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Estudo mostra crescimento no índice de roubo de cargas

Crescimento dessa modalidade de crime foi acentuada no fim de ano (Foto ilustrativa)
Crescimento dessa modalidade de crime foi acentuada no fim de ano (Foto ilustrativa)

A região Nordeste registrou um crescimento alarmante nos prejuízos financeiros causados por roubos de carga em 2024. Segundo levantamento da ICTS Security, empresa especializada em consultoria e gestão de segurança, a participação da região no total de perdas nacionais saltou de 8,3% para 11,7%, um aumento proporcional de 40%, acendendo um alerta para a expansão da criminalidade em corredores logísticos essenciais para o abastecimento do país.

O avanço das quadrilhas está concentrado em rotas estratégicas como a BR-101, BR-232 e BR-116, que conectam zonas portuárias aos grandes centros urbanos da região. Estados como Pernambuco (4,9%), Bahia (2,5%) e Maranhão (1,4%) lideram em número de ocorrências e prejuízos, com uma atuação cada vez mais organizada e direcionada.

A sazonalidade também tem papel relevante nesse cenário. Somente nos meses de novembro e dezembro de 2024, o número de ataques na região Nordeste cresceu 60%, aproveitando o aumento do fluxo logístico motivado pelas festas de fim de ano. Esse padrão evidencia a capacidade de planejamento das quadrilhas, que ajustam suas operações conforme a movimentação do mercado.

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Veja última pesquisa em cada um dos 12 estados com 2º turno

O segundo turno ocorre em 12 estados nesse domingo (30), com disputas acirradas na maioria deles. Veja abaixo a situação da última pesquisa Ipec divulgada neste sábado (29), em cada um deles: Alagoas, Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Pernambuco, Rondônia, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe.

Arte produzida pelo Diário do Poder
Arte produzida pelo Diário do Poder

Alagoas

Paulo Dantas (União Brasil) – 52%

Rodrigo Cunha (MDB) – 48%

Amazonas

Wilson Lima (União Brasil) – 54%

Eduardo Braga (MDB) – 46%

Bahia

Jerônimo Rodrigues (PT) – 51%

ACM Neto (União Brasil) – 49%

Espírito Santo

Renato Casagrande (PSB) – 53%

Carlos Manato (PL) – 47%

Mato Grosso do Sul

Eduardo Riedel (PSDB) – 53%

Capitão Contar (PRTB) – 47%

Paraíba

João Azevedo (PSB) – 53%

Pedro Cunha Lima (PSDB) – 47%

Pernambuco

Raquel Lyra (PSDB) – 54%

Marília Arraes (Solidariedade) – 46%

Rio Grande do Sul

Eduardo Leite (PSDB) – 56%

Onyx Lorenzoni (PL) – 47%

Rondônia

Marcos Rogério (PL) – 52%

Marcos Rocha (União Brasil) – 48%

Santa Catarina

Jorginho Mello (PL) – 67%

Décio Lima (PT) – 33%

São Paulo

Tarcísio de Freitas (Republicanos) – 52%

Fernando Haddad (PT) – 48%

Sergipe

Fábio Mitidieri (PSD) – 50%

Rogério Carvalho (PT) – 50%

Veja AQUI como foi que terminou o primeiro turno em cada um desses 12 dos estados.

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Veja como terminou 1º turno em 12 estados e como será eleição dia 30

Arte produzida pelo Diário do Poder
Arte produzida pelo Diário do Poder

Doze estados terão eleições dia 30, pleito do segundo turno.

São eles: Alagoas, Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe.

Os eleitores de 14 estados e do Distrito Federal resolveram a eleição para governador ainda no primeiro turno.

A gente mostra nesta postagem como terminou o primeiro turno, quem são os candidatos concorrentes e depois – ainda neste sábado (22) – apresentaremos como está a disputa agora a oito dias da contenda.

Alagoas

Paulo Dantas (União Brasil) – 708.984 votos (46,64%)

Rodrigo Cunha (MDB) – 407.220 votos (26,79%)

Amazonas

Wilson Lima (União Brasil) – 819.784 votos (42,82%)

Eduardo Braga (MDB) – 401.817 votos (20,99%)

Bahia

Jerônimo Rodrigues (PT) – 4.019.830 votos (49,45%)

ACM Neto (União Brasil) – 3.316.711 votos (40,80%)

Espírito Santo

Renato Casagrande (PSB) – 976.652 votos (46,94%)

Carlos Manato (PL) – 800.598 votos (38,48%)

Mato Grosso do Sul

Capitão Contar (PRTB) – 384.275 votos (26,71%)

Eduardo Riedel (PSDB) – 361.981 votos (25,16%)

Paraíba

João Azevedo (PSB) – 863.174 votos (36,95%)

Pedro Cunha Lima (PSDB) – 520.155 votos (23,90%)

Pernambuco

Marília Arraes (Solidariedade) – 1.175.651 votos (23,97%)

Raquel Lyra (PSDB) – 1.009.556 votos (20,58%)

Rio Grande do Sul

Onyx Lorenzoni (PL) – 2.382.026 votos (37,50%)

Eduardo Leite (PSDB) – 1.702.815 votos (26,81%)

Rondônia

Marcos Rocha (União Brasil) – 330.656 votos (38,88%)

Marcos Rogério (PL) – 315.035 votos (37,05%)

Santa Catarina

Jorginho Mello (PL) – 1.575.912 votos (36,81%)

Décio Lima (PT) – 710.859 votos (17,42%)

São Paulo

Tarcísio de Freitas (Republicanos) – 9.881.995 votos (42,32%)

Fernando Haddad (PT) – 8.337.139 votos (35,70%)

Sergipe

Rogério Carvalho (PT) – 338.796 votos (44,70%)

Fábio Mitidieri (PSD) – 294.936 votos (38,91%)

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Candidatos analfabetos

Por François Silvestre

Bolsonaro deu ao Padre Cícero nascimento pernambucano. E arrematou: “Só não sei de qual cidade, qual é mesmo? Digam aí paus-de-arara”. Esse é o Bolsonaro. Analfabeto, ignorante, grosseiro, mentiroso, misógino, misantropo, energúmeno, sacripanta…e mais adjetivos correlatos.

Veio o outro, que foi juiz, mesmo suspeito, mas foi, que deveria ser mais instruído e disse: “Vim ao Nordeste e estive no Agreste do Ceará”. Alguém, da comitiva falou no seu ouvido: “Presidente, o Ceará num tem Agreste”.

Kkkkkkkkkk. Sabe o pior? O pai de Sérgio Moro era professor de Geografia. Você sabia disso? Eu sabia. Porque tenho a mania de aprender as coisas, e quem aprende acaba ensinando.

O Agreste é uma sub-região nordestina, transitória da Zona da Mata para o Sertão, que vem da Bahia até o Rio Grande do Norte, passando por Sergipe, Alagoas, Pernambuco e Paraíba. Não chega ao Ceará. Analfabetos!

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Martírio

Por Marcelo Alves

O que é um “mártir”? Para os mais espiritualizados, a palavra remete aos sofrimentos dos santos católicos. Socorro-me do “Aurélio” (sempre a surrada edição de 1986), para saber o significado do vocábulo “mártir”: “pessoa que sofreu tormentos, torturas ou a morte por sustentar a fé cristã”; “pessoa que sofre tormentos ou a morte por causa de suas crenças ou opiniões”; “quem se sacrifica, sofre ou perde a vida por um trabalho, experiência etc”.Arte-Pedro-Jorge-de-Melo-morto-pela-causa

É por aqui que continuo a história do Procurador da República Pedro Jorge de Melo e Silva, assassinado, no e pelo exercício de suas funções, aos 35 anos de idade, em 3 de março de 1982, em Olinda/PE. Uma morte por causa de sua crença na justiça dos homens. Um sacrifício, com a perda da própria vida, por um trabalho, in casu no MPF e em prol do Estado brasileiro.

Esse martírio é assim resumido pelo memorial da Procuradoria-Geral da República: “Assassinato do Procurador da República Pedro Jorge de Melo e Silva – Escândalo da Mandioca 1982. Entre os anos de 1979 e 1981, na cidade de Floresta, em Pernambuco, militares, servidores públicos, empresários, entre outros, se passam por produtores rurais e conseguem empréstimos no Banco do Brasil para plantação de mandioca.

Em seguida, alegam que a seca tem destruído a plantação e recebem ainda o seguro agrícola. Esse esquema desvia o equivalente, nos dias atuais, a R$ 30 milhões de reais”. Nesse contexto, o Procurador Pedro Jorge denuncia o esquema. Logo após a denúncia, ele recebe ameaças e, sendo afastado do caso, é assassinado no fatídico 3 de março de 1982.

Foi um martírio ingênuo, dirão alguns. Ainda vivíamos, em 1982, a ditadura militar. Havia o envolvimento de militares no “Escândalo”. Em Pernambuco, Pedro Jorge não foi a única vítima, direta ou indireta, desse momento sombrio que passávamos (lembremos do Padre Henrique).

