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Planalto teme desgaste com CPI do Crime Organizado

Operação contra o CV no RJ teve saldo de 117 suspeitos/procurados mortos e quatro policiais (Foto: Mauro Pimentel/AFP)
Operação contra o CV no RJ teve saldo de 117 suspeitos/procurados mortos e quatro policiais (Foto: Mauro Pimentel/AFP)

Do Canal Meio e outras fontes

Como quase sempre ocorre com eventos de grande impacto na opinião pública, o Congresso tenta assumir um papel de protagonismo diante dos grandes problemas nacionais. Na esteira da operação policial que deixou mais de 120 mortos no Rio na última semana, o Senado instala na manhã de hoje a CPI do Crime Organizado. Oficialmente, a missão é mapear a estrutura e a expansão de facções e milícias no país — incluindo o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), mas a expectativa é de que a CPI seja mais um palco de disputas acirradas entre governo e oposição.

O senador Otto Alencar (PSD-BA), o mais antigo entre os indicados para o colegiado, conduzirá a abertura dos trabalhos. O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), autor do requerimento que deu origem à CPI, deve assumir a relatoria — consenso informal já construído entre líderes. Ao todo, serão 11 senadores titulares e 11 suplentes, com prazo inicial de 120 dias para investigar o modus operandi das organizações criminosas, suas fontes de financiamento e seu avanço territorial. (g1)

O Palácio do Planalto avalia que a CPI do Crime Organizado pode representar um desgaste maior para o governo Lula do que a CPMI que investiga irregularidades em descontos de aposentados e pensionistas do INSS. O temor no governo é de que a oposição use o tema da segurança pública como principal bandeira política até as eleições de 2026. Nos bastidores, petistas admitem preocupação: a avaliação é que, se o debate público ficar restrito à segurança, o governo tende a perder terreno na narrativa, já que historicamente o tema favorece a direita. (CNN Brasil)

Enquanto a oposição
 e o Planalto se preparam para uma batalha no Senado, o governo do Rio de Janeiro enviou sua resposta ao Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a megaoperação realizada na capital fluminense há uma semana. No documento, a gestão de Cláudio Castro (PL) afirma que o “nível de força” empregado pelas forças de segurança foi “compatível” com as ameaças enfrentadas durante a ação. O relator da ADPF das Favelas, ministro Alexandre de Moraes, esteve no Rio nesta segunda-feira e se encontrou pessoalmente com o governador. (Metrópoles)

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O endereço do crime em plena Avenida Paulista

Fachada do Edifício Patrimônio em São Paulo (Foto: Revista Piauí)
Fachada do Edifício Patrimônio em São Paulo (Foto: Revista Piauí)

Por Allan de Abreu e Juliana Faddul (Revista Piauí)

O edifício Patrimônio, na Avenida Paulista, em São Paulo, possui 21 andares com dezenas de salas comerciais. No 15ª piso do prédio, a sala 1513 destoa por ter a porta de entrada pintada na cor cinza, e não branca, como as demais. É o único diferencial, já que todas as salas têm um tamanho padrão, 28 m². Grudada na porta cinza, uma folha sulfite improvisada, pregada com fita adesiva, informa que, naquele espaço, funciona uma empresa de coworking.

Segundo funcionários do prédio, a sala permanece vazia e fechada na maior parte do tempo. O que soa estranho, já que, ao menos no papel, aquele pedacinho de chão corporativo  é um poderoso “hub” empresarial, sede de 108 empresas, cujo capital social soma 530 milhões de reais, segundo informações da Receita Federal. Há firmas de todo tipo de ramo: holdings, empreendimentos imobiliários, provedor de internet, lojas de roupa, fábrica de produtos em cerâmica, joalheria, escritórios de contabilidade.

Está ali também a empresa B3T4 International Group, razão social de três bets ativas no mercado brasileiro: Bet4, Aposta Bet e Faz o Bet. A B3T4, por sua vez, tem conexões com empresas acolhidas na mesma sala e que formam a engrenagem do esquema de lavagem de dinheiro da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) que tomou de assalto o mercado financeiro paulistano, segundo investigações da Operação Carbono Oculto, do Ministério Público de São Paulo.

A suspeita de conexão entre a empresa de apostas esportivas e a facção criminosa se dá por meio do empresário Mohamad Hussein Mourad. Seis companhias ligadas ao PCC estabelecidas na sala 1513 são utilizadas para maquiar seus rendimentos obtidos ilegalmente, segundo o MP de São Paulo.

As empresas Urban Prime, Stellar, Horizon, Vitality e Orbit eram controladas por um fundo de investimento e utilizadas para blindar o patrimônio imobiliário de Mourad, um dos líderes do esquema de lavagem de dinheiro da facção criminosa (a  Polícia Federal pediu sua prisão, ele está foragido desde o fim de agosto). Já a Scotia Holdings e Participações servia para ocultar Mourad como o real proprietário da frota de caminhões utilizados pela organização criminosa para escoar o etanol produzido pelas usinas do esquema no interior paulista.

Até dezembro do ano passado, as empresas Urban Prime e Vitallity estavam sediadas no terceiro andar do edifício Faria Lima Offices, na Rua Cardeal Arcoverde, em Pinheiros, Zona Oeste de São Paulo. É o mesmo local que abrigava a B3T4. Juntas, em um intervalo de três meses, as três empresas mudaram-se para a sala 1513 do edifício da Avenida Paulista. Outro ponto que aproxima a B3T4 do esquema de Mourad, segundo o Ministério Público, é que ambos se valeram de um mesmo banco, o BS2*, para movimentar parte dos seus recursos.

Há um outro personagem oculto no emaranhado de negócios vinculados a Mourad e o PCC: o advogado Walter Silva Souza, atual chefe de gabinete do vereador em São Paulo Marcos das Neves Palumbo, o Major Palumbo (PP). Além de dono de uma das 108 empresas hospedadas na sala 1513 do edifício Patrimônio (Virginia Holdings e Participações), Souza é sócio da Higienópolis Empreendimentos Imobiliários e da Londrina Fundo de Investimento, que segundo as investigações são utilizadas para blindar o patrimônio de Mourad. Souza também atua como advogado para a Duvale Distribuidora, a quem cabia transportar o etanol das usinas para os postos, cujos reais donos, de acordo com o Ministério Público, são Mourad, o narcotraficante do PCC Daniel Dias Lopes, e Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco. Por fim, Souza figura como sócio da Newib Participações, uma holding estabelecida no terceiro andar do prédio na Rua Cardeal Arcoverde, em São Paulo.

A B3T4 não é a primeira bet sob suspeita de ligações com o PCC. No ano passado, uma investigação da Polícia Federal revelou indícios das ligações de duas casas de apostas do Ceará, Fourbet e Loteria Fort, com a família de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder máximo da facção paulista. De acordo com policiais ouvidos pela piauí, as bets são propícias à lavagem de dinheiro por possibilitarem, por exemplo, que testas de ferro simulem apostas com o capital do tráfico de drogas. Assim, o dinheiro sujo sai devidamente lavado na contabilidade formal da plataforma.

AB3T4 foi fundada em 14 de agosto de 2024 em uma parceria entre a SDMP, uma empresa mexicana, e a catarinense Liliane Alberti. Para o capital social da nova empresa, a SDMP investiu 28 milhões de reais, enquanto Alberti aportou mais 7 milhões. Chama a atenção o fato de que, naquela mesma época em que investia milhões na B3T4, Alberti era procurada pela Justiça por uma dívida de apenas 6,6 mil reais com uma universidade (o débito ainda não foi quitado). Moradora de Herval d’Oeste, cidade de apenas 22 mil habitantes no Oeste de Santa Catarina, ela trabalhou a maior parte do tempo como auxiliar de escritório (seu último emprego formal foi como assistente administrativa em uma firma de certificação digital). Alberti não foi localizada pela piauí – segundo familiares, ela atualmente mora na Argentina.

Sociedade

Seis dias após a fundação da B3T4, em 20 de agosto, ingressou na sociedade a Media 4 Brasil, que, por sua vez, é controlada pela Media4 Curaçao, uma offshore na ilha caribenha cujo diretor é o advogado surinamês Jair Almeida Toussaint. Aqui, um outro ponto que aproxima a B3T4 do PCC: foi Toussaint quem assinou, pela Vaidebet, o contrato de patrocínio de 360 milhões de reais com o Corinthians em 2024. Uma investigação da Polícia Civil e do Ministério Público demonstrou que, do montante total do contrato, cerca de 1 milhão de reais foram parar em uma empresa ligada ao PCC (por conta disso, o então presidente do clube, Augusto Melo, foi destituído do cargo em um processo de impeachment e atualmente é réu em ação penal na Justiça, acusado de furto qualificado, associação criminosa e lavagem de dinheiro).

