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Departures

Por Bruno Ernesto

Foto do autor da crônica (Bruno Ernesto)
Foto do autor da crônica (Bruno Ernesto)

No exato momento em que escrevi este texto, estava tomando um café em Congonhas, aguardando a boa vontade da companhia aérea para seguir viagem com destino a Belo Horizonte.

E, registre-se: como é bom constatar que as companhias aéreas continuam, ainda que mínima e timidamente, temente a Deus.

O vale que me deram pelo atraso – desculpe, já esgotei minha cota de estrangeirismo por hoje e não queria escrever voucher – foi suficiente para cumprir o direito fundamental e subjetivo do mínimo existencial.

Desde que você confronte a companhia, nada de má vontade lhe será fornecido.

É como diz o ditado: quem tem boca vaia Roma. Se bem que não queria necessariamente vaiar, porém queria ir mesmo, como sempre dizem.

Como é interessante o sobressalto do espírito republicano dos passageiros ali reunidos, circundando o balcão da companhia como se estivessem em plena Ágora. Cada qual com seus argumentos convergentes. E tem gente que ainda diz que não gosta de unanimidade.

Nada que o poder de persuasão incisiva de uma turba não resolva de forma caótica, quando a indignação de uma das partes se sobreponha à boa vontade de não resolver da outra.

É preciso que exercitemos a impaciência sempre que possível.

Bruno Ernesto é advogado, professor e escritor

Conversa com Dom Francisco de Sales

Por Carlos Santos

Conversa foi na Cúria Diocesana em Mossoró nessa quarta-feira (Foto: Valéria Bulcão)
Conversa foi na Cúria Diocesana em Mossoró nessa quarta-feira (Foto: Valéria Bulcão)

Foram quase duas horas de conversa. Rebobinamos o tempo em várias décadas e lugares. Peregrinamos por Araripina-PE, Olinda-PE, Goiana-PE, Recife-PE, Dublin-Irlanda, Roma-Itália, Cajazeiras-PB, Luis Gomes-RN e Mossoró. Ufa!

Nessa recente quarta-feira (12), fui recebido por Dom Francisco de Sales, bispo da @diocesedemossoro, na sala em que despacha na Cúria Diocesana, Centro da cidade. Não o procurei em busca de entrevista e de lá não saí com material para qualquer reportagem.

Tive oportunidade para conhecê-lo e o bate-papo versou sobre os mais diversos temas. Do seu despertar à vida sacerdotal na infância, na zona rural de Araripina, à densidade de estudos em Filosofia e Teologia no Instituto Milltown, em Dublin.

Tempo para um cafezinho, sem açúcar, pros dois, que ele fez questão de servir ao visitante. Bem antes, eu já o tinha ‘vitimado’ com meu segundo livro: “Só Rindo – A política do bom humor do palanque aos bastidores.”

Tímido, ou de natureza parcimoniosa, Dom Francisco de Sales Alencar Batista descontraiu-se mais adiante. Ao resgatar um caso da tradição oral pernambucana, sorrimos uníssonos.

Hora de partir.

Grato, Dom Francisco de Sales – o Carmelita.

Sucesso em seu pastoreio.

Bispo tem origem pernambucana, mas com trabalho e estudos na Irlanda e Roma Foto: Valéria Bulcão)
Bispo tem origem pernambucana, mas com trabalho e estudos na Irlanda e Roma (Foto: Valéria Bulcão)

Carlos Santos é criador e editor do Blog Carlos Santos que está no ar há mais de 17 anos

Um encontro no limiar dos apóstolos

Registro foi feito nessa sexta-feira (Foto: divulgação)
Registro foi feito nessa sexta-feira (Foto: divulgação)

O bispo da Diocese de Mossoró, Dom Mariano Manzana, publicou postagem neste sábado (21), com foto ao lado do Papa Francisco. O encontro ocorreu nessa sexta-feira (20), no Vaticano.