Era o tempo de resistência de Dom Helder Câmara, de Dom Basílio Penido, a quem Pedro Jorge, ex-seminarista, era muito ligado. Um tempo de perseguições, de torturas, de coturnos impunes. De mortes – leia-se assassinatos – dentro e fora da comunidade de Deus.

Prefiro dizer que foi um martírio consciente. Por uma vocação de procurar, sem titubear, o bem e a justiça. Pedro Jorge estava ciente dos riscos que corria. Os depoimentos dos contemporâneos – de Dom Antônio Fernando Saburido, do irmão Irineu Marinho, do Procurador Lineu Escorel Borges e da mãe de Pedro Jorge, entre outros – não deixam qualquer dúvida.

Dom Saburido, no documentário “Pedro Jorge: uma vida pela justiça” (2017) – veja AQUI, é direto: “ele estava consciente disso plenamente. Ele sabia dos riscos que ele estava correndo. Mas foi uma decisão pessoal. Pedro Jorge decidiu mesmo continuar. Ele não quis recuar em momento algum. Mas ele entendeu que aquela era a sua profissão, era a sua missão, e ele não poderia absolutamente facilitar a vida de pessoas que queriam fazer o mal, que estavam utilizando indevidamente recurso do povo”.

E o depoimento do irmão Irineu Marinho, reproduzindo diálogo com Pedro Jorge, mostra que o aparelho estatal, que tinha obrigação de dar proteção ao Procurador, estava corrompido à época: “Irineu, essas pessoas que estão me ameaçando, eles vão colocar como guardas pra mim, porque eles têm poder, eles penetram em todos os ambientes, eles vão colocar como guardas pra mim as pessoas que vão me matar. Então, eu prefiro morrer sem guarda, como um cidadão que está exposto à violência e à insegurança do país”.

Leia também: Vocação

O julgamento do homicídio de Pedro Jorge foi também um martírio. Como no “Escândalo da Mandioca”, forças se juntaram visando à impunidade. Marchas e contramarchas processuais. Mais intimidações. Uma sentença de impronúncia que se fez escândalo e fomentou justa e popular revolta.

Mas ainda havia juízes em Brasília. Júri popular. Apoio cidadão e da Igreja. Condenações. “Fugas” e mais fugas. Captura do mandante apenas em meados dos anos 1990. Cumprimento parcial da pena. Justiça tardia é meia justiça. Além de não ressuscitar o homem covardemente assassinado.

Lembremos, por fim, que, institucionalmente – e falo agora do Ministério Público Federal –, vivíamos, quando do assassinato de Pedro Jorge, uma época completamente diferente da de hoje. São dois MPFs, praticamente. O de então, de 1982 (e nos anos seguintes), rudimentar e sem proporcionar a segurança necessária aos seus membros; e o de hoje, que, muito em razão do martírio de Pedro Jorge, aprendeu duramente a lição.

E essa lição veio também em forma de homenagens. Mas isso já é outra história.

Marcelo Alves Dias de Souza é procurador Regional da República e doutor em Direito (PhD in Law) pelo King’s College London – KCL

Net 5G chegará a todos os municípios do Nordeste gradualmente

O Nordeste vivenciará um salto de conectividade nos próximos anos, após a conclusão do leilão do 5G. Com os compromissos definidos na licitação, Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe serão beneficiados com infraestrutura de telecomunicações, que irá ampliar, exponencialmente, o acesso à internet.5g, Brisanet Entre os principais serviços que vão chegar: 5G em todos os municípios, 4G em localidades com pouca (ou nenhuma) conexão e em trechos de rodovias sem cobertura de rede móvel. Muitos olhos estão voltados para a região por registrar o maior ágio do certame.

A licitação das faixas de radiofrequência abriu mercado para duas novas operadora de telefonia móvel na Região: além das operadoras Tim, Vivo e Claro, os nordestinos contarão com os serviços prestados pelas empresas Brisanet e Winity II.

No entendimento do ministro das Comunicações, Fábio Faria (PSD), a chegada das novas operadoras é fundamental para ampliar a concorrência e pode implicar na redução dos preços praticados hoje no setor de telefonia móvel. No leilão, a Brisanet arrematou o lote C4 da faixa de 3,5 GHz (gigahertz), que cobre toda a região Nordeste, e pagou R$ 1,2 bilhão por 80 MHz (megahertz) da frequência, cujo preço mínimo era de R$ 9 milhões: um ágio de 13.741%.

Cobertura 5G

A mais nova geração de internet móvel chegará a todas as 1.794 sedes municipais do Nordeste, gradualmente, até 2029. As capitais nordestinas serão as primeiras a receber o 5G, até julho do ano que vem. Em seguida, as cidades com mais de 500 mil habitantes serão atendidas até o início de 2023 e, de forma escalonada, a cobertura se estenderá às demais cidades.

Os compromissos preveem ainda a cobertura 5G em 1.148 localidades (que não são sede municipais) da região – isso representa 67% das 1.700 localidades priorizadas no Brasil. O Nordeste também concentra 32% de todos os municípios brasileiros que terão 5G.

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Grupo Agrícola Famosa abre empresa na Europa

Empresa está espalhada por estados nordestinos, como Ceará e RN (Foto: arquivo/Valor/Globo)
Empresa está espalhada por estados nordestinos, como Ceará e RN (Foto: arquivo/Valor/Globo)

Por Egídio Serpa (Diário do Nordeste)

Maior produtora e exportadora mundial de melão, a Agrícola Famosa está abrindo uma empresa no Reino Unido, segundo revela hoje o Valor Econômico.

A empresa já tem nome: Melon&Co e deverá ser a distribuidora dos produtos da Agrícola na Europa.

A Agrícola Famosa produz melão, melancia, banana, mamão e outras frutas, que agora serão acrescentadas ao seu portfólio.

As áreas de produção da Agrícola Famosa estendem pelo Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Piauí.

Leia também: Agrícola Famosa se associa a grupo espanhol em negócio de vulto.

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Maiores festas juninas do país são afetadas por coronavírus

As prefeituras das maiores festas juninas do país, Campina Grande-PB e Caruaru-PE, têm posturas distintas quanto à sua realização, em face da pandemia do coronavírus.

Em Campina Grande, estratégia foi levar evento para mês de outubro próximo (Foto: PMCG)

O São João 2020 de Campina Grande foi adiado. O anúncio foi feito na segunda-feira (23), pelo prefeito Romero Rodrigues (PSD).

Com a medida, o evento está previsto para acontecer entre os dias 9 de outubro e 8 de novembro deste ano, após as eleições – mas ainda dentro do calendário para eventual segundo turno.

Na Paraíba, cinco casos de coronavírus foram confirmados até à manhã desta quinta-feira (26). Mas restam 100 amostras de exames que foram enviadas pela Paraíba ao Instituto Evandro Chagas, no Pará.

Pernambuco

Em Caruaru, a prefeita Raquel Lyra (PSDB) tem postergado uma posição.

Há possibilidade da festa ser cancelada.

No município não houve qualquer óbito devido a doença. Mas três pessoas já faleceram em Pernambuco.

Com informações do G1PB, G1PE e outras fontes.

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A inimiga do rei que se tornou a 1ª presa política do país

Por Camilla Veras Mota (Da BBC News Brasil em São Paulo)

Foram dias pendurada no lombo seco de um cavalo, com os braços acorrentados, até que Bárbara de Alencar percorresse quase 500 km entre o Crato e o Quartel da 1ª Linha em Fortaleza, onde seria encarcerada por oito meses por ter declarado a independência de uma pequena vila na capitania do Ceará de Portugal.

O ano era 1817 e ela tinha 57 anos. Era a primeira vez que uma mulher era presa por motivos políticos no Brasil.

Bárbara foi um dos expoentes da Revolução Pernambucana, movimento de oposição à monarquia que fundou uma república em parte do Nordeste mais de 70 anos antes de o marechal Deodoro da Fonseca dar fim ao Segundo Reinado e transformar o Brasil independente em República.

Capa do livro Bárbara, de Ariadne Araújo, que conta a saga de um nome quase desconhecido (Foto: reprodução)

Para a diretora executiva da Biblioteca Nacional, Maria Eduarda Marques, o movimento é o “berço da democracia brasileira” e, apesar de ter sido mais reprimido – e com maior crueldade – do que a Inconfidência Mineira de Tiradentes, é “pouquíssimo estudado”.

Em 2017, a Biblioteca Nacional fez uma ampla exposição sobre a Revolução Pernambucana. Entre os documentos daquela época, diz a historiadora, aparecem os nomes de apenas três mulheres: duas escravas e dona Bárbara do Crato, como era chamada.