Atualmente a B3T4 tem como sócios, além da Media 4, Victor Muchiutti Maritan, engenheiro em Marília (SP); Abilio Del Cioppo Elias, empresário de Valinhos (SP); Cristina Dias Tavares Rehem, ex-servidora comissionada no Senado Federal; Eduardo Vinicius Fonseca Silva Cordeiro, um jovem advogado de Goiânia; e o ator Erich Rodrigues Cardoso Pelitz. Atualmente, Liliane Alberti é a representante da SDMP no Brasil. Apesar de citados na investigação do Ministério Público contra o esquema de lavagem do PCC, nem o advogado Walter Silva Souza, nem os donos da B3T4, foram alvos de mandados de busca na Operação Carbono Oculto.

O advogado Souza negou ter relação tanto com o esquema de Mohamad Mourad quanto com a gestora de bets B3T4. “Não conheço [Mourad] e não tenho nenhuma relação com essas empresas. Inclusive já apresentei carta de renúncia [da Higienópolis Empreendimentos Imobiliários e da Newib Participações] porque não tinha conhecimento desses fatos [apresentados pela reportagem]”, disse por mensagem de WhatsApp.

O advogado Eduardo Cordeiro, sócio da empresa, encaminhou a seguinte nota à piauí: “No momento, não estamos dando entrevistas ou participando de compromissos com a mídia. Valorizamos e respeitamos profundamente seu trabalho profissional e solicitamos que nossa privacidade e posição atual sejam preservadas.” Também em nota, divulgada dias após a deflagração da operação do MP, a defesa de Mourad negou os crimes imputados a ele na investigação.

O outro lado

*Às 14h40 do dia 26 de setembro, a assessoria de imprensa do banco BS2 procurou a piauí e enviou a seguinte nota:

O BS2 informa que a empresa B3T4 nunca movimentou recursos por meio de conta no banco. O BS2 também informa que Mohamad Mourad nunca esteve entre seus correntistas Pessoa Física.

Apesar de não termos sido procurados pelas autoridades para esclarecimentos, após a deflagração da operação Carbono Oculto, o banco realizou uma varredura preventiva em sua base de clientes.

Encontramos a empresa Scotia Holdings, que realizou operações em 2023 e 2024 e tem Mohamad Mourad em seu quadro societário. Foram cinco operações para aporte de capital, devidamente documentadas por bancos de primeira linha dos Estados Unidos. Na época, a empresa passou pelas devidas diligências internas de PLD e não foram encontrados fatos que a desabonassem.

Após a deflagração da Operação Carbono Oculto, o BS2 realizou imediatamente o bloqueio cautelar da Scotia Holdings, ainda que ela não tivesse registrado operações no banco desde maio de 2024.

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Quatro homens são mortos em confronto com policiais militares e civis

Policiais apreenderam armas e munições (Reprodução)
Policiais apreenderam armas e munições (Reprodução)

Portal Nordeste e Repórter Caveira

Na tarde desse sábado, 15 de março de 2025, uma operação que envolveu policiais civis e militares do Grupo Tático Operacional (GTO), em Luís Gomes-RN, comunidade rural de São Bernardo, foi marcada por intenso confronto armado com membros da facção criminosa Nova Okaida. O grupo estava no local com a intenção de executar um membro do Primeiro Comando da Capital (PCC), conforme informações obtidas pelas autoridades.

A ação policial foi desencadeada após uma denúncia de ameaça de morte contra uma pessoa, o que levou a polícia a se deslocar até o local informado. Porém, ao chegarem à área, os policiais foram surpreendidos a tiros pelo grupo da Nova Okaida, dando início ao confronto. Durante o tiroteio, quatro suspeitos foram feridos e, apesar de socorridos e levados ao Hospital Municipal Vereador Antonio Linhares, não resistiram aos ferimentos e morreram.

O incidente aconteceu na localidade de Alto dos Cândidos, nas proximidades do Distrito de Vila São Bernado, na zona rural da cidade, marcado por um intenso confronto armado.

Mortos

Entre as vítimas fatais, foi identificado Alan Franklin de Andrade, de 19 anos, morador do Bairro Bela Vista, na cidade de Uiraúna, no estado da Paraíba, distante cerca de 12 km de Luís Gomes. Outro nome confirmado é o de um homem conhecido apenas como “Toinho”, residente em Luís Gomes. Ambos faleceram devido à gravidade dos ferimentos.

Durante a ação, a polícia apreendeu armas e munições utilizadas pelos criminosos. Os corpos dos suspeitos foram encaminhados ao Instituto Técnico-Científico de Perícia (ITEP) de Pau dos Ferros (RN) para os devidos exames.

O caso está sendo investigado pela Polícia Civil de Luís Gomes, que busca entender mais detalhes sobre a operação e a dinâmica do confronto. A reportagem segue acompanhando o caso e atualizando a população sobre novas informações.

Segundo a Polícia além dos mortos, dois suspeitos ainda estão foragidos, e até o momento não foram localizados ou presos. A polícia continua suas buscas para capturá-los.

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Luís Gomes fica a 2004 quilômetros de Mossoró e a 442 de Natal, com população de 9.286 habitantes. Está localizada na região do Alto Oeste do RN. Até bem poucos anos era um lugar pacato, absolutamente tranquilo.

Mortes de prefeito e pai têm enredo que envolve até o PCC

Marcelo, Damária e Leidiane: quadro letal na política e no submundo (Fotomontagem: Web)
Marcelo, Damária e Leidiane: quadro letal na política e no submundo (Fotomontagem: Web)

Do portal da 96 FM de Natal

A Polícia Civil do RN divulgou detalhes da investigação que apontou os supostos mandantes do duplo homicídio que vitimou o prefeito de João Dias, Francisco Damião de Oliveira (UB) – Marcelo Oliveira, 38, e o pai dele, Sadi Oliveira, 58, dia 27 de agosto deste ano (veja AQUI). E um detalhe que chamou a atenção foi a motivação para o crime: vingança e a possível participação da maior facção do Brasil, o Primeiro Comando da Capital (PCC).

A ideia mesmo de executar o prefeito partiu da ex-companheira de chapa dele, a vice-prefeita afastada Damária Jácome, e a irmã dela, a vereadora reeleita Leidiane Jácome, que também é conhecida como “Leida de Laete”, pai das duas e que foi vereador e presidente da câmara.

Recentemente, inclusive, Leidiane Jácome foi diplomada como vereadora reeleita em João Dias. Ela conseguiu um lugar na Casa Legislativa Municipal ao lado do marido e ainda publicou o seguinte nas redes sociais: o amor venceu.

Nas redes sociais das duas, inclusive, uma série de críticas a gestão de Marcelo Oliveira e do substituto dele, Jesse Oliveira, que é irmão do prefeito morto e que assumiu o cargo na condição de interino, por ser presidente da Câmara na época do assassinato.

Mas, além da questão política, por que Damaria e Leidiane teriam tramado o assassinato do prefeito? Elas queriam vingança, pelo que afirmou o delegado Alex Wagner, diretor da Polícia do Oeste e responsável pela investigação.

A família Jácome acreditava que foi o prefeito Marcelo que denunciou para a Polícia Civil o paradeiro de dois irmãos de Damaria e Leidiane: Deusamor e Leidjan. Os dois, procurados por tráfico internacional de drogas, foram mortos em confronto com a Polícia Civil, numa cidade localizada no interior da Bahia.

Damária e Marcelo, uma aliança que não se sustou muito tempo (Foto: Reprodução da Web)
Damária e Marcelo formaram chapa e tiveram aliança com desdobramento trágico (Foto: Reprodução da Web)

Na época da morte dos dois, o prefeito Marcelo Oliveira havia renunciado ao mandato e deixado Damaria assumir. Ela chegou a decretar luto oficial no município. Marcelo Oliveira foi ao velório dos dois, mas depois entrou na justiça alegando que só renunciou, porque havia sido ameaçado pela família Jácome.

Foi isso, inclusive, que teria feito familiares do prefeito assassinado começarem a montar uma espécie de milicia privada para resguardar a segurança de Marcelo Oliveira. Foi isso que, inclusive, evitou que ele tivesse sido morto antes, em uma região que era dominada pelo crime organizado, apesar de ter baixissimo índices de violência urbana registrada.

PCC

Abra-se um parêntese: a família Jácome, por meio de Deusamor e Leidjan e outros familiares presos, tinham uma relação direta com a maior facção do Brasil: o PCC. Essa informação não foi confirmada pela Polícia Civil e sim pelo Ministério Público do RN (MPRN), em reportagem publicada pelo portal Metrópoles, já em 2024.

Segundo a reportagem, a ideia da família, quando chegou ao poder na Prefeitura de João Dias, era utilizar o poder municipal para lavar o dinheiro do tráfico. Na matéria é citado, inclusive, o ex-número 2 do PCC nas ruas, o potiguar Valdeci Alves, o Colorido, que teve um irmão, também pastor evangélico, condenado por lavar dinheiro da facção criminosa por meio da compra de igrejas e de fazendas no RN.