Ele compôs programação em grupo composto por 20 bispos dos estados de Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Paraíba e Rio Grande do Norte. Estiveram em reuniões e encontros em diversos Dicastérios (departamentos do governo da Igreja Católica que compõem a Cúria Romana).

Nordeste 2

O Episcopado do Regional NE2 cumpriu visita Ad Limina Apostolorum, no Vaticano, de 10 a 20 deste mês.

Literalmente, do latim, o termo quer dizer “no limiar dos apóstolos”.

“Na simplicidade de Papa Francisco traspassa o calor da sua humanidade, a profundidade da sua espiritualidade, a riqueza de sua sabedoria, a alegria de sua existência. Valeu sim tanta espera,” manifesta-se Dom Mariano.

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Allyson Bezerra cresce 13,5% e Rosalba apenas 1,3%

A pesquisa Rádio Difusora/Instituto Agorasei, que foi publicada nessa quarta-feira (28), é a terceira de uma série que a emissora divulga – sendo uma na pré-campanha e duas na atual campanha. O comparativo delas e o confronto de dados são bem reveladores.

A disputa à Prefeitura de Mossoró, segundo os números, mostra que a prefeita Rosalba Ciarlini (PP) patinha numa dianteira numérica há meses, sem arrancar. Parece ter chegado ao seu teto a duras penas, haja vista que não entrou na campanha com ‘gordura’, ou seja, boa sobra para enfrentar a concorrência com tranquilidade.

Ela oscilou de 32,5% em 21 de agosto para 31,5% em 16 de outubro e nessa nova sondagem se arrastou até 33,8%, crescimento dentro da margem de erro.

Já o adversário Allyson Bezerra (Solidariedade) segue em nítido crescimento, a ponto de empatar com ela agora. Ele tinha 20% no dia 21 de agosto, cresceu para 27,5% no dia 16 de outubro e dessa vez deu outro salto que o levou a 33,5%.

Nesse espaço de tempo e da primeira à terceira pesquisa, Allyson Bezerra inflou 13,5%, contra apenas 1,3% de Rosalba Ciarlini.

Quanto aos demais concorrentes, não há mínimo sinalizador que possam reagir e surpreender. Cláudia Regina (DEM) vive atrofia e Isolda Dantas (PT) está descartada completamente da contenda, a exemplo de Irmã Ceição (PTB) e Ronaldo Garcia (PSOL).

Veja abaixo a evolução das pesquisas:Voto útil

A ameaça que ronda a candidatura à reeleição de Rosalba Ciarlini é seriíssima. Sua estagnação é notória e inquestionável. A evolução de Allyson Bezerra é contínua e sólida.

Para Rosalba, o fantasma do “voto útil” é o agravante desse enredo. O fluxo de intenções de voto da pirâmide de indecisos tem sido contínuo na direção do seu oponente. Se isso não for estancado, o ritmo sendo mantido, ele logo estará à sua frente, virando uma onda sem controle.

Registre-se, ainda, que as outras candidaturas ditas competitivas, Cláudia Regina e Isolda Dantas, estão em falência múltipla, o que tende a se agravar com a nítida inviabilidade de ambas aos olhos de quem é antissistema, antirrosado, antirrosalbismo.

Podem sofrer ainda mais com perda de nutrição de intenções de voto até às urnas, mesmo que seus eleitores optem por candidatos a vereador de partidos em seu entorno.

Allyson, Cláudia e Isolda fazem parte do mesmo campo de oposição, pelo menos teoricamente. Existe campanha que parece sublegenda (ou força-auxiliar) de Rosalba e dos Rosados. Quer tudo, menos a mudança de modelo, paradigma, nome e sobrenome.

Bárbaros

Esse voto útil é um voto tático. É união por uma causa, assim até pode ser entendido. Não é simplesmente o voto para não perder, como acontece em incontáveis ocasiões.

