diante do cenário em que a tecnologia é aliada à medicina e a relação se torna fundamental e complementar, colocamos o paciente no centro do tratamento, unindo o atendimento humanizado – emoções, medos, esperanças e valores – com o olhar preciso da ferramenta. A sessão ASCO Voices, foi um verdadeiro convite à escuta, e à expansão do nosso conceito de cuidado oncológico.

Longe dos gráficos e dos resultados estatísticos, a proposta foi valorizar as narrativas pessoais que revelam os desafios, dilemas e transformações vividas por pacientes, cuidadores e profissionais da saúde ao longo da jornada, reforçando a importância da humanização do tratamento. Para mim, que enxergo a espiritualidade como parte essencial na jornada, foi um dos momentos que concentrei e refleti que a tecnologia não substituirá o cuidado médico.

Entender que o cuidado integral inclui acolher as crenças, os valores e as dimensões subjetivas do paciente e as evoluções, não enfraquece a medicina; pelo contrário, a fortalece com compaixão.

Clarissa Mathias é oncologista líder do Câncer Center Oncoclínicas e Hospital Santa Izabel, em Salvador, e membro do conselho da ASCO

A importância da família no tratamento oncológico

Por Keillha Israely 

Arte ilustrativa (Fonte: Web)
Arte ilustrativa (Fonte: Web)

O tratamento oncológico é algo que não é fácil e que assusta, pois, o câncer carrega por si só inúmeros preceitos e preconceitos, afinal, até hoje, existem pessoas que se negam até a falar tal palavra, pois acreditam que é algo tão ruim que se dito, atrai. É algo do senso comum, que infelizmente perdura.

A notícia de um diagnóstico de câncer abala diretamente o paciente e seus familiares. “É como se o mundo estivesse desabando”, “Uma sensação de ter uma bomba caindo bem na sua cabeça”. Essas são algumas das expressões que ouvimos logo no primeiro acolhimento social.

O serviço social é a porta de entrada da Casa Durval Paiva, quando o paciente recebe o diagnóstico de câncer, ele é encaminhado para instituição a fim de receber todo o suporte necessário. Nós somos os primeiros profissionais a termos contato com o paciente e sua família, e é possível aprendermos a forma como estes chegam aqui. Muitas vezes, assustados, com medos e angústias, cheios de dúvidas e questionamentos. Trata-se de um processo longo e repleto de altos e baixos. Entretanto, tudo fica mais leve quando esse paciente tem uma família para dar suporte.

Mas, afinal o que é família? Falar sobre família não é algo fácil, afinal cada família possui suas singularidades, trata-se de um conceito difícil. Para nós não existem rótulos, família não se restringe a laços de sangue e sim, vínculos afetivos, onde há amor, compreensão e cuidado, não esquecendo que nesse contexto também há: conflitos, divergências e atritos. Não importa a configuração, se existe amor, cuidado, zelo e apoio, essa família faz toda a diferença na vida do paciente.

São os gestos mais simples que contribuem de forma significativa no processo de tratamento oncológico. A companhia diária nas internações, o apoio da mão, nas inúmeras furadas para colher exames, o cuidado e atenção na hora de preparar as refeições e oferecer as mais diversas opções de comida, na hora da falta de apetite e enjoos constantes, o apoio no momento da queda dos cabelos, do emagrecimento ou as mais diversas mudanças físicas, de humor etc.

Enfim, é incontestável a importância e o protagonismo da família durante o tratamento oncológico. E as diferenças entre os que têm esse apoio e os que não tem é significativa, os rebatimentos são percebidos nas mais diversas áreas: social, física, psicológica, dentre outras. E quando a ausência e o suporte familiar acontecem é necessária uma intervenção constante e comprometida da equipe multidisciplinar, com o objetivo claro de fortalecer esses vínculos tão necessários e importantes.