Caso isso seja confirmado, o Rio Grande do Norte se tornaria o Estado do Nordeste com maior influência, confirmada, nos planos do PCC para lavagem de dinheiro. Recente denúncia do MPRN apontou que já foram bilhões lavados de dinheiro do tráfico no Estado.

Bom, voltando ao caso de João Dias, o fato é que, além do pastor e das irmãs, a Polícia Civil também pediu a prisão preventiva de outros três suspeitos de mandar matar o prefeito Marcelo Oliveira e o pai dele, Sadi Oliveira:

Weverton Claudino Batista: o Everson ou Dodô. Chegou a ser secretário municipal de Finanças de João Dias. Ainda são procurados Olanir Gama da Silva, conhecido como Véi; e Carlos André Claudino, o Carlinhos.

Leia também: Viúva de prefeito assassinado ganha eleições.

Lula desqualifica Polícia Federal e Dino obcecado em ‘f.der’ Moro

Presidente Lula (PT) disse nesta quinta-feira (23), que o plano da facção Primeiro Comando da Capital (PCC) de matar o senador Sérgio Moro (União Brasil-PR) pode ser uma “armação” do ex-juiz. Desqualificou trabalho da Polícia Federal e o ministro Flávio Dino (Justiça).

Lula diz que notícia de plano do PPC para matar Moro não deve ser levada a sério (Reprodução)
Lula diz que notícia de plano do PPC para matar Moro não deve ser levada a sério (Reprodução)

“É visível que é mais uma armação e, se for armação, ele vai ficar mais desmascarado ainda e eu não sei o que ele vai fazer da vida se continuar mentindo do jeito que está mentindo”, disse. Sua declaração à imprensa aconteceu em visita ao Complexo Naval de Itaguaí-RJ.

A Polícia Federal deflagrou, na manhã de quarta-feira (22/3), a Operação Sequaz (veja AQUI). O objetivo é desarticular o plano feito pelo Primeiro Comando da Capital de sequestrar e matar servidores públicos e autoridades, incluindo o ex-juiz e senador Sérgio Moro e o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, que integra o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado de São Paulo (Gaeco).

Onze mandados de prisão e 24 mandados de busca e apreensão foram cumpridos.

No dia anterior, em entrevista à TV 247, ligada ao Partido dos Trabalhadores (PT), o presidente chegou a soltar uma frase infeliz ou, no mínimo, chula, dizendo que queria “f.der’ o ex-juiz que foi responsável direto por sua prisão.

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PF prende membros do PCC que iriam sequestrar e matar Sérgio Moro

Do Metrópoles

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira (22/3), a Operação Sequaz. O objetivo é desarticular o plano feito pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) de sequestrar e matar servidores públicos e autoridades, incluindo o ex-juiz e senador Sergio Moro (União Brasil/PR) e o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, que integra o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado de São Paulo (Gaeco).

Moro e familiares seriam sequestrados e sentença de morte estaria no roteiro (Foto: Igor Estrela/Metrópoles)
Moro e familiares seriam sequestrados e sentença de morte estaria no roteiro (Foto: Igor Estrela/Metrópoles)

Os mandados de prisão e busca e apreensão são cumpridos em cinco unidades da Federação: Rondônia, Paraná, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul e São Paulo. De acordo com as diligências da PF, os ataques poderiam ocorrer de forma simultânea, e os principais investigados estão nos estados de São Paulo e Paraná. Até as 9h40, nove pessoas tinham sido detidas.

O senador Sergio Moro disse, por meio das redes sociais, que o plano do PCC era matar toda a sua família.

O PCC é facção comandanda por Marcos Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola. Em 2018, o promotor Lincoln Gakiya pediu a transferência de Marcola de São Paulo para um presídio federal. No início do ano seguinte, o chefe do PCC foi trazido para a Penitenciária Federal de Brasília.

No chamado pacote anticrime, Moro propôs, dentre outras medidas, a vedação da visita íntima e o monitoramento dos contatos dos presos, inclusive com os seus advogados, em presídios federais.

De acordo com as investigações, o sequestro e a morte de Moro e de outras autoridades seriam executados para obter dinheiro e conseguir o resgate de Marcola, que no início deste ano foi trazido do Presídio Federal de Porto Velho (RO) para o de Brasília.

Mandados de prisão
Cerca de 120 policiais federais cumprem 24 mandados de busca e apreensão, sete mandados de prisão preventiva e quatro mandados de prisão temporária em Mato Grosso do Sul, Rondônia, São Paulo e Paraná.

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Conheça as causas da violência no RN

Por Ney Lopes

Enquanto há anos, a classe política do RN não dá a menor importância a proposta de instalação de um polo exportador e turístico no estado (zona de livre comércio), pelo fato do RN ser o ponto  mais perto da Europa e África, o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Sindicato do Crime, as maiores facções do Brasil, escolheram o litoral do RN como ponto de escoamento de drogas e armamentos, justamente pela nossa posição geográfica nas Américas.

Governo e forças federais já fizeram dezenas de prisões (FOto: Web)
Governo e forças federais já fizeram dezenas de prisões (FOto: Web)

Infelizmente, a visão estratégica da marginalidade está à frente das nossas lideranças.

Hoje, 19, o jornal o Globo, publica em manchete: “Rio Grande do Norte: assassinato em 2013 rachou facção e originou quadrilha que lidera os ataques”.  A BBC, no seu boletim, relata as ações das facções do crime organizado com atuação no RN.

A facção, denominada o Sindicato do Crime tem expandido a sua área de domínio com ações violentas, obrigando o PCC buscar refúgio em municípios mais afastados da capital Natal.

A organização nasceu em 2013, por uma dissidência com o PCC, dentro da Penitenciaria estadual. Atualmente teria cerca de 5 mil criminosos ligados à facção no estado.

Segundo as investigações, o Sindicato ganhou força e hoje está mais presente em ruas e presídios estaduais.

Juliana Melo, antropóloga e professora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte explica que a nova facção usou o modelo do PCC e todos os integrantes precisam contribuir mensalmente para a “caixinha”, que dá direito a alguns “benefícios”, como acesso a advogados e assistência a familiares, em caso de prisão.

Atualmente, a facção potiguar – Sindicato do crime –  praticamente detém o monopólio do tráfico de drogas na Grande Natal.

Os rivais (PCC) estão concentrados em Mossoró.

O que está em jogo com a disputa, além do mercado interno, é também um ponto estratégico da rota do tráfico internacional.

O Grande Natal, inclusive o porto marítimo, é disputado pela vizinhança com Europa, África e o canal do panamá.

Investigações apontam que o RN recebe drogas que entram pelas fronteiras no Norte do país, passam por Acre, Rondônia e Amazonas, e são remetidas para a Europa.

A onda atual de violência estaria ligada a ações policiais anteriores, há uns 15 dias –quando houve um enfrentamento a infratores e alguns vieram a óbito, sendo apreendida grande quantidade de drogas e armas- que inquietou a delinquência, levando-os  a enfrentar as forças de segurança.

O que mais incomodaria os detentos é o corte nos telefones celulares, que “impede” as comunicações pessoais.

Sobre as alegações dos insurretos, de que haveria maus tratos na penitenciária a governadora Fátima Bezerra afirmou que as denúncias serão apuradas “por meio de uma investigação profunda”.

O juiz titular da Vara de Execuções Penais, Henrique Baltazar, afirmou que “quanto à situação da comida, apesar da quantidade fornecida ser até mais de 600g, por exemplo, o almoço é razoável, agora a qualidade não posso atestar. Escutamos que algumas vezes a comida possa estar podre ou azeda, mas em todas às vezes que fui em presídios não constatei a situação”.

O que se espera é a volta à normalidade no RN e que esses fatos sejam exemplos para os demais estados.

O poder público – federal, estadual e municipal -, com a colaboração da população, como recomenda a Constituição, deve, com urgência, enfrentar a questão da segurança pública.

O país exige soluções.

Ney Lopes é jornalista, advogado e ex-deputado federal

Sindicato e PCC se uniram por melhorias nas prisões do RN

Por Jeniffer Mendonça (Ponte Jornalismo)

O Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura (MNPCT), que é ligado ao Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, indica uma série de violações de direitos humanos, como doenças, comida estragada e tortura, em cinco unidades prisionais inspecionadas pelo órgão entre 21 e 25 de novembro de 2022, no RN. Dentre elas, a Penitenciária Estadual de Alcaçuz, que foi palco de um massacre em janeiro de 2017 com 26 mortos após uma investida de presos da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) contra o Sindicato do Crime.

Ônibus atacado em Mãe Luíza esta semana, em atos criminosos (Foto: redes sociais)
Ônibus atacado em Mãe Luíza esta semana, em atos criminosos (Foto: redes sociais)

“Em 16 anos de experiência na área [de segurança pública], nunca havia presenciado uma situação tão desumana. O que vimos é realmente chocante. Em literalmente todas as celas que entramos tinha no mínimo uma pessoa machucada. O severo nível de tortura praticada nas unidades prisionais, sobretudo em Alcaçuz, nos deixou muito impressionados”, disse ao Poder360 Barbara Coloniese, que integra o MNPCT.