Necessariamente, não se vota nesse ou naquele candidato por ‘gostar’, por se identificar ideologicamente ou por alguma avaliação qualitativa. É a coesão daqueles que têm diferenças com um adversário comum. Na história, na guerra e na política, esse tipo de composição é absolutamente normal e com milhões de exemplos.

Esparta e Atenas, inimigas por séculos, uniram-se numa aliança tática para derrotar o império militar desmedido da Pérsia.

Rosalba Ciarlini e seu grupo votaram maciçamente em Francisco José Júnior na eleição suplementar de 2014, derrotando de forma humilhante a deputada estadual Larissa Rosado (PSB, hoje no PSDB). Poderia ter ficado neutra, mas a então governadora preferiu trabalhar para impedir a ascensão do grupo da prima Sandra Rosado (PSB, hoje no PSDB), o que lhe parecia bem mais difícil de vencer adiante.

O Netflix, serviço de streaming (forma de entrega da mídia, do produto virtual) por assinatura, que permite assistir a séries e filmes sem comerciais, em um aparelho conectado à Internet, apresenta no momento a série “Bárbaros”.

Leia também: A força do não voto e o decisivo papel da catequese eleitoral.

Em síntese, reconta de forma romanceada a organização de diversos povos bárbaros para enfrentar a máquina profissional de guerra de Roma. Eles se detestavam, mas se uniram por um propósito de interesse a cada um. Não antecipamos o fim da série. Assista para entender. Numa analogia, é muito do que ocorre agora na política de Mossoró. Os não-romanos, ou seja, os bárbaros, enfrentam Roma.

A pesquisa contratada pela Rádio Difusora de Mossoró foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com o número  RN-08062/2020.

Ouviu 600 pessoas entre os dias 21 e 22 de outubro. A margem de erro é de 3,9% e a confiança em 95%.

Veja AQUI como foi o resultado da pesquisa anterior.

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STF sob ataque

Por Paulo Linhares

O Supremo Tribunal Federal, ou simplesmente STF, além de ser órgão de cúpula do Poder Judiciário brasileiro, atua igualmente como corte constitucional, atribuição esta que se traduz na guarda dos valores enfeixados na Constituição a partir da interpretação e aplicação de seus preceitos fundamentais. No chão republicano, a autonomia e independência dos tribunais judiciários são essenciais para afirmação da cidadania e garantia da paz social no contexto do Estado democrático de direito.

Desde quando tornou-se vencedora a ideia de que o Estado é formado por três poderes caracterizados pelo exercício das funções administrativa (Poder Executivo), legislativa (Poder Legislativo) e judiciária (Poder Judiciário). Embora independentes e autônomos, o funcionamento desses poderes deve harmônico de modo que sejam respeitadas, de modo recíproco, as atribuições de cada um, para reproduzir aquele modelo formulado, há mais de dois séculos, pelos fundadores dos Estados Unidos da América (os chamados “Founding Fathers”), pelo qual o mecanismo político-institucional da tripartição do poder do Estado – pensado por teóricos como John Locke e, sobretudo, pelo Barão de Montesquieu, deu a forma definitiva do que se conhece como “princípio da separação dos poderes”  –  deve funcionar segundo o sistema  dos “Freios e Contrapesos” (em inglês, “Checks and Balances”).

O equilíbrio entre os poderes é instrumentalizado pela interferência recíproca de um Poder no outro,  prevista na Constituição, por exemplo, quando o Poder Legislativo edita uma lei, pode o Poder Judiciário declarar essa  lei como inconstitucional, conforme previsto no artigo 102, inciso I, alínea “a”, da Carta Política. Quando um dos poderes interfere noutro além do que lhe autorizam os preceitos constitucionais, tem-se uma anomalia que, em diversos graus de gravidade, implica quebra do equilíbrio e pode redundar em crise institucional até capaz de romper a ordem estabelecida.