“A Revolução Pernambucana foi um movimento que nasceu entre os padres carmelitas, com lideranças urbanas e participação ativa de intelectuais que estudaram em Coimbra, em Londres. O caso da Bárbara é interessante porque ela não era nada disso”, diz.

Um sertão sem fronteiras

Ela era uma rica proprietária de terras, de escravos e de um sobrenome bastante influente. Três de seus cinco filhos, assim com ela, lutaram para que o Nordeste se tornasse uma república.

O caçula, José Martiniano, é pai do escritor José de Alencar – autor do clássico Iracema e, ironicamente, defensor do regime monárquico durante o período de D. Pedro 2º.

“Não encontrei qualquer menção dele à avó”, diz o escritor Gylmar Chaves, que há 15 anos se dedica a pesquisar a vida da sertaneja e que se prepara para lançar uma biografia romanceada sobre sua vida.

Natural de Exu, em Pernambuco, Bárbara foi parar no interior do Ceará quando casou com o comerciante português José Gonçalves dos Santos, vendedor de tecidos, loções e miudezas na feira do Crato.

As viagens entre as duas cidades, separadas por 60 km de sertão, se tornaram comuns quando ela atingiu a adolescência e acompanhava o pai nas incursões pelas feiras que faziam do interior do Nordeste daquele Brasil um espaço muitas vezes sem fronteiras.

Livro de José de Carvalho publicado em 1917, que conta história de Bárbara (Reprodução: Biblioteca Nacional)

Aos 22, ela casou com um homem 30 anos mais velho, às escondidas, sem o consentimento do pai – e ainda convenceu um padre da Igreja Católica a sacramentar o matrimônio.

Não foi a primeira vez que Bárbara transgrediu os costumes da época, nem a última.

Depois de um ano vivendo no Crato, conta Chaves, ela já administrava em seu Sítio do Pau Seco um engenho onde fabricava rapadura e cachaça e produzia tachos e panelas.

Tudo à revelia do companheiro, que julgava que aqueles eram “negócios de homem”. Bárbara tornou-se viúva jovem, com pouco mais de 40 anos, mas virou uma matriarca muito antes disso.

“Ela não deu muito espaço para o marido (dominar)”, diz Chaves, divertindo-se.

Nos últimos quatro anos, o cearense rodou mais de 15 mil km a partir de Fortaleza para falar sobre Bárbara nas escolas.

O projeto, feito inicialmente de forma voluntária e hoje financiado pelo Edital Mecenas do Ceará, compreende entre 60 e 90 palestras por ano, para alunos de escolas públicas em sua maioria do ensino médio.

De matriarca a ‘inimiga do rei’

“Para dar a justa medida do papel das mulheres da época, ela era vista como masculina, o ‘macho’ da família, uma vez que tomava decisões e gerenciava os bens, sem conselhos dos homens”, diz Ariadne Araújo, autora do livro Bárbara de Alencar.

O caminho para que ela se tornasse revolucionária foi pavimentado dentro do Seminário de Olinda, em Pernambuco, por onde passaram dois de seus filhos.

Fundado em 1800 para formar clérigos para a Igreja Católica, o seminário foi criado pelo bispo Dom Azeredo Coutinho, que, apesar de ser inquisidor-geral de Portugal, era “mais progressista” quando se tratava de educação, conta George Félix Cabral de Souza, do departamento de História da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco).

“Ele acreditava que os sacerdotes deveriam ajudar as pessoas do sertão. Assim, a formação envolvia amplos conhecimentos e com viés prático – que incluía o estudo da Enciclopédia de Diderot e d’Alembert”, diz o historiador, referindo-se à obra referência do Iluminismo.

“Contaminados” pelos ideais iluministas e pela maçonaria inglesa – que difundia o pensamento republicano -, os padres carmelitas seriam protagonistas da Revolução Pernambucana, ressalta Maria Eduarda Marques, da Biblioteca Nacional.

Vista da cidade do Recife a partir do Forte de São João Batista do Brum por volta de 1800 (Reprodução: Biblioteca Nacional)

Amigo de dona Bárbara, o frei paraibano Manuel da Arruda Câmara, que circulava pelo convento em Olinda e foi idealizador do movimento, fundou a primeira loja maçônica do Brasil, esta de inspiração francesa.

Estudou filosofia natural na Universidade de Coimbra, em Portugal, e se mudou para a França revolucionária em 1790 – quando a Bastilha já havia sido tomada em Paris e a burguesia e os camponeses que haviam destronado Luís 16 realizavam a Assembleia Constituinte – para cursar Medicina em Montpellier.

Um de seus discípulos, o padre João Ribeiro, que o acompanhava nas expedições para investigar a flora do sertão e ilustrava seus livros de botânica, também estudou na Europa, onde teve contato com os conceitos de liberdade, igualdade e fraternidade – que, na prática, questionavam o caráter divino da figura do rei e a hierarquização estratificada da sociedade.

Professor do Seminário de Olinda, ele se suicidaria em 1817, com a derrota das tropas republicanas, enforcando-se em uma capela. Seu corpo sepultado foi violado, a cabeça separada do corpo e exposta espetada em um estandarte nas ruas do Recife.

“O padre João Ribeiro, ao lado do padre Miguelinho, estava entre aqueles que tinham as ideias mais radicais”, diz George Félix, da UFPE, citando também o nome do professor de retórica do Seminário.

Bárbara tinha contato com as ideias revolucionárias tanto através dos filhos radicados em Pernambuco – José Martiniano de Alencar e Carlos José dos Santos – quanto através dos religiosos com quem tinha amizade.

“Em sua casa do Sítio Pau Seco recebeu a visita de um dos mais ilustres ideólogos do sistema de governo republicano na colônia, o frei Manuel da Arruda Câmara, o qual fez menção sobre ela em sua carta-testamento, em 1810”, destaca Gylmar Chaves.

A partir de sua fazenda no Crato, ela “assumiu para si a missão de cooptar simpatizantes e fundar núcleos republicanos em fazendas e povoados”.

Dom João 6º como rei do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves (Reprodução: Biblioteca Nacional)

Ariadne Araújo pontua que, naquela época, o clã dos Alencar gozava de poder e prestígio não apenas na região do Cariri, hoje o sul do Ceará, onde estava instalado. A influência da família se estendia a outras áreas da capitania como Barbalha, Jardim e Araripe – na divisa com o atual Estado de Pernambuco – e Várzea da Vaca, hoje conhecida como Campos Sales, no limite com o Piauí.

“Bárbara certamente não só apoiava as novas ideias de liberdade como as assumiu publicamente, ao apoiar o movimento. Isso que torna o papel dela importante para a época”, comenta a escritora.

Isso porque, no Nordeste do século 19, diz Maria Eduarda, da Biblioteca Nacional, a atividade política e as revoluções eram espaços praticamente exclusivos dos homens. As mulheres, em geral, nem emitiam opiniões sobre esses assuntos.

“As mulheres que viviam nos sertões nordestinos na época em que viveu Bárbara de Alencar não tinham direito a nada. Se ela teve o papel que teve nesse movimento político é porque veio de uma família com muita força, dinheiro, terras e prestígio, orgulhosos de sua independência”, acrescenta Ariadne.

“Estas condições transformaram Bárbara em uma mulher que sabia o que queria, forte e corajosa, com um espaço – muito raro por aqueles tempos e naquelas bandas do interior – para existir como sujeito.”

A escritora pondera que, ainda que a participação política tenha colocado a matriarca como ponto fora da curva, ela ainda era “fruto de uma cultura local extremamente moralista e católica”.

Nesse sentido, destaca-se o fato de que ela, até onde se sabe, não era abolicionista – ao contrário de alguns dos seus contemporâneos rebeldes. Bastante religiosa, exigia que os escravos seguissem preceitos do catolicismo e não permitia, por exemplo, que fossem amasiados.

Os cativos, entretanto, não dormiam em senzalas, não sofriam os maus tratos comuns da época e a chamavam de “madrinha”, lembra Chaves. Um deles, Barnabé, chegou a decepar a própria língua entre os dentes quando foi interceptado pelas tropas reais, para não denunciar o paradeiro da “sinhá”. Outra, Brasilina, acompanhou pela mata a peregrinação de Bárbara, depois de capturada, até a prisão em Fortaleza.

Por que o Nordeste queria se separar de Portugal?

A vinda da família real portuguesa para o Brasil em 1808, fugindo das invasões patrocinadas por Napoleão Bonaparte na Europa, mudou o eixo político e econômico da colônia – concentrado nos primeiros séculos na empresa açucareira do Nordeste.

Dom João 6º, então príncipe regente do Brasil, instalou-se com a corte no Rio de Janeiro e, dali em diante, parte considerável dos impostos arrecadados em todo o território passou a fluir para a capitania, que ganhou chafarizes, iluminação pública, praças e grandes avenidas.