Keillha Israely  é assistente social da Casa Durval Paiva (Natal)

Prefeitura informa repasse para média e alta complexidades

A Prefeitura Municipal de Mossoró (PMM) disponibilizou o recurso de R$ 3.221.505,30 para a efetivação do repasse financeiro para os prestadores de serviço de atendimento de média e alta complexidade.

Os recursos serão para o pagamento dos serviços de oncologia, rede cegonha, Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), obstetrícia e laboratórios.

Desde o início do ano, a Prefeitura de Mossoró já repassou para o atendimento de média e alta complexidade o volume de R$ 13.033.288,00.

Com informações da Prefeitura Municipal de Mossoró.

Definição de saudade

Por Rogério Brandão

Como médico cancerologista, já calejado com longos 29 anos de atuação profissional (…) posso afirmar que cresci e modifiquei-me com os dramas vivenciados pelos meus pacientes. Não conhecemos nossa verdadeira dimensão até que, pegos pela adversidade, descobrimos que somos capazes de ir muito mais além.

Recordo-me com emoção do Hospital do Câncer de Pernambuco, onde dei meus primeiros passos como profissional… Comecei a frequentar a enfermaria infantil e apaixonei-me pela oncopediatria.

Vivenciei os dramas dos meus pacientes, crianças vítimas inocentes do câncer. Com o nascimento da minha primeira filha, comecei a me acovardar ao ver o sofrimento das crianças.

Até o dia em que um anjo passou por mim! Meu anjo veio na forma de uma criança já com 11 anos, calejada por dois longos anos de tratamentos diversos, manipulações, injeções e todos os desconfortos trazidos pelos programas de quimios e radioterapias.

Mas nunca vi o pequeno anjo fraquejar. Vi-a chorar muitas vezes; também vi medo em seus olhinhos, porém, isso é humano!

Um dia, cheguei ao hospital cedinho e encontrei meu anjo sozinha no quarto. Perguntei pela mãe. A resposta que recebi, ainda hoje, não consigo contar sem vivenciar profunda emoção:

— Tio – disse-me ela – às vezes minha mãe sai do quarto para chorar escondido nos corredores… Quando eu morrer, acho que ela vai ficar com muita saudade. Mas, eu não tenho medo de morrer, tio. Eu não nasci para esta vida!

Indaguei:

— E o que a morte representa para você, minha querida?

— Olha tio, quando somos pequenos, às vezes, vamos dormir na cama do nosso pai e, no outro dia, acordamos em nossa própria cama, não é?
( Lembrei das minhas filhas, na época crianças de 6 e 2 anos, e com elas, eu procedia exatamente assim).

— É isso mesmo.

— Um dia eu vou dormir e o meu Pai vem me buscar. Vou acordar na casa Dele, na minha vida verdadeira!

Fiquei “engasgado”, não sabia o que dizer. Chocado com a maturidade com que o sofrimento acelerou a visão e a espiritualidade daquela criança.

— E minha mãe vai ficar com saudades – emendou ela.

Emocionado, contendo uma lágrima e um soluço, perguntei:

— E o que saudade significa para você, minha querida?—

“Saudade é o amor que fica.”

Hoje, aos 53 anos de idade, desafio qualquer um a dar uma definição melhor, mais direta e simples para a palavra saudade:

– É o amor que fica!

Meu anjinho já se foi, há longos anos. Mas, deixou-me uma grande lição que ajudou a melhorar a minha vida, a tentar ser mais humano e carinhoso com meus doentes, a repensar meus valores. Quando a noite chega, se o céu está limpo e vejo uma estrela, chamo pelo “meu anjo”, que brilha e resplandece no céu.

Imagino ser ela uma fulgurante estrela em sua nova e eterna casa.

Obrigado anjinho, pela vida bonita que teve, pelas lições que me ensinaste, pela ajuda que me deste. Que bom que existe saudade! O amor que ficou é eterno.