Ato do domingo (3 de maio), em Brasília voltou defender fechamento de STF (Foto: Jorge William/Agência O Globo)

Estes prolegômenos são necessários para uma reflexão, mesmo que rápida, sobre fatos que afetam gravemente à normalidade institucional na esfera política da União Federal e na relação desta, em especial, da Presidência da República, com as unidades federativas Estados e Municípios.

Com efeito, por uma questão de formação política de feição autocrática, o atual chefe de Estado e de governo do Brasil, Jair Bolsonaro, tem mostrado-se cada vez mais intolerante com  o desempenho regular das competências do Congresso Nacional, por suas duas casas, o Senado Federal e a Câmara dos Deputados, e do Supremo Tribunal Federal.

Ao invés de buscar o diálogo como (único) meio de superar dificuldades inevitáveis nessas relações entre Poderes, Bolsonaro tem  utilizado ferramentas instititucionais que só tem agravado a instabilidade política atual, alimentada por ele diariamente, o que torna mais difícil o enfrentamento das gravíssimas crises da saúde pública com a pandemia da Covid-19 e da economia, com seus males crônicos agregados pelas consequências do (imprescindível) isolamento social que paralisou a maioria das atividades econômicas, algo nuca visto na História, não apenas no Brasil, mas, no mundo inteiro.

A maior dificuldade de Jair Bolsonaro é intervir mínima e eficazmente que seja na política real. Por isso abre um saco roto, sujo e malcheiroso para sacar grotescos instrumentos de ação: uma metralhadora de insultos e grosserias que atingem adversários, aliados, gradas autoridades nacionais e estrangeiras, instituições e valores político-filosóficos assentes no mundo civilizado, tudo lastreado em raciocínios rasos, contrários ao conhecimento e à ciência. Sem dúvida, um travesso macaco numa loja de finas louças…

Presidente do "E daí?" (Foto: Evaristo Sá/AFP-Get Images)

Como todo demagogo que se preza, Bolsonaro vive o sonho de mobilizar, em manifestações  de rua, as massas populares por ele denominadas  como “apoiadores”. Assim, vez por outra pessoas vão às ruas nas principais cidades do país para “dar apoio” a Bolsonaro, além de defenderem bandeiras políticas esdrúxulas como o retorno da ditadura militar, a adoção do AI-5 (sic), os fechamentos do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal.

A despeito da indicação de isolamento social como principal forma de enfrentar a pandemia da Covid-19, o próprio Bolsonaro não apenas tem feito pouco caso disto,  como tem incitado seus apoiadores a participar dessas aglomerações. Mais grave é o propósito dessas manifestações, a exemplo das duas últimas ocorridas.

Na manifestação de 20 de abril de 2020, Bolsonaro fez agressivo discurso contra o Congresso Nacional e o STF, onde seus apoiadores portando faixas pediam o fechamento desses poderes e o retorno da ditadura militar, com a edição de um novo AI-5, claro, todas essas sandices tendo como pano de fundo o QG do Exército Brasileiro, o chamado “Forte Apache” para induzir uma ideia de apoio dessa importante e permanente instituição do Estado (e não apenas do Governo Federal).

Na outra, defronte o Palácio do Planalto, realizada em 3 de maio de 2020 com a presença de Bolsonaro que, sem proteção de máscara, distribuiu apertos de mãos e abraços, porém, piores foram as agressões que dirigiu contra os outros Poderes da República (Congresso Nacional e STF) e governadores estaduais, inclusive, criticou estes duramente:

– “Essa destruição de empregos irresponsável por parte de alguns governadores é inadmissível. O preço vai ser muito alto na frente, fome, desemprego, miséria, isso não é bom. Sabemos do efeito do vírus, mas, infelizmente, muitos serão infectados, muitos perderão suas vidas também, mas é uma realidade que temos que enfrentar”, afirmou Bolsonaro.