Padre João Ribeiro é autor da bandeira da República de Pernambuco (Foto: Biblioteca Nacional)

“Pernambuco, que era uma capitania com superávits comerciais por causa do algodão, se sentiu sobrecarregada com a taxação imposta pela corte”, explica o historiador George Félix.

“A nobreza que expulsou os holandeses (que dominaram Pernambuco até 1654) se sentia como uma espécie de súdito privilegiado”, comenta Maria Eduarda.

“E se ressentiu com a mudança da coroa para o Rio”, acrescenta ela.

Combinado à difusão do ideário iluminista e das revoluções francesa e americana e à tradição de insurreição de Pernambuco, o aumento de impostos foi combustível para a Revolução Pernambucana.

Sai o vinho, entra a cachaça

Apesar de um início atropelado – os planos dos rebeldes foram descobertos um mês antes do início previsto para a deflagração da revolta e eles tiveram que entrar em ação antecipadamente – a República de Pernambuco durou 75 dias.

O padre João Ribeiro desenhou a nova bandeira, que é até hoje representa o Estado. No dia 7 de março de 1817, é instalada uma junta provisória e tem início a experiência de autogoverno.

Com a nova Constituição, que defende a república, os direitos humanos e a liberdade religiosa e de opinião, é abolida uma série de impostos.

Antônio Gonçalves da Cruz, o Cabugá, é enviado aos Estados Unidos como embaixador da república pernambucana com o objetivo de comprar armas e angariar apoio para a luta armada.

O vinho, visto como um produto ligado à metrópole, foi substituído por cachaça nas solenidades e as hóstias distribuídas nas missas, feitas de trigo, passaram a ser fabricadas com mandioca.

Em pouco tempo, a revolução se espalhou, com apoio dos senhores de engenho – que pediram como moeda de troca que os revoltosos não advogassem pela abolição da escravatura -, de intelectuais e das massas populares.

“Eles defendiam o pagamento de menos impostos e a redução do preço dos alimentos – duas mensagens muito simpáticas à população em geral”, diz o historiador da UFPE.

Decreto do governo provisório que extinguia o imposto sobre a carne (Reprodução: Biblioteca Nacional)

No Crato, ela chegou no dia 3 de maio de 1817 – para durar apenas 8 dias.

A república foi decretada durante a missa de domingo, com a leitura de uma carta do emissário José Martiniano, filho de dona Bárbara, acompanhado de cerca de 200 homens.

“Os revoltosos tentaram, a princípio, se organizar, convencer líderes políticos da região, testaram a adesão das novas ideias em reuniões secretas, aliciaram alguns e prometeram empregos e favores a outros”, conta Ariadne.

Três anos no cárcere

A repressão da monarquia foi rápida e truculenta. Os ataques às regiões separatistas envolveram cerca de 8 mil homens.

O saldo entre os rebeldes, segundo George Félix, foram 300 mortos em combate, 100 exilados, 11 executados em praça pública no Recife e outros 3 em Salvador.

Entre a prisão em Fortaleza, no Recife e em Salvador, Bárbara passou mais de três anos no cárcere e teve todos os bens confiscados.

Nas celas do Quartel da 1ª Linha, como narra Gylmar Chaves, os detentos estavam em meio às próprias fezes e urina, expostos a piolhos e pulgas.

A alimentação se resumia a vísceras de animais mal cozidas na água e sal, acompanhadas de uma pequena porção de farinha e servidas uma vez por dia nos mesmos cochos de madeira usados pelos porcos.

A pena, porém, não demoveu Bárbara de crença de que o Brasil deveria ser uma república. Em 1824, aos 64 anos, ela estava mais uma vez ao lado dos três filhos revolucionários, agora na Confederação do Equador. O Brasil já era independente de Portugal, mas governado pelo filho de Dom João, Pedro 1º.

No conflito separatista – que contaria, ao lado das tropas imperiais, com mercenários ingleses como o oficial Thomas Cochrane – ela perderia dois filhos, Carlos José dos Santos, o padre Carlos, e Tristão Gonçalves, que, depois de morto a tiros, teve a mão direita amputada por seus algozes e o corpo exposto por um mês ao sol.

Jurada de morte pelo coronel Pinto Madeira, dona Bárbara, já debilitada, se retirou na Fazenda Touro, na divisa com o Piauí.

Em 1833, um ano depois de o próprio coronel ter sido rendido e enforcado depois de participar de um movimento contrário à abdicação de Dom Pedro 1º, ela decidira voltar à Vila do Crato para ser madrinha de casamento da sobrinha.

Mas não chegaria ao destino: Bárbara de Alencar morreu aos 72 anos, na casa de um sobrinho de segundo grau, onde estacionara para descansar no caminho.

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Presidente do PSL é alvo de operação da Polícia Federal

A Polícia Federal cumpre mandado de busca e apreensão na casa do deputado federal Luciano Bivar, presidente do PSL, em Jaboatão dos Guararapes (PE), nesta terça-feira (15). A operação apura o uso de candidatura laranja pelo partido do presidente Jair Bolsonaro na eleição de 2018. Também são cumpridos mandados na sede do PSL em Pernambuco e em uma gráfica.

O presidente do PSL, deputado Luciano Bivar (PE) (Foto: Marcelo Camargo)/Agência Brasil

Ao todo, nove mandados foram autorizados pelo Pleno do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) para a Operação Guinhol, atendendo a um pedido do Ministério Público Eleitoral (MPE).

A ação busca saber se houve fraude no emprego dos recursos destinados às candidaturas de mulheres – ao menos 30% dos valores do Fundo Partidário deveriam ser empregados em campanhas femininas. Segundo a PF, há indícios de que o dinheiro foi desviado e usado por outros candidatos.

“Pescaria”

defesa do presidente do PSL informou ao G1 que vai colaborar com as investigações da PF. “É um absurdo completo. Esse inquérito está se arrastando há muito tempo, tudo foi esclarecido, não havia necessidade alguma dessa busca e apreensão. O delegado está fazendo uma pescaria para encontrar alguma coisa”, afirmou o advogado Ademar Rigueira.

Saiba mais detalhes clicando AQUI.

Nota do Blog – Essa briga intestina entre membros do PSL (veja AQUI), a partir do presidente Jair Bolsonaro, vai terminar respingando no próprio Palácio do Planalto. E os prejuízos ao próprio partido em todo o país, incluindo o RN, já começaram (veja AQUI). Um desatino.

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Caixa Econômica corta contrato sem maiores explicações

O grupo teatral natalense “Clowns de Shakespeare” emitiu Nota Oficial nesta segunda-feira (9). Noticia que a Caixa Econômica Federal (CEF), patrocinadora de seu mais recente espetáculo, denominado de “Abrazo”, informou-lhe da decisão de rescindir “contrato relativo ao restante desta temporada, que se estenderia até o próximo domingo, 15 de setembro, sob a genérica alegação de descumprimento contratual”.Leia abaixo:

Nota Oficial

No último sábado, dia 7 de setembro de 2019, após haver realizado a primeira apresentação do espetáculo Abrazo na Caixa Cultural Recife, fomos surpreendidos com o cancelamento da segunda sessão do dia, assim como das demais apresentações que seriam realizadas no dia seguinte.

Nesta segunda-feira recebemos um comunicado oficial da Caixa Econômica Federal informando a rescisão do contrato relativo ao restante desta temporada, que se estenderia até o próximo domingo, 15 de setembro, sob a genérica alegação de descumprimento contratual.

Nenhum esclarecimento adicional nos foi dado, o que nos moveu a solicitar da Caixa o parecer jurídico e a decisão administrativa relativos a essa rescisão, com detalhamento para que possamos analisar e nos posicionar apropriadamente sobre o caso.

Até o momento estamos perplexos diante dessa atitude, uma vez que não reconhecemos qualquer indício de infração que pudesse ter sido eventualmente cometida, pois cumprimos com tudo que estava contratualmente previsto.

O contrato de patrocínio celebrado com a Caixa decorreu de edital no qual se habilitou e foi selecionado o Grupo Clowns de Shakespeare, dentro das normas legais de seleção de projetos.

Esperamos que essa justificativa, genérica e lacônica, seja esclarecida pela Caixa, de forma a possibilitar ao grupo defender-se de tal alegação.

Agradecemos o apoio maciço que estamos recebendo de diversos setores da sociedade, e voltaremos a nos pronunciar tão logo a nossa solicitação de esclarecimentos seja atendida pela Caixa.

Leia também: (“Censura”?) Caixa cancela espetáculo infantil sob seu patrocínio.

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ABC empata com Náutico e segue como lanterna

Do Globo Esporte

O 1 a 1 escrito no placar do Estádio dos Aflitos não foi nada bom para o Náutico que, dentro de casa, foi surpreendido pelo ABC e não saiu da sétima colocação do Grupo A da Série C, com 12 pontos.

Os dois times jogaram neste sábado (29), em Recife-PE.

