1. “A maioria das pessoas não sabia que ‘imoralidade’ significa algo mais que imoralidade sexual.”
O relato acima, do escritor britânico George Orwell, está no ensaio Propaganda e discurso popular, dos anos 30, parte de um conjunto de textos da época em que o autor analisa a linguagem e o discurso dos sindicatos proletários aos atores políticos da Inglaterra então em guerra.
Máscaras de Lula no acampamento de simpatizantes na sede da Polícia Federal em Curitiba (Foto Pablo Jacob - Agência Globo)
Em 2014, no Brasil, pesquisas qualitativas detectaram um deslize fatal do então candidato a presidente Aécio Neves (PSDB), na Região Nordeste, ao se referir à presidente Dilma Rousseff (PT) como “leviana”.
Uma quantidade considerável de pessoas não sabia que “leviana” significa algo mais do que outra expressão popular para “rameira”.
2. Entre outros aspectos, como o léxico e até a prosódia (cita o estadista britânico Winston Churchill, que pronunciava mal “nazi” e “Gestapo”, assim como a gente comum; o primeiro-ministro igualmente britânico Lloyd George, que falava “kêiser”, a versão das ruas, e não “kaiser”, o que os aproximava do povo, um trunfo), Orwell trata, quando sobre a esquerda, da degradação das palavras, mormente seu engessamento pelos clichês de protestos sindicais e do Partido Comunista, que vão aos poucos revogando seus sentidos originais e se tornando pálidas aos ouvidos da massa.
3. As causas mudaram, os sindicatos morreram, as narrativas idem. Noventa anos depois, a linguagem, coitada, segue sendo açoitada.
Tomemos a mesma esquerda da qual tratava Orwell como amostra, numa versão local.
Mais fortemente após 2013, com o acirramento da disputa política no Brasil nas redes sociais, fascismo, nazismo e genocídio deixaram de carregar corpos, tragédias e história em seus significados e se transformaram em dispositivos de realçar virtudes, quando postos num falso contraste com o oponente, quase sempre um espantalho mal montado, genérico.
Junto da perda dos referenciais históricos e do bom senso, os limites também se alargam, o registro das palavras esmaece. Se tudo é fascismo, nada é fascismo. E quem saberia definir de pronto, assim que a palavra sair da boca?
4. Mesmo com a vida coalhada de violência por todos os lados, uma quantidade considerável de pessoas pode nem sequer relacionar semanticamente “genocídio” a seu cotidiano.
É que a retórica tem por limite a realidade, de modo que a pergunta se impõe: a violência estatal que se abate sobre as populações mais pobres e negra no Brasil pode ser mensurada pelos mesmos protocolos que definiram o que houve na aniquilação de jovens na Guerra Civil de Ruanda ou no Conflito dos Bálcãs?
5. A direita, por sua vez, dobrou todas as apostas nesta guerra de linguagem e, com trollagem, ataques coordenados e o humor incivilizado dos memes, desceu a uma boçalidade que não passou despercebida nem pelo vice-presidente, o general Hamilton Mourão, na última campanha eleitoral.
6. “Não passarão”, “Não vai ter golpe”, “Ele não”, “Lula livre”, “Eleição sem Lula é fraude”.
Assistiu-se nos últimos anos também ao florescer de slogans de batalhas perdidas, reciclados e adaptados da Guerra Civil Espanhola à romaria lulista, todos fontes de muita frustração. Um sucedendo ao outro numa peregrinação insensata por mudar os fatos, esses teimosos.
Especialmente no petismo, junto da repetição exaustiva desses gritos de guerra, a degradação da linguagem veio num crescente de cinismo, de “recursos não contabilizados” até “Dilmãe”, um negócio infantiloide, antipolítico.
O acúmulo desses dois vieses tomou a forma de escárnio e fermentou o ressentimento. De modo que quem já foi à luta com Dilma Bolada não pode se surpreender com o Mamãe Falei.
7. Acossada pelas denúncias e condenações por corrupção contra o PT e pelas consequências da crise econômica dilmista, a esquerda centrou força numa luta que é urgente, mas comunicada, sobretudo por e entre millennials, com uma estética irônica, elitista e excludente, logo impermeável à massa, esmagada pela violência e pela falta de trabalho.
Mansplaining, gaslighting, ghosting, empowerment são expressões de branding, não de causa humanitária urgente.
Desaforo, grosseria, má educação, atrevimento, desrespeito, abuso, violência, insolência, audácia, ofensa, cinismo; nossa língua, a do povo, é rica e pode dar conta de criar pontes entre desiguais e definir o que é inaceitável sem recorrer a modismos universitários americanos. O lacre venceu a práxis.
8. O mercado e a publicidade engoliram os novos revolucionários — a cadeia, os mais velhos.
“Antes de lacrar, verifique se você está contribuindo com questões urgentes de direitos humanos ou só fortalecendo a marca de uma grande corporação”: poderia ser um aviso permanente a uma nova esquerda que, nos anos 60-70, estaria sendo chamada de “distração burguesa” ou “alienada”.
9. Quem domina a linguagem ainda domina o discurso.
Rodrigo Levino, de 36 anos, é cozinheiro. Atuou e colaborou como jornalista por 12 anos na Folha de S.Paulo, Playboy, Poder, Piauí e em outras publicações. É escritor e jornalista de origem caicoense, com atuação também na imprensa do RN.
No dia 19 de janeiro de 2017, o jornal “O Globo” do Rio de Janeiro estampava a seguinte manchete: “Retirada de presos em Natal foi negociada com facção”. E complementava em manchetinha: “Governo do RN admite ‘conversa’ com PCC” (veja AQUI).
No dia 21 de janeiro do mesmo ano, a revista Época detalha acordo feito pela gestão Robinson Faria com bandidos, apesar de ele negar (veja AQUI).
O Blog Carlos Santos exuma esses registros sobre rebelião no Presídio de Alcaçuz (Nísia Floresta) no início do ano passado, num momento em que de novo se associa a política com o submundo no Rio Grande do Norte.
Vidraça àquela ocasião, agora o governador Robinson Faria (PSD) sai dessa condição para ser estilingue. Acusa a senadora e adversária ao governo, Fátima Bezerra (PT), de ter apoio da marginália (veja AQUI).
Capa de O Globo de hoje mostra foto impactante e manchete comprometedora (Foto: reprodução)
“Segundo um integrante do alto escalão do governo, a negociação aconteceu na sede da polícia, no bairro Cidade Esperança, com José Claudio Cândido do Prado, o Doni Gil, um dos chefões da facção paulista no Rio Grande do Norte. O acordo foi registrado em ata”, disse a Época.
“Na segunda-feira (16 de janeiro de 2017), ele havia sido retirado do presídio com outros quatro do PCC para presídios federais. Foi Doni quem determinou os termos da rendição. Em troca de devolver a calmaria à cadeia, exigiu que o governo transferisse dali somente membros doSindicato do RN (SDC) – no mundo do crime, mudar de “casa” é como ter a prisão decretada pela segunda vez. Sheila Freitas (atual secretária da Segurança) consentiu, e o pacto foi selado”, garantiu.
Em abril de 2016, na semana em que o impeachment da presidente Dilma Rousseff foi pautado para a votação na Câmara, a petista tentou uma cartada final. Chamou ao Palácio da Alvorada o presidente do PP, senador Ciro Nogueira, do Piauí, seu aliado, para uma negociação definitiva. Nas cordas, Dilma foi direta: “Posso contar com você?”.
Ciro Nogueira tem perfil discreto e joga com muita habilidade nos bastidores da política nacional (Foto: Época)
Nogueira não titubeou: “Pode contar comigo, mas não posso perder. Se for para ganhar, minha preferência é ficar com a senhora. Mas meu partido tem de ficar do lado vencedor. Se conseguir uma nota conjunta do PSD do Gilberto Kassab e do PR do Valdemar Costa Neto, eu assino”, respondeu.
O documento nunca foi produzido. Menos de 48 horas depois, o PP, enquanto consumava uma negociação com Michel Temer em que levou os ministérios da Saúde (orçamento de R$ 130,8 bilhões), Agricultura (R$ 11,4 bilhões) e a Caixa Econômica Federal (R$ 82,1 bilhões, apenas em crédito habitacional para 2018), abandonou o governo Dilma, onde comandava o Ministério da Integração Nacional (orçamento de R$ 6,6 bilhões). Sua bancada fechou questão a favor do afastamento da presidente.
Crescimento
A movimentação do partido, que tinha então 45 deputados em exercício, quase 10% da Câmara, mudou o status do processo de impeachment de possibilidade para fato consumado. No final, o PP entregou 38 votos contra Dilma.