Para Juliana Gonçalves Melo, antropóloga, pesquisadora do sistema prisional e professora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), os ataques, que já aconteceram de forma parecida desde 2016, são formas que a massa carcerária encontrou para ter suas solicitações atendidas. “Os presos não querem comer caviar, eles querem um alimento que não estrague e não faça mal”, aponta. A forma de protestarem é tocando terror.

A situação chegou num ponto limite em que a rivalidade entre PCC e Sindicato do Crime, que chegou ao auge em 2017 e permanece com planos de vingança, teve uma trégua, segundo a pesquisadora.

Veja trechos da entrevista dela à página:

Ponte — Essa não é a primeira vez que cidades do Rio Grande do Norte são alvo de ataques como aconteceram nesta semana. Esses episódios estão relacionados? O que está por trás dos ataques que começaram na madrugada de terça-feira?

Juliana Gonçalves Melo — A meu ver, eles têm, sim, uma relação de continuidade, ainda que existam peculiaridades em cada situação. Por exemplo, em 2015 a gente tinha a instalação de bloqueadores de celulares no Presídio Estadual de Parnamirim e, a partir disso, teve uma revolta no sistema [prisional] e tivemos ataques em prédios públicos, a ônibus etc. Esses eventos, de uma forma geral, estão vinculados à questão prisional. Por um lado também é uma mensagem de força, de poder que as facções tentam demonstrar, e, ao mesmo tempo, demandas por melhorias dentro do sistema prisional que, no Brasil, é horrível. Nosso sistema prisional é um sistema marcado por inúmeras violações de direitos elementares, entre eles o direito à própria vida, como aconteceu no Massacre de Alcaçuz, em 2017, que é um momento superimportante para entender um pouco desse contexto no Rio Grande do Norte.

Ponte — Por quê?

Itep recolheu corpos em Alcaçuz e começou a fazer primeira identificações (Foto: divulgação)
Itep recolheu corpos em Alcaçuz e identificações levaram vários dias (Foto: Arquivo)

Juliana Gonçalves Melo — O Massacre de Alcaçuz foi avisado. Os familiares avisaram que ia acontecer, mandaram ofícios para a Secretaria de Justiça. Os ofícios foram arquivados e o massacre aconteceu com 27 mortos oficialmente e uma lista muito maior de desaparecidos. E esses ataques vêm com a perspectiva de denunciar violações no sistema prisional que tiveram uma intensificação muito forte a partir do Massacre de Alcaçuz. Em 2017, o Presídio de Alcaçuz tinha cinco pavilhões. O quinto pavilhão era ocupado pelo PCC, que consegue pular para o pavilhão quatro, onde estava o Sindicato do Crime, e assassina todo mundo que estava ali. Poucos conseguiram fugir pelo telhado e a gente teve uma situação de guerra que se estendeu por quase 10 dias. Eu começo a trabalhar e a pensar na questão faccional com a Natalia [antropóloga Natalia Firmino Amarante, que foi orientada por Juliana em uma dissertação de mestrado sobre o Sindicato do Crime] nesse contexto.

Ponte — O noticiário tem apontado que a ordem dos ataques partiu do Complexo Penitenciário de Alcaçuz. Só lá houve maiores restrições ou afeta o sistema prisional potiguar como um todo?

Juliana Gonçalves Melo — Esse presídio foi um verdadeiro campo de concentração, pelo relato dos familiares, mas um grande foco de denúncia, por exemplo, é o presídio em Ceará-Mirim, que atualmente é considerado um lugar em que os presos estão sendo bastante torturados. As famílias fazem denúncias em relação a isso, mas as famílias são criminalizadas, tidas como mentirosas e as denúncias não avançam. Você tem o Presídio Mário Negócio, em Mossoró, que eles sempre falam da questão da fome, que a comida vem apodrecida. E isso tá criando uma hierarquia também entre eles, então tem um preso que não consegue comer e compra do outro que consegue comer menos da metade da quentinha dele por 50 reais. Não é só em Alcaçuz. Alcaçuz é considerado um berço, uma prisão simbólica para o Sindicato do Crime, um lugar de destaque e é a maior prisão do estado. Os presos não querem comer caviar, eles querem um alimento que não estrague e não faça mal. [Eles pensam que] se o Estado não me ouve por bem, ele vai me ouvir através da violência. Se eu fizer a greve de fome, ninguém vai ligar. Se eu fizer culto religioso, ninguém vai ligar. Se eu fizer passeata, ninguém vai ligar. Agora, se eu começar a fazer ataques, isso chama a atenção.

Ponte — O secretário de Segurança Pública e Defesa Social, coronel Francisco Araújo, disse de início que os ataques estariam relacionados a operações policiais que prenderam lideranças do Sindicato do Crime e apreenderam drogas e armas. Isso de fato pode ser uma das motivações?

Juliana Gonçalves Melo — Desde 2017 estão apreendendo drogas e armas e prendendo lideranças. É mais do mesmo. São gotas de um copo cheio. De outubro para cá, aumentaram muito os assassinatos nas periferias. Tem os grupos de extermínio também. Outra coisa é que se pensou que, enfim, eles [presos] poderiam receber alimentos da família e que iria voltar a visita íntima, mas isso foi frustrado. Existe muita resistência do Sindicato dos Agentes Penitenciários em relação a isso também.

Ponte — Esses ataques coordenados desde 2016 mostram que o Sindicato do Crime está se aperfeiçoando?

Juliana Gonçalves Melo — Eles pegam o modelo do crime organizado que vem com o Comando Vermelho, com o PCC, que é quem chega primeiro nas prisões, que chegou com esse modelo e fez os primeiros “batismos”. Antes da chegada do PCC, a gente tinha outra dinâmica. Por exemplo, um senhorzinho que plantava maconha e vendia solto, ou briga de família de uma rua contra outra rua. Você não tinha essa dinâmica de crime organizado como o PCC. O PCC chega devagar em 2006 e vem com uma estrutura de “você paga uma mensalidade que, assim quando você for preso, a gente vai te ajudar com advogado”. [De tratar como] “Você não é um verme, você é irmão.”

Ponte — E como está essa questão da rivalidade com os ataques recentes?

Juliana Gonçalves Melo — O que a gente está vendo de um modo muito temporário, muito restrito, é um aceno para que se esqueça esse tempo, essa rivalidade, para que todos lutem por melhoria no sistema, porque eles estão reivindicando que todos estão sofrendo desde 2017 e que nada avançou no sentido das pautas reivindicatórias deles. Eu pensei que essa rivalidade não teria fim tão cedo porque tem uma memória muito forte do massacre, uma tentativa de vingança. Foi uma guerra que não ficou só nas prisões, ela se estendeu para as ruas e muitas pessoas foram mortas. Eu não sei dizer se é uma paz temporária, se a rivalidade ainda é a mesma, mas o “salve” coloca que é um momento de união porque eles estão percebendo que o Sindicato não tem força sozinho para levar essa mensagem de forma mais efetiva. Mas se é uma união temporária, falsa, a gente ainda não tem elemento ainda para falar, precisa de um tempo para refletir. Talvez seja uma união estratégica. O PCC não está tanto em Natal, ele está mais deslocado para Mossoró, então é tudo muito novo, muito complexo e eu não imaginava que isso poderia acontecer tão cedo.

Ponte — Essas são as únicas facções que atuam mais fortemente no estado?

Juliana Gonçalves Melo — Sim. A gente tem a presença do GDE [Guardiões do Estado, do Ceará], tem presença da Família do Norte [do Amazonas], tem outras facções que tentaram se estabelecer, mas que foram diluídas. Mas as duas mais fortes são essas. Por exemplo, o Sindicato do Crime ideologicamente está associado ao Comando Vermelho. Então tem todo esse jogo aí que envolve o Brasil como um todo.

Ponte — A governadora Fátima Bezerra (PT) assumiu pela primeira vez em 2019, dois anos após o massacre, e foi reeleita em 2022. Como a gestão dela afetou essa questão no sistema prisional?

Juliana Gonçalves Melo — A perspectiva é de que as coisas fossem melhorar porque [o partido] tem mais sensibilidade com a questão dos direitos humanos, das desigualdades sociais. Mas, assim como o presidente Lula não vai conseguir fazer tudo que ele quer porque está envolvido por um Congresso e cheio de amarras, a Fátima também não conseguiu avançar muito nessa pauta. Ela deu algumas sinalizações e tem um processo de abertura no sistema para remição de pena pela leitura que está em andamento, mas não foi ainda concretizado de forma efetiva. E ela acaba sendo também refém de velhas lógicas que existem ali e que são totalmente contrárias à perspectiva de direitos minimamente assegurados aos presos. Essa questão tem que ser colocada. Eu vejo o governo do PT bem intencionado, mas amarrado por várias estruturas que impedem um movimento mais livre. A gente sabe que a questão prisional é um grande tabu na sociedade.