Faltou complementar com o seu tristemente famoso  “e daí?”  ou o “Não sou coveiro, tá”, quando, outro momento, foi indagado por jornalistas acerca dos mortos por coronavírus, num escárnio sem precedente às vítimas e familiares dessa terrível pandemia. E muita gente até hoje achava que o “S’ils n’ont pas de pain, qu’ils mangent de la brioche” (“se não têm pão, que comam brioche”), dita pela infeliz rainha de França em 1789, Marie-Antoinette, ao ser informada que o povo de Paris passava fome, que não tinha pão.

Na época, brioche –  um “pãozinho muito fofo, feito de farinha de trigo, fermento, manteiga, sal e ovos”, na definição do bom Aurélio – era uma iguaria consumida apenas pelos nobres e ricos. Pela frase, que numa escala de cinismo político estaria bem abaixo das tantas e supostas “boutades” tontas que produz Bolsonaro aos borbotões, diariamente, a velha Maria Antonieta perdeu a cabeça, literalmente, na guilhotina.

Por último, no dia 7 de maio de 2020, num gesto circense  e não menos patético, um misto de  farsa política e jogada de reles marketing, Bolsonaro e um grupo de empresários empreenderam uma marcha ao Supremo Tribunal Federal, a partir do Palácio do Planalto, sem qualquer aviso, pataquada que fez lembra aquela de outro político bufão, Benito Mussolini e milhares de fascistas que  empreenderam a famosa “Marcha sobre Roma”, em 22 de outubro de 1922, que marcaria o golpe de Estado de direita que impôs 23 anos de domínio do Partido Nacional Fascista e seu líder máximo, “il Duce”, ditador que enfeixava poderes imperiais e que, aliás, morreu em 28 de abril de 1945, fuzilado e dependurado como um porco num posto de gasolina em Mezzegra,  nos arredores de Milão.

Chamado às pressas, o ministro Dias Toffoli, presidente do STF, foi receber  Bolsonaro, alguns de seus ministros e vários empresários. Encheram uma exígua sala de reuniões. Surpreendido, Dias Toffoli ouviu uma série de invectivas de Bolsonaro, do Paulo Guedes e de alguns empresários, contra as medidas adotadas pelos governadores estaduais e prefeitos municipais em face da pandemia do coronavírus, cuja competência foi reconhecida em recente decisão do STF.

Novamente, enfadonhos, despropositados e intimidatórios discursos em que foram confrontados saúde pública e economia, diante de um contrafeito Dias Toffoli. Em qualquer país civilizado, a “blitzkrieg” de Bolsonaro seria vista como atitude hostil e atentatória ao princípio da separação de poderes com gravíssima quebra da harmonia e independência recíprocas.

Fato é que o ministro Dias Toffoli vacilou diante da marcha sobre o STF empreendida por Bolsonaro. Diante das circunstâncias, bom mesmo era não tê-lo recebido já que não fora avisado previamente nem estava na sede do STF. E o factoide armado por Bolsonaro seria reduzido à sua real insignificância. Lamentavelmente,  a despeito dos ataques ferinos perpetrados contra o STF, o seu presidente, Dias Toffoli,  tem sido leniente ao relevar agressões a princípios fundamentais que norteiam a convivência dos poderes da República na ordem democrática.

E já que foi receber Bolsonaro e suas falanges, ao menos Dias Toffoli poderia imitar a coragem e a altivez de um Miguel de Unamuno, o eterno reitor da Universidade de Salamanca, para dizer: “Este é um templo da Justiça e sou o seu sumo sacerdote. Aqui, a vida e a dignidade humanas são valores fundamentais!” Nada mais, além disto, a ser dito ou debatido. Pano rapidíssimo.

Paulo Linhares é professor e advogado

Quem tem Internet vai a Roma

A Internet e suas maravilhas. A ideia de vivermos num mundo comum, com aquele conceito de “Aldeia global”, a cada dia se materializa através da rede mundial de computadores e dispositivos móveis.