O episódio mostra o estilo ultrapragmático de Nogueira e de seu partido: eles nunca entram numa barganha para perder. Descendente direto da Arena, o PP, que deve mudar o nome em breve para “Progressistas”, entrou com tudo para vencer na janela partidária — como os políticos batizaram o período de 30 dias, previsto em lei, em que podem trocar de legenda sem correr o risco de perder o mandato por infidelidade partidária.
Ao final do troca-troca, encerrado na sexta-feira 6 de abril, o PP ficou entre os três maiores partidos da Câmara. Segundo as informações disponíveis até o fechamento desta edição, estava atrás do PT e disputava o 2º lugar com o MDB, desbancando partidos tradicionais como o PSDB. A legenda, segundo Nogueira, chegou a 54 deputados.
O fim da contribuição sindical obrigatória, extinta com a reforma trabalhista, forçou centrais e sindicatos a se adaptarem aos novos tempos de vacas mais magras. Eles têm demitido, vendido ativos e organizado planos de demissão voluntária (PDV) para se adequar a uma perda estimada em um terço da receita.
Até 2018, 100 mil trabalhadores diretos e indiretos devem ser afetados, estima o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE). A estrutura sindical reúne cerca de 300 mil trabalhadores em todo o país, segundo o Dieese.
Desse total, 115 mil são funcionários diretos e o restante presta serviços às entidades.
Os cortes devem ser diluídos no próximo mês e ao longo do ano que vem. Mas eles já começaram.
PDV
As principais centrais apoiam um projeto de lei que regulariza a contribuição negocial em substituição ao imposto sindical. Elas também sentem o fim do recurso obrigatório. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) organiza um Programa de Demissão Voluntária (PDV) e a União Geral dos Trabalhadores (UGT) demitiu funcionários e vai para uma sede menor.
O Sindicato dos Comerciários de São Paulo, que tinha 600 empregados, organizou há dois meses um PDV, que teve adesão de 67 deles. Mas isso não evitou outras 35 demissões.
Já a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), que tem 34 funcionários na sua sede nacional, não planeja lançar um plano de demissão voluntária, segundo o presidente da central, Adilson Araújo. “Se tivermos de fazer um ou outro ajuste, será feito”, diz.
O Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de São Paulo (Sintracon-SP), por exemplo, viu seu número de associados desabar com a perda de postos da construção na crise. A entidade tinha 230 funcionários no início do ano. Agora, são 158. Começou a se ajustar.
Nota do Blog – Muitos sindicatos deixaram de ser representativos dos seus representados. Tornaram-se possessões oligarcas, bancadas por opressivo imposto sindical. Nesse ponto a reforma foi muito correta. Virem-se, trabalhem, revelem eficiência representativa.
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Preso desde junho, o ex-presidente da Câmara dos Deputados Henrique Alves está deprimidíssimo.
A principal razão é a falta de perspectiva de deixar a cadeia, uma vez que as chances de firmar um acordo de delação premiada são mínimas.
Atualização: após a publicação da notícia, Marcelo Leal, advogado de Alves, entrou em contato para dizer que o ex-presidente da Câmara “tem altos e baixos de humor, mas não em razão de não ver perspectiva de fazer delação, mas por se saber inocente e se encontrar preso”. Leal afirma, ainda, ter expectativa de sucesso quantos aos pedidos de “habeas corpus” ajuizados e à absolvição de Alves.
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O programa “Roda Viva” da TV Cultura de São Paulo recebeu nessa segunda-feira (25), o empresário Flávio Rocha, presidente do Grupo Riachuelo, para falar sobre a recuperação da economia brasileira, as perspectivas de crescimento, o papel do varejo e a conjuntura política nacional.
Além de presidente de uma das maiores empresas de moda do Brasil, a Riachuelo, Flávio Rocha é fundador e ex-presidente do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), e foi considerado pela revista Forbes o melhor CEO (Diretor Executivo) do Varejo.
Ele também participou na vida política como deputado federal por duas legislaturas, em 1986 e 1990, pelo estado do Rio Grande do Norte.
Participam da bancada de entrevistadores José Roberto Caetano, redator-chefe da revista Exame; José Fucs, repórter especial do jornal O Estado de S. Paulo; Ana Clara Costa, editora de Brasil da Revista Veja; Marcos Coronato, editor executivo da revista Época; e Carlos Sambrana, redator-chefe da revista IstoÉ Dinheiro.
Nota do Blog – Uma excelente entrevista. Merece ser vista por quem consegue caminhar sem antolhos, desgarrado de limitadores e ranços ideológicos.
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Henrique: R$ 1 milhão (Foto: José Cruz/ Agência Brasil)
A defesa do ex-ministro Henrique Eduardo Alves (PMDB), preso desde de junho, ofereceu ao juiz Vallisney Oliveira, da 10ª Vara Federal, bens em garantia no valor equivalente a R$ 1 milhão para que as contas do peemedebista possam ser movimentadas pela família. Alves recebe os rendimentos de suas empresas nessas contas, mas elas foram bloqueadas por determinação de Oliveira.
O ex-ministro alega que seus familiares precisam dos recursos para custear despesas básicas. O juiz consultou o Ministério Público Federal sobre o pedido.
Alves é réu da Operação Sépsis, que investiga corrupção envolvendo a liberação de recursos do FI-FGTS, administrados pela Caixa.
O advogado Marcelo Leal, que defende o político potiguar, pediu à 10ª Vara que a delação do corretor de valores Lúcio Bolonha Funaro seja anexada aos autos – a defesa de Funaro fez o mesmo. Sem a delação, avalia Leal, ficam inviabilizados interrogatórios dos acusados previstos para esta semana.
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Coluna Expresso Época, por Murilo Ramos (Revista Época)
O senador Garibaldi Alves (PMDB-RN) está impressionado com a reação contrária do líder do partido no Senado, Renan Calheiros, aos projetos de interesse do Planalto em tramitação na Casa.
“Se continuar assim, vai ser uma explosão. O governo não pode [esperar consenso em tudo]. E precisa ter cuidado porque o líder [Renan] está rebelado. Ninguem sabe por quê. Mas está rebelado com o governo. Se a terceirização [projeto] está incomodando, imagina só a Previdência [reforma]…”
Muitos sabem o porquê de Renan estar assim: quer mais poder na Esplanada dos Ministérios.
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Já fazia mais de 100 horas que, com escudos improvisados e rostos encobertos por camisetas, presos dominavam a penitenciária de Alcaçuz, no Rio Grande do Norte. Na manhã da quarta-feira (18), o pátio da cadeia lembrava um campo de batalha medieval prestes a explodir. Criminosos da facção paulista Primeiro Comando da Capital (PCC) ocupavam o lado esquerdo da arena.
Separados por uma barricada de chapas de madeira, membros da organização potiguar Sindicato do Crime (SDC) estavam a postos à direita. Àquela altura, com o peso de 26 assassinatos desde o início da rebelião, o governo estadual se viu emparedado. Em desvantagem, decidiu negociar.
Facções rivais se enfrentam na quinta-feira (19). Governo quer construir um muro (Foto: Andressa Anholete/AFP)
A missão foi encabeçada pela delegada Sheila Freitas, diretora da Polícia Civil na Grande Natal. Sheila é descrita em uma homenagem de parlamentares como “sinônimo de força e de muita determinação”, predicados úteis nas tratativas com a bandidagem.
Segundo um integrante do alto escalão do governo, a negociação aconteceu na sede da polícia, no bairro Cidade Esperança, com José Claudio Cândido do Prado, o Doni Gil, um dos chefões da facção paulista no Rio Grande do Norte. O acordo foi registrado em ata.
Na segunda-feira (16), ele havia sido retirado do presídio com outros quatro do PCC para presídios federais. Foi Doni quem determinou os termos da rendição. Em troca de devolver a calmaria à cadeia, exigiu que o governo transferisse dali somente membros do SDC – no mundo do crime, mudar de “casa” é como ter a prisão decretada pela segunda vez. Sheila consentiu, e o pacto foi selado.
Ao determinar a remoção de 220 detentos de Alcaçuz, nenhum deles do PCC, o governador Robinson Faria (PSD) ignorou a recomendação do setor de inteligência prisional: a de retirar integrantes da facção paulista em vez dos membros da potiguar, por serem minoria – 500 diante de 1.000.