Já para o time potiguar, menos mal. Mesmo sem deixar a lanterna, com seis pontos, pontuou pelo segundo confronto consecutivo. Em toda a competição, foi a segunda vez que somou alguma coisa fora dos seus domínios.

O ABC chega à sua oitava partida sem vencer, com três técnicos (o atual é Roberto Fernandes).

Gols

Thiago abriu placar para o Náutico no primeiro tempo, contando com falha do goleiro Saulo.

O empate do time natalense saiu em cobrança de falta de Ivan, já no segundo tempo.

O ABC volta a jogar no próximo sábado, dia 6 de julho, contra o Treze, no estádio Frasqueirão, às 18h.

Já o Náutico só entra em campo novamente, na segunda-feira, dia 8 de julho, contra o Imperatriz-MA. O jogo será no estádio Frei Epifânio, às 20h. Saiba mais detalhes do jogo clicando AQUI.

Globo empata

O Imperatriz ia conseguindo entrar no G4 do Grupo A do Campeonato Brasileiro da Série C com a vitória sobre o Globo, por 1 a 0, mas um vacilo no último lance permitiu o empate do adversário. O jogo válido pela décima rodada aconteceu no Manoel Barretto, neste sábado, em Ceará-Mirim.  Na sexta colocação, o Imperatriz tem 12 pontos e ficaria em quarto lugar pelo menos até segunda-feira, quando Sampaio Corrêa e Confiança fazem um confronto direto. Já o Globo chegou ao quinto jogo sem vitória e está na beira da zona de rebaixamento, em décimo lugar, com dez.

Manoel Cristiano abriu o placar para o time do Maranhão no segundo tempo e Jean Natal empatou. Saiba mais detalhes do jogo clicando AQUI.

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Turismo em queda mostra engodo da Copa do Mundo

Segundo estudos do Ministério do Turismo, revelado pelo Tribuna do Norte no fim de semana, o RN perdeu 59,35% de turistas internacionais nos últimos dez anos.

Paralelamente, estados como Pernambuco e Ceará tiveram crescimento de 8,95% e 48,28% – respectivamente.

Importante ser assinalado que essa queda abissal em relação ao RN ocorre mesmo com o ufanismo da Copa do Mundo de 2014, que chegou ao estado com o Arena das Dunas.

Propagava-se que haveria um enorme fluxo turístico a partido daí.

A Copa do Mundo e outros eventos desse porte serviram muito bem à indústria da corrupção multipartidária instalada em Brasília, bem como a uma horda de empreiteiras.

O “legado da Copa” para o RN é um trambolho que custará a ser pago pelo povo potiguar.

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Projeto Bicho-da-Seda começa a dar seus ‘frutos’

Por Josivan Barbosa

Nas décadas de 80 e 90 a antiga a Escola Superior de Agricultura de Mossoró (ESAM), hoje Ufersa, tinha um importante projeto de pesquisa em parceria com o Governo da China sobre sericicultura. O projeto Bicho- da-Seda como era conhecido pela comunidade acadêmica, era coordenado pelo brilhante professor Marcos Filgueira.

Naquela época poucos acreditavam no potencial econômico que o projeto poderia trazer para o nosso RN que já precisava de sorte.

Passadas mais de duas décadas daquele importante projeto de desenvolvimento científico e tecnológico da nossa ex-ESAM, o Estado mais rico do país mostra resultados animadores com o bicho-da-seda.

O fio da meada

O número de produtores paulistas dedicados à atividade da Sericicultura vem crescendo nos últimos quatro anos e deverá somar 290 neste ano, ante 215 em 2018. Em todo o país são 2,5 mil famílias, concentradas em São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraná, sendo o último responsável por 84% da produção brasileira.

Em São Paulo, são 890 hectares dedicados ao cultivo de amoreiras e aos barracões para a criação das larvas. Na próxima safra, a área deve chegar a 1.050 hectares. Ainda é pouco perto da área dos anos 1990, mas indica que há novamente uma mudança em curso na sericicultura nacional.

A atividade voltou a atrair a atenção dos produtores paulistas por causa do aumento dos preços. Nos últimos seis anos, o preço do quilo do casulo verde (com teor líquido de 15%) pago ao produtor aumentou 45,4%, para a referência atual de R$ 16,80. Mas o valor pode chegar a R$ 25 dependendo da qualidade do fio. Na safra passada, a referência foi de R$ 16 por quilo, com picos de R$ 20.

Bolsa família

O orçamento do governo federal prevê R$ 30,1 bilhões para o Bolsa Família neste ano. Com a concessão do 13º, deverão ser reservados mais R$ 2,6 bilhões para esse fim. Segundo os dados mais recentes do Ministério da Cidadania, o Bolsa Família atende 14,1 milhões de famílias – o que representa um valor médio de R$ 187 por família.

Diante desses fatos, precisamos nos perguntar se a concessão do 13º era a melhor opção a ser tomada. Supondo que você, caro(a) leitor(a), ocupasse o lugar de Bolsonaro no Planalto do Planalto e quisesse dar uma turbinada no Bolsa Família, qual opção você tomaria: a) concederia o 13º para os atuais beneficiários; b) autorizaria um reajuste de 8,33% no valor mensal do benefício; ou c) ampliaria a base de atendidos pelo programa, alcançando 1,2 milhão de novas famílias?

Bolsa família II

Com relação à alternativa de ampliar o programa, não devemos perder de vista que, após um ciclo econômico fortemente recessivo do qual ainda estamos longe de nos recuperarmos, o número de pessoas em situação de pobreza cresceu no país. Estudo do Banco Mundial publicado no início do mês indica que houve um aumento de 3 pontos percentuais na taxa de pobreza brasileira entre 2014 e 2017, chegando a 21% da população – o Banco Mundial considera os limiares de US$ 1,90 e US$ 5,50 por dia para definir, respectivamente, extrema pobreza e pobreza.

Neste cenário de expansão da pobreza, faria sentido expandir o número de beneficiários do Bolsa Família, inclusive para minimizar os efeitos da crise sobre a parcela mais vulnerável da sociedade.

Mas o governo do consórcio bolsonarismo optou pela alternativa a. Trata-se da nova/velha forma de governar: desenvolvendo políticas públicas baseadas em evidências… eleitorais. Ao conceder o 13º para o Bolsa Família, Bolsonaro age de forma eleitoreira da forma como ele sempre criticou Lula e o PT.

Indústria de calçados

O Rio Grande do Norte pode fazer com a indústria de movelaria o que o Ceará fez com a indústria de calçados. Os incentivos fiscais atraíram grandes fábricas de calçados para ao Ceará nas últimas décadas. A Grendene, maior exportadora de calçados do país, tem uma unidade no Crato (polo do Cariri), uma em Sobral e outra em Fortaleza. A Vulcabras, dona da marca Olympikus, tem uma unidade em Horizonte, e há outras dezenas de fábricas de todos os portes espalhadas pelo interior do Estado. Juntas, elas somavam pouco mais de 52 mil empregos ao fim de 2017, 17,7% a menos do que em 2014.

Restos a pagar

Os gastos empenhados e não pagos no agregado dos 26 Estados e do Distrito Federal ao fim do ano passado somaram praticamente R$ 100 bilhões.

É um dado adicional no já conhecido cenário de deterioração das contas estaduais, mas que contribui para enxergar a dimensão do problema. O montante de restos a pagar é comparável ao do déficit previdenciário dos Estados que, em 2017, somou R$ 94, 4 bilhões.

O levantamento do Tesouro considera restos a pagar processados e não processados do exercício de 2018 e, também, os acumulados dos anos anteriores. No ano passado, os processados do exercício somaram R$ 53,3 bilhões enquanto os de períodos anteriores foram de R$ 22,2 bilhões. Os não processados referentes ao ano passado totalizaram R$ 18,8 bilhões enquanto os de exercícios anteriores somaram R$ 5,5 bilhões. Os Estados de Alagoas, Rio Grande do Norte, Mato Grosso do Sul e o Distrito Federal não haviam apresentado os dados completos quando o Tesouro fez o levantamento.

Há dois tipos de restos a pagar: os processados e os não processados. Os não processados se referem a despesas que foram apenas empenhadas, mas ainda não foram liquidadas e pagas. Os processados se referem a despesas que foram empenhadas e liquidadas, ou seja, os fornecedores já prestaram os serviços e o Estado tem uma obrigação formal de pagamento.

A conta de restos a pagar faz parte do fluxo natural entre a contratação, a prestação de serviços e o pagamento.

RN tem jeito sim

Muitas pessoas têm nos perguntado se o nosso RN tem jeito. Abaixo coloco dois excelentes exemplos de que precisamos atentar para a captação de investimentos para o Estado. Vejam os exemplos de Pernambuco e do Norte da Argentina na busca por novos investimentos nacional e estrangeiro.