Rogério Brandão é médico oncologista em Pernambuco

Audiência pública sobre oncologia está confirmada

Está confirmada a audiência pública proposta pela vereadora Izabel Montenegro (PMDB), de Mossoró, para discussão sobre problemas da oncologia em Mossoró, com foco no Hospital Wilson Rosado (HWR).

Será às 15h da próxima sexta-feira (26) no plenário da Casa.

Mas há informação de bastidores apontando para crescente pressão para esvaziamento do debate.

Vamos apurar o caso.

Prefeitura repudia acusações de Bernardo Rosado

A Prefeitura de Mossoró emite nota oficial, repudiando declarações do diretor do Hospital Wilson Rosado (WHR), médico Bernardo Rosado, que tem denunciado perseguição por parte do Governo Municipal.

Veja a nota abaixo:

A Prefeitura Municipal de Mossoró, por meio de seu Prefeito, Sr. Francisco José Lima Silveira Júnior, e de sua Secretária de Saúde, Leodise Cruz, diante das sérias acusações reverberadas pela imprensa local e oriundas de entrevistas e declarações do Diretor do Hospital Wilson Rosado, reafirma perante a população mossoroense seu compromisso com os serviços de Saúde Pública e com a sua política de melhoramento e desenvolvimento de tais serviços, destacando:

Que a atual gestão promove o tratamento igualitário de todos os seus prestadores de serviço, considerados diante das peculiaridades e da essencialidade dos serviços postos à população;

Que a continuidade e a qualidade desses serviços têm sido constantemente buscada e defendida, em que pese a dificultosa realidade financeira enfrentada em âmbito nacional e que reflete negativamente nos repasses do Governo Federal aos Municípios pátrios;

Que o único benefício buscado pela gestão municipal dentro de tal contexto é aquele destinado à população e, em particular, às pessoas que necessitam diuturnamente dos serviços de saúde municipal, reconhecendo-se a importância ímpar dos serviços de oncologia;

Que a habilitação do Hospital Wilson Rosado para atendimento ao serviço de oncologia é de natureza recente, tendo ocorrido em meados de Agosto de 2014;

Que a contratação respectiva a tal habilitação foi procedida de acordo com os critérios que foram ofertados por tal entidade hospitalar perante o próprio Conselho Municipal de Saúde, Comissões Intergestores Regionais – CIR da 2ª, 6ª e 8ª Regiões e Comissão Intergestores Bipartite – CIB, não significando desmerecimento do Hospital Wilson Rosado em face de qualquer outro prestador.

Nesse sentido, repudia-se, veementemente, a evidente tentativa – certamente animada por interesses pessoais e/ou políticos dissonantes do interesse coletivo – de atribuir à Prefeitura Municipal de Mossoró, por sua atual gestão, a prática de atos de favorecimento pessoal ilegítimo, os quais, definitivamente, inexistem.

Tratamento contra câncer gera temor de “chuva de morte”

A Câmara de Mossoró deverá realizar audiência pública para dissecar o atendimento oncológico (câncer) na cidade.

Falta definir uma data.

Uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) também é cogitada, se a audiência pública não for esclarecedora.

Na sessão ordinária de hoje, o tema voltou à tona. Tomaz Neto (PDT) disse que pessoas aflitas o procuram, temendo por familiares com tratamento suspenso. Aí apelou:

– Vamos deixar de perder tempo discutindo Cidade Junina e Chuva de Bala para abordarmos o combate ao câncer e evitarmos uma chuva de morte em Mossoró.

Izabel Montenegro (PMDB) repetiu acusação contra o Hospital Wilson Rosado (HWR), de que tenta provocar fechamento do Centro de Oncologia e Hematologia de Mossoró (COHM) e Hospital da Solidariedade.

Francisco Carlos (PV) disse que a culpa do problema é do poder público, que não honra seus compromissos.

Vereador quer levar polêmica da oncologia para Câmara

O vereador Tomaz Neto (PDT) vai propor a realização de uma audiência pública na Câmara Municipal de Mossoró sobre a questão do tratamento oncológico (câncer) em Mossoró.