Secretário lamenta orientação ser ignorada por governador
“O que dissemos não foi levado em consideração”, afirmou Wallber Virgolino, secretário de Justiça e Cidadania, em entrevista a ÉPOCA. Num roteiro recorrente para autoridades da segurança pública, Faria negou com veemência qualquer tipo de acordo com o crime, assim como minimizou a divergência com Virgolino. Sheila negou-se a atender à reportagem por impossibilidade de agenda.
Desavenças em momentos de crise são sinais inequívocos de que a situação está fugindo do controle. A confusão entre as autoridades logo foi sentida fora do gabinete. Na mesma tarde do aval para a remoção dos presos, chefes do Sindicato do Crime emitiram um “salve”, como são chamadas as ordens, determinando que os ataques chegassem às ruas.
A Grande Natal foi tomada por cenas de horror. A Polícia Militar registrou pelo menos 38 incêndios e ataques a ônibus, carros oficiais e prédios públicos. Amedrontada, boa parte dos turistas não saiu dos hotéis. Na manhã da quinta-feira (19), a batalha campal se concretizou em Alcaçuz – e pôs fim ao frágil armistício costurado com o governo.
Os presos se enfrentaram com barras de ferro, pedras e pedaços de pau e armas de fogo. A Polícia Militar afirmou que os detentos “estavam armados e se matando”. Sobrou até para o diretor do presídio, Ivo Freire, ferido por estilhaços. Houve mais mortes, mas o número não foi confirmado.
Trapalhadas
O governador Robinson Faria veio a público na quinta-feira para dar uma resposta às trapalhadas ao longo da semana. No ponto mais agudo da crise, anunciou a entrada do Batalhão de Choque em Alcaçuz como medida imediata para conter a batalha medieval. Prometeu mais.
Na entrevista ao canal de TV Globonews (veja AQUI), disse ao vivo para o Brasil que, na manhã seguinte, daria início à construção de um muro para isolar grupos rivais. Parecia ter esquecido que a derrubada de um, dias antes, permitiu o massacre em Alcaçuz.
Nota do Blog – A revista Época é mais um órgão de imprensa da chamada Grande Imprensa a confirmar, ratificar e detalhar, o acordo feito entre o Governo do RN e o crime organizado (veja AQUI também).
Apesar de negar (veja AQUI), o governador na prática não prova o contrário nem exonerou qualquer auxiliar que atestou a existência dessa negociação de esgoto.
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A Arena das Dunas, cuja administração foi concedida pelo governo do Rio Grande do Norte para a OAS por 20 anos, teve seu segundo ano consecutivo no vermelho em 2015. O estádio teve prejuízos operacionais de R$ 16 milhões e R$ 19 milhões, respectivamente, nas duas temporadas desde a inauguração, em 22 de janeiro de 2014.
As receitas chegaram a R$ 6,9 milhões em 2015, mas continuam muito abaixo das despesas, em R$ 23 milhões. O cálculo, aqui, desconsidera os repasses de dinheiro feitos pelo governo potiguar para remunerar a construção do estádio, orçada em R$ 400 milhões.
Arena das Dunas é um 'brinquedo' caríssimo e excludente mantido com dinheiro público dos potiguares (Foto: Canindé Soares)
Ao olhar apenas para receitas e despesas é possível notar a saúde financeira de uma empresa, como a criada pela OAS para administrar a Arena das Dunas, que vai mal. E o cálculo fica muito pior se forem considerados impostos sobre a receita e despesas financeiras, como pagamentos de juros a bancos, ambos negativos.
Quebrada
Com os dois principais times locais na terceira divisão, ABC e América-RN, a Arena das Dunas depende de excursões de clubes da elite para conseguir receita. A maior renda, até hoje, saiu do jogo entre Flamengo e Avaí no Campeonato Brasileiro de 2015, quando a operadora ficou com R$ 439 mil da receita bruta de R$ 1,6 milhão.
O estádio será o palco de Flamengo x Fluminense no próximo domingo (26) e espera superar a renda obtida no ano passado.
A OAS, a quem o governo do Rio Grande do Norte concedeu a Arena por 20 anos, colocou-a à venda no começo de 2015. A construtora entrou em recuperação judicial depois que sua participação em esquemas de corrupção foi evidenciada pela Operação Lava Jato. Quebrada, decidiu vender suas participações em estádios – Arena das Dunas, Arena do Grêmio e 50% da Arena Fonte Nova.
Nota do Blog – O Governo do RN, ou seja, nós, desembolsamos mensalmente cerca de R$ 11,7 milhões para irrigar o Arena das Dunas.
Enquanto isso, falta o básico em hospitais, segurança pública virou um caos e tantas e tantas outras prioridades são ignoradas.
A “bola” do Arena está sendo rateada até hoje com quem?
O escritor americano Truman Capote (foto) é conhecido pela obra-prima A sangue frio, o relato da chacina brutal de uma família rural do Kansas em novembro de 1959, nos Estados Unidos, e da execução dos assassinos.
Por usar técnicas literárias para narrar um caso real, o livro, tema de minha coluna desta semana na revista Época, é considerado por alguns o primeiro romance de não ficção. Publicado em 1966, logo depois da execução dos assassinos, rendeu vários tipos de crítica ao autor.
Capote investigou ao longo de anos todos os detalhes da chacina e do processo, conquistou a confiança dos investigadores e dos dois assassinos. Foi capaz de narrar com enorme riqueza de detalhes o crime, seu impacto na cidadezinha do interior do Kansas, a condenação e a execução na forca de ambos.
Mas, como não usava gravador nem bloco de notas, foi acusado de inventar citações e de romancear a história com fatos que não correspondiam à realidade. Sua obsessão com minúcias factuais era tão grande, que esse tipo de crítica nunca prosperou muito.
O ataque mais consistente a Capote se deu no campo ético. Ele omitiu, até a publicação do livro, duas informações cruciais que poderiam ter interferido no resultado do julgamento.
Primeiro, um dos assassinos confessou apenas a ele ter sido o autor de todos os disparos que mataram as quatro pessoas da família Clutter – em sua confissão à Justiça, ele dissera ter matado apenas dois.
Segundo, Capote recolheu evidências sólidas de que esse mesmo assassino sofria de severos distúrbios mentais, mas nenhuma delas foi levada em conta no julgamento.
A questão que permanece é: foi correta a condenação à morte de ambos? A genialidade de A sangue frio está justamente em – graças ao sangue-frio do próprio autor na confecção da narrativa – permitir as duas leituras.
Para os defensores da pena de morte, a crueza do relato oferece um exemplo perfeito de caso em que ela se aplica. Para os adversários, fornece elementos que permitem atacar as falhas do sistema judicial, ao proferir uma sentença tão definitiva.
Ambos os lados precisam admitir que, apesar de suas posições irredutíveis, não há resposta simples para esse dilema.
Hélio Gurovitz é colunista da revista Època
Nota do Blog do Carlos Santos – Esse livro é fantástico. Leitura obrigatória para quem tem paixão pelo jornalismo. Romance real, que se diga.
Técnica narrativa refinada, detalhismo microscópico, estilo enxuto e abordagem que nos leva à crença de que estamos vendo um filme.
A propósito, sei de um filme baseado no livro, que confesso nunca ter visto.
Os dois períodos de Lula na Presidência foram marcados por crescimento econômico, disseminação de programas sociais – e também por dois grandes escândalos de corrupção. No primeiro mandato, reinou o mensalão. Ele acabou na prisão de seus principais operadores e articuladores, depois de julgados e condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). No segundo mandato – soube-se nos últimos meses, por meio de investigações da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Federal (MPF) –, floresceu um esquema de pagamento de propina em troca de contratos bilionários com a Petrobras, esquema que continuou durante o governo de Dilma Rousseff.
Neste momento, as autoridades investigam a conexão entre os dois escândalos. Já se sabia que parte da estrutura financeira do mensalão fora usada no esquema da Petrobras. As últimas investigações vão além da questão financeira e se debruçam sobre os personagens comuns aos dois enredos.
Papel dos atores
O ex-deputado federal José Janene (que morreu em 2010), o doleiro Alberto Youssef e o executivo Paulo Roberto Costa aparecem no mensalão e no esquema da Petrobras. Um depoimento dado no dia 22 de julho deste ano – revelado por ÉPOCA em primeira mão e disponível em vídeo em epoca.com.br –, ajuda a detalhar o papel dos atores que participaram dos dois esquemas.
O autor do depoimento é o empresário Hermes Freitas Magnus, de 43 anos. Ele reafirma a participação do mensaleiro Janene – deputado do PP que, em troca de apoio político, embolsou R$ 4,1 milhões do mensalão petista – como figura central que liga os dois escândalos. Magnus foi sócio de Janene – e, segundo diz no depoimento, frequentava sua casa e ouvia confidências dele.