O exemplo de Pernambuco

Dois grupos espanhóis devem ser os investidores do maior complexo de energia fotovoltaica do país, projetado pela Solatio. O empreendimento, em São José do Belmonte (PE), demandará investimento de R$ 3,5 bilhões, sendo 65%  financiado por bancos públicos do Brasil e o restante será aporte de capital.

O complexo de sete usinas em São José do Belmonte, que tem 33 mil habitantes no sertão do estado, terá potência de 1.100 Megawatts. A maior usina solar em atividade no Brasil hoje, em Pirapora (MG), tem um terço desse tamanho. Esse complexo representa a estreia da empresa em empreendimentos com foco no mercado livre. Até agora, as usinas que projetou no país, que somam 1 GW, foram todas com foco no mercado regulado.

O exemplo do Norte da Argentina

No cenário árido e lunar das terras montanhosas e ensolaradas do Norte da Argentina está nascendo a maior fazenda de energia solar da América do Sul, com financiamento e tecnologia da China.

O projeto, chamado Cauchari, expõe a crescente influência de Pequim como financiador de grandes projetos em países emergentes que sofrem de falta de capital. E ajuda a China a solidificar sua posição como líder mundial em tecnologia de energias renováveis.

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Universidade Federal Rural do Semiárido

Duas toneladas de cocaína são encontradas em Porto de Natal

Cocaína agora com melões (Foto: cedida)

Do G1RN e Blog Carlos Santos

Pelo visto, o Porto de Natal é mesmo uma porta aberta à exportação de cocaína.

Depois da localização e apreensão de 998 tabletes com essa droga, totalizando 1.275 quilos, à madrugada de terça-feira (12), esta quarta-feira (13) reservou descoberta ainda maior.

A Receita Federal e a Polícia Federal localizaram duas toneladas de cocaína em contêineres, onde a princípio deveriam existir apenas melões procedentes de Pernambuco.

Ontem, eram mangas que camuflavam a droga.

As frutas (com as drogas) iriam para a Holanda.

Assim, em dois dias a apreensão de cocaína passa de 3,2 toneladas no Porto de Natal.

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ABC perde para o Santa Cruz pela Copa do Nordeste

Do Globo Esporte

O jogo não foi lá essas coisas, mas o Santa Cruz deixou a Arena de Pernambuco na tarde deste sábado comemorando por ter conseguido somar três pontos na tabela de classificação da Copa do Nordeste.

O Tricolor venceu o ABC por 1 a 0, com um gol do atacante Jô, que vivia um jejum de mais de um ano e meio sem marcar gols.

Foi a primeira vitória do time pernambucano no regional. Por outro lado, a equipe potiguar conheceu sua primeira derrota.

Com a vitória, o Santa Cruz assume a terceira colocação do Grupo A, com quatro pontos conquistados. O ABC é o quarto colocado do Grupo B, também com quatro pontos.

O Santa entra em campo novamente na quarta-feira, às 21h30, contra o Petrolina, fora de casa. A partida é válida pelo Campeonato Pernambucano. No mesmo dia, mas às 20, o ABC vai até Mossoró jogar contra o Potiguar pelo Campeonato Potiguar.

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A pedra do chapéu

Por Odemirton Filho

A chamada “Questão de Grossos” foi uma disputa judicial entre os estados-membros do Rio Grande do Norte e do Ceará pelos limites territoriais, que hoje, contemplam os municípios de Tibau e Grossos.

Sobre o tema, ensina-nos o historiador Geraldo Maia:

(…) “No século XVIII, a economia do Rio Grande do Norte tinha por base apenas a agricultura e a indústria pastoril. O Oeste potiguar, principalmente Mossoró, era grande fornecedor de gado para a Província de Pernambuco, tanto gado de corte como de tração para os engenhos. A boiada era tangida com grande dificuldade, chegando sempre ao seu destino menor e mais magra, o que causava prejuízos para os fazendeiros. Para evitar essas perdas, resolveram que ao invés de fornecer gado vivo, passariam a charquear a carne, como já era feito no Ceará, pois dessa forma a carne podia ser enviada para grandes distâncias sem prejuízo da qualidade. Assim foram instaladas oficinas de charqueamento em Mossoró e Açu”.E continua:

“A medida causou, no entanto, descontentamento tanto da parte do Ceará quanto de Pernambuco. Os cearenses não gostaram da concorrência das charqueadas mossoroenses e os pernambucanos reclamavam da falta de boi para tração dos engenhos.  Medidas foram tomadas para acabar com as charqueadas do Rio Grande do Norte, inclusive fechando os portos de Açu e de Mossoró. As carnes secas só poderiam ser fabricadas no Ceará, conforme determinações reais. Mas para charquear a carne, o Ceará precisava do sal que era produzido no Rio Grande do Norte. A Câmara de Aracati sugeriu então estender seus limites, penetrando em território potiguar” (…).

Da disputa judicial, que teve Rui Barbosa em defesa do RN, esse saiu vencedor, ficando a área que, atualmente, são as cidades de Tibau e Grossos sob os seus domínios territoriais.

Em Tibau a pedra do chapéu delimita o território entre os dois estados. Em um lado está a praia que pertence ao Ceará e, do outro, a praia sob o domínio potiguar.

A praia de Tibau, sem dúvida, é sinônimo de beleza. A pedra do chapéu adorna, ainda mais, a singular paisagem que a caracteriza.

Caminhar na areia da praia é sentir a natureza. Vislumbrar a imensidão do oceano é descortinar um horizonte que resgatam lembranças e vicejam sonhos. Mergulhar em suas águas é a certeza de emergir com a alma renovada.

Em Tibau o passado e o presente se encontram. A infância encontrava na pedra do chapéu e nos morros de areias coloridas os seus momentos mais doces.

Era comum, quando a maré estava alta, atravessar de um lado ao outro, arriscando-se, já que a pedra do chapéu é banhada por fortes ondas, que nela quebram. Não havia preocupação em escorregar e cair. A infância, como sabemos, não conhece o medo.

Na juventude, percorrer os vários quilômetros da praia em um buggy ou motocicleta era a “ostentação” à época. As paquera e namoro tinham o cenário perfeito.

À tarde caminhar na praia, sem compromisso. Esperava-se à noite, na qual a adolescência, por vezes, não encontrava limites.

O tempo passa. As lembranças insistem em assaltar a alma.

A divisão territorial é típica de uma Federação. Porém, não importa a quem pertença o lugar, a pedra do chapéu continua a embelezar a praia, imponente, em uma escultura que somente a natureza sabe talhar.

Por fim, como sabemos, o passado sempre visita o presente na vã tentativa de reviver.

Esqueçamos o pretérito imperfeito. Resgatemos do passado, somente, os melhores momentos.

Que 2019, caro leitor, seja um ano que nos traga, no futuro, saudosas lembranças.

Odemirton Filho é bacharel em Direito e oficial de Justiça

Estátua de Lampião coloca uma cidade em pé de guerra

Por Vinícius Mendes (BBC News Brasil)

As várias opiniões sobre a figura de Virgulino Ferreira da Silva, o “Lampião”, foram bem ilustradas pela música Fim da História, do músico baiano Gilberto Gil: “Lampião sim, Lampião não, Lampião talvez/ Lampião faz bem, Lampião dói…”, diz um trecho.

Segundo Gil, a letra foi uma resposta a um artigo do filósofo nipo-estadunidense Francis Fukuyama, que naquela época havia ficado mundialmente famoso por sugerir que a queda do Muro de Berlim, em 1989, significava o “fim da história” e a vitória definitiva do capitalismo liderado pelos Estados Unidos.

Estátua está no Museu do Cangaço de Serra Talhada em Pernambuco (Foto: Museu)

Uma cidade do interior de Pernambuco, no entanto, oferecia, para Gil, o contraponto perfeito ao argumento de Fukuyama. Em 1991, quando Gil ainda trabalhava naquela canção, o município de Serra Talhada, a 407 quilômetros de Recife (PE), mergulhou numa discussão exaltada sobre Lampião, que nascera ali no final do século 19.

Uma fundação local queria erguer uma estátua do cangaceiro numa área pública do município, mas as famílias mais tradicionais da cidade rejeitavam a ideia. Para tentar resolver o embate, a prefeitura decidiu promover uma consulta pública para que a população decidisse sobre ela (“Passaram-se os anos, eis que um plebiscito/ Ressuscita o mito que não se destrói…”). O monumento venceu nas urnas, mas nunca foi construído.

Quase trinta anos depois – novamente rejeitando o “fim da história”, diria Gil – e mesmo em um momento diferente, Serra Talhada tende a se dividir outra vez em torno do mesmo assunto: uma fundação anunciou que vai instalar ainda neste ano três estátuas em uma área próxima ao centro da cidade: uma de Lampião, outra de sua esposa, Maria Gomes de Oliveira, a “Maria Bonita”, e uma terceira de um dos seus soldados mais próximos, Isaías Vieira dos Santos, o “Zabelê” (“Sempre o pirão de farinha da História/ E a farinha e o moinho do tempo que mói…”).