Ele quer os principais antagonistas e protagonistas da polêmica que parece nunca terminar, finalmente esclareçam o porquê de tanto nebulosidade e informações conflitantes.

Essa semana, Tomaz visitou o Hospital Wilson Rosado (HWR). Adiantou para seu diretor, médico Bernardo Rosado, que fará essa proposição.

Teve a garantia do médico de que estará no Legislativo, para relatar o papel do HWR nesse enredo.

Nos últimos dias, Bernardo e a vereadora Izabel Montenegro (PMDB) – veja AQUI) – andaram se chocando (veja AQUI). Em pauta, justamente a questão da oncologia.

– A audiência pública pode esclarecer isso e tomarmos uma nova direção para o caso – comenta a Tomaz Neto. “Centenas e milhares de pessoas não podem ser vítimas do câncer e desse lengalenga nebuloso”, complementa.

Médico considera “levianas” declarações de vereadora

Do jornal O Mossoroense

O médico Bernardo Rosado, dirigente do Hospital Wilson Rosado (HWR), de Mossoró, classificou como levianas as declarações da vereadora Izabel Montenegro (PMDB) de que ele estaria querendo monopolizar os serviços de saúde em Mossoró.

Bernardo: choque com Cure (Foto: Web)

“O que ela falou foi de uma leviandade imensurável, porque ela me coloca como uma pessoal que está prejudicando um serviço sem dizer como. Adiante, ela diz que o problema é que estou cobrando preços mais baratos para inviabilizar outro serviço”, disse.

 

O médico declarou estar sendo perseguido pela atual administração municipal. “No Wilson Rosado a oncologia é tratada de maneira desigual em relação ao serviço de doutor Cure de Medeiros (Hospital do Câncer). Quando nós fomos fazer esse credenciamento ao SUS só assinamos contrato com a Prefeitura de Mossoró uns seis, sete meses depois.Durante esse período a Prefeitura recebeu o dinheiro e não nos credenciou. A alegativa era que precisava passar por uma nova portaria em uma determinação do Ministério da Saúde para todos os estados”, frisou.

Ele disse ainda que não recebe plus que outros hospitais recebem. “Quando fomos assinar os contratos, a secretária Leodise Cruz exigiu que nós apresentássemos um contrato com os anestesiologistas e com os cirurgiões com o plus sendo pago pelo Wilson Rosado. Questionamos porque ela não estava exigindo isso para os outros serviços. Um tem plus e o outro não. Isso é ilegal”, acrescentou.

Para o médico Bernardo Rosado, Izabel Montenegro deveria direcionar o discurso para a Prefeitura de Mossoró. “Do que é que Izabel está reclamando? Se eu estou sendo massacrado. Ela deveria reclamar da Prefeitura. Há uma reclamação de doutor Cure porque um paciente de câncer aqui faz a cirurgia sem esperar mais do que 15 dias. Fico inconformado com esse tipo de agressão”, disse.

Veja AQUI declarações de Izabel Montenegro.

Veja bastidores políticos e notas em primeira mão em nosso TWITTER, clicando AQUI.

Vereadora acusa Wilson Rosado de agir de má-fé

Lembrando que “Mossoró é a cidade do já teve”, citando o fechamento de vários hospitais, como por exemplo, Casa de Saúde Santa Luzia,

Izabel: acusação seria (Foto: arquivo)

Duarte Filho, e a própria Casa de Saúde Dix-Sept Rosado que não se sabe ao certo como vem sendo administrada, entre outros, a vereadora Izabel Montenegro (PMDB) denunciou, segundo ela, a manobra que vem sendo feita pelos que dirigem o Hospital Wilson Rosado. No entendimento da parlamentar a ideia vai no sentido de fechar o Centro de Oncologia de Mossoró.

 

A vereadora foi mais além citando que, de forma não muito legal, o Hospital Wilson Rosado se credenciou para atendimento dos pacientes nesse setor, atraindo os profissionais médicos que atendem ou atendiam no Centro de Oncologia.