Pedidos (ou exigências) feitas pelo Sindicato do Crime (Reprodução)
Pedidos (ou exigências) feitas pelo Sindicato do Crime (Reprodução)

Ponte — Que medidas deveriam ser tomadas para encerrar os ataques?

Juliana Gonçalves Melo — Acho que se deveria estabelecer melhorias dentro do sistema, poder entrar alimento [enviado por familiares] de novo, fortalecer as políticas de reinserção através da remição de pena pela leitura, pelo trabalho. Cobrar do Ministério Público e da Defensoria Pública uma atuação mais eficaz em relação à proibição de de tortura. Eu acho que isso seria muito importante, para escutar os familiares com respeito, com simetria, e não julgá-los como se fossem criminosos. A base de tudo também é a educação porque sete de cada 10 presos não tem nem ensino fundamental.

Veja matéria e entrevista na íntegra clicando AQUI.

*Ponte Jornalismo é uma organização sem fins lucrativos criada para ampliar o debate sobre os direitos humanos por meio do jornalismo. Tem como objetivo aumentar o alcance das vozes marginalizadas pelas opressões de classe, raça e gênero, permitindo a aproximação entre diferentes atores das áreas de segurança pública e justiça, colaborando, assim, na sobrevivência da democracia brasileira.

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Número de homicídios tem queda; cerco à facção pesa na estatística

A frequência de homicídios em Mossoró teve uma queda brusca nas últimas semanas. A média de um assassinato a cada dois dias em 2023 (veja matéria AQUI) caiu de forma expressiva.

Operação mobilizou forças integradas no dia 15 passado, com bastante sucesso (Foto: PF)
Operação mobilizou forças integradas no dia 15 passado, com bastante sucesso (Foto: PF)

Os denominados Crimes Violentos Letais e Intencionais (CVLI), ou seja, homicídios, tiveram 19 vítimas até o dia 7 passado. Até essa segunda-feira (27) só houve registro de mais três mortes, totalizando 22.

Uma ação deflagrada na quarta-feira (15/2), antes do Carnaval, pela Força-Tarefa de Combate ao Crime Organizado do Sistema Único de Segurança Pública (FT-Susp/RN) em Mossoró/RN – veja AQUI, com a participação da Polícia Federal, Polícia Civil/DIVIPOE, Polícia Militar/BOPE, Polícia Penal Federal e Polícia Penal Estadual, resultou na prisão de sete homens e uma mulher. Todos suspeitos de serem os líderes de uma conhecida organização criminosa paulista com atuação no Rio Grande do Norte – o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Em comunicado oficial ainda no dia 15, a Polícia Federal, que esteve à frente desse cerco ao crime organizado, afirmou: “As prisões realizadas irão contribuir para a diminuição dos crimes violentos cometidos em Mossoró e reforçam que o trabalho integrado, coordenado e sistêmico efetivado pelas Forças Tarefas, é a metodologia mais eficaz de combate à criminalidade.”

Os fatos batem com a estimativa da PF. No mínimo, deixou a matança em stand by (espera). Depois dessas prisões e várias apreensões, ocorreram homicídios nos dias 20, 21 com características de execução do universo das drogas. No dia 22, um outro com característica de latrocínio, em que a arma usada foi uma faca.

Campeãs de violência

Recentemente, mesmo com questionamentos de setores da Segurança Pública do RN quanto à metodologia usada, houve publicação de relatório internacional apontando Mossoró e Natal como cidades mais violentas no país e no mundo (veja AQUI).

Inquestionável, contudo, são os cadáveres. Veja abaixo um boxe com levantamento de homicídios em Mossoró entre 2015 e 2022

Trilha de sangue

Homicídios em 2015 – 163

Homicídios em 2016 – 221;

Homicídios em 2017 – 249;

Homicídios em 2018 – 237

Homicídios em 2019 – 222

Homicídios em 2020 – 187

Homicídios em 2021 – 158

Homicídios em 2022 – 167

Total – 1.604

Veja no vídeo abaixo, da TV Oeste, o delegado da Igor Conti, titular da Delegacia da Polícia Federal em Mossoró, sobre o trabalho feito em Mossoró, que na verdade teve início em maio do ano passado.

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Lavagem de dinheiro por facção criminosa é investigada no RN

Operação no RN teve busca e apreensão com resultado bem expressivo de armas e munições (Foto: MPRN)
Operação no RN teve busca e apreensão com resultado bem expressivo de armas e munições (Foto: MPRN)

O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) deflagrou nesta terça-feira (14) a operação Plata. O objetivo é apurar a lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas e de integrantes de facção criminosa. A suspeita é de que o grupo criminoso tenha lavado mais de R$ 23 milhões com a compra de imóveis, fazendas, rebanhos bovinos e até com o uso de igrejas.

A operação Plata cumpriu sete mandados de prisão e outros 43 de busca e apreensão nos Estados do Rio Grande do Norte, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Bahia, Ceará e Paraíba, e ainda no Distrito Federal. A ação teve o apoio da Polícia Militar potiguar e dos Ministérios Públicos de cada Estado onde houve cumprimento de mandados e, ainda, do Departamento Penitenciário Nacional (DEPEN). Ao todo, participaram nacionalmente do cumprimento dos mandados 48 promotores de Justiça, 56 servidores e ainda 248 policiais.

Igreja evangélica é um dos alvos da operação de hoje (Foto: MPRN)
Igreja evangélica é um dos alvos da operação de hoje (Foto: MPRN)

As investigações que culminaram na deflagração da operação Plata foram inciadas em 2019, com o objetivo de apurar o tráfico de drogas e associação para o tráfico de drogas, além do crime de lavagem de dinheiro. O esquema é liderado por Valdeci Alves dos Santos, também conhecido por Colorido. Valdeci é originário da região do Seridó potiguar e é apontado como sendo o segundo maior chefe do Primeiro Comando da Capital (PCC), facção criminosa que surgiu nos presídios paulistas e que tem atuação em todo o Brasil e em países vizinhos.

O esquema de lavagem de dinheiro, de acordo com as investigações do MPRN, já perdura por mais de duas décadas. Valdeci foi condenado pela Justiça paulista e atualmente está preso na Penitenciária Federal de Brasília, onde foi cumprido novo mandado de prisão nesta terça-feira.

No Rio Grande do Norte, Valdeci tem como braço-direito um irmão dele, Geraldo dos Santos Filho, também já condenado pela Justiça por tráfico de drogas. Pastor Júnior, como é conhecido, foi preso em 2019 no Estado de São Paulo fazendo uso de documento falso. Geraldo estava cumprindo a pena em regime semiaberto.

As investigações do MPRN apontam que os irmãos Valdeci e Geraldo ocultaram e dissimularam a origem criminosa de seus recursos provenientes do tráfico de drogas por meio do uso de “laranjas” recrutados de várias regiões do país. O dinheiro era lavado com a compra de bens e animais em nome desses laranjas, a maioria irmãos, filhos, cunhados e sobrinhos de Valdeci e Geraldo. A suspeita é que o esquema tenha movimentado pelo menos a quantia de R$ 23 milhões.

Além de Valdeci e Geraldo, a operação Plata cumpre mandados de prisão contra outras cinco pessoas, inclusive uma pessoa de confiança que atuava como “tesoureiro” do grupo criminoso no Rio Grande do Norte. Os mandados de prisão e de busca e apreensão estão sendo cumpridos nas cidades potiguares de Natal, Jardim de Piranhas, Parnamirim, Caicó, Assu e Messias Targino. Houve ainda cumprimento de mandados nas cidades paulistas de São Paulo, Araçatuba, Itu, Sorocaba, Tremembé, Votorantim e Araçoiaba da Serra; em Brasília/DF, Fortaleza/CE, Balneário Camboriú/SC, Picuí/PB, Espinosa/MG e em Serra do Ramalho e Urandi, ambas na Bahia.

A pedido do MPRN, houve também a retenção do passaporte de um dos filhos de Valdeci, e oito pessoas passarão a ter monitoramento eletrônico por meio de tornozeleira.

Valdeci Alves dos Santos e Geraldo dos Santos Filho são investigados na operação Plata ao lado de pelo menos mais outras 22 pessoas. A Justiça determinou o bloqueio e indisponibilidade de bens até o limite de R$ 23.417.243,37 relacionados a 28 contas bancárias dos suspeitos.

Uso de igrejas

O dinheiro do grupo é proveniente do tráfico de drogas. O lucro do comércio ilegal era lavado com a compra de imóveis, fazendas, automóveis, na abertura de mercados e até com o uso de igrejas. Segundo já apurado pelo MPRN, Geraldo dos Santos Filho e a mulher dele abriram pelo menos sete igrejas evangélicas. A ação cumpriu mandados de busca e apreensão em algumas dessas igrejas.