Segundo Magnus, o esquema da Petrobras “era a extensão do mensalão, um cala-boca para que (Janene) permanecesse quieto”. Janene sempre dizia, segundo o depoimento de Magnus, que poderia “derrubar Lula”, porque sabia do esquema do PT tanto quanto o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, condenado por corrupção.
A governadora Rosalba Ciarlini (DEM) prevê que o DEM é um partido fadado à morte. “O DEM tende a sumir”, afirma ela em entrevista à revista Época, publicação do grupo Globo, com circulação nacional.
Ela também fala nesta mesma edição, da sua difícil convivência com o senador José Agripino, líder da sigla, além de deixar claro que não teme qualquer adversário numa disputa ao Governo do Estado.
Destaca ainda, sua boa relação política “republicana” com a presidente Dilma.
Veja abaixo a íntegra desse pingue-pongue ou neste link AQUI que vai direto à página virtual da revista:
Governadora do Rio Grande do Norte, Rosalba Ciarlini (Foto: Beto Barata/ÉPOCA)
ÉPOCA – Qual é a importância para o DEM da sua não-candidatura? A senhora é a única governadora do partido.
Rosalba – Eu acho que você tem de perguntar a eles.
ÉPOCA – Mas qual a opinião da senhora?
Rosalba – Só tínhamos dois (governadores). Perdemos um. A única que ficou está sem condições de colocar seu nome. O DEM tende a sumir.
ÉPOCA – Com a decisão de impedir a sua reeleição, o DEM está se apequenando?
Rosalba – Eu acho que, na realidade, era para estarmos lutando para termos mais governadores, como se luta para ter mais prefeitos, que são a base das eleições. Tendo mais governador cresce também a bancada. Muita coisa eu não posso responder por eles.
ÉPOCA – Como foi a reunião da semana passada? A senhora já percebeu um clima desfavorável?
Rosalba – Já percebi, porque na realidade o diretório vem de longas datas, ele (o senador José Agripino Maia) é o presidente do partido, sempre foi. Então, é claro que não tem se renovado muito o diretório. Teve votos nulos, votos em branco, teve abstenções – poucas, mas teve. Então, não havia unanimidade.
ÉPOCA – A votação foi aberta?
Rosalba – Não, foi secreta.
ÉPOCA – O senador Agripino Maia fez algum tipo de consideração?
Rosalba – Não, foi só isso. Ele encaminhou mostrando a necessidade de o partido crescer suas bancadas e, para isso, não poderia ficar só (na disputa eleitoral); que o governo até então não tinha montado uma arco de alianças. Eu ponderei que, para você montar um arco de alianças, você precisa que as lideranças do partido ajudem.
ÉPOCA – A senhora está desapontada com ele?
Rosalba – Eu preferia não fazer nenhuma observação.
ÉPOCA – Por que?
Rosalba – (silêncio) Deixa… Eu estou refletindo.
ÉPOCA – A senhora conversa com o senador Agripino sobre sua situação?
Rosalba – Somos do mesmo estado e o conheço há mais de 50 anos. Frequenta a minha casa e nos tratamos muito bem. Sempre houve confiança de ambas as partes. Durante todo esse período, fui tentada a trocar de partido e isso poderia até ter sido mais promissor para mim politicamente. Mas eu não mudei porque Agripino era o presidente do partido e me mantive no DEM por uma questão de lealdade e respeito a ele.
ÉPOCA – Quais partidos a convidaram para que deixasse o DEM?
Rosalba – Tive convite do PSD, PROS, PTB, PP e de partidos menores. Qual é o partido do Marcelo Crivella? PRB. Tive convite do PRB. Mas fiquei no DEM.
ÉPOCA – Mas o que Agripino disse à senhora recentemente?
Rosalba – Há duas semanas estive com Agripino na casa dele em Natal. Ele disse que se eu tivesse condições eleitorais, poderia tentar. Mas qual seria o problema se eu me candidatasse? Tem candidato que entrou derrotado numa eleição e acabou eleito; e outros que entraram eleitos e saíram derrotados. Uma vez um candidato foi dormir achando que tinha ganhado a eleição em Natal. No outro dia descobriu ter perdido para Aldo Tinoco, um sanitarista que não era muito conhecido. O candidato derrotado foi (o presidente da Câmara) Henrique (Alves) e o povo lá em Natal comenta muito sobre isso. Mas voltando, se eu me candidatasse, o que poderia acontecer? Eu poderia não chegar ao segundo turno. Mas ainda assim o partido seria o fiel da balança no segundo turno e sairíamos ainda mais valorizados. Mas a preocupação era sempre com as eleições para deputados e senador porque não poderia ir só o Democratas. Eu disse que garantiria dois partidos (na aliança) e com chance de angariar o apoio de outros. Mas eu disse a Agripino que precisava de um aceno de que eu seria candidata, porque não posso propor aliança sem saber se vou ser candidata. Aí ele disse que faríamos uma reunião para ouvir o diretório.
>> Felipe Patury: Agripino e Rosalba travam guerra no Rio Grande do Norte
ÉPOCA – Mas quais foram as condições impostas por Agripino para que pudesse apoiá-la?
Rosalba – Ele apontou com clareza as minhas dificuldades. Disse que eu precisava dessas alianças. Também se mostrou preocupado com uma questão jurídica no Tribunal Superior Eleitoral que pede minha inelegibilidade. Mas estou tranquila quanto a isso. No meu caso só cabe uma multa, não a inelegibilidade. O processo fala na chegada de um equipamento a uma semana antes da eleição. Mas eu não estive nesse local da entrega do equipamento e a presidente da comunidade beneficiada disse que eu não estava lá e que ninguém pediu voto.
ÉPOCA – O que a senhora pediu na reunião de segunda-feira?
Rosalba – Pedi que aguardássemos até a convenção do partido para eu ter tempo de costurar as alianças. Historicamente nenhum governador, por mais desgaste que teve, chega a uma eleição com menos de 25% – e eu já estava chegando perto, mesmo sem ser candidata. Aliás, se estou tão desgastada, por que todos têm tanto medo de me enfrentar? O partido cria todo tipo de dificuldade para eu ser candidata. É uma coisa incrível. Depois da reunião os jornais deram destaque que o partido tinha negado a legenda para a minha candidatura. Apesar de não ser oficial, pois o assunto deve ser tratado na convenção, isso dificultou a minha situação ainda mais.
ÉPOCA – E o que aconteceu?
Rosalba – O que me surpreendeu é que o meu apelo não foi levado em consideração. Só que na reunião só se falou sobre eleição proporcional (deputados e senador). Quando isso aconteceu, percebi que se tratava de uma cassação branca. Deixei a reunião para não parecer que estava aceitando aquilo. Fui acompanhada de algumas pessoas. Dizem que dar atenção às eleições proporcionais é uma decisão nacional do DEM com o objetivo de o partido crescer. Acho importante essa preocupação com as eleições proporcionais. Mas fica mais fácil tendo um candidato majoritário. Esse é o meu pensamento. Se na convenção eu percebesse que não teria condições, desistiria. Mas o partido chegou a antecipar as convenções.
Época – Quando será a convenção do DEM no Rio Grande do Norte?
Rosalba – Vai ser no dia 15, quando todas serão depois do dia 25. Mal começou a Copa… Era (para ser no dia) 13, é porque já gritaram lá que é o dia do primeiro jogo (da Copa) em Natal! Então, (foi) tudo montado. Assim, pareceu uma coisa muito… como se diz: não quer, não quer, não quer.
ÉPOCA – O governo da senhora tem sido mal avaliado. Numa pesquisa a senhora ficou na pior posição entre os 27 governadores.
Rosalba – Não digo que vou ganhar a eleição. Mas o nosso partido tinha chance de disputar a eleição. Minha candidatura levaria a eleição no Rio Grande do Norte para o segundo turno. Eu teria a oportunidade de esclarecer muita coisa sobre o meu governo.
ÉPOCA – Como a avaliação do seu governo chegou a esse nível? Isso foi levado em conta na reunião?