“Se hoje o governo do estado paga o plus de Caicó e Natal, também deve pagar de Mossoró e não o faz. Mossoró tem que exigir isso”, denuncia Izabel.

Falência

A preocupação da vereadora é no sentido de que o Wilson Rosado diminua despesas para participar de licitação, o que pode decretar a falência do Centro de Oncologia, fruto da luta de muitas pessoas que se doaram nos últimos anos, citando como exemplo o nome do Dr. Curi.

“Se isso acontecer, como ficarão os pacientes do Centro de Oncologia, onde serão atendidos”, preocupa-se Izabel.

Além de encaminhar o pedido para que o governador Robinson Fárias cumpra com sua parte, a vereadora Izabel Montenegro lembra os mais de 60 municípios que são atendidos em Mossoró e, seus prefeitos, simplesmente lavam as mãos.

Prefeitura anuncia acerto com oncologia

O Município de Mossoró garantiu a continuidade dos serviços de oncologia oferecidos pelo Centro de Oncologia e Hematologia de Mossoró (COHM). O acordo foi feito na manhã desta terça-feira, 24, entre o diretor do hospital, Cure de Medeiros, e o secretário de Planejamento, Josivan Barbosa.

Na negociação, ficou assegurado o repasse e a solução de dívidas anteriores, de maneira a garantir a manutenção dos serviços de relevância para Mossoró e região.

Recentemente, o município também realizou o contrato com os anestesiologistas e garantiu a retomada das cirurgias oncológicas e eletivas, que deverão ser iniciadas já na próxima segunda-feira, 2?

Com informações da Prefeitura de Mossoró.

Cirurgias oncológicas serão retomadas no Wilson Rosado

As cirurgias oncológicas pelo SUS no Hospital Wilson Rosado (HWR), em Mossoró, vão ser retomadas na próxima segunda-feira (5 de janeiro de 2015). A notícia é dada ao Blog pelo oncologista clínico Thiago Rego.

O convênio assinado pela Prefeitura de Mossoró tem alcance de um raio de 1 milhão de habitantes no diagnóstico precoce do câncer e tratamento (cirurgias oncológicas e quimioterapia).

Os pacientes que aguardam por biópsias, cirurgias e quimioterapia podem procurar o Hospital Wilson Rosado a partir da segunda-feira, 5, reitera o médico.

“Devido ao grande número de pacientes estamos realizando triagem para dar prioridade aos casos mais urgentes”, salienta ele.

A equipe de oncologia do Hospital Wilson Rosado é formada por oito cirurgiões nas especialidades de cirurgia oncológica, cirurgia torácica, urologia e mastologia, dois oncologistas clínicos e 15 anestesistas.

O convênio foi publicado no Jornal Oficial de Mossoró (JOM) no último dia 17.

A situação da oncologia em Mossoró e região ganhou contornos dramáticos nos últimos meses. Centenas de tratamentos e cirurgias passaram a ter comprometimento por falta de cobertura financeira a esses serviços de alta complexidade e custo considerável.

O anestesiologista Ronaldo Fixina chegou a manifestar denso desabafo recente, tendo o Blog Carlos Santos como uma tribuna, relatando esse drama (veja AQUI).

Em várias postagens ao longo desse período, nossa página deu voz à aflição de  milhares de pessoas, ouviu contraditórios e cobrou providências urgentes.

Veja AQUI, por exemplo, a postagem Nota de esclarecimento sobre a Oncologia de Mossoró. E AQUIVîtimas de câncer enfrentam “loteria da vida”.

Mas a luta pela vida não para por aqui, com essa notícia sobre o HWR.

Tem mais estresse e dificuldades nesse enredo.

Voltaremos ao tema.