Segundo já apurado pelo MPRN, Geraldo dos Santos Filho e a mulher dele abriram pelo menos sete igrejas evangélicas nos estados do Rio Grande do Norte e de São Paulo. A ação cumpriu mandados de busca e apreensão em algumas dessas igrejas.

A pedido do MPRN, além do bloqueio de contas bancárias, a Justiça também determinou o bloqueio de bens e imóveis, a indisponibilidade de veículos e a proibição da venda de rebanhos bovinos.

Todo o material apreendido será analisado pelo MPRN para apurar se há envolvimento de outras pessoas nos crimes. Valdeci dos Santos permanecerá preso na Penitenciária Federal de Brasília. Os demais presos na operação Plata foram encaminhados ao sistema carcerário potiguar e estão à disposição da Justiça.

NIP

A lavagem de dinheiro investigada na operação Plata contou com a atuação do Núcleo de Informações Patrimoniais, que foi implementado pelo MPRN no ano passado.

A criação de setor especializado em recuperação de ativos e investigação patrimonial proporcionou ao MPRN uma unidade de referência voltada à persecução patrimonial promovendo a melhoria das atividades de investigação e inteligência no combate aos crimes financeiros e com repercussão financeira.

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Júri de denunciados por execução de policial começa em novembro

O juiz federal Orlan Donato Rocha, titular da 8ª Vara Federal no Rio Grande do Norte, agendou para o dia 30 de novembro o início do júri popular relativo ao assassinato do policial penal federal Henry Charles Gama e Silva. O crime ocorreu por volta de 16h do dia 12 de abril de 2017, em Mossoró.

policial penal federal Henri Charles teria sido vítima de um complô do PCC (Foto: divulgação)
policial penal federal Henry Charles teria sido vítima de um complô do PCC (Foto: divulgação)

Serão julgados Eduardo Lapa dos Santos, Maria Cristina da Silva, Jailton Bastos de Souza, Gilvaneide Dias Mota Bastos e Edmar Fudimoto.

No termo de audiência, realizada para definição de datas e detalhes do júri popular, o magistrado destacou que defesa e acusação poderão usar recursos audiovisuais em plenário.

Até o dia 7 de outubro será fixada a lista geral definitiva de jurados no mural eletrônico da Justiça Federal. Já no dia 9 de novembro acontecerá a audiência de sorteio dos 25 jurados titulares e suplentes que atuarão na sessão do júri.

A sessão de instrução e julgamento começará às 8h do dia 30 de novembro, no plenário de Justiça Estadual, em Mossoró.

O crime

Segundo denúncia do Ministério Público Federal (MPF), a morte de Henry Charles foi sob encomenda e execução da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Ocorreu num bar do bairro Boa Vista em Mossoró, quando a vítima estava despreocupadamente no local. Quatro homens armados pararam um carro e saíram atirando em sua direção, sem chances de defesa.

Em julho de 2017, a Polícia Federal desencadeou a Operação Força e União. Visava desarticular esquema para assassinato em série de policiais penais federais no país. A PF cumpriu mandados de prisão preventiva e coercitivas no RJ, São Paulo e RN (precisamente em Mossoró).

O agente Alex Belarmino Almeida Silva, em setembro de 2016, na cidade de Cascavel (PR), e Henry Charles Gama Filho, em abril de 2017, em Mossoró, chegaram a ser vítimas desse plano macabro de intimidação.

Após a morte de Henri Charle, o PCC matou outra funcionária do sistema penitenciário federal: a psicóloga Melissa de Almeida Filho, na cidade de Cascavel (PR).

Veja reportagem detalhando como planejamento e crime em Mossoró clicando AQUI.

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Polícia Federal combate organização criminosa no RN

A Polícia Federal deflagrou hoje, em conjunto com o Departamento Penitenciário Nacional (DEPEN), e apoio da Polícia Militara do RN, a Operação Extração, que busca desarticular célula potiguar de facção criminosa com atuação nacional.  Pelo menos 90 policiais federais cumprem 16 mandados de busca e apreensão e 18 mandados de prisão preventiva.

A Polícia Federal logo cedo estava nas ruas em várias cidades do RN, com apoio do Depen e PM (Foto: cedida)

Entre os presos, está um advogado suspeito de ser um dos líderes no estado, do Primeiro Comando da Capital (PCC), facção criminosa de alcance nacional.

Natal, Mossoró, Extremoz, Ceará-Mirim, São Gonçalo do Amarante e Pau dos Ferros foram alcançados pelos mandados cumpridos pela Operação Extração.

Ataques a pessoas e lugares públicos e privados

Segundo informações da PF, as investigações foram intensificadas em junho de 2019, depois que a corporação identificou o planejamento de um “salve” pelo PCC no estado. A Polícia Federal afirma que a organização criminosa queria amedrontar a população, atacando pessoas e lugares públicos e privados em diferentes municípios.

“No salve identificado pela PF, a facção criminosa também tencionava ataques dentro do sistema prisional potiguar, incentivava a violência contra integrantes de facções rivais e sugeria confrontos com as forças policiais do Rio Grande do Norte”, informou a Polícia Federal em nota.

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Natal e São Gonçalo aparecem entre as mais violentas do país

São Gonçalo do Amarante e Natal estão entre as cidades mais violentas do Brasil. É o que aponta relatório “Atlas da Violência – Retratos dos Municípios Brasileiros 2019”.

Divulgado na manhã desta segunda-feira (05/08/2019), o trabalho é do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), com análise de 310 municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes em 2017.

Rio Grande do Norte aparece em destaque em trabalho contido no Atlas da Violência (Foto: Ney Douglas)

O estudo revela que São Gonçalo do Amarante na Grande Natal está na terceira posição como a terceira mais violenta do Brasil, só perdendo para Maracanaú-CE (1º) e Altamira-PA (2º).

Natal é a quarta colocada entre as capitais. Fortaleza-CE (1ª), Rio Branco-AC (2ª) e Belém-PA (3ª).

RN em destaque no Atlas

No caso específico do RN, São Gonçalo, Mossoró, Natal e Parnaririm apareceram como as campeãs de violência no estado (página 16 do Atlas).

No Nordeste, o estado com maior taxa de homicídios estimada, em 2017, era o Rio Grande do Norte (67,4), seguido por Ceará (64,0), Pernambuco (62,3), Sergipe (58,9), Bahia (55,3), Alagoas (53,9), Paraíba (33,9), Maranhão (31,9) e Piauí (20,9).

No Rio Grande do Norte, a Unidade da Federação com maior taxa estimada de homicídio do Nordeste, as cidades mais violentas se concentravam nas mesorregiões do Oeste e do Leste. João Dias era o município líder de mortes violentas, com taxa de 222,6, seguido por Extremoz (184,5), Ceará Mirim (173,7) e São José do Campestre (156,1).

Sindicato do Crime

A capital Natal possuía taxa de 73,4, enquanto que a média das taxas estimadas dos municípios do estado era de 47,0. Nesse estado, há a predominância do Sindicato do Crime (SDC), grupo criado por dissidentes do PCC em 2012, devido a “discordâncias administrativas”.

Esta facção criminosa, presente  no estado desde 2006, apesar de ter o controle de poucos bairros da capital potiguar, detém o poder econômico e consequentemente o controle das rotas de distribuição nacional e internacional das drogas, em um dos estados que se insere entre os principais na rota do tráfico de drogas do Brasil para a Europa.

Dez cidades com maiores taxas estimada de homicídios por 100 mil habitantes:

  1. Maracanaú (CE) – 145,7
  2. Altamira (PA) – 133,7
  3. São Gonçalo do Amarante (RN) – 131,2
  4. Simões Filho (BA) – 119,9
  5. Queimados (RJ) – 115,6
  6. Alvorada (RS) – 112,6
  7. Marituba (PA) – 100,1
  8. Porto Seguro (BA) – 101,6
  9. Lauro de Freitas (BA) – 99,0
  10. Camaçari (BA) – 98,1

Das dez cidades com maiores taxas estimadas de homicídios, seis são nordestinas, duas são da região Norte, uma do Rio de Janeiro e outra do Rio Grande do Sul. Por outro lado, aquelas que apresentaram os menores números figuram apenas em dois estados: São Paulo e Santa Catarina. E uma “coincidência” entre todas é o bom Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), como educação, trabalho, apoio infanto-juvenil.

Veja a íntegra do Atlas da Violência clicando AQUI.

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BBC Brasil mostra epidemia de homicídios que assola Mossoró

Reportagem especial do site BBC News Brasil traça perfil de uma das cidades mais violentas do Brasil: Mossoró. O material foi postado na manhã desta segunda-feira (29). É assinado pelo jornalista Leandro Machado, enviado especial ao município potiguar.

Homicídios cresceram 247% em Mossoró entre 2003 e 2018, diz dados do Observatório da Violência do RN (Foto: Cézar Alves)

As três facções e o ciclo de vinganças por trás da epidemia de homicídios em cidade do Nordeste” é o título da reportagem.