Rosalba – Não, isso não (foi levado em conta). Até porque eles sabem que isso (a avaliação do governo) vem melhorando. O governo que eu peguei, como eu disse, estava falido. Os hospitais eram o caos do caos. Com toda essa loucura, nós fizemos mutirão de cirurgias para acabar com as filas e acabamos em muitos lugares, aumentamos 88 leitos de UTI, 140 leitos de retaguarda. (o Rio Grande do Norte) É o estado que tem a maior cobertura de SAMU. Nós temos SAMU em todo estado: toda cidade com mais de 20.000 habitantes tem SAMU. Nós avançamos na oncologia, acabamos com a fila, hematologia está funcionando bem, voltamos a fazer até transplante de fígado que tinha parado. Nada é perfeito, tem muito a fazer, mas já melhorou muito. O aeroporto saiu do papel. Mérito da governadora? Luta da governadora, porque não descansei um só segundo. Teve a presença da nossa bancada? Teve e o compromisso da presidenta Dilma, mas ele vinha se arrastando há 17 anos.
ÉPOCA – Quando a senhora teve sinais de que o PMDB, que apoiava seu governo, não a apoiaria num projeto de reeleição?
Rosalba – Teve um determinado momento em que o PMDB, que chegou a ocupar sete secretarias, deixou o governo. Naquele momento, o PMDB já dizia que queria uma candidatura própria. Começamos a ver entrevistas. Havia sinalizações de que ele estava formando um acordo muito grande, inclusive com partidos que têm ideologias diferentes. A candidata dele ao Senado (Wilma Faria) é do partido do Eduardo Campos (PSB). Henrique Alves dizia que apoiava a (presidente) Dilma (Rousseff). Já outros partidos desse acordão querem apoiar o (senador) Aécio (Neves, candidato pelo PSDB).
ÉPOCA – Qual a vantagem do DEM em apoiar Henrique Alves?
Rosalba – Olha, sinceramente, eu não sei. As bases no interior reagem muito porque sempre foram partidos historicamente, adversários. Isso aí só quem pode responder é quem… Eu não discuti isso, né?
ÉPOCA – A senhora temeria confronto com Henrique Alves?
Rosalba – Não temeria confronto eleitoral com ninguém, porque era uma boa oportunidade para esclarecer muita coisa. Quem for governador do Rio Grande do Norte agora, vai encontrar um Rio Grande do Norte melhor. Nós ficamos entre os três estados, dito pelo próprio Tesouro, que fizemos o melhor ajuste fiscal. O Estado do Rio Grande do Norte conseguiu com o Banco Mundial o maior programa para ser desenvolvido da história do Rio Grande do Norte: US$ 540 milhões. Esse projeto começou comigo, começo, meio e fim. Já está andando o programa, começou este ano. (O estado) Nunca tinha conseguido. E conseguiu por que? Porque fez o ajuste fiscal, tem capacidade de pagamento, de endividamento e tem projetos.
ÉPOCA – A senhora tem um bom relacionamento com a presidente Dilma?
Rosalba – Tenho. Relacionamento republicano.
ÉPOCA – Ela ajudou a senhora?
Rosalba – Sempre que procurei, ela não se negou a ajudar. Isso aí eu tenho de lhe dizer: que a presidenta não criou nenhuma dificuldade. Por exemplo: a barragem de Oiticica, que havia uma dificuldade, vai ser, não vai, se é com Dnocs (Departamento Nacional de Obras de Contra às Seca), se é com o estado. Falei com ela, na mesma hora ela ligou para a (ministra do Planejamento) Míriam (Belchior) e mandou fazer a autorização da ordem de serviço.
ÉPOCA – Esse bom relacionamento com a presidente causou algum tipo de constrangimento para a senhora dentro do DEM?
Rosalba – Saíram dizendo que eu votaria em Dilma. Eu disse, na verdade, que poderei votar. E disse isso porque vi ações de combate à seca com as quais eu estava plenamente de acordo. Foi uma posição em cima de algo administrativo e a maneira republicana com a qual eu fui tratada pela presidente.
ÉPOCA – Houve alguma reação contrária do partido a sua manifestação?
Rosalba – Isso não deve ter agradado por eu ter elogiado tanto a presidenta Dilma. Eu disse que se estiver certo, eu aplaudo. Se estiver errado, também vou dizer.
ÉPOCA – Por que o DEM diminuiu tanto de tamanho?
Rosalba – O partido está precisando fazer uma análise de tudo isso. E acompanhar o rumo que o Brasil está tomando. É um tempo de mudanças e o DEM permaneceu muito estático.
“Não gosto de política… gosto é do poder. Política para mim é um meio para chegar ao poder”, diz Carlos Lacerda, em Depoimento, publicado em 1978, um ano após sua morte. De fato, a paciência não era sua maior virtude. Em 1955, Juscelino Kubitschek eleito presidente da República, Lacerda defendeu a anulação das eleições. Juscelino não havia feito maioria, seu meio milhão de votos sobre Juarez Távora eram votos dos comunistas.
Lacerda em 1963, governador da Guanabara, tramou golpes para chegar ao poder (Folhapress)
Às favas com o jurisdicismo da ala legalista da UDN. O caso era apear Juscelino, e logo João Goulart, seu vice, do poder. Lacerda tinha pressa.
Em abril deste ano, Lacerda faria 100 anos. Nos manuais de história, ele é o corvo da Terceira República. O apelido foi dado pelo jornal Última Hora, de Samuel Wainer. Pegou. Lacerda incorporou o pássaro negro a sua propaganda. Proscrito da vida pública ainda relativamente jovem, assim prossegue. Nenhuma comissão da verdade pede o reexame de sua morte.
Seu arqui-inimigo, Getúlio Vargas, chefe de um regime de exceção de década e meia, que fechou o Congresso, extinguiu os partidos, prendeu e torturou com sua polícia política, prossegue como herói da historiografia oficial.
Em parte, isso se dá pela sina incontornável da história: Lacerda foi um político derrotado. Nos 19 anos da “república populista”, andou sempre no avesso do poder. Terminou derrotado pelo regime militar – que apoiara e, depois, o baniu da vida política. Lacerda chegava à maturidade de seus 50 anos em 1964. Aspirava à Presidência, queria ser o candidato da “revolução”, nas eleições de 1965. Errou feio. De certo modo, terminou como Leonel Brizola, tolhido da chance de deixar um legado, como o fizeram Juscelino e Vargas. Brizola, longevo, ainda sobreviveu. Teve sua chance, na redemocratização. Lacerda se foi em 1977, inglório, morto de uma complicação cardíaca.
Vem daí o mérito do livro recém-lançado de autoria do historiador Rodrigo Lacerda, A república das abelhas. Rodrigo é um escritor premiado, doutor em história pela Universidade de São Paulo. É também neto de Carlos Lacerda. De cara, isso o livra do debate sobre o “distanciamento”. “Tentei tirar partido disso”, diz Rodrigo. E conseguiu.
Rodrigo toma o avô como narrador de sua própria história e produz um livro cativante. Algo que ele chama, “por falta de definição melhor”, um “romance histórico”. Não gosto da expressão. Um livro de história sempre será uma obra de ficção. A ficção sobre o tempo que se foi e do qual recolhemos os pedaços. Rodrigo recolhe os cacos da história dos Lacerdas, desde o avô de Carlos, Sebastião, abolicionista e republicano, e estabelece seu ponto de vista.
Rodrigo conta a história do atentado da Rua Tonelero, em 1954. Daria um bom hobby colecionar versões sobre o acontecido, naquela madrugada, em Copacabana. Conheço livros de história que asseguram tudo não ter passado de uma jogada para incriminar Getúlio: a confissão do negro Gregório, o ferimento de Lacerda, tudo mentirinha.
História? Talvez seja melhor ficar com o romance, mas não faz muita diferença. Rodrigo escreve um livro cuidadoso, como devem ser os livros de história. Seu maior achado foi transformar Lacerda num homem ponderado.
Na classe média carioca, com alguma informação e bastante idade, Lacerda é lembrado como governador enérgico e competente, o primeiro do então recém-criado Estado da Guanabara, na primeira metade dos anos 1960. Seu governo universalizou o acesso ao ensino primário e chegou a publicar um decreto prevendo processo para os pais que não matriculassem seus filhos na escola.
Modernizou a gestão, tornou obrigatório o concurso público, investiu como nunca em saneamento básico, investiu em obras estratégicas, como a estação Guandu, os túneis Rebouças e Santa Bárbara, mandou fazer o Parque do Flamengo.
Lacerda disse, no fim da vida, que sempre quis ser escritor. Foi dramaturgo, traduziu 30 obras (de Shakespeare a Tolstói) e escreveu um livro de memórias, A casa de meu avô, que lhe valeu a frase de Carlos Drummond de Andrade de que bastava o livro “para garantir-lhe esse lugar que importa mais do que os lugares convencionalmente tidos como importantes”. Mas deixou sua melhor memória como gestor público.