Talvacy: emoção (Foto: Web)

Quem nos oferta um exemplo particularmente interessante e, bonito, é o padre Talvacy Chaves (que foi pároco da Igreja de Nossa Senhora de Fátima em Mossoró). Ele vive em Roma (Itália) há alguns meses, para temporada de estudos.

De lá, acabou surpreendido pelo pai – “um homem da roça, simples” – que utilizou computador para se comunicar com áudio e imagem com o filho, a partir da bucólica cidade de Venha-ver no RN (pouco mais de 4 mil habitantes).

Veja abaixo essa experiência fascinante entre pai e filho, separados por mais de 7.400 mil quilômetros:

Acabo de viver uma das maiores emoções neste ano de 2016

Agora há pouco, estava sentado, lendo algo sobre autonomia comunicativa, quando, de repente, alguém me chama no Skype.

Quem? Papai. “Vixe como foi ligeiro, já cheguei aí em Roma”, respondeu espantado e todo feliz, com um chapéu velho na cabeça, quando me viu na tela do seu computador.

Foi a primeira vez na sua vida que, sozinho, liga o computador, entra na Internet, procura o Skype e se conecta com o seu filho que está do outro lado do mundo.

Papai, para os que não o conhecem, é um homem da roça, simples. Quando menino aprendeu apenas a ler e escrever o básico. Hoje, com seus 63 anos, vivendo no sítio, mostra o seu interesse em viver no ambiente digital, para poder se comunicar com seus filhos e, pouco a pouco, ter acesso a mais pessoas e mais fontes de informação e conhecimento.

A vida é assim, feita de emoções, de alegrias verdadeiras, aquelas que nascem dentro da gente ao sermos tocados por pequenos gestos. Por isso, sinto-me o prazer de compartilhar com vocês essa emoção inédita, que vale a pena guardar para sempre na minha memória.

Hoje, 27 de dezembro de 2016, às 18:15h, horário de Roma, 15:15h, horário do Venha-Ver.

Talvacy Chaves.

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Ditador e ditador

“Ditador” era o título dado em Roma a alguém diferenciado para dirigir a República em momentos de grande crise interna ou ameaça externa.

Era preenchido apenas em condições excepcionais, com aval do Senado – composto pela elite romana, o “patriciado”.

O ungido tinha mandato de seis meses (renovável), mas não autonomia ilimitada para impor sua vontade autocrática acima de Roma.

Após algumas experiências delicadas e desempenhos preocupantes, acabou extinto no primeiro século da era cristã.

Com o passar dos séculos, ditador virou sinônimo de sangue e intolerância, poder absolutista.

Seu conceito mudou, mudou seu papel. Tudo muito longe da semântica e da etimologia que o formaram no passado.

Mas há quem veja algumas ditaduras com romantismo e acredita em ditadores bonzinhos, mesmo torturando, matando e suprimindo o elementar direito à liberdade alheia.

Pai, perdoa-os!

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Padre da Diocese de Mossoró relata inquietação com terremotos

Após desembarcar em Roma (Itália) no início deste mês para nova fase de estudos na Universidade Pontificia Salesiana, o padre Talvacy Chaves (pároco da Igreja de Nossa Senhora de Fátima, da Diocese de Mossoró, natural de Venha Ver-RN) foi surpreendido hoje por novo terremoto.

O primeiro incidente sísmico já ocorrera dia 26 último. “Em Roma agora, senti minha mesa se mexendo, sensação arrepiante. Esperamos que seja apenas pra testar o coração. Dio mio (Deus meu)”, relatou ele àquele dia.

Fotos de padre Talvacy mostram situação após novos abalos na Itália neste domingo

Neste domingo, ele descreve a inquietação decorrente do novo fenômeno, com texto e fotos postados nas redes sociais. Pronto para o doutorado em Comunicação Social, parece ainda por se acostumar com a terra se mexendo sob seus pés. Leia:

Outro terremoto na Itália.

Foi o maior da minha vida, acima de 6 graus de magnitude. Nas proximidades do terremoto, catedral (foto abaixo) e casas destruídas.