Nota de esclarecimento sobre a Oncologia de Mossoró

O oncologista clínico Thiago Rego escreve ao Blog, relatando a situação da Oncologia em Mossoró. Segundo assevera, o tratamento dado a esse serviço que envolve vidas, tem deixado um rastro de mortes. Afirma: “Para tratar um paciente é preciso matar dois”.

Reclama que apesar de habilitação para tratamento do câncer, o Hospital Wilson Rosado (HWR) não consegue realizar os procedimentos, por falta de autorização do Município.

Leia o relato abaixo.

Carlos Santos,

O Hospital Wilson Rosado foi habilitado em oncologia pela portaria 689 no dia 7 de agosto de 2014 para atendimento de pacientes pelo SUS.

De acordo com a portaria fomos credenciados pelos municípios do RN em 2013 na Resolução CIB nº 1.043/13-CIB/RN, de 27 de dezembro de 2013; e habilitados pela Ministério da Saúde na portaria 741/2005 no dia 7 de agosto de 2014. Atualmente estamos credenciados e habilitados na portaria 741/2005 igual ao Centro de Oncologia e Hematologia de Mossoró (COHM) e a Liga Norte-riograndense Contra o Câncer (LNC), porém a secretária de Saúde de Mossoró não quer assinar o convênio com o hospital.

"Seleção" feita em Mossoró, relata o oncologista Thiago Rego, causa muitas mortes (Foto: ilustrativa)

Já se passaram 4 meses desde a publicação da portaria.

Para evitar que pacientes aguardem por cirurgias e percam a chance de cura oferecemos cirurgiões oncológicos e anestesistas sem plus para os Municipios que participaram da reunião onde estavam presentes todos os secretários de saúde do estado (Resolução CIB nº 1.043/13-CIB/RN, de 27 de dezembro de 2013 ).

Apesar de credenciados e habilitados igual aos outros serviços e oferecer cirurgiões oncológicos e anestesistas sem plus não podemos funcionar.

O COHM cobra um PLUS de 150% sobre a cirurgia e os anestesistas 100 % sobre a tabela plus. O serviço está em greve há 4 meses. A Liga cobra um plus de 175 % sobre a tabela plus e os anestesistas tabela de convênio. O serviço está funcionando.

Apesar da Prefeitura de Mossoró receber 294 mil reais no Fundo Municipal desde setembro para tratamento de oncologia para mais de 64 municípios do Oeste, até o momento não foi assinado o convênio com o HWR.

Perguntei para a secretária de Saúde (Leodise Cruz) por que estavam demorando para fazer o contrato. Ela disse que teríamos que passar por nova auditoria para adequação á portaria 140. O artigo 46 da portaria 140 estabelece o prazo até 23 de fevereiro de 2015 para adequação de todos os hospitais à nova portaria da oncologia, porém apesar de credenciado e habilitado na portaria 741 /2005 igual aos outros Hospitais, não podemos atender os pacientes.

O atraso não é justificado. Fomos o primeiro hospital do RN a solicitar adequação a portaria 140 e o parecer da auditoria foi favorável, estabelecendo o prazo até 23 de fevereiro para que apresentássemos as pendências. Entreguei as pendências na segunda-feira e até o momento o convênio não foi assinado.

Quando encaminho meus pacientes para regulação de Mossoró para autorização de quimioterapia e cirurgia, eles não autorizam.

A regulação encaminha os pacientes para o COHM que está em greve ou para Liga de Natal onde os pacientes enfrentam uma fila de espera muito grande.

A portaria 140 estabelece um serviço para cada 500 mil habitantes. O RN tem 3.408.510 pelo IBGE . A Rrede de oncologia do Estado definiu que seriam cinco serviços em Natal e dois em Mossoró conforme artigo 30 da portaria 140.

Os secretários de saúde dos municípios das regionais de saúde de Mossoró, Assu e Pau dos ferros solicitaram uma posição da secretária de Mossoró na última reunião da CIB. Até o momento foram depositados 900 mil reais no municipio de Mossoró para tratamento de pacientes com câncer no Hospital Wilson Rosado e alguns pacientes morreram.