Sua paixão definitiva foi o jornalismo de combate, o articulismo enragé, tradição hoje desaparecida, pois nenhum governante perde o sono em função de um artigo de jornal. Escreveu um livro apresentando sua visão sobre o jornalismo, A missão da imprensa, em que faz uma candente defesa da independência do jornalismo diante dos governos e grupos de poder, a profissionalização do jornalista, o rigor na verificação das fontes. É evidente que esse não foi o caso de seu jornal, a Tribuna da Imprensa, fundada por ele.
Nem foi o caso da publicação da Carta Brandi (uma carta forjada do deputado argentino Antonio Brandi a Jango, apresentada pelo jornal como a prova de uma conspiração para implantar uma “república sindicalista” no Brasil). O Lacerda reflexivo, saído da mente de Rodrigo, “fora do jogo, lembrando o campeonato”, quem sabe teria checado se aquela assinatura era mesmo verdadeira, antes de publicar a carta. Lacerda levou a contradição entre a palavra e a vida ao estado da arte.
Jovem comunista, Lacerda virou conservador e incorporou o personagem do moralista da República
Nos anos 1930, foi comunista. Nunca foi formalmente aceito no partido, mas se tornou orador estudantil da Aliança Libertadora Nacional. Em 1935, fez a leitura do manifesto de Luís Carlos Prestes, que levaria ao fechamento da ALN. Rodrigo sugere um jovem Lacerda incomodado com a verborragia lunática de Prestes, que entre outras coisas convocava os índios brasileiros a aderir à causa proletária. É possível. De todo modo, seu divórcio com o comunismo vem apenas no final dos anos 1930.
Escreveu um artigo, “A exposição anticomunista”, segundo Lacerda com o conhecimento do partido, em que fazia crer que o PCB não tinha mais influência relevante na política brasileira. Foi expurgado. Seus amigos comunistas o largaram, sob o efeito do Artigo 13 do estatuto do Partidão, que proibia seus integrantes de falar com os inimigos do partido. Foi sua experiência pessoal com a ideia totalitária.
Da crítica ao comunismo emerge, nos anos 1940, o Lacerda conservador. Por volta de 1948, converte-se ao catolicismo, sob influência de Fulton Sheen, líder católico americano, carismático e tele-evangelista (atualmente em processo de beatificação), e de intelectuais, como Alceu Amoroso Lima. Lacerda lapida sua concepção do universo político, segundo a qual “o liberalismo só pode funcionar em uma sociedade dotada de base moral”. Base moral que, por suposto, subordina qualquer ideia de pluralismo político e social. Não é um acaso que a Tribuna da Imprensa surge, no final de 1949, com o objetivo explícito de “cristianizar a sociedade”.
No ambiente da Guerra Fria, o discurso conservador encontrava uma tradução fácil: o anticomunismo, mistura de “medo real com uma espécie de indústria do pavor”, na definição de Elio Gaspari. O comunismo, hoje, é um espantalho, e o moralismo católico saiu de moda. À época, dava audiência e um bom bocado de votos. O mundo andava em transição, nos anos 1950 e 1960. A juventude lia Jack Kerouac e experimentava a liberdade sexual que a pílula oferecia, mas expressões como o “perigo vermelho” e a “destruição do nosso modo de vida” mexiam com a cabeça das senhoras de Copacabana. Lacerda soube ser seu porta-voz.
Larcerda discursa em São Caetano do Sul, em 1968 (Folhapress)
Suas posições, naqueles anos, são bem conhecidas – e não são isentas de contradições. Em 1947, agiu como um liberal, reagindo à decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de cancelar o registro do PCB. Diferentemente dos trabalhistas e da máquina sindical atrelada ao governo, avessos à concorrência.
Em 1954, foi o pivô da crise de agosto, que levou ao suicídio de Vargas. Em seguida, defendeu o adiamento das eleições, alegando a necessidade de um “estado de exceção”, um período de reforma constitucional para corrigir os males de nossa democracia. Em 1955, zarpou no Cruzador Tamandaré, com o presidente interino Carlos Luz, acossado pelos canhões do Forte de Copacabana, em oposição à posse de Juscelino.
Em 1961, opôs-se à posse constitucional de Jango e, em 1964, liderou a mobilização golpista no Rio de Janeiro, com sua metralhadora INA a tiracolo, desde o Palácio Guanabara.
Sempre desconfiei dos que atribuem coerência demais à trajetória dos atores políticos. O jogo do poder frequentemente adquire uma lógica própria, há o erro, há o desvio, o exagero e, por fim, há sempre muita teoria disponível para interpretar e ajustar a realidade. O fato é que Lacerda fez do “golpismo democrático” a marca maior de sua personalidade política. Aquela que produziu o “lacerdismo”, uma arte, um pecado da política brasileira, que consiste em pôr em xeque as instituições da República quando interessa. Uma arte sem ideologia, frequentemente feita de bons argumentos. Pecado que ninguém mais, felizmente, soube cometer como Lacerda.
Quem sabe o lacerdismo tivesse um componente estético. Lacerda foi, na definição de Rodrigo, alguém com a “trágica incapacidade de aceitar o mais ou menos, na terra do mais ou menos”. O ponto é que a democracia vive, em boa medida, do mais ou menos. Do acordo, da procura pelo consenso. A vida de Lacerda foi a recusa permanente do acordo. Talvez tenha sido seu personagem: o moralista da República. Atores políticos elegem seus personagens. Juscelino escolheu ser o otimista, o democrata, o “sonhador do Brasil”; Tancredo escolheu ser a tradução discreta do bom-senso. Lacerda fez sua escolha. Nunca pareceu arrependido, mesmo na derrota.
Fiel seguidor do “estilo dos Lacerdas” – herdado de seu pai, Maurício, deputado na República Velha, pioneiro na defesa da legislação trabalhista –, Lacerda foi muito além. Seu poder de atração residia, essencialmente, na palavra, no talento de orador. O maior de todos, na opinião insuspeita de Almino Affonso.
A autoconfiança que o fez entrar sozinho, numa madrugada de dezembro de 1961, no presídio Lemos de Brito, para controlar a rebelião de algumas centenas de detentos, episódio em que teria sido ajudado pelo preso ilustre, Gregório Fortunato.
Exagero ou não, está lá, numa carta de Drummond, de 1976: “Ninguém é indiferente ao charmeur irresistível que você é; e mesmo os que dizem detestá-lo, no fundo, gostam de você. Gostam pelo avesso, mas gostam”.
A vocação de charmeur, quem sabe, fez com que conseguisse, a partir de 1966, uma improvável reaproximação com Juscelino e Jango, para a formação da Frente Ampla, em oposição ao regime militar. Também aí foi derrotado. São muitas as razões. Uma delas era a memória, ainda fresca. Mesmo que pensasse rápido, que não guardasse mágoa, era óbvia, para Lacerda, a dificuldade de ser reconhecido como um democrata pela oposição ao regime. Em 1968, logo após a decretação do AI-5, Lacerda teve seus direitos políticos cassados por dez anos.
Só com a Constituição de 1988, e após o impeachment de Fernando Collor, que a República adquiriu alguma estabilidade. Durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, foi criado o Ministério da Defesa, que passou a ser ocupado por um civil, e as Forças Armadas retiraram-se por completo da cena política.
Logo que eleito, Fernando Henrique sugeriu que chegara o tempo de superar a era Vargas: a era do Estado empresário, do sindicalismo oficial, do empreguismo público, da cooptação política via distribuição dos cargos e favores públicos.
A lista dos arcaísmos brasileiros é extensa e velha conhecida. Fernando Henrique poderia ter acrescentado que também chegara o tempo de superar a “era Lacerda”. A era do tudo ou nada, do diálogo impossível, do logro permanente das regras do jogo. Havia chegado o tempo da convergência. Em nome desse aprendizado, haviam sido feitas a anistia, a transição pacífica para o poder civil, a nova Constituição e, finalmente, a normalização econômica do país, com o Plano Real. Nesta Quinta República, é certo que o Lacerda moderno, defensor do fim do imposto sindical, do direito das famílias à escolha educacional, e o Lacerda intelectual teriam algum papel a cumprir. O “corvo”, papel nenhum.
Rodrigo, agora, nos deve um segundo volume, contando sobre seu avô nos anos de 1954 a 1977.
Quem sabe um Lacerda, já veterano, entre suas abelhas, nos conte sobre suas aventuras da maturidade. Não apenas sobre seu governo na Guanabara, sua vitória de Pirro em 1964, mas também arrisque um pouco mais. Que diga se acreditava, realmente, no moralismo udenista e se de fato errou na perseguição que promoveu a Juscelino, como teria reconhecido, num encontro da Frente Ampla. Que fale de suas amizades com os intelectuais, de John dos Passos a Erico Veríssimo, e nos confesse se, nos últimos anos, não fora se tornando mais um liberal e menos um conservador.