“A violência em Mossoró é uma espécie de símbolo do que aconteceu no Nordeste nos últimos anos. O crescimento econômico e populacional foi acompanhado pela chegada de redes criminosas do Sudeste, como o paulista Primeiro Comando da Capital (PCC) e o carioca Comando Vermelho (CV)”, descreve a reportagem densa e fartamente editada com fotos, números e depoimentos.

Falta de policiamento e impunidade

Uma das referências à consulta da BBC News Brasil sobre o assunto é o jornalista Cézar Alves do portal “Mossoró Hoje”, que “cobre a violência na cidade desde os anos 1990”, assinala. Ele também assina algumas fotos na matéria.

Quem também é ouvido é o coronel da Polícia Militar, Alvibá Gomes, que fala redução do efetivo policial no município, além do promotor público Ítalo Moreira: “Problemas de investigação e, por consequência, a impunidade, são outros fatores que estimulam as vinganças em Mossoró, garante o promotor criminal”.

Segundo o delegado Rafael Gomes Arraes, hoje, a Delegacia de Homicídios de Mossoró (DEHOM), criada em 2012, tem 700 inquéritos sem resolução. “A gente se sente incapaz”, comenta ele.

Veja matéria completa clicando AQUI.

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Facções e terrorismo – e as engrenagens do crime no Brasil

Por Eduardo Cavalcanti

De início, cabe esclarecimento acerca de tema de crucial importância para qualquer estudo minimamente sério no que toca às causas e consequências de crimes de complexa e elevada gravidade. Isto diz respeito ao que chamamos de Criminologia. Uma parte desta ciência, preocupa-se com dados, estatísticas, levantamento criterioso de informações e fatos sobre determinado movimento ou organização criminosa, enfim, de competentes, amplos e aprofundados estudos criminológicos.

No Brasil, há um vácuo imenso no que diz respeito a pesquisas sobre as causas e consequências dos atos criminosos que se agravam de forma epidemiológica. Há um clamor social diário para a diminuição dos crimes. Nas campanhas eleitorais, o mote da segurança pública é eixo principal de quase todos os programas de gestão dos candidatos.Entretanto, torna-se importante enfatizar que não há qualquer possibilidade de se eliminar a violência em ambientes sociais. Faz parte da própria natureza da sociedade a quebra da regra e a violação da norma. O crime, portanto, é algo inerente ao viver social. Mas, é perfeitamente possível e razoável buscar e exigir do Estado a implementação de mecanismos e instrumentos de controle para se obter índices aceitáveis de violência.

A violência, aqui restrita aos atos criminosos de grande gravidade, não se destaca por uma ou outra causa. Há causas diretas e indiretas. Há fatores de curto, médio e longo prazos. Assim, é um movimento multifatorial. Não se pode ainda simplesmente defender um discurso meramente abstrato para se entender o aumento da violência no Brasil. E, neste aspecto, para se tentar entender esta violência desenfreada, somos ricos em “achismos”, tais como: o problema é a péssima qualidade da educação, a desigualdade social é principal causa, o capitalismo individualista gera toda esta violência, somos um país jovem que ainda precisa de muita maturação, o socialismo destrói todos os valores sociais, etc.

Chegam alguns até a culpar nossos descobridores e a miscigenação daí decorrente. Portanto, há “sociólogos de plantão” para todo gosto.

De outro modo, há um dado que, por mais incerto e ainda não devidamente escrutinado, merece a devida atenção sobre o aumento da violência. Atualmente, as facções, que comandam grande parte do sistema carcerário brasileiro, representam, se não a mais importante, uma das principais engrenagens propulsoras dos atos criminosos de alta gravidade no Brasil. Tráfico de drogas e de armas, homicídios, extorsões, sequestros, roubos, latrocínios, estupros, enfim, toda sorte de crimes de elevada periculosidade.

Não se quer aqui descortinar as causas ou razões sociais da criação e desenvolvimento destas organizações criminosas, mas pontuar a necessidade de mudança da legislação penal brasileira.

Estima-se que, atualmente, existam cerca de 70 (setenta) facções no Brasil. O Comando Vermelho (CV), presente em 12 (doze) estados da federação, e o Primeiro Comando da Capital (PCC), atuando em 23 (vinte e três) estados, representam as duas maiores facções. Há ainda outras de âmbito local ou regional, tais como “Okaida”, “Família Monstro”, “Família do Norte”, “Bonde dos Malucos”, “Sindicato”, “Bala na Cara”, entre outras.

As facções, diante da comprovada ineficácia do Estado em controlar o sistema carcerário, comandam vários presídios brasileiros e representam, atualmente, as responsáveis pelo agravamento e aumento, nos últimos anos, de crimes de alta lesividade social.

E os tentáculos das facções estão crescendo e se fortalecendo, ingressando em diversos setores do Estado e da sociedade. Não há mais aquela ideia primitiva de um grupo de criminosos que se associam para prática de hediondos crimes. Hoje, observam-se estruturadas organizações criminosas que promovem atos graves de violência com fins econômicos, sociais e políticos.

Deste modo, a legislação penal brasileira pode avançar, por meio de medidas adequadas, para melhor instrumentalizar os órgãos de controle. E uma das medidas, a meu ver, é enquadrar determinados crimes praticados por facções como atos de terrorismo.

A Lei nº 13.260, de 16/03/2016, dispõe que “o terrorismo consiste na prática por um ou mais indivíduos dos atos previstos neste artigo, por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião, quando cometidos com a finalidade de provocar terror social ou generalizado, expondo a perigo pessoa, patrimônio, a paz pública ou a incolumidade pública”.

Essa legislação não incluiu aqueles atos criminosos que atingem a integridade social e o funcionamento das instituições do Estado. Em verdade, parte dos crimes promovidos por facções buscam fragilizar o Estado e atingir de forma profunda o meio social.

A lei brasileira que regulamenta o conceito de terrorismo e estabelece medidas de investigação possui instrumentos legais que poderiam auxiliar os órgãos de controle no enfrentamento destas organizações criminosas.

A Convenção do Conselho da Europa para a Prevenção do Terrorismo, subscrita pelos países membros e signatários em Varsóvia no dia 16 de maio de 2005, esclarece que os atos terroristas, pela sua natureza ou contexto, visam intimidar gravemente uma população ou obrigar indevidamente um governo ou uma organização internacional a praticar ou a abster-se de praticar qualquer ato, ou desestabilizar gravemente ou destruir as estruturas fundamentais políticas, constitucionais, econômicas ou sociais de um país ou de uma organização internacional.

Em Portugal, por exemplo, a legislação específica considera grupo, organização ou associação terrorista todo o agrupamento de duas ou mais pessoas que, atuando concertadamente, visem prejudicar a integridade e a independência nacionais, impedir, alterar ou subverter o funcionamento das instituições do Estado previstas na Constituição, forçar a autoridade pública a praticar um ato, a abster-se de o praticar ou a tolerar que se pratique, ou ainda intimidar certas pessoas, grupos de pessoas ou a população em geral.

No Congresso Nacional, tramita o Projeto de Lei nº 9555/2018 que pretende  qualificar como ato terrorista qualquer ato praticado por facção criminosa. No entanto, a prática de qualquer crime por estas organizações criminosas não se configura ato de terrorismo, mas aqueles que, por sua gravidade, atinjam a integridade social e o funcionamento das instituições do Estado.

Eduardo Cavalcanti é promotor de Justiça no RN, mestre em Direito pela PUC/RS e doutorando em Direito pela Universidade de Lisboa

Integrantes do PCC são trazidos para Mossoró

Presos chegaram à noite (Foto: Ivanúcia Lopes)

Membros da facção Primeiro Comando da Capital (PCC) desembarcaram à noite dessa quarta-feira (13) em Mossoró.

Dois helicópteros fizeram o pouso no Aeroporto Dix-sept Rosado por volta de 21h30.

Forte escolta policial os encaminhou ao Presídio Federal de Mossoró, que se localiza na comunidade rural de Riacho Grande.

Não foi informada a quantidade de presidiários e seus nomes.

Sabe-se que foram removidos 22 líderes do PCC para os presídios de Mossoró e de Porto Velho (Rondônia) no dia passado.

Entre esses presidiários está Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, considerado o número um do PCC.

Leia também: Governos transferem chefões do PCC;

Leia também: Garantia da Lei e da Ordem bota 800 militares em Mossoró;

Leia também: Aeroporto, liberado, receberá membros do PCC.

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Aeroporto, liberado, receberá membros do PCC

Foto aérea do Aeroporto Dix-sept Rosado (Foto: cedida)

Foram repostas as luminárias de sinalização/balizamento que tinham sido depredadas na pista do Aeroporto Dix-sept Rosado (Mossoró).

A vandalização das luminárias foi denunciada em primeira mão por esta página no último dia 05 (veja AQUI).