Os secretários precisam tomar uma posição sobre o plus porque os pacientes com câncer do estado vivem uma loteria da vida. Para tratar um paciente é preciso matar dois. Uma verdadeira Lista de Schindler.

Exemplo: Se vem 300 mil por mês para oncologia e cobro um plus de 175%, só consigo tratar metade dos pacientes a outra metade tem que esperar para o mês que vem. Porem o câncer não espera. Não sei de quem é a culpa mas os pacientes das regiões de Mossoró, Assu e Pau dos Ferros que esperaram desde de agosto para tratamento não têm mais chance de cura.

Links uteis para que secretários não cometam erros que possam matar pacientes com câncer. //bvsms.saude.gov.br/…/pu…/colec_progestores_livro9.pdf //bvsms.saude.gov.br/…/sas/2014/prt0140_27_02_2014.html

Thiago Carlos Gonçalves Rego – médico oncologista clinico

Rosalba apresenta pauta de recursos para ministro da Saúde

Reunião ensejou apresentação de pauta importante para o estado (FOTO: Rodolfo Stukert)

A Governadora Rosalba Ciarlini (DEM) se reuniu nesta quarta-feira (14), em Brasília, com o Ministro da Saúde, Arthur Chioro, para pleitear a análise e agilização nos trâmites de alguns processos referentes à Saúde Pública do Rio Grande do Norte. São pleitos que estão aguardando aprovação pelo Ministério da Saúde.

Acompanharam a Chefe do Executivo potiguar o secretário estadual de Saúde (SESAP), Luiz Roberto Fonseca, o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Alves (PMDB), e o Deputado Federal Betinho Rosado (PP).

Durante o encontro, a Governadora repassou às mãos do Ministro da Saúde o Plano Quadrimestral da Sesap, que descreve as metas do Governo do Estado para a Saúde Pública e apresentou uma síntese das ações realizadas em sua gestão.

Outro assunto tratado na reunião foram os ajustes no recebimento da contrapartida do Governo Federal para manter o atendimento aos usuários do SUS no Hospital da Mulher, em Mossoró. A unidade hospitalar é considerada de extrema importância para a região oeste e alto oeste do estado na assistência materno infantil.

A audiência serviu para pleitear a recomposição do teto financeiro do estado, além da ampliação da rede de oncologia com a habilitação de Unidades de Assistência de Alta Complexidade (Unacon) em Natal e Mossoró.

“Na área da oncologia, onde se realizam procedimentos de quimioterapia e radioterapia, o Governo do RN viabilizou com recursos próprios a compra de dois aceleradores lineares (aparelhos de radioterapia) que custaram em torno de R$ 6 milhões, sendo um para a Liga Mossoroense de Estudos e Combate ao Câncer e outro para a Liga Norte-Rio-Grandense Contra o Câncer (Natal) e vem mantendo sozinho esta assistência para o tratamento do câncer no estado”, ressalta a Governadora.

Entre os processos em tramitação no Ministério da Saúde estão: a habilitação de 17 leitos de UTI Neonatal em Natal (Hospital Varela Santiago e Hospital Santa Catarina) e Mossoró (Hospital da Mulher e Casa de Saúde Dix-Sept Rosado); a habilitação de 23 leitos de Unidade de Cuidados Intermediários (UCI) Canguru em Mossoró (Hospital da Mulher e Casa de Saúde Dix-Sept Rosado); renovação da pactuação da cardiologia infantil; a habilitação do Hospital da Mulher como unidade de referência para gestação de alto risco; habilitação e qualificação de 5 ambulâncias do Samu 192/RN, que permitirá ativar mais uma Unidade de Suporte Avançado (USA) no Seridó, além de questões relativas às redes de urgência e emergência, atenção à saúde mental, rede Cegonha e cuidados oncológicos.

Com informações da Assessoria de Imprensa do Governo do Estado.