O projeto faz parte das comemorações de 80 anos da morte do cangaceiro, que foi lembrada em muitas cidades do interior nordestino ao longo deste ano.

O plebiscito de 1991

No começo de 1988, o então vereador Expedito Eliodoro (extinto PDS) apresentou um projeto para construir uma grande estátua de Lampião no alto da serra que moldura e inspira o nome do município, a cerca de quatro quilômetros da praça central. Sua ideia era inspirada no monumento de 27 metros do Padre Cícero, erguida 20 anos antes em Juazeiro do Norte, no Ceará.

Naquele ano, alguns grupos da cidade se preparavam para comemorar os 90 anos do nascimento do cangaceiro, cujos esparsos registros indicam que aconteceu ali, em um sítio nos arredores, em algum dia de junho de 1898.

À época, a relação de Serra Talhada com Lampião era ambígua: enquanto muitos soldados das forças volantes que combateram o cangaço pelo sertão nordestino nas décadas de 1920 e 1930 ainda estavam vivos e tinham se tornado nomes importantes da política e da economia municipal, movimentos estudantis, culturais e operários tinham nele uma imagem de luta por justiça social.

Morto em 1938, três semanas depois do seu aniversário de 41 anos, em Poço Redondo, no Sergipe, Lampião não tinha sequer um logradouro em sua cidade natal (“…Um cangaceiro/ Será sempre anjo e capeta, bandido e herói…”)

Sem apoio parlamentar, o projeto de Eliodoro – que tinha sido o vereador mais votado da história municipal – não foi aprovado. “A ideia era muito doida: ter uma estátua gigante do Lampião no alto do morro. Sairia caro, mas óbvio que seria muito bacana para a cidade”, afirma Cleonice Maria, presidente da atual Fundação Cabras de Lampião de Serra Talhada.

Lampião foi morto pouco depois de completar 41 anos, em 1938 (Foto: Benjamin Abrahão/IMS)

A ideia nunca mais abandonou o município: no ano seguinte, quando um jornalista da recém-chegada TV Asa Branca, afiliada da Rede Globo em Caruaru, a 314 quilômetros, soube do projeto vencido, viajou até a cidade para fazer uma reportagem sobre a estátua. Era o que faltava para virar o principal assunto dos pouco mais de 72 mil habitantes.

“Foi entre abril e maio de 1990. A imprensa local, que até então pouco falara no assunto, passou a repercuti-lo, e logo virou um debate em todos lugares de Serra Talhada. Você ia no bar, estavam falando sobre a estátua de Lampião. Ia na escola, a mesma coisa. Na rua, no salão de cabeleireiro, no mercado, no trabalho. Só se falava disso”, conta o jornalista, professor e historiador Paulo César Gomes, que estuda o fenômeno social do cangaço.

Em 1991, a extinta Fundação Casa da Cultura de Serra Talhada tomou a ideia para si e propôs que a prefeitura abrisse uma consulta popular sobre a construção da estátua não no alto do morro, mas em uma área conhecida como Estação do Forró, atrás da antiga parada ferroviária. O presidente da instituição à época, Tarcísio Rodrigues, já tinha em mãos uma maquete feita pelo artista plástico Karoba, que ficou exposta ao público local.

O prefeito topou a ideia e decidiu marcar o plebiscito para o feriado de 7 de setembro – dia da Independência do Brasil. “Foi um embate entre gerações de Serra Talhada, porque os contemporâneos de Lampião se posicionaram contra: eles tinham sido influenciados pelo legado negativo dele, pela perspectiva da violência e do banditismo”, recorda Gomes.

“Os jovens, que vieram depois que Lampião morreu, não tiveram essa mesma influência. Eles encamparam a luta nos movimentos estudantis, centros acadêmicos e com o apoio de associações operárias”, completa.

A consulta da prefeitura de Serra Talhada chamou a atenção da imprensa pelo país: em julho de 1991, a revista Veja publicou uma reportagem dizendo que a votação era a “última batalha do rei do cangaço”. O jornal carioca O Globo foi na mesma linha, afirmando que Lampião finalmente seria julgado, 53 anos depois de seu assassinato.

Polêmica em Serra Talhada se arrasta há tempos (Foto: PMST)

De acordo com a Justiça Eleitoral de Serra Talhada, 76% dos eleitores (2.289 pessoas) votaram pelo “sim”, contra 22% do “não” e 0,8% de abstenções. A apuração foi acompanhada pela jornalista Vera Ferreira, neta de Lampião e Maria Bonita e, após o anúncio do resultado, os apoiadores da estátua aproveitaram o desfile cívico de 7 de setembro e a festa de Nossa Senhora da Penha, padroeira da cidade, para comemorar nas ruas. Nas semanas seguintes, os que tinham feito campanha pelo “não” ameaçaram destruir o monumento assim que ele fosse erguido.

A estátua de Lampião, porém, jamais se materializou. Sem dinheiro para executar a ideia, que previa grandes dimensões e o uso de materiais como bronze e granito, a fundação – que tinha assumido a responsabilidade da construção – não conseguiu financiamento para tirá-la do papel. A Fundação Banco do Brasil, uma das sondadas por Rodrigues, não quis patrocinar o projeto. Em 1993, quando ele deixou a presidência da instituição, o plano foi definitivamente engavetado.

A relação entre Lampião e Serra Talhada, no entanto, mudou depois daquele ano – mesmo sem a estátua.

Uma pequena praça no centro da cidade passou a ser chamada informalmente de “Pracinha do Lampião”, mesma época em que um novo hotel abriu suas portas com o apelido do cangaceiro. Uma rua da periferia foi nomeada oficialmente de Virgulino Ferreira da Silva e, em 1995, membros de um grupo de teatro de rua criaram a Fundação Cabras de Lampião que, por sua vez, deu origem ao Museu do Cangaço, localizado no mesmo espaço onde ficaria o monumento.

“Abriu-se uma perspectiva de se explorar comercialmente a figura de Lampião do ponto de vista do turismo. Houve uma ascensão do xaxado (dança criada pelos cangaceiros a partir das bases do forró), de eventos relacionados ao cangaço e depois veio o museu. O plebiscito foi uma virada na forma como Serra Talhada lida com Lampião, mas a cidade precisou que a opinião popular prevalecesse para que isso acontecesse”, analisa Gomes.

O novo projeto

Depois de 27 anos do plebiscito, um novo projeto de estátua de Lampião voltou a dividir Serra Talhada. Neste ano, em que várias regiões do Nordeste lembraram do aniversário de 80 anos da morte do cangaceiro, Cleonice Maria, da Fundação Cabras de Lampião, anunciou em julho que o monumento enfim será erguido ao lado do Museu do Cangaço.

As dimensões do projeto são diferentes do que havia sido proposto em 1991, assim como os custos envolvidos, mas Cleonice o encara como uma retratação da cidade com a figura de Lampião. “Lampião é um símbolo de resistência e está na história como um homem que lutou contra todo tipo de exploração e de injustiça. A maioria das pessoas em Serra Talhada apoia nossa ideia e reconhece a importância dele para a cidade”, afirma.

AS ESTÁTUAS ESTÃO MUITO BONITAS. Vamos colocá-las na parte externa do museu e deixá-las ali para que as pessoas façam suas homenagens”, comenta, empolgada.

Produzidas a partir de concreto armado pelo artista Zaldo Mendes, de Sanharó, a 215 km de Serra Talhada, elas terão 1,80 metro de altura sobre pedestais de 1,5 metro. As peças já estão na cidade, mas ainda não foram instaladas pela demora da fundação em organizar a inauguração – o mais provável é ela aconteça em janeiro, fora das comemorações de 2018.

O anúncio, assim como aconteceu no começo dos anos 1990, não foi bem recebido por todos os moradores. Agora, além da figura heróica, os apoiadores da estátua são aqueles que acreditam que o monumento vai atrair ainda mais turistas interessados na história de Lampião para Serra Talhada, beneficiando a economia local. De outro lado estão as pessoas que consideram que a imagem do cangaceiro é negativa para a cidade.

Nas redes sociais, xingamentos como “bandido”, “assassino”, “estuprador”, “sanguinário” e “facínora” pipocaram para se referir a ele quando a notícia foi publicada pelo principal jornal local. Cleonice conta que, depois de uma entrevista a uma rádio, as reações subiram de tom nas ruas, apesar de não ter recebido ameaças.

Soldados da volante

O empresário Euclides Ferraz Neto é um dos principais oposicionistas da ideia. Neto e sobrinho de soldados da volante de Pernambuco que combateram Lampião no sertão, ele conta que cresceu ouvindo histórias sobre os crimes do cangaceiro. “Fica essa questão se ele foi um herói oi não foi, mas para a minha família, que passou a vida defendendo o Estado, Virgulino sempre foi um homem com uma vida pregressa, um fora da lei”, diz.