A administração do aeroporto assegura, assim, os procedimentos de pousos e decolagens noturnos para aeronaves autorizadas. O Dix-sept Rosado não tem liberação para voos comerciais à noite.

É provável que ainda hoje ou de madrugada desembarque nele um grupo de integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), facção criminosa formada em São Paulo (veja AQUI e AQUI).

O avião militar que faz o translado pousou há pouco em Porto Velho (Rondônia), para deixar uma parte dos 22 presos que foram levados do interior de São Paulo.

Leia também: Integrantes de facção chegam a Rondônia.

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Governos transferem chefões do PCC para presídios federais

Do G1

Os governos federal e de São Paulo transferiram nesta quarta-feira (13) Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, e mais 21 integrantes de uma facção criminosa para presídios federais. São homens do Primeiro Comando da Capital (PCC). Os presos estavam na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau e em Presidente Bernardes, no interior do estado, e foram levados para presídios federais em Brasília, Mossoró (Rio Grande do Norte) e Porto Velho (Rondônia).

Embarque aconteceu hoje; operação vinha sendo tratada há bastante tempo (Foto: Heloise Hamada/TV Fronteira)

O prazo de permanência nos presídios federais é de 360 dias. Nos primeiros 60, os integrantes da facção ficarão no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD). Um comboio com oito carros, escoltados por policiais federais, chegou ao presídio federal de Brasília às 14h24.

A transferência de integrantes do PCC ocorre após o governo de São Paulo ter descoberto um plano de fuga para os chefes e ameaças de morte ao promotor que combate a facção no interior de São Paulo. A facção atua dentro e fora dos presídios brasileiros e internacionalmente.

Em Mossoró

Foi confirmada em uma entrevista coletiva na Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA) que o Exército está em Mossoró por causa da transferência de presos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

A informação foi dada no Meio-Dia Mossoró (95 FM) pelo repórter Francileno Góis do jornalismo TCM.

Não está confirmada a vinda para Mossoró do líder do PCC, Marcos Camacho, o “Marcola”.

São 800 homens que ficarão na cidade até o dia 27. Há possibilidade de a permanência ser prorrogada (Blog do Barreto).

Forças Armadas e rigor em visitas

Na edição do Diário Oficial da União desta quarta, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) assinou decreto autorizando a presença das Forças Armadas em um raio de 10 km dos presídios de Porto Velho (Rondônia) e de Mossoró (Rio Grande do Norte).

Também nesta quarta, o governo federal publicou uma portaria com regras mais rigorosas para visitas a presos em presídios federais de segurança máxima. A portaria é assinada pelo ministro da Justiça, Sérgio Moro.

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Penitenciária em Mossoró já tem 39 líderes de facções do CE

Do jornal O Povo e Blog Carlos Santos

Até ontem (sexta-feira, 11), foram removidos, ao todo, 39 para a Penitenciária Federal de Mossoró: 21 do Comando Vermelho (CV) e 18 da Guardiões do Estado (GDE).

Governo do Ceará e União se mobilizam (Foto: O Povo)

Pelo menos, por enquanto, segundo uma fonte do governo, a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) teria desistido de transferir 20 criminosos já relacionados do Primeiro Comando da Capital (PCC).

A justificativa seria que o sistema aqui daria conta de isolá-los e monitorá-los.

O PCC, por ser mais “nacionalizado” que o CV, poderia decidir aprofundar ainda mais a crise no território cearense. Além, também, de desencadear um efeito dominó pelo resto do País. A análise foi posta na mesa por alguns integrantes do Centro de Inteligência do Nordeste que é sediado em Fortaleza.

Bolsonaro vê luta como “guerra”

Em seu endereço na rede social Twitter, neste sábado (12), o presidente Jair Bolsonaro deixou claro que o Governo Federal topa o confronto.

Vai enfrentar essa modalidade de organização como terrorista, endurecendo legislação e ação.

– Marginais, por explosão, derrubaram torre de transmissão sobre a BR 020 no Ceará. Em 24hs nosso Ministro das Minas e Energia providenciou o restabelecimento da rede e desobstrução da rodovia. Com garantia jurídica e tipificação desses atos em terrorismo venceremos essa guerra – disse.

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Acusado de acordo com PCC, Robinson agora acusa Fátima

No dia 19 de janeiro de 2017, o jornal “O Globo” do Rio de Janeiro estampava a seguinte manchete: “Retirada de presos em Natal foi negociada com facção”. E complementava em manchetinha: “Governo do RN admite ‘conversa’ com PCC” (veja AQUI).

No dia 21 de janeiro do mesmo ano, a revista Época detalha acordo feito pela gestão Robinson Faria com bandidos, apesar de ele negar (veja AQUI).

O Blog Carlos Santos exuma esses registros sobre rebelião no Presídio de Alcaçuz (Nísia Floresta) no início do ano passado, num momento em que de novo se associa a política com o submundo no Rio Grande do Norte.

Vidraça àquela ocasião, agora o governador Robinson Faria (PSD) sai dessa condição para ser estilingue. Acusa a senadora e adversária ao governo, Fátima Bezerra (PT), de ter apoio da marginália (veja AQUI).

Capa de O Globo de hoje mostra foto impactante e manchete comprometedora (Foto: reprodução)

“Segundo um integrante do alto escalão do governo, a negociação aconteceu na sede da polícia, no bairro Cidade Esperança, com José Claudio Cândido do Prado, o Doni Gil, um dos chefões da facção paulista no Rio Grande do Norte. O acordo foi registrado em ata”, disse a Época.

“Na segunda-feira (16 de janeiro de 2017), ele havia sido retirado do presídio com outros quatro do PCC para presídios federais. Foi Doni quem determinou os termos da rendição. Em troca de devolver a calmaria à cadeia, exigiu que o governo transferisse dali somente membros doSindicato do RN (SDC) – no mundo do crime, mudar de “casa” é como ter a prisão decretada pela segunda vez. Sheila Freitas (atual secretária da Segurança) consentiu, e o pacto foi selado”, garantiu.

O governador negou qualquer acordo (veja AQUI).

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Promotor afirma que PCC está por trás de mortes de policiais

Por Marcelo Godoy (O Estado de São Paulo)

Responsável por denunciar criminalmente mais de 300 membros do Primeiro Comando da Capital (PCC) nos últimos cinco anos, o promotor Lincoln Gakiya testemunhou as transformações que levaram o grupo a deixar de ser uma facção dos presídios paulistas para se tornar a “maior organização criminosa da América do Sul”. “O que falta ao PCC para se tornar uma organização mafiosa é a capacidade de lavar dinheiro, mas isso será obtido em breve, por causa do tráfico internacional.”

Promotor fala que tática guerrilheira tem causado muitas mortes (Foto: Márcio Oliveira/Estadão)

“O PCC adotou uma tática terrorista: mata aleatoriamente agentes prisionais ou policiais para espalhar o terror,” afirma ele.

Em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, ele comenta que mortes de vários policiais no RN, também podem ser associadas à tática terrorista do crime organizado.

Veja esse trecho abaixo:

Os 106 policiais assassinados no Estado em 2018 foram vítimas do PCC?

A maioria sim. O próprio PCC determinou na época que se fizesse a simulação de latrocínios (roubos seguidos de morte). Alguns casos foram assaltos mesmo, mas a maioria foi simulação, como agora no Rio Grande do Norte, que só neste ano teve 14 PMs mortos (número atualizado: são 18 policiais assassinados). A estratégia é a do terror. A liderança da facção ficou presa com Norambuena (Maurício Hernandez, ex-chefe militar da Frente Patriótica Manoel Rodriguez). Esse terrorista chileno disse a eles (PCC) na época (dos ataques em 2006): ‘Vocês estão errando com esses ataques indiscriminados, perdem apoio popular e não atingem o fim almejado, pois a polícia acaba se unindo’. Já o efeito desses ataques isolados é grande. Veja o caso dos agentes penitenciários federais: são três mortos. Quando o Estado não cede, eles praticam o atentado. Para tanto criaram a Sintonia Restrita. A estratégia é essa.

Veja entrevista na íntegra clicando AQUI.

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PF prende suspeitos de envolvimento em morte de agente

Henri: morte encomendada (Foto: cedida)

Do G1RN

Duas pessoas foram presas pela Polícia federal na manhã desta terça feira (6), durante a segunda fase da Operação Força e Uniao (Não Passarão), que apura o homicídio do agente penitenciário federal Henri Charles em Mossoró, na região Oeste potiguar. O crime aconteceu em abril do ano passado.

Além dos mandados de prisão temporária, foram cumpridos 10 mandados de busca e apreensão na comunidade onde foi localizado o carro usado no crime. Segundo as investigações, pessoas que moram no local participaram da execução do agente público.

Segundo a PF, na primeira fase foram identificados os responsáveis pela cadeia de comando, ordem e levantamentos de informações para executar o agente público.

Veja matéria completa clicando AQUI.

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