E, de passagem, nos conte sobre o que realmente aconteceu entre ele e Shirley McLaine, naquele outono californiano de 1968.
Fernando Schüler é doutor em filosofia, diretor do Ibmec RJ e curador do Projeto Fronteiras do Pensamento
A revista Época focaliza em reportagem especial, um comparativo do sistema carcerário do Rio Grande do Norte com o do Maranhão. Deixa no ar, uma pergunta: “Um novo Maranhão?” A matéria é contestada em nota oficial pelo Governo do Estado, considerando que a publicação distorce fatos e erra profundamente ao tentar fazer comparativos.
Veja abaixo, uma síntese do que diz a revista:
A afirmação de que o Rio Grande do Norte pode ser o novo Maranhão encontra base na comparação entre a situação carcerária nos dois Estados. Ambos também têm em comum governos poucos eficientes na aplicação de verbas no sistema penitenciário. Conforme dados da Justiça do Rio Grande do Norte, a governadora Rosalba Ciarlini (DEM) prometeu investir R$ 6 milhões em 2013 na reforma de estabelecimentos penais para abrir mais 500 vagas, mas aplicou apenas R$ 2 milhões.
Roseana Sarney precisou devolver R$ 22 milhões ao Ministério da Justiça porque deixou de apresentar projetos que atendiam às exigências técnicas para a construção de presídios. Na tarde da quinta-feira passada, a diretora do presídio de Alcaçuz, Dinora Sima Lima Deodato, apontou o dedo para um saco de cimento e alguns tijolos comprados para reformas no presídio e que estavam no pátio de entrada da penitenciária – onde 800 internos vivem num lugar onde caberiam, no máximo, 600. Essa é a providência mais visível da administração da governadora Rosalba Ciarlini contra o caos nos estabelecimentos penais e em resposta ao alerta do CNJ.
Veja abaixo a Nota de Esclarecimento do Governo do Estado:
Nota de Esclarecimento
Com relação à reportagem “A bárbarie no presídio de Alcaçuz, no Rio Grande do Norte. Um novo Maranhão?”, publicada na revista Época neste sábado (18), o Governo do Estado do Rio Grande do Norte, por meio da Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejuc) esclarece que:
1) Não procede a comparação estatística entre os sistemas carcerários do Rio Grande do Norte e o do Maranhão feita pela revista. Enquanto ao longo do ano de 2013 aconteceram 66 mortes no presídio de Pedrinhas, em todo o sistema penitenciário do Rio Grande do Norte aconteceu apenas 1 (uma) morte na Penitenciária Estadual de Alcaçuz, que está há 16 (dezesseis) meses sem registar uma fuga.
2) Enquanto o Maranhão tem uma média de 1 policial para cerca de 850 habitantes, o Rio Grande do Norte tem uma média de 1 para cerca de 350 habitantes;
3) Não procede a informação de que houve uma “ordem política” para impedir a entrada da equipe de reportagem da revista Época no presídio de Alcaçuz. Acompanhado da assessoria de imprensa da Sejuc, o jornalista Hudson Correia, inclusive, almoçou no refeitório da referida unidade na última quinta-feira (16).
4) Foi informado à revista Época, por meio de relatório entregue em cópia ao jornalista Hudson Correia, todas as medidas adotadas pelo Governo do Estado para melhoria do sistema prisional, principalmente a construção de dois novos presídios nos municípios de Ceará Mirim e Mossoró, (1.200 novas vagas), além do Centro de Detencão Provisória de Parelhas (80 vagas), a reforma e ampliação em curso da Penitenciária Estadual do Seridó, em Caicó (80 vagas), e a construção de um prédio em Natal, que vai gerar 300 novas vagas no regime semi-aberto. Também, em curso, estão a reforma da unidade de Pau dos Ferros e do Complexo João Chaves, em Natal (320 novas vagas).
5) A revista deixou de registrar que, na construção da Arena das Dunas, foi determinado, pelo Governo do Estado, o emprego de mão de obra carcerária, o que resultou num reconhecimento público do Tribunal de Justiça do Estado à essa iniciativa do Executivo. Em todo o país, a construção da Arena das Dunas foi a obra, entre todas as doze arenas, que mais empregou apenados.
6) O Estado reconhece que há problemas estruturais no seu sistema carcerário (necessita de 2 mil novas vagas, o que representam cerca de 1% do número de vagas necessárias em todo Brasil), mas ressalta que tem empregado todos os esforços junto ao Governo Federal para executar todos os projetos detalhados à reportagem da revista Época.
Por Leonel Rocha (Coluna Felipe Patury, Revista Época)
A prefeita de Natal, Micarla de Souza (PV), enfrenta uma rejeição acachapante de 90% da população. Sem grandes perspectivas na política, ela faz planos para o ano que vem, quando não terá mais obrigações na prefeitura.
Evangélica, pretende partir em retiro espiritual para Miami, onde quer recarregar as energias para tocar seu novo projeto: abrir uma sucursal da Igreja Batista da Lagoinha, de Belo Horizonte.
Agora que perdeu a fé dos eleitores, ela decidiu virar pastora. Até que faz sentido. Os natalenses querem mesmo que Micarla vá com Deus…
Apenas 35% das pessoas com ensino médio completo podem ser consideradas plenamente alfabetizadas e 38% dos brasileiros com formação superior têm nível insuficiente em leitura e escrita. É o que apontam os resultados do Indicador do Alfabetismo Funcional (Inaf) 2011-2012, pesquisa produzida pelo Instituto Paulo Montenegro (IPM) e a organização não governamental Ação Educativa.
A pesquisa avalia, por meio de entrevistas e um teste cognitivo, a capacidade de leitura e compreensão de textos e outras tarefas básicas que dependem do domínio da leitura e escrita. A partir dos resultados, a população é dividida em quatro grupos: analfabetos, alfabetizados em nível rudimentar, alfabetizados em nível básico e plenamente alfabetizados. Criado em 2001, o Inaf é aplicado em uma amostra nacional de 2 mil pessoas entre 15 e 64 anos.
Os resultados da última edição do Inaf mostram que apenas 26% da população podem ser consideradas plenamente alfabetizadas – mesmo patamar verificado em 2001, quando o indicador foi calculado pela primeira vez. Os chamados analfabetos funcionais representam 27% e a maior parte (47%) da população apresenta um nível de alfabetização básico.
“Os resultados evidenciam que o Brasil já avançou, principalmente nos níveis iniciais do alfabetismo, mas não conseguiu progressos visíveis no alcance do pleno domínio de habilidades que são hoje condição imprescindível para a inserção plena na sociedade letrada”, aponta o relatório do Inaf 2011-2012.
O estudo também indica que há uma relação entre o nível de alfabetização e a renda das famílias: à medida que a renda cresce, a proporção de alfabetizados em nível rudimentar diminui. Na população com renda familiar superior a cinco salários mínimos, 52% são considerados plenamente alfabetizados. Na outra ponta, entre as famílias que recebem até um salário por mês, apenas 8% atingem o nível pleno de alfabetização.
Quando era um estudante de 21 anos, Stephen Hawking descobriu que sofria de esclerose lateral amiotrófica, doença degenerativa que mata as células nervosas responsáveis pelo controle da musculatura. Na previsão dos médicos, ele teria alguns meses de vida, nos quais assistiria o corpo fugir progressivamente de seu controle.
Contra fortes evidências, apostou na vida – e se tornou protagonista de uma história fantástica.
Aos 70 anos, já se casou duas vezes, teve três filhos e três netos, experimentou a gravidade zero num voo sub-orbital, acrescentou dados novos à teoria da relatividade de Einstein e popularizou a ciência ao escrever livros como Uma breve história do tempo (1988) e O universo numa casca de noz (2001).
“Não posso dizer que a doença foi uma sorte, mas hoje sou mais feliz do que era antes do diagnóstico”, afirma, em entrevista a ÉPOCA.
Doença degenerativa não impediu Hawking de vencer pela obstinação (Sarah Lee)
ÉPOCA – O senhor de considera uma pessoa de sorte, apesar de sua condição física. Por quê?
Stephen Hawking – Eu não tenho muita coisa boa para dizer da minha doença, mas ela me ensinou a não ter pena de mim mesmo e a seguir em frente com o que eu ainda pudesse fazer. Estou mais feliz hoje do que quando era saudável. Tenho a sorte de trabalhar com Física teórica, uma das poucas áreas em que a minha deficiência não atrapalha muito.