Lampião fotografado em 1936 (Foto: Benjamin Abrahão)

“A estátua é uma tentativa de algumas pessoas colocarem a ideia de que Serra Talhada vive a cultura de Lampião. Isso é uma mentira. Sequer somos a capital do xaxado. Não tem nenhum programa voltado para isso aqui. Não há nenhum benefício cultural ou histórico em colocar um monumento desses na cidade. Eu acredito que, fazendo a pergunta certa em um plebiscito, todo mundo vai se posicionar contrariamente”, completa.

O prefeito Luciano Duque (PT), eleito em 2016, porém, é um entusiasta dos monumentos. “Tem gente que odeia e tem gente que admira, mas eu vejo como uma figura histórica que teve importância para a cidade e para a região”, opina. “Além de tudo, será benéfico para o turismo, porque o cangaço, como fenômeno, é conhecido no mundo inteiro”. Como a estátua será colocada em uma área de propriedade privada da fundação e não necessitou de recursos públicos, a prefeitura não teve participação na decisão.

Cleonice diz achar difícil que os monumentos sejam vandalizados, como ameaçavam os opositores do projeto original, e que não há como comparar o plebiscito de 1991 com o contexto atual de Serra Talhada. “De lá pra cá muita coisa aconteceu. O curso da história foi modificado. Aquelas promessas de jogar bombas, deixar um avião cair sobre a estátua… Isso não existe mais, porque a cidade apoia Lampião”, diz ela, se referindo às ameaças feitas à época.

Ferraz, no entanto, não é tão otimista quanto Cleonice. “Se a estátua de Juraci Magalhães, que foi um estadista, um governador, foi depredada quando colocada na praça da cidade, por que a de Lampião não seria?”, indaga.

Ainda hoje alguns soldados da antiga força volante de Pernambuco estão vivos em Serra Talhada, bem como antigos amigos do fazendeiro José Alves de Barros, o “Zé Saturnino”, primeiro grande inimigo de Lampião, e ex-cangaceiros que chegaram a lutar com ele no sertão nordestino.

Nas eleições presidenciais deste ano, a divisão entre eleitores de Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL) foi bastante marcada pelo debate sobre a estátua – o petista teve 77% dos votos no segundo turno no município.

Para o historiador Paulo César Gomes, o plebiscito de 1991 ainda influencia a percepção de Serra Talhada sobre o cangaceiro, o que pode influenciar no debate atual. “Hoje é mais fácil debater o cangaço nas escolas, porque os alunos pedem filmes sobre o assunto, procuram o Museu do Cangaço, querem dançar xaxado e procuram saber se Lampião foi um bandido ou um herói”, conta.

“Mesmo depois de tantos anos a gente não saiu desse embate. Aquele 7 de setembro de 1991 nunca acabou”, completa. No fim da história, como cantou Gil, “tantos cangaceiros/ Como Lampião/ Por mais que se matem/ Sempre voltarão”.

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TV Terra do Sal investe pesado para priorizar jornalismo

Magalhães e Carolino: expansão (Foto: divulgação)

Principais executivos da TV Terra do Sal (Canal 14 aberto e 173 na Brisanet), com sede em Mossoró, o advogado Jaílton Magalhães e o oftalmologista Vanderlânio Carolino, empreendedores majoritários, definem cronograma de avanço na programação própria da emissora. Prioridade é o jornalismo.

Novo e amplo estúdio, setores de retaguarda técnica e outros investimentos estão prontos na sede da emissora à Avenida Alberto Maranhão, em frente à Capela de São Vicente.

Expansão

Em breve uma unidade móvel-link (para transmissões ao vivo) estará à disposição também da TV, afiliada da Rede Super.

A TV Terra do Sal pode ser captada pelo sistema Brisanet no RN, Paraíba e Ceará e em breve a expansão do cabeamento chegará ao estado de Pernambuco.

Quanto ao sinal aberto, ele cobre Mossoró e municípios próximos. Outro transmissor alcançará o Alto Oeste, a partir de Pau dos Ferros.

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Virou tendência o vai-e-vem judicial-ejaculatório

A juíza Roberta Barcala Baptista Coutinho, da 3ª Vara de Família e Registro Civil da Comarca de Jaboatão dos Guararapes-PE, liberou sujeito que ejaculou numa mulher em ônibus, em Pernambuco.

Só pode ser moda, uma tendência, esse vai-e-vem judicial e ejaculatório.

Thiago Miguel da Silva, 23, vendedor ambulante, ejaculou no braço de uma mulher grávida no interior de um ônibus intermunicipal, à noite de terça-feira (5). Foi preso, mas em seguida solto por decisão judicial em audiência de custódia.

Veja detalhes do caso clicando AQUI.

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Beber o defunto

Por François Silvestre

Havia um hábito nada mórbido, pois festivo, em alguns lugares do Nordeste, de transformar o velório numa comemoração.

Chamava-se beber o defunto. Na Bahia, principalmente, descendo do Recôncavo até o Raso da Catarina. Era uma prática que imitava um costume mexicano, que faz do sepultamento uma festa. E transforma o dia de finados num evento de louvação da vida, e não chorumela da morte.

É bem verdade que, no mesmo Nordeste, principalmente na Zona da Mata, e fronteiras de Pernambuco, o velório era um evento choroso e chato, com carpideiras compradas para prantear o morto. E aí se compensava a hipocrisia de parentes que se viam livre do defunto, ou que receberiam bens e dinheiro do inventário.

Geralmente com as frases prontas, que a velha fornalha hipócrita tostava de falsa saudade: “Foi um descanso para ele”. “A vida continua com sua memória”. As carpideiras choravam as incelenças, enquanto nos cantos da casa escolhia-se o inventariante.

Por que de Pernambuco à Bahia? Porque era a área mais próspera do Nordeste. Aqui no Rio Grande do Norte, fora algumas exceções, cada defunto nem merecia carpideira ou enganação. Se era boa praça, de família pobre, os parentes choravam de vera. Se não prestava, carregavam pra cova em silêncio, por respeito aos vivos.

Não precisavam de carpideiras nem de festejo. Defunto sem herança já ia tarde. Ou como diria Zé de Estevão, “dane-se amadiçoado”.

Outra prática comum é o anedotário em que se transformam os velórios. Com prevalência das anedotas de português e papagaio. Dizem as línguas mais ácidas que algumas dessas estórias fazem ri até o finado.

Já contei aqui um episódio acontecido em Tangará, nos tempos áureos da liderança de Theodorico Bezerra. O Majó encarregou um assessor para representá-lo no sepultamento de um cabo eleitoral.

Dias depois, o Deputado Theodorico, que estava no Rio de Janeiro, recebeu do assessor um telegrama. “Missão cumprida vg velório muito produtivo pt”.

Ainda acontecia, ou acontece, casos de inveja de vizinhas com viúvas jovens e bonitas. No velório de Tomás Tertulino, fazendeiro que deixou a jovem viúva rica, ouvia-se as lamúrias de dona Arcanja, invejosa vizinha: “Essa aí num vai deixar nem o finado esfriar”.

Ano passado, cá no Martins, um velório ímpar. Velava-se uma senhora, numa sala simples. Seu neto choroso ao lado do caixão. Nisso, param dois homens numa moto. Invadem o ambiente e fuzilam o neto da defunta.

Correria e confusão. A polícia chega e não deixa mexer em nada. Era esperar a perícia de Mossoró. Encostaram o caixão velado na parede, ficando o corpo “novo” estirado num riacho de sangue e o da finada, num canto, agasalhado de solidão.

O texto é apenas um relato suave, diante do noticiário político/policial dos tempos atuais.

mais.

François Silvestre é escritor

* Texto originalmente publicado no Novo Jornal.

Jurista compara Gilmar Mendes com Eduardo Cunha

Marcelo é um dos autores de pedido de impeachment de Gilmar Mendes (Foto: Agência Brasil)

Por Marcelo Montanini (Do Diário de Pernambuco)

Após ser atacado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, o jurista pernambucano Marcelo Neves, professor da Universidade de Brasília (UnB), um dos autores do pedido de impeachment contra o ministro, contra-atacou, nesta segunda-feira (19), comparando o ministro ao ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), preso. “Gilmar Mendes está para o Judiciário como Eduardo Cunha está para o Legislativo”, ironizou.

Em nota, Neves afirmou que o ministro “se afastou há muito tempo da conduta compatível com a honra, a dignidade e o decoro do seu cargo”.

Ademais, disse que o ministro “chegou ao STF bajulando políticos como [ex-presidente Fernando] Collor e FHC”, este último o responsável por sua nomeação ao cargo na Suprema Corte. À época, Mendes chefiou a Advocacia-Geral da União (AGU) no governo do tucano.

Saiba mais detalhes e veja nota na íntegra, clicando AQUI.

Veja AQUI o que Gilmar Mendes falou em Recife-PE sobre quem pediu seu impeachment.

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