O terremoto me acordou quando comecei a sentir a cama se balançando, como se eu estivesse deitado em uma rede.

Talvacy: apreensão (Foto: arquivo)

Uma sensação apocalíptica.

Eu estava começando a me recuperar do medo do primeiro que senti semana passada, vem outro terremoto muito maior.

Sinceramente, ainda não me acostumei a viver num lugar que a terra geme frequentemente. Sem palavras.

Com o sentimento de impotência diante do fenômeno, resta-nos rezar e estarmos em solidariedade com quem perde tudo e até a própria vida.

Talvacy Chaves.

Saiba mais informações sobre esse terremoto clicando AQUI.

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De Anderson Silva a Spartacus, do Octógno ao Coliseu

Por Carlos Santos

Atrações comuns na TV em botecos, bares, espetinhos etc. da periferia a endereços elegantes, lutas de MMA (artes marciais mistas) viraram uma febre no Brasil. Encantam pela ferocidade dos lutadores.

Pontapés, cotoveladas e bofetes em horário nobre levam milhões de pessoas ao êxtase e delírio, como se estivessem no Coliseu há centenas de anos.

Basquete, futebol e vôlei são trocados por um valor esportivo que é inoculado de forma distorcida na maioria dos jovens. Reflexo: mais violência.

Inversão de valores parecida com o que temos em novelas globais, em horário nobre, com enredos permeados de adultérios, espertezas vis e fragilização da família.

Não promovo o falso moralismo, mas levanto discussão com base científica e vivência empírica.

A violência lá fora é, em parte, resultado do que temos em casa. Ou não temos.

Sou uma raridade na madrugada brasileira: não assisti luta entre o brasileiro Anderson Silva e o norte-americano Chris Weidman. Pelo o que li no Twitter, nosso Silva levou outra sova.

Que se recupere. Parece ser um vencedor, mesmo espichado no octógono.

O velho esporte bretão ainda me fascina.

No ringue, opto por Spartacus em Roma. O Gladiador do cinema enche meus olhos.

Dois homens ensanguentados numa ratoeira não me atraem. Mas respeito quem gosta.

Essas diferenças é que nos fazem humanos e únicos.

Debater, sem sopapos, nos torna inteligentes e sábios.

A ‘anomalia’ de ser oposição no Brasil do patriciado

Os partidos brasileiros existem desde a primeira metade do Século XIX. De lá para cá, mais de 170 anos depois, a impressão que temos é de que na verdade só existe um aglomerado de siglas, sopinha de letras. De verdade mesmo, temos o “Partido do Patriciado”.

O patriciado, na Roma republicana, era o grupo ou classe dos que, por berço ou por concessão, detinham o prestígio dos títulos nobiliárquicos que significavam poder político. Só eles ascendiam aos cargos públicos.

Através dos  séculos e neste lado do Atlântico, a prática política do pindorama brasileiro tem dificuldade de funcionar diferente.

Já dizia o acadêmico e historiador José Honório Rodrigues, que no Brasil nunca existiu partido político; o pluripartidarismo seria uma miragem. Todos querem ser do patriciado. Pertencer à oposição é uma anomalia, quase um acinte, conforme a cultura política nacional.

Por isso que não temos partidos centenários, como nos Estados Unidos da América (EUA). Lá, o Democrata nasceu em 1790. São mais de 220 anos. O Republicano foi formalizado em 1837. São quase 175 anos de vida.

O instável ambiente político-institucional brasileiro ajuda a explicar, em parte, essa vocação para a voz única e punição ao contraditório. Estamos na sétima Constituição Federal – EUA só possui uma em toda sua história -, fomos uma Monarquia que desabou numa pseudo-República e já tivemos pelo menos dois regimes ditatoriais explícitos – Estado Novo de Getúlio Vargas e Ditadura Militar de 1064.

Realmente, não é fácil ser oposição nesse Brasil varonil!