ÉPOCA – O senhor acha que viveu até hoje uma vida boa? Por quê?
Hawking – Quando minha doença foi diagnosticada, nem eu nem meus médicos esperavam que eu viveria mais 45 anos. Acho que meu trabalho científico me ajudou a seguir adiante. Na primeira hora, eu fiquei deprimido. Mas a doença avançou mais devagar do que eu esperava. Comecei a aproveitar a vida sem olhar para trás. Minha doença raramente atrapalhou meu trabalho. Isso porque tive sorte de encontrar a Física teórica, uma profissão em que minha doença quase não atrapalha. Faço meu trabalho dentro da minha cabeça. Na maioria das profissões, teria sido muito difícil.
ÉPOCA – Depois do diagnóstico, o senhor pensou em abandonar a própria vida?
Hawking – Eu acho que as pessoas têm o direito de encerrar a própria vida, se quiserem. Mas eu acho que seria um grande erro. Não importa quanto a vida possa ser ruim, sempre existe algo que você pode fazer, e triunfar. Enquanto há vida, há esperança.
ÉPOCA – O senhor teme a morte? Por quê?
Hawking – Medo de morrer eu não sinto, se é essa a pergunta, mas também não tenho pressa. Tem muita coisa que eu quero fazer antes.
ÉPOCA – O que o senhor ainda espera da vida?
Hawking – Todos nós vivemos com a perspectiva de morrer no fim. Comigo é exatamente igual, a diferença é que eu esperava a morte bem mais cedo. Mais ainda estou aqui. Antes de morrer, espero nos ajudar a entender o universo.
Nota do Blog do Carlos Santos – E você aí achando que tem problemas, avaliando que a vida é difícil, quase desistindo de tudo…
A Assessoria de Imprensa do senador José Agripino (DEM) emite nota à imprensa, explicando a citação do seu nome pela revista Época, em recente edição, sob a suposta conclusão de que estaria promovendo nepotismo (emprego de parentes) em seu gabinete.
Veja a nota abaixo:
Nota à Imprensa
Com relação a citação do senador José Agripino em reportagem da Revista Época desta semana, é importante ressaltar que a vedação do Senado é para parentesco de até terceiro grau, conforme determinação abaixo: A vedação é imposta pela Súmula Vinculante nº 13, de 2008, e pelo Decreto nº 7.203/2010, aplicável ao Senado Federal por força do Ato da Comissão Diretora nº 05/2011.
É vedada a investidura em cargo comissionado de pessoa que seja cônjuge, companheiro ou tenha relação de parentesco em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, de Senador ou de servidor do Senado Federal ocupante de cargo em comissão ou função de confiança de direção, chefia ou assessoramento (FC‐1, FC‐2, FC‐3, FC‐4 ou FC‐5).
O parentesco do servidor Ivanaldo Maia Oliveira com o Senador José Agripino é de sexto grau. (primo em sexto grau).
Nota do Blog – Tudo bem! Coerente o esclarecimento que atestaria a legalidade do vínculo do senhor Ivanaldo Maia, mas temos que fazer uma pergunta: por que a parentada, de qualquer grau, é sempre mais competente do que qualquer outro profissional ou não, para servir aos chamados “agentes públicos?”
Por que não valorizar o servidor de carreira em vez de insistirem na abundância de cargos ‘comissionados’?
O nepotismo está mais intenso do que nunca. Criam leis para evitá-lo e quem deveria obedecê-la trata de arranjar brechas para manter essa distorção.
O ‘nepotismo cruzado’ é uma festa por essas bandas potiguares. E muitos casos são até noticiados com naturalidade, sem qualquer censura pública ou legal.
Pelo que parece, provou-se que as mulheres preferem, sim, os mais ricos. E os homens, por sua vez, preferem, sim, as mais jovens e mais atraentes. E mais: sabem por que nós, mulheres, vivemos nessa luta desesperada contra a balança, tentando diminuir nossas barriguinhas? Porque uma barriga grande “imita, inconscientemente, uma gravidez”. E, no nosso inconsciente pré-histórico, sabemos que, quando um homem nos vê com a barriga grande, acha que já estamos grávidas! E o que é pior: de outro! E, neste exato momento, perde o interesse por nós.
Chocante? Li tudo isso há pouco tempo em uma pesquisa, publicada no início dos anos 90, por um professor da Universidade do Texas, David Buss.
A pesquisa defende por A + B que as mulheres realmente preferem os homens que possuem dinheiro, poder e status. Aliás, não só as mulheres: as fêmeas de modo geral! Na categoria “fêmeas” não estão incluídas apenas fêmeas de mamíferos, mas também insetos e passarinhos!
Tem uma passarinha que, por exemplo, escolhe o seu parceiro a partir da qualidade da casa construída por ele. Antes de decidir se quer namorar o passarinho, a passarinha faz tipo uma “vistoria” na casa que o macho construiu. Se a casa não lhe parecer “firme”, ela simplesmente dá as costas e vai embora. E cada vez que uma fêmea recusa a casa construída, o passarinho simplesmente DESTROI a casa e constroi outra nova, na esperança de, esta nova, mais sólida, ser aprovada por uma fêmea. Com quem ele poderá reproduzir.
Confesso que meus olhos contemporâneos destes tempos líquidos ficaram chocados. Pelo que li no livro, (intitulado “The Evolution of Desire: Strategies of Human Mating”), se eu tivesse vivido na Pré-História, teria morrido à míngua, com minhas crias abandonadas aos predadores por falta de um homem que me protegesse.
A teoria do autor baseia-se no fato de termos vivido muito mais tempo na Pré-História do que na chamada “civilização”. Segundo Buss, nosso imaginário hoje ainda está regido pelas duras regras da época das cavernas. E é este imaginário que nos guia na hora de decidirmos com quem queremos namorar.
De acordo com ele, é o nosso inconsciente pré-histórico que faz com que um homem bem-sucedido saiba (inconscientemente) que tem poder de escolher uma mulher mais jovem (e, consequentemente, mais fértil). Este homem bem-sucedido sabe (segundo o livro), seu valor de mercado. E também a mulher jovem e atraente sabe (inconscientemente) seu poder de barganha. Por isso, na hora de escolher um parceiro, seleciona o mais rico, ou melhor, aquele com maior capacidade provedora da comunidade onde está inserida.
O livro explica que as mulheres tendem a buscar, nos homens, características que aumentem o seu sucesso reprodutivo. Que características são essas? Segundo Buss, nós, mulheres, procuramos um homem que esteja apto a investir recursos em nós e nos nossos filhos, que esteja apto a nos proteger fisicamente, que aparente ser um bom pai, dentre outras características. Buss é categórico: as mulheres que, na pré-história, erraram nas suas decisões, escolhendo um homem doente ou frágil, acabaram por morrer abandonadas aos predadores.
Mas e os homens? O que querem? Segundo o livro, os homens querem o mesmo que nós. Ou seja, querem aumentar o seu sucesso reprodutivo. E, quanto mais jovem a mulher, mais altas as chances de fertilidade, certo? Por isso, os homens procurariam as mais jovens…
O livro ainda explica que, nos dias de hoje, mulheres bem-sucedidas (como Madonna ou Demi Moore, por exemplo), dão-se ao luxo de escolherem homens mais jovens. Mas que, com o tempo, essas relações esgotam-se porque, ambas as partes, cansam-se de um modelo que contraria o nosso “inconsciente” pré-histórico.
Dá o que pensar. Sobretudo porque a pesquisa foi feita com 10.047 pessoas em 37 culturas, da Austrália à Zâmbia, passando por culturas ocidentais e orientais. Por livre associação de idéias, lembro-me da manicure que semana passada me disse: “Quem disse que eu quero ser feliz? Eu quero é um homem que me dê um carro e uma casa para morar!”.
Será que ela está certa e nós, que buscamos simplesmente a felicidade num amor verdadeiro, estamos erradas?
Gisela Campos é escritora (texto originalmente publicado na revista Època Online)
Nenhum tema atormenta tanto o PMDB quanto a enorme popularidade da presidente Dilma Rousseff.
O medo da boa receptividade popular pode parecer estranho para um partido que tem o vice-presidente da República, Michel Temer, e quatro ministros aboletados na Esplanada. Afinal, esse sentimento seria mais próprio para a oposição.
O que o PMDB teme, porém, é que a presidente Dilma Rousseff se convença de que pode prescindir do apoio da legenda.
Nesse caso, o PMDB seria menos necessário à governabilidade e o Planalto poderia engavetar as demandas do